O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo realmente leva à Barriga Negativa?

O Método Abdominal Hipopressivo começou a virar febre quando alguns meios de comunicação começaram a anunciá-lo como o método da barriga negativa.

O argumento é que a prática da hipopressiva fortalece músculos abdominais de maneira mais eficiente, sendo até melhor que as abdominais tradicionais. Já falei em outro artigo sobre a comparação entre hipopressiva e abdominal, então pularemos essa discussão por enquanto.

A resposta para essa dúvida é sim e não. Realmente conseguimos trabalhar musculaturas abdominais profundas de maneira bastante eficiente com o Método Abdominal Hipopressivo.

Porém, precisamos conscientizar o aluno que só a prática do Método Abdominal Hipopressivo não é o suficiente para alcançar a tão sonhada “barriga chapada”.

Para ter um abdômen definido, a pessoa precisa ter uma alimentação correta. Cerca de 80% do processo acontece através de uma dieta com baixa ingestão de gordura. Na verdade, para alcançar a barriga negativa o aluno precisa de um baixo índice de gordura corporal.

O Método Abdominal Hipopressivo atua através do fortalecimento de musculaturas profundas do abdômen e também ao diminuir a pressão intracavitária. Existem casos em que só diminuindo a pressão o aluno conseguirá o resultado que deseja.

Para que você compreenda como a hipopressiva ajuda a chegar ao resultado estético que nossos alunos sonham mostrarei um pouco da atuação das musculaturas do abdômen na pressão intra-abdominal (PIA).

Músculos do Abdômen

Reto Abdominal

Esse músculo fica localizado à frente do tronco.

Ele compõe a camada mais superficial da musculatura abdominal e possui fibras predominantemente vermelhas. Porém, sua área é entrecortada por áreas não contráteis fasciais. Os retos abdominais são recobertos pela bainha do reto do abdômen, que tem a função de manter esses músculos em posição. A bainha é formada pelas aponeuroses do oblíquo externo, interno e transverso do abdômen.

O reto do abdômen é longo e aplanado. Ele recobre a face anterior do abdômen e é intercedido pelas intersecções tendíneas, que são faixas tendinosas. Dependendo da pessoa, os números dessas interseções variam.

Estou falando dessas musculaturas porque são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Também realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e o abaixamento do esterno também em direção ao umbigo. Perceba que essa é uma zona de convergências de forças importantes.

Quando acontece o enrolamento do tronco, a coluna vertebral é mobilizada indiretamente de maneira retificadora nas regiões torácica baixa e lombar. Muitas vezes encontramos alunos que precisam flexibilizar esses músculos.

Sem flexibilidade, os retos abdominais nos puxam para o enrolamento. Tal falta de flexibilidade pode ser causada pelo sedentarismo e até posicionamento inadequado durante o trabalho.

Quer ajudar seu aluno a conseguir a tão sonhada barriga negativa? Fique sabendo que os retos abdominais empurram as vísceras para dentro ao se contrair. Dessa maneira acabam aumentando a pressão intracavitária.

Músculos Largos

Para entender melhor como funciona a pressão intracavitária precisamos compreender também os músculos largos. Eles ficam nas laterais do tronco e se opõe ao reto do abdômen. São eles:

Transverso do Abdômen

Dentro todos os músculos largos esse é o mais profundo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

A inserção do transverso do abdômen fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e da linha alba. Ele se estende inferiormente sobre o ligamento inguinal e a prega inguinal.

Preste atenção nisso: o transverso é cortado pela linha alba à frente e atrás pela fáscia tóraco lombar. Já mencionei em outros artigos e pesquisas também mencionam a interdependência desses dois transversos há mais de 10 anos.

Precisamos entender esse músculos porque ele tem uma ligação íntima com as questões viscerais. O transverso do abdômen está envolvido em processos como:

  • Fonação
  • Vômito
  • Tosse
  • Espirro
  • Entre Outras

Ele é importantíssimo no Método Abdominal Hipopressivo e também para conseguir a barriga chapada que todos sonhos através da diminuição da pressão abdominal. Ao se contrair, ele diminui o diâmetro da cintura. Como resultado, pode aumentar bastante a PIA.

A cintura fininha é formada pelas fibras médias horizontais do transverso. As fibras inferiores realizam a proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças da PIA que ocorrem o tempo todo. Quando essas fibras se contraem ela também alargam as cristas ilíacas.

As fibras superiores são responsáveis pelo fechamento sutil das costelas. Elas não realizam um grande fechamento porque tem pouco comprimento muscular.

Existem casos em que a combinação do diafragma hipertônico (que trabalha em posição baixa), contração dos músculos abdominais e força gravitacional empurram as vísceras para baixo. Assim, a PIA aumenta e os músculos do períneo ficam fadigados.

Oblíquo Interno

Esse músculos está na camada intermediária dos músculos largos e na verdade são dois: o direito e o esquerdo. Sua origem fica localizada na:

  • Crista Ilíaca
  • Fáscia Toracolombar
  • Dois Terços Laterais do Ligamento Inguinal

Ele tem a inserção nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Os oblíquos internos realizam a ação de fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ao realizar experição forçada ele também está presente.

As fibras vermelhas desse músculos circundam a cintura indo para cima e também da pelve até as costelas. Por ter sua ação mais potente acima do umbigo ele comprimi as vísceras quando é contraído.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo Externo

O oblíquo externo é amplo, quadrangular e plano. Sua parte ventral é mais extensa que sua parte dorsal. O músculo recobre toda a face lateral do abdômen com sua porção muscular e também a face anterior aponeurótica.

Suas origens estão localizadas nas bordas inferiores da 5ª a 12ª costela. A inserção fica na:

  • Crista Ilíaca
  • Ligamento Inguinal
  • Lâmina Anterior da Bainha do Reto Abdominal

As aponeuroses se unem a linha alba.

Sua ação inclui comprimir o abdômen, fletir e rodar o tronco para o lado oposto. Assim como o oblíquo externo, ele também está presente na expiração forçada.

Os oblíquos internos também consegue direcionar as vísceras de cima para baixo graças ao direcionamento de suas fibras.

Ação dos Músculos Largos sobre a Linha Alba

Fonte: http://fisiar.com.br/diastase-abdominal/

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo. E o oblíquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Os músculos retos do abdômen não realizam a separação da linha alba por serem paralelos a ela.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intra-cavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos. Isso prejudica o funcionamento de todo o sistema visceral.

Esse excesso de pressão intracavitária também acontece sobre o assoalho pélvico. A longo prazo facilita a instalação de mecanismos de fuga, empurrando as vísceras para baixo. Blandine traz da França todo um novo conceito em seus livros sobre Pilates. Ela recomenda solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Conclusão

Não existe uma fórmula mágica para conseguir um corpo que adere aos padrões de beleza. Não adianta o aluno achar que fazendo o Método Abdominal Hipopressivo, seja na aula de Pilates ou numa aula específica, vai ficar com a “barriga negativa”.

Ele precisa aliar atividades físicas, boa alimentação e o auxílio da hipopressiva para conseguir isso. Como instrutor, você precisa conscientizá-lo e mostrar o papel do Método Abdominal Hipopressivo nisso.

Conseguimos atuar principalmente diminuindo a pressão intracavitária, o que ajuda a deixar os resultados estéticos mais visíveis. Também proporcionamos uma série de benefícios para nosso aluno através da hipopressiva que vão muito além do estético.

E isso é mais um dos fatores que você deve mostrar a ele. Atividades físicas, na verdade, são sinônimo de saúde. A definição do corpo é um resultado da melhora nas condições de vida.

 

Referências Bibliográficas
Cernea D, Cernea N, Berteanu C. [Intra-abdominal pressure on the functions of abdominal and thoracic organs] Rev Med Chir Soc Med Nat Iasi. 2006 Oct-Dec;110(4):929-37.
De Keulenaer BL, De Waele JJ, Powell B, Malbrain ML. What is normal intra-abdominal pressure and how is it affected by positioning, body mass and positive end-expiratory pressure? Intensive Care Med. 2009 Jun;35(6):969-76. Epub 2009 Feb 26.
El-Serag HB, Tran T, Richardson P, Ergun G. Scand Anthropometric correlates of intragastric pressure. J Gastroenterol. 2006 Aug;41(8):887-91.
Links Sections of Health Services Research and Gastroenterology, Houston Veterans Affairs Medical Center and Baylor College of Medicine, Houston, Texas 77030, USA.
Disfunção Sacroilíaca – Por que o Glúteo Máximo pode estar por trás do problema!

Disfunção Sacroilíaca – Por que o Glúteo Máximo pode estar por trás do problema!

Já tratou a disfunção sacroilíaca em algum aluno? Então você sabe que essa é uma patologia difícil de diagnosticar e de trabalhar.

Muitos alunos podem pensar que têm dor lombar ou até nos joelhos ou região glútea, sendo que o problema está oculto nessa discreta articulação da cintura pélvica.

Hoje quero mostrar para vocês a importância de avaliar o glúteo máximo nesses pacientes. Essa é uma musculatura essencial para a sustentação de diversos movimentos no corpo e, apesar de parecer improvável, está muito envolvida com a sacroilíaca.

Aproveitaremos para relembrar um pouco sobre a anatomia da articulação e seus mecanismos de estabilização que a tornam uma estrutura tão particular.

Anatomia da Articulação Sacroilíaca

Fonte: https://www.anatomiaonline.com/articulacoes-coluna-vertebral/

A sacroilíaca é uma articulação sinovial que encontra-se na cintura pélvica, um importante complexo articular do corpo.

Ela é caracterizada por uma excelente estabilidade com a presença de elementos imóveis e fibrosos. Seu formato é responsável por dissipar e transmitir as forças geradas durante o movimento do corpo.

A região na qual está localizada a articulação sacroilíaca é ricamente inervada por nociceptores e proprioceptores.

Isso acontece porque é ali que estão localizados o plexo sacral e lombar. Assim, a região é essencial para um bom movimento em seus padrões fisiológicos e funcionais. Ela está envolvida nos processos de controle da postura e posição articular.

Na verdade, para realmente analisar a articulação sacroilíaca precisamos compreender também a cintura pélvica. Como mencionei anteriormente, sua localização e inervação contribuem para que esse seja um complexo muito presente em todos os movimentos do corpo.

Apesar de ser composta por articulações bastante estáveis, a cintura pélvica consegue realizar movimentos nos 3 planos de movimento.

Os movimentos da cintura pélvica influenciam em diversas ações diárias do indivíduo. Na marcha, por exemplo, a cintura pélvica realiza todos seus movimentos. Pelo menos isso é o que deveria acontecer quando o corpo está em seu funcionamento fisiológico.

A disfunção sacroilíaca é um fator de perturbação no funcionamento normal da cintura pélvica. Ela gera diversas compensações que chegam a afetar até lombar e membros inferiores.

Estabilidade da Articulação Sacroilíaca

Mencionei anteriormente, mas vale lembrar. A sacroilíaca é uma articulação muito estável que é rodeada por ligamentos fortes especialmente na sua parte posterior e anterior. Além de manter os ossos ilíaco e sacro estáveis, os ligamentos também servem de inserção para outros ligamos.

Isso faz com que a sacroilíaca esteja intimamente conectada com outras regiões, como:

Além disso, existe o ligamento interósseo responsável por prevenir um excesso de mobilidade na articulação e garantir seu papel de estabilização da pelve. Mesmo assim ainda existem movimentos discretos que os ossos sacro e ilíaco podem realizar.

Eles se movem um em relação ao outro de maneira simétrica e assimétrica. Esses são movimentos que possuem pequenos graus de rotação e alguns milímetros de translação.

Apesar de pequenos, os movimentos das estruturas da articulação sacroilíaca possuem grande possibilidade de gerar compensações. Entenda, a sacroilíaca faz parte de uma cadeia de articulações que está interligada. Elas são:

  • Anel Pélvico e suas Articulações
  • Articulação Coxofemoral
  • Articulação Lombossacral

Qualquer movimento ou força anormal gerado em uma articulação afeta a outra. Esse é o caso da disfunção sacroilíaca que discutiremos nesse artigo.

O que é Disfunção Sacroilíaca?

Sabemos que a articulação sacroilíaca é responsável por ligar o tronco e membros inferiores ao realizar movimentos que envolvam carregamento de peso. Para um movimento funcional que não gera dores e lesões, é preciso que existe uma boa ativação de:

  • Musculatura Abdominal
  • Musculatura dos Membros Inferiores
  • Musculatura das Costas

Todos esses conjuntos musculares ajudam a realizar um bom movimento e transmissão normal de forças através da região lombopélvica. Na disfunção sacroilíaca essa ativação não acontece.

A disfunção sacroilíaca é de difícil diagnóstico. No início é possível que não exista sintoma algum relacionado à articulação ou até à região lombar. A disfunção tem início discreto com suas compensações.

O corpo começa a realizar outros desequilíbrios para compensar o excesso de mobilidade sacroilíaco e manter-se em movimento.

Com o tempo as compensações começam a afetar a região lombar gerando dor. É bastante raro que o aluno apresente dor exatamente na região sacroilíaca. Também observamos compensações nos movimentos do quadril, joelho e praticamente todas articulações dos membros inferiores.

Resumindo: a disfunção sacroilíaca é uma patologia importante por ter um forte poder de desequilibrar outras partes do corpo.

Avaliação da Articulação Sacroilíaca

Nem exames de imagem conseguem determinar o excesso de mobilidade da articulação sacroilíaca. É raro que existam alterações significativas nos exames de imagem, portanto o paciente pode chegar com diagnóstico de dores crônicas na região lombar ou glútea.

Portanto, o diagnóstico da disfunção sacroilíaco é principalmente clínico. Realizamos uma avaliação da movimentação da cintura pélvica. Precisamos determinar se existe um excesso de mobilidade ilíaca e tensões ou musculaturas inibidas.

Quero chamar a atenção aqui para o glúteo máximo!

Estima-se que exista uma relação entre a disfunção sacroilíaca e disfunções nessa musculatura. À primeira vista parece que o glúteo máximo estaria pouco relacionado com o funcionamento da articulação. Mas na verdade ele está bastante envolvido.

Pesquisas indicam que o glúteo máximo pode ser um dos responsáveis por estabilizar a sacroilíaca com suas fibras que são perpendiculares a elas. Em testes, indivíduos com a disfunção tiveram ativação anormal do glúteo máximo em exercícios com carga.

Por isso, é possível que, além da presença de seus potentes ligamentos, a sacroilíaca também precise do glúteo para garantir seus movimentos.

A fraqueza do glúteo máximo acaba elevando a carga exercida sobre a sacroilíaca. Como resultado, sua estabilidade é perdida e seus movimentos ficam prejudicados.

Conclusão

Devemos observar o aluno em sua totalidade, não somente como uma disfunção isolada. Nesse artigo quis dar uma ênfase ao papel do glúteo máximo nessa importante disfunção da cintura pélvica que influencia tanto os movimentos de nossos alunos.

O glúteo máximo mostra-se como mais um dos muitos estabilizados dessa articulação que, mesmo sendo pouco móvel, ainda consegue se mover o suficiente para gerar grandes compensações.

O desequilíbrio da sacroilíaca só poderá ser tratado corretamente quando conseguirmos fazer uma avaliação completa e determinar os causadores do problema.

Minha dica é: avalie a ativação glútea durante os movimentos. Sabemos que muitos pacientes sofrem de amnésia glútea por causa do seu estilo de vida sedentário. Portanto, não seria tão estranho imaginar que a disfunção sacroilíaca, na verdade, foi causada por uma fraqueza ou falta de ativação dessa musculatura.

 

Bibliografia
  1. Sandy, S. P. Andre, W. V. Peter der, Disfunção Sacroilíaca, Acta Ortopédica Brasileira, 2003. Acesso em: http://www.redalyc.org/html/657/65711208/
  2. Henrique, S. Egberto dos, O. Juliano de, L. F. Tiago, Disfunção da articulação sacroilíaca e a influência na flexão de tronco e no ângulo Q do joelho. Revista Interdisciplinar de Promoção de Saúde. Acesso em: https://online.unisc.br/seer/index.php/ripsunisc/article/view/11937
  3. N. Marco Aurélio, F. Diego G. de, K. Karina T., M. Robroy L, F. Thiago Y., Strenghthening the Gluteus Maximus in Subjects with Sacroiliac Dysfunction. The International Journal of Sports Physical Therapy, February 2018.
Estratégias de Prevenção para Principais Lesões do Quadril em Triatletas

Estratégias de Prevenção para Principais Lesões do Quadril em Triatletas

O triatlo é um dos esportes que mais crescem no mundo, pessoas cada vez mais motivadas a cuidar da sua saúde e elevar sua capacidade para outro nível.

Por ser um esporte que exige uma demanda de treinamento elevada, o competidor necessita ter uma rotina de atleta profissional, aliando a vida no trabalho com a esportiva e cuidar dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença para evitar as temidas lesões, principalmente as lesões de quadril que são muito comuns dentro do triatlo.

As lesões na pelve e no quadril correspondem de 10 a 20 % das lesões dos triatletas, principalmente pelo volume de treinamento exigido. Nesse texto vou explicar as principais lesões, as causas e algumas estratégias que o triatleta deverá adotar para evitar as lesões e as dores do quadril.

Vamos entender a mecânica da pelve e quadril em cada esporte?

Natação

Durante o nado principalmente estilo Crawl – o mais eficiente para os triatlo – é importante entender a mecânica do quadril e da pelve para manter a estabilidade e auxiliar na braçada.

Durante o nado, a pelve precisa estar sincronizada com a braçada realizando uma rotação que acompanha a braçada. Por esse motivo é ideal que o atleta tenha uma mobilidade com extensão de quadril e uma mobilidade pélvica adequada, e utilizar os sistemas musculares ligando a musculatura da pelve ao tronco transferindo para o membro superior.

Esse trabalho de rotação demonstra que no momento do nado durante o Triatlo – que são provas de 750 metros a 1900 metros – não basta ter uma pernada eficiente sem utilizar a rotação da pelve sincronizado com a braçada.

A pelve realiza uma rotação sobre o eixo sagital afundando em direção ao fundo da piscina para criar uma alavanca de puxada com mais eficiência para o atleta.

Ciclismo

A mecânica da pelve e quadril no ciclismo do triatlo é fundamental, pois o atleta precisa realizar uma boa performance durante o percurso e manter sua eficiência na corrida.

É necessário ter uma boa ativação muscular e colocar as articulações em posições ideais para utilizar toda a potência muscular.

Essa imagem demonstra os principais músculos em cada fase do pedal. Importante utilizar a musculatura do tronco para manter um bom ponto fixo e utilizar toda a potência da musculatura do membro inferior.

Corrida

A mecânica da pelve e quadril será fundamental para o triatlo, pois após a bicicleta o atleta deverá ter um padrão de movimento que consiga conservar energia e manter a eficiência da corrida.

A mobilidade, principalmente para realizar uma extensão de quadril que utilize o músculo glúteo máximo e realizar uma cadência de passada em torno de 180 passadas por minuto, é a maneira mais eficiente de manter um padrão que conserve energia.

Durante a corrida padrões de mudança de posição do tronco são comuns e a manutenção do centro de gravidade será fundamental para a eficiência da corrida.

PRINCIPAIS LESÕES DE QUADRIL

1) Síndrome da Banda Iliotibial

A banda iliotibial é uma faixa tendínea que percorre a lateral da coxa.

Sua origem se encontra no quadril na região do ílio na pelve próximo a espinha ilíaca e sua inserção na região lateral do joelho. A principal função durante a corrida é de estabilizar a relação do quadril com o joelho durante o contato inicial do pé no solo.

A síndrome da banda iliotibial se caracteriza por uma dor mais comum do lado de fora do joelho podendo repercutir acima do joelho em direção ao quadril.

Principais Causas na Corrida

Algumas causas atribuídas à dor na banda iliotibial são desgastes nos tênis por correr em terrenos com desnível e fricção do tendão na parte óssea. Mas há pouco suporte científico para atribuir esses fatores à dor na banda iliotibial.

Um dos fatores que suportam o aparecimento dessa disfunção durante a corrida é a falta de força e principalmente controle nos músculos abdutores do quadril e os rotadores externos sendo o principal o glúteo médio.

O corredor com falta de controle ou força terá uma rotação interna de quadril e joelho gerando estresse mecânico na banda iliotibial.

Principais Causas no Ciclismo

A síndrome ocorre quando a banda iliotibial é pressionada sobre o epicôndilo femoral lateral durante o movimento do pedal, aumentando atrito desse tendão com epicôndilo lateral do fêmur.

O joelho flexiona e se estende repetidamente, a faixa pode ficar facilmente inflamada. Se um ciclista pedala a uma cadência de 80 rpm, em uma hora, a banda iliotibial passa pelo joelho 9.600 vezes.

Os desequilíbrios musculares que podem gerar essa sobrecarga no tendão são:

  • Postura Incorreta Durante o Pedal Favorecendo os Desequilíbrios
  • Posição Biomecânica Incorreta com Excesso de Flexão de Quadril
  • Rotação Interna e Adução Excessiva no Posicionamento da Bicicleta

O ideal para o atleta antes mesmo de comprar ou trocar a bicicleta, é fazer um bike fit e desvendar todas as distâncias ideais para não ter sobrecarga em nenhum ponto.

Estratégias para Prevenção

A síndrome da banda iliotibial é um problema muito comum dentro da mecânica dos corredores. A disfunção acontece principalmente pela repetição do movimento aliado ao volume de treinamento com uma técnica ou controle do movimento inadequado.

É ideal observar durante a corrida principalmente o padrão de movimento, o valgo dinâmico, ou seja, quando o triatleta realiza a passada e o fêmur e o joelho realizam uma rotação interna e adução aumentando o estresse na banda iliotibial.

A estratégia de correção é trabalhar o padrão de movimento enfatizando a ativação principalmente do músculo glúteo médio que controla esse movimento do joelho.

Outra estratégia é trabalhar a mobilidade do quadril principalmente em extensão, muitos corredores durante a corrida realizam um movimento mais curto de extensão chamado “correr sentado”. Esse movimento pode aumentar o estresse e impacto na região podendo gerar além de estresse na banda Iliotibial aumento de impacto no quadril.

2) Tendinopatia de Isquiosurais (Posterior de Coxa)

Os músculos Isquiosurais são essenciais principalmente para os atletas de corrida. Sua função principal é flexionar o joelho e auxiliar na extensão de quadril.

As lesões mais comuns são os estiramentos agudos ou crônicos, sendo comum a tendinite na inserção dos Isquiosurais na região posterior próxima ao glúteo, sendo um problema que poderá se tornar crônico.

A tendinopatia de Isquiosurais podem ser confundidas com outras lesões como:

  • Síndrome do Pirifome – Que consiste de uma compressão no nervo ciático na passagem pelo músculos Pirifome;
  • Dor Irradiada do Nervo Ciático – Que tem origem na lombar mas sua repercussão será na região glútea;
  • Lesão por Estresse na Região Sacral – Que pode ser devido a trauma direto na região.

O sintoma mais comum no paciente será dor na inserção do tendão na região do osso ísquio.

Principais Causas na Corrida

Umas das principais causas para o surgimento da Tendinite de Isquiosurais é a falta de ativação correta do glúteo máximo para realizar a extensão de quadril.

Para realizar uma extensão, os músculos posteriores são sobrecarregados, com a demanda de treinamento e o aumento de volume poderá gerar a lesão.

Um importante fator relacionado ao surgimento da tendinite e desconforto na região dos isquiosurais é o treinamento em subidas, pois exige um maior equilíbrio entre forças excêntricas na musculatura posterior.

A mecânica da corrida inadequada pode contribuir para os sintomas e piora do quadro. O descanso inadequado e o aumento de volume durante o treinamento de subida contribuem para o aparecimento da lesão.

Principais Causas no Ciclismo

A sobrecarga ou compensação dos músculo posteriores podem gerar um estresse na região.

Normalmente está associado a uma adaptação do atleta ao posicionamento da bicicleta ou excesso de pressão em alguma região provocando sobrecarga. O ideal é rever o posicionamento na bicicleta.

Estratégias para Prevenção

A primeira iniciativa quando detectado a tendinite é reduzir qualquer carga sobre o tendão, seja cargas compressivas ou de tração.

Evitar realizar alongamentos e movimentos de flexão de joelho com carga. Os exercícios Isométricos de isquiosurais auxiliam na redução da dor e manutenção da força muscular.

Após a fase aguda, o atleta de corrida deverá introduzir exercícios específicos para tendinopatias de forma progressiva, exercícios excêntricos e exercícios de ativação principalmente do glúteo máximo.

A estratégia adotada para corrida após a lesão depende da readequação dos fatores de riscos. No caso da tendinite dos Isquiosurais uma adequação na mecânica e mobilidade principalmente no quadril no movimento de extensão.

Iniciar gradualmente treinos em subida e manter volume de treino baixo e aumentar 10% por semana de acordo com a distância alvo.

Análise de Movimento do Quadril

Observe o movimento de extensão do quadril no final do gesto da corrida na fase de impulsão, e a ativação do glúteo máximo em relação aos músculos posteriores.

Além da amplitude do movimento de extensão do quadril limitada poderá gerar uma sobrecarga na musculatura posterior.

3) Impacto Fêmoro Acetabular (IFA)

As lesões de impacto estão se tornando mais frequentes, principalmente pelo volume de treinamento, descanso e recuperação inadequada.

Associado à isso, os atletas iniciantes se inscrevem em provas com um planejamento muito curto, sendo que as estruturas do corpo ainda não estão adaptadas àquela demanda. Isso pois o condicionamento cardiorrespiratório é mais rápido do que a adaptação dos sistemas musculares, articulares e principalmente os tendões.

Durante a corrida, o corpo recebe de impacto 2x o peso corporal, e para lidar com essa demanda é necessário ter uma excelente mecânica de movimento para absorver e dissipar a energia que é imposta ao corpo.

As causas do impacto fêmoro acetabular atualmente não estão completamente compreendidas. A mecânica inadequada durante a corrida pode ser um dos fatores que desencadeiam a compressão excessiva entre o colo e a cabeça do fêmur e a borda do acetábulo levando ao impacto nessa região.

Quando ocorre um contato excessivo entre essas duas estruturas, pode formar alguns crescimentos ósseos, que são chamados de Tipo Cam, Pincer ou misto, que se enquadra com as duas características.

A lesão da CAM é uma formação anormal de crescimento ósseo no colo/cabeça o que faz um aumento do contato entre o fêmur e o acetábulo, reunião de impacto quando o quadril entra em flexão/adução/rotação interna.

Uma lesão de Pincer é uma formação anormal de crescimento ósseo na borda externa do acetábulo, o que também leva a um maior contato entre essas duas estruturas.

Enquanto as lesões da CAM são mais comuns nos homens e as lesões de Pincer mais comum nas mulheres, alguns estudos sugerem que 86% das pessoas sintomáticas experimentam uma combinação de ambas como deformidades.

Sintomas da IFA após Corrida

  • Dor na Parte Superior da Virilha ou na Frente na Região do Quadril Lateral
  • Dor Profunda na Região do Glúteo
  • Dor com Atividade (Agachamento Profundo ou Passada)
  • Dificuldade em Sentar
  • Dificuldade e Dor ao realizar Movimento de Rotação
    • Ex: tarefas simples como de colocar as meias que impõem um flexão com rotação externa

Normalmente o atleta sente desconforto após treino intenso de corrida, seguido de rigidez articular.

Importante notar que, embora você tenha um ou dois desses sintomas, você ainda não pode receber um diagnóstico preciso de impacto fêmoro acatabular. Muitos sintomas da IFA podem ser confundidos e diagnosticados erroneamente como sintomas nos músculos flexores do quadril ou estiramento da virilha.

Sintomas de IFA durante Treino de Natação

Durante o treinamento de natação é comum o atleta relatar desconforto na parte anterior do quadril e dor profunda na virilha.

Esses sintomas podem estar associados a uma diminuição da mobilidade dos flexores do quadril que poderão estar excessivamente exigidos durante a pernada de Crawl.

Uma avaliação funcional com agachamento e alguns testes deverão ser feitos para descartar a possibilidade de impacto no quadril, pois apesar da natação não ter impacto direto, os sintomas poderão aparecer após um treino excessivo.

Uma avaliação do movimento pode ajudar a determinar se você está enfrentando sintomas que podem estar associados ao Impacto fêmoro acetabular (IFA).

Teste de Agachamento

  • Mantenha-se com os pés separados pela largura do quadril (posição neutra).
  • Dedos dos pés apontando para frente.
  • Mantenha os braços acima da cabeça, e as costas (coluna) em posição neutra, agachando profundamente descendo ao máximo.
  • Este teste é positivo se você sentir uma fisgada na virilha.

Este teste pode determinar se o corredor possui desconforto na região do quadril e evidencia a falta de mobilidade que é essencial para os atletas de corrida que necessitam ter uma excelente mobilidade.

Estratégias para Prevenção

O IFA precisa de uma análise mais profunda para identificar a causa do problema. É necessário observar se não ocorreu uma alteração estrutural importante.

Isso pois fatores estruturais podem influenciar na melhora do corredor, e essa decisão do tratamento conservador deve ser tomada juntamente com médico especialista e fisioterapeuta.

  • Reduzir os fatores que agravam o problema – Durante o treinamento, reduzir posições que envolvam agachamento mais profundos e movimento de rotação excessiva principalmente rotação interna.
  • Alongar e recuperar a amplitude de movimento (mobilidade) – Recuperar a flexibilidade normal é extremamente importante ao abordar déficits relacionados à IFA.
  • Atenção para o “alongamento excessivo” do quadril, pois isso pode causar irritação dentro da articulação. O atleta deverá ter cuidado para não exagerar no tensionamento para evitar agressões na articulação.

4) Disfunção Sacroilíaca (Dor Sacrolíaca)

A articulação sacroilíaca está localizada na parte posterior entre o osso sacro e ilíaco.

A dor pode ser irradiada para região do glúteo, e a disfunção sacroilíaca poderá ser confundida com sintomas da região lombar com irradiação para o ciático, sendo que a fonte da dor está na região do quadril e pelve.

Principais Causas

A diferença de comprimento entre os membros inferiores pode ser uma fator que desencadeia a Disfunção sacroilíaca.

O corpo irá compensar essa diferença de comprimento e com aumento de volume de treinamento – principalmente na corrida – poderá gerar uma sobrecarga maior nessa região que fará o gerenciamento das cargas do membro inferior com a coluna lombar

O padrão de corrida com drop excessivo de pelve, ou seja, a pelve tende a cair fazendo um movimento lateral.

Isso demonstra uma dificuldade da musculatura em manter a estabilidade ou um padrão de compensação que poderá ser corrigido, ou um padrão de rotação interna em valgo dinâmico que com o treinamento de corrida poderá predispor a dor sacroilíaca.

A mobilidade é um item muito importante para essa região, pois a quantidade de movimento entre a região sacro ilíaca é milimétrica, e qualquer bloqueio articular poderá gerar um estresse articular.

Outro fator interessante é observar a mobilidade da coluna lombar pois a retificação ilíaca ou hiperlordose lombar poderá gerar um estresse na região sacroilíaca compensando a falta de mobilidade lombar.

A ineficiência dos glúteos em manter um padrão de estabilidade entre a pelve e coluna lombar poderá ter um excesso de ativação principalmente da musculatura da coluna lombar.

O músculo glúteo deverá ser o propulsor principal, a hiperativação dos músculos lombar poderá levar um aumento de pressão na região sacroilíaca.

Alguns testes simples poderão determinar a eficiência do músculo glúteo e estabilidade como a ponte Unipodal.

Estratégias de Prevenção

As principais estratégias a serem adotadas para dores sacroilíacas é analisar as causas e corrigir o problema.

O atleta de triatlo deverá antes de aumentar o volume de treinamento, observar os padrões de movimento principalmente na esteira que será um ambiente controlado, propício para as correções e ajustes de retreinamento de corrida.

Realizar um trabalho de qualidade com relação à mobilidade de quadril e região pélvica escolhendo atividades que proporcionem uma qualidade de movimento.

Atividade como o Pilates, Yoga e prática que propiciem consciência corporal e ativação muscular evitam as compensações em outras regiões.

A prática de educativos principalmente de corrida favorecem uma melhora nos padrões de movimento, e auxiliam o atleta a obter o movimento com mais qualidade e conservação de energia para melhorar seu desempenho.

Conclusão

Essas foram as principais lesões e algumas estratégias para os atletas de triatlo adotarem para prevenção de lesões em quadril, assim como realizar o esporte com mais segurança.

No ciclismo dentre as principais lesões de quadril, as lesões musculares são mais numerosas, principalmente relacionados a uma má adequação da bicicleta ao atleta .

Na natação as lesões de quadril não são comuns em triatletas pois o nado Crawl não sobrecarrega o quadril em nenhuma posição de desconforto, diferentemente do nado de peito que terá um sobrecarga em adução e rotação interna de quadril.

O texto se concentrou na corrida, pois o número de lesões em corredores é muito maior pelo impacto provocado pela corrida e a exigência de volume de treinamento na soma das 3 modalidades.

O atleta precisa investir tempo durante sua rotina de treino para recuperação e priorizar seu descanso e sono.

Existem muitas outras questões relacionadas à técnica de corrida mais eficiente como o equipamento relacionado a escolha do tênis ideal entre outras questões que serão abordados nos próximos textos.


Este artigo foi escrito pelo Dr. Bruno Matoso

Bruno tem graduação em Fisioterapia pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp). Especialização em Terapia Manual pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp/PR).

Formação em Osteopatia, Formação em Cadeias Fisiológicas (Método Busquet), Formação nos Conceitos Mulligan, Mobilização Neural e Dry Needling. Certificação Functional Movement Screen (FMS®).

Dr. Bruno Matoso também possui experiência clínica nas áreas de fisioterapia esportiva e reabilitação, vasta formação em terapia manual e saúde integrativa. Dedica-se ao trabalho integrado na prevenção e desempenho de praticantes de corrida e triatlo.

Referências
Como são os Tipos de Coluna e como trabalhar no Pilates!

Como são os Tipos de Coluna e como trabalhar no Pilates!

Sempre gosto de enfatizar como o trabalho no Pilates precisa ser individualizado para cada aluno. Cada corpo é único em suas compensações, desequilíbrios e até pontos fortes e positivos. Por isso, protocolos de aula pré-prontos pouco ajudarão seu aluno a obter os resultados desejados. Precisamos preparar a aula considerando o tipo específico de corpo do aluno, isso inclui os tipos de coluna.

Na coluna existem cifoses e lordoses. Tais curvaturas surgem com o desenvolvimento do corpo para proteção dos órgãos vitais do organismo.

A coluna possui curvaturas alternadas e cada uma tem sua função. Aqui já podemos lembrar que, ao contrário do que muitos pensam, uma coluna reta não é a coluna perfeita. Pelo contrário, esses tipos de coluna apresentam diversos problemas que exploraremos mais tarde.

Comecemos a análise da coluna com as cifoses. Elas têm uma função importante de proteção e também servem como pontos fixos. É através desses pontos fixos que muitos músculos realizam seus movimentos. Vemos então que as cifoses são naturalmente menos móveis.

As lordoses estão presentes entre as cifoses e ajudam na distribuição da força de compressão axial (força gravitacional). Portanto, são bem mais móveis.

Considerando a mobilidade e estabilidade podemos considerar que existem dois tipos de coluna:

  • Tipo Funcional Dinâmico
  • Tipo Funcional Estático

Tipos de Coluna: Funcional Estático

Os tipos de coluna funcional estático são uma coluna com curvaturas menos marcadas. Lembra do que falei daquela coluna reta que muita gente confunde com coluna saudável? Ela seria do tipo funcional estático, retificada e sem curvaturas muito marcadas. Acredite ou não, os brasileiros têm muitos exemplos desses tipos de coluna.

Existem dois tipos de colunas:

  1. Tipo Funcional Dinâmica
  2. Tipo Funcional Estática

Uma coluna do tipo funcional estático tem um equilíbrio muito precário. O indivíduo que a possui está mais suscetível a quedas. Quanto menor for sua mobilidade, menor será a estabilidade e o equilíbrio.

Então, esse indivíduo terá maior dificuldade de manter seu equilíbrio durante os movimentos e pode cair mais facilmente. Tome cuidado especialmente com idosos que apresentem esse tipo de coluna. (Rachel W. Pata, Katrina Senhor, Jamie Lamb)

Tipos de Coluna: Funcional Dinâmico

Uma coluna do tipo funcional dinâmico é caracterizada por curvaturas mais móveis. Considerando os perigos da rigidez, talvez você pense que ela seria a solução para os problemas gerados pela coluna estática.

Na verdade não, a coluna desse tipo funcional possui uma mobilidade exagerada e se torna mais suscetível a lesões.

Perceba que existe um dilema paradoxal nos tipos de coluna. Ela precisa ser estável o suficiente para aguentar as forças gravitacionais às quais é submetida. Porém, estabilidade demais compromete o equilíbrio e o movimento. Ela também precisa ser móvel o suficiente para ser flexível, possibilitar o movimento e evitar lesões.

Mas mobilidade demais também é um fator lesivo.

Sem encontrar um equilíbrio entre estabilidade e mobilidade, a coluna não terá uma energia potencial para se mover e evitar lesões. Portanto, na hora de trabalhar o aluno no Pilates devemos considerar qual é seu tipo de coluna.

Se ele for mais flexível e possuir uma coluna do tipo funcional dinâmico a estabilidade será prioridade. Quem é mais rígido e retificado precisa de um trabalho de mobilidade.

Eu falei em priorizar essas características da coluna. Nunca devemos trabalhar só mobilidade ou só estabilidade. Na coluna do tipo funcional dinâmica, por exemplo, precisamos trabalhar estabilidade sem perder sua flexibilidade natural. Em uma coluna do tipo funcional estática precisamos priorizar mobilidade sem comprometer a estabilidade já existente.

Importância da Estabilidade da Coluna Vertebral

Panjabi foi um dos primeiros autores a falar sobre a estabilidade. Ele determinou que o aumento da dor lombar causado por uma coluna instável estava relacionada à perda do padrão de movimentos funcionais. Joseph seguia uma linha de pensamento similar, buscando recuperar os movimentos fisiológicos encontrados em animais e crianças.

De acordo com panjabi, a estabilização da coluna acontece através de 3 subsistemas:

  1. Coluna Vertebral
  2. Músculos da Coluna Vertebral
  3. Unidade de Controle Neural

Portanto, precisamos desenvolver uma coluna que seja flexível, mas tenha musculaturas fortes. Pouco atuamos sobre o sistema de controle neuromuscular porque pouco é conhecido sobre ele.

Um corpo com muita oscilação tem maior probabilidade de desenvolver dor lombar. Isso indica um sistema de controle neuromuscular menos eficiente. Ele é incapaz de proporcionar a estabilidade que a coluna precisa.

Como garantir a Estabilização da Coluna

Paul Hodges faz uma proposta bastante eficiente para estabilizar a coluna vertebral: o movimento. Muitos impõem rigidez à coluna para resolver seus problemas biomecânicos, mas talvez essa não seja a melhor solução.

Quando preparamos o corpo para o movimento e ajustamos a posição de sua coluna vertebral temos menor perturbação.

A estabilidade não é e nem deve ser confundida com um impedimento do movimento. Na verdade, ela envolve pequenos movimentos que são feitos no momento certo e na quantidade certa.

Outro erro comum é exigir uma contração excessiva do centro do corpo e estabilizadores da coluna. De acordo com Hodges, a melhor estabilidade não acontece pela geração máxima de contração, mas sim ao contrair os músculos corretos, na quantidade certa e no momento certo.

As contrações musculares responsáveis por estabilizar a coluna vertebral são custosas para o corpo. Elas restringem a respiração, além de aumentar a pressão sobre o assoalho pélvico e compressão sobre a coluna vertebral. Então, não devemos deixar que o aluno realize essa contração de qualquer jeito ou com força excessiva.

Ao trabalhar com a estabilização no núcleo precisamos que a atividade muscular preceda qualquer força de perturbação da coluna vertebral. Por isso, Hodges considera que o timing e a antecipação é mais importante.

Como sabemos, o transverso é o principal músculo de estabilização segundo Paul Hodges. Logo vamos conhecer mais profundamente esse importante músculo.

Transverso

Perceba na imagem do transverso que ele é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. Acredito que existe interdependência e ainda na existência de dois músculos transverso.

É possível dividi-lo em transverso direito e transverso esquerdo. Considerando essa divisão anatômica, seria incorreto usar o comando de levar o umbigo para a coluna. Isso só seria possível com a colaboração dos retos abdominais.

O transverso não realiza esse movimento.

Também existe um engano no Brasil sobre a contração do transverso. Observe novamente a figura do transverso do abdômen. Agora pensemos em uma contração concêntrica dos transversos. As linhas inferiores do músculo o tracionam para dentro e para baixo.

Elas alargam a parte inferior do abdômen como as figuras que criamos de cinturão, espartilho e outras. É mais um fator anatômico que devemos levar em consideração na contração do transverso. Ele impede que esse músculo realize sua contração não somente no sentido interno.

Ele traz sua contração para a crista ilíaca de forma ascendente. Isso forma uma cintura fininha na altura das suas fibras médias que são horizontais, não nas fibras interiores e superiores.

O comando correto a ser utilizado é de aplanamento do abdômen com a formação de uma cintura fininha. Não podemos realizar a contração incorreta e empurrar as vísceras para baixo. Isso fadigaria o assoalho pélvico.

Toda a linha de estudo osteopático fala em fadiga do assoalho pélvico, não fraqueza, na maioria dos casos.

Conclusão

Vou reforçar aqui que o Pilates não é uma receita pronta. Não existem comandos prontos que funcionam para cada aluno. Precisamos realizar uma avaliação detalhada para determinar qual é a melhor estratégia de atendimento.

No Pilates trabalhamos até hoje com a estabilização segmentar da coluna ou com o fortalecimento do Powerhouse. Acreditamos que quanto mais forte forem essas musculaturas, mais estável estará a coluna. A ideia não é completamente errada, mas está pouco compreendida.

Confundimos estabilidade com rigidez e ignoramos a mobilidade. Precisamos começar a trabalhar os tipos de coluna no Pilates de acordo com as necessidades individuais de cada paciente.

 

Referências
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Por que o Conceito Hipopressórico é Contra Indicado para Hipertensão?

Por que o Conceito Hipopressórico é Contra Indicado para Hipertensão?

Antes de começar o texto, gostaria de deixar claro que essa contra indicação para quem possui hipertensão não diz respeito apenas ao MAH, mas a todos os métodos que usam o conceito hipopressorico. E você vai entender o porque! Vamos lá?

As doenças mais perigosas são aquelas que não nos dão nenhum alerta, ou seja, são assintomáticas, até que haja uma crise. Assim é com a Hipertensão Arterial Sistêmica, comumente chamada de “pressão alta.”

Ainda que apresente algum desconforto, a mesmo pode ser confundida com um mal estar ou dores de cabeça comum, fazendo com que o paciente sequer procure o médico.

O que é Hipertensão Arterial Sistêmica?

A Pressão Arterial é a força que o sangue exerce nas paredes das artérias. Quando esta força encontra-se aumentada de forma sustentada, caracteriza-se como Hipertensão Arterial.

Hipertensão Arterial é uma condição clínica multifatorial caracterizada por elevação continuada dos níveis pressóricos > ou igual 140 e/ou 90 mmHg.

Frequentemente associa-se a distúrbios metabólicos, alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo, sendo agravada pela presença de outros fatores de risco, como Dislipidemia, Obesidade abdominal, intolerância à glicose e Diabetes Melito. (Lewington, 2002).

No Brasil, a hipertensão arterial atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular (DCV).

Geralmente as medidas da Pressão Arterial são divididas em: Sistólica e Diastólica.

  • Pressão Arterial Sistólica – Este valor é denominado de pressão arterial máxima, e é correspondente ao valor medido no momento em que o Ventrículo Esquerdo bombeia o sangue para a artéria Aorta. Normalmente este valor pode variar entre os 120 a 140 mmHg, sendo estes os valores de referência para que consideremos a pressão dentro dos valores normais.
  • Pressão Arterial Diastólica – Normalmente este valor é conhecido como pressão arterial mínima, correspondente ao momento em que o ventrículo esquerdo volta a encher-se para retomar todo o processo da circulação. Este valor geralmente está dentro da média dos 80 mmHg.

Em 2007, o Joint International Commitee, relatou alguns fatores de referência para a mensuração da P.A. sendo eles:

  1. Tensão Normal: Igual ou inferior a 12/9 ou 120 mmHg Sistólica por 90mmHg Diastólica;
  2. Pré-Hipertensão: Faixa que vai dos 12 a 13,9 (120 a 139) sistólica e/ou 8, 8,9 (80 a 89) Diastólica;
  3. Hipertensão: Igual ou superior a 14/9 ou 140 mmHg Sistólica por 90mmHg Diastólica;
  4. Hipotensão: Inferior a 9/6 ou 90 mmHg Sistólica por 60 mmHg Diastólica.

Estes valores, não são sempre os mesmos, e varia com a idade, gênero ou a coexistência de outras doenças crônicas ou fatores de risco, como:

  • Diabetes
  • Colesterol Elevado
  • Excesso de Peso/Obesidade
  • Tabagismo
  • Entre Outros

A presença de vários fatores agrava os efeitos de uma pressão arterial elevada e obriga o maior cuidado na abordagem da hipertensão.

De forma geral, considera-se que a pessoa é hipertensa se apresentar, em pelo menos duas ocasiões diferentes, um dos valores da pressão arterial (sistólica ou diastólica) ou ambos, iguais \ ou superiores a 140/90 mmHg, determinados por um profissional treinado e utilizando um aparelho calibrado e validado.

O profissional poderá esclarecer em cada caso quais são os melhores valores para cada perfil.

Efeitos da Hipertensão

A Hipertensão Arterial, com o tempo danifica as paredes arteriais, o que pode levar a uma série de complicações, como a Aterosclerose, na qual, se verifica espessamento e perda de elasticidade da parede arterial, por consequência do acúmulo de gordura por baixo do revestimento interno da parede arterial.

O que restringe o fluxo de sangue, ou possibilita a formação de coágulos, facilitando ataques do coração, ou AVC’s.

Além disso, os bloqueios vasculares relacionados com a arterioesclerose, podem afetar a retina ocular (Retinopatia Hipertensiva) o que, à longo prazo, causa transtornos na visão.

A Hipertensão não tratada pode causar várias lesões também ao coração.

Quanto maior for a pressão arterial, mais o coração esforça-se para bombear o sangue para a artéria principal, a Aorta.  O músculo cardíaco irá se adaptar a esse estresse crescente espessando suas paredes, criando uma hipertrofia do músculo cardíaco, gerando assim,

A Insuficiência Cardíaca, onde o risco de ter um ataque cardíaco aumenta em três ou quatro vezes.

Causas da Hipertensão

Entre os pacientes hipertensos, 95% não possuem causa orgânica, ou seja, ela é causada por predisposições hereditárias e fatores externos como, estresse, obesidade, ou alimentação.

Doenças orgânicas ou distúrbios hormonais são os responsáveis pela hipertensão em apenas 5% dos casos.

95% Primária: Relacionada ao meio ambiente, ou seja, a seu estilo de vida. Alimentação, sedentarismo, estresse, tabagismo, consumo de álcool, hereditariedade, etc.

5% Secundária: Causas que são identificáveis, como uso de alguns medicamentos, gravidez ou doenças renais.

Como Diagnosticar?

É fundamental o diagnóstico precoce da Hipertensão Arterial. Quanto mais cedo for diagnosticada, mais cedo se pode intervir e menores são os riscos no futuro.

Entanto, é preciso ter cuidado porque um valor elevado de forma isolada não significa que a pessoa seja hipertensa. Da mesma forma, fatores como o estresse e a atividade física ou sexual podem fazer elevar os valores da pressão arterial sem que isso signifique que a pessoa seja hipertensa.

Para o diagnóstico da hipertensão é necessário:

  • Pelo menos duas medições aumentadas, em duas ocasiões diferentes;
  • Profissional que esteja treinado para fazer a medição;
  • Aparelho (esfigmomanômetro) calibrado e validado e uma braçadeira adequada ao tamanho do braço.

Recomenda-se que realize a medida da pressão arterial a partir dos 18 anos de idade, pelo menos de 2 em 2 anos.

Como Controlar a Hipertensão Arterial?

Para controlar a hipertensão arterial é necessária uma conjugação de medidas farmacológicas e não farmacológicas:

Alimentação

O desenvolvimento de HA resulta da combinação de diversos fatores, nomeadamente ambientais, sendo que as alterações dietéticas podem prevenir a elevação da PA e o desenvolvimento de HA.

  • Comer de forma saudável é o segredo;
  • Faça uma alimentação diversificada, com reforço das frutas, dos legumes e vegetais;
  • Divida os alimentos por 6 refeições por dia;
  • Coma pouco de cada vez e devagar, mastigando bem os alimentos;
  • Modere o consumo de álcool
  • Diminua o consumo de sal. Pode substituí-lo por sumo de limão, ervas aromáticas, especiarias ou outros condimentos.
  • Evite os embutidos, enlatados, comidas pré-preparadas, aperitivos.
  • Além do elevado teor de sal que muitas vezes são também ricos em gorduras saturadas e colesterol.

Redução do Peso

Nas pessoas com excesso de peso ou obesidade, perder peso pode contribuir para reduzir o valor da pressão arterial.

  • Índice de massa corporal < 25 Kg/m2;
  • Perímetro abdominal < 102 cm nos homens e 88 cm nas mulheres.

Atividade Física

Pratique mais exercício físico:

  • Uma atividade física regular ajuda a baixar os níveis da pressão arterial, ao mesmo tempo que permite um controle do peso.
  • Deve escolher exercícios que compreendam movimentos cíclicos (como a natação, a marcha, a corrida ou a dança) e evitar esforços físicos intensos (por exemplo, levantar pesos ou empurrar objetos pesados), já que estes aumentam a pressão arterial durante o esforço.
  • Recomenda-se realizar 30 minutos de atividade física moderada a intensa por dia, 5 a 7 dias por semana.
  • Prefira as escadas ao elevador; andar mais a pé (na utilização dos transportes públicos, desça uma paragem antes, deixe o automóvel mais longe); ande de bicicleta.

Deixe de Fumar

  • Os fumantes têm, em média, menos dez anos de vida do que os não fumantes.
  • As doenças cardiovasculares são 2 a 4 vezes mais frequentes nos fumantes.
  • O tabaco é responsável por 20% da mortalidade por doença coronária.
  • Parar de fumar diminui o risco das doenças cardiovasculares:
  • Também diminui o risco de Câncer e doenças respiratórias como a Bronquite Crônica.

Estresse

O estresse é inevitável na vida. Cada pessoa tem o seu nível ideal.

Abaixo deste nível a pessoa sente-se desmotivada, aborrecida e incapaz de lidar com as situações do dia-a-dia. Acima deste nível, o estresse é causa de desconforto e eventual doença. Cada um deve tentar perceber qual o seu próprio nível para uma vida realizada.

Formas de lidar com o stress:

  • Evite o estresse desnecessário;
  • Altere a situação que provoca estresse;
  • Adapte-se ao fator que provoca estresse, ajustando a sua atitude;
  • Aprenda a aceitar aquilo que não pode mudar;
  • Arranje tempo para a diversão e relaxamento;
  • Adote um estilo de vida saudável.

Tratamento com Medicamentos

Quando o tratamento sem medicamentos não é suficiente, os fármacos são fundamentais.

O seu médico saberá qual o melhor tratamento para cada caso e poderá orientá-lo nesse sentido. A principal causa de hipertensão não controlada é a não adesão à terapêutica. Não deve suspender a sua medicação, pois coloca em risco a sua saúde.

O doente é o principal gestor da sua saúde e deve estar consciente da importância do cumprimento da medicação prescrita pelo seu médico.

Principais Anti-Hipertensivos

Para controlar a pressão o médico pode recomendar vários medicamentos, como:

1) Diuréticos

São remédios que atuam no rim e aumentam a eliminação de água e sal pela urina, como Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida ou Espironolactona, por exemplo. Além disso, aumentam a quantidade de urina e ajudam a diminuir o edema.

2) Vasodilatadores

Estes remédios que relaxam as artérias e veias do organismo, utilizados em doentes com hipertensão difícil de controlar, podendo ser utilizados juntamente com outro remédio anti-hipertensor. Exemplos de remédios vasodilatadores são o Minoxidil e a Hidralazina.

3) Bloqueadores dos Canais de Cálcio

Esta classe de anti-hipertensivos dilatam os vasos sanguíneos como a Nifedipina, Amlodipina, Nicardipina ou Verapamil, por exemplo.

4) Inibidores da Enzima Conversora da Angiotensina (IECA)

São muito usados no tratamento da hipertensão pois bloqueiam os efeitos de um hormônio produzido naturalmente pelos rins, a Angiotensina II.

Ao bloquear o efeito da Angiotensina II, os inibidores da ECA provocam o relaxamento dos vaso sanguíneos, reduzindo a Pressão Arterial. O Captopril, Enalapril, Ramipril ou Lisinopril, por exemplo, são exemplos dessa classe de medicamentos.

5) Beta Bloqueadores

Os beta bloqueadores fazem parte de um grupo de medicamentos que, além de ajudar no controle da pressão, diminuem a frequência cardíaca.

São medicações geralmente prescritas para pacientes jovens e mulheres, por terem, na sua maioria, a Frequência Cardíaca ligeiramente aumentada. São eles: o Propranolol, Atenolol, Carvedilol, Metoprolol e Nebivolol.

Efeitos Colaterais

Os efeitos colaterais dos remédios que controlam a hipertensão incluem:

  • Tonturas
  • Retenção de Líquidos
  • Alterações na Frequência Cardíaca
  • Dor de Cabeça
  • Vômitos
  • Náuseas
  • Sudorese
  • Impotência

Ao notar qualquer um destes efeitos, o indivíduo deve buscar ajuda médica, para que possíveis ajustes possam vir a ser feitos tanto na dose quanto na troca da medicação.

Para manter a pressão controlada pode-se fazer o uso combinado de medicações. Essas medicações, podem ser da mesma classe ou de classes diferentes. Porém, o seu uso deve ser sempre recomendado pelo médico para evitar interação medicamentosa.

Nos casos mais simples, o tratamento é realizado com o uso de apenas um medicamento, principalmente quando os valores não ultrapassam 160/90mmHg. No entanto, em alguns casos quando a pressão é superior e não estabiliza o médico recomenda o uso de 2 ou 3 medicações combinadas.

Podemos perceber que a Hipertensão Arterial é uma doença atual, resultante das condições de vida do homem moderno, que expressa sua forma de viver e as contradições sociais existentes.

Esse agravo, representa um alto custo social na saúde, portanto é imprescindível que o sujeito compreenda o processo da doença e participe da mudança do estilo de vida por meio das atividades de educação em saúde.

Método Abdominal Hipopressivo (MAH)

As pressões internas do corpo interferem no movimento muito além do que conseguimos imaginar. Por isso devemos compreendê-las e utilizar métodos para sua normalização.

É exatamente para isso que o existe o Método Abdominal Hipopressivo (MAH)!

O MAH é um método formado pelo conjunto de posturas estáticas e dinâmicas onde a via que as potencializará é o meio expiratório. O aluno deve expulsar todo o ar capaz de bloquear as vias respiratórias, com o diafragma torácico em alta e o aumento do CO2.

É importante compreender que para relaxar e alongar, o diafragma torácico deve estar em posição de expiração. Logo, o conceito hipopressivo é um exercício de potencialização da postura por estar em apneia expiratória.

A postura adotada gera produção de dopamina, como qualquer atividade física, a diferença é que no MAH não produzimos “lixo metabólico” (acido lático).

As apneias desenvolvidas geram hipercapnia (aumento de CO2), que gerarão, através do ácido carbônico, estímulo no Centro Pneumotáxico – centro respiratório, localizado especificamente na Ponte (tronco cerebral), estimulando à inspirar.

Por conta dessa apneia, o organismo entende como falência respiratória e aciona o neurotransmissor Simpático (Adrenalina) gerando todos os efeitos de aumento de Frequência Cardíaca e de Pressão Arterial para “resgaste” do organismo.

Apesar de muitos benefícios trazidos pelo MAH por conta de todos os adventos acima citados existem algumas contra – indicações para o seu uso.

Pacientes hipertensos são contra-indicados para uso da técnica, pois, já é sabido que o método gera uma variabilidade tanto na frequência cardíaca (FC) quanto na pressão arterial (PA) pelo estímulo da Adrenalina liberada pelo sistema Nervoso Simpático.

Nas posturas adotadas, a maioria em Isometria (técnica que mantém o uso do corpo em uma determinada postura fixa por determinado período), geramos vasoconstricção promovida pela contração muscular, o que pode acarretar aumento da resistência periférica e, consequentemente, aumento da pressão arterial diastólica.

Nas apneias utilizadas, aumentamos o nível de CO2 (gás carbônico) em relação ao nível de Oxigênio (O2) e esses ciclos de apneia que são gerados na técnica, causam alterações tanto na FC quanto na PA.

Vale ressaltar que para cada postura adotada utilizamos de 18 apneias gerando assim mais de 90 segundos nesse ciclo o que seria extremamente danoso a esse grupo especifico, os hipertensos.

Podemos concluir enfim, que o Método Abdominal Hipopressivo é um método bastante eficaz no que diz respeito tanto a questões estéticas quanto questões clinicas.

Podemos tratar de diversas situações, mas devemos ter cautela quanto a seu uso nessa parcela de pacientes pois, sendo utilizado nessa classe de pacientes, hipertensos, os resultados podem ser muito danosos e pouco ou quase nunca reversíveis.

Importante também ressaltar que essa contra indicação não se diz respeito apenas ao MAH, mas sim, todos os métodos que trabalham com o conceito hipopressorico!

 

REFERÊNCIAS
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