Como preparar uma aula de Pilates para crianças em cada fase da infância

Como preparar uma aula de Pilates para crianças em cada fase da infância

Para que a aula de Pilates para crianças tenha sucesso, precisamos utilizar imitações, danças e teatro para construir nossas aulas. Crianças que começam o Pilates ainda muito novas estão realizando a atividade porque alguém mandou, não por vontade ou convicções pessoais. O trabalho na aula precisa conter:

  • Limites;
  • Regras;
  • Normas.

Dessa maneira conseguimos fazer com que a criança consiga participar da aula a partir das próprias representações da realidade. Lembrando que dependendo da idade da criança ela possui representações de realidade diferentes, para as quais precisamos adaptar a aula. Caso contrário ela dificilmente conseguirá se envolver na atividade física.

Também devemos ter em mente o papel do instrutor e da criança numa aula de Pilates para crianças. O instrutor é o líder e a criança a liderada. Nunca podemos deixar que a criança interprete o instrutor como seu amigo. Ela tentará com certeza, é comum dessa base. Porém o líder deve resistir à criança e permanecer no seu papel.

O trabalho com a criança perde o sentido quando o instrutor perde o controle do jogo. Por isso não podemos esquecer que antes de tudo o aluno veio para praticar Pilates, não para brincar.

Como preparar aulas de Pilates para crianças de acordo com cada fase

 

Conclusão

Como vimos não é fácil trabalhar com o Pilates para crianças. A não ser que esta seja a escolha direta do instrutor, para mim, deve-se gostar demais do universo infantil para se dedicar somente a ele.

Trata-se de uma escolha pessoal que deve ser feita com consciência e dom. Espero ter deixado algumas, dicas, de aprendizagem, pedagogia e de psicologia, seguindo a teoria de Jean Piaget que possa acrescentar ao trabalho de cada um, tentei explicitar e deixar algumas dicas comportamentais seguindo os estudos do principal autor desse universo infantil para vocês.

Avaliação respiratória: como realizar de maneira eficiente

Avaliação respiratória: como realizar de maneira eficiente

Você lembra de analisar os padrões respiratórios dos seus alunos e pacientes? Ela é tão importante quanto todo o restante do processo de avaliação. Se deixar realizar a avaliação respiratória também deixamos de entender como funciona o diafragma desse aluno.

Durante qualquer exercício o aluno trabalha sua respiração. Sem compreendermos como ela funciona nesse corpo corremos o risco de errar nas aulas e tratamento. Quer realmente aprender a avaliar a respiração do seu aluno? Continue lendo.

Nesse artigo ensino uma maneira simples de realizar a avaliação respiratória e obter resultados eficientes para sua aula. Você também vai aprender como identificar como trabalha o diafragma do aluno, deixando seus atendimentos muito mais eficientes.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Importância da avaliação respiratória

A vida moderna e os fatores de stress que aumentam a cada dia são bastante prejudiciais para a respiração. Em primeiro lugar temos os hábitos como o tabagismo que prejudicam todo o sistema respiratório. Mas não é deles que vamos falar nesse artigo. Falaremos de algo bem mais sutil que precisa de uma boa avaliação para ser identificado: os padrões respiratórios. Hoje em dia encontramos cada vez mais padrões respiratórios alterados e devemos saber identificá-los.

Durante uma avaliação para começar com um programa de atividades físicas devemos avaliar e identificar o padrão respiratório do indivíduo. Através dessa etapa você, o instrutor, consegue identificar:

  • Tensões que afetam o diafragma;
  • Respiração torácica ou abdominal;
  • Se trabalha em expiração ou inspiração.

Por que preciso saber tudo isso? Não chego a trabalhar diretamente com o diafragma a não ser que trabalhe com fisioterapia respiratória, certo? Não! A respiração é uma parte essencial da nossa prática, seja com Pilates ou com fisioterapia. O diafragma é um músculo que possui suas inserções fixas na coluna lombar e é de vital importância para mantermos uma boa mecânica de funcionamento do nosso principal músculo inspiratório.

Dicas para avaliar

Posicionaremos o avaliado em decúbito dorsal, com os joelhos fletidos e a cabeça em leve flexão. Posicionaremos então nossos polegares abaixo do apêndice xifoide e solicitamos para o indivíduo inspirar e expirar profundamente. Para um diafragma livre de tensões num teste normal, os polegares deverão subir no momento da inspiração e descer na expiração. Isso acontece de forma sincrônica e com a mesma excursão, tanto na inspiração como na expiração.

Alterações no teste

Observaremos no teste as seguintes possíveis alterações:

  • No momento da inspiração os polegares são muito elevados e não abaixam quando na expiração. Isso nos traduz um diafragma que trabalha em baixa, gerando uma respiração torácica. Estaremos diante de um diafragma hipertônico. Podendo inclusive alterar a conformação óssea do manúbrio, observaremos então um peito escavatum.
  • No momento da inspiração os polegares não sobem, porém quando na expiração os polegares descem muito. Traduzimos assim que esse diafragma trabalha em alta, funcionando em expiração, logo estaremos diante de um diafragma hipotônico. Poderemos estar diante de um peito de pombo.

No caso de dúvidas, quando as alterações são muito discretas podemos ainda realizar um teste de cinesiologia aplicada. Neste teste o indivíduo permanece em decúbito dorsal, com os membros inferiores e cabeça relaxados e apoiados na maca. Escolheremos qualquer músculo do corpo para testarmos sua força. Elegerei aqui o bíceps somente como forma de explicitar o teste.

Manteremos um dos membros superiores em flexão de cotovelo, solicitando ao avaliado que não permita que o avaliador estique seu cotovelo. Assim mantemos assim uma contração isométrica, a partir de então solicitamos sua respiração. Caso o avaliado consiga manter a forca isométrica do bíceps tanto na inspiração como na expiração o teste é interpretado como normal. Caso o avaliado perca sua força na inspiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em baixa, no caso hipertônico.

Caso o avaliado perca sua força no momento da expiração estaremos diante de um diafragma que trabalha em alta, no caso hipotônico.

Resultados da avaliação respiratória

Os dados colhidos na avaliação respiratória deverão coincidir com a história pregressa de nosso aluno. Ou seja, caso estejamos diante de um diafragma hipertônico que trabalha em posicionamento baixo, questionaremos ao nosso aluno a possível presença de doenças pulmonares, que geraram uma forca centrípeta nesses pulmões, portanto solicitando maior entrada de ar, como por exemplo, atelectasias ou quadros asmáticos.

E ao contrário, caso estejamos diante de uma diafragma hipotônico, poderemos estar diante de um corpo, que mesmo durante um curto período de sua existência, tenha passado por qualquer quadro patológico que gerou uma necessidade, de que esse diafragma se contraísse menos durante a inspiração, como por exemplo, uma pericardite, um quadro infeccioso pulmonar, ou ainda, um quadro bacteriano hepático, impedindo que o músculo diafragmático descesse durante sua contração inspiratória, afim de não gerar desconforto para esse corpo.

Podemos ainda, encontrar alterações de padrões respiratórios gerados por estresse, quadros de angustia, ansiedade, depressão, ou qualquer, alteração somática que gerou um ato respiratório mais superficial, ou ainda, mais profundo. Não podemos negligenciar em nossa avaliação as patologias psiquiátricas, ou simplesmente as alterações somáticas.


Cadeias musculares: as linhas do braço de Tom Myers

Cadeias musculares: as linhas do braço de Tom Myers

Ao estudar as cadeias musculares percebemos como os trajetos que percorrem são extensos. Já conseguimos ver isso analisando as cadeias com seus respectivos cadeístas. Vimos as cadeias do tronco, correlacionadas juntamente às da cervical e seus movimentos originais. Também observamos as cadeias dos membros inferiores que passam por:

  • Pelve;
  • Joelho;
  • Tornozelo;
  • Dedos.

Ainda estudamos a cadeia estática e a cadeia visceral, descrita por Leopóld Busquet.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Só faltava entendermos o esqueleto apendicular superior (braços). Nesse momento surge Tom Myers, com as linhas do braço. Ele expôs esse conceito em sua obra Trilhos Anatômicos.

Neste livro Tom Myers descreve suas linhas, que ele mesmo denomina de trilhos anatômicos. Aqui não vamos retratar todas as linhas descritas por ele. Falaremos das linhas miofasciais que faltam para fecharmos todo o trajeto das cadeias musculares.

As linhas do braço

as linhas do braço e cadeias musculares

As linhas do braço têm inúmeras funções em nosso corpo, e duas delas são: postural e de movimento.

As linhas do braço tem uma função postural. Isso acontece devido a seu peso e suas múltiplas ligações com nossas atividades cotidianas. A tensão que parte do cotovelo afeta o meio das costas. O ombro mal posicionado pode criar uma resistência significativa sobre as costelas, o pescoço, a função respiratória e muito mais (MYERS, 2016, PAG 175).

Nossos membros superiores realizam diversas funções em nosso dia-a-dia. Algumas delas são movimentos simples como: 

  • Puxas uma cadeira para sentar;
  • Levar o alimento até a nossa boca;
  • Pentear nossos cabelos.

Nas nossas atividades diárias em geral temos linhas que exercem duas funções: uma oferecendo estabilidade e outra que permite a mobilidade. Para todos esses e outros inúmeros movimentos  possam ocorrer de forma harmônica.

Anatomia Geral

anatomia geral das linhas do braço

Os padrões comuns de compensação postural associados às Linhas do Braço provocam os mais diversos tipos de disfunções no ombro. Também acontecem disfunções no braço e na mão, geralmente envolvendo ombros que estão sendo:

  • Protraídos;
  • Retraídos;
  • Levantados ou “curvados”;
  • Rotação medial;
  • Inclinação anterior da escápula. (MYERS, 2016, PAG 175).

As falhas posturais e de sustentação dessa cadeia darão surgimento a:

  • Lesões nas regiões do túnel do carpo;
  • Lesões no cotovelo e ombro;
  • Dor muscular;
  • Pontos-gatilho. 

Para identificar os músculos e seguir sua determinada linha funcional, deve-se estar com o braço ao lado do corpo, a palma da mão voltada para frente. A Linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) encontra-se então na parte anterior do seu braço:

  • Músculos palmares;
  • Flexores inferiores do braço;
  • Septo intermuscular;
  • Peitoral maior (MYERS, 2016, PAG 177).

Já a Linha Superficial Posterior do Braço (LSPB) encontra-se ao longo da parte posterior do braço, com os seguintes músculos:

  • Trapézio;
  • Deltoide;
  • Septo intermuscular lateral;
  • Extensores.

Para identificar a Linha Profunda Anterior do Braço (LPAB), peça para que o indivíduo realize uma abdução gleno-umeral com a palma da mão voltada para baixo e o olecrano da ulna apontando para trás. Na região anterior estará a LPAB, com os seguintes músculos:

  • Eminência tenar;
  • Rádio;
  • Bíceps;
  • Peitoral menor.

Antes de relatarmos a Linha Profunda Posterior do Braço (LPPB), prestemos atenção nesses dois músculos citados acima na LPAB:

  • Peitoral menor;
  • Bíceps braquial.

Percebam que ambos têm origens na escápula. Se encurtados com certeza irão gerar desequilíbrios posturais na região do  ombro. Podemos até fazer correlações com as linhas cruzadas anteriores do tronco, mas isso é discussão mais para frente.

A linha profunda anterior do braço

O primeiro ponto a ser colocado, é que a LPAB é uma cadeia considerada de estabilização. Em termos de músculos, a LPAB começa nas margens da 3ª, 4ª e 5ª costela com o peitoral menor. Esse músculo está claramente engendrado na fáscia clavipeitoral. Ele cursa por baixo do peitoral maior, a partir daí a linha miofascial continua com o músculo bíceps braquial.

Uma coisa interessante a partir desse momento é que tanto o peitoral menor quanto uma das cabeças do bíceps (curta) tem uma de suas inserções no processo coracóide da escápula. Logo já consideramos que essa linha miofascial tem um ação direta na estabilidade escápuloumeral. Qualquer desalinhamento biomecânico em alguma dessas musculaturas irá desencadear disfunções à nível glenoumeral. Não podemos deixar de falar de um terceiro músculo, quase ignorado pelo profissionais do movimento que é o coracobraquial.

De modo prático, segundo MYERS (2016), um encurtamento na LPAB proximal simplesmente traciona o processo coracóide para baixo parar criar uma inclinação anterior da escápula. Isso gera ombros em rotação medial (enrolados).

“Um excessivo encurtamento nessa unidade miofascial pode afetar negativamente a respiração, a postura do pescoço do ombro e do braço, especialmente para alcançar algo que está para cima” (MYERS, 2016, PAG 177).

Segundo MYERS (2016):

“Algumas maneiras para alongar essa linha (que pode predominantemente estar tensa) é, ajoelhar-se diante de uma parede e deslizar as mãos para cima o mais longe que conseguir, isso criará um estiramento nesses tecidos, pode-se também colocar os braços ao lado do corpo em abdução (de preferência contra uma parede) e ir alongando levemente essa região.”

Lembrando que, ao tentar ganhar o comprimento desses músculos, em seu relaxamento, nunca colocamos o aluno ou paciente em estado de desconforto. Existem algumas maneiras de observar o encurtamento do músculo peitoral menor e alteração da biotensigridade fascial gerando tensão da fáscia clavipeitoral, elas incluem:

  • Restrição de movimento na região da costela superior durante a inspiração. Impede que os ombros e as costelas se movam em harmonia estrita. 
  • Disfunções para o movimento de flexão dos ombros, por exemplo, no movimento de alcance de uma prateleira. Só e possível porque, a nossa cintura escapular formada por 4 articulações está em perfeita sintonia. Caso aja algum stiffness (desequilíbrio muscular), poderá provocar disfunções no ombro.

Um adendo importante que faço aqui e que se a fáscia subclávia estiver aderida, o indivíduo poderá apresentar disfunções cinemáticas no movimento da clavícula. Se lembrarmos da cinesiologia, durante o movimento de abdução glenoumeral, além do movimento do úmero na cavidade glenóide, há o movimento em estarnoclavicular e acromioclavicular.

Disfunções do ombro e as linhas do braço

disfunções do ombro e as linhas do braço

A própria clavícula realiza uma rotação de aproximadamente 20º em torno do seu próprio eixo. Se pensarmos nos tecidos que nela estão inseridos estiverem retesados, essa rotação da clavícula ficará prejudicada. Assim prejudica também os movimentos de todas as articulações da nossa cintura escapular.

Temos que ter esse conhecimento, pois, um encurtamento da LPAB comprometerá todo o complexo glenoumeral. Há uma observação muito importante, quando formos realizar algum alongamento ou tentar entender quais feixes do peitoral menor está mais tenso em relação aos outros. Existe nesse músculo uma divisão funcional de suas fibras.

As fibras que estão dispostas a partir principalmente da 5ª costela são fibras que, em seu sentido de produção de força, serão fibras que irão tender a tracionar o processo coracóide para baixo. Assim realizam uma inclinação anterior da escápula.

Já as fibras que estão inseridas em 3ª e 4ª costelas. Serão fibras que pelo seu próprio sentido tendem a tracionar a escápula em rotação medial levando consequentemente o úmero também para a rotação interna. É importante ter esse conhecimento para entender melhor como estaria a discrepância de forças entre os sarcômeros do peitoral menor. Existe uma divisão funcional nesse músculo que explica a discrepância.

Comportamento das disfunções

Não estamos falando aqui que essas fibras se comportam de maneira uniforme. Estamos falando que, pelo próprio sentido das fibras do peitoral menor, algumas delas em determinadas situações estariam em maior insuficiência ativa em relação à outra. Porém, todo o músculo tenderá a se encurtar, umas fibras em maior, e outras em menor magnitude.

Já que estamos falando de modo cinesiológico quando falamos do bíceps braquial, em especial a sua cabeça curta, onde tem sua inserção no processo coracóide da escápula. Temos que ter em mente que, pelo próprio sentido de suas fibras, caso esse músculo se encurte ele tracionará imediatamente a escápula a partir do processo coracóide em inclinação anterior.

Outro fator que também irá predispor um impacto subacromial, já que nessas circunstâncias o espaço subacromial ficaria reduzido. Além do que, esse músculo se encurtado, afetaria diretamente 3 articulações do ombro. Já comentamos que são as do cotovelo e antebraço, já que o mesmo realiza:

  • Flexão do ombro;
  • Flexão do cotovelo;
  • Supinação do antebraço.

A partir do antebraço, especificamente no rádio, temos a fixação dessa linha miofrascinal na membrana no periósteo até a sua chegada na eminência tenar.

Os terapeutas de shiatsu ou qualquer outra técnica que emprega a pressão usando o polegar precisam conhecer a LPAB, que termina no polegar. Uma boa mecânica corporal para uma prática de longo prazo exige que a LPAB permaneça aberta e alongada, com os braços em uma posição arredondada (cotovelo dobrado) enquanto a pressão é colocada sobre o polegar. Aqueles terapeutas que dizem sentir dor resultante desse tipo de pressão no próprio polegar ou na base da articulação selar quase sempre mostram uma LPAB que entrou em colapso”, (MYERS, 2016, PAG 184).

A linha superficial anterior do braço

Antes quando estávamos lendo sobre a LPAB estudamos que essa é uma linha de estabilização articular. Já a LSAB é considerada uma linha de motricidade. Ela produz maior força por conta dos músculos que nela estão inclusos.

“A linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) se sobrepõe a LPAB no ombro, começando com uma ampla difusão das inserções, que nesta linha inclui vários músculos. O peitoral maior, que tem um amplo conjunto de inserções que descem da clavícula até as costelas do meio, dando início a essa linha na parte anterior. O latíssimo do dorso (que começa sua vida embiológica como latíssimo do ventre), um músculo que em sua inserção se fixa firmemente na superfície anterior do úmero, próximo ao peitoral, demarcando assim sua tênue pretensão de ser parte da LSAB difundindo-se a partir dos processos espinhosos das vértebras torácicas inferiores, a fáscia lombossacra, a crista ilíaca e as costelas laterais inferiores”, (MYERS, 2016, PAG 184).

Entre os músculos peitoral maior e latíssimo do dorso, há praticamente um círculo completo de inserções musculares. Isso mostra o amplo grau de capacidade motriz da LSAB sobre o braço.

Caso queiramos buscar o alongamento dessas linhas, o interessante seria que colocássemos o indivíduo na posição de decúbito dorsal, com o braço abduzido para fora da maca e pedisse para que o mesmo relaxasse o braço. Nesse momento ele estaria alongando a LSAB, e iria sentir o alongamento em peitoral maior ou em qualquer outro segmento dessa linha. Caso queiramos alongar mais a LPAB, poderíamos pedir para que o nosso aluno colocasse seu úmero em rotação medial e ainda afastando o máximo que puder o polegar do ombro.

Segundo MYERS (2016) imaginaríamos que estamos querendo pegar um papel que está logo atrás do seu polegar, colocando-o para trás. Fazendo isso conseguiríamos solicitar ainda mais o alongamento da LPAB. Se observarmos bem, quando falamos na LSAB, quase todos os músculos tendem a rotacionar o nosso úmero em rotação medial.

Não podemos esquecer que esse tipo de postura é muito perigosa, a mesma tende a aproximar o tubérculo maior do úmero do acrômio. Precisa dizer o que poderá acontecer posteriormente? Protejam os tecidos os tecidos moles que passam sob o espaço subacromial! Pois eles estarão em apuros depois de um forte encurtamento de peitoral maior e latíssimo do dorso.

A Linha Profunda Posterior do Braço

Antes de começarmos a destrinchar a LPPB, temos que considerar um fator de extrema importância entre ela e a LPAB. Ambas em todo o segmento apendicular superior, tem uma relação tênue de estabilidade. A LPAB é uma estabilizadora mais medial e a LPAB estabiliza de forma mais lateral. Ambas, por serem profundas, são linhas consideradas por Myers, de estabilidade.

A Linha Profunda Posterior do Braço (LPPB) começa nos processos espinhosos das vértebras torácicas superiores e da vértebra cervical C7, passando por baixo e por fora junto com os músculos romboides até a margem vertebral da escápula, enquanto a LPPB continua em torno escápula junto com o manguito rotador, especificamente dos romboides ao infraespinal, pegando o redondo menor ao longo do caminho. Esses dois músculos aderem a próxima estação na face posterior do úmero, no tubérculo maior, contíguo à cápsula articular” (MYERS, 2016, PAG 187).

A nossa escápula está circundada pelos músculos do manguito rotador. Supra e infra espinal juntamente com o redondo menor se inserem no tubérculo maior do úmero. Já o subescapular se posiciona na margem anterior da escápula.

Há uma interligação interessante, que é descrita como “sanduíche escapular” por Myers. A miofáscia do romboide traciona tanto a região dos rotadores externos e supra espinal quanto a margem do potente rotador interno (subescapular), deixando assim a escápula no meio dessas musculaturas, os quais geram de forma clara uma considerável estabilidade à escápula. Segundo MYERS (2016), esses quatro músculos do manguito rotador controlam a cabeça arredondada do úmero da mesma forma que os músculos oculares controlam a órbita o olho.

A partir do corpo do úmero perto da cavidade onde o manguito rotador se insere, e a partir do lado menor, surge a mais longa das três cabeças do tríceps braquial, a próxima via dessa linha. Quando o braço está suspenso, com um padrão semelhante à Linha Profunda Anterior do Braço, o percurso do manguito rotador até o tríceps envolve uma mudança radical de direção, mas com ombro abduzido, como em um backhand de tênis, esses dois estão fascialmente e mecanicamente ligados” (MYERS, 2016, PAG 187)

Sabemos que a inserção do tríceps é no olecrano da ulna. Então nada mais lógico que a via fascial continue pela ulna. Porém, indo mais abaixo, não encontraremos mais músculos nessa via. Na verdade, existe uma inserção com o periósteo da ulna e as camadas adjacentes. Myers (2016) tal como acontece na LPAB, a LPPB está firmemente presa à ulna na metade distal da ulna, pelas mesmas razões de estabilidade anteriormente discutidas.

”A LPPB, e  um equivalente grosseiro da Linha Lateral da perna, trabalha com a LPAB para ajustar o ângulo do cotovelo, limitar ou permitir o movimento de um lado ao outro da parte superior do corpo, quando na posição de engatinhar e para proporcionar estabilidade desde o lado externo da mão até a parte de trás do ombro. Essa linha é necessariamente ativa no trabalho reformista do pilates” (MYERS, 2016, PAG 188).

A Linha Superficial Posterior do Braço

A Linha Superficial Posterior do Braço (LSPB) começa com a ampla difusão das inserções axiais do trapézio, a partir da crista occipital e passando pelo processo espinhoso da T12. Essas fibras convergem em direção à espinha da escápula, ao acrômio da escápula, e ao terceiro lateral da clavícula” (MYERS, 2016, PAG 189.

Como nas outras linhas, a LSPB não poderia deixar de ter as suas conexões fasciais. Dentre elas temos as fibras torácicas do trapézio que se ligam ao deltoide posterior e as fibras cervicais do trapézio se ligam à parte acromial do deltoide médio. Além das fibras occipitais do trapézio que se ligam à parte clavicular do deltoide.

Pode-se dizer que a LSPB é uma linha motriz e que se estende da coluna vertebral para o dorso dos dedos. Quando esse linha sai do deltoide, um músculo com grande massa muscular, ela passa diretamente para o músculo braquial e desce até o epicôndilo lateral do úmero. No antebraço essa linha continua com os extensores do carpo e dos dedos. Percebam que tanto a Linha Superficial Anterior do Braço (LSAB) quanto a LSPB tem o mesmo perfil de músculos em seus trajetos. A diferença é que uma é na região anterior do úmero e a outra é na região posterior, obviamente.

Um adendo muito importante é que os músculos contidos na LSPB são músculos que na maioria das vezes irão tender a estarem encurtados por motivos gravitacionais. O trapézio é um caso especialmente importante, é um músculos que frequentemente encontram-se hiperativos. Isso acontece tanto pela postura da cabeça do indivíduo, por vezes, anteriorizada, como numa síndrome cruzada de ombros, como numa insuficiência de supra espinhal, por exemplo. Nesse caso encontraremos um deltoide em seu feixe acromial hiperativo, gerando assim um vetor de superiorização da cabeça do úmero em relação à cavidade glenoidal.

Por isso temos que tomar muito cuidado em relação à LSPB. Em um indivíduo que tenha uma protusão de ombros, uma anteriorização de cabeça ou alguma síndrome de ombros, poderemos encontrar facialmente o encurtamento desses músculos e consequentemente desse trilho miofascial.

Conclusão

“Fique de frente para seu paciente, segure seus punhos, e peça para ele se inclinar para trás desde os tornozelos até a “correia” de seus braços, enquanto você suporta o peso dele. Ele agora está pendido e inclinado em suas duas Linhas Posteriores do Braço, como se estivesse praticando esqui aquático. Se você girar seus punhos e braços em uma rotação lateral (palmas das mãos para cima), ele geralmente irá sentir o alongamento (ou restrição) na LSPB, desde o trapézio e passando pelos extensores. Se você segurar seus punhos e braços em uma rotação medial moderadamente forte (polegares para baixo), ele em geral vai sentir o alongamento da LPPB, passando pelos romboides e pelo manguito rotador e para fora desta linha.” (MYERS, 2016, PAG 191).

“Uma metáfora fácil e útil para se compreender as quatro Linhas do Braço é vê-las em relação à asa de um pássaro. A Linha Superficial Posterior do Braço com o trapézio e o deltoide é o topo da asa – manter a asa aberta e levantá-la quando necessário – constantemente ativo na subida. A Linha Superficial anterior do Braço com o peitoral maior é a parte inferior da asa – a força para voar, como nos patos ou gansos. A Linha Profunda Anterior do Braço é a extremidade principal na parte da frente da asa, que controla a atitude – no nosso caso, controla o polegar. Por fim, a Linha Profunda Posterior do Braço seria a margem posterior da asa em um pássaro, dando o controle motor fino aos “ailerons” da plumagem, ou no nosso caso, os ajustes finos do dedo mínimo” (MYERS, 2016, PAG 191).


Avaliação estática: importância das cicatrizes no aluno

Avaliação estática: importância das cicatrizes no aluno

Durante a avaliação estática do aluno deveremos observar diversos aspectos do aluno. Os primeiros fatores a chamar a atenção estão relacionados a sua postura, alinhamento das articulações, desvios na coluna e outros sinais claros de um desequilíbrio. Mas existe mais um fator importante que muitos ainda esquecem na hora de avaliar: as cicatrizes.

Observando um corpo em busca de desequilíbrios musculoesqueléticos podemos até imaginar que as cicatrizes não têm importância. É só um sinal na pele de algo que já passou, certo? Mas lembrem-se, nosso corpo possui memória e mesmo problemas passados podem continuar influenciando no presente.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

Ainda na avaliação estática nossos olhos atentos percorrerão pelo corpo do avaliado buscando por cicatrizes. Barral foi o primeiro a afirmar em suas pesquisas que uma cicatriz de má formação em sua teia de matriz cicatricial poderá alterar o funcionamento mecânico de um corpo. Logo se faz de extrema necessidade que em nossa avaliação busquemos por essas cicatrizes que podem estar intoxicando o sistema musculoesquelético.

O que são cicatrizes tóxicas

importancia das cicatrizes tóxicas para avaliação estática

Essas cicatrizes capazes de alterar o funcionamento mecânico corporal são chamadas de cicatrizes toxicas. Elas acontecem depois de ferimentos ou intervenções cirúrgicas. Elas ficam em constante reação com estímulos internos e externos.

Cicatrizes tóxicas podem induzir uma contratura muscular do músculo em questão. Ela também pode modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda. Ela se comporta como uma área reativa denominada de “campo perturbados”.

Geralmente encontramos cicatrizes tóxicas em algumas partes específicas do corpo, como:

  • Face;
  • Laterais do tronco;
  • Medianas da parede anterior do abdômen.

Entre todos os formatos de cicatrizes podemos considerar as horizontais como as mais reativas.

Apesar de existirem cicatrizes tóxicas nem todas são. Podemos ter uma cicatriz grande em sua extensão e não representar nenhuma disfunção corporal. O tamanho não determina se a cicatriz é tóxica ou não. Também podemos ter uma pequena cicatriz que está desencadeando modificações teciduais no conjuntivo. Ela também pode causar uma desregulação exteroceptiva, implicando um obstáculo na correção postural.

A pele é o maior órgão do corpo humano, está dotada de muitas terminações nervosas livres. Dentre elas encontramos grande quantidade de exteroceptores como por exemplo:

  • Órgãos de Ruffini;
  • Discos de Merkel.

Atuando também como mecanorreceptores, eles são extremamente sensíveis. Por exemplo em uma cicatriz anterior de tronco provoca uma projeção anterior do corpo buscando relaxar o estiramento do exteroceptor, a fim de que haja um ajustamento no tônus muscular.

A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano exposto ao meio ambiente, está sujeita a uma troca continua de informações. Quanto este sistema de entrada é perturbado por uma cicatriz, sua função e capacidade de interação com o ambiente interno e externo ficam prejudicadas.

Cicatrizes tóxicas na avaliação estática

avaliação estática com cicatrizes

Algumas dicas podem ser importantes no momento de avaliar se a cicatriz é tóxica (patológica) ou não.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica:

  • Coloração: próxima ao tom da pele.
    • Textura fina.

    Aspectos de uma cicatriz tóxica:

  • Coloração: tons de vermelho, variando entre tons claros e escuros – e acastanhado;
    • Retrações;
    • Quelóides;
    • Alto relevo;
    • Trofismo: atrófica, hipertrófica.

Mas esta avaliação ainda não se faz o suficiente para obtermos a assertividade se estamos diante de uma cicatriz capaz de se tornar um bloqueio à correção postural ou não; assim seguem duas técnicas a fim de assegurarmos sobre sua toxicidade.

Avaliação das cicatrizes

1. Baseado na cinesiologia aplicada:

Elegeremos qualquer músculo do corpo para o teste. Aqui, vou exemplificar usando o músculo bíceps braquial. O cotovelo do avaliado estará em flexão e uma das mãos do avaliador estará na face anterior do antebraço do avaliado a fim de resistir o movimento em direção a função do músculo escolhido para o teste.

Solicitaremos que o avaliado faça uma força em sentido da flexão de cotovelo, enquanto o avaliador resiste o movimento. Durante esta resistência, o avaliador toca suavemente com sua outra mão, a cicatriz do avaliado. Caso o avaliado perca sua força, permitindo então que seu cotovelo seja levado em direção a extensão; o teste será positivo. Ou seja, estaremos diante de uma cicatriz tóxica. Caso, ao tocar a cicatriz, não haja alteração na resistência aplicada ao músculo, estaremos diante de uma cicatriz não tóxica.

2. Baseado no Teste de Pulsologia de Nogier (Teste de Reação autonômica circulatoria):

Teste do Pulso Radial:

O avaliador toca o pulso radial do avaliado suavemente com o dedo indicador e dedo médio. Percebe por poucos segundos esta pulsação. Com a outra mão, o avaliador realiza um toque suave em toda a extensão da cicatriz.

Caso, ao tocar a cicatriz, houver diminuição* ou desaparecimento da amplitude do pulso, estaremos diante de uma cicatriz tóxica.

Caso ao tocar a cicatriz, houver manutenção da amplitude do pulso, estaremos diante de uma cicatriz não tóxica.

*A diminuição da onda do pulso é gerada por uma desregulação humoral, através da secreção do hormônio adrenalina que se liga ao receptor Beta 2 nos vasos das artérias musculoesqueléticas, provocando vasodilatação, portanto redução da amplitude da onda do pulso.

Caso estejamos diante de uma cicatriz toxica teremos antes de trabalhar para a melhora da matriz cicatricial afim de que nossos ganhos posturais sejam mantidos. 

Conclusão

Durante uma boa avaliação estática precisamos saber observar todas as características do corpo. Isso inclui as cicatrizes que podem ser tóxicas ou não. Dependendo da cicatriz ela causa desequilíbrios na região ao redor, podendo ser o motivo de uma tensão muscular e diversos outros problemas.

Ao identificar uma cicatriz no seu aluno você precisará realizar alguns testes para descobrir se é tóxica. Depois será necessário trabalhar durante a aula para garantir os melhores resultados.


Avaliação de ombro: testes para os principais músculos

Avaliação de ombro: testes para os principais músculos

O ombro é uma zona bastante lesionada em todos os tipos de alunos. Por ser muito instável e complexo, esse conjunto articular geralmente acaba com pouca estabilidade ou mobilidade. Além disso, existem diversos tipos de lesões e patologias que podemos encontrar no complexo do ombro.

Por isso é extremamente importante saber realizar uma boa avaliação de ombro e suas musculaturas. É exatamente esse o foco desse artigo. Entenda melhor como realizar alguns testes musculares no ombro e as musculaturas mais importantes na avaliação. Para entender tudo isso é só continuar lendo.

Antes de começarmos o texto, eu recomendo para que você CLIQUE AQUI e participe do meu grupo exclusivo do WhatsApp, onde eu envio conteúdos, como vídeos e textos, todos os dias. PS: Grupo exclusivo para profissionais e estudantes de Fisio e Ed. Física.

Testes Musculares para avaliação de ombro

Discutimos a biomecânica do ombro em artigos anteriores, porém agora, nosso objetivo é avaliarmos os seguintes músculos:

  • Bíceps;
  • Peitoral menor;
  • Grande dorsal;
  • Manguito rotador;
  • Trapézio;
  • Serrátil.

Músculos estes que são os principais comprometidos quando a zona primaria da lesão é definida no tórax.

Bíceps

O bíceps tem por característica ser um músculo cilíndrico, fusiforme e de feixe volumoso. Possui duas porções:

  • A longa que se origina no tubérculo supraglenoidal da escápula, possui de um tendão de origem maior e mais fino.
  • A porção curta tem por origem o processo coracóide da escápula e se localiza medialmente a cabeça longa.

As duas porções se unem em um único tendão de inserção na tuberosidade do rádio, tem como ações:

  • Abduzir;
  • Rodar;
  • Aduzir medialmente o membro superior;
  • Flexionar e supinar o antebraço.

A grande falha que predispõe o bíceps a lesões ocorre por sua íntima relação com a ação dos músculos do manguito rotador. E ao fato se sua contração levar a uma elevação da cabeça do úmero.

Teste para o Bíceps

Aluno em decúbito dorsal, com 90* de flexão de cotovelo. O avaliador exerce uma pressão no antebraço do avaliado, e observar o quanto de elevação do ombro ocorrera para que o aluno sustente a contração do Biceps.

Músculos do manguito rotador

Entendendo sobre o manguito rotador. Os músculos que pertencem ao manguito rotador do ombro são:

  • Redondo menor;
  • Infra espinhal;
  • Supra espinhal;
  • Subescapular.

O redondo menor tem sua origem na borda lateral inferior da escápula inserindo-se no sulco inter escapular tendo como ação:

  • Estender;
  • Abduzir;
  • Rodar medialmente o membro superior.

O infra espinhal tem sua origem na fossa infra espinhal da escápula seguindo até o tubérculo maior do úmero e tem como função rodar e abduzir horizontalmente o membro superior. O supra espinhal, origina-se na fossa supra espinhal da escápula para também se inserir no tubérculo maior do úmero abduzindo o membro superior. Por fim o subescapular que se origina na fossa subescapular da escapula para também se inserir no tubérculo maior o úmero, afim de, rodar medialmente o membro superior.

Quer baixar um ebook completo sobre Avaliação Postural gratuitamente? Clique aqui para baixar

 

Logo, podemos entender um funcionamento mecânico ruim do manguito rotador fixa a escápula aumentando o impacto do bíceps durante sua contração tirando sua boa centragem para o movimento.

Teste para os redondos maior e menor

Posição do avaliado: em decúbito ventral com flexão do antebraço, adução, extensão e rotação medial do braço, com o dorso da sua mão apoiada na região lombossacral. O avaliador estabiliza o ombro oposto e aplica uma pressão no sentido da flexão e abdução do membro superior avaliado. No caso de fraqueza muscular o avaliado é incapaz de manter a sustentação de seu membro superior.

Peitoral Menor

Normalmente damos pouquíssima importância a esse pequeno músculo de ação peculiar sobre nosso sistema músculo esquelético. Anatomicamente conhecido como o músculo do tórax tem sua origem das 2ª a 5ª costelas e sua inserção no processo coracoide da escápula atua na inspiração forçada. Porém em sua ação músculo esquelética leva o membro superior a anteversão, portanto em contratura, encurtamento ou tensão diminui o espaço da corredeira bicipital.  

Teste do Peitoral Menor

Avaliado em decúbito dorsal. Nos posicionamos na região cranial do nosso aluno e observamos qual ombro encontra-se descolado da maca em enrolamento.

Grande Dorsal

Em contrapartida ao pequeno peitoral menor encontramos um músculo plano e amplo de formato triangular que percorre a região lombar e posterior da parte inferior do tórax em direção ao úmero. Tem sua origem na fáscia tóraco lombar ao longo dos processos espinhosos de T12 a L5. Região dorsal do sacro e crista ilíaca vindo inserir-se no tubérculo menor do úmero sendo responsável pela:

  • Extensão;
  • Adução;
  • Rotação medial do membro superior.

Portanto em seu encurtamento roda internamente o úmero, que em ação conjunta ao peitoral menor aproximara mais a cabeça do úmero ao processo coracoide.

Teste do Grande Dorsal

Aluno em decúbito ventral com extensão de ombro e adução. A avaliação consiste em aplicarmos uma pressão no sentido oposto no terço distal do antebraço de nosso aluno para a extensão e abdução e notarmos as compensações que podem apresentar-se até o quadril, dada a origem de músculo.

Trapézio

Potente músculo amplo e plano que realiza a elevação e adução da escápula, tem um formato triangular. Origina-se no osso occipital seguindo pelas vértebras de C4 a C7 até T12 para se inserir no terço externo superior da clavícula, borda medial da espinha escapular e acrômio. Tendo como sua ação a elevação e adução da escapula. Testamos a forca do trapézio, bem como a qualidade do movimento gerado da seguinte forma.

SE VOCÊ QUER RECEBER VÍDEOS E CONTEÚDOS GRATUITAMENTE NO WHATSAPP CLIQUE AQUI.

Teste de força do trapézio

O avaliado deverá estar sentado solicitamos que o mesmo rode e estenda a cabeça para o lado contrário ao hemicorpo que será avaliado. O profissional do movimento posiciona uma de suas mãos no ombro a ser testado exercendo uma estabilização. Não deve permitir que o ombro suba durante o teste, a outra mão do profissional avaliador estará posicionada na nuca aplicando uma pressão para a flexão da cabeça sem perder a rotação. 

Dessa maneira o avaliador deverá ser capaz de observar se o aluno é capaz de suportar essa pressão. Caso isso não ocorra encontraremos o trapézio fraco. Já adianto que dificilmente estaremos diante de um trapézio fraco. Faremos também o teste para as fibras transversais onde aplicaremos a pressão no terço distal do antebraço no sentido da adução horizontal.  Devemos observar as compensações no ombro que nosso avaliado possa tentar realizar para realizar o movimento. Dessa forma detectaremos se o músculo encontra-se em tensão.

Serrátil anterior

Origina-se entre as nove primeiras costelas para se inserir no ângulo: superior, inferior e na borda medial da escapula. É um músculo delgado de formato quadrangular, situado na parede latero-posterior da caixa torácica, recobrindo as costelas e em sua parte posterior e sendo recoberto pela escápula. Em sua ação abduz a escapula e a fixa junto ao gradil costal, auxilia também na inspiração ajudando a realizar o movimento de elevação das costelas em alça de balde.  Normalmente encontra-se fraco.

Teste para o Serrátil anterior

Avaliado deverá estar deitado em decúbito dorsal com os ombros flexionados a 90* e punhos fechados, o profissional avaliador exercera uma pressão vertical sobre os punhos do aluno que deverá ser capaz de ativar o Serrátil anterior, não permitindo que seus ombros encostem na maca.

Porém quando a zona primaria da lesão encontra-se na fossa ilíaca, deveremos estar atentos ao músculo chave desencadeante para as alterações posturais se iniciarem, o nosso apaixonante Psoas.

Conforme já dito, esses testes visam corroborar as compensações de cada músculo em tensão zerando a zona primaria da lesão no tórax.

 

Conclusão

Para uma boa reabilitação de ombro precisamos começar com uma avaliação eficiente. Inicialmente precisamos descobrir quais são as compensações realizadas pelas musculaturas do ombro para começar a corrigi-las em aula. Você poderá usar os testes apresentados nesse artigo para complementar sua avaliação e compreender melhor o corpo do aluno.

 

Gosta do meu trabalho? Te convido então a entrar no meu grupo do WhatsApp. Já enviei diversos conteúdos este ano! Todos os dias uma novidade para você! (Somente para profissionais e estudantes da Fisio e Ed. Física). -> CLIQUE AQUI PARA ENTRAR