5 Cadeístas que você precisa conhecer!

5 Cadeístas que você precisa conhecer!

O conhecimento das cadeias musculares e da globalidade do corpo é essencial para conseguirmos melhorar nosso atendimento. Ele só foi atingido graças ao trabalho incansável de diversos cadeístas que trouxeram os conceitos que usamos até hoje nos mais variados tipos de tratamentos.

Conheça 5 cadeístas que moldaram a visão atual de cadeias musculares e entenda um pouco mais do seu trabalho!

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1) Tom Myers

Ao estudar as cadeias musculares encontramos os trabalhos de Tom Myers sobre as linhas do braço. O autor expôs seu conceito na obra Trilhos Anatômicos. É nele que Myers descreve as linhas, que ele denomina de trilhos anatômicos.

Apesar de existirem diversos conceitos mostrados na obra, aqui só vamos discutir as linhas do braço. Elas possuem diversas funções no corpo, incluindo postural e de movimento.

Sua principal função é postural por causa do seu peso e diversas ligações com atividades diárias.

A tensão que existe na parte do cotovelo afeta o meio das costas. Já um ombro mal posicionado pode levar a uma resistência significativa sobre:

  • Costelas
  • Pescoço
  • Função Respiratória
  • Outros

Conseguimos compreender melhor as linhas do braço quando entendemos as funções dos membros superiores. Eles estão envolvidos em diversas atividades diárias. Isso inclui movimentos bem simples como puxar uma cadeira para sentar, até levar o alimento à boca e pentear os cabelos, o que envolve muito os membros superiores.

Existem linhas que exercem a função de estabilizar e permitir mobilidade durante esses movimentos. Existem diversas compensações posturais que estão relacionadas às linhas do braço. Elas provocam várias disfunções do ombro e também acontecem no braço e mãos.

Os ombros com compensações costumam estar:

  • Protraídos
  • Retraídos
  • Levantados ou “Curvados”
  • Rotação Medial
  • Inclinação Anterior da Escápula (MYERS, 2016, PAG 175)

Outras falhas posturais e de sustentação na cadeia levam a:

  • Lesões na Região do Túnel do Carpo
  • Lesões no Cotovelo e Ombro
  • Dor Muscular
  • Pontos-Gatilho

2) Madame Mezieres

A segunda dos cadeístas que vou apresentar é Madame Mézières. Sua proposta surgiu em 1947 na França, esse era o nascimento do método das Cadeias Musculares.

O método surgiu de suas observações clínicas e de um insight que ocorreu enquanto atendia uma paciente. O caso era de uma cifose dorsal com uso de colete estabilizador.

Ao tentar mobilizar a região dorsal, os ombros realizaram uma compensação, apesar de não estarem sendo manipulados. Posteriormente, a terapeuta solicitou uma retroversão ativa para diminuir a lordose lombar da paciente. Novamente, aconteceu uma compensação. Dessa vez houve um aumento da lordose cervical.

Para corrigir a posição cervical, solicitou um auto crescimento ativo. Após essa última manobra ocorreu um bloqueio inspiratório na paciente.

Ao observar o caso, Mezières concluiu que sua paciente possuía rigidez muscular com perda de autonomia individual dos segmentos. A correção local de cada parte compensada era impossível comprometer todas as lordoses e gerar encurtamento.

Assim surgiram suas leis.

Primeira Lei de Mézières

Madame Mézières só admitia a existência de lordoses. Para ela, o crédito de comprimento ganhado nessa cadeia era enganoso e podia ser recuperado em alguma das extremidades.

Segunda Lei de Mézières

Existe a cadeia posterior que se comporta como um único músculo. Todos os demais músculos seguem suas ações. Atualmente existem outros cadeístas que discordam dessa visão de uma única cadeia posterior.

Terceira Lei de Mézières

A musculatura da cadeia muscular posterior seria sempre forte demais, curta demais e potente demais. Isso aconteceria por causa de algumas características da cadeia, como:

  • Dominante
  • Estruturalmente Profunda e Multiarticular
  • Funcionalmente Estática (Tônica)
  • De Controle Neurológico Central Inconsciente
  • Estruturada para um Trabalho de Sustentação Antigravitacional

Quarta Lei de Mézières

Para conseguir realizar um tratamento global da cadeia, é necessário conter todas as suas compensações.

Quinta Lei de Mézières

As cadeias devem aceitar a postura excêntrica. Madame Mezières também acreditava na existência de um conjunto de cadeias que eram sinérgicas a cadeia posterior. Ela também acreditava que a cadeia posterior não se cruzava no corpo.

Sexta Lei Mézières

Esforços musculares são capazes de bloquear a respiração.

3) Marcel Bienfait

Madame Françoise Mezières formou diversos seguidores, entre eles estava Marcel Bienfait.

Esse aluno acabou tornando-se um importante estudioso da postura estática e um dos grandes cadeístas. Além de seguir das cadeias propostas por Mezières, ele também defendia que existia necessidade de realizar a reeducação estática local.

Para ele, o uso indiscriminado do conceito de globalidade estava levando a uma negligência da postura estática. Em 1975 ele começou a estudar em Osteopatia Iniziagli, mais tarde juntando seus conceitos a terapia manual. Essa técnica já era ensinada no Brasil, na França e na Itália desde 1980.

Marcel Bienfait não desenvolveu seu próprio método pessoal, mas sim adaptações dos tratamentos de fisioterapia. Elas foram feitas para incorporar avanços da fisiologia moderna e alcançar melhores resultados.

Considerando seus conceitos de fisiologia moderna, Marcel Bienfait escreveu diversas publicações a respeito de terapia manual.

Seu trabalho teve sucesso e foi traduzido para vários idiomas. Desde 1998 suas obras já fazem parte da literatura mais consultada por estudantes universitários de fisioterapia no Brasil.

Apesar de considerar o conceito de globalidade proposto por Madame Mezières brilhante, Marcel Bienfait percebeu que ele vinha sendo usando indiscriminadamente. Seu uso acabava escondendo deficiências anatômicas e fisiológicas dos terapeutas ao invés de revelá-las e tratá-las.

Diferença entre Marcel Bienfait e Mezières

Marcel Bienfait não discordava das posturas de Mezières, porém discordava da origem das deformações. De acordo com seus estudos, elas surgiriam a partir de:

  • Músculos
  • Aponeuroses (foi o primeiro a descrever manobras fasciais)
  • Disfunção Articular

Com o tempo, esses problemas levam a uma cadeia muscular deficitária. Alguns dos problemas gerados só poderiam ser corrigidos através de tratamentos localizados.

Portanto, Marcel Bienfait propôs em usar retrações músculo aponeuróticas. Isso só poderia ser feito quando as retrações ainda estivessem em estágio de não fixação.

Depois que as fixações se transformassem realmente em fixações seria impossível revertê-las. Ele admitia que a terapia manual tem limites.

4) Philippe Souchard

Phillipe Souchard fez uma divisão entre os músculos fásicos em dois tipos de cadeias. Essas são as cadeias musculares dinâmicas e os músculos tônicos, como cadeias musculares estáticas.

Aqui encontramos uma diferença em relação ao trabalho de Madame Mézières, que não valorizava dessa maneira a questão do fortalecimento dos músculos fásicos. Philippe Souchard usou seu conhecimento para desenvolver a Reeducação Postural Global (RPG).

A RPG tem como objetivos:

  • Devolver aos músculos hipertônicos, rígidos e dolorosos a força, comprimento e flexibilidade através de posturas de alongamento ativo;
  • Alongar músculos da estática e músculos suspensores, além de encurtar músculos da dinâmica;
  • Alongar os músculos rígidos e encontrar a retração de origem através de estiramento progressivo.

Para Souchard, não existem alongamentos para grupos musculares isolados. Os músculos estão dispostos em cadeias musculares que são ligadas pelas fáscias. Portanto, não faria sentido tentar alongar músculos de maneira isolada.

Alongar isoladamente tiraria o comprimento de outra musculatura da cadeia. Ou seja, geraria compensações.

5) Madame Godelieve Denys Struyf

A última dos cadeístas que vou apresentar é Madame Godelieve Denys Struyf. Ela foi uma fisioterapeuta e osteopata importante ao estudarmos os cadeístas. Ela nasceu no antigo Congo e viveu em uma fazenda de cacau até os 16 anos. Por ser de uma família belga ela retornou à Bélgica e tornou-se estudante da escola de belas artes de Bruxelas.

Como desenhista, Madame Godelieve tentava mostrar que era necessário aprender a ver. Posteriormente, ela usou essa habilidade em sua carreira como terapeuta para mostrar informações importantes.

As cadeias musculares criadas por ela são musculares e articulares. Denys-Struyf concebeu diversas posturas que mostram estados:

  • Psicofísicos
  • Personalísticos Específicos
  • Idiossincráticos

Para seu desenvolvimento, ela usou pressupostos teóricos de outros métodos, como:

  • Facilitação Neuro Muscular Proprioceptiva
  • Linha Mézièrista
  • Percepção da Coordenação Motora

Todos possuem como ponto em comum acreditar que o tecido muscular é um conjunto indissociável: o tecido fibroso.

Conclusão

Se quisermos continuar a nos aperfeiçoar como profissionais, nunca devemos deixar de estudar conceitos e teorias que podem complementar nossa atividade, através dos estudos desenvolvidos por esses cadeístas.

Esse é o caso das cadeias musculares, que tanto nos auxiliam no planejamento e execução das aulas.


4 Patologias do Quadril em Idosos Bastante Comuns

4 Patologias do Quadril em Idosos Bastante Comuns

Você sabe quais as patologias do quadril em idosos seu aluno/paciente tem maior propensão a desenvolver?

A terceira idade é um momento da vida durante o qual surgem diversas patologias e lesões. Elas muitas vezes acontecem como um agravante de processos naturais do envelhecimento, como a perda de massa muscular.

O quadril é especialmente afetado e, além de gerar dor, pode levar o idoso a perder muito de sua funcionalidade. Nessa matéria vamos entender um pouco mais sobre o assunto, e conhecer 4 patologias do quadril em idosos. Vamos lá?

1) Fraturas de Quadril

Os idosos são especialmente propensos a sofrerem fraturas no quadril.

Isso acontece por uma maior incidência de quedas nessa população combinado a fatores patológicos como a osteoporose. Após uma queda, idosos sofrem com maior fragilidade e ainda correm o risco de serem institucionalizados e perder qualidade de vida.

Quando a queda implica numa fratura de quadril, o indivíduo passa por um longo período de recuperação. Depois do evento ele perde muito de sua mobilidade e amplitude de movimento e é difícil recuperá-los.

Com isso, vem falta de confiança, baixa autoestima e risco de desenvolver problemas psicológicos.

Para evitar uma recuperação longa e muitas vezes dolorosa, o ideal é prevenir tais fraturas. Isso significa que devemos trabalhar com ainda mais cuidado no planejamento de aulas para alunos idosos. Esse tipo de paciente precisa recuperar sua força muscular, mobilidade e propriocepção.

Preste Atenção: se você perguntar ao aluno na terceira idade se ele tem algum problema, é provável que ele diga que está bem. É normal que idosos percebam suas dificuldades com equilíbrio e locomoção como parte do envelhecimento. Mas essa não é a realidade. Somos capazes de melhorar muito suas vidas através de movimentos corretos.

Também precisamos de exercícios específicos para melhorar seu equilíbrio e adaptação postural. Queremos que o corpo do idoso esteja preparado para se adaptar a estímulos externos inesperados.

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2) Osteoartrose do Quadril

Uma das patologias do quadril em idosos mais comum é a osteoartrose. Ela é uma doença crônica bastante presente nessa etapa da vida, mas que pode acontecer em qualquer idade. Pacientes com o problema possuem um desgaste da cartilagem que aumenta o impacto sobre as estruturas articulares. Com o tempo, eles passam a desenvolver deformações ósseas.

No Brasil, a osteoartrose é a patologia reumatológica mais comum. Ela causa cerca de 7,5% dos afastamentos do trabalho, sem contar os gastos de saúde pública e queda de qualidade de vida nos pacientes afetados.

Pacientes com osteoartrose podem pertencer a 2 tipos:

  1. Osteoartrose Primária: não possui causa preexistente;
  2. Osteoartrose Secundária: surgiu devido à outra patologia ou deformidade anterior no quadril, como o impacto femoroacetabular.

Nos casos em que encontramos pacientes diagnosticados com osteoartrose secundária precisamos compreender primeiro a patologia de origem. Mesmo que sejamos capazes de aliviar a dor da doença, sem resolver sua origem o quadro álgico só acabará voltando mais tarde.

Dependendo do grau de desenvolvimento da doença o tratamento pode ser completamente conservador. Existem dois objetivos no tratamento de patologias do quadril em idosos: aliviar a dor, recuperar mobilidade e padrões de movimento funcional.

Não somos capazes de regredir o desgaste articular encontrado nesses casos, mas conseguimos evitar que a osteoartrose progrida. O fortalecimento muscular tem um papel essencial no tratamento e pode elevar muito a qualidade de vida do idoso.

3) Osteonecrose

Em alguns pacientes, o suprimento de sangue para a cabeça femoral é interrompido por algum motivo. Chamamos essa condição de osteonecrose do quadril. Depois de certo período com a condição, as células ósseas morrem e o quadril passa por diversas deformações.

A osteonecrose é uma condição que pode ser causadora da osteoartrose. Ela também pode levar à destruição de estruturas dessa articulação. Conforme a articulação se desgasta, o indivíduo perde seus movimentos funcionais.

O desgaste ósseo aumenta o impacto articular e pode gerar dor e dificuldade de movimentos. Assim como diversas outras patologias do quadril, a osteonecrose possui fases.

Primeiro, o paciente sente dor no quadril, sintoma que muitas vezes não indica um quadro clínico específico. A dor pode aumentar a intensidade e chegar a atingir a região glútea e a virilha.

Com o desenvolvimento do desgaste articular, até manter-se em pé torna-se um desafio. O paciente também sente dificuldades de apoiar o peso sobre o membro inferior do lado afetado. Isso leva a alterações da marcha e perda de independência.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as probabilidades de melhora do paciente.

O tratamento conservador tem como objetivo diminuir a dor e impedir o desenvolvimento da patologia. Para complementar o tratamento e conseguir manter a funcionalidade do quadril é necessário passar por procedimento cirúrgico.

O fisioterapeuta ainda tem um papel importante no tratamento desses pacientes. Devemos trabalhar para manter a mobilidade do quadril após o procedimento cirúrgico e impedir que a rigidez se desenvolva.

Através dos exercícios podemos recuperar parte da amplitude de movimento que melhora a funcionalidade da articulação.

4) Bursite Trocantérica

A última das 4 patologias do quadril em idosos que vou abordar aqui é a Bursite trocantérica, que tem como principal sintoma a dor na região do trocânter.

Como a dor nessa região também pode ser causada por tendinite dos glúteos, problemas na articulação coxofemoral e lombossacral, ela pode ser facilmente confundida com outros problemas.

O quadril possui entre 14 e 21 bursas, sendo as trocantéricas a de maior interesse para nosso estudo no momento. Essas são 3 bursas constantes:

  1. Subglútea Máxima: fica abaixo das fibras do glúteo máximo e do tensor da fáscia lata que formam o trato iliotibial. Essa bursa ajuda a porção anterior do tendão do glúteo máximo a deslizar sem atrito.
  2. Subglútea Mínima: fica entre o tendão do glúteo mínimo e o grande trocânter.
  3. Subglútea Média: fica entre o tendão do glúteo médio e o grande trocânter.

Quando existe qualquer irritação dessas três estruturas temos como resultado a bursite trocantérica, uma das patologias do quadril em idosos mais comuns.

Pacientes que desenvolvem o problema apresentam alterações biomecânicas nas estruturas dos membros inferiores. Essas alterações afetam principalmente os músculos, tendões e ligamentos do quadril.

Alguns casos também ocorrem por causa de um problema secundário, como encurtamento do membro inferior.

O tratamento fisioterápico foca em alongar e liberar tensões de musculaturas que possam estar pressionando uma das bursas. Também devemos melhorar o padrão de movimentos que pode causar aumento de dor. Além disso, existem diversas técnicas de alívios de dor que ajudam o paciente especialmente nas fases iniciais do tratamento.

Conclusão

Como uma importante articulação para gerar e transferir forças, o quadril não pode estar prejudicado para garantir um bom movimento. Por isso precisamos estar bem atentos à nossos alunos.

Mesmo assim, a tendência é que as patologias de quadril em idosos sejam desenvolvidas, piorando ainda mais suas capacidades de se movimentar independentemente. Portanto, devemos conhecê-las e trabalhar com o tratamento conservador para auxiliar o retorno às atividades diárias e melhorar a qualidade de vida.

 

Bibliografia
Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

Hipopressiva é um bom Método para Fortalecer Músculos do Assoalho Pélvico?

A incontinência urinária é um dos muitos distúrbios do assoalho pélvico que nossas alunas e pacientes podem desenvolver.

Isso acontece porque a vida moderna é hiperpressórica, fazendo com que o estresse imposto sobre esses músculos acabe gerando problemas.

Nesse artigo discutiremos os benefícios do método hipopressivo para tratamento e prevenção de distúrbios do assoalho pélvico. Continue lendo para entender porque você deveria adotar esse método em aula para ajudar suas alunas.

Importância dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP)

Se você pode tossir, espirrar ou praticar esportes sem se preocupar com suas funções urinárias e fecais, agradeça ao assoalho pélvico (AP). Suas musculaturas possuem papel importante para:

  • Sustentar Órgãos Pélvicos
  • Permitir a Passagem do Feto no Parto
  • Proporcionar Ação Esfincteriana para a Bexiga
  • Proporcionar Continência Urinária e Fecal

Olha que estou resumindo essa lista. Na verdade, os músculos do assoalho pélvico estão envolvidos em diversos processos, inclusive nas funções sexuais.

Esse conjunto muscular é dividido em duas camadas: superficial e profunda. A camada superficial é composta pelos músculos do períneo e tem como principais funções manter a continência urinária e possibilitar o ato sexual.

A camada profunda é composta pelos músculos do diafragma pélvico. São eles que realizam a sustentação das vísceras, mesmo quando existe aumento da pressão intra-abdominal (PIA).

Esses músculos contraem rapidamente assim que ocorre algum aumento de pressão para manter a posição dos órgãos. Eles também possuem esfíncteres que permanecem fechados.

Os esfíncteres só se abrem quando defecamos ou urinamos, causando um relaxamento nessa musculatura. Para que ocorra continência urinária, a bexiga e a musculatura do períneo devem estar coordenados nas fases de esvaziamento e enchimento.

Quando existem disfunções do assoalho pélvico, é possível utilizar técnicas de reeducação perineal. Só existe um problema que encontramos em boa parte de nossas pacientes femininas: a maioria não tem consciência do assoalho pélvico e é incapaz de ativá-lo com comando verbal.

Disfunções do Assoalho Pélvico

Existem diversas disfunções do assoalho pélvico que podem ser tratadas através da fisioterapia. Elas incluem:

  • Incontinência Urinária
  • Prolapsos de Órgãos Pélvicos
  • Hiperatividade Vesical
  • Disfunções Sexuais
  • Disfunções Anorretais

Uma das mais conhecidas é a incontinência urinária, que afeta tanto homens quanto mulheres, mas principalmente as mulheres.

Ao contrário da crença popular, incontinência urinária não acontece somente em idosas. Pessoas mais jovens também podem desenvolvê-la, especialmente praticantes de esportes com impacto.

Na atividade esportiva a pressão intra-abdominal sobe rapidamente a curto prazo por causa do treinamento. Combinando esse aumento de pressão com a frequente fraqueza ou falta de ativação correta do assoalho pélvico pode acontecer perda de urina pontual.

Pessoas incontinentes podem sofrer perda involuntária de urina em qualquer ação que leve ao aumento da pressão intra-abdominal. Isso inclui rir, tossir, espirrar, fazer esforço físico e subir escadas.

Assim como todos os outros distúrbios do assoalho pélvico, a incontinência gera graves problemas para a portadora. Além do desconforto de perder urina, a pessoa aumenta as possibilidades de desenvolver problemas psicológicos relacionados.

Em idosos, a incontinência também aumenta a probabilidade de quedas. Com a perda de funções proprioceptivas e motoras, o idoso pode facilmente tropeçar e cair ao tentar correr para o banheiro.

Quando possível, os distúrbios do assoalho pélvico devem ser prevenidos. Quando não for, devemos tratá-los da melhor maneira possível. Como veremos nesse artigo, ambas as opções são possíveis com o uso do método hipopressivo.

Tratamentos para Disfunções do Assoalho Pélvico

Quando falamos nas disfunções do assoalho pélvico podemos encontrar diversas soluções.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Obviamente, considerando nossa área de atuação, falarei sobre as opções conservadoras de tratamento. Elas também são as mais recomendadas por terem boa eficiência e serem pouco invasivas.

Podemos citar diversas técnicas usadas para trabalhar o assoalho pélvico, como:

Todos os métodos usados têm como objetivo fortalecer e melhorar a ativação do assoalho pélvica. Para isso, eles utilizam contrações voluntárias para reeducar o padrão de ativação dessas musculaturas e melhorar a continência.

Os cones vaginais, por exemplo, fornecem estímulos para melhorar a ativação muscular e ganho de força na região. Também existem os exercícios de Kegel, uma técnica que consiste em realizar e manter contrações dos músculos do períneo.

Alguns profissionais até escolhem mesclar técnicas para obter melhores resultados com suas pacientes.

Por que o Método Abdominal Hipopressivo é uma boa opção?

É claro que na hora de escolher um método para realizar fortalecimento do assoalho pélvico sou uma defensora do método hipopressivo. Ele proporciona uma série de benefícios, incluindo diminuição da PIA e correções posturais.

Além disso, as posições utilizadas geram uma ativação sinérgica dos músculos do assoalho pélvico.

Através do seu uso rotineiro é possível prevenir distúrbios como prolapsos genitais e incontinência pós-parto. Indivíduos que praticam a técnica também conseguem tonificar musculaturas do AP e normalizar a tensão de estruturas musculares. Ou seja, é tudo que nossas alunas precisam para evitar incontinência e outros problemas.

Durante a manobra hipopressiva a aluna aspira as vísceras para cima por meio da respiração diafragmática.

Detalhe: isso é feito através de aspiração, não deve ocorrer contração do transverso do abdômen ou outras musculaturas abdominais. A manobra gera contração reflexa dos músculos do assoalho pélvico e diminui a PIA. O indivíduo também realiza uma tração da aponeurose umbilical pré-vesical sobre a fáscia pélvica.

Usar a técnica em aula é uma maneira de complementar o tratamento bastante eficiente. Estudos indicam que pacientes tratadas com o método abdominal hipopressivo conseguem melhora nos sintomas, com algumas até alcançando a cura da incontinência.

Uma das grandes vantagens de usar o método é o controle da PIA. Muitas mulheres são incapazes de realizar uma contração do assoalho pélvico na nossa aula. Quando recebem esse comando podem até empurrar as vísceras para baixo, sobrecarregando o períneo e aumentando a pressão intra-abdominal.

Portanto, devemos sempre usar a técnica para evitar problemas.

Conclusão

Tratar ou prevenir distúrbios do assoalho pélvico é algo ainda bastante difícil e problemático para profissionais do movimento. Encontramos uma forte resistência por parte das próprias mulheres que geralmente evitam buscar ajuda médica.

Boa parte das mulheres afetadas por incontinência urinária não buscam tratamento por desconhecimento ou por considerar a condição normal. Outras acham vergonhoso apresentar a incontinência e não querem discutir o assunto com profissionais.

Outro problema que encontramos é durante o próprio tratamento, que geralmente envolve pedir contração do assoalho pélvico. A maioria das mulheres sequer conhece esses músculos ou tem noção do seu funcionamento.

Como resultado, elas são incapazes de realizar uma contração eficiente e ainda fazem ativação de músculos acessórios.

Com o uso do método abdominal hipopressivo conseguimos bons resultados no tratamento. As pacientes que são submetidas à técnica também conseguem melhoras posturais e de consciência corporal que ajudam a prevenir o retorno da condição.

Bibliografia
Como acontece a Instabilidade Femoropatelar?

Como acontece a Instabilidade Femoropatelar?

Se um paciente dizer que sente a patela sair do lugar enquanto caminha, você já tem uma suspeita em mente: a instabilidade femoropatelar.

Apesar de ser muito comum, muitas vezes é difícil trabalhar com estabilização articular em aula.

A instabilidade femoropatelar é uma disfunção que pode ser causada por diversos tipos de desequilíbrios. Só devemos lembrar que a estabilização do joelho é complexa e envolve músculos e estruturas passivas.

Mesmo que os ligamentos, estruturas passivas, sejam os que mais sofrem no processo, os músculos também estão muito envolvidos. Vamos entender melhor?

O que é Instabilidade Femoropatelar?

Chamamos de instabilidade femoropatelar a disfunção que surge quando existe falta de estabilidade na articulação formada pela patela e o fêmur. Essa é uma disfunção multifatorial que pode gerar dor e impedir os movimentos fisiológicos de membros inferiores. Ela também pode gerar a subluxação ou luxação da patela.

Em boa parte dos casos nosso paciente nos procura para reclamar que a patela “saiu do lugar” ou por causa da crepitação da articulação.

Pode acontecer por causa de traumas diretos na região ou por instabilidades geradas por outros fatores. É comum em pacientes com valgo do joelho, já que o desalinhamento dessa região diminui a estabilidade patelar medialmente.

Também precisamos considerar a posição da articulação femoropatelar e suas consequências. Ela fica localizada entre os dois maiores braços de alavanca do corpo, sendo forçada a suportar suas forças.

Portanto, quase qualquer desequilíbrio é capaz de causar lesões ligamentares e meniscais graves.

Outra possibilidade para o desenvolvimento de instabilidade femoropatelar é a existência de alterações biomecânicas dos joelhos e quadris. A patela alta, por exemplo, é um fator de risco presente em muitos pacientes com tensão exacerbada nos retos femorais. O mesmo ocorre com o valgo dos joelhos e desvios do quadril.

Devemos prestar atenção especial durante a avaliação do quadril, pois através da biotensegridade corporal, seus desvios podem causar encurtamento de musculaturas estabilizadoras do joelho.

Algumas vezes o paciente sequer possui um quadro que pode ser caracterizado como instabilidade femoropatelar, mas apresenta sintomas similares que se originam no quadril ou vice-versa.

Como acontece a Estabilização da Articulação Femoropatelar?

A articulação do joelho possui um amplo grau de liberdade de movimento.

Para conseguir evitar lesões frequentes, é preciso que existam diversos níveis de estabilização estática e dinâmica. Quando o assunto é estabilização estática, podemos dividir em 3 camadas de tecidos moles estabilizadores do joelho.

A camada intermediária é a mais conectada: a articulação femoropatelar. Ela é composta pelo ligamento femoropatelar medial (LFPM) e auxiliada pelo ligamento patelomeniscal.

Como sabemos, em casos de instabilidade femoropatelar mais graves podemos encontrar luxação e até lesão do LFPM. Isso mostra indícios de sobrecarga do ligamento, que é incapaz de estabilizar completamente a articulação. Apesar de ser um dos principais estabilizadores estáticos responsáveis por resistir a translação lateral da patela, ele não evita a luxação sozinho.

Também existem as estruturas estabilizadoras dinâmicas do joelho. Elas são musculaturas como o quadríceps. O vasto medial, em especial, é responsável por impedir o deslocamento anterior da patela.

Avaliação de Instabilidade Femoropatelar

Uma boa avaliação de instabilidade femoropatelar garante um tratamento mais eficiente da patologia.

Ela deve ter como objetivo determinar hipóteses de causas através do estudo do histórico clínico do paciente. Depois precisaremos comprovar as causas através da avaliação física e elaborar um tratamento.

Inicialmente, usamos a entrevista para avaliar o histórico clínico desse paciente. É comum que cheguem no consultório ou studio com reclamações de deslocamento e luxação da patela. Você precisará confirmar esses sintomas depois na avaliação física.

Também devemos aproveitar a oportunidade para entender completamente a queixa do aluno e quando os sintomas começaram. A partir desse conhecimento é possível observar qual é o nível de dano que as estruturas articulares já sofreram e a atrofia muscular gerada por falta de movimento.

Depois pergunte a respeito de causas, para descobrir se os sintomas tiveram início após um trauma na área. É normal ouvirmos que o indivíduo sofreu uma “torção” em movimentos simples do cotidiano, como uma mera caminhada.

Se receber uma resposta desse tipo já pode imaginar que existem sérios desequilíbrios musculares que geram a instabilidade femoropatelar.

Após entender mais sobre a patologia, chega a hora de avaliar o movimento em si. A avaliação é composta pela parte estática e dinâmica. Na estática começamos identificando desvios de membros inferiores e quadris. Alguns exemplos incluem:

  • Anteversão Femoral
  • Genovalgo
  • Rotação Tibial Externa
  • Pé Plano

Para compreender melhor o grau de dano das estruturas articulares, podemos usar a palpação. Se o caso for unilateral, é possível comparar com o joelho saudável. Obviamente também devemos avaliar a amplitude de movimento e quais limitações atualmente afetam esse joelho.

Tratamento da Instabilidade Femoropatelar

Assim que conseguirmos alguns resultados para alívio da dor nas primeiras sessões, sempre começamos o trabalho com exercícios para tirar a sobrecarga mecânica da articulação, que é nosso verdadeiro objetivo. A partir de então, passamos para o fortalecimento em si, pois visamos a ativação e trofismo de musculaturas, como:

  • Quadríceps
  • Adutores
  • Abdutores
  • Isquiotibiais

Com essas musculaturas fortalecidas conseguimos melhorar a estabilização dinâmica do joelho e também o suporte nos movimentos do quadril. Como resultado, os ligamentos da região sofrem menos pressão e ficam com menor risco de lesões.

Também precisamos envolver exercícios de resistência com evolução lenta e gradual. Dê preferência para exercícios com baixo impacto sobre a articulação do joelho, como aqueles usados no Pilates. Com a evolução, aumente a intensidade dos exercícios e trabalhe também a propriocepção.

Conclusão

A instabilidade femoropatelar é uma disfunção de joelho bastante comum e que afeta principalmente mulheres.

Suas causas variam, podendo envolver desvios de membros inferiores, encurtamento muscular e falta de estabilização dinâmica. A única maneira de resolver o problema é aplicando um tratamento eficiente com base numa boa avaliação.

Nunca se esqueça que a disfunção é um problema multifatorial e pode envolver diversas estruturas. Isso inclui outras articulações, como o quadril, que também poderá estar em sofrimento, e em desalinhamento.

Quer aprender mais sobre desvios dos membros inferiores que podemos encontrar nas aulas de Pilates? Confira meu artigo completo a respeito e aprenda como as cadeias musculares se comportam para a formação de desvios dos membros inferiores.

Bibliografia
Cuidados com o Tornozelo durante Atividade Física

Cuidados com o Tornozelo durante Atividade Física

A corrida de trilha tem se popularizado nos últimos anos, o contato com a natureza e a sensação de liberdade são o que mais atrai nesse esporte. Quantas vezes você já torceu o tornozelo em uma corrida e deu alguns passos esperando e rezando para que a dor aliviasse para retornar ao seu treinamento?

Isso ocorre com muitos atletas que fazem principalmente corrida de trilha ou correm em superfícies irregulares, ou até mesmo no asfalto ao pisar em pedras e outros objetos.

A articulação do tornozelo é uma estrutura anatômica complexa, ela permite o movimento em várias amplitudes. Isso possibilita uma adequação em vários terrenos irregulares, porém torna uma articulação muito vulnerável a entorses.

A desvantagem da mobilidade e versatilidade da articulação do tornozelo é que se torna mais vulnerável a lesões dependendo da maneira de aterrissar no solo. Um contato inadequado durante a corrida de trilha pode causar uma entorse, danificando ligamentos (laterais mais acometidos pelo movimento de inversão).

Entorse Tornozelo

Se você suspeita de uma entorse no seu tornozelo, a prioridade é garantir que você não tenha uma lesão no tendão ou uma fratura associada (um médico deve ser consultado para elucidar a suspeita).

As entorses dos tornozelos ocorrem após um impacto repentino, aterrissagem ou torção do tornozelo. Você pode ouvir um estralo seguido de uma dor aguda.

Elas causam um edema importante (inchaço – a articulação estará visivelmente com edema logo após sofrer a lesão). Muitas vezes seguida de uma dor latejante no tornozelo, mesmo quando não se coloca carga sobre o pé e uma dor aguda ao movimentar o tornozelo e tentar movimentar.

O que acontece após um Entorse de Tornozelo?

Em muitos casos o atleta de corrida sofre uma entorse, e realiza os primeiros procedimentos que são: gelo e compressão. Mas após obter uma resposta positiva no edema retorna aos treinos.

Nestes casos há um risco maior de ter entorses recorrentes e esse quadro evoluir para uma instabilidade crônica do tornozelo. O retorno sem o tratamento adequado respeitando todas as fases pode gerar um dano na cartilagem por essa instabilidade.

Como proceder?

1) Crioterapia

Quando se trata de gelo, um estudo de 2006 publicado na British Journal of Sports Medicine sugere que um protocolo de gelo “intermitente” consistindo de 10 minutos de gelo, 10 minutos de repouso e mais 10 minutos de gelo produzirá reduções mais rápidas na dor e no edema no tornozelo quando comparado aos 20 minutos de gelo contínuo.

2) O tornozelo deve ser imobilizado?

Um artigo de revisão de 2007 de Morgan Jones e Annunziato Amendola evidenciou que iniciar exercícios de reabilitação, logo que tolerado, leva a um retorno mais rápido ao esporte e a uma menor taxa de rejeição quando comparado a longos períodos de imobilização, com bracing ou utilização de muletas antes de iniciar o trabalho de reabilitação.

Fases da Reabilitação do Tornozelo

A reabilitação das lesões no tornozelo deve ser estruturada e individualizada. Esse estudo propõe:

Na fase aguda, o foco deve ser o controle da inflamação, principalmente do edema restabelecendo a amplitude de movimento total .

Assim que a amplitude de movimento esteja livre de dor e o atleta consiga descarregar o peso sobre o pé, os exercícios de treinamento de equilíbrio devem ser incorporados para normalizar o controle neuromuscular.

As atividades de reabilitação de fase avançada devem se concentrar em recuperar a função normal, realizando exercícios específicos para aqueles que serão realizados durante o esporte.

Mobilidade Dorsiflexão

Embora seja necessário um modelo básico para a reabilitação das lesões no tornozelo, o atleta e o fisioterapeuta devem lembrar que os indivíduos respondem de forma diferente aos exercícios.

Portanto, cada programa precisa ser modificado para atender às necessidades do indivíduo, sendo de vital importância uma avaliação individualizada e uma orientação de um fisioterapeuta para um retorno seguro ao esporte.

Estabilidade com Apoio no Calcanhar Estabilidade Unipodal

Estratégia de Prevenção de Lesões para o Pé

O pé humano é uma estrutura complexa, que serve para diversas funções.

Ao equilibrar o corpo na posição em pé, ele propicia nossa base de suporte estável. Durante a marcha, deve ser estável no contato inicial e durante a impulsão. Entretanto, durante a descarga de peso, o pé precisa ser um adaptador móvel e atenuar as cargas do corpo.

Sua função é similar com uma mola, armazenando e liberando energia elástica. Isto é alcançado através da deformação do arco que é controlado pelos músculos intrínsecos e extrínsecos do pé.

Relevância da Estabilidade do Centro do Pé

O arco é controlado tanto com estabilizadores locais e globais, similares a função lombopélvica.

Os estabilizadores locais são as 4 camadas de músculos intrínsecos que se originam e se inserem no pé. Os músculos geralmente tem pequenos braços de alavanca, pequena área de secção transversa e servem primariamente para estabilizar os arcos.

Os músculos globais são os músculos que se originam na perna, cruzam o tornozelo e se insere no pé. Esses músculos possuem maior área de secção transversa, maior braço de alavanca e são os movimentadores primários do pé e também propiciam certa estabilidade para o arco.

Com cada passo, as quatro camadas agem para controlar o grau de liberdade e velocidade da deformação do arco.

Quando não estão funcionando adequadamente, a base se torna instável e desalinhada e o movimento anormal do pé é instalado. Isso pode se manifestar problemas como fasciíte plantar dentre outras.

Sistemas Estabilizadores do Pé

Consiste em receptores sensoriais na fáscia plantar, ligamentos, cápsulas articulares, músculos e tendões envolvidos nos subsistemas ativos e passivos.

Baseado na configuração anatômica e biomecânica, os músculos intrínsecos apresentam desvantagem mecânica para a produção de grandes movimentos articulares. Suas posições anatômicas e alinhamentos sugerem a ativação reflexa para a devida informação sensorial.

Estas respostas podem ser moduladas através de treinamentos que visem a identificação da deformação dos arcos plantares.

Estudos demonstram que a fadiga dos músculos intrínsecos do pé através de contrações repetidas e isoladas de flexão metatarsal, ocorria uma queda aumentada do arco ao ficar de pé em pessoas saudáveis.

Os autores concluíram que as contribuições motoras desses músculos levavam a uma mudança na postura do pé, mas isso poderia estar associado à uma mudança na informação sensorial.

A fadiga muscular gerada por contrações repetitivas parecem diminuir o senso de posicionamento articular em outras áreas dos membros inferiores. Isso poderia indicar que os músculos não somente oferecem suporte direto aos subsistemas passivos mas também propiciam informações sensoriais relevantes tanto aos arcos plantares como à postura do tronco.

Treinamento do Pé

Recentemente, foi sugerido o exercício de pé curto como um meio de isolar a contração dos músculos intrínsecos plantares que serão usados para puxar o 1º metatarso em direção ao calcâneo elevando o arco longitudinal medial.

Estudos mostraram que este exercício, após 4 semanas de realização em indivíduos saudáveis, reduzia o colapso do arco por medidas de queda da altura do arco, e melhora a habilidade de equilíbrio.

Exercícios para o Pé

Estabilidade Pé

Estabilidade Pé

Caminhada e corrida podem ser usadas para o treinamento de força desse sistema do pé. Outras vantagens de andar/correr descalço é o aumento das informações sensoriais a superfície plantar do pé.

A informação sensorial tem sido reconhecida por sua importância na estabilidade postural e padrões dinâmicos da marcha. Em um estudo de apoio unipodal, a estabilidade postural era aumentada com pé descalço em comparação com pessoas que usavam meias finas.

Isso sugere que meias finas filtram informações sensoriais que seriam úteis na estabilidade estática e dinâmica. A estabilidade aumenta com a diminuição do suporte de calçados. Atividades com pés descalços evidenciam a importância para a melhora da função do pé.


Este artigo foi co-escrito pelo Dr. Bruno Matoso

Bruno tem graduação em Fisioterapia pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp). Especialização em Terapia Manual pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp/PR).

Formação em Osteopatia, Formação em Cadeias Fisiológicas (Método Busquet), Formação nos Conceitos Mulligan, Mobilização Neural e Dry Needling. Certificação Functional Movement Screen (FMS®).

Dr. Bruno Matoso também possui experiência clínica nas áreas de fisioterapia esportiva e reabilitação, vasta formação em terapia manual e saúde integrativa. Dedica-se ao trabalho integrado na prevenção e desempenho de praticantes de corrida e triatlo.

 

Referências
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  • Hintermann, B.; Boss, A.; Schäfer, D., Arthroscopic findings in patients with chronic ankle instability. The American Journal of Sports Medicine 2002, 30 (3), 402-409.
  • Hocutt Jr, J. E.; Jaffe, R.; Rylander, C. R.; Beebe, J. K., Cryotherapy in ankle sprains. American Journal of Sports Medicine 1982, 10 (5), 316-319.
  • Coté, D. J.; Prentice, W. E.; Hooker, D. N.; Shields, E. W., Comparison of three treatment procedures for minimizing ankle sprain swelling. Physical Therapy 1988, 68 (7), 1072-1076.
  • Bleakley, C. M.; McDonough, S. M.; MacAuley, D. C., Cryotherapy for acute ankle sprains: a randomised controlled study of two different icing protocols. British Journal of Sports Medicine 2006, 40, 700-705.