Conheça 4 Lesões de Quadril em Atletas e Estratégias de Prevenção!

Conheça 4 Lesões de Quadril em Atletas e Estratégias de Prevenção!

Trabalhando com atletas acabamos encontrando uma variedade bem grande de lesões de quadril. Isso acontece por uma combinação de excesso de treinamento e movimentos repetitivos com desequilíbrios musculares.

Os desequilíbrios são bastante comuns, especialmente se estivermos lidando com um atleta amador que tem pouca ou nenhuma instrução profissional. O resultado já está na cara: uma lesão que causa dor e uma reabilitação demorada.

Após o surgimento da patologia devemos fazer tudo que podemos para reabilitar o paciente. E mesmo depois que a dor desaparece fica a função de prevenir que as lesões de quadril voltem.

Por isso, separei 4 patologias e lesões de quadril muito comuns em atletas e algumas estratégias importantes de prevenção.

1) Síndrome da Banda Iliotibial

A lateral da coxa possui uma faixa tendínea que tem origem no quadril, na região do ílio na pelve. Sua função seria de manter a relação entre quadril e joelho estabilizadas durante o movimento.

Na corrida, em especial, isso aconteceria no momento em que acontece o contato inicial do pé com o solo. Em casos patológicos, existe uma dor na lateral externa do joelho que pode também ser sentida acima da articulação, na direção do quadril.

O que Causa a Síndrome?

A dor na banda iliotibial pode acontecer por diversos motivos. No esporte, pode acontecer por causa de fricção do tendão na parte óssea durante a corrida. Alguns estimam que o desequilíbrio é potencializado por desgastes no tênis do atleta ou até por correr em terrenos que não são nivelados.

Porém, um dos fatores mais significativos para o surgimento da patologia está na falta de força de musculaturas do quadril.

Os abdutores e rotadores externos da articulação são especialmente afetados, quero destacar aqui que o glúteo médio é um dos principais deles. Quando o atleta não tem força ou controle sobre os movimentos do quadril acaba com uma rotação interna no quadril e no joelho.

Como resultado, a banda iliotibial fica sob estresse mecânico e é pressionada sob o epicôndilo femoral lateral.

Para conseguir avaliar o que causou, ou pode causar no futuro, a patologia, você deve avaliar a posição do atleta durante o esporte. Existem diversos desequilíbrios musculares e até problemas posturais que levam ao excesso de compressão na banda iliotibial.

Como é Possível Prevenir a Síndrome da Banda Iliotibial?

Um atleta realiza movimentos repetitivos diariamente e numa intensidade bastante alta. Quando existe um controle de movimento inadequado isso gera desequilíbrios que levam ao surgimento de lesões de quadril, e entre elas temos essa síndrome.

Quer prevenir o problema nos seus alunos praticantes de esportes? Comece a observar seus movimentos esportivos.

Procure por alterações de padrão de movimento, desvios como valgo dinâmico e outros. Qualquer desvio que possa aumentar o estresse na banda iliotibial deve ser observado.

Após identificar os desequilíbrios que eventualmente levarão à síndrome, chega a hora de realizar a prevenção de lesões de quadril. O instrutor precisará trabalhar principalmente com ativação de glúteo médio. Como resultado, o aluno consegue melhorar seu movimento do joelho.

Outro aspecto que precisa de um trabalho cuidadoso é a mobilidade de quadril. Acredite ou não, mesmo atletas costumam apresentar um quadril rígido e com pouca mobilidade.

As compensações criadas pelo corpo para permitir o movimento podem gerar aquele estresse excessivo na banda iliotibial.

2) Tendinopatia de Isquiosurais (Posterior de Coxa)

Os músculos isquiosurais são essenciais para flexionar o joelho e auxiliar na extensão do quadril.

Atletas de diversas modalidades precisam ter seus movimentos em perfeito estado, mas corredores são principalmente afetados. Lesões de quadril desse músculo incluem estiramento agudo ou crônico e também a tendinite.

Quando a tendinite não é tratada corretamente pode se tornar um problema crônico.

Durante a avaliação precisamos tomar cuidado para não confundir a tendinopatia de isquiossurais com outras lesões de quadril. Um bom exemplo é a síndrome do piriforme, que gera dor irradiada numa área similar.

Porém, a síndrome do piriforme tem origem na compressão do ciático quando passa pelo músculo piriforme. A própria dor irradiada de compressão do ciático também pode ser confundida com a patologia.

A tendinopatia é geralmente caracterizada pela dor na inserção do tendão que fica na região do osso ísquio.

O que Causa a Patologia?

A maioria dos pacientes que desenvolve a tendinite de isquiossurais tem uma ativação incorreta do glúteo máximo. Assim, a extensão de quadril se torna deficiente e sobrecarrega músculos posteriores da coxa. Com o aumento do volume e demanda de treinamento alta de atletas, a lesão acontece facilmente.

Quando o atleta realiza um treinamento que exige equilíbrio entre forças excêntricas da musculatura posterior ele aumenta o risco. Pelo menos isso acontece quando já existe a ativação ruim do glúteo.

Uma mecânica inadequada do esporte piora o quadro e contribui para o surgimento de sintomas da patologia. Outro problema comum em atletas está na falta de descanso adequado após um treinamento intenso.

Como Prevenir a Tendinite de Isquiossurais

Assim que percebermos a tendinite ou desequilíbrios que podem levar a ela devemos aliviar a carga sobre o tendão. Isso inclui cargas compressivas ou cargas de tração.

Inicialmente, o aluno deve evitar alongamentos dos membros inferiores que possam piorar o quadro. Os exercícios com carga de flexão de joelho também não são recomendados.

Devemos utilizar exercícios isométricos direcionados para o treinamento de isquiossurais. Isso auxilia a reduzir a dor, se existir, e melhorar a força muscular. Quando a fase aguda passar, também deveremos começar a trabalhar com exercícios excêntricos e de ativação de glúteo máximo.

O aluno precisa ajustar seus movimentos do quadril e melhorar a mobilidade do movimento. Ele também deverá adequar sua evolução de treinamento, diminuindo o aumento da intensidade ou duração dos treinos.

3) Impacto Femoroacetabular (IFA)

Atletas sofrem bastante com lesões de quadril causadas por impacto. O impacto femoroacetabular está muito relacionado a um volume de treinamento alto, combinado com pouco descanso e período de recuperação inadequado.

Quem conhece o ritmo de treinamento da maioria dos atletas (incluindo atletas amadores), sabe que isso é frequente.

Atletas iniciantes e amadores são especialmente problemáticos e com maior tendência a desenvolver a lesão. Eles possuem um planejamento deficiente antes das provas e com pouco tempo para se preparar. Apesar de conseguirem adaptar o condicionamento cardiorrespiratório para a competição, suas estruturas musculares, articulares e os tendões não consegue se adequar à demanda.

Para aguentar o impacto que acontece durante a prática esportiva o corpo precisaria de uma excelente mecânica do movimento. Através dela seria possível absorver e dissipar a energia imposta e evitar danos às articulações.

Só para entender quanto é exigido do corpo nos esportes, na corrida o corpo sofre com impacto de 2 vezes seu peso corporal. Agora imagine um corpo com musculatura despreparada para estabilizar as principais articulações. Certamente essa pessoa sofreria uma lesão.

O impacto femoroacetabular acontece por causa de uma compressão excessiva que acontece entre o colo e a cabeça do fêmur. O contato entre as duas estruturas forma crescimentos ósseos que podem ser de tipo cam, pincer ou misto.

Tipos de Lesão no Impacto Femoroacetabular

O primeiro tipo de lesão, a CAM, aumenta o contato entre o fêmur e o acetábulo através de um crescimento ósseo anormal no colo/cabeça. O impacto acontece durante uma flexão, educação ou rotação interna do quadril.

As lesões do tipo Pincer são formações anormais na borda externa do acetábulo. Elas também fazem com que aconteça um contato maior entre as estruturas que pode levar à patologia.

As lesões do tipo CAM aparecem mais em homens e as de tipo Pincer são mais comuns nas mulheres. Além disso, existem as lesões mistas que apresentam características do tipo Pincer e CAM e estão presentes em cerca de 86% das pessoas sintomáticas.

Principais Sintomas do Impacto Femoroacetabular

O paciente com impacto femoroacetabular pode apresentar sintomas após ou durante a prática esportiva. Depois de fazer exercícios é normal sentir dor na parte superior da virilha ou na região lateral do quadril.

Também é possível sentir dor profunda na região do glúteo e dificuldade para realizar rotações. Muitos alunos sentem dificuldade para sentar após a prática de exercícios.

Outro sintoma comum é a rigidez articular que impede diversos movimentos. Mesmo com vários sintomas é possível que o aluno não seja diagnosticado com impacto femoroacetabular. Esses são sintomas comuns que podem ser confundidos com problemas em músculos flexores de quadril e até estiramento da virilha.

Normalmente o atleta sente desconforto após treino intenso de corrida, seguido de rigidez articular.

Estratégias para Prevenção

Para conseguir identificar a causa do impacto femoroacetabular precisamos realizar uma avaliação detalhada. O tratamento e a prevenção dependem do conhecimento das alterações estruturais do quadril.

Elas podem influenciar na opção de tratamento conservador.

Para evitar a dor e começar a tratar os sintomas, precisamos alterar a rotina de treinamento do atleta. Ele precisa evitar agachamentos mais profundos e movimentos de rotação excessiva do quadril. Essas são atitudes que ajudam a controlar os sintomas para conseguir realizar o tratamento.

Também devemos inserir exercícios nas aulas para melhorar a mobilidade e amplitude de movimento. Durante os exercícios, o atleta não deve realizar alongamento excessivo do quadril.

4) Disfunção Sacroilíaca (Dor Sacrolíaca)

Já falei bastante sobre a articulação sacroilíaca no meu blog, se você estiver interessado nas lesões de quadril relacionados à ela, pode até conferir um guia completo sobre o assunto.

O que precisamos saber é que, apesar da sua extrema estabilidade, a junção entre o osso sacro e ilíaco pode desenvolver lesões e patologias.

A dor causada pela disfunção sacroilíaca é facilmente confundida com dor lombar ou ciática. Isso acontece porque seus sintomas se irradiam na região lombar, apesar da origem estar na região do quadril. Por isso precisamos de uma boa avaliação antes de diagnosticar qualquer problema que cause dor lombar.

Prevenindo a Disfunção Sacroilíaca

Para conseguir prevenir a dor causada pela disfunção sacroilíaca precisamos entender o que causou o problema. Antes que o atleta aumente seu volume de treinamento, devemos realizar uma avaliação dos seus padrões de movimento.

A avaliação precisa acontecer em um ambiente controlado para conseguirmos controlar o treino e começar a fazer ajustes no movimento.

Também devemos trabalhar mobilidade de quadril e pelve. Para isso, utilize exercícios como os de Pilates e Yoga. Eles te ajudam a desenvolver a consciência corporal do aluno e a melhorar a ativação muscular. Os exercícios também ajudam a corrigir e evitar compensações em outras regiões do corpo.

Conclusão

Um atleta precisa de grande volume de treinos e treinamentos em alta intensidade para condicionar seu corpo a ponto de aguentar suas atividades. A competição pode ser uma atividade extremamente intensa que exige muito das articulações e musculaturas.

Porém, esse mesmo treinamento cheio de movimentos repetitivos pode ser uma das causas das lesões de quadril.

O profissional do movimento precisa reabilitar o aluno após a lesão e continuar com um trabalho preventivo. Para isso é necessário usar exercícios educativos para preparar padrões de movimento corretos.

Como resultado, o atleta terá mais qualidade na prática esportiva e também evitará precisar parar a prática por causa de uma lesão.

Mobilidade do Ilíaco – Como acontece e gera Desequilíbrios no Quadril e Membros Inferiores

Mobilidade do Ilíaco – Como acontece e gera Desequilíbrios no Quadril e Membros Inferiores

Quando estudamos as estruturas da cintura pélvica, encontramos uma articulação extremamente estável: a sacroilíaca. Ela é formada pelas superfícies do ilíaco e do sacro e possui diversos ligamentos mantendo sua estabilidade.

Apesar de ser tão estável, ela não é imóvel como muita gente parece imaginar. Na verdade, existe uma pequena mobilidade ilíaca.

O problema é que, mesmo pequena, essa mobilidade pode causar diversos problemas para o corpo.

Funções da Articulação Sacroilíaca

Considerando a localização da sacroilíaca conseguimos imaginar suas funções fundamentais para o movimento. A cintura pélvica é um complexo no qual se anulam duas forças importantes: a força peso normal e força solo.

Os dois ossos ilíacos e o sacro estão entre as estruturas responsáveis por anular e transferir essas forças. A partir dessa articulação as forças chegam na parte superior do corpo e na sínfise púbica.

O púbis se junta ao ísquio na parte medial do forame obturado. É nessa região que ele tem a inserção de diversos músculos mediais da coxa. Na face póstero inferior do ísquio temos fortes inserções ligamentares e musculares.

Também existe nessa região o acetábulo. Essa é a parte óssea côncava que é formada pela fusão dos ossos:

O acetábulo é aprofundado pelo lábio do acetábulo, um anel de fibrocartilagem com importante papel de estabilização.

Mobilidade Ilíaca

Mencionei na abertura desse artigo que existe sim uma mobilidade ilíaca responsável por diversos desequilíbrios no corpo. Ela é discreta, quase imperceptível, mas tem grande potencial para gerar desequilíbrios musculares, problemas posturais e até dor.

É essa mobilidade que condiciona a estática e dinâmica dos MMII (membros inferiores).

Uma parte de seu grande potencial para desequilíbrios vem das asas ilíacas. Essas estruturas possuem braços de alavanca que existem na região e atuam nas cadeias musculares do tronco e do membro inferior. As asas ilíacas possuem algumas mobilidades, que são:

  • Anterioridade e Posterioridade
  • Abertura e Fechamento

Quando estivermos avaliando um aluno lesionado, precisamos prestar atenção extrema aos ilíacos. Sua mobilidade determina o posicionamento da lesão, como explico em detalhes no meu curso de avaliação postural.

Analisando a mobilidade ilíaca conseguimos entender o posicionamento disfuncional da pelve também. O sacro também sempre acompanhará o ilíaco em disfunção.

Anterioridade do Ilíaco

A anterioridade acontece quando existe uma rotação anterior do ilíaco sobre a cabeça do fêmur. Quando a anterioridade do ilíaco acontece dos dois lados também observamos uma anteversão da pelve e aumento da lordose lombar.

Esse desequilíbrio tensiona o quadrado lombar, que leva a parte posterior da asa ilíaca para o alto. Também teremos um reto femoral tensionado, trazendo a parte anterior do ilíaco para baixo.

Observe os seguintes sinais durante sua avaliação:

  • Espinha Ilíaca Antero-Superior (EIAS) Baixa
  • Crista Ilíaca mais Baixa
  • Espinha Ilíaca Postero-Superior (EIPS) Alta
  • Descida do Púbis (Anterior)
  • Subida do Ísquio (Posterior)
  • Sacro se horizontaliza e fica mais alto

A anterioridade do ilíaco também gera tensão no quadríceps femoral, o que pode levar a alterações patelo-femorais e um recurvato do joelho. Esse processo de alteração fisiopatológica causa dores nos joelhos do aluno.

O membro inferior também fica em alongamento compensatório, fazendo com que a perna da lesão pareça aumentada.

Posterioridade do Ilíaco

Acontece quando existe uma rotação posterior do ilíaco sobre a cabeça femoral.

Se a posterioridade estiver presente nos dois ilíacos acontece a retroversão da pelve e uma consequente retificação da coluna lombar. O reto abdominal fica tensionado, o que leva a parte anterior da asa ilíaca para cima.

Os isquiotibiais em tensão tracionam a parte posterior da asa ilíaca para baixo. Os sinais importantes para a avaliação são:

  • Espinha Ilíaca Antero Superior Alta
  • Crista Ilíaca mais Alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior baixa
  • Subida do Púbis
  • Descida do Ísquio
  • Sacro verticaliza-se e fica mais baixo

Como o isquiotibial fica tensionado é possível existe um flexo do joelho e dor na região desse músculo. A tensão que acontece com a posterioridade do ilíaco aumenta em até 30 vezes a compressão nos discos intervertebrais.

Ela também gera um encurtamento compensatório do membro inferior e deixa a perna da lesão encurtada.

Abertura do Ilíaco

Na abertura do ilíaco encontramos glúteos tensionados, levando a parte superior da asa ilíaca para fora. O períneo também fica em tensão e traciona a parte inferior da asa ilíaca para dentro. Como resultado, os ísquios se aproximam.

Os músculos envolvidos são:

Encontraremos, portanto 3 (três) pontos anatômicos altos no exame clínico

  • Espinha Ilíaca Antero Superior Alta
  • Crista Ilíaca mais Alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior Alta
  • Aumento da Distância entre o Umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa Verticalização

Quando existe a abertura do ilíaco o membro inferior afetado fica em varo do joelho com um aumento de projeção do membro (alongamento compensatório).

Fechamento do Ilíaco

O transverso do abdômen fica tensionado durante o fechamento do ilíaco e é responsável por tracionar sua asa superior em direção à linha média. Os adutores do quadril tracionam a asa ilíaca inferior inferolateralmente.

Encontraremos portanto 3 (três) pontos anatômicos baixos no exame clínico. Os principais sinais de fechamento ilíaco são:

  • Espinha Ilíaca Antero Superior Baixa
  • Crista Ilíaca Baixa
  • Espinha Ilíaca Postero Superior Baixa
  • Diminuição da Distância entre o Umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa horizontalização

O fechamento do ilíaco é responsável por desenvolver um valgo de joelho no membro afetado. Também existe um encurtamento compensatório da perna.

Como o Ilíaco leva a Alterações da Pelve

As adaptações da pelve, como uma metade superior em abertura ilíaca e a metade inferior em fechamento ilíaco, acontece porque existe plasticidade nos ossos.

As cadeias musculares incentivam as alterações em relação ao plano visceral, que sempre são as prioridade do corpo.

É possível relaxarmos corretamente as cadeias musculares e ainda sim continuar com alterações de alongamento e encurtamento compensatório. Nesse caso teremos compensações no corpo a nível visceral.

Quando existem tensões viscerais teremos uma força centrípeta no corpo. Já as congestões viscerais geram uma força centrífuga. Confira abaixo as alterações viscerais que podem estar atingindo seu aluno de acordo com a região do desequilíbrio:

  • Cavidade abdominal/pelve maior compreende o mesocólon transverso, o fígado, os rins, o pâncreas, a vesícula, estômago e o baço.
  • Cavidade pelviana/pelve menor compreende o começo e o final dos intestinos, a bexiga,o útero e ovário para as mulheres e a próstata para os homens.

Portanto ao pensarmos nessas questões viscerais podemos dizer que:

  1. Quando a cavidade abdominal possui tensões (centrípetas) instala-se o fechamento ilíaco (estreitamento superior da pelve – ilíaco/pelve maior) =  FECHAMENTO ILÍACO
  2. Quando a cavidade pelviana possui tensões centrípetas, instala-se o fechamento pelviano
  3. Quando a cavidade abdominal possui congestão (centrifuga), entala-se a abertura ilíaca (pontos fixos trocanterianos) = ABERTURA ILÍACO
  4. Quando a cavidade pelviana possui congestão, instala-se a abertura pelviana (pontos fixos nos fêmur).

Conclusão

Através dessa análise da mobilidade ilíaca percebemos que existem diversas forças atuando na pelve. Temos as forças musculares unidas a essas outras forças causando desequilíbrios na mecânica corporal.

Sem resolvê-las corretamente o quadro de dor ou patologia do aluno dificilmente desaparecerá.

Portanto, dou ênfase em uma boa avaliação da posição e mobilidade ilíaca no corpo do aluno. Também precisamos considerar questões emocionais e viscerais que podem estar por trás da dor.

Só depois de analisar o corpo na globalidade estaremos prontos para solucionar as alterações mecânicas do paciente.

 

Referências
  • Busquet L. As cadeias musculares- membros inferiores. Vol 4. Ed. 2. Belo Horizonte; 2001
  • Cintas, Janaina. Cadeias Musculares do Tronco: Evolução biomecânica das principais cadeias. Sarvier. São Paulo, 2016.
  • Zambenedetti, H. W.; Oliveira, G.A.; Tamelini, B.H.M.; Junior, F.S.M. Escanometria dos Membros Inferiores: revisitando Dr. Juan Farill. Colégio Brasileiro de Radiologia e diagnostico por Imagem. Vol 40 n 2. Mar- Abr, 2007.
Como treinar a Fáscia? Saiba tudo sobre esse Órgão Sensorial!

Como treinar a Fáscia? Saiba tudo sobre esse Órgão Sensorial!

Um treinamento focado da rede fascial é de grande importância para os atletas, dançarinos e outros defensores do movimento. Se o corpo fascial for bem treinado, isto é, otimamente elástico e resiliente, pode-se confiar para que ele se desempenhe efetivamente e ao mesmo tempo poder oferecer um alto grau de prevenção de lesões (Kjaer et al., 2009).

Até recentemente, a maior parte da ênfase no esporte se concentrou na tríade clássica da força muscular, condicionamento cardiovascular e coordenação neuromuscular (Jenkins, 2005).

Algumas atividades de treinamento físico alternativas, como Pilates, Yoga, Movimento Contínuo e Artes Marciais, já estão levando conta da rede de tecidos conjuntivos. Aqui, a importância da fáscia é muitas vezes discutida especificamente, embora as ideias modernas no campo da pesquisa da fáscia não tenham sido especificamente incluídas.

Por conseguinte, sugere-se que, para construir uma rede de órgãos fasciais resistentes à lesões e elásticos, é imprescindível traduzir os conhecimentos atuais do campo em desenvolvimento dinâmico da pesquisa da fáscia em programas de treinamento prático.

A intenção é encorajar fisioterapeutas, instrutores esportivos e outros professores de movimento a incorporar os princípios apresentados aqui e aplicá-los ao seu contexto específico.

A seguir, apresentam-se alguns fundamentos básicos biomecânicos e neurofisiológicos para uma abordagem de treinamento orientado à fascia, seguidas de sugestões para algumas aplicações práticas.

Fundamentos Básicos para Treinamento da Fáscia

1) Remodelação Fascial

Uma característica reconhecida do tecido conjuntivo é a sua impressionante adaptabilidade: quando regularmente colocados sob uma tensão crescente ainda fisiológica, os fibroblastos inerentes ajustam sua atividade de remodelação da matriz, de modo que a arquitetura do tecido atenda melhor a demanda.

Por exemplo, através da nossa locomoção bípede diária, a fáscia no lado lateral da coxa desenvolve uma firmeza mais palpável que no lado medial. Esta diferença na rigidez do tecido dificilmente é encontrada nos pacientes com cadeira de rodas.

Se nós preferíssemos gastar a maior parte de nossa locomoção com nossas pernas sobre um cavalo, então aconteceria o contrário, ou seja, depois de alguns meses a fáscia no lado interno das pernas se tornaria mais desenvolvida e forte (El-Labban et Al., 1993).

As variadas capacidades dos tecidos conectivos colágenos fibrosos permitem que estes materiais se adaptem continuamente às cepas regulares mais desafiadoras, particularmente em relação às mudanças de comprimento, força e capacidade de cortar. Não só a densidade das mudanças ósseas, por exemplo, como acontece com os astronautas que passam o tempo em gravidade zero, onde os ossos tornam-se mais porosos (Ingber, 2008).

Os tecidos fasciais também reagem aos seus padrões de carregamento dominantes. Com a ajuda dos fibroblastos, eles lentamente, mas constantemente reagem à tensão diária, bem como a treinamento específico, remodelando constantemente a disposição de sua rede de fibra colágena (Kjaer et al., 2009).

Por exemplo, com cada ano que passa, metade das fibrilas de colágeno são substituídas em um corpo saudável (Neuberger e Slack, 1953). A extrapolação dessas dinâmicas de renovação exponencialmente predispostas prevê uma substituição esperada de 30% de fibras de colágeno no prazo de 6 meses e de 75% em dois anos.

Curiosamente, os tecidos fasciais dos jovens mostram ondulações mais fortes e chamados de crimpagem – dentro das suas fibras de colágeno, remanescentes de molas elásticas, enquanto que em pessoas mais velhas as fibras aparecem como bastante achatadas (Staubesand et al., 1997).

A pesquisa confirmou a suposição anteriormente otimista de que o exercício apropriado carregando e se aplicado regularmente pode induzir uma arquitetura de colágeno mais jovem, o que mostra um arranjo de fibras mais onduladas (Wood et al., 1988; Jarniven et al., 2002) e que também expressa uma capacidade de armazenamento elástica aumentada significativa (Fig. 2) (Reeves et al., 2006; Witvrouw et al., 2007).

No entanto, parece importar que tipo de movimentos de exercício são aplicados: um estudo de exercício controlado com um grupo de mulheres seniores que utilizam contrações de baixa velocidade e baixa carga demonstrou apenas um aumento na força e volume musculares.

Contudo, não conseguiu produzir qualquer alteração na capacidade de armazenamento elástico das estruturas colágenas (Kubo et al., 2003).

Embora a última resposta possivelmente possa estar também relacionada às diferenças de idade, estudos mais recentes de Arampatzis et al. (2010) confirmaram que, para produzir efeitos de adaptação nos tendões humanos, a magnitude da tensão aplicada deve exceder o valor que ocorre durante as atividades habituais.

Esses estudos fornecem evidências da existência de um limiar ou ponto de ajuste na magnitude da deformação aplicada na qual a transdução do estímulo mecânico influencia a homeostase tensional dos tendões (Arampatzis et al., 2007).

2) Mecanismo de Catapulta: Recuo Elástico de Tecidos Fasciais

Os cangurus podem pular muito mais do que podem ser explicados pela força da contração dos músculos das pernas.

Sob um exame mais minucioso, os cientistas descobriram o chamado “mecanismo de catapulta” (Kram e Dawson, 1998). Aqui, os tendões e a fáscia dos membros inferiores são tensionados como elásticos de borracha. O lançamento desta energia armazenada é o que torna possíveis os saltos surpreendentes.

Descobriram logo depois que as gazelas também utilizam o mesmo mecanismo e não era surpreendente. Esses animais também são capazes de saltar impressionantemente e correr, embora sua musculatura não seja especialmente poderosa. Pelo contrário, as gazelas são geralmente consideradas bastante delicadas, tornando ainda mais interessante a facilidade elástica de seus incríveis saltos.

Figura 2

Figura 2 – Maior capacidade de armazenamento elástico.

O exercício oscilatório regular, como a corrida rápida diária, induz uma maior capacidade de armazenamento nos tecidos tendinosos dos ratos, em comparação com seus pares não corredores.

Isso é expresso em um movimento de retrocesso semelhante a uma mola, como mostrado à esquerda. A área entre as respectivas curvas de carga versus descarga.

A possibilidade de exame de ultra-som de alta resolução possibilitou a descoberta de orquestração semelhante de carga entre músculo e fáscia no movimento humano.

Surpreendentemente, descobriu-se que as fáscias dos humanos têm uma capacidade de armazenamento cinética semelhante à dos cangurus e das gazelas (Sawicki et al., 2009). Isso não é apenas usado para pular ou correr, mas também em uma caminhada simples.

Uma parte significativa da energia do movimento vem da mesma elasticidade descrita acima. Esta nova descoberta levou a uma revisão ativa de princípios longamente aceitos no campo da ciência do movimento.

No passado, assumiu-se que, em um movimento articular muscular, os músculos esqueléticos envolvidos diminuem, e esta energia passa por tendões passivos, o que resulta no movimento da articulação.

Esta forma clássica de transferência de energia ainda é verdadeira e de acordo com essas medidas recentes é para movimentos estáveis, como o ciclismo. Aqui, as fibras musculares mudam ativamente de comprimento, enquanto os tendões e aponeuroses pouco crescem.

Os elementos fasciais permanecem bastante passivos. Isso contrasta com o movimento oscilatório com uma qualidade de mola elástica, em que o comprimento das fibras musculares muda pouco.

Aqui, as fibras musculares se contraem de forma quase isométrica (elas se endurecem temporariamente sem qualquer alteração significativa de seu comprimento), enquanto os elementos fasciais funcionam de forma elástica sem movimento. É esse alongamento e encurtamento dos elementos fasciais que principalmente “produzem” o movimento real (Fukunaga et al., 2002; Kawakami et al., 2002).

Figura 3

Figura 3 – Mudanças de comprimento de elementos fasciais e fibras musculares no treinamento muscular convencional (A) e em movimento oscilatório com propriedades elásticas de recuo (B).

Os elementos tendinosos elásticos (ou fascial) são mostrados como molas, as miofibras como linhas retas acima. Nota-se que durante um movimento convencional (A) os elementos fasciais não alteram significativamente o seu comprimento enquanto as fibras musculares mudam claramente o seu comprimento.

Durante movimentos como pular ou saltar, no entanto, as fibras musculares se contraem quase de forma isométrica, enquanto os elementos fasciais se alongam e encurtam como um elo elástico. Ilustração adaptada de Kawakami et al. (2002).

É interessante que a qualidade do movimento elástico em jovens esteja associada a um arranjo tipicamente bidirecional de sua fáscia, semelhante à meia de uma mulher (Staubesand et al., 1997). Em contraste, a medida que envelhecemos e geralmente perdemos a elasticidade em nossa marcha, a arquitetura fascial assume um arranjo de fibras mais aleatório e multidirecional.

Experimentos em animais também mostraram que a falta de movimento promove rapidamente o desenvolvimento de reticências adicionais nos tecidos fasciais. As fibras perdem a elasticidade e não se deslizam uma contra a outra como antes.

Em vez disso, eles ficam presos e formam adesões teciduais e, nos piores casos, realmente se tornam emaranhados juntos (Fig. 4) (Jarvinen et al., 2002).

O objetivo do treinamento fascial proposto é, portanto, estimular os fibroblastos fasciais a estabelecer uma arquitetura de fibra mais jovem com uma capacidade de armazenamento elástica semelhante a uma gazela. Isso é feito através de movimentos que carregam os tecidos fasciais em várias extensões enquanto utilizam a elasticidade elástica (Fukashiro et al., 2006).

Figura 4

Figura 4 – A arquitetura do colágeno responde ao carregamento.

Fáscia dos jovens (imagem à esquerda) expressa mais frequentemente uma clara orientação twodireccional (rede) da sua rede de fibra de colágeno. Além disso, as fibras de colágeno individuais mostram uma formação de crimpagem mais forte.

Conforme evidenciado por estudos em animais, a aplicação de exercícios apropriados pode induzir uma arquitetura alterada com maior crimpformação. A falta de exercício, por outro lado, demonstrou induzir uma rede de fibra multidirecional e uma formação de crimpagem reduzida (imagem direita).

3) Estiramento de Variações para Saúde Miofascial

Normalmente, os métodos de alongamento estático lento são distinguidos dos alongamentos dinâmicos rápidos. O alongamento dinâmico pode ser familiar para muitas pessoas, pois fazia parte do treinamento físico no início e meio do século passado.

Durante as últimas duas ou três décadas, esse alongamento “saltando” foi então assumido pela maioria dos educadores como menos benéficos, mas os méritos do método foram confirmados em pesquisas recentes.

Embora esticar imediatamente antes da competição pode ser contraproducente, parece que o uso prolongado e regular de tal alongamento dinâmico pode influenciar positivamente a arquitetura do tecido conjuntivo na medida em que ele se torna mais elástico quando executado corretamente (Decoster et al., 2005). Na verdade, quando praticados regularmente, o alongamento estático e dinâmico mostrou produzir melhorias de longo prazo em vigor, altura de salto e velocidade (Shrier, 2004).

Diferentes estilos de alongamento parecem atingir diferentes componentes do tecido fascial. FIG. 5 ilustra alguns desses diferentes tecidos alvo afetados por vários regimes de carga. O treinamento clássico de peso carrega o músculo em sua amplitude de movimento normal, fortalecendo assim os tecidos fasciais, que estão dispostos em série com as fibras musculares ativas.

Além disso, as fibras transversais em todo o envelope muscular são esticadas e estimuladas também. No entanto, pode-se esperar um pequeno efeito nas fáscias extramusculares, bem como nas fibras fasciais intramusculares dispostas em paralelo com as fibras musculares ativas (Huijing, 1999).

Figura 5

Figura 5 – Carregamento de diferentes componentes fasciais.

A) Posição Relaxada: As miofibras são relaxadas e o músculo está no comprimento normal. Nenhum dos elementos fasciais está sendo esticado.

B) Trabalho Muscular Habitual: Miofibras contraídas e músculos no intervalo de comprimento normal. São carregados lenços fasciais que estão dispostos em série com as miofibras ou transversais a eles.

C) Alongamento Clássico: Miofibras relaxadas e alongadas muscularmente. Os lenços fasciais estão sendo esticados e orientados paralelamente às miofibras, bem como a conexão extramuscular.

No entanto, os tecidos fasciais orientados em série com as miofibras não são suficientemente carregados, uma vez que a maior parte do alongamento naquela cadeia de força disposta em série é ocupada pelas miofibras relaxadas.

D) Alongamento Carregado Ativamente: Músculo ativo e carregado no alcance final longo. A maioria dos componentes fasciais estão sendo esticados e estimulados nesse padrão de carregamento.

Nota-se que existem várias misturas e combinações entre os quatro componentes fasciais diferentes. Esta abstração simplificada serve, portanto, apenas como uma orientação básica.

Por outro lado, os trechos clássicos de Hatha Yoga, nos quais as fibras musculares estendidas são relaxadas, mostrarão pouco efeito sobre os tecidos fasciais, que estão dispostos em série com as fibras musculares.

A razão é que, uma vez que as miofibras descontraídas são muito mais suaves do que suas extensões tendinosas dispostas em série, elas “engolirão” a maior parte do alongamento (Jami, 1992).

No entanto, esse alongamento lento e derretido promete proporcionar uma boa estimulação para os tecidos fasciais, que são dificilmente alcançados pelo treinamento muscular clássico, como a fáscia extramuscular e as fáscias intramusculares, orientadas em paralelo às miofibras.

Finalmente, um padrão de carregamento muscular dinâmico em que o músculo é ativado brevemente em sua posição prolongada promete a estimulação mais abrangente dos tecidos fasciais.

De acordo com exames recentes da síntese de colágeno em tendões carregados ciclicamente. O aumento resultante da produção de colágeno tende a ser amplo independente do volume de exercícios (repetições), o que significa que apenas algumas repetições são necessárias para produzir um bom efeito (Magnusson et al., 2010).

O treinamento de fáscia proposto, portanto, recomenda rebotes elásticos macios nas faixas finais do movimento disponível.

Além disso, recomenda-se a variação entre diferentes estilos de estiramento, incluindo alongamentos passivos lentos em diferentes ângulos, bem como trechos mais dinâmicos, para promover a facilidade de cisalhamento fácil entre camadas fasciais fisiologicamente distintas e para evitar a tendência de alcance de movimento limitado que geralmente acompanha envelhecimento (Beam et al., 2003).

4) Hidratação e Renovação

É essencial perceber que cerca de dois terços do volume de tecidos fasciais é constituído por água.

Durante a aplicação da carga mecânica – seja de forma esticada ou através de compressão local – uma quantidade significativa de água é expulsa das zonas mais estressadas, semelhante à espremendo uma esponja (Schleip et al., 2012a). Com o lançamento que se segue, esta área é novamente preenchida com novo fluido, que vem do tecido circundante, bem como a rede vascular local.

O tecido conjuntivo tipo esponja pode faltar hidratação adequada em locais negligenciados. A aplicação do carregamento externo aos tecidos fasciais pode resultar em uma hidratação atualizada desses lugares no corpo (Chaitow, 2009).

Muitas patologias – como condições inflamatórias, edema ou o aumento de acúmulo de radicais livres e outros produtos de resíduos, tende a acompanhar uma mudança para uma maior porcentagem de água em massa dentro da substância moída.

As indicações recentes de Sommer e Zhu (2008) sugerem que quando o tecido conjuntivo local é espremido como uma esponja e subsequentemente reidratado, algumas das anteriores zonas de água em massa podem então ser substituídas por moléculas de água ligadas, o que poderia levar a uma hidratação mais saudável para a fáscia.

Fáscia como Órgão Sensorial

A Fáscia contém um rico suprimento de nervos sensoriais, incluindo receptores proprioceptivos, receptores multimodais e terminações nervosas nociceptivas. Alguns tecidos fasciais, como as retináculas, contêm uma inervação sensorial mais rica do que outras.

Esses tecidos que foram encontrados para conter um fornecimento mais rico parecem poder detectar pequenas mudanças de direção angular no carregamento mecânico, enquanto que os tecidos menos densamente inervados, como o lacertus fibrosus (aponeurose bicipital), parecem estar especializados para um passivo mais unidirecional transmissões de força biomecânica apenas (Stecco et al., 2007, 2008).

Ao incluir os tecidos conjuntivos intramusculares, o periósteo e a fáscia superficial como parte da rede fascial do corpo largo como descrito acima, a fáscia pode então ser vista como um dos nossos órgãos sensoriais mais ricos.

É certamente nosso órgão mais importante para a propriocepção (Schleip, 2003).

É interessante notar que, durante a última década, os “receptores articulares” clássicos localizados em cápsulas articulares e ligamentos associados, têm demonstrado ser de menor importância para a propriocepção normal, uma vez que geralmente são estimulados apenas em intervalos extremos e não durante movimentos fisiológicos (Lu et al., 2005; Proske e Gandevia, 2009; Ianuzzi et al., 2011).

Pelo contrário, as terminações nervosas proprioceptivas localizadas nas camadas mais superficiais estão mais otimamente situadas, pois aqui mesmo pequenos movimentos da articulação angular levam a movimentos de estiramento ou cisalhamento relativamente distintos.

Os achados recentes indicam que as camadas fasciais superficiais do corpo são, de fato, muito mais densamente povoadas com terminações nervosas sensoriais do que os tecidos conjuntivos situados mais internamente (Benetazzo et al., 2011; Tesarz et al., 2011).

Em particular, a zona de transição entre a fáscia profunda e o tecido conjuntivo solto subdérmico parece ter a maior inervação sensorial (Tesarz et al., 2011).

Esta parece ser também a zona em que grandes movimentos de deslizamento ou cisalhamento entre as camadas fasciais parecem ocorrer durante movimentos extensivos multi-articulares, desde que não existam adesões patológicas nesta zona de transição (Goats e Keir, 1991).

Uma relação mutuamente antagônica entre dor miofascial e propriocepção freqüentemente foi descrita.

Expressões disso são a propriocepção local significativamente diminuída na dor lombar (Taimela et al., 1999) ou a diminuição do limiar de dor quando os nervos proprioceptivos são bloqueados experimentalmente (Lambertz et al., 2006). Além disso, foi mostrado por Moseley et al. (2008) que um aumento na propriocepção local pode diminuir significativamente a dor miofascial.

Muito provavelmente, a relação mutuamente inibidora entre a dor nos tecidos moles e a propriocepção fascial é facilitada através dos neurônios de dor ampla dinâmica (WDR) no corno dorsal da medula espinhal (Sandkuehler et al., 1997).

Curiosamente, a pesquisa de Moseley et al. (2008) também indicou que a entrada aferente periférica induzida terapêutica deve ser acompanhada por uma atenção consciente do paciente para produzir um efeito antinociceptivo de longo prazo.

Princípios de Treinamento

As seguintes orientações práticas são aplicações sugeridas com base nessas considerações biomecânicas e neurofisiológicas gerais.

Note-se que, dado as limitações básicas da anatomia humana e a longa e diversa história das explorações do movimento humano, nenhum dos movimentos sugeridos será completamente “novo”.

Na verdade, descobriu-se que muitos aspectos das práticas de movimento conhecidas – como ginástica rítmica, dança moderna, pliometria, gyrokinesis, chi corrida, yoga, Pilates ou artes marciais, apenas para citar alguns e conter elementos que são muito congruentes com as sugestões a seguir.

No entanto, essas práticas muitas vezes foram inspiradas por uma busca intuitiva de elegância, prazer e beleza, e/ou muitas vezes foram ligadas a conceitos de explicação teórica não relacionados à fáscia.

O novo aspecto da abordagem proposta é, portanto, desenvolver seletivamente as sugestões de treinamento, que visam especificamente uma renovação ótima da rede fascial (em vez de, por exemplo, tecidos musculares ou condicionamento cardiovascular) e que estão diretamente ligados aos pontos de vista específicos acima delimitados do campo de pesquisa da fáscia em rápido crescimento.

Conclusão

Como vimos na revisão traduzida na íntegra de vários artigos realizados por nomes incontestáveis do tecido fascial, o treinamento da fáscia traz o Pilates como uma excelente ferramenta de melhora para esse tecido. Portanto, abuse do Pilates!

Síndrome do Túnel do Carpo: Testes e Diagnóstico para o Tratamento

Síndrome do Túnel do Carpo: Testes e Diagnóstico para o Tratamento

A compressão do nervo mediano leva à uma série de patologias do membro superior. Entre elas temos a Síndrome do Túnel do Carpo, que acontece quando existe lesão ou compressão do nervo a nível do punho.

A síndrome possui diversos sintomas como impossibilidade de opor e abduzir o polegar, dor e alterações de sensibilidade.

Apesar de ser uma síndrome comum, o diagnóstico não é tão simples quanto parece. Seus sintomas muitas vezes são similares a outras patologias relacionadas ao nervo mediano.

Por isso, devemos conhecer os testes específicos para a Síndrome do Túnel do Carpo e saber identificar o problema. Vamos lá?

Testes e Diagnóstico para Síndrome do Túnel do Carpo

Existem algumas possibilidades de testes para conseguir diagnosticar a Síndrome do Túnel do Carpo.

Entre eles, temos no teste de Phalen um dos mais sensíveis. Eles nos dá resultados positivos em mais ou menos 80% dos pacientes. O teste consiste em manter o punho em flexão completa de 30 a 60 segundos. Se o paciente realmente tiver Síndrome do Túnel do Carpo, nesse teste ele apresentará os sintomas.

Também existe o sinal de Tinal, que é obtido com a percursão leve aplicada na prega flexora do punho. Mas seu diagnóstico é questionado e pode render um grande número de resultados falso-positivos.

Um sinal positivo mais confiável geralmente vem da compressão da região do punho sobre a região do osso pisiforme. Essa compressão piora os sintomas da síndrome.

Também precisamos considerar outras patologias que podem levar à alterações nas mãos, incluindo dor e perda de sensibilidade. Entre elas, precisaremos realizar testes para identificar:

Deveremos considerar condições relacionadas a essas outras patologias na hora do diagnóstico. Conhecê-las é essencial para conseguir diferenciar a Síndrome do Túnel do Carpo.

Na Síndrome do Desfiladeiro Torácico, a compressão predominante acontece a nível de C8-T1. Por causa disso acontece comprometimento de músculos inervados pelo nervo ulnar. Também observamos evidências de comprometimento do nervo mediano.

Uma lesão do nervo mediano que aconteça na altura do cotovelo gera comprometimento dos músculos flexores longos do polegar, pronador quadrado e flexor profundo dos dedos.

Já na Síndrome de Quervain acontece tenossinovite dos tendões de músculos abdutor longo e extensor curto do polegar. Os sintomas geralmente aparecem ao realizar movimentos repetitivos. Sintomas incluem dor e hiperestesia no punho mais próximo ao polegar.

Um bom teste para identificar a Síndrome de Quervain é o teste de Finkelstein. Ele faz com que os sintomas fiquem mais intensos quando o polegar é abduzido de maneira passiva.

Tratamento da Síndrome do Túnel do Carpo

Técnicas de mobilização do sistema nervoso (MSN) são usadas para melhorar o movimento e a elasticidade perdida do sistema nervoso (SN). A intenção é auxiliar o paciente a conseguir recuperar suas funções normais.

A técnica tem o princípio de que a existência do comprometimento do sistema nervoso leva à disfunções próprias do SN ou estruturas musculoesqueléticas inervadas pelos nervos comprometidos. Síndromes que causam a compressão ou tensão neural adversas, como a Síndrome do Túnel do Carpo, são bons exemplos de disfunções.

Para conseguir tratar e restabelecer a biomecânica ou fisiologia adequada do nervo, seria utilizado o movimento ou tensão. Assim, o profissional conseguiria recuperar a extensibilidade e função do SN e estruturas comprometidas na patologia.

Porém devemos lembrar que o nervo está sofrendo por ser comprimido. A compressão pode vir das próprias fáscias ou tensões musculares, que são casos mais comuns.

Apesar da mobilização do sistema nervoso servir como bom método diagnóstico, suas manobras podem irritar o tecido nervoso. É preciso utilizá-las com cuidado para que consigam cumprir sua função de reduzir a tensão neural e contribuir para resolver o quadro de dor e sintomas.

Sistema Nervoso Central (SNC) e Periférico (SNP)

Para conseguir avaliar corretamente a Síndrome do Túnel do Carpo precisamos entender melhor o funcionamento do sistema nervoso. A literatura mais tradicional costuma dividi-lo em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP). Devemos considerá-los como uma unidade, os dois formam um tecido contínuo.

A continuidade dos sistemas se dá das seguintes maneiras:

  • Mecanicamente – Existe a transmissão de forças e de movimentos através dos envoltórios conectivos;
  • Eletricamente – Os impulsos gerados em uma parte do sistema nervoso atingem o restante;
  • Quimicamente – Neurotransmissores periféricos e centrais são os mesmos e acontece um fluxo axoplasmático de substâncias.

Essa é a estrutura com maior conectividade em todo o corpo humano. Portanto, quando acontece estresse sobre o sistema nervoso periférico, ele será transmitido para o SNC. O contrário também acontece, tensões no SNC atingem o SNP.

O SN é um tecido contínuo que possui propriedades elásticas. Ele consegue encurtar-se ou alongar-se para se adaptar aos movimentos do corpo. Essa adaptação acontece enquanto as estruturas do SN realizam sua importante função de transmitir impulsos.

Existe um termo para descrever os aspectos mecânico e fisiológicos do SN, a neurodinâmica. Quando o tecido neural possui neurodinâmica normal, ele terá propriedades mecânicas e fisiológicas sem alterações.

Teste de Tensão do Membro Superior 1 (ULTT1)

Esse é um teste utilizado para avaliar a tensão do plexo braquial.

Realizamos o teste com o paciente posicionado em decúbito dorsal. O profissional deve realizar força para deprimir a cintura escapular do paciente. Para melhorar a eficiência do teste a pessoa precisa manter a cintura escapular em rotação lateral e abdução glenoumeral.

O cotovelo fica em extensão com supinação de radioulnar e extensão de punho de dedos. Também é preciso manter inclinação da cervical para o lado oposto.

Essas são as respostas normais do teste ULTT1:

  1. Alongamento profundo ou dor na fossa cubital, estendendo para baixo nos aspectos anterior e radial do antebraço e para o lado radial da mão;
  2. Sensação de formigamento dos primeiros quatro dedos;
  3. Alongamento na área anterior do ombro;
  4. Quando há inclinação da cervical para o lado contrário ao testado, aumenta os sintomas;
  5. Quando há inclinação da cervical para o lado testado, há redução de 70% dos sintomas.

Kleinrensink realizou um estudo com cadáveres que colocou o membro superior em 22 posições diferentes.

Nelas mantinha-se o cotovelo em extensão total e o punho em posição neutra. Tudo que se alterava era a posição do ombro, que alterou a tensão do nervo mediano.

Assim, chegou-se à conclusão de que abduzir o ombro a 90º com extensão de cotovelo e punho aumenta a tensão proximal e distal do nervo mediano. Essa extensão do punho e flexão de cotovelo também causa aumenta da tensão na região distal do nervo.

As posições também aumentaram a tensão dos nervos radial e ulnar. Ou seja, conseguimos sim utilizar a mobilização neural como diagnóstico e tratamento para a síndrome do túnel do carpo. Isso só é possível se tudo for realizado com cautela.

Conclusão

Patologias relacionadas ao nervo mediano como a Síndrome do Túnel do Carpo exigem um tratamento cuidadoso.

Não basta prestar muita atenção na liberação da compressão do nervo e na região próxima ao retináculo. Precisamos perceber as alterações e sintomas de alteração de sensibilidade para encontrar regiões de tensão importantes.

Após encontrá-las é preciso eliminar a tensão através das liberações do músculo no local. Assim, conseguimos rastrear as tensões e relaxar os pontos gatilho.

 

Referências Bibliográficas
1 – Classificação neurofisiológica da Síndrome do Túnel do Carpo
Neurophysiological classification of the Carpal Tunnel Syndrome
Fabrício Nunes Carvalho; Armando Pereira Carneiro; Régis Resende Paulinelli; Tanise Nunes Carvalho
2 – LIGAMENTO DE STRUTHERS E PROCESSO SUPRACONDILAR DO ÚMERO: ESTUDO ANATÔMICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
Edie Benedito Caetano, João José Sabongi Neto, Luiz Angelo Vieira, Maurício Ferreira Caetano, José Eduardo de Bona, Thais Mayor Simonatto
3 – MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO: avaliação e tratamento
Herculano Franco de Oliverira Junior, Áktor Hugo Teixeira
https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
4 – Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects.
Kleinrensink GJ1Stoeckart RMulder PGHoek GBroek TVleeming ASnijders CJ.
5 – Mobilization nervous system: assessment and treatment
Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury
Espondilolistese – Tudo que você precisa saber! (+9 Exercícios para aplicar)

Espondilolistese – Tudo que você precisa saber! (+9 Exercícios para aplicar)

08A terminologia espondilolistese, derivada do grego (spondylo = coluna/olisthesis = escorregamento), contempla conjunto de doenças que têm como principal característica o escorregamento de um corpo vertebral sobre o corpo vertebral adjacente, ou seja, de uma vértebra sobre a vértebra seguinte.

É a luxação de um corpo vertebral sobre outro, sendo uma das principais causas de instabilidade da coluna, chegando a atingir até 5% da população. Pode ter alguns sintomas, incluindo:

  • Dor Lombar
  • Dor Irradiada (Dor Ciática)
  • Dor nas Pernas ao Caminhar
  • Formigamento
  • Encurtamento dos Músculos Posteriores das Pernas
  • Perda de Força e Coordenação dos Movimentos
  • Incapacidade de Andar

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Classificação da Espondilolistese

Fonte: www.fisioterapia.com

A mais aceita é a classificação de Wiltse e Bradford que tem como diferencial a etiologia do escorregamento vertebral. As listeses são divididas em 5 grupos da seguinte forma:

  • Displásica – Anomalia da Porção Superior do Sacro ou do Arco de L5
  • Ístmica – Lesão do Istmo Vertebral por Fratura de Fadiga
  • Degenerativa – Secundária a Processo Degenerativo do Disco ou Articulação Intervertebral Posterior
  • Traumática – Fratura Aguda do Arco Posterior da Vértebra
  • Patológica – Enfermidade Óssea que Acomete o Arco Posterior (Tumor Ósseo, etc)

Estes deslizamentos vertebrais foram classificados por Meyerding conforme sua intensidade:

  • Grau I – 0 a 25%
  • Grau II – 25% a 50%
  • Grau III – 50% a 75%
  • Grau IV – 75% a 100%
  • Grau V – seria a pitose vertebral

Causas da Espondilolistese

  • Espondilolistese Degenerativa – ocorre em adultos e idosos, pois é provocada pelo desgaste das articulações facetárias, como parte do quadro de degeneração da coluna.
  • Espondilolistese Ístmica – ocorre por um defeito das articulações facetárias, que pode ser de natureza congênita ou devido a lesões ocorridas na infância. Como pode ser por uma má-formação congênita, a espondilolistese ístmica é comum na infância e adolescência.

Diagnóstico e Exame

Fonte: Adaptado de Netter (2003, p.146)

  • Raio-x
  • Ressonância Magnética

A coluna vertebral estende-se do crânio até o ápice (ponta) do cóccix. Em adultos, a maioria delas mede de 72 a 75 cm de comprimento, dos quais os discos intervertebrais compõem aproximadamente um quarto do comprimento total, separando e mantendo juntas as vértebras.

Composta por 33 vértebras que são divididas estruturalmente em 5 regiões ou segmentos. De cima para baixo, existem:

  • 7 Vértebras Cervicais
  • 12 Vértebras Torácicas
  • 5 Vértebras Lombares
  • 5 Vértebras Sacrais Fundidas Formando o Sacro
  • 4 Pequenas Vértebras Coccígeas Fundidas que Forma o Cóccix.
    • Atribui-se a ela proteger a Medula Espinal e a Saída dos Nervos Espinais;
    • Suportar o Peso do Corpo;
    • Fornecer um Eixo parcialmente Rígido e Flexível para o Corpo;
    • Pivô para a Cabeça;
    • Bem como exercer um Papel importante na Postura e Locomoção.

São possíveis diferentes graus de movimento entre vértebras adjacentes nas regiões cervical, torácica e lombar da coluna, devido à presença de diferenças estruturais e das costelas.

Dentro de cada região, duas vértebras adjacentes e os tecidos moles dispostos entre elas são conhecidos como um segmento móvel, que são considerados a unidade funcional da coluna vertebral. A coluna vertebral é essencialmente uma coluna composta de uma unidade funcional sobre a outra.

Essas unidades funcionais colocadas umas sobre as outras e equilibradas sobre o sacro mantêm a coluna ereta e em bom equilíbrio contra a gravidade. Sendo um segmento complexo a coluna vertebral é funcionalmente significativa do corpo humano, por proporcionar o elo mecânico entre membros superiores e inferiores, possibilitando os movimentos em todos os três planos.

Vértebra

Fonte: Miranda (2003, p.46)

Uma vértebra típica é constituída posteriormente por um anel oco, conhecido como arco neural ou vertebral, e diversos processos ósseos. Anteriormente encontra-se o corpo vertebral, que atua como principal componente da coluna vertebral, responsáveis pelo suporte do peso.

O corpo vertebral é a porção mais volumosa da vértebra, constituída basicamente de tecido esponjoso, revestido por uma fina camada de osso compacto.

É representado por um segmento cilíndrico irregular apresentando as faces superior e inferior, aplanadas, mas de contorno saliente para a implantação do disco intervertebral.

  • Face anterior, limitada por dois lábios, superior e inferior, que fornece inserção para o ligamento longitudinal anterior.
  • Face posterior, côncava no sentido transverso, provida de orifício, limitando o forame vertebral. Serve de fixação do ligamento longitudinal posterior.
  • O arco vertebral, composto de dois pedículos, duas lâminas, quatro processos articulares, dois processos transversos, um processo espinhoso.

Vértebra Padrão – Visão geral mostrando cada elemento anatômico

Miranda (2007, p.32) 

Unidade Funcional

Unidade funcional é o conjunto de dois corpos vertebrais separados pelo disco intervertebral.

Este disco é o que suporta o peso da coluna vertebral, bem como o do corpo e permite a inclinação e um pouco de rotação e balanceio. Dentro da coluna vertebral possui tecido sensível que, quando lesado, irritado, estressado ou doente faz com que o paciente sinta dor.

As duas vértebras de cada unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. As articulações entre corpos vertebrais adjacentes são do tipo sínfise, com discos fibrocartilaginosos intercalados, projetados para suportar peso e resistência.

Os discos intervertebrais proporcionam resistentes fixações entre os corpos vertebrais. Atuam como absorventes de choques e quando o tronco encontra-se ereto, as diferenças entre a espessura anterior e posterior dos discos, produzem as curvaturas lombar, torácica e cervical da coluna vertebral.

Cada disco intervertebral é composto de:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é composto por cerca de 90 faixas concêntricas de tecido colágeno ligadas entre si. As fibras anulares estão dispostas em camadas, semelhante ao que se observa em uma fatia de cebola. Elas envolvem e incluem a parte central, o âmago do disco, denominado núcleo.

Se observadas lateralmente, essas fibras são dispostas de tal modo que a primeira camada de fibras vai em direção oblíqua de uma vértebra para outra e a camada seguinte vai de uma vértebra à outra em direção oposta, fazendo com que cada camada de fibras dirija-se em direção oposta se cruzando e entrelaçando.

Esse arranjo fortifica o anel do disco, permitindo que a vértebra mova-se em qualquer direção.

O núcleo de um disco jovem e saudável é composto por cerca de 90% de água, o restante é constituído de colágeno e proteoglicanos, materiais especializados que quimicamente atraem água.

Sob o aspecto mecânico, o anel fibroso atua como uma mola em espiral cuja tensão mantém unidos os corpos vertebrais contra a resistência do núcleo pulposo. Já o núcleo pulposo age como um rolamento contendo um gel incompressível.

Disco Intervertebral: Núcleo Pulposo e Anel Fibroso

Fonte: Miranda (2007, p.58)

Sistema Ligamentar

Diversos ligamentos sustentam a coluna, contribuindo para a estabilidade dos segmentos móveis.

O potente ligamento longitudinal anterior é uma forte e larga faixa fibrosa que cobre e conecta as faces ântero-laterais dos corpos 21 vértebras e os discos intervertebrais, nas regiões cervical, torácica e lombar.

A ele cabe o papel de manter a estabilidade das articulações entre os corpos vertebrais e impedir a hiperextensão da coluna vertebral. Juntamente com a musculatura em torno da coluna, fornece um condição pré-carga à coluna, ajudando na estabilização durante o movimento de levantamento de peso.

O ligamento longitudinal posterior é uma faixa mais estreita e mais fraca que o ligamento longitudinal anterior, passa dentro do canal vertebral ao longo da face posterior dos corpos vertebrais de C2 até o sacro, ajudando a impedir, agindo como um “freio” acessório à hiperflexão da coluna vertebral.

O ligamento supra espinal se insere nos processos espinhosos em toda extensão da coluna, tendo um aumento significante na região cervical, onde é referido como ligamento nucal ou do pescoço.

As vértebras tem conexões adicionais entre os processos espinhosos, os processos transversos e as lâminas supridos respectivamente pelos ligamentos interespinais, intertransversais e amarelos.

Curvaturas Vertebrais

A coluna vertebral de um adulto possui quatro curvaturas:

  1. Cervical
  2. Torácica
  3. Lombar
  4. Sacral

As curvaturas fornecem um suporte flexível (resiliência a absorção de choque no corpo).

As curvaturas torácica e sacral (pélvica) são côncavas anteriormente e presentes desde o nascimento, são referidas como curvaturas primárias, se desenvolvem durante o período fetal e são causadas devido à diferença de altura da parte anterior e posterior das vértebras.

As curvaturas cervical e lombar são côncavas posteriormente, desenvolvem-se em decorrências da sustentação do peso em uma posição ereta, depois que a criança começa a sentar e levantar. Como estas curvaturas não estão presentes desde o nascimento, são denominadas curvaturas vertebrais secundárias.

Apesar de as curvaturas cervical e torácica se alterarem muito pouco durante o crescimento, a curvatura lombar aumenta cerca de 10% entre os 7 e os 17 anos de idade. A curvatura vertebral (postura) é influenciada pela hereditariedade, condições patológicas, estado mental do indivíduo e forças as quais a coluna é submetida habitualmente.

Ainda que assim como os ossos passam por processos de modelamento e remodelamento em resposta a magnitude das forças que agem sobre eles, as curvaturas da coluna vertebral podem se alterar devido às forças assimétricas que são habitualmente submetidas.

Diversos fatores podem influenciar para uma anormalidade nas curvaturas da coluna vertebral. Um aumento exagerado da curvatura lombar, ou lordose, em geral é associado à fraqueza dos músculos abdominais e inclinação anterior da pelve.

As causas de lordose incluem deformidade vertebral congênita, fraqueza na musculatura abdominal, maus hábitos posturais e o excesso de treinamento em esportes que exigem a hiperextensão lombar repetitiva, como por exemplo, ginástica, arremesso de dardos, nado borboleta e patinação artística.

Outras anormalidades nas curvaturas da coluna são:

  • Cifose (aumento exagerado da curvatura torácica) dando o aspecto corcunda no indivíduo e a escoliose caracterizada pelo(s) desvio(s) lateral(is) na curvatura vertebral.

Curvaturas Vertebrais Anormais

Fonte: Hall (2009, p.286)

Movimentos da Coluna Vertebral

A flexão é a inclinação da coluna anteriormente, ampla nas regiões cervicais e lombares, porém devido à presença das costelas, esterno e clavículas, é reduzida no segmento torácico, evitando uma compressão dos órgãos toracolombares.

A extensão é a flexão posterior da coluna, denomina-se hiperextensão quando a coluna arqueia-se posteriormente a partir da posição anatômica, apresenta maior amplitude na coluna cervical e lombar, sendo limitada pelos processos espinhosos na coluna torácica.

A flexão lateral ou inclinação lateral é o movimento da coluna no plano frontal, inclinando-se para a direita e para a esquerda, tendo sua maior mobilidade na região cervical. O movimento para a direita e para a esquerda no plano horizontal é denominado rotação, sendo bem livre na coluna cervical e nas porções superiores da coluna torácica e geralmente bem limitada na coluna lombar.

Músculos da Coluna Vertebral

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.86-87)

Os músculos do pescoço e do tronco são designados aos pares, sendo um localizado no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo. Quando atuam de maneira unilateral, esses músculos podem ser responsáveis pela flexão lateral e/ou rotação do tronco e pela flexão e extensão quando agem bilateralmente.

Principais músculos atuantes na coluna lombar, tendo como base o estudo funcional (mecânico), dividindo os músculos em três grandes grupos:

  • Anterior
  • Posterior
  • Lateral

Grupo Anterior

No grupo anterior, na região toracolombar, encontram-se os seguintes músculos do abdome:

O músculo reto abdominal é longo, estendendo-se do tórax ao púbis, sendo 3x mais largo superiormente do que inferiormente, estreito e espesso na sua porção inferior e largo e fino na porção superior.

O comprimento, a força, o enduro e a coordenação dos músculos abdominais possuem grande importância para todas as funções do terço inferior da coluna. São quatro os principais músculos da parede abdominal, e antes de tudo, um flexor da coluna lombar, além de provocar um movimento de inclinação da bacia para cima.

Os músculos abdominais são de suma importância para a estabilização do tronco e da coluna, protegendo-a quando a mesma é exigida, comparam-na com um cilindro capaz de “pressurizar” para realizar essa estabilização.

Os músculos da parede abdominal também formam o arcabouço muscular para as paredes anterior e lateral do “cilindro” representado pelo tronco, onde a parede posterior do cilindro é formada pelos músculos extensores da coluna, o teto pelo diafragma e o assoalho pela musculatura do assoalho da pelve.

Durante o preparo para o levantamento de um objeto pesado e durante a manobra de Valsalva, este cilindro deixa a cavidade abdominal temporariamente “pressurizada”, de modo a manter a de modo a manter a coluna relativamente rígida.

Músculo Reto do Abdome

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.116) e Valerius et al. (2005, p.278)

Origem: Face anterior da 5ª a 7ª cartilagens costais e processo xifoide.

Inserção: Crista do púbis

Ação: Estando o ponto de apoio (fixo) no púbis, atua como potente flexor da coluna vertebral torácica. Se o ponto fixo estiver nas costelas e processo xifoide, promove uma retroversão na pelve.

Ação Unilateral: Flexão lateral para mesmo lado. E intervém na micção, na evacuação, na expiração, no vômito e no parto.

Músculo Oblíquo Externo do Abdome 

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.117) e Valerius et al. (2005, p.280)

O músculo oblíquo externo do abdome, é o maior e mais superficial dos músculos da parede abdominal. Situado ântero-lateralmente, com suas fibras orientadas obliquamente no sentido ínfero-medial.

Origem: Margem inferior e face anterior da 5ª à 12ª costela.

Inserção: Tubérculo púbico, crista púbica, lábio externo da crista ilíaca, ligamento inguinal e linha alba.

Ação: Bilateralmente, flexiona a coluna aplicando força na inserção proximal. Estando a pelve fixa, promove rotação do tronco para o lado oposto da contração. Com o tronco fixo, executa rotação da pelve para o mesmo lado da contração. Unilateralmente inclina a pelve do mesmo lado ou flexiona lateralmente a coluna para o mesmo lado.

Auxilia na “compressão abdominal” durante a defecção, micção, vômito e no trabalho de parto. Importante na expiração forçada. E com ponto fixo nas costelas promove a retroversão da pelve. O músculo oblíquo interno do abdome, situa-se logo abaixo do oblíquo externo, formando ângulos quase retos com as fibras do oblíquo externo.

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Músculo Interno do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.282)

Origem: Fáscia toracolombar e margem superior da crista ilíaca.

Inserção: Margem inferior das três ultimas costelas, linha alba e púbis.

Ação: Bilateralmente, resulta na flexão da coluna vertebral. Unilateralmente, promove uma flexão lateral da coluna para o mesmo lado. A pelve estando fixa, executa rotação do tronco para o mesmo lado. Estando o tronco fixo, executa a rotação da pelve para o lado oposto. Auxilia na defecção, micção, expiração e no trabalho de parto.

O músculo transverso do abdome, fica localizado abaixo do oblíquo interno, tem seu nome derivado da direção de suas fibras, que ocorrem horizontalmente. Tem como principal ação comprimir e suportar as vísceras. O músculo transverso do abdome é o músculo de localização mais profunda e forma uma espécie de cinto horizontal entre as suas inserções na fáscia toracolombar

Músculo Transverso do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.285)

Origem: Cartilagens costais de 6ª à 12ª costelas e processos costiformes das vértebras lombares.

Inserção: Linha alba.

Ação: Efetua rotação do tórax em relação à pelve do mesmo lado. Pode estreitar a abertura inferior do tórax, na sua parte superior, em casos de contração bilateral tendo assim ação respiratória. Aumenta a pressão intra-abdominal durante a contração da parede abdominal, em especial durante e o parto, a micção, e defecção, bem como a retração ou encolhimento da parede abdominal.

Grupo Posterior

Os grupos musculares das regiões torácica e lombar são os potentes eretor da espinha (sacroespinal), o semi-espinal (da cabeça, da cervical e do tórax) e os músculos espinais profundos (multífidos, rotadores, interespinais, intertransversários, levantadores de costelas).

Os músculos eretores da espinha são os principais extensores e hiperextensores do tronco. Quando se contraem bilateralmente, todos os músculos da região posterior do tronco contribuem para a extensão e hiperextensão. Já quando se contraem unilateralmente, contribuem para a flexão lateral.

De forma simplificada para apresentar origem, inserção e ação dos músculos citados apresenta-se a quadro a seguir:

Músculos do Grupo Posterior

Fonte: Hall (2009, p.290)

Grupo Muscular dos Eretores da Espinha

Fonte: Hall (2009, p.293)

Grupo Muscular dos Semi-Espinais

Fonte: Hall (2009, p.294)

Grupo Muscular dos Espinais Profundos

Fonte: Hall (2009, p.294)

O grupo lateral é composto por dois músculos, são eles: quadrado do lombo e iliopsoas.

O músculo quadrado do lombo contrai-se fortemente no lado do membro inferior em movimento e auxilia o músculo glúteo mínimo, do lado do membro inferior de apoio, a impedir o abaixamento da pelve do lado do membro inferior em movimento. É um músculo que faz parte da parede abdominal posterior, situado profundamente, estendendo-se da crista ilíaca até a última costela.

O músculo quadrado lombar sendo um músculo fino e chato que atravessa o espaço entre a crista ilíaca e a décima segunda (última) costela e os processos transversais das vértebras lombares.

Graças a sua orientação funciona de forma semelhante aos músculos eretores profundos do tronco, onde se localizam imediatamente abaixo. Juntamente com o ligamento Iliolombar, o músculo quadrado lombar conseguem estabilizar passiva e dinamicamente a coluna lombar no plano frontal.

Músculo Quadrado do Lombo

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.147) e Valerius et al. (2005, p.286)

Origem: Crista ilíaca e ligamento iliolombar.

Inserção: Margem inferior da 12ª costela, face ântero-lateral do processo transverso de todas as vértebras lombares.

Ação: Flexão lateral do tronco para o mesmo lado, elevação da pelve para o mesmo lado da contração, a contração bilateral produz extensão da coluna lombar e báscula anterior na pelve além de atuar na expiração forçada. O conjunto iliopsoas está situado quase totalmente na cavidade abdominal, porém será abordado sua função sobre a coluna vertebral, estando o ponto de apoio no fêmur.

Músculos Psoas Maior, Psoas Menor e Ilíaco (Iliopsoas)

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.145) e Valerius et al. (2005, p.144)

Origem: Face anterior do processo transverso de todas as vértebras lombares e face lateral do corpo vertebral e disco intervertebral da décima segunda vértebra torácica e de todas as vértebras lombares. Dois terços superiores a fossa ilíaca, lábio interno da crista ilíaca, ligamentos sacroilíacos anterior e iliolombar.

Inserção: Trocânter menor do fêmur.

Ação: Executa a inclinação lateral da coluna, para o mesmo lado. Rotação da coluna para o lado oposto da contração, flexão da coluna toracolombar sobre a pelve e flexão e adução do quadril. Dá-se um destaque ao músculo grande psoas, que se insere na face dos processos transversais da coluna lombar, nos corpos vertebrais e nos discos intervertebrais, dirige-se para baixo, onde se junta com o músculo ilíaco, passando a seguir por cima do ramo pubiano até se inserir no trocanter menor do fêmur.

A movimentação dos membros inferiores afeta a coluna lombar. Tanto a rotação interna quanto a hiperextensão do fêmur aumentam a tensão do músculo grande psoas, isto aumenta por sua vez a forçar tangencial anterior sobre a coluna lombar, graças a inserção do músculo grande psoas.

A força de compressão exercida por esse músculo entre dois segmentos durante sua contração, contração essa que aumenta a estabilidade dos segmentos lombares graças a dois mecanismos principais. Primeiro o auxílio na fixação das articulações da coluna lombar, contribuindo portanto, para o mecanismo de bloqueio entre duas vértebras e segundo aumentando a pressão no interior do disco.

A importância do músculo grande psoas como um dos principais estabilizadores da coluna lombar é evidenciada ainda pelo fato de ele apresentar atividade eletromiográfica em praticamente todas as posturas e movimentos da coluna lombar

Espondilolistese

A espondilolistese é geralmente associada a uma progressão da espondilólise, definida como um defeito com descontinuidade óssea do segmento intervertebral, região da lâmina entre os processos articulares superiores e inferiores.

Espondilólise e espondilolistese são duas condições que envolvem mudanças diretamente na vértebra. Esse defeito na parte posterior da vértebra lombar é denominado espondilólise. Essa lesão pode ocorrer por desgaste das articulações responsáveis pela sustentação, ou defeito na parte posterior da vértebra.

Espondilolistese pode ser definida resumidamente como uma deformidade em que uma vértebra desliza sobre a outra e provoca um desalinhamento da coluna.

Espondilólise e Espondilolistese

Fonte: Miranda (2007, p.235) Com Modificações

Espondilolistese é um deslocamento anterógrado da quinta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre o sacro ou menos comumente, da quarta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre a quinta vértebra lombar.

Em aproximadamente 85% dos casos, a quinta vértebra lombar é deslocada sobre o sacro. Um defeito bilateral na porção interarticular com deslizamento vertebral constitui um distúrbio adquirido que resulta de fraturas por estresse podem ser observados em uma maioria dos casos.

A hiperlordose pode ser revelada através de exame da coluna vertebral. Nos casos mais graves, observa-se ainda um degrau palpável entre os processos espinhosos L4 e L5 quando a vértebra L5 desliza para frente sobre o caso.

Levando-se em conta que o defeito ocorre na porção interarticular, os arcos posteriores, que inclui o processo espinhoso de L5, permanece no local enquanto os ligamentos anteriores deslizam para frente. A espondilólise é uma condição que afeta a vértebra na qual ocorre, primeiro uma fratura por tensão.

Essa fratura ocorre na área da porção interarticular (parte entre o processo articular inferior e superior em um lado da vértebra). A ocorrência da espondilolistese é maior na coluna lombar, em especial entre as vértebras L5-S1, predispondo a lombalgia, sobretudo em crianças e adolescentes.

Estudos epidemiológicos apontam que sua incidência está relacionada com idade, herança genética, gênero, raça e nível de atividade, manifestando-se frequentemente durante o crescimento entre os 8 e 20 anos. Tem o risco declinado na meia idade e um ligeiro aumento entre os 60 e 80 anos.

Atividades que requerem hiperextensão ou hiperflexão da coluna lombar aumentam o risco de espondilólise/listese.

Embora essa condição muitas vezes se desenvolva cedo na adolescência, normalmente não é detectada até a idade adulta. Crianças e adolescentes geralmente suportam a dor lombar por muitos anos antes de serem avaliadas por um médico.

Em seu estudo de revisão Jassi et al. (2010), apontam que a espondilolistese é classificada em cinco categorias baseadas na sua etiologia:

  1. Displástica
  2. Ístimica
  3. Degenerativa
  4. Traumática
  5. Patológica Conforme

Fonte: Dickson, 1998; Earl, 2002; apud JASSI et al. 2010)

O diagnóstico definitivo é feito pelo exame radiológico, com o defeito visualizado nas radiografias de perfil e oblíqua, tiradas na posição ortostática, pois os deslizamentos podem ser corrigidos e deixam de ser percebidos em decúbito dorsal.

Sintomas

Quanto aos sintomas, geralmente espondilolistese é assintomática, porém dor lombar e ciática bilateral até as nádegas ou face posterior das coxas podem se manifestar. A dor é leve ou moderada inicialmente e se agrava com movimentos de extensão e rotação.

A progressão da patologia resulta em tensão dos isquiotibiais, retroversão da pelve, fraqueza dos músculos abdominais e postura flexionada dos quadris e joelhos. Graus mais severos de espondilolistese podem ser acompanhados de sintomas neurológicos, normalmente do tipo displástico, no qual as raízes do nervo lombosssacro podem ser comprimidas atrás da face póstero-superior do sacro.

Além disso, algum grau de dor radicular não é incomum na espondilolistese ístmica de longa data. Denota-se que em torno de 50% a 90% de indivíduos adultos apresentam quadros de dor na coluna vertebral em especial na região lombar (lombalgia) em algum momento de suas vidas, sendo a principal causa de incapacidade em sujeitos com menos de 45 anos de idade.

O principal sintoma que acomete os indivíduos com espondilolistese é a lombalgia.

Tratamento

Deve iniciar com um tratamento conservador antes de uma indicação cirúrgica.

Onde esse tratamento deve visar uma educação do paciente, orientando-o com relação aos medicamentos para controle da dor, os exercícios de alongamento e à estabilização da musculatura lombar em conjunto com um trabalho cognitivo.

Estudos que acompanham sujeitos com lombalgia durante seis meses a dois anos demonstraram que 40% a 44% apresentam cronificação da dor e que 1% a 3% requer tratamento operatório (IMAMURA; KAZIYAMA; IMAMURA, 2001). O tratamento conservador tem sido a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, a fim de tratar as dores lombares, restaurar a amplitude de movimento e a função, além de fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

O tratamento não-cirúrgico é a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, com ou sem sintomas neurológicos, além de ser a principal forma de tratamento das dores lombares. Não há, entretanto, estudos prospectivos randomizados que estabeleçam um protocolo ideal de tratamento.

Na maioria dos casos sintomáticos de espondilólise e espondilolistese o tratamento conservador é recomendado para reduzir a dor, restaurar a amplitude de movimento e a função, e para fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

Exercícios para Espondilolistese Lombo Sacral e Sintomas

O exercício físico como forma terapêutica é altamente desejável e realístico para a restauração da área afetada, essa afirmativa implica que o exercício é dirigido principalmente para a deficiência funcional do trauma. O exercício físico é uma forma poderosa para recuperar a força, a resistência, a flexibilidade, além da mobilidade.

Um importante fator de proteção à coluna é a prática dos exercícios resistidos associados a alongamentos específicos.

A prática da musculação torna a pessoa mais forte, mas a probabilidade de lesões na sua prática existem, portanto, a seleção dos exercícios, o volume e intensidade destes exercícios podem, se não prescritos adequadamente, contribuir para desordens da coluna.

Um exemplo é a realização de retroversão da pelve durante exercícios para a coluna lombar, que aumenta o risco de lesão por comprimir as articulações e aumentar a carga nas estruturas passivas.

Exercícios adequados para indivíduos portadores de espondilolistese lombo sacral e seus sintomas, em especial seu principal sintoma, a lombalgia. É necessário observar o padrão de controle correto e o recrutamento tônico das fibras, sem que se note fadiga. O paciente não deve sentir dor e a respiração deve ser normal. A contração deve se manter por 10 segundos e ser repetida 10 vezes.

Exercício 1

Posição de Quatro Apoios sem Contração

Posição de Quatro Apoios com Contração

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar e reto do abdome.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído e respiração calma.

O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos. Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Há posições que se consegue isolar músculos específicos em isometria e simultaneamente relaxar os globais mantendo a coluna em posição neutra. Sugere-se este exercício como ideal para o aprendizado da contração da parede abdominal e da manutenção da posição em isometria de forma mais fácil.

Exercício 2

Contração do Transverso do Abdome em Decúbito Dorsal

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito dorsal, o paciente deve fletir os joelhos e apoiar os pés, a partir desta posição levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar, mantendo o abdome contraído e uma respiração calma. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 3

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores e apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e elevar a pelve no momento da expiração. Manter a posição com o abdome contraído e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 4

Decúbito Dorsal com Elevação dos Membros Inferiores

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome, reto da coxa e iliopsoas.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores, apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído enquanto os membros inferiores são retirados do chão. Manter a flexão dos quadris e joelhos a 90º  e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 5

Quatro Apoio com Elevação dos Membros Inferiores Alternadamente

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído. A partir desta posição, retirar alternadamente os membros inferiores do apoio e mantê-los em extensão. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios para cada membro inferior

Exercício 6

Prancha Frontal

Objetivo: Recrutar os músculos abdominais superficiais, profundos e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito ventral deve-se realizar uma “ponte”, onde o apoio superior são os antebraços e o apoio inferior é a ponta dos pés, devendo-se deixar a coluna bem alinhada e o os músculos do abdome bem contraídos.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 7

Prancha Lateral

Objetivo: Recrutar os músculos estabilizadores laterais, em especial o quadrado lombar, otimizando a ativação lateral e minimizando a sobrecarga na coluna lombar.

Descrição: O paciente deve se colocar lateralmente ao solo, realizar apoio com um dos braços e inicialmente com os joelhos, deixando o corpo todo alongado, em um nível mais avançado deve estabelecer o ponto de apoio nos pés, mantendo sempre sua coluna alinhada e a musculatura abdominal bem contraída.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 8

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e iliopsoas.

Descrição: Paciente mantem em decúbito dorsal com joelhos fletidos e bola entre as coxas, solicita-se ao paciente que durante a inspiração a coxa mantém-se parada e durante a expiração ocorrem os movimentos de adução e abdução de coxo femoral, apertando a bola, mantendo a contração infra umbilical.

Exercício 9

Alongamento dos Paravertebrais Lombares

Objetivo: Promover alongamento dos músculos eretores lombares, músculos dos glúteos e isquiotibiais.

Descrição: Em decúbito dorsal com os joelhos fletidos e pés apoiados, o paciente deve abraçar os joelhos de modo que a porção anterior da coxa se apoie no peito e fazendo elevação do sacro do ponto de apoio.

Deve-se manter na posição entre 30 e 60 segundos e repeti-la por 3 vezes.


Este artigo foi co-escrito por Tayna Bortone, Fisioterapeuta e integrante da Equipe Janaína Cintas.

  • Pilates
  • Treinamento Funcional
  • Massoterapia

 

Referências
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  • LIZIER, D. T.; PEREZ, M. V.; SAKATA, R. K. Ejercicios para el Tratamiento de la Lumbalgia Inespecífica. Rev. Bras Anestesiol, v. 62, n. 6, nov./dez. 2012. MACHADO, G. F.; BIGOLIN, S. E. Estudo comparativo de casos entre a mobilização neural e um programa de alongamento muscular em lombálgicos crônicos. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 23, n. 4, p. 545-554, out./dez. 2010.
  • MOHRIAK, R. et al. Espondilólise espondilolistese em ginastas jovens. Rev. Bras. Ortop., São Paulo, v. 45, n. 1, p. 79-83, 2010
  • MOREIRA, M. R. et al. Estudo da estabilização lombar através da utilização stabilizer como instrumento de biofeedback de treinamento muscular. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 9; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 5., 2011. Paraíba. Anais eletrônicos… Paraíba, 2011.
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  • Silva ACLG, Mannrich G. Pilates na reabilitação: uma revisão sistemática. Fisioter Mov. 2009
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