INFOGRÁFICO Primeiras fases no tratamento da fibromialgia

INFOGRÁFICO Primeiras fases no tratamento da fibromialgia

A fibromialgia é classificada como uma doença musculoesquelética que ainda confunde muitos profissionais. O paciente sofrendo com tal patologia fica hipersensível a estímulos externos, podendo sentir dor em qualquer situação.

Ele passa por períodos calmos, com poucos sintomas aparentes, e exageradamente ativos, quando sente desconforto em qualquer momento. Apesar de precisarmos tratar esses pacientes com todo cuidado, pouco é conhecido quanto às suas causas.

O fisioterapeuta faz parte de uma equipe multidisciplinar que atua no tratamento do paciente fibromiálgico que tem como objetivo devolver sua qualidade de vida. Os exercícios físicos parecem ser uma boa maneira de diminuir o quadro de dor, mas precisamos saber exatamente como tratar esse paciente.

Fiz esse guia rápido abaixo para que você entenda melhor como é o tratamento inicial de um paciente com fibromialgia. Esse guia deve ter ajudar a planejar e preparar o tratamento desde as fases iniciais.

Infográfico: fases iniciais no tratamento da Fibromialgia

tratamento inicial da fibromialgia

Conclusão

Com os exercícios adequados conseguimos melhorar consideravelmente a qualidade de vida do nosso paciente. Para isso deveremos começar com uma boa parte da aula dedicada ao alívio da dor, que será um fator limitante a princípio.

Eventualmente o aluno conseguirá dedicar mais e mais tempo aos exercícios, tornando-se um verdadeiro praticante de Pilates. Os exercícios praticados com frequência serão uma maneira de evitar novas recaídas no quadro.

O paciente fibromiálgico também precisa de acompanhamento psicológico. Seu estado emocional está muito relacionado às dores e desconfortos, portanto devemos encaminhá-lo a um profissional da área quando necessário.

Seguindo essas dicas você conseguirá iniciar o tratamento da fibromialgia de maneira eficiente. Sempre respeite seu aluno e sua dor para que ele continue a ter motivação para continuar evoluindo. Se quiser aprender ainda mais sobre o Pilates no tratamento da fibromialgia recomendo meu texto abaixo. Nele dou uma explicação completa da patologia baseada em evidências científicas.

[colocar link]

Quais são os tipos de alongamento e qual é o melhor

Quais são os tipos de alongamento e qual é o melhor

O alongamento é definido como uma atividade física que tem como objetivo melhorar a flexibilidade. Os exercícios devem levar ao estiramento de fibras musculares e aumentar seu comprimento. Seu principal resultado é aumentar a flexibilidade.

Podemos perceber dessa maneira a importância do alongamento para o funcionamento do corpo.

Falando de alongamento é impossível evitar que a imagem de atletas se preparando para começar um treino ou competição venha à mente.

Hoje em dia você também pode ver essas posições na rua. Desde que as corridas de rua se tornaram populares podemos assistir a pessoas sentadas no chão alcançando os dedos dos pés. Todos eles acham que essa é a melhor maneira de iniciar seus esportes ou atividades físicas.

Essa é uma questão que deixa muitos professores de educação física e fisioterapeutas divididos. É difícil chegar a um acordo sobre a necessidade e o benefício do alongamento antes e/ou depois do treino. Outro ponto polêmico são os tipos de alongamento que devem ser realizado em cada atividade.

As maiores discussões recaem sobre:

  • Alongamento estático;
  • Alongamento dinâmico;
  • Alongamento balístico.

Profissionais e especialistas discutem sobre definições e usos de cada um deles. É exatamente esse o motivo que me levou a escrever esse artigo.

Aqui iremos contextualizar e compreender cada um deles. Se você está curioso continue lendo.

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O que é alongamento?

Primeiro é necessário entender cada conceito. Alongamento pode ser definido como:

Técnica que serve para melhorar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo perarticular. Isso contribui para uma maior amplitude de movimento, flexibilidade e mobilidade das articulações.

Se utilizarmos o aquecimento antes do exercício ele adquire o objetivo de tirar o corpo de repouso e aquecê-lo.

Alongamento estático

tipos de alongamento estático

O alongamento estático é um exercício que coloca os músculos no maior comprimento possível. A posição é mantida por um certo tempo que varia inicialmente entre 15 segundos e 60 segundos.

Alongamento dinâmico

Já o alongamento dinâmico realizar um movimento onde o membro vai da posição neutra até o alcance final, para depois voltar à posição neutra. A ação dinâmica do exercício é feita de maneira suave e controlada, sendo repetida por certo tempo.

Alongamento balístico

O alongamento balístico pode ser feito de duas maneiras:

  • O músculo é levado a estiramento na sua amplitude final de movimento através de uma força externa.
  • O músculo é estirado na sua amplitude final de movimento por uma musculatura antagonista ao movimento.

Depois de chegar à máxima amplitude, contrações musculares insistidas e vigorosas, como “sacudidas”, buscam maior alcance de movimento.

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Pesquisas sobre alongamento e a má informação

pesquisas sobre tipos de alongamento

Os alongamentos foram utilizados antes e depois de todas as atividades físicas para melhorar a flexibilidade e mobilidade e prevenir lesões por muito tempo.

As pesquisas começaram a surgir principalmente devido às necessidades do esporte de alto rendimento.

Nesse tipo de esporte qualquer pequeno detalhe pode ser a diferença entre uma medalha e um fracasso. Por isso começaram a ser feitas séries pesquisas com o intuito de responder se existe ou não um benefício. E, se existe, qual seria o grau alcançado com os alongamentos.

Inicialmente as pesquisas só utilizavam posições estáticas para alongar antes e depois do treinamento. Eventualmente as outras modalidades e formas de alongamentos também foram estudas e comparadas entre si.

Na década de 80 as pesquisas começaram a analisar os benefícios do alongamento estático em esportes que precisam de sprints de largada, saltos ou força. Esses esportes já começavam com explosão e alta exigência física para tirar o corpo da inércia.

Os estudos mostraram que o alongamento estático não só não tinha benefícios, como também poderia diminuir a potência e força do atleta. Também não ficou comprovado que a prática prevenia lesões.

Porém é preciso ver que as análises mediam somente um resultado: melhora ou não no resultado da prova analisada. Outros possíveis benefícios não eram considerados nos estudos.

É comum que os resultados cheguem incompletos ou superestimados ao público e nesse caso não foi diferente. Ao ficar sabendo dessas pesquisas, muitos profissionais e praticantes de atividades físicas deixaram de realizar alongamentos.

Realmente, o alongamento estático é uma maneira pouco eficiente de aquecer e preparar o corpo para o movimento subsequente. O que não quer dizer que ele deveria ficar ausente da prática de atividades físicas.

Devemos rever o uso indiscriminado desse tipo de alongamento e também o seu não uso e entender qual é a hora ideal de utiliza-lo.

Onde usar o alongamento estático?

alongamentos estáticos cuidados

Algo que os profissionais da saúde sabem? A falta de flexibilidade e mobilidade lenta e gradativa em alguns atletas e adultos pode levar a lesões a médio ou longo prazo.

Nesses casos a falta de mobilidade e lesões podem estar relacionadas com alterações teciduais de longo prazo. Devido a essas alterações, tais casos talvez não respondam bem aos alongamentos dinâmicos.

Esse seria um exemplo perfeito da boa aplicação do alongamento estático. Mas é necessária muita atenção com alguns cuidados e orientações que precisam ser melhor observados.

Cuidados com o uso do alongamento estático

Precisamos exigir do aluno ou atleta bom alinhamento para cada movimento. Sempre lembre que o que queremos em aula é o bom alinhamento de cada um. Cada corpo é único e assim deve ser tratado.

Mencionei esse detalhe porque ele realmente é extremamente importante. Lembrar das características individuais do aluno muitas vezes é o segredo entre o sucesso e o fracasso.

Atingir uma melhora da saúde ou da performance não é um motivo para forçar alguém a assumir posições dolorosas. Pelo contrário, a dor sempre é um sinal de aviso.

Com uma atenção constante é possível evoluir à uma postural ideal ou muito próxima dela.

Depois de alinhado o cuidado deve ser com o posicionamento correto do membro a ser alongado. Novamente, temos de respeitar a amplitude de movimento alcançada por cada aluno ou atleta.

Para essas situações as pesquisas comprovam que o ganho de flexibilidade e mobilidade adquirido durante a sessão é mantida a longo prazo e assim uma evolução é conquistada.

Existe mais uma condição a ser observada para usar o alongamento estático com eficiência: o tempo de duração do movimento.

Depois de identificar as situações onde o alongamento estático é ideal, é importante definir tempos mínimos e máximos para cada um deles.

Análises mais recentes mostram que tempos maiores têm maiores resultados e que também são mais duradouros. Esse achada é quase um consenso geral sobre o alongamento estático.

Pesquisadores que analisaram o tempo de resposta de cada musculatura ao alongamento chegaram às seguintes conclusões:

  • Tempos iguais ou superiores a 180 segundos geram uma resposta significativa;
  • O tempo de 270 segundos seria o ideal.

Parece muito tempo, mas é preciso lembrar que esse alongamento busca uma posição e a sua manutenção. Então é necessário o uso de uma boa respiração com o devido relaxamento da musculatura envolvida. Assim a mesma vai conquistando sua maior amplitude sem um grande estiramento, nem tamanho sofrimento.

Os estudos que comprovam essas análises tornaram evidente a eficiência do alongamento estático para:

  • Ganho de flexibilidade;
  • Ganho de mobilidade.

Mas tudo isso depende do momento em que ele é aplicado durante o processo de condicionamento físico, assim como sua duração.

Quando falamos de atletas precisamos de um esforço ainda maior por parte de seus técnicos. Eles serão responsáveis por definir uma estratégia para usar o alongamento estático nos treinamentos.

Alguns treinadores utilizam o alongamento após o treino. Mas observou-se que esse tipo de atividade não proporciona ganho de flexibilidade ou mobilidade.

A saída encontrada para não comprometer o desempenho é:

Fazer alongamentos estáticos como um primeiro movimento antes de iniciar qualquer atividade. Dessa forma é possível ganhar comprimento com os músculos ainda frios. Depois seguem-se outros alongamentos que preparam para os treinos técnicos mais específicos aos seus objetivos.

Alongamento dinâmico

tipos de alongamento dinâmico

A melhor alternativa encontrada para o pré-treino de atletas ou alunos é o alongamento dinâmico. Ele pode ser usado para melhorar a mobilidade e para aquecer o corpo imediatamente antes do treino.

Algumas razões que justificam a aplicação de movimentos dinâmicos antes das atividades físicas são:

  • Na maioria das vezes existe uma estreita semelhança entre o alongamento e os padrões de movimento de exercício ou esporte subsequente;
  • Ao alongar grupos musculares a serem utilizados, professores e preparadores físicos utilizam os movimentos dinâmicos nas articulações também amplamente utilizadas;

Os movimentos dos alongamentos dinâmicos podem elevar a temperatura do corpo e a circulação sanguínea. Com esta ação o oxigénio passa com mais facilidade da corrente sanguínea para os músculos, usando de maneira mais eficaz o glicogénio muscular armazenado.

Um alongamento que aquece o corpo facilita o uso da energia que sera necessária. As atividades dinâmicas devem ser controladas para que gerem um leve aquecimento. Elas tendem a aumentar a velocidade da condução do impulso nervoso, o que resulta em uma maior velocidade de reação e coordenação dos movimentos.

Características do alongamento dinâmico

cuidados no alongamento dinâmico

O que deve ser extremamente observado ao iniciar-se um programa de alongamento dinâmico bem orientado é:

  • amplitude do movimento – movimentos curtos
  • a velocidade do movimento – movimentos lentos
  • a forca gerada durante esses movimentos – movimentos leves
  • o numero de repetições – pode-se optar entre 8 a 12 repetições.

Muitas pesquisas perguntam-se sobre a eficiência do alongamento dinâmico para prevenir ou reduzir lesões. A resposta ainda é bem divergente.

Algumas pesquisas observam nenhuma alteração ou uma diferença mínima na incidência de lesões.

Já estudos que avaliaram também o nível de desconforto no pós-treino para os atletas encontraram uma melhora significativa.

Hoje em dia também existe uma dúvida sobre o efeito do alongamento pré-treino no desempenho do atleta. Existem informações conflitantes, porém a maioria das evidências mostram que ele tem mais influência sobre o desempenho se comparado ao alongamento estático. Esportes que utilizam potência e agilidade apresentam resultados mais significativos. Percebeu-se que os alongamentos produziram um aumento no desempenho subsequente. Esportes de sprint tiveram resultados menos significativos. Mesmo assim ainda existe algum benefício nos alongamentos dinâmicos para essa categoria. Os únicos a não encontrarem benefícios foram os esportes de força.

Preparadores físicos sempre querem melhorar o desempenho e evitar lesões em seu atleta. Sendo assim, movimentos de alongamento dinâmico deve sempre similares aos usados na atividade principal.

Alongamento balístico

tipos de alongamento balístico

Não devemos confundir alongamento dinâmico com alongamento balísticos.

Ambas as atividades envolvem movimento, mas são realizadas de maneira bem diferente. O alongamento balístico é feito com movimentos rápidos e bruscos de forma repetitiva para mover músculos e articulações além de sua faixa normal de amplitude de movimento.

Seu objetivo é buscar a flexibilidade pontual para a atividade requerida. Apesar de relativamente popular  este tipo de alongamento não deve ser indicado. Devemos evitar alongamentos balísticos principalmente em:

  • Iniciantes na prática de atividade física;
  • Atletas amadores;
  • Adultos mais velhos.

É importante evitar o alongamento balístico com esses públicos por ser inseguro e extenuante. Além disso ele aumenta a chance de lesões severas durante sua prática.

Vamos entender melhor como funciona o alongamento balístico. Imagine seus músculos esticados e funcionando como uma mola. Ela irá arrasta-lo para fora da posição, gerando uma distorção dessa mola. Ele pode aproximar os músculos e deixá-los menos flexíveis por não dar ao corpo a chance de se ajustar à posição e voltar de maneira organizada. Desta forma a resposta corporal muscular será negativa.

As pesquisas indicam que o alongamento balístico é completamente ineficiente para melhorar o desempenho de atletas. Achados científicos mostram que os músculos podem ficar fadigados devido aos alongamento vigorosos.

Os achados científicos demonstraram uma possível fadiga dos músculos devido a esses alongamentos vigorosos. Eles também ativam o mecanismo de proteção músculo tendínea que são os Órgãos Tendinosos de Golgi (OTG).

Os OTGs encontram-se próximos a todas articulações. Localizam-se nos músculos, e preferencialmente perto a transição da porção muscular e sua ligação tendínea.

Essa proteção corporal do sistema musculoesquelético chama-se reflexo de estiramento. Ele ocorre quando o comprimento do músculo se altera rapidamente.

Desta maneira é transmitido um sinal aferente para a medula espinhal que entende que essa alteração brusca tem a capacidade de romper esse músculo. Esse sinal gera uma resposta eferente que induz uma contração do mesmo músculo do qual o sinal foi enviado.

Esse reflexo funciona para se opor a modificações bruscas do comprimento muscular, evitando assim lesões musculares.

Como decidir o melhor alongamento

como decidir o melhor tipo de alongamento

Falando de forma bem ampla, a comunidade científica relacionada a atividades físicas sempre busca respostas para dúvidas. Esse esforço acontece na tentativa de responder questões de um grande número de pessoas e para melhorar os recordes esportivos. Por isso as linhas de pesquisa são extremamente variadas. Cabe a nós profissionais do movimento, analisar, ponderar e decidir qual o melhor caminho a seguir para alcançar os objetivos e suprir as necessidades dos nossos alunos e atletas na conquista do melhor desempenho.

Síntese dos três tipos de alongamento

síntese dos tipos de alongamento

Diante do exposto e de todas as evidencias discutidas nesse texto podemos definir alguns pontos importantes quanto ao uso dos diversos tipos de alongamento:

O alongamento Estático é um excelente método para melhorar a flexibilidade estática. Podemos usá-lo para aqueles atletas que apresentam um corpo rígido devido à prática do seu esporte, jovens que crescem com uma quantidade e qualidade extremamente reduzida de movimento e adultos que estão envelhecendo cada vez mais imóveis devido as suas funções laborais e atividades de vida diária.

Para estes as sessões de alongamento devem ser mais duradouras e específicas. Ou seja, nada que precise ser rápido e que pareça sem importância. Especificamente para os atletas é possível fazer essa sessão antes de iniciar seus treinos regulares. Os alongamentos estáticos serão feitos antes de qualquer outro movimento. Não pode-se esquecer que a respiração é uma grande aliada no processo de flexibilidade.

Para atingir melhores resultados é necessário respirar de maneira tranquila e fluida, a respiração não pode ser mais um agente estressor, pelo fato de que se isso ocorrer a rigidez muscular é aumentada.

O alongamento dinâmico é agora defendido como um método de alongamento benéfico e com a finalidade de maximizar desempenho. A eficiência desse alongamento não só pode alterar a probabilidade de possíveis lesões, como também tem impacto direto na possibilidade em executar sua capacidade máxima de rendimento.

Sendo assim, o alongamento dinâmico desempenha um papel muito importante na melhoria de seus níveis de desempenho e deve ser uma parte fundamental no processo de treinamento. O alongamento dinâmico utiliza a velocidade do movimento, o impulso controlado e o esforço muscular ativo para provocar o alongamento.

De acordo com o principio da especificidade, parece óbvio realizar um alongamento dinâmico antes de uma atividade dinâmica. Sao esses alongamentos que usamos em nossas aulas de Pilates.

Já o alongamento Balístico deve ser evitado por, em sua grande maioria, despertar no organismo um resposta de defesa e não melhor flexibilidade e mobilidade articular. Movimentos muito rápidos, amplos demais e com pouco controle podem também machucar muito antes de qualquer possível beneficio. Mas caso alguém ainda opte por este tipo de alongamento ele deve ser muito bem orientado e apenas para aqueles que sabem realmente utiliza-lo.

Conclusão

Um outro ponto a ser observado é a necessidade urgente das pessoas moverem-se melhor para então moverem-se mais. Os corpos estão cada vez mais rígidos e imóveis. Isso ocorre por diversos motivos, como a busca desmedida por uma estética ideal.

Um ideal do outro e não ao seu próprio beneficio.Nesse ideal grandes volumes musculares tornaram-se sinônimo de beleza e mínima mobilidade. Eles são responsáveis por desequilíbrios biomecânicos, que acabam por corresponder a indivíduos com dificuldades para executar todo e qualquer movimento de maneira organizada, de maneira muito menos efetiva.

Uma corrida desenfreada na busca de resultados profissionais, com esse objetivo a frente muitos abolem qualquer “desperdício de tempo” com atividades pouco importantes. O cuidado com a máquina mais importante e indispensável nessa produção o seu próprio corpo parece ser dispensável.

Essas pessoas ignoram que quanto mais eficiente este corpo estiver mais produtivo ele será. Logo, perdemos a oportunidade de subir dois lances de escada se temos o elevador a nossa disposição. Nos finais de semana preferimos ficar literalmente jogados em um sofá confortável a realizar uma caminhada com nossos cães ou um passeio no parque com nossos filhos.

O progresso científico em diversos setores também é responsável por uma vida cada vez mais sedentária. Esse novo estilo de vida é péssimo não só para a flexibilidade muscular, mas também para vários outros sistemas.

Há também aqueles que se tornam rígidos justamente por não fazer absolutamente nada por opção. Passam tempo demais deitados em seus mundos abstratos com jogos e fantasias. Eles comem demais e seus volumes os tornam incapazes de realizar um número bastante grande de movimentos funcionais.

Também existem tantas outras maneiras de economizar cada dia mais movimentos indispensáveis para um corpo saudável. A evidência é o aumento da obesidade na maioria das grandes cidades no decorrer dos tempos.É preciso nos mexermos e alongar nossos corpos. Esse pode ser um bom início para saber qual, como e por que usar o corpo de forma otimizada e ao nosso favor. Não pode ficar para depois.

 

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Qual a Relação entre a Ergonomia e o Método Pilates?

Qual a Relação entre a Ergonomia e o Método Pilates?

O Método Pilates é uma ferramenta maravilhosa para equilibrar e estabilizar um corpo cheio de compensações. Já sabemos isso. Mas você também sabia que o Pilates foi bastante influenciado pela ergonomia?

Nesse artigo entenderemos como os conceitos da ergonomia são valiosos para o Pilates e como aplicá-los em aula. Você também verá ao fim do artigo uma sugestão minha para trabalhar com aqueles alunos que passam o dia inteiro sentados e estão cheios de problemas posturais.

O que é ergonomia?

ergonomia no pilates

A palavra ergonomia vem do Grego e significa:  “ergon” = trabalho, e “nomos”= leis, regras ou normas. Ao pé da letra significaria as normas do trabalho.

Alguns autores consideram que a ergonomia surgiu junto com o homem primitivo. Este começou a aplicar os princípios da ergonomia ao fazer utensílios para fazer a mesma atividade com menos esforço e mais conforto. Alguns deles são:

  • Cacimbas;
  • Tacapes;
  • Roda.

Consideramos o grande Leonardo da Vinci (1452 – 1513) como o precursor da ergonomia e principalmente da antropometria. Ele foi um grande gênio e acumulou as funções de:

  • Pintor;
  • Arquiteto;
  • Engenheiro;
  • Cientista;
  • Escultor renascentista.

Em seus estudos, Leonardo da Vinci observava a relação do homem e o seu entorno. Ele demonstrou claramente a preocupação central dos fatores humanos. Em seus projetos, as máquinas e suas funções se ajustavam ao homem, facilitando a execução de diversas atividades.

A releitura e de “O Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci é uma referência significativa nos estudos da antropometria e da ergonomia. Vemos inclusive a importância de que os projetos levem em consideração essas relações.

Apesar de da Vince, só na revolução industrial a ergonomia se expandiu, especialmente durante as duas guerras mundiais. A ergonomia foi de fundamental importância no desenvolvimento de armas e equipamentos bélicos.

Os equipamentos usados em guerra deveriam ser precisos e adaptados a soldados de vários países com medidas antropométricas diferentes.

Joseph Pilates e a ergonomia

joseph pilates e a ergonomia

Dá para imaginar que Joseph Pilates levou princípios ergonômicos para criar seu primeiro equipamento, o Universal Reformer. O nome veio da palavra reformer porque o equipamento “reformava” todo o corpo. Ele também foi chamado de “Universal” porque todos os movimentos eram possíveis no equipamento (movimentos em todos os planos).

Joseph criou o Reformer para que as pessoas pudessem trabalhar seu corpo inteiro ao mesmo tempo e melhorar a postura.

Joseph Pilates também acreditava que ao treinar com uma carga externa o movimento seria mais eficiente e harmonioso na retirada da carga. Ou seja, as molas do Reformer preparavam o corpo para seu movimento habitual.

Bem, já sabíamos que Joseph Pilates era um pioneiro. Mas a pergunta permanece, como utilizamos a ergonomia em nossas aulas de Pilates?

Então vamos continuar nossa jornada de estudos até as pesquisas mais recentes e a aplicação da ergonomia nos dias atuais.

Ergonomia nos dias atuais

ergonomia nos dias atuais

A Ergonomia surgiu como ciência da forma da em 1949. Nessa data o engenheiro inglês Kenneth Frank Hywel Murrell oficializou a primeira sociedade de ergonomia do mundo, a Ergonomic Research Society.

A sociedade reunia fisiologistas, psicólogos e engenheiros que se interessavam pela adaptação ao trabalho do homem. A partir daí a ergonomia se desenvolveu em outros países industrializados e em desenvolvimento.

Antes disso, em meados do século XIX Frederick Winslow Taylor lançou o livro Administração Científica. Ele descrevia seu experimento para encontrar o tamanho e o peso ideal de uma pá de carvão. Dessa maneira ele poderia triplicar a quantidade de carvão que os trabalhadores podiam carregar em um dia de trabalho.

Apesar de forcar mais na eficiência e produtividade do trabalho, Taylor contribuiu muito para o desenvolvimento da ergonomia atual.

A Associação Brasileira de Ergonomia – ABERGO (2017) descreve que:

Em agosto de 2000, a IEA – Associação Internacional de Ergonomia adotou a definição oficial apresentada a seguir. A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. ” [GIZELE: transformar em imagem]

A mesma instituição também cita que ergonomia é:

  • Uma disciplina orientada para abordar de forma sistêmica todos os aspectos da atividade humana. Considera-se trabalho toda atividade desenvolvida pelo homem.

Portanto, podemos aplicar estudos ergonômicos no:

  • Lar;
  • Transporte;
  • Lazer;
  • Escola;
  • Trabalho;
  • Outros.

A ergonomia é uma ciência interdisciplinar e usa conhecimentos das áreas de:

  • Anatomia;
  • Fisiologia;
  • Biomecânica;
  • Antropometria;
  • Psicologia;
  • Engenharia;
  • Desenho industrial;
  • Informática;
  • Administração;
  • Outras.

Usando todos esses conhecimentos a ergonomia consegue alcançar o máximo de eficiência, conforto e segurança na atividade. Chamamos essas 3 características de tríada básica da ergonomia.

Tríade básica da ergonomia

A partir dessa tríade básica (segunda, conforto, eficiência) temos a primeira semelhança com o Pilates. Lembra das três leis corporais? Elas são:

  • Lei do conforto;
  • Lei da economia;
  • Lei do equilíbrio.

Vamos agora relembrar as três leis corporais:

  • Lei do Equilíbrio: Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico). É sempre prioridade e as soluções encontradas são sempre econômicas.
  • Lei do Conforto: O funcionamento de um corpo é fisiológico e sempre confortável. Já o comportamento de um corpo não fisiológico, estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.
  • Lei da Economia: Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Assim, podemos relacionar estes dois conceitos no trabalho corporal do método Pilates. Tem-se então:

  • Equilíbrio = Segurança: Um corpo em equilíbrio gera segurança para realização de uma atividade, enquanto uma atividade segura mantém o equilíbrio corporal.
  • Conforto = Conforto: A presença de um desconforto (dor) demonstra sempre um desequilíbrio do corpo ou da atividade, que deve ser investigado e tratado, para que este corpo volte a trabalhar no equilíbrio, logo no seu conforto.
  • Economia = Eficiência: Um trabalho corporal eficiente utilizará de toda sua energia potencial para gerar energia cinética, evitando sobrecargas em áreas e/ou regiões específicas.

Na prática podemos concluir que, um trabalho corporal seguro, confortável e eficiente devemos leva em consideração sempre o equilíbrio corporal. Portanto devemos investigar e tratar as possíveis causas de dor que podem estar relacionadas a todos os sistemas que nosso aluno ou paciente reporta.

Em seguida promovemos um movimento eficiente, para que não ocorra sobrecarga em uma ou mais regiões corporais do que em outras. Para tanto um trabalho global e consciente proposto pelo método desenvolvido por Joseph Pilates pode nos ser uma excelente ferramenta para mantermos as tríades ergonômicas e corporais.

Entendido isto, vamos agora navegar um pouco mais pelas divisões da ergonomia para entendermos um pouco mais do que essa ciência pode contribuir para nosso trabalho com Pilates.

Divisões da ergonomia

De acordo com a Associação Internacional de Ergonomia (IEA), esta ciência pode ser dividida em três domínios de especialização, são eles: Ergonomia Física, Ergonomia Cognitiva e Ergonomia Organizacional. Tentemos entender claramente um pouco mais sobre esta divisão.

  • Ergonomia Física: estuda as reações do corpo humano as cargas físicas. Exemplos: a manipulação de materiais, o arranjo físico de estações de trabalho, as demandas do trabalho como repetição, vibração, força e postura estática.
  • Ergonomia Cognitiva: se preocupa com os processos mentais, tais como: percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, incluindo carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, e o erro humano.
  • Ergonomia Organizacional: esta analisa a estrutura organizacional, as políticas e os processos do trabalho. Neste item estão inclusos o trabalho em turnos, a hierarquia organizacional, o trabalho em equipe, a teoria motivacional, a ética profissional e o trabalho a distância.

Todas estas áreas são igualmente importantes e se complementam. Através delas uma instituição de produção pode aumentar a produtividade e a qualidade do produto. Ao mesmo tempo, ela evita comprometer a qualidade de vida dos seus trabalhadores.

Lembremos sempre, que a prevenção é mais barata, rápida, eficiente que o afastamento do trabalhador. Não importa o motivo desse afastamento seja por acidentes ou lesões causadas por desrespeito às leis ergonômicas.

Ergonomia e o Pilates

No Pilates ganharemos em qualidade se planejarmos nossas aulas levando em consideração a individualidade do aluno dentro das 3 esferas citadas acima.

A ergonomia influencia por exemplo:

  • A designação da carga de cada exercício;
  • Posicionamento correto das molas para cada biótipo (ergonomia física);
  • Sequência de execução e metodologia do método (ergonomia organizacional);
  • Orientação do aluno para manter-se concentrado durante o exercício (ergonomia cognitiva).

Nos remetemos rapidamente aos princípios da Contrologia descrita por Joseph como base do método Pilates.

Além disso, proporcionaremos mais força, consciência corporal, resistência e flexibilidade ao praticante. Portanto essa pessoa conseguirá suportar sua carga física de trabalho de acordo com suas necessidades corporais mais tarde.

Ergonomia de correção, concepção e conscientização

As Intervenções ergonômicas também podem ser classificadas em Ergonomia de Correção, Ergonomia de Concepção e Ergonomia de Conscientização.

  • A Ergonomia de Correção é a intervenção ergonômica que como o próprio nome diz, agi corrigindo elementos parciais do posto de trabalho, equipamentos, organização e/ou produtos, para adapta-lo ao homem. Esta é uma ação considerada cara e restrita, no entanto muito comum, pois nem sempre o posto de trabalho é criado pensando em todas as variáveis e dimensões dos trabalhadores. O principal problema aqui, encontra-se na padronização das estacoes de trabalho, e como sabemos, cada indivíduo tem suas próprias dimensões, tamanhos e formas diferentes, ou seja, o correto seria que cada estação de trabalho fosse criada com as medidas do trabalhador que, como sabemos é única, tornando-se algo quase inviável pelo custo que geraria para cada empresa.
  • A Ergonomia de Concepção atua no projeto inicial e na criação de um posto de trabalho, equipamento, produto, sistema de produção, na formação profissional e na organização do trabalho. Para isso uma equipe multiprofissional atua discutindo todos os objetivos a serem alcançados levando sempre em consideração a tríade básica da ergonomia que é conforto, segurança e desempenho eficiente. Imaginamos que se a Ergonomia de Correção for negligenciada, já teremos um problema a ser resolvido aqui.
  • A Ergonomia de Conscientização é o treinamento educacional em ergonomia. Seu objetivo é capacitar o trabalhador a usufruir os benefícios de seu posto de trabalho e/ou equipamentos e mobiliários, identificar possíveis falhas no processo, posturas e movimentos inadequados e ensina-los a corrigi-los. Esta ação é muito importante, pois chama para si a responsabilidade do trabalhador tem com sua saúde e insere o mesmo dentro do processo de melhoria continua, além de multiplicar os esforços para se manter num trabalho de qualidade.

Dentro das intervenções ergonômicas citadas acima o fisioterapeuta ou o Educador Físico tem um papel importantíssimo na ergonomia de conscientização. Um aluno bem orientado consegue reconhecer rapidamente a atividade que pode lhe causar desconforto antes que uma lesão aconteça. Assim ele gera benefício para si e para a empresa onde trabalha.

Além disso, o corpo saudável é móvel e estável de forma equilibrada, refletindo na sua eficiência, logo na produtividade.

Ergonomia no dia-a-dia do aluno

ergonomia no dia-a-dia do aluno

Profissionais do movimento também devem ensinar seus alunos sobre postura e biomecânica em atividades da vida diária (AVDs). Ou seja, eles orientam os alunos a manter o corpo construído das aulas do Pilates para as atividades AVDs.

Até porque, não faz sentido construirmos um corpo equilibrado em uma sessão ou aula de 1 hora se nas outras 23h o paciente perde o equilíbrio. Conquistamos esse equilíbrio e estabilidade com muito suor e ele deve ser mantido.

Por isso aconselho todos os profissionais do movimento a investigarem o estilo de vida do aluno. Também devemos saber os movimentos que ele mais realiza no seu dia-a-dia.

A avaliação deve ser minuciosa e diária, e a conscientização do movimento correto também. Sempre questione seu paciente ou aluno sobre sua rotina.

Com isso, vá reconhecendo qual o padrão biomecânico de movimento e de postura deste aluno/paciente. Procure achar qual padrão mais utilizado e veja se tem relação com a disfunção postural ou de movimento, até mesmo com uma queixa de desconforto ou dor.

Para ilustrar tudo que foi compilado neste texto, vamos analisar e sugerir 3 intervenções simples utilizando o método Pilates que podem ser recomendadas para o seguinte paciente:

Pessoa que passa a maior parte do dia executando tarefas na posição sentada (exemplos: motoristas, profissionais das áreas administrativas, psicólogos, estudantes e escritores). Também veremos orientações ergonômicas importantes para pessoas que passam muito tempo sentadas.

Importantíssimo ressaltar que as sugestões de exercícios a seguir não estão levando em consideração outras variáveis. Não existe uma receita pronta para tratamento de nenhuma patologia ou queixa.

Assim, para toda indicação de exercício, seja do método Pilates ou não, deve-se inicialmente realizar uma avaliação individual de cada pessoa levando em consideração todos os fatores citados acima. Entendido isto, vamos a nossa proposta para o caso acima.

  • Flexibilize a cadeia de flexão ou cadeia anterior

Posturas sentadas prolongadas na frente de monitores tem uma tendência a levar ao enrolamento do tronco. Por este motivo aconselha-se incluir exercícios de flexibilização da cadeia de enrolamento.

Esta flexibilização pode iniciar com a manutenção da postura de decúbito dorsal sobre a Bola e, em seguida evoluir para o Swan, por exemplo, abrindo assim os flexores.

swan dive para pilates

  • Relaxamento do Músculo iliopsoas

A manutenção do ângulo coxofemoral fechado na postura sentada prolongada tem a tendência a levar um encurtamento do músculo iliopsoas. Por isso a sugestão de incluir o relaxamento desde músculo, através de exercícios mantidos e suaves de abertura do ângulo coxofemoral.

A proposta de relaxamento muscular é de se manter a posição da articulação em extensão coxofemoral na primeira barreira motora. Conforme o músculo vai relaxando e cedendo, vai-se ganhando em amplitude de extensão sem a presença de dor, movimentos bruscos ou realizados com pressa, trabalhe junto a respiração de seu aluno.

exercícios de ergonomia no Pilates

  • Ativação dos Glúteos

Mais uma vez a postura prolongada sentada é a grande vilã, pois ela pode gerar a síndrome da amnésia glútea que é caracterizada pela fraqueza ou inibição da musculatura glútea.

Isso ocorre porque a inatividade física gera menor recrutamento da musculatura. A descarga de peso corporal sobre a região acarreta uma pressão que prejudica a irrigação e nutrição de todos os tecidos.

A proposta de tratamento é ativar os glúteos através de exercícios como a Bridge e agachamentos dos mais variados tipos, por exemplo.

Recomendações ergonômica básicas para manutenção da postura sentada

  • Mantenha a altura do assento da cadeira de modo que seus pés alcancem o chão e sua coluna mantenha-se apoiada no encosto da cadeira, mantendo um ângulo de 90 graus nos joelhos, e quadril.
  • O encosto da cadeira deve ser ajustado para sempre dar suporte a região lombar, pois a falta de apoio da região lombar causa, além de problemas posturais, aumento do gasto energético, devido a ação muscular que necessita de muita energia para sustentar a postura, o que pode diminuir seu rendimento e gerar fadiga precoce. Apesar de novas propostas ergonômicas já vem retirando o encosto das cadeiras, objetivando justamente, a ativação do centro de forca.
  • Mantenha espaço livre para movimentação das pernas embaixo da mesa.
  • Evite sentar-se com objetos no bolso, inclinar o tronco para frente, sentar na ponta da cadeira, girar o tronco e ficar muito tempo na mesma posição.
  • Levante-se e movimente-se a cada 2 horas, no mínimo.

Para você que quer saber mais sobre ergonomia e intervenções em postos de trabalho sugiro a leitura da Norma Regulamentadora No. 17 – também conhecida como NR17; esta norma tem como objetivo estabelecer os parâmetros básicos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.

A norma regulamentadora nº 17 (Ergonomia) do Ministério do Trabalho e Emprego é regulamentada pela Portaria Nº 3.214, de 08 de Junho de 1978, que aprova as normas regulamentadoras do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho.

Conclusão

Como vimos o método Pilates pode ser um grande aliado na prevenção ou tratamento, quando falamos das questões ergonômicas, uma vez que sua aula seja bem direcionada a necessidade de seu aluno, através de uma boa avaliação e programação dos exercícios que ministrara, além disso termino esse texto com uma dica, pense também na sua ergonomia, sim me refiro a todos profissionais do movimento, observemos a nossa postura e eficiência dentro do conforto que realizamos nosso trabalho.

Referências

Fonte: COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia aplicada ao trabalho. Belo Horizonte: Ergo, 1995.

Fonte: DUL, J., WEEDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo : Edgard Blücher, 1995.

Fonte: GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 2. ed. Porto Alegre : Bookman, 1998.

Fonte: International Ergonomics Association (IEA) – What is Ergonomics? Consultado em 19 de janeiro de 2014

Fonte: www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr17.htm

Fonte: A Obra Completa de Joseph Pilates. Sua Saúde e Retorno à Vida Através da Contrologia.

Texto escrito por Gabriela Polli Ribeiro

Joelho valgo e varo: como tratar as alterações com Pilates

Joelho valgo e varo: como tratar as alterações com Pilates

Unidades que formam o membro inferior

unidades que formam o membro inferior e joelho valgo

O membro inferior é formado por três unidades de coordenação segundo Béziers e Piret

  • O pé, que dirige o movimento;
  • A unidade ilíaca, que se divide entre o papel de apoio ligado ao tronco e o papel dinâmico do membro, ou seja, faz o membro inferior participar do tronco;
  • A perna, que transmite a tensão e movimento ao pé.

Estas três unidades citadas acima caracterizam na realidade a única Unidade de Membro Inferior.

A base do esqueleto do membro inferior é formada pelos dois ossos do quadril: os ilíacos (direito e o esquerdo), que são unidos então pela sínfise púbica e pelo osso sacral. O cíngulo do membro inferior e o sacro formam juntos a Pelve Óssea.

Os ossos do membro inferior podem ser divididos em quatro segmentos:

  • Cintura pélvica: ilíacos direito e esquerdo
  • Coxa: fêmur e patela
  • Perna: tíbia e fíbula
  • Pé: ossos do pé

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Funções do membro inferior

funções do membro inferior e joelho valgo

O membro inferior tem função de:

  • Sustentação do peso corporal;
  • Locomoção;
  • Manutenção do equilíbrio;
  • Transferência estável de peso durante a marcha ou corrida.

Ao falar mais precisamente dos joelhos, eles são considerados a articulação mais complexa do corpo anatômica e funcionalmente. Os joelhos são formados pela articulação Tibiofemoral e Patelofemoral.

Articulação Tibiofemoral

articulação tibiofemoral

Na articulação Tibiofemoral em sua extremidade distal do fêmur encontram-se os côndilos. Eles se articulam com a tíbia, grandes e convexos, divididos por um sulco central que forma a superfície articular da patela.

Os côndilos precisam suportar as forças extremas sobre as superfícies articulares durante a descarga de peso. Para isso eles são cobertos por cartilagem hialina espessa.

Na porção proximal da tíbia, conhecida como “platô tibial”, encontram-se duas conchas achatadas niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. Esta superfície está alinhada com cartilagem hialina onde se acomodam os côndilos femorais. Na divisão entre os platôs medial e lateral, encontra-se a região intercondilar.

Articulação patelofemoral

articulação patelofemoral

Essa articulação é formada pela cavidade troclear e as facetas posteriores da patela (o maior osso sesamóide). Nela se interpõem o quadríceps. Do vértice inferior da patela até a tuberosidade anterior da tíbia, encontra-se o tendão patelar.

Essa articulação é particularmente suscetível a agravos. Isso acontece porque ela precisa sustentar altas forças entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo:

  • Fêmur;
  • Tíbia.

A posição de maior instabilidade é em flexão de joelho. Nessa posição a articulação está sujeita a lesões ligamentares e meniscais.

A extensão de joelho é a que dá maior estabilidade. Portanto essa articulação fica mais sujeita a fraturas e rupturas ligamentares.

Joelho e agachamento

agachamento e joelho valgo

Falemos um pouco sobre joelhos e sua relação com os exercícios.

Alguns estudos, por exemplo, mostram que em um agachamento existe a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps.

Em pequenos ângulos de flexão, essa cocontração diminui a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps. Contudo, em ângulos acima de 60º essa cocontração faz com que a tíbia se desloque posteriormente e rode externamente.

Esse deslocamento posterior e a rotação externa aumentam a pressão na patela, assim como a força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

O agachamento é seguro e efetivo graças à estabilização promovida pela cocontração dos músculos quadríceps e isquiotibiais. Porém esse exercício deve ser realizado até próximo dos 50º de flexão de joelho. Assim evitamos gerar tanta força e pressão na articulação patelofemoral.

Powers et al estudou o agachamento para analisar onde existe maior estresse da articulação femoropatelar. Nos exercícios de agachamento as angulações que produziram maior estresse no joelho foram:

  • 90º;
  • 75º;
  • 60º.

Os dados sugerem que o exercício de agachamento deve ser realizado de 45 ° a 0 ° de flexão do joelho e não chegando a flexão de 90º onde há grande compressão articular. Isso ajudaria a minimizar o estresse femoropatelar

Cadeia cinética do joelho

O membro inferior pode ser considerado como uma cadeia cinética. Como tal, pressupõe-se que alterações biomecânicas em um dos complexos articulares dessa cadeia influencia negativamente a biomecânica e função dos demais complexos

O alinhamento do joelho no plano frontal tem sido alvo de pesquisas, principalmente por conta de sua importância clínica. A incongruência dos membros inferiores, em especial a do joelho, pode estar relacionada com instabilidades e dores articulares.

Desordens nessas estruturas podem trazer, ainda, problemas na:

  • Sustentação muscular;
  • Tendões;
  • Ligamentos e os retináculos.

Essas alterações alternam o alinhamento do joelho em varo ou joelho valgo. Assim a função dos joelhos se altera gerando sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação dependente de qual desalinhamento apresentar.

A literatura tem demonstrado que um desalinhamento frontal do joelho piora o prognóstico de doenças degenerativas como a osteoartrose. Dependendo da orientação do desvio do joelho, se em valgo ou em varo, mesmo que de apenas 10 (dez) graus, as forças articulares tanto estática quanto dinâmica não estarão mais homogeneamente distribuídas.

O desalinhamento favorece o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patológicos desta articulação. Articulações próximas também sofrem porque sabemos que o corpo tem unidades de cadeias musculares separadas didaticamente. Elas se complementam na realidade corporal perante um desarranjo, seja articular, seja fascial, muscular e/ou outros tecidos moles.

Cadeias musculares

Falando em cadeias musculares, o que são mesmo?

Segundo Madame Mezières, cadeias musculares designa:

  • “conjunto de músculos de mesma direção e sentido que trabalham como um só músculo. São geralmente poli articulares e se recobrem como telhas de um telhado”.

Madame Godelieve Denys-Struyf acreditava que:

  • “o indivíduo se estrutura sobre sua história de vida, onde as cadeias musculares moldariam-no de acordo com suas necessidades de expressão corporal”.

Thomas W. Myers descrevia cadeias musculares como sendo “trilhos anatômicos”.

E Leopoldo Busquet descreve que as “cadeias musculares são circuitos anatômicos através dos quais circulam as forças organizadoras do tronco”.

A seguir, vou descrever as cadeias musculares dos membros inferiores. Também descreverei suscintamente as cadeias musculares relacionadas ao quadril. Como disse acima, didaticamente separamos em unidades, mas uma complementa e se sobrepõe a outra. As unidades geram as alterações anatômicas e funcionais que encontramos em nossos consultórios, academias e estúdios de Pilates.

Portanto tratarei as duas cadeias (pelve e membro inferior) apenas como forma de explicar enfaticamente as alterações de joelho, como tema fundamental deste texto. Mas reforço que uma alteração em unidade de membro inferior pode gerar alterações significativas em tronco. Uma alteração de unidade cervical pode gerar conseqüências em quadril e assim por diante.

Nosso organismo em sua inteligência, é capaz de gerar as mais prováveis e improváveis compensações adotadas pela biomecânica. As compensações surgem a fim de ajudar o corpo a respeitar as três leis responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais:

  • Lei do equilíbrio: em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em todas suas dimensões corporais (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológica), é sempre prioridade e as soluções encontradas são sempre econômicas.
  • Lei do conforto: o funcionamento de um corpo são, fisiologicamente falando é sempre confortável, já o comportamento de um corpo não fisiológico estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência da dor.
  • Lei da economia: o corpo fará de tudo para não sofrer, mesmo que o esquema adaptativo comprometa a mobilidade de alguma (s) parte (s) deste corpo, levando a desgaste excessivo de energia e a deformações corporais posteriormente.

Dito isto, vamos abordar as cadeias musculares.

Pelve

pelve e joelho valgoOs músculos que participam, responsáveis pelos desalinhamentos de ilíaco, são:

  • Anterioridade de ilíaco: Reto femoral e quadrado lombar
    • Encontraremos na palpação: Espinha Ilíaca Antero superior (EIAS) baixa + Crista Ilíaca (CI) mais baixa (descendo) + Espinha iliaca Postero superior (EIPS) alta
  • Posterioridade de ilíaco: Isquiotibiais e reto abdominal
    • Encontraremos: EIAS alta + CI mais alta (subindo) + EIPS baixa
  • Abertura de ilíaco: Glúteo (sobretudo o glúteo médio) e períneo
    • Encontraremos: os três pontos anatômicos supracitados, todos altos
  • Fechamento de ilíaco: Adutores e obliquo do abdômen
    • Encontraremos: os três pontos anatômicos supra citados, todos baixos

Membro inferior

Os músculos que participam, responsáveis pelos desalinhamentos do membro inferior, são:

Cadeia de Flexão dos membros inferiores

  • Iliopsoas;
  • Psoas menor;
  • Obturadores;
  • Gêmeos;
  • Semimembranoso;
  • Poplíteo;
  • Extensor longo dos dedos;
  • Lumbricais;
  • Quadrado plantar;
  • Flexor curto do halux;
  • Flexor curto do dedo mínimo.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Posterioridade ilíaca;
  • Flexão de quadril;
  • Flexão de joelhos (flexo de joelho);
  • Flexão do arco plantar (pé cavo);
  • Flexão dorsal dos tornozelos;
  • Flexão dos dedos (dedos em martelo);
  • Famoso esporão de calcâneo.

O pé cavo poderá não se manifestar durante a marcha. Porém, as tensões constantes da musculatura plantar favorecerão a retração da aponeurose plantar, onde estas forças permanentes poderão levar ao aparecimento do esporão do calcâneo.

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Cadeia de Extensão dos membros inferiores

  • Glúteo Maximo;
  • Quadrado femoral;
  • Reto femoral;
  • Vasto intermediário;
  • Sóleo;
  • Flexor curto dos dedos;
  • Interosseos;
  • Extensor curto dos dedos;
  • Extensor curto do halux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Anterioridade ilíaca;
  • Extensão de quadril;
  • Hiperextensão de joelho (genum recurvatum);
  • Extensão do tornozelo;
  • Extensão do arco plantar (com arco pouco evidente – pé plano);
  • Extensão dos dedos (sendo este posicionamento uma importante marca da cadeia de extensão atuante) onde o apoio se faz sobre a cabeça dos metatarsos, evidenciando um tipo de desenvolvimento fisiopatologico da fascite plantar.

Cadeia de abertura dos membros inferiores

  • Sartório;
  • Tensor da fáscia lata;
  • Glúteo Máximo;
  • Glúteo médio;
  • Glúteo Mínimo;
  • Piriforme;
  • Cabeça longa do bíceps femoral;
  • Cabeça curta do bíceps femoral;
  • Tibial anterior;
  • Extensor longo do hálux;
  • Vasto lateral;
  • Gastrocnêmio medial;
  • Tibial posterior;
  • Flexor longo dos dedos;
  • Adutor do hálux;
  • Oponente do dedo mínimo.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Abertura do ilíaco;
  • Rotação externa;
  • Abdução do fêmur;
  • Varo de joelho;
  • Varo de calcâneo;
  • Supinação do pé (pé virado externamente);
  • Hálux valgo sendo este um grande marco evidenciando a cadeia de abertura.

Porém, com a vida moderna, não podemos olhar um hálux valgo e afirmar que estamos diante de uma cadeia de abertura. Isso sobretudo em mulheres, devido ao uso de calcados desapropriados a arquitetura plantar.

O indivíduo tende a ter entorses em eversão. Além da projeção do espaço que o membro inferior ocupa ser expandido o que levara o membro inferior a uma resultante de alongamento da perna, gerando uma falsa perna longa.

 Cadeia de fechamento dos membros inferiores

  • Pectíneo;
  • Adutor magno;
  • Adutor curto;
  • Adutor longo;
  • Grácil;
  • Semitendinoso;
  • Vasto medial;
  • Gastrocnemio lateral;
  • Fibular longo;
  • Fibular curto;
  • Fibular anterior;
  • Abdutor do dedo mínimo;
  • Abdutor do hálux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Fechamento do ilíaco;
  • Rotação interna do fêmur e adução;
  • Joelho valgo;
  • Valgo de calcâneo;
  • Pronação do pé (pé virado internamente);
  • Hálux valgo.

A retração do membro inferior no fechamento leva a uma resultante de encurtamento da perna, diminuindo sua projeção no espaço.

Tipos de joelho valgo e varo

tipos de joelho valgo e varo

Vimos acima como a cadeia de fechamento e de abertura influenciam diretamente nas disfunções de joelho valgo e varo, respectivamente.

Mas, como o corpo humano envolve mais complexidade, ao associarmos cadeias de flexão e de extensão às cadeias de fechamento e abertura, podemos encontrar então 4 tipos de joelhos:

  • Verdadeiro Varo: uma cadeia de flexão + uma cadeia de abertura. Ou seja, um flexo de joelho associado a uma rotação externa do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Verdadeiro Valgo:  uma cadeia de flexão + uma cadeia de fechamento. Ou seja, um flexo de joelho associado a uma rotação interna do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Falso Varo:  uma cadeia de extensão + uma cadeia de fechamento. Ou seja, uma hiperextensão de joelho associada a uma rotação interna de fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.
  • Falso Valgo:  uma cadeia de extensão + uma cadeia de abertura. Ou seja, uma hiperextensão de joelho associada a uma rotação externa do fêmur e demais conformações ao longo do membro inferior.

 

Determinando se o membro inferior é curto ou longo

Podemos ainda lançar mão de alguns detalhes teóricos. Analisamos na prática se no(s)

membro(s) inferior (es) a ser(em) tratado(s) existe  um encurtamento verdadeiro ou falso bem como se há um membro longo verdadeiro ou falso.

  • Verdadeiro membro inferior curto: encontraremos um ilíaco em anterioridade + uma cadeia de abertura neste ilíaco. Ora, vejamos se faz sentido: um ilíaco anterior e em abertura deveria sugerir uma perna mais longa. Caso nos testes encontremos esses desalinhamentos supracitados e encontremos ao invés de uma perna longa, uma perna curta, estaremos diante de uma verdadeira perna curta. E o raciocínio se repete para as demais citações abaixo.
  • Verdadeiro membro inferior longo: encontraremos um ilíaco em posterioridade + uma cadeia de fechamento.
  • Falso membro inferior curto: encontraremos então uma posterioridade do ilíaco + uma cadeia de fechamento.
  • Falso membro inferior longo: encontraremos uma anterioridade do ilíaco + uma cadeia de abertura.

Com essa análise poderemos avaliar se:

  • O membro é realmente curto e/ou longo;
  • O membro está curto e/ou longo nesse momento.

Podemos determinar isso a partir do momento que alinharmos o ilíaco e a diferença se anular. Para alinhar o ilíaco em questão, devemos relaxar as musculaturas que estão em tensão. Essas seriam todas as musculaturas que desalinham o ilíaco e estão descritas acima nesse texto.

Como realmente saber se existe discrepância

Quero fazer uma ressalva muito importante:

Só teremos certeza absoluta se estamos diante de um membro inferior com real discrepância se tivermos em mãos um exame. O exame radiológico de Escanometria dos membros inferiores com carga é a única maneira de determinar.

Sem esse exame podemos tentar tirar a prova através da análise que citei acima. Mas não teremos condições clínicas de afirmar uma real diferença de membros, mesmo com os testes.

Vamos pensar nos seguintes casos

Indivíduo com um verdadeiro joelho valgo

Esse indivíduo teoricamente apresentará:

  • Flexo de joelho;
  • Rotação interna de fêmur;
  • Valgo de joelho;
  • Valgo de calcâneo;
  • Pronação do pé.

Seria muito simples e fácil se fosse assim, didaticamente falando. Novamente, precisamos lembrar que o corpo se adapta de diversas formas de compensações para respeitar as 3 leis que conhecemos.

Compliquemos a situação.

Esse mesmo indivíduo apresenta verdadeiro valgo em ambos os joelhos. O corpo, muito sábio, pode realizar um varo de calcâneo para tentar reestabelecer o equilíbrio. Em um verdadeiro valgo teríamos valgo também de calcâneos com pronação dos pés.

O corpo ainda pode realizar uma supinação de antepe. Assim cria-se uma torção a nível de arco plantar tudo como forma de se reequilibrar.

Indivíduo com joelhos verdadeiros varos

Na teoria, esse indivíduo deveria apresentar:

  • Calcâneos em varos;
  • Supinação dos pés.

Porém, para evitar deslocamentos significativos na marcha, por exemplo, o corpo pode adotar calcâneos em valgo.

Também podemos encontrar nesse indivíduo membro inferior com um verdadeiro valgo e outro com falso varo.

No corpo, podemos encontrar tanto o trivial quanto as mais complexas formas de reequilíbrio.

Exercícios de Pilates recomendados

No contexto das cadeias musculares, podemos vislumbrar novos olhares para os exercícios realizados no método Pilates.

Vejamos alguns exemplos de exercícios do Método Pilates e algumas correções que podemos fazer perante analise de um joelho valgo ou varo (verdadeiro ou falso)

1)  Leg Circles

leg circles para joelho valgo

  • Decúbito dorsal; Foto ok
  • Pelve neutra ideal a cada aluno;
  • Braços ao longo do corpo e alongados em direção aos pés;
  • Uma perna se flexiona em direção ao teto com o joelho estendido;
  • A outra se mantém alongada ao horizonte apoiada no solo também com o joelho estendido;
  • O aluno começará a movimentar o membro que está no alto em círculos.

Fazemos círculos menores se desejarmos trabalhar mais estabilidade e/ou círculos maiores se desejarmos trabalhar mais mobilidade.

Analisemos este membro do aluno. Caso ele tenha a patela rodada internamente, vamos solicitar ativação dos glúteos com rotação externa de fêmur. Quando digo fêmur, não falo de toda a perna, mas do movimento apenas da cabeça do fêmur dentro do acetábulo. Isto é, sem movimento do pé durante esta correção. Então pediremos a realização dos círculos dentro deste ajuste feito.

Caso, seja ao contrario, a patela deste aluno é rodada para fora, pediremos a rotação interna de fêmur e a realização dos círculos neste novo posicionamento.

Em alunos com flexo de joelhos pedimos para que a perna de apoio ao solo fique com o joelho flexionado enquanto o outro circula em cadeia cinética aberta. Essa alteração se dá para que o membro circulando esteja mais livre a fim de flexibilizar melhor seus isquiotibiais na subida da perna. Na descida favore abertura dos flexores de quadril.

2) The Bridge (Ponte)

ponte para joelho valgo

  • Decúbito dorsal com o tronco superior (cabeça, cervical e torácica) apoiado na metade inferior do rolo que estará posicionado na horizontal paralelo ao corpo;
  • A lombar e quadril ficam para fora do mesmo;
  • Pés apoiados ao chão com os joelhos fletidos, alinhamento em: segundo dedo do pé com linha media da patela e EIAS;
  • Mãos apoiadas ao lado do rolo, no solo;
  • Inicialmente, os glúteos estarão apoiados no solo;
  • Elevar o quadril do solo, ativando os glúteos e mobilizando toda coluna toracolombar;
  • Eleve a perna direita com joelho estendido em direção ao teto, mantendo equilíbrio e estabilidade da pelve e mantendo a ponte com o pé oposto no solo;
  • Eleve e desça a perna direita até próxima a linha do joelho flexionado (oposto);
  • Retorne na posição inicial, com os dois pés posicionados no chão;
  • Mobilize vértebra a vértebra, afundando o osso esterno em direção ao rolo, até que o quadril também se aproxime e apóie no solo.

Pensemos: quais alterações podemos trabalhar nesse movimento? Lembrando que queremos estimular a ativação dos músculos antagonistas e aqueles tensionados que geraram o desalinhamento.

Um aluno com joelhos em cadeia de flexão (flexo de joelho) e patelas se olhando (internamente) pode usar esse exercício. Durante a ponte a musculatura é ativada. Pediremos para esse aluno girar o fêmur externamente, somente o fêmur, mantendo seu pé em posicionamento neutro.

Se outro aluno tiver o joelho direito em verdadeiro joelho valgo e o outro em falso varo faremos algumas correções. Ele deverá girar o fêmur direito externamente ativando bem o glúteo (sobretudo na posição da ponte).

Na perna esquerda solicitaremos a rotação interna do fêmur com ênfase em maior flexibilização do quadríceps ao abaixar mais a perna que estava em direção ao teto. Lembrando que ele não deve desestabilizar a pelve.

3) Ajoelhado com quadril longe dos calcanhares

Inverterei o raciocínio. Começaremos pelas alterações dos membros inferiores.

Partindo do posicionamento (da foto):

  • Ajoelhado com os joelhos unidos;
  • Tronco levemente inclinado para trás;
  • Mãos na barra alinhadas com a abertura dos ombros.

Se tivermos diante de:

  • Perna direita e esquerda com verdadeiros valgos (cadeias de flexão e de fechamento), levando os joelhos e calcâneos em valgo.

Neste exercício, posicionaremos sempre joelhos juntos e os pés com o antepé (dedos) unido. Devemos apoiar o dorso (peito) dos pés no solo e ficar com os calcanhares afastados.

Como estamos diante de flexo de joelho, iniciaremos o exercício sentado sobre os calcanhares (posicionados conforme supracitado). Enfatizaremos a ativação dos glúteos com:

  • Perna direita e esquerda com verdadeiros varos (cadeia de flexão e de abertura), levando sobretudo joelhos e calcâneos em varo.

Posicionaremos joelhos sempre unidos, calcanhares unidos e ante e médio pé afastados. Executaremos o exercício anterior da mesma forma, somente com posicionamentos nos pés diferentes.

Quando tivermos a perna direita em verdadeiro valgo e a esquerda em verdadeiro varo posicionaremos nos dois pés:

  • Calcâneo para fora;
  • Antes e médio pé para dentro.

Ou seja, os dois pés ficarão com os calcanhares virados para fora da linha média. Os antepés estarão para dentro da linha média. Isto é biomecânica. Precisamos pensar nos músculos tensionados, nos posicionamentos destas articulações e trabalhar no relaxamento desses músculos.

Se estivermos diante de cadeias de extensão (falsos varos e/ou varos) posicionaremos os pés conforme o raciocínio acima. Portanto, como faz o quadríceps faz parte dessa cadeia de extensão, começaremos o exercício ajoelhado longe dos calcanhares. Os joelhos ficarão alinhados com o quadril, assim trabalharemos no relaxamento do quadríceps durante a descida da pelve em direção aos calcanhares.

Conclusão

Volto a fazer ressalvas. Lembrando que nosso corpo não é matemática pura, uma vez que as compensações podem vir das mais diversas formas. Portanto pode ser que numa cadeia de flexão de membro inferior com um fechamento poderemos estar diante de calcâneos varos e não valgos e assim por diante.

Estudar, ter conhecimento da anatomia, fisiologia e biomecânica será um grande avanço para visualizar as alterações e suas compensações.

Referências Bibliográficas

Busquet, Léopold. As cadeias musculares- membros inferiores. Vol 4. Ed. 2. Belo Horizonte; 2001.

Guskiewicz K.M.; Perrin D.H. Research and clinical applications of assessing balance. J Sport Rehabil. 1996;5(1):45-63.

Piret, S.;  Béziers, M.M. A coordenação motora: Aspecto mecanico da organizaçao psicomotora do homem. 3º edição. França, 1990.

Powers C.M.;Ho K.Y.; Chen Y.J. et al. Patellofemoral Joint Stress During Weight- Bearing and Non- Weight- Bearing Quadriceps Exercises. J. Orthop. Sports Phys. Therapy. 2014; 44(5):320-327. Epub 27 March 2014.

Sacco, Isabel C.N. et al. Static frontal Knee alignment and plantar loads during gait in healthy young adults. Fisioter. Pesquisa. 2009; 16(1).

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Como o Pilates ajuda no tratamento da fibromialgia

Como o Pilates ajuda no tratamento da fibromialgia

Muitos profissionais sentem dificuldades ao atender pacientes com fibromialgia. Nós, profissionais do Pilates, temos uma chance de aliviar a patologia em nossos pacientes.

Nesse artigo darei algumas dicas para o tratamento através do método Pilates e informações teóricas sobre essa patologia complexa.

O que é fibromialgia

o que é fibromialgia

A COPCORD (Community Oriented Program for Control of Rheumatic) classifica a fibromialgia como uma doença músculo-esquelética. Sua natureza é generalizada e difusa, com dores migratórias e aumento da sensibilidade a vários estímulos.

Podemos citar como fatores que causam desconforto num paciente fibromiálgico:

  • Esforço;
  • Stress;
  • Ruídos.

Estima-se que a doença afete 2-4% dos adultos, sendo que as mulheres são mais atingidas pela patologia.

Um paciente com fibromialgia possui períodos muito calmos alternados com tempos exacerbados. A dor e o desconforto também são instáveis.

Apesar dos estudos, as causas da fibromialgia ainda não são completamente conhecidas. O imaginado é que a sensibilidade à dor aumenta por causa de alterações nos neurotransmissores e no seu processamento.

Tanto o sistema nervoso periférico quanto centro sofrem alteração. Eles são os responsáveis por gerar hipersensibilidade a estímulos experimentada na fibromialgia.

O stress psicológico (preocupação, ansiedade) favorece este mecanismo, aumentando a tensão que se transmite aos músculos e a dor.

Quanto à dor, ela pode ser acompanhada por:

  • Queimações;
  • Sensação de parestesia;
  • Tremor;
  • Sudação;
  • Sensação de rigidez de articulações e músculos.

A dor agrava com o frio, com alterações do sono, e em períodos de maior stress, preocupações ou angústia.

Encontramos também outros sintomas, como:

alterações no sono na fibromialgia

  • Alterações do padrão do sono:
    • Insônia inicial (dificuldade em adormecer);
    • Despertares noturnos frequentes (sono fragmentado);
    • Sono não reparador; pois o indivíduo não consegue atingir a fase REM do sono (fase reparadora muscular)
  • Fadiga e cansaço matinal
  • Falta de força e vontade para realizar as tarefas diárias, cansaço intenso e sensação de esgotamento físico (mais ao final de um dia de trabalho ou exercício físico intenso);
  • Diminuição da concentração, déficit de memória e distração fácil;

Outras manifestações que podem estar associadas:

  • Intolerância ao frio e/ou ao calor;
  • Síndrome cólon irritável;
  • Enxaqueca ou cefaleia de tensão;
  • Dores menstruais;
  • Disfunção da articulação temporomandibular;
  • Bexiga hiperativa;
  • Depressão.

Diagnóstico da fibromialgia

diagnóstico da fibromialgia

Para diagnosticar a fibromialgia utiliza-se da exclusão. Esse processo é caracterizado por falta de alterações nos exames físicos, laboratoriais e de imagem. Utiliza-se também a história clínica, onde o médico deve colocar em evidência entre 12 e 18 pontos dolorosos.

Um diagnóstico eficiente relaciona a dor aos outros sintomas da fibromialgia como alterações no sono, fadiga e instabilidade emocional.

Tome cuidado para não confundir fibromialgia com síndrome da fadiga crônica! Essa última não apresenta os pontos dolorosos e é muito mais aleatória.

Ao tratar a doença procuramos:

  • Aliviar a dor;
  • Diminuir a ansiedade;
  • Obter melhoras no sono;
  • Recuperar a qualidade de vida.

Queremos que nosso paciente se torne apto novamente a participar de suas atividades rotineiras, sociais e familiares.

A fibromialgia não deforma as articulações, não compromete órgãos internos, não necessita de intervenções cirúrgicas e não retira um dia de vida ao doente, mas afeta consideravelmente a qualidade de vida do indivíduo.

Histórico e incidência da fibromialgia

Em 1972, Smythe descreveu a dor generalizada e a sensibilidade na palpação em pontos específicos. 4 anos mais tarde, o termo fibromialgia foi introduzido para denominar a síndrome da doença.

A etiologia e a patogênese da fibromialgia ainda são desconhecidas. A Síndrome é multifatorial. Considera-se que os seguintes fatores contribuem para o desenvolvimento da síndrome:

  • Mudanças na atividade neuronal no sistema nervoso central;
  • Metabolismo anormal de aminas biogênicas;
  • Distúrbios imunológicos.

As queixas não são características e altamente subjetivas. Isso torna substancialmente difícil diferenciar entre fibromialgia e síndrome de fadiga crônica das doenças psicossomáticas.

O tratamento da fibromialgia é complexo e de longo prazo. Os antidepressivos e psicoterapia são de vital importância. A fibromialgia tornou-se um grave problema social nos países bem desenvolvidos nos últimos anos.

Logo segue esta revisão da literatura que mostra um aumento significativo nos estudos de prevalência de Fibromialgia no mundo. Os novos critérios do American College of Rheumatology de 2010 ainda não foram amplamente utilizados e a metodologia COPCORD (Programa de Controle de Doenças Reumáticas) tem aumentado a qualidade dos estudos sobre a prevalência das doenças reumáticas em geral.

A literatura mostra valores de prevalência de Fibromialgia na população geral:

  • Entre 0,2 e 6,6%, nas mulheres;
    • Entre 2,4 e 6,8%, nas áreas urbanas;
    • Entre 0,7 e 11,4%, nas áreas rurais entre
    • Entre 0,1 e 5,2% e valores populacionais especiais entre 0,6 E 15%.

Portanto, é de extrema importância os esforços para diagnosticar adequadamente a fibromialgia. Esse é o fator preponderante e mais difícil para implementar um plano de tratamento adequado.

Mapa de pontos Diagnósticos

pontos dolorosos na fibromialgia

Nesta imagem é possível observar os principais pontos de dor da fibromialgia. Para o diagnóstico o indivíduo deverá apresentar dor a pressão em pelo menos onze dos seguintes pontos de forma simétrica:

  1. Ponto occipital
    Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.
  2. Ponto cervical inferior
    Bilateral, na face anterior dos espaços intertransversários de C5 e C7
  3. Ponto trapézio
    Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.
  4. Ponto supra espinhoso
    Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da escapula, junto do bordo interno.
  5. Ponto 2ª costela
    Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, para fora da junção e na face superior.
  6. Ponto epicôndilo
    Bilateral, 2cm aproximadamente externamente ao epicôndilo.
  7. Ponto glúteo
    Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.
  8. Ponto grande trocanter
    Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.
  9. Ponto Joelho
    Bilateral, acima da interlinha articular.

Tratamento da fibromialgia

tratamento da fibromialgia

Uma vez diagnosticado, o paciente precisa de uma equipe multidisciplinar para melhorar sua qualidade de vida. Como citado acima, a fibromialgia é uma Síndrome Multifatorial e não tem cura.

Discutiremos adiante como devemos abordar, tratar e melhorar a qualidade de vida desse paciente. Com o tratamento ele pode progredir e se tornar um aluno de Pilates. Para tanto, fisioterapeutas e educadores físicos devem estar de mãos dadas para tal finalidade.

No que diz as dores musculoesqueléticas, pesquisas afirmam a melhora significativa do quadro com exercícios físicos. Mas qual seriam os melhores exercícios a serem prescritos?

Sucesso do tratamento

Usei a palavra “fibromialgia” como critério de busca combinada com atividade física, exercício, fisioterapia e treinamento. Dos 2.531 resultados iniciais encontrados, 33 trabalhos foram selecionados para revisão.

Os estudos analisados concentram-se principalmente em atividades de dança, atividades aquáticas, fitness e alongamento. Após a aplicação do programa de intervenção, o nível de dor foi reduzido entre 10 e 44,2% dos pacientes.

O impacto da doença foi reduzido entre 5,3 e 17,9%, de forma a melhorar os sintomas desses pacientes. Em conclusão, um programa multidisciplinar (no qual a atividade física está incluída) pode ter efeitos positivos sobre a qualidade de vida das pessoas com fibromialgia.

Em outro estudo onde foi avaliado o treinamento de força, sugeriu que o treinamento de resistência moderada e de moderada a alta intensidade melhora em mulheres:

  • A função multidimensional;
  • A dor;
  • O humor;
  • A força muscular

O estudo também sugeriu que oito semanas de exercícios aeróbicos foi superior ao treinamento de resistência de intensidade moderada para melhorar a dor em mulheres com fibromialgia.

Papel do paciente no tratamento

Esses dois estudos citados nos induzem a acreditar que os exercícios de força de intensidade moderada devem vir acompanhados de atividade aeróbica. Isso vale para o Pilates, o Treinamento Funcional ou a musculação.

E logo, entendemos a complexidade do tratamento, visto que o portador da doença deve passar primeiro por um esclarecimento geral de seu quadro. Depois ele precisa estar disposto a realizar uma reeducação de seus hábitos de vida.

É um ponto fundamental do tratamento. O doente deve ser conscientizado quanto ao papel do estresse e preocupações diárias na sua patologia. Portanto, será necessário controlá-los e ter consciência de que a atividade física será fundamental nesse controle.

A atividade física baixa os níveis de ansiedade e aumenta a quantidade de neurotransmissores produzidos. Em outras palavras, o doente deve-se empenhar no seu próprio tratamento.

Caso seja necessário, fazer um acompanhamento psicoterápico também será de grande valia.

Importância da atividade física

atividade física na fibromialgia

O doente deve estar ciente dos malefícios da imobilização a que se submete para não desencadear as dores. Alguns deles são:

  • Condição física deficiente;
  • Redução da força;
  • Redução da flexibilidade dos seus músculos;
  • Menor produção dos neurotransmissores;
  • Aumento na sua debilidade e cansaço.

A prática regular de exercício físico é essencial, uma vez que reduz a intensidade da dor e da fadiga. Esses são, inclusive, sintomas que os portadores de fibromialgia elegem como mais incapacitantes.

Os exercícios também contribuem para:

  • Diminuir a tensão muscular;
  • Diminuir o stress e a ansiedade;
  • Facilitar o sono;
  • Favorecer a coordenação motora para as atividades diárias;
  • Promover uma postura adequada;
  • Ajudar no controle do peso, melhorando assim sua auto-estima,
  • Melhorar a qualidade de vida.

O programa de exercício deve ser sempre individualizado para cada fibromialgico. Ele varia dependendo da sua condição física e psicológica. Também devemos levar em consideração suas principais habilidades e preferencias por atividades físicas especificas.

Como o paciente nunca poderá deixar de pratica-las, deve ser feito com um mínimo de prazer.

Os exercícios, no início, devem ser leves, com pouca carga, progressivos e em pequena quantidade, mas fielmente realizados diariamente. A progressão deve obedecer a uma sequência programada.

Os movimentos não devem ser extenuantes. Deve-se alertar o doente que pode sentir um agravamento da intensidade das suas dores em curtos períodos. Os primeiros dois meses de atividade são os mais críticos, mas as dores regridem.

Como já dito anteriormente, o ciclo de dor musculoesquelética gerada por imobilidade, só poderá ser quebrado se exercitando. Isso deve estar bem claro, caso contrário será um forte fator desmotivador para nosso paciente.

Correção postural do aluno

Antes do início da prática de exercícios, o então paciente deve ser bem avaliado. Suas compensações mecânicas geradas para a criação de uma postura antálgica devem ser eliminadas através de:

  • Terapia manual;
  • Fisioterapia clássica.

O fisioterapeuta pode aplicar qualquer técnica para atingir esse alinhamento corporal. Quanto menos alterações posturais nosso paciente fibromiálgico tiver, menos chance de dores mecânicas se sobreporem a seu quadro.

Logo, é nesta fase que eliminamos as dores mecânicas que com certeza já estarão presentes nesse corpo já tão sofrido. Esta fase, já deve ser realizada junto ao início dos exercícios físicos de fortalecimento, conforme já visto de quantidade moderada e com pouca carga através do:

  • Pilates;
  • Treinamento funcional;
  • Musculação.

Início da atividade física

Quem deve escolher sua modalidade predileta de atividade física é o paciente. Lembrem-se que deve ser feito através de uma reeducação de hábitos, portanto obrigatoriamente deve ser uma atividade que o agrade.

Esses exercícios podem começar a serem feitos 3 vezes por semana, em sessões de treinos que sejam inicialmente:

  • Mais curtas;
  • Com poucas repetições.

Não queremos fadigar grupos musculares específicos. Portanto, não podemos trabalhar em uma única aula somente força de núcleo, ou por exemplo, membros inferiores. Em todas as aulas o trabalho deve ser do corpo como um todo, sem sobrecarga de nenhum grupo muscular.

Uma boa alternativa para começarmos a despertar esse corpo da inatividade seria o trabalho de mobilidade articular.

Também sugiro que nessa fase inicial sua aula dure meia hora e usemos a meia hora restante para alivio das dores mecânicas. Esse alívio é para dores mecânicas geradas durante a prática da atividade física. Só faremos isso no caso especial da fibromialgia.

Seria mais ou menos, meia hora de Pilates e meia hora de fisioterapia. O que propus nada tem a ver com o famoso relaxamento feito em nosso país ao final das aulas de Pilates. Todos sabem que sou contra essa prática.

Este é um aluno com uma patologia específica, e que, portanto, precisa de um trabalho mais delicado e minucioso. Desta forma, meia hora de Pilates e meia hora de fisioterapia (não relaxamento) estaria bem indicado para o caso. Pelo menos esse é o caso a princípio.

Nessa fase o paciente também deve começar suas atividades aeróbicas. Vimos no estudo citado anteriormente que o aeróbico será o que mais lhe traz benefícios. No início ele pode tornar-se extremamente extenuante, e por vezes aumentar a dor. O paciente precisa de muita disciplina para perseverar e melhorar.

Esse exercício aeróbico deve ser iniciado, no mínimo três vezes por semana. A modalidade também deve ser eleita pelo paciente. Alguns exemplos são:

  • Caminhada;
  • Natação;
  • Bicicleta
  • Outras atividades que lhe agradem.

Observem que nesse momento, nosso paciente terá 6 sessões semanais de treino, com somente um dia de descanso semanal.

Importância do educador físico

Será de vital importância a presença do educador físico. Ele também realizará sua avaliação especifica, traçando suas metas, objetivos e condutas, e principalmente, regulando a intensidade do treino. Tudo isso é feito com base na avaliação, de forma a não extenuar o doente.

Não devemos esquecer, que neste momento o objetivo é propositarmos a quebra do quadro álgico. Queremos impedir que o aluno desista do programa geral de recuperação.

Esses treinos de Pilates-fisioterapia poderão ser redimensionados conforme a dor de nosso paciente. O importante é nunca permitir que ele vá embora de nosso serviço sem um trabalho de força ou mobilidade (qualquer trabalho de movimento ativo). O trabalho deve ter no mínimo 20 minutos.

A cada nova semana, tentaremos em nosso programa de reabilitação inverter essa matemática, da seguinte maneira:

  • O que era mais fisioterapia virara mais Pilates, caso seja essa modalidade eleita por nosso paciente.

Fique preparado para recaídas! Encontraremos várias delas no percurso. Mas ao final de oito semanas, nosso paciente estará muito próximo de se tornar um aluno de Pilates.

O educador físico e o fisioterapeuta discutirão a cada semana, ou até mesmo a cada novo dia, quais são os parâmetros de cansaço e motivação do doente em questão. Nesse caso o fisioterapeuta ouvirá e seguirá as orientações do educador físico.

O educador físico é, afinal, o melhor profissional para traçar metas de condicionamento físico. Como por exemplo:

  • Intensidade de treino;
  • Recuperação muscular;
  • Outras questões fisiológicas.

E lembre-se, a atividade aeróbica é a mais importante no alivio da dor. Durante esse período do treinamento o objetivo é condicionar aerobicamente o paciente, aumentando a sua resistência.

Diminuindo a fisioterapia

Com um condicionamento melhor, o fibromiálgico terá melhora em:

  • Circulação;
  • Sono;
  • Estresse;
  • Capacidade de oxigenação.

Além de realizar os exercícios de força melhor, ele também consegue fazer suas atividades de vida diária. Depois dessa oitava semana, o fisioterapeuta terá como seu principal objetivo realizar uma espécie de desmame fisioterápico em seu paciente.

A cada nova sessão realizaremos mais exercícios de força, flexibilidade e mobilidade, com um número menor de manipulações de terapia manual.

Devo aqui deixar bem claro, que a fisioterapia a que me refiro nada tem a ver com a eletroterapia. Esse tipo de tratamento só traz um alivio momentâneo da dor (papel este já exercido pelos fármacos). Ele não fornece a melhora mecânica de seus gestos, coordenação, e correção postural.

Transição no tratamento

E por fim, no final de doze semanas, nosso paciente deverá ser um aluno de Pilates. Aqui proponho uma mudança em seu programa de treinamento, da seguinte forma:

  • Exercícios aeróbicos 3 vezes por semana
  • Trabalho de força 2 vezes por semana
  • Sessão fisioterápica 1 vez por semana

O mais importante para os profissionais que assumirão o caso é não se desmotivarem diante das recaídas de dor ou quadros de depressão do doente. Devemos quebrar esse ciclo de retroalimentação devido à falta de neurotransmissores ligados ao prazer.  Para isso, temos que estar atentos a essas recaídas e sabermos que farão parte de nosso trajeto.

A importância dos Intestinos

O intestino do fibromialgico funcionar bem é de vital importância para a melhora do quadro e explicarei o porquê.  Do bom funcionamento intestinal depende a saúde de nosso cérebro.

Parece loucura, mas o intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões e perde apenas para o cérebro em número de neurônios.

O intestino fabrica mais serotonina que o cérebro. Isso é real e cientifico, precisamente 95% da serotonina é fabricada e armazenada no intestino.

A serotonina é um neurotransmissor, uma substância química fabricada pelos neurônios. Ela possui papel vital na transmissão e processamento das informações e estímulos sensoriais através dos neurônios.

O equilíbrio da serotonina determina, o fundo emocional de nossos pensamentos. Logo, diante de um mesmo pensamento, se a serotonina estiver em equilíbrio, ele pode ser interpretado como alegre, triste, engraçada, neutra, relaxante ou assustador.

O intestino também fabrica e utiliza mais de 30 neurotransmissores. Essas são substâncias envolvidas na transmissão e processamento das informações pelos neurônios. Informações essas do intestino e do cérebro. Todos esses neurônios e neurotransmissores são necessários para uma boa digestão.

O processo de digestão envolve, entre outras coisas, o monitoramento da:

  • Pressão exercida pelo alimento na parede do intestino a cada momento;
  • Movimento coordenado desse alimento ao longo do intestino;
  • Progresso do processo digestivo;
  • Concentração de sal, nutrientes, acidez, alcalinidade.

E todo esse processo é efetuado sem a ajuda do cérebro.

Ao mesmo tempo, esses mesmos neurônios e neurotransmissores, em conjunto com os do cérebro, fazem parte da rede neural responsável pela conexão entre o bem-estar emocional e o bem-estar físico. Ou vice-versa

Sugiro a vocês profissionais do movimento a leitura do livro Intestino nosso segundo Cérebro. Para que consigamos entender a importância real do bom funcionamento da nossa eliminação de dejetos para o controle das dores musculoesqueleticas.

Caso nosso doente fibromialgico possua um mau funcionamento intestinal, deveremos incluir em seu tratamento um profissional que será de extrema importância para a melhora do quadro geral, o nutricionista. Ele será o responsável pelo reequilíbrio da flora intestinal possibilitando assim, a produção dos tão importantes neurotransmissores.

Tratamento farmacológico

Os medicamentos são utilizados com base nos sintomas e ajudam a reduzir a dor, a melhorar o sono, a fadiga, o cansaço, a ansiedade e a depressão. São usados vários tipos de fármacos no tratamento da fibromialgia, nomeadamente, analgésicos, relaxantes musculares e antidepressivos.

Hoje em dia, existem fármacos antidepressivos que atuam nesses neurotransmissores responsáveis pelas reações exacerbadas geradas através do Sistema Nervoso Central.

Conclusão

Percebam a complexidade da fibromialgia e a necessidade de uma equipe multidisciplinar que se converse durante todo processo de reabilitação do doente, da necessidade do doente entender essa complexidade e estar disposto a se submeter a mudanças de hábitos que podem alterar toda sua rotina.

E por fim, a nossa importância como profissionais do movimento para a melhora da qualidade de vida do indivíduo portador de fibromialgia.

Bibliografia

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28041761

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24559767

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19514645

Community Oriented Program for Control of Rheumatic