MAH – Saiba mais sobre algumas Contras Indicações menos comuns

MAH – Saiba mais sobre algumas Contras Indicações menos comuns

Algumas contraindicações do MAH são: Síndrome Vasovagal, Doença de Crohn e Doenças Cardíacas.

Por que?

No MAH usamos a apneia e aspiração visceral o que leva o organismo a trabalhar com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo), fazendo com que o sistema simpático e parassimpático trabalhe o tempo todo para regularização do organismo.

Síndrome Vasovagal causa uma síncope, que é a perda temporária da consciência provocada por uma diminuição do fluxo sanguíneo cerebral. Também conhecida como desmaio, a síncope normalmente tem início súbito, dura pouco tempo e a recuperação é total e espontânea.

Os desmaios podem ocorrer devido à:

  • Falta de Ventilação Adequada em Ambientes Lotados
  • Emoções Fortes
  • Medo
  • Jejum Prolongado
  • Permanecer em Pé por Tempo Prolongado
  • Insolação
  • Má Irrigação Sanguínea do Cérebro
  • Dor
  • Entre Outras

As causas da síncope são muito variadas e podem estar relacionadas a fatores cardiovasculares e não cardiovasculares. A maioria dos casos de síncope cardíaca é causada por arritmias. Este tipo de desmaio geralmente ocorre durante a prática de atividade física.

Já a síncope vasovagal, é a principal forma de desmaio que ocorre em adultos. O ataque vasovagal ocorre devido a um reflexo neurocardiogênico que provoca hipotensão arterial (pressão baixa) e bradicardia (diminuição dos batimentos cardíacos).

A síncope vasovagal pode ser desencadeada por:

  1. Emoção Muito Forte
  2. Medo
  3. Cansaço
  4. Dor
  5. Perda de Sangue
  6. Ambientes Mal Ventilados com Aglomeração de Pessoas
  7. Permanecer em Pé por Tempo Prolongado
  8. Entre Outros Fatores

Durante um ataque vasovagal a pessoa pode apresentar náuseas, transpiração intensa, salivação abundante, palidez e visão escurecida. Há ainda as síncopes causadas por medicamentos e distúrbios psiquiátricos, metabólicos ou endócrinos.

Nervos Cranianos

Nervos cranianos são os que fazem conexão com o encéfalo. Os 12 pares de nervos cranianos recebem uma nomenclatura específica, sendo numerados em algarismos romanos, de acordo com a sua origem aparente, no sentido rostrocaudal.

Eles estão ligados com o córtex do cérebro pelas fibras corticonucleares que se originam dos neurônios das áreas motoras do córtex, descendo principalmente na parte genicular da cápsula interna até o tronco do encéfalo.

Os nervos cranianos sensitivos ou aferentes originam-se dos neurônios situados fora do encéfalo, agrupados para formar gânglios ou situados em periféricos órgãos dos sentidos.

 

Os núcleos que dão origem a dez dos doze pares de nervos cranianos situam-se em colunas verticais no tronco do encéfalo e correspondem à substância cinzenta da medula espinhal.

De acordo com o Componente Funcional, os nervos cranianos podem ser classificados em Motores, Sensitivos e Mistos.

Os Motores (puros) são os que movimentam o olho, a língua e acessoriamente os músculos látero-posteriores do pescoço. São eles:

III – Nervo Oculomotor

IV – Nervo Troclear

VI – Nervo Abducente

XI – Nervo Acessório

XII – Nervo Hipoglosso

X – Nervo Vago

O nervo vago é misto e essencialmente visceral.

Emerge do sulco lateral posterior do bulbo sob a forma de filamentos radiculares que se reúnem para formar o nervo vago. Este emerge do crânio pelo forame jugular, percorre o pescoço e o tórax, terminando no abdome.

Neste trajeto o nervo vago dá origem a vários ramos que inervam a faringe e a laringe, entrando na formação dos plexos viscerais que promovem a inervação autônoma das vísceras torácicas e abdominais.

O vago possui dois gânglios sensitivos:

  1. Gânglio Superior – Situado ao nível do forame jugular;
  2. Gânglio Inferior – Situado logo abaixo desse forame.

Entre os dois gânglios reúne-se ao vago o ramo interno do nervo acessório.

  • Fibras Aferentes Viscerais Gerais: conduzem impulsos aferentes originados na faringe, laringe, traqueia, esôfago, vísceras do tórax e abdome.
  • Fibras Eferentes Viscerais Gerais: são responsáveis pela inervação parassimpática das vísceras torácicas e abdominais.
  • Fibras Eferentes Viscerais Especiais: inervam os músculos da faringe e da laringe.

As fibras eferentes do vago se originam em núcleos situados no bulbo, e as fibras sensitivas nos gânglios superior e inferior.

Um pouco mais sobre o Nervo Vago…

Os sinais e sintomas podem incluir:

  • Náuseas
  • Transpiração Intensa
  • Salivação Abundante
  • Palidez
  • Visão Escurecida
  • Fraqueza Muscular Generalizada
  • Incapacidade de se manter em pé
  • Perda da Consciência
  • Acompanhados de Queda Abrupta da Pressão Arterial e Diminuição dos Batimentos Cardíacos

Algumas pessoas podem apresentar também movimentos semelhantes aos de um ataque epiléptico durante uma síncope vasovagal. Contudo, vale lembrar que em alguns casos o indivíduo não manifesta nenhum sintoma.

O sistema nervoso autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo e têm funções opostas. Por exemplo, enquanto o sistema simpático aumenta os batimentos cardíacos e contrai os vasos sanguíneos, o parassimpático diminui os batimentos e dilata os vasos.

Em pessoas que não têm a síndrome vasovagal, os sistemas simpático e parassimpático trabalham em equilíbrio para compensar as variações da pressão arterial e dos batimentos cardíacos. Porém, quem tem a síndrome não possui essa capacidade.

A síncope vasovagal é causada por um reflexo neurocardiogênico que ocorre quando o indivíduo está na posição ortostática (em pé). Essa posição diminui a quantidade de sangue que chega ao coração, o que leva o sistema simpático a estimular o coração a bater mais depressa para compensar o menor volume sanguíneo.

Porém, esse estímulo provoca o reflexo de Bezold-Jarish, desencadeado pelo sistema parassimpático. Esse reflexo faz o coração abrandar e dilata os vasos sanguíneos, causando diminuição dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial. Como resultado, menos oxigênio chega ao cérebro e a pessoa desmaia.

Portanto na prática do MAH como trabalhamos com sistema simpático, isso pode levar a pessoa com síndrome vaso vagal à uma síncope pelo desequilíbrio do sistema autônomo simpático e parassimpático.

Isso também porque doenças inflamatórias tem contraindicação absoluta na prática do MAH.

Contra Indicação do MAH: O que é Doença de Crohn?

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória séria do trato gastrointestinal. O Crohn afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

A doença de Crohn é crônica e provavelmente provocada por desregulação do sistema imunológico, ou seja, do sistema de defesa do organismo. Inicia-se mais frequentemente na segunda e terceira décadas de vida, mas pode afetar qualquer faixa etária.

Como ela se comporta como a colite ulcerativa (em geral, é difícil diferenciar uma da outra), as duas doenças são agrupadas na categoria de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII).

Diferentemente da Doença de Crohn, em que todas as camadas estão envolvidas e na qual pode haver segmentos de intestino saudável normal entre os segmentos do intestino doente, a colite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa) do cólon de modo contínuo.

Dependendo da região afetada, a Doença de Crohn pode ser chamada de ileite, enterite regional ou colite.

Para reduzir a confusão, o termo Doença de Crohn pode ser usado, para identificar a doença, qualquer que seja a região do corpo afetada (íleo, cólon, reto, ânus, estômago, duodeno).

Evolução da Doença

O curso da doença de Crohn é imprevisível. Alguns pacientes não têm nenhum sintoma até que ocorre um surto ou começam a surgir reclamações, que se modificam ao longo de um período.

A reação é diferente sempre, porque a doença de Crohn não progride da mesma maneira em todos os pacientes, o que também dificulta o diagnóstico e o controle dos sintomas. Porém, há uma classificação básica da doença, conforme os sintomas:

Leve a Moderada

Neste estágio, o paciente tem diarreia frequente e dor abdominal, mas pode andar e comer normalmente. Não está desidratado, nem tem febre alta. Também não sente dor abdominal forte, obstrução ou perda de peso de mais de 10%.

Moderada a Grave

É o paciente que falhou no tratamento de doença leve a moderada ou tem sintomas mais evidentes, como febre, perda de peso significativa, dor abdominal ou sensibilidade, náusea e vômitos intermitentes ou anemia significativa.

Fulminante

Sintomas persistentes apesar de ter passado pelo tratamento adequado para o estágio moderado ou grave da doença. Pode sentir febre alta e vômitos persistentes. O paciente apresenta também evidências de obstrução intestinal ou abcesso, além de perda de peso mais grave.

Sintomas de Doença de Crohn

A doença de Crohn habitualmente causa diarreia, cólica abdominal, frequentemente febre e, às vezes, sangramento retal. Também podem ocorrer perda de apetite e perda de peso subsequente.

A diarreia pode se desenvolver lentamente ou começar de maneira súbita, podendo haver também dores articulares e lesões na pele.

São comuns dores articulares (dores nas juntas), falta de apetite, perda de peso e febre. Outros sintomas precoces são lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abscessos.

Algumas vezes a inflamação e as úlceras podem penetrar nas paredes dos intestinos, formando um abscesso (uma coleção de pus). Poderá também se formar uma conexão anormal com outras partes do intestino ou de outros órgãos, o que é chamado de fístula.

Outros sintomas da Doença de Crohn

Podem ocorrer sintomas que não têm nada com o trato digestivo. Tanto a doença de Crohn quanto a retocolite ulcerativa podem causar problemas em outras partes do corpo. São eles:

Artrite: as articulações (normalmente os joelhos e os tornozelos) podem inchar, ficar doloridas e endurecidas. A artrite afeta cerca de 30% das pessoas com a doença de Crohn e 5% das pessoas com retocolite ulcerativa. Os medicamentos podem ajudar, mas os problemas normalmente desaparecem quando a inflamação intestinal é controlada.

Aftas: estas se assemelham a ferimentos ulcerativos. Desenvolvem-se normalmente durante os períodos de inflamação ativa do intestino. As feridas normalmente desaparecem quando a inflamação é tratada.

Febre: é um indicador de inflamação, de maneira que é comum ter febre durante o surgimento dos sintomas. Entretanto, a febre pode estar presente por semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas da doença de Crohn. Quando a inflamação intestinal é tratada, a febre normalmente desaparece.

Sintomas Oculares: os olhos podem ficar inflamados – vermelhos, feridos e sensíveis à luz. Esses sintomas aparecem normalmente antes de um agravamento da enfermidade, e desaparecem quando os sintomas intestinais são tratados.

Sintomas de Pele: as pessoas podem desenvolver erupções cutâneas ou doenças fúngicas dolorosas e avermelhadas nas pernas. O tratamento dos sintomas intestinais, em geral, melhoram os sintomas de pele.

Conclusão

Para que o médico chegue ao diagnóstico correto, o paciente deve informá-lo sobre todos os sintomas, queixas e mudanças de comportamento, como o engano frequente em evitar refeições para deixar de ir ao banheiro.

Os sintomas da doença de Crohn são complexos e difíceis de identificar.

Portanto todo processo inflamatório é contraindicação absoluta por entrar nos sinais flogísticos e como no MAH trabalha com apneia e aspiração visceral causa muito desconforto e dores para o sistema digestório.

Bases Científicas do Método Abdominal Hipopressivo – MAH

Bases Científicas do Método Abdominal Hipopressivo – MAH

O Método Abdominal Hipopressivo (MAH) vem baseado em estudos de publicações científicas de nível ouro, que atualmente, somam-se quase 300 artigos, nos quais os objetivos da técnica são apresentados não somente no sentido de normalizar as pressões na cavidade abdominal, mas também na cavidade torácica.

Nos últimos anos, em diversas áreas da ciência da saúde, o interesse sobre a pressão intra abdominal (PIA) e suas variações vem aumentando, e os efeitos que tais variações podem causar na saúde humana estão sendo estudados.

Cirurgiões, médicos urgentistas, fisioterapeutas, osteopatas, professores de educação física, cada um na sua própria área, precisam conhecer a fisiopatologia da PIA, entender como ela age e quais benefícios ou danos que suas alterações podem provocar no ser humano.

Mas, como todo assunto que vira moda, nem sempre a informação que vai sendo divulgada é a correta!

Nem os próprios profissionais que deveriam lidar diariamente com este assunto, às vezes, estão bem informados sobre o mesmo. Por exemplo, duas pesquisas realizadas na China e nos EUA foram enviados em 2006 e 2011, respectivamente, para urgentistas e médicos especialistas em Terapia Intensiva, a fim de testar seus conhecimentos sobre valores normais da PIA e os protocolos a serem atuados em caso de hiperpressão.

Como resultado, foi descoberto que uma percentagem significativa deles estava desprovida de conhecimentos sobre abordagem correta ao tratamento da hipertensão abdominal e da síndrome compartimental abdominal. Muitos deles nem sequer sabiam quais são os valores de referência normais ou patológicos da pressão abdominal humana ou qual é a modalidade correta para sua medição.

Tentarei responder neste artigo todas estas perguntas, de forma simples, mas cientificamente embasada.

A variação da PIA é um mecanismo automático, que tem como função assegurar:

  • Respiração
  • Manutenção da Postura
  • Estabilidade da Coluna e da Cintura Pélvica
  • Mobilidade Visceral
  • Retorno Venoso
  • Barreira Anti-refluxo
  • Tosse
  • Riso
  • Choro
  • Fala
  • Canto
  • Micção
  • Defecação
  • Parto
  • Vômito
  • Entre Outras

Tudo isto é possível através do aumento da PIA. Quem trabalha com postura e exercício físico não pode desconhecer os mecanismos que regem às variações da PIA, porque são a partir destes mecanismos que irá servir nas suas atividades.

E se não os conhecer pode acabar usando-os de forma errada, podendo prejudicar a saúde do aluno/paciente ou tornar menos eficaz seu trabalho.

Em vista disso, sigo este artigo apresentando evidências que dão suporte à técnica, demonstrando que existe sim consistência na criação dos seus mecanismos e benefícios esperados. Além disso, existem hoje na literatura excelentes pesquisas, com credibilidade, que apontam benefícios à saúde, especialmente da mulher, após a realização de tratamento utilizando o MAH – Método Abdominal Hipopressivo.

Em suma, tanto uma abordagem tradicional quanto o Método Abdominal Hipopressivo podem ser benéficos para o tratamento da incontinência urinária, por exemplo. Sendo assim, cabe ao seu aluno escolher o método que lhe é mais conveniente, agradável e acessível.

O Método Abdominal Hipopressivo vem como uma alternativa para enfrentar diversas alterações corporais que podem gerar desequilíbrios na funcionalidade de diversos sistemas do nosso corpo com apenas 12 semanas de intervenção sem a necessidade da realização de intervenções, por vezes incômodas.

É um método que busca adaptações positivas de uma maneira prazerosa e, ainda, mesmo não sendo o principal objetivo do Método Abdominal Hipopressivo é possível observar resultados estéticos provenientes da normalização da PIA.

Método Abdominal Hipopressivo: Músculos Abdominais e a PIA

Além dos músculos abdominais (reto abdominal, oblíquo externo e interno), outros músculos agem podendo modificar a PIA, aumentando-a com sua contração. Entre eles está o assoalho pélvico – cuja contração está sempre associada à respiração e à postura – e o transverso abdominal.

Todavia, numa meta análise que envolveu mais de 300 pesquisas, G.Finet e C. Williame, criadores do Método das Colunas de Pressão©, evidenciaram que existe uma atividade muscular sinérgica e pré-programada ao nível do córtex cerebral, que faz uma série de músculos se contraírem em conjunto, toda vez que é preciso aumentar a PIA para permitir a respiração e/ou desenvolver tarefas de estabilização postural.

Na base das evidências encontradas através desta revisão sistemática, foi construído um modelo de funcionamento posturo-respiratório, segundo o qual, sempre que respiramos ou efetuamos tarefas que desafiam a estabilidade da coluna vertebral, uma série de músculos seria ativada em conjunto, gerando o aumento da PIA necessário para realizar o respiração e a estabilização postural.

Entre estes músculos, além do  diafragma torácico, do transverso abdominal e do assoalho pélvico que já foram citados, estão os músculos intercostais, os escalenos, o esternocleidomastoideo e o trapézio.

Vai assim se definindo uma série muscular que trabalha em sinergia no controle da postura e na respiração, e que age a PIA.

É necessário ressaltar que os acima citados não são evidentemente os únicos músculos que agem na respiração, assim como não são os únicos que intervêm na postura. O que os destaca é o fato deles trabalharem em sinergia, o que aparentemente parece tornar impossível a contração isolada de um deles.

Ou seja: sempre que um destes músculos entra em contração, os outros também estão ativados. Existiria, portanto, um mecanismo de transmissão de tensão em série entre eles.

Outra caraterística que foi evidenciada na meta análise realizada por Finet e Williame é que esta série de músculos pode trabalhar unilateralmente, de forma relativamente independente em um lado do corpo a respeito do outro. Isto significa que a série muscular pode se contrair aumentando a tensão, e consequentemente a PIA, mais em um lado do corpo a respeito do outro.

Isto pode parecer esquisito, já que alguns dos músculos que a constituem, como o diafragma e o transverso abdominal, são músculos únicos, que com suas fibras abrangem ambos os lados do corpo.

Além disso, as pesquisas analisadas apontam que tais músculos são capazes de se contrair em forma assimétrica, podendo o aumento da PIA ser regional e, portanto, diferente em diferentes partes do abdômen.

Finet e Williame chegaram à conclusão que existem duas séries musculares, cada uma capaz de ativar a tensão mais em um lado do corpo que o outro, aumentando a PIA no mesmo lado, não apenas no abdômen, mas também no tórax e no crânio [30], já que a variação pressória numa cavidade influencia as outras e vice versa [31].

Valores Pressóricos Normais

As indicações feitas por alguns autores de que a PIA normal em posição ortostática seria de 25mm/Hg, e que uma síndrome hiperpressiva corresponderia a uma pressão abdominal igual ou superior a 30 mm/Hg numa condição de esforço moderado (levantar a cabeça em posição deitada) (Caufriez 2010) devem ser tomadas com certo cuidado.

Já que a medida, neste caso, foi feita por manometria retal, um método considerado ineficaz pela comunidade científica, sendo atualmente a manometria intra bexigal a modalidade considerada mais eficaz.

Para De Keulenaer e outros, a cavidade abdominal seria um sistema hidráulico, cuja pressão normal varia de  5 à 7 mm/Hg, enquanto em condições crônicas de morbidade, como por exemplo na obesidade, estaria entre 10 e 14 mm/Hg. Segundo a Sociedade Mundial de Estudos sobre a hipertensão abdominal e a síndrome compartimental abdominal, acima de 12 mm/Hg já se fala em hipertensão abdominal e acima de 20mmHg em síndrome compartimental abdominal.

Outras pesquisas apontam que acima de 10 mm/Hg já estaríamos numa condição patológica com efeitos negativos em diversos órgãos intra e extra abdominais e até no sistema nervoso central. Todos estão de acordo que acima de 20 mm/Hg a pressão intra abdominal pode ser fatal.

O aumento crônico da pressão abdominal reduz a perfusão celular, provoca estresse oxidativo, aumenta os fatores inflamatórios e favorece a transmigração bacteriana com aumento de concentração sanguínea de endotoxinas.

Estudos feitos em animais mostram que existe uma correlação positiva entre o valor pressório e tais efeitos. Todavia, o fator temporal é determinante, não sendo necessário um aumento importante do valor basal da PIA, mas sendo sua duração a variável que mais impacta negativamente a homeostasia.

O’Sullivan e Beales demonstraram indivíduos que apresentam dor crônica na articulação sacroilíaca, quando realizam a flexão do quadril do lado da dor. Partindo do decúbito dorsal, apresentam um aumento da PIA acima do normal.

Este aumento está associado a uma modificação da mecânica respiratória, com aumento da frequência e diminuição do volume ventilatório, translocação diafragmática em direção cefálica, descida dos órgãos pélvicos abaixo da línea púbis-cóccix e modificação da modalidade de contração dos músculos escalenos que, de tônico, passa a ser fásico.

O mais interessante é que nas pesquisas foi demonstrado que uma manobra de estabilização da cintura pélvica operada por compressão manual é capaz de reverter tais fenômenos.

Chegamos enfim à parte mais prática deste artigo: um profissional que trabalha com exercício físico precisa saber que não é infrequente encontrar pessoas com aumento crônico da PIA e que tal aumento pode ter sua origem em aderências peritoneais e problemas músculo-esqueléticos, mas também em transtornos vestibulares e ativação de mecanoceptores músculo-tendíneos.

Aplicar certos exercícios em pessoas com uma pressão basicamente já aumentada pode levar a uma cascata de eventos como:

  • Compressão crônica da coluna vertebral e dos seus elementos articulares;
  • Perda da função da barreira anti-refluxo gastro-esofágico;
  • Ptose visceral;
  • Incontinência urinária e fecal;
  • Redução da perfusão sanguínea das vísceras intra e extra abdominais e também do sistema nervoso central;
  • Transmigração de bactérias intra abdominais para outras regiões do corpo;
  • Aumento da concentração de endo toxinas bacterianas no sangue;
  • Aumento dos fatores inflamatórios e;
  • Tantos outros.

Ou seja, o que deveria ser uma atividade apta para promover a saúde do paciente/aluno pode se transformar numa verdadeira catástrofe para ele.

O maior dos problemas é que os profissionais que operam nesta área não conhecem tais efeitos e não estão treinados ao uso das ferramentas necessárias para descobrir qual, entre seus pacientes, não pode receber tais exercícios.

Continência Urinária, Aumento da PIA e Assoalho Pélvico

A contração do diafragma e da musculatura abdominal aumenta a PIA que em situação de normalidade eleva-se para conter as vísceras em seu posicionamento correto.

Porém, diversos estudos mostram que com o aumento da PIA, e a falta de competência dos músculos abdominais, as vísceras são empurradas para baixo, gerando uma contração sinérgica dos músculos do assoalho pélvico.

Devemos entender claramente que o aumento da PIA é um fator de risco importante para o desenvolvimento de um prolapso de órgãos pélvicos (Robles, Muela, Meldaña y Walker, 2006).

Incontinência Urinaria em Mulheres

Alguns dados importantes sobre a incidência de incontinência urinária de esforço, em mulheres de até 40 anos de idade, segundo Kari-Bo:

  • Bailarinas – 52%
  • Corredoras de Longa Distância – 72%
  • Instrutoras de Yoga e Pilates – 26%
  • Salto Ornamental – 80%
  • 6 de cada 7 Estudantes de Educação Física até 21 anos – 62%

Porém, segundo Kari-Bo estima-se que este número pode ser bem maior. Mais de 95% das mulheres usam absorventes diários como se fosse algo normal, e sentem desconforto em assumir a incontinência urinária.

Segundo Eyal Ledderman, 40% das mulheres não conseguem contrair o assoalho pélvico através de um comando verbal. E ainda pior, 30% empurram as vísceras para baixo com essa instrução de prender o xixi para tratar disfunções ligadas a incontinência. Tal ação pode acabar por sobrecarregar ainda mais essa musculatura, distendendo-a.

Quando solicitamos a contração do assoalho pélvico para fortalecer essa região, queremos a contração de fibras tipo II (fadigáveis). É possível conseguir a contração dessas fibras por mais ou menos 6 segundos. Depois desse tempo elas se fadigam, relaxam e as vísceras desabam sobre o assoalho pélvico.

Num exercício de flexão de coluna, por exemplo, quando as vísceras desabam ocorre aumento de sobrecarga sobre o assoalho pélvico.

Considerando os dados expostos nesse artigo, essa seria uma ótima maneira de antecipar uma incontinência urinária de esforço. Para estimular o assoalho pélvico corretamente temos que ativar e tonificar as fibras do tipo I. Portanto, a solução de estabilização segmentar não é tão simplista. A mesma pode trazer altos custos para o nosso corpo.

Esse programa de fortalecimento do assoalho pélvico é bem complexo e deve ser muito bem entendido. Caso contrário, corremos o risco de prejudicar nossa aluna. Na dúvida, o melhor é encaminharmos nossa aluna para um profissional de fisioterapia especializado em urogineco.

Como falamos sobre o assoalho pélvico, nesse artigo gostaria de finalizar com uma pesquisa realizada por Scorzza na Espanha.

Foram tratadas 100 mulheres com idade média de 46 anos portadoras de hipotonia do assoalho pélvico com incontinência urinária. O tratamento se deu através do Método Abdominal Hipopressivo em duas sessões semanais de 20 minutos por 6 meses.

Após o tratamento, tanto o tônus de base quanto o tônus de carga do assoalho pélvico melhoraram. 35% tiveram melhora significativa da incontinência urinária de esforço. Devido à diminuição da pressão intra-abdominal reduziram ainda, em média, 8 cm do seu diâmetro da cintura.

O Método Abdominal Hipopressivo acredita que a normalização pressórica se faz de extrema importância para retirar o peso hidráulico das vísceras sobre os músculos do assoalho pélvico.

As Diástases

Para realizar um tratamento eficiente das diástases precisaremos trabalhar com as fáscias. Isso inclui flexibilização dos músculos largos e contrações alternadas para evitar tração sobre a linha alba.

Quem pensa que solicitar a contração mais forte do Power House é eficiente está enganado. Sua contração ativará a contração dos músculos largos do abdômen distendendo mais a linha alba.

Podemos perceber assim que, ao contrário do que diz o senso comum, as diástases não são fraquezas dos músculos da parede abdominal. Na verdade, elas são uma adaptação corporal entre a estática e as vísceras (Traité d ostéopathie viscérale, Ed. Maloine).

Método Abdominal Hipopressivo será um importante aliado durante o tratamento da diástase abdominal. As posturas realizadas no método englobam posturas e movimentos que visam a diminuição da pressão nas cavidades torácica, abdominal e pélvica, além da desativação da serie muscular descrita por Wiliame e Finet, através de técnicas respiratórias.

Os exercícios abdominais do Método Abdominal Hipopressivos contribuem para a tonificação da parede abdominal e ativação da musculatura profunda da região. Para esse fim o praticante realiza uma série de ativação automática de neurodivergências dos músculos do períneo e da faixa abdominal.

Quando trabalhamos com pacientes ou alunos que apresentam diástase abdominal precisamos lembrar que ela já está com pressão intra-cavitária elevada. Solicitar contrações mantidas a essa paciente pode ser algo perigoso e pouco eficiente para seu tratamento. Podemos ter efeitos como:

  • Gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos;
  • Prejudicar o funcionamento de todo sistema visceral.

Esse excesso de pressão também afeta negativamente o assoalho pélvico.

Assim temos a longo prazo uma facilidade de instalação de mecanismos de fuga. Se solicitarmos a respiração de maneira errada durante o tratamento de diástase o aluno pode empurrar as vísceras para baixo quando contrair o abdômen.

Como vimos, vários autores e pesquisadores contemporâneos já se atentaram para as questões das variações pressóricas e vem buscando novas propostas para o conforto de um corpo viscerado, sem desrespeitar as três leis corporais:

  1. Conforto
  2. Equilíbrio 
  3. Economia

 

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  • [19] Ver nota n.6
  • [20] Ver nota n.5
  • [21] Finet G. Williame C. Osteopatia Visceral: um espaço de discussão com o mundo médico epub. 2012
  • [22] Gandevia SC1, McKenzie DK, Plassman BL. Activation of human respiratory muscles during different voluntary manoeuvres. J Physiol. 1990 Sep;428:387-403.
  • [23] Masubuchi Y, Abe T, Yokoba M, Yamada T, Katagiri M, Tomita T.  [Relation between neck accessory inspiratory muscle electromyographic activity and lung volume] Nihon Kokyuki Gakkai Zasshi. 2001 Apr;39(4):244-9.
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Osteoporose – Por que incluir o Método Pilates no Tratamento?

Osteoporose – Por que incluir o Método Pilates no Tratamento?

A idade média do brasileiro vem aumentando assim como sua expectativa de vida. Com essa mudança podemos perceber também o aumento da presença de doenças típicas da terceira idade como a osteoporose.

A osteoporose causa diversas limitações na vida de nossos alunos e pode até diminuir sua expectativa de vida. Portanto, é essencial entendermos, como profissionais do movimento, se é possível ajudarmos nossos alunos nessa condição através da atividade física.

Nesse artigo quero focar nos benefícios que o Pilates consegue trazer para idosos com osteoporose.

Sabemos como o método é vantajoso para o tratamento de diversas patologias. Portanto, imagina-se que sua aplicação à osteoporose seria igualmente benéfica.

O que é Osteoporose?

A osteoporose é uma doença metabólica que atinge o tecido ósseo. Ela é gerada por:

  • Perda gradual de massa óssea;
  • Enfraquecimento das trabéculas ósseas por deterioração na microarquitetura tecidual;
  • Falta de qualidade do tecido depositado;
  • Perda de plasticidade e homogeneidade do tecido;
  • Diminuição da quantidade de mineralização óssea.

Todos esses fatores quando combinados levam a ossos frágeis que se tornam propensos a fraturas.

Para compreender corretamente como ocorre a osteoporose precisamos tirar da mente a ideia de que o osso é uma estrutura morta. Pelo contrário, sua formação acontece por 3 tipos de células específicas para esse fim. Elas realizam a formação, regulação e reabsorção da estrutura óssea enfraquecida. São elas:

  1. Osteoblastos: formam a estrutura óssea;
  2. Osteócitos: células mantenedoras da quantidade de minerais existentes no osso (cálcio);
  3. Osteoclastos: reabsorção das células envelhecidas.

Devido a todos esses fatores, os ossos tornam-se frágeis e suscetíveis às fraturas.

A osteopenia que observamos nos idosos é uma diminuição de massa óssea que acontece pela perda de cálcio. Quando a osteopenia não recebe tratamento a osteoporose surge.

Existem diversas funções para o arcabouço esquelético do corpo. Falarei principalmente sobre a capacidade do osso de suportar nossa massa corporal. Os ossos distribuem essa carga ajudando a absorver os impactos gerados pelo corpo.

A osteoporose pós-menopausa, por exemplo, é particularmente preocupante. Ela causa grandes impactos na saúde de mulheres mais velhas por causar um risco elevado de fraturas. No Brasil, esse tipo de osteoporose possui prevalência de 15% a 33% entre as mulheres pós-menopáusicas.

Também existe desequilíbrio ou falência na formação do tecido conjuntivo causado pelo próprio processo de envelhecimento. Podemos citar estruturas que estarão prejudicadas como:

  • Ligamentos
  • Tendões
  • Pele
  • Fáscia

É provável que a fáscia também encontre-se prejudicada em casos de osteoporose pela deficiência de colágeno. Deveremos lembrar desses desequilíbrios na hora de tratar nossa paciente.

Diagnóstico da Osteoporose

Para diagnosticar a osteoporose é possível analisar a densidade mineral óssea através de absorciometria de raios-x. Também podemos levar em consideração as fraturas que ocorreram sem trauma significativo.

Relação Mecânica com o Processo de Remodelagem Óssea

Não existem estudos sérios capazes de comprovar a resposta dada pelas células ósseas a aspectos de tensão. A capacidade de remodelagem óssea nas células já residentes deve aumentar com a capacidade de fluxo e fluido, assim como a deformação com os estímulos. Assim, podemos acreditar que variados estímulos mecânicos podem estar envolvidos no processo.

Por exemplo, cargas mecânicas de flexão que atingem o osso cortical gerem pressões mais elevadas no córtex quando as comparamos a uma única trabécula. Se a área for maior, teremos uma pressão também maior.

De acordo com a teoria de Harold Frost, a tensão mecânica gera um feedback que faz a massa e a remodelagem óssea serem estimuladas. O pesquisador chamou isso de mecanossistema.

Aparentemente esse processo de remodelagem óssea tem o objetivo de realizar a manutenção de ossos fortes. Ele ajudaria a diminuir o risco de fraturas. Infelizmente esse é um processo de pode levar anos e até estar inativo. Vemos essa inatividade principalmente em indivíduos sedentários quando as tensões não são geradas.

Tal teoria do mecanossistema é uma explicação para que os ossos de mesmo nome em dois indivíduos diferentes terem suas próprias insurgências, declínios e conformações. Isso é especialmente interessante quando os indivíduos possuem causa de morte com exclusão de doenças que causam deformação no sistema musculoesquelético.

Tratamento de Idosas com Osteoporose

Existe uma importante relação entre osteoporose e o sexo feminino. Nessa população a prevalência de osteoporose da coluna lombar varia de 15,8% na faixa de 50 a 59 anos.

Já mulheres com mais de 80 anos possuem uma prevalência de 54,5% de osteoporose. As mesmas faixas etárias possuem uma prevalência de fraturas entre 20% e 82% concomitantemente.

Ao trabalharmos com pacientes com osteoporose teremos um objetivo principal: diminuir o risco de fraturas. Esse objetivo é o mesmo estabelecido pela Sociedade Americana de Menopausa para o tratamento dessas pacientes.

Também devemos lembrar que estamos trabalhando com mulheres afetadas na autoestima e humor. Alguns dos problemas enfrentados pela nossa paciente são:

  • Dor resultante da mudança na imagem corporal;
  • Perda de mobilidade;
  • Perda de independência.

O mais importante para mulheres com osteoporose é a prevenção de quedas, que faz diminuir muito o risco de fraturas. Mulheres que já passaram pela menopausa e possuem osteoporose são um grande grupo de risco.

Mulheres sem osteoporose possuem prevalência de queda de 29,3%, um número já alarmante para idosas. Já mulheres com a doença têm prevalência de queda de 51,1%.

Considerando que as quedas causam queda na expectativa de vida da paciente e altos custos, é importante lembrar disso nas aulas. As fraturas de quadril recebem atenção especial porque possuem alta taxa de morbidade na terceira idade.

Papel do Exercício Físico no Tratamento

O exercício físico é parte importante do tratamento da osteoporose. Ele ajuda a reduzir a reabsorção óssea e promove uma série de benefícios, como:

  • Aumento de Força Muscular
  • Estabilidade
  • Equilíbrio
  • Mobilidade
  • Melhora da Qualidade de Vida
  • Redução da Dor
  • Prevenção de Quedas

Nesse cenário o Pilates surge como opção para tratamento de idosos com osteoporose. Ele pode melhorar a qualidade de vida dessas pacientes, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Pilates para Idosos com Osteoporose

A prática do método Pilates está diretamente relacionado a uma melhora significativa da qualidade de vida das pacientes. A prática do Pilates por idosos gerou um importante ganho de flexibilidade que ajuda a prevenir a perda de funções musculares no corpo.

Também podemos perceber grandes mudanças em relação a equilíbrio estático e dinâmico. Os idosos praticantes de Pilates melhoram sua autonomia pessoal e conseguem realizar atividades da vida diária mais facilmente.

Isso leva também a uma melhora na autoestima e até da possibilidade de criar vínculos sociais.

Quanto à composição corporal, o método Pilates também consegue alcançar algumas mudanças. Existem casos em que a prática leva a reversão da perda de massa magra e redução da gordura corporal. Ele consegue estabilizar ou reverter quadros que estão relacionados a obesidade. Alguns exemplos são hipertensão e diabetes, doenças bastante comuns em pessoas da terceira idade.

Idosos que praticam Pilates também consegue melhorar sua força muscular. Considerando todos esses fatores podemos concluir que a terceira idade consegue prevenir quedas através do Método.

Quando ele é combinado a exercícios aeróbicos também é possível diminuir as dobras cutâneas.

O Pilates apresenta-se como uma importante ferramenta para trabalhar com a postura do idoso. Para resumir, ele ajuda a realizar melhorias em:

  • Funcionalidade
  • Estabilidade
  • Mobilidade
  • Equilíbrio
  • Força
  • Flexibilidade Muscular
  • Devolução aos Indivíduos de Autoconfiança com Relação a sua Independência Corporal
  • Redução de Quedas

Conclusão

O envelhecimento gera uma série de perdas funcionais para o corpo do idoso. Como resultado esse indivíduo perde sua independência, autoestima e pode até desenvolver problemas psicológicos.

Nós que trabalhamos com movimento, em especial com o Pilates, temos a oportunidade de devolver parte da sua qualidade de vida.

Seja na osteoporose ou em outras patologias vemos uma melhora significativa em diversas características do corpo. Para conseguir realizar um tratamento eficaz da doença lembre-se de uma coisa: você está lidando com um corpo limitado.

Sempre preste atenção aos seus limites e não os ultrapasse. Não queremos causar dor ou desconforto sem motivo para nosso paciente. Pelo contrário, sempre tentaremos motivá-lo para praticar atividades físicas e melhorar cada vez mais sua condição.

 

Referências

Como Aplicar Ergonomia nas Aulas de Pilates?

Como Aplicar Ergonomia nas Aulas de Pilates?

Sabemos que as aulas de Pilates fazem parte de um método completo e capaz de ajudar nossos alunos e pacientes de diversas maneiras. O que quero apontar nesse artigo é um aliado do método que poucos conhecem: a ergonomia.

As leis ergonômicas têm muito mais a ver com nossas aulas de Pilates do que imaginamos. É importante conhecê-las para conseguir proporcionar um atendimento diferenciado e os melhores resultados possíveis para o paciente.

Vamos saber mais?

O que é Ergonomia?

O termo ergonomia é de origem grega misturando dois termos:

  • Ergon
  • Nomos

Podemos dizer que ao pé da letra a palavra significaria as normas do trabalho.

Alguns autores consideram que essa ciência existe desde os tempos do homem primitivo. Ele começou a aplicar princípios ergonômicos para criar as primeiras ferramentas que o ajudariam a fazer atividades com menos esforço.

Mas é Leonardo da Vinci (1452 – 1513) que realmente é considerado o precursor da ergonomia e antropometria. Em seus estudos esse grande pintor, arquiteto, engenheiro, cientista e escultor observou a relação do homem com seu entorno.

Para ele os fatores humanos eram uma preocupação central. Seus projetos eram máquinas com funções ajustadas ao homem que deveriam facilitar a execução de diversas atividades.

“O Homem Vitruviano”, de da Vinci, é uma importante referência nos estudos da antropometria e da ergonomia. Inclusive dá para perceber a importância de que projetos levem essas relações em consideração. As ideias de da Vinci só foram se expandir mais tarde, na revolução industrial. A ideia de ergonomia foi fundamental no desenvolvimento de armas e equipamentos bélicos.

A ideia era adaptar os equipamentos para soldados de vários países que possuíssem medidas antropométricas diferentes. Como veremos, os equipamentos do Pilates também tiveram importante influência da ideia de ergonomia.

Como Joseph Pilates aplicou a Ergonomia em seus Equipamentos

Conhecendo os princípios da ergonomia que mencionei acima, podemos perceber que eles são aplicados nos equipamentos de Joseph Pilates.

Seu Reformer Universal – o primeiro equipamento – foi criado para reformar todo o corpo. Joseph o chamou de universal porque todos os movimentos em todos os planos eram possíveis nele. Sua intenção era ajudar quem praticasse os exercícios a trabalhar todo o corpo e melhorar a postura.

De acordo com Joseph Pilates, ao trabalhar com uma carga externa o movimento seria mais eficiente e harmonioso mais tarde. Assim, as molas do Reformer deveriam preparar a pessoa para realizar um movimento correto durante a vida diária.

Todos sabem que Joseph Pilates foi um pioneiro.

O que devemos perceber agora é que também podemos usar os princípios ergonômicos em nossas aulas de Pilates. Indicarei como pesquisas mais recentes mostram a aplicação da ergonomia atualmente. Você perceberá que ela é um complemento importante no Pilates.

Ergonomia Atual – e o que tem a ver com Pilates!

Mesmo com estudos anteriores relacionados à adaptação de equipamentos ao homem, essa ciência só surgiu realmente em 1949. A primeira sociedade de ergonomia do mundo foi oficializada nesta data por um engenheiro inglês. Tal sociedade era uma reunião de fisiologistas, psicólogos e engenheiros interessadas pelo trabalho do homem e sua adaptação.

A partir daí a ergonomia começou a se desenvolver em outros países, tanto industrializados quanto em industrialização.

Existem fatos importantes para a ergonomia antes disso, começando com um livro de Frederick Winslow Taylor do século XIX. O autor descreveu seus experimentos para encontrar peso e tamanho ideais para uma pá de carvão.

Por que algo aparentemente tão insignificante importava para os estudos da ergonomia? Esses experimentos mostram a importância de estudar a área até hoje.

Taylor mostrou que existiam maneiras de triplicar a quantidade de carvão que os trabalhadores eram capazes de carregar fazendo simples mudanças em seu equipamento. Taylor contribuiu muito com a ergonomia como a conhecemos hoje.

Podemos considerar que a ergonomia é uma disciplina que aborda de forma sistêmica aspectos da atividade humana. Podemos aplicar os estudos ergonômicos em diversas áreas como:

  • Lar
  • Transporte
  • Lazer
  • Escola
  • Trabalho
  • Outros

A ergonomia é uma ciência interdisciplinar e usa conhecimentos das áreas de:

  • Anatomia
  • Fisiologia
  • Biomecânica
  • Antropometria
  • Psicologia
  • Engenharia
  • Desenho Industrial
  • Informática
  • Administração
  • Outras

Através desse conhecimento interdisciplinar conseguimos alcançar maior eficiência, conforto e segurança na atividade. Essa é a tríade básica de ergonomia e algo que usaremos em nossas aulas de Pilates.

Tríade Básica da Ergonomia

Considerando a tríade básica percebemos uma das primeiras semelhanças com o que trabalhamos nas aulas de Pilates. Existem três leis corporais que seguimos ao praticar a modalidade, que são:

  • Lei do Conforto: o corpo possui um funcionamento fisiológico e sempre confortável. Quando um corpo está com seu funcionamento fisiológico alterado ele realizará alterações para buscar o equilíbrio, priorizando a ausência de dor.
  • Lei da Economia: o corpo faz de tudo para não sofrer, mesmo que comprometa a própria mobilidade no sistema de adaptações. Pode levar a um desgaste excessivo de energia e até deformações mais tarde.
  • Lei do Equilíbrio: o equilíbrio corporal em todas suas dimensões (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológica) é sempre prioridade. As soluções encontradas para manter o equilíbrio devem sempre ser econômicas.

É possível comparar essas três leis biomecânicas que regem todos os aspectos do corpo aos princípios da ergonomia:

  • Equilíbrio = Segurança: um corpo em equilíbrio é seguro para realizar uma atividade, já uma atividade pode ser considerada segura ao manter o equilíbrio corporal.
  • Conforto = Conforto: a presença de dor demonstra um desequilíbrio no corpo ou na atividade. Ela deve ser investigada e tratada para que o corpo volte a trabalhar no equilíbrio e no conforto.
  • Economia = Eficiência: um trabalho eficiente usa toda a energia cinética potencial do corpo para gerar energia cinética. Ele evita sobrecargas em uma região ou área específica.

Conclui-se na prática que, para que um trabalho seja seguro, confortável e eficiente deve levar em consideração o equilíbrio corporal.

Devemos sempre investigar e tratar causas de dor que podem estar relacionadas ao desequilíbrio do paciente. Assim conseguimos promover um movimento eficiente sem sobrecarga em certas regiões corporais.

Para alcançar isso é preciso usar um trabalho global e consciente que existe no método proposto por Joseph Pilates. Ou seja, o Método é uma grande ferramenta para conseguirmos manter as tríades ergonômicas e do corpo.

Divisões da Ergonomia

Existem três domínios principais da ergonomia de acordo com a Associação Internacional de Ergonomia (IEA). Eles são:

  1. Ergonomia Física: estuda relações do corpo humano com cargas físicas. Trabalha com manipulação de materiais, arranjo de estações de trabalho, força e postura estática e outros.
  2. Ergonomia Cognitiva: preocupada com processos mentais como percepção, controle motor, cognição, carga mental do trabalho e o erro humano.
  3. Ergonomia Organizacional: focada na estrutura organizacional, políticas e processos de trabalho. Incluem-se trabalho em turnos, hierarquia da organização, teoria motivação e trabalho em equipe.

As áreas da ergonomia são igualmente importantes e complementares.

Usando cada uma delas é possível aumentar a produtividade da equipe e a qualidade do produto. Ela também ajuda a melhorar a qualidade de vida do trabalhador, ou pelo menos evitar sua deterioração.

Para uma empresa e para a sociedade em geral a prevenção é mais barata e eficiente que afastar o trabalhador por motivos de saúde. O desrespeito às leis ergonômicas causa acidentes, lesões e até o desenvolvimento de patologias. Tenho certeza que profissionais do movimento já perceberam isso.

Como a Ergonomia completa Aulas de Pilates?

Ao trabalhar com Pilates ganhamos em qualidade no planejamento das aulas levando em consideração a individualidade do aluno e as esferas que citei acima. A ergonomia pode influenciar na maneira que designamos os exercícios, posicionamento das molas e cargas para cada um, sequência durante a aula, entre outros.

Podemos utilizar conceitos de todas as três áreas da ergonomia numa das aulas de Pilates.

Aplicando esses princípios conseguimos melhorar a força, consciência corporal, resistência e flexibilidade do corpo. Assim, essa pessoa será capaz de suportar sua carga física de trabalho de acordo com suas necessidades corporais.

Ergonomia de Conscientização

Intervenções ergonômicas podem ser classificadas em três tipos:

  • Ergonomia de Correção
  • Ergonomia de Concepção
  • Ergonomia de Conscientização

Apesar de todos esses tipos serem essenciais para a área quero focar aqui na ergonomia da conscientização.

Esse seria o treinamento educacional em ergonomia. Ele tem o objetivo de capacitar o trabalhador para que consiga melhorar a situação do trabalhador no seu espaço de trabalho. Incluímos nessa área orientações a respeito de equipamentos ou mobiliário, movimentos e correções posturais.

Será que isso te lembra de alguma coisa?

O que fazemos em boa parte das nossas aulas de Pilates está completamente relacionado a ergonomia de conscientização. Através dela o trabalhador aprende a melhorar sua saúde através de um processo de melhoria contínua. Isso quer dizer que seu bem-estar aumenta juntamente à produtividade no trabalho.

O profissional do movimento tem um papel importantíssimo na ergonomia da conscientização. Se nosso aluno for bem orientado conseguirá diminuir o desconforto da atividade laboral e evitar uma lesão. Ele gera benefícios para si mesmo e para a empresa. Seu corpo saudável e móvel refletirá na sua produtividade diretamente.

Conclusão

As três leis que regem a ergonomia são bastante similares às leis de adaptação biomecânica do corpo.

Aplicando-as nas aulas de Pilates conseguimos trabalhar com o aluno de forma segura e também para resolver suas compensações e desequilíbrios. Também devemos lembrar do nosso importante papel na ergonomia de conscientização.

É o profissional do movimento, seja ele fisioterapeuta ou da educação física, que deve ensinar o aluno a se mover e manter uma postura adequada. Assim conseguimos ajudá-lo a tornar-se mais produtivo em suas atividades laborais e também a evitar dores e lesões.

 

Referências

Fonte: COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia aplicada ao trabalho. Belo Horizonte: Ergo, 1995.

Fonte: DUL, J., WEEDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo : Edgard Blücher, 1995.

Fonte: GRANDJEAN, Etienne. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. 2. ed. Porto Alegre : Bookman, 1998.

Fonte: International Ergonomics Association (IEA) – What is Ergonomics? Consultado em 19 de janeiro de 2014

Fonte: www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr17.htm

Fonte: A Obra Completa de Joseph Pilates. Sua Saúde e Retorno à Vida Através da Contrologia.

Como trabalhar Alinhamento Postural no Pilates usando Vetores de Força?

Como trabalhar Alinhamento Postural no Pilates usando Vetores de Força?

O alinhamento postural no Pilates acontece geralmente através das musculaturas do corpo.

Apesar de ser uma maneira de obter resultados com as aulas, venho aqui propor uma alternativa. A opção seria trabalhar com o alinhamento através dos vetores articulares do corpo.

Hoje compreenderemos como os vetores articulares influenciam no alinhamento corporal e como podemos trabalhar isso em aula. Eles são importantes ferramentas que te ajudarão a melhorar seu atendimento aos alunos de Pilates e a criar cada vez mais resultados em aula.

Vamos aprender mais sobre o alinhamento postural no Pilates?

O que é um Vetor?

Podemos definir um vetor como uma grandeza vetorial ou grandeza escalar. Esse é um conceito matemático com conseguimos aplicar na biomecânica para nos auxiliar na compreensão de movimentos e exercícios. O vetor possui:

  • Direção: Horizontal ou Vertical
  • Sentido: Direita ou Esquerda
  • Módulo de Intensidade: 10N

Eles atuam inclusive em equipamentos do Pilates como o Cadillac.

Nesse caso específico existe um sistema quadriculado com soma de vetores. Preciso necessariamente saber disso para preparar minha aula de Pilates? Não, mas a compreensão dos vetores de força presentes no equipamento ajuda o instrutor. Através deles conseguimos realizar um melhor posicionamento das molas no exercício.

No corpo existe o que chamamos de vetores articulares. São 8 deles ao todo que influenciarão no alinhamento postural no Pilates, além do alinhamento articular.

Primeiro Vetor: Metatarso

O primeiro vetor existente é o vetor do metatarso, que descreve nosso apoio ao solo. Joseph Pilates considerou esse vetor extremamente importante em seus trabalhos. Perceba como o Método tinha como prioridade o trabalho dos footworks.

A partir desse vetor conseguimos trabalhar a distribuição de peso adequada dentro do polígono de sustentação, que é:

  • Primeiro Metatarso
  • Quinto Metatarso
  • Calcâneo

Para conseguirmos explorar bem esse vetor articular precisamos intensificar sua estabilidade. Isso só é possível ao criar um tônus muscular adequado na região. Por isso a importância de realizar um trabalho adequado com os pés durante a aula de Pilates.

Segundo Vetor: Calcâneo

Esse vetor também faz parte do nosso triângulo de sustentação. Eles possui direção vertical ao solo e sua força gera uma pequena rotação do fêmur para fora. Como resultado também acontece ativação dos rotadores internos do fêmur, estabilizando a articulação coxofemoral.

Através desse vetor conseguimos ver uma relação íntima entre pés e quadril. Ele é móvel e pode ser aplicado também no sentido oposto. A mobilidade da articulação coxofemoral é resultado da interdependência entre membros inferiores e quadril.

Durante as aulas de alinhamento postural no Pilates devemos trabalhar esse vetor sempre com os joelhos alinhados e voltados para a frente.

Terceiro Vetor: Púbis

O terceiro vetor está relacionado com a pelve. Quando está ativado ele causa um ligeiro direcionamento do púbis e aciona a musculatura abdominal. Quem trabalha com o Método já deve estar começando a perceber a relação desses vetores com o alinhamento postural no Pilates.

Esse vetor está diretamente ligado à distribuição do peso normal na pelve. Ele também interfere na tonicidade dos músculos dos glúteos e assoalho pélvico. Teremos uma ativação em intensidade diferente desse vetor para alunos com diferentes problemas posturais como hiperlordose lombar ou retificados.

Precisamos saber lidar com esse vetor especialmente nos exercícios de rolamento que existem no Pilates. Através dele conseguimos achar o ponto de equilíbrio e força máxima no aluno.

Quarto Vetor: Sacro

Está ligado ao sacro que deve estar acionado e voltado para baixo. Ele é diretamente ligado ao terceiro vetor articular e à musculatura posterior do corpo. Através do seu ativamento o quarto vetor libera as pressões nos discos intervertebrais da região lombar. Quando ele se encontra ativado o sacro fica numa posição quase vertical e alonga a coluna lombar.

É normal encontrarmos alunos que possuem músculos da região posterior com um excesso de trabalho e fortalecimento errado. Assim, o quarto vetor fica desequilibrado em relação ao terceiro vetor.

A sinergia entre esses dois vetores funciona da seguinte maneira:

  • Terceiro Vetor: ativa a musculatura abdominal e melhora a percepção da pelve, dirigindo o movimento.
  • Quarto Vetor: desperta a presença da projeção da coluna lombar.

Quinto Vetor: Escápulas

É responsável por direcionar as escápulas para baixo e para a lateral opondo os acrômios. O vetor gera a ampliação da cintura escapular através da abertura do espaço interno do tórax. Ele ajuda a aliviar parte das tensões na região do trapézio.

Sua ativação consiste na sensibilização da cintura escapular. O direcionamento das escápulas para baixo através do quinto vetor gera um arredondamento das costas.

Ele é uma ótima ferramenta para utilizarmos em nossos alunos retificados que não conseguem ativar o primeiro vetor. Já vou avisando: esses alunos são muitos.

Sexto Vetor: Cotovelos

Podemos considerar esse vetor como uma continuidade do quinto vetor.

Ele consiste no direcionamento ósseo de lateralização dos cotovelos. Sua ativação permite usar o úmero para complementar a direção das escápulas e aumentar o espaço da articulação escapuloumeral. A compressão nessa articulação acontece através da frouxidão ligamentar que também gera hiperextensão de cotovelos.

O quinto vetor aciona a musculatura inter-escapular, principalmente o serrátil anterior, e também separa as escápulas. Nas aulas sempre devemos trabalhar com esse vetor ativo.

Sétimo Vetor: Metacarpo

É um vetor que se encontra nos ossos do metacarpo, que devem ficar girados para fora e direcionar a rotação externa do antebraço. Ele é responsável por gerar e dar função às mãos, realizando sua ligação com as escápulas, braços e antebraços.

A ativação desse vetor amplia espaços articulares entre metacarpos e falanges. Deve estar ativado nos exercícios para aproveitar a energia cinética. Ele também ajuda a nos equilibrar. Perceba que a primeira ação realizada quando existe desequilíbrio é estender membros superiores.

Oitavo Vetor: Sétima Vértebra Cervical

A sétima vértebra cervical realizar o alinhamento final do corpo e faz a ligação com o crânio. A sétima vértebra cervical deve estar sempre direcionada anteriormente através da ativação do músculo longuíssimo do pescoço. Sua alavanca de força traz o crânio posteriormente, assim conseguimos realizar seu alinhamento gravitacional do corpo.

Através desse vetor conseguimos a sustentação da cabeça e a flexibilidade cervical. Precisamos dele ativado quando trabalhamos em bipedestação para conseguir ter uma sensação de alinhamento da região occipital com a sétima vértebra cervical.

Se ele estiver corretamente aplicado o queixo ficará paralelo ao solo. Ele proporciona também espaço na cavidade da traqueia e melhora o uso das cordas vocais. Sua ativação ajuda na descompressão das vértebras cervicais. Ele também está ligado diretamente ao terceiro e quarto vetor.

Como os Vetores articulares trabalham com Alinhamento Postural no Pilates?

Percebemos que os vetores articulares propõem uma nova maneira de realizar a organização articular.

Podemos comandar nossas aulas através das articulações e não dos músculos, como é mais comum. Assim conseguimos compreender melhor o corpo e realizar seu alinhamento postural no Pilates de maneira eficiente.

A musculatura sempre responde a esse feedback de entrada. Sem os músculos é impossível organizarmos os vetores articulares. Tudo que fazemos através dessa proposta é inverter a ordem.

Ao invés de solicitarmos um movimento através da contração muscular, pedimos a organização dos vetores. Os músculos acompanharão esse movimento.

Não quero dizer qual organização é melhor. Só estou mostrando uma nova maneira de olhar para o corpo considerando que é impossível organizá-lo sem ativar os vetores corporais. Também é impossível separá-los do movimento que surge.

Assim, devemos conhecer sua existência e ação para utilizá-los de maneira eficiente na organização corporal.

O aluno também deve ser capaz de lidar com seu corpo no espaço da maneira mais equilibrada possível. O próprio Joseph Pilates via o Método como uma maneira de ajudar seres humanos a encontrar melhores caminhos de adaptação para o corpo.

Ao dominar esses vetores conseguimos alinhar o corpo do nosso aluno mesmo que ele tenha problemas de consciência corporal durante as aulas. O importante é ajudar o aluno a descobrir seu próprio caminho sensorial, não importa se esse caminho é muscular ou articular.

 

Bibliografia

  • A Escuta do corpo Sistematizacao da Tecnica Klauss Vianna
  • Jussara Miller
  • Summus Editorial