Tudo o que você precisa saber sobre a Histologia do Sistema Fascial

Tudo o que você precisa saber sobre a Histologia do Sistema Fascial

Vamos entender mais sobre o sistema fascial?

A Fáscia é composta fundamentalmente de “tecidos conectivos fibrosos, moles, colágenos, soltos e densos que permeiam (ou seja, são espalhados por todo o corpo)”.

Esta parte da definição é baseada no reconhecimento histológico estabelecido do tecido conjuntivo como tipo de tecido básico, que é anatomicamente subdividido em três categorias de tecido conjuntivo embrionário:

  1. Mesênquima
  2. Tecido Conjuntivo Mucoso
  3. Tecido Conjuntivo Propriamente Dito (Tecido Conjuntivo Solto e Denso)
  4. Tecido Conjuntivo Especializado (Sangue, Osso, Cartilagem, Tecido Adiposo, Tecido Hematopoiético, Linfático) (Ross e Pawlina, 2011)

A partir desta perspectiva classificatória, a fáscia é geralmente considerada como uma forma de tecido conjuntivo propriamente dito, embora sua sub-identificação específica como tecido conjuntivo solto e / ou “regularmente” ou “irregularmente” tenha disposição no tecido conjuntivo denso ainda não foi esclarecida.

O uso desta definição dos tecidos conjuntivos plurais reconhece que, em estudos histológicos, o sistema fascial é constituído por vários tipos de tecido conjuntivo, e não apenas um, por exemplo: areolar, denso regular/irregular e adiposo.

Novamente, o termo colágeno que contém distingue deliberadamente a fáscia do músculo, que é frequentemente categorizado separadamente como outra forma “especializada” de tecidos moles.

Esta referência geral ao colágeno inclui implicitamente os Tipos I e III, e deixa a porta aberta para qualquer outro colágeno que possa (no futuro) se caracterizar significativamente neste amplo grupo de tecidos.

Sistema Fascial: Formação da Fáscia

Dentro do sistema fascial, a fáscia é constituída de proteínas, tendo como sua principal constituição o colágeno.

Ele é uma proteína produzida pelo nosso organismo desde o nascimento e um dos mais importantes para a manutenção dos blocos de sustentação dos tecidos conjuntivos, responsável pela manutenção de sua estruturação matricial e força. Porém, sua produção começa a diminuir perto dos 28 anos de idade e, sobretudo, depois dos 35, diminui cerca de 1% ao ano.

Aos 50 anos, o organismo chega a apenas 35% do colágeno necessário para executar sua principal função, e começa a se utilizar do colágeno produzido até os 28 de idade de forma abundante, colágeno este que fica armazenado.

Esse processo leva à perda da elasticidade e firmeza do conjuntivo em geral, essa proteína participa ativamente da construção e constituição dos ossos, músculos, cartilagens, cabelos e unhas, por isso os benefícios do colágeno para a saúde são tão conhecidos.

Aliás, o colágeno representa cerca de 25% de toda proteína que existe em nosso corpo e sua função é dar sustentação às células, deixando-as firmes e juntas. Tem papel importante para a saúde em geral da fáscia, sendo seu principal componente proteico, fundamental para o funcionamento de todo tecido conjuntivo do sistema fascial.

 Tipos de Colágeno

  • Colágeno Hidrolisado: Passa por um processo de hidrólise, ou seja, é quebrado em partículas menores para ser absorvido mais facilmente e ter melhor aproveitamento pelo organismo.
  • Colágeno Tipo 2: É o mais abundante nas cartilagens.
  • Pepto Colágeno: É um colágeno altamente hidrolisado, que chega aos peptídeos de colágeno (conjunto de aminoácidos), ou seja, moléculas ainda menores e de mais fácil absorção. Diversos estudos apontam que o colágeno na forma de peptídeos possui benefícios potencializados.

Hidratação e Renovação

É essencial perceber que cerca de dois terços do volume de tecidos do sistema fascial é constituído por água.

Durante a aplicação da carga mecânica – seja de forma esticada ou através de compressão local – uma quantidade significativa de água é expulsa das zonas mais estressadas, semelhante à espremendo uma esponja (Schleip et al., 2012a). Com o lançamento que se segue, esta área é novamente preenchida com novo fluido, que vem do tecido circundante, bem como a rede vascular local.

O tecido conjuntivo tipo esponja pode faltar hidratação adequada em locais negligenciados. A aplicação do carregamento externo aos tecidos fasciais pode resultar em uma hidratação atualizada desses lugares no corpo (Chaitow, 2009).

Muitas patologias – como condições inflamatórias, edema ou o aumento de acúmulo de radicais livres e outros produtos de resíduos tende a acompanhar uma mudança para uma maior porcentagem de água em massa dentro da substância moída.

As indicações recentes de Sommer e Zhu (2008) sugerem que quando o tecido conjuntivo local é espremido como uma esponja e subsequentemente reidratado, algumas das anteriores zonas de água em massa podem então ser substituídas por moléculas de água ligadas, o que poderia levar a uma hidratação mais saudável para a fáscia.

Fáscia Sólida

O colágeno compõe mais do que os 30% da massa protéica no corpo humano.

Sua apresentação mais comum é a fibrila de colágeno, composta de cerca de 300 nm de tropocolágeno (hices triplas polipepticas). A fibrila é altamente organizada e fornece o quadro para a matriz extracelular (MEC), tendões, ossos e outras estruturas de suporte. Fibrilas de colágeno se assemelham a auto-montagem cabos em escala nanométrica.

A biossíntese do colágeno ocorre graças a diferentes tipos de células, dependendo no tipo de tecido. Por exemplo, os osteoblastos formam colágeno nos ossos, enquanto fibroblastos formam colágeno em tendões. Existem diferentes tipos de conectivos tecido, classificado de acordo com alguns critérios morfológicos e funcionais.

Nós achamos tecidos conjuntivos densos (fibrosos ou elásticos), onde o colágeno é organizado em regular e estruturas irregulares, e solto conectivo estruturas irregulares, e solto conectivo tecidos (fibrosos, reticulares ou elásticos), que se destaca por causa da abundância de substâncias amorfas em comparação com quantidade de componentes fibrosos.

Em tecido conjuntivo denso, encontramos principalmente colágeno tipos I, III, XII e XIV, e elastina, enquanto em tecido conjuntivo frouxo, encontramos colágeno tipos I, III, IV, V, VII, XII e XIV.

Fibroblastos são o principal componente celular de tecidos conjuntivos e separam os componentes da MEC, como colágeno e matriz, glicosaminoglicano (GAG), elástico e fibras reticulares e glicoproteínas. Os fibroblastos comunicam-se entre si e são fundamentais para a gestão percebida e produção de tensão.

Eles possuem um papel fundamental na transmissão de tensão, e pode afetar dinamicamente a tensão mecânica, remodelando rapidamente seus citoesqueletos. O citoesqueleto de fibroblastos é feito de microtúbulos, nomeadamente filamentos de actina e filamentos intermediários.

Especificamente, a flexibilidade da actina permite que os fibroblastos se adaptem mais rapidamente na presença de compressão forças, devido ao alongamento da fáscia.

Se a informação mecânica estiver presente por um curto período, a variação morfológica é reversível, e o citoesqueleto do fibroblasto pode ser restaurado ao seu estado original.

Os fibroblastos desempenham um papel significativo e ativo na estimulação dos processos inflamatórios, porque eles são responsáveis pela limpeza, reparação, e substituindo os elementos do fascial continuam o que foram e são afetados por traumas.

Cerca de 70% dessas fibrilas são constituídos por colágeno tipo I, III e IV, e cerca de 20% por elastina, com cerca de 4% lípidos. Os microvacuados são ricos em água, graças às propriedades hidrofílicas dos lípidos e, em particular, de proteoglicanos (aproximadamente 72%).

O núcleo destas moléculas é uma proteína com uma ou mais ligações covalentes com polissacarídeos (glicosaminoglicanos – GAGs); o negativo carga de GAGs atrai moléculas de água, facilitando sua passagem pela membrana assegurando a hidratação.

A hidratação ajuda a manutenção da pressão e do volume. Os tecidos conjuntivos são derivados do mesênquima. Durante o desenvolvimento do embrião, os tecidos conjuntivos provavelmente influenciam a morfogênese das estruturas que eles irão conter e conectar.

Mesênquima embrionário ou embrionário mesênquima conectivo ou indiferenciado tecidos são feitos de forma de estrela ramificada células com alta taxa mitótica (alta capacidade reprodutiva); elas são consideradas células-tronco pluripotentes, porque eles têm a capacidade de diferenciar em tecidos diferentes.

O mesênquima é a fonte não só de muitas estruturas conectivas, mas também de estruturas estromais células-tronco. Ao longo do curso do processo de desenvolvimento, eles ocupam os espaços entre camadas de germes, conectando várias estruturas, e constituindo o estroma de órgãos.

O mesênquima está presente e deriva das três camadas embriológicas (ectoderme, mesoderme, endoderme) e a partir delas, a fáscia que faz parte da cabeça (músculos, ossos, pele, e assim por diante) e parte da coluna cervical derivam do mesoderma e do ectoderma.

Os tecidos fasciais são descritos como em camadas, mas é um hábito generalizado que vem de dissecção anatômica. As camadas são inseparáveis e eles se movem e respondem, reagem em uníssono à presença de informação mecânica e/ou metabólica.

Fáscia Líquida

Sangue e linfa que derivam da mesoderme e são considerados tecidos conectivos. Vasos sanguíneos e linfáticos são estruturas fasciais sólidas; o que eles carregam é fáscia líquida.

Além da sua função nutritiva, o sangue também fornece uma importante comunicação dos vários órgãos uns com os outros com hormônios mediadores químicos, garantindo a integração das funções do organismo.

É o veículo das células imunes e plaquetas, e pode chegar a lugares onde sua presença é necessário (por exemplo, áreas de inflamação), de anticorpos e proteínas de o sistema de coagulação e das numerosas proteínas de transporte (como as lipoproteínas, transferrina, ceruloplasmina e albumina) a quais os compostos insolúveis em água que circulam no sangue são anexados.

O sangue é um líquido que pode ser vermelho rubi (limpo), ou vermelho purpúreo (sujo). Sua viscosidade está ao redor quatro vezes maior que a viscosidade da água, seu peso específico é de 1.041-1.062 g / cm. isto perfaz cerca de 7,7% do corpo humano peso, sua temperatura é em torno de 37/38 ° C e varia dependendo do interno e externo fatores) e seu pH (nas artérias) é de 7,38-7,42 (o pH de uma solução salina ideal deve ser 7.383).

Nos homens, é feito de um líquido parte (55%) chamada plasma, e um corpuscular parte (45%) que consiste em células ou células fragmentos (valores médios para um adulto saudável masculino).

Nas mulheres, a parte líquida ocupa 60% e a parte corpuscular ocupa 40%. Essa relação é chamada de hematócrito e avalia o volume de elementos sanguíneos corpusculares em condições normais.

Plasma é um líquido amarelo pálido composto por água (90%), substâncias orgânicas e sais dissolvidos (10%). O sangue é um tecido conjuntivo, composto em sua consistência de células e fragmentos de células em suspensão em matriz extracelular de composição complexa. Dentro sangue, existem dois componentes diferentes que podem ser separados por centrifugação: matriz fluida chamada plasma e corpúsculos, que são células ou fragmentos celulares.

Corpúsculos são de três tipos:

  1. Eritrócitos
  2. Plaquetas
  3. Leucócitos

Apenas leucócitos são células completas. Os eritrócitos são células anucleadas e plaquetas são células de fragmentos. Os eritrócitos estão presentes em quantidades que os outros elementos, pelo fato que influenciam o valor do hematócrito muito mais do que os leucócitos ou plaquetas, que perfazem cerca de 1% do volume total.

Eritrócitos, assim como os outros elementos, são gerados por haste pluripotente células localizadas na medula óssea, particularmente nas costelas, esterno, pelve e vértebras. Existem diferentes tipos de leucócitos.

Os granulócitos são caracterizados pela presença de grandes grânulos no citoplasma. Eles são visíveis sob um microscópio óptico, e depois de colorir pode ser dividido em neutrófilos (com uma afinidade ao neutro coloração), eosinófilos (afinidade ao ácido coloração), eosinófilos (afinidade ao ácido coloração) e basófilos (afinidade para coloração).

Linfócitos, que incluem linfócitos T, linfócitos B e naturais células assassinas, participam de papéis de defesa: eles reconhecem um agente patogênico e o ataca. Esta segmentação implica quase sempre a produção de proteínas que circulam no sangue, chamadas anticorpos.

Os monócitos são os maiores leucócitos, caracterizados por um grande núcleo em forma de ferradura. O sistema linfático remove eficazmente o excesso de fluidos intersticiais, solutos e várias células, orientando-as para a corrente sanguínea, mantendo o volume de fluidos de plasma e intersticial em constante equilíbrio.

O sistema linfático origina do tecido intersticial chamado “inicial linfáticos”, pequenos capilares delimitados endotélio e embasamento descontínuos membrana, oferecendo resistência ao fluxo de fluidos e substâncias (hidrófilos moléculas, células, vírus e bactérias). Eles anexam-se à superfície externa das células através fibrilas de colágeno (colágeno tipo VII).

Este colágeno permite a transmissão de forças mecânicas em direção ao lúmen do vaso linfático; existem contrações autônomas, graças à presença de filamentos semelhantes à actina. Estes linfáticos iniciais se tornam mais largos, criando ductos coletores que consistem em colágeno e células musculares lisas e fibras elásticas.

Vasos linfáticos têm seu próprio tom e, provavelmente, sua própria contração intrínseca autonômica; de acordo com dados recentes, eles também exibem sensibilidade para variação de fluxo (funções sensoriais). Eles estão cercados por nervos do sistema autônomo (principalmente fibras simpáticas), o que poderia ajudar a coordenar o transporte linfático.

Conclusão

Como vimos, no sistema fascial, a fáscia é uma janela infinita de informações novas que se abrem ante nossos olhos, e com certeza, esse tecido fascinante, está só começando a aparecer perante nossas profissões do movimento.

 

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Como proceder após uma Entorse de Tornozelo na Atividade Física?

Como proceder após uma Entorse de Tornozelo na Atividade Física?

Pode ser em uma corrida, na aterrissagem de um salto ou até em uma simples caminhada, a lesão é súbita causa uma dor aguda e insuportável no tornozelo. Essa é a conhecida entorse de tornozelo, que afeta principalmente atletas de todas as modalidades.

A lesão é um problema frequente e que pode ter consequências graves quando não tratado. Você já a conhece e sabe como proceder ao receber um paciente com o problema? Não? Então continue lendo esse artigo.

O que é Entorse de Tornozelo?

A entorse acontece quando existe o estiramento ou ruptura de tecidos, podendo também estar associada a afrouxamento capsular e instabilidade articular. Esse tipo de lesão é extremamente frequente nos esportes, sendo a entorse de tornozelo a lesão mais comum nessa articulação.

A lesão ocorre principalmente por causa do gesto esportivo. Isso vale tanto para esportes de contato quanto em esportes sem contato entre os atletas.

Saltos, corridas e quedas são os principais causadores do problema, causando de 21% a 25% das entorses na articulação.

Após uma entorse de tornozelo o indivíduo também pode sofrer com perda de capacidade proprioceptiva e instabilidade articular. Assim que seu aluno sofrer uma dessas lesões é importante garantir que não existe ruptura de tendões e ligamentos ou alguma fratura.

Para confirmar se existe algum problema associado à entorse, o indivíduo precisa visitar um médico para realizar os devidos exames. A fratura é um dos maiores riscos que corremos quando falamos nesse tipo de lesão.

Boa parte dos casos acontecem depois de um impacto repentino. Durante o treinamento esportivo ou competição, o atleta salta ou faz uma parada repentina da corrida e percebemos uma torção do tornozelo.

Algumas vezes a pessoa que sofreu a lesão também ouve um estalo e logo depois sente a dor aguda.

A lesão causa um edema, com inchaço visível logo após seu acontecimento. Alguns pacientes reclamam de dor e latejação no tornozelo mesmo sem movimentá-lo ou colocar carga sobre a articulação.

Graus de Entorse de Tornozelo

A entorse de tornozelo pode ser dividida em graus de acordo com a gravidade da lesão e estruturas rompidas. Ela é dividida da seguinte forma:

Grau I: não existe ruptura das fibras ligamentares. O único sintoma visível é o edema e o paciente também sente dor aguda. O processo de recuperação é bastante rápido e logo o paciente já consegue apoiar seu peso sobre a articulação lesada novamente.

Grau II: a lesão vascular na região é maior, causando um hematoma e edema também maiores. A articulação apresenta um pouco de instabilidade combinados com maior dor e quadro inflamatório. Também ocorre ruptura parcial dos ligamentos.

Grau III: é caracterizado por dor intensa e ruptura de vasos importantes na região. A articulação apresenta grande instabilidade gerada pela ruptura total de ligamentos e extravasamento de líquido sinovial. A maioria dos casos de entorse em grau III são de tratamento cirúrgicos.

Logo após uma entorse de tornozelo já conseguimos imaginar qual é o nível de gravidade da lesão. Podemos identificar o problema através da presença de hematoma, nível da dor e da possibilidade de apoiar o peso corporal sobre a articulação lesionada.

Pacientes com entorse em grau I conseguem recuperar-se bem mais rápido e só sentem dor aguda inicialmente, depois de algumas horas essa habilidade retorna.

Entorse de Inversão

Esse é o mecanismo mais comum de entorse na prática esportiva, correspondendo a cerca de 85% a 90% dessas lesões. O mecanismo consiste em um movimento brusco que faz o tornozelo “rodar” internamente.

Quando a lesão ocorre através desse mecanismo ela acomete principalmente os ligamentos laterais. Também é possível que a entorse cause fraturas dos maléolos laterais e mediais.

Como proceder após uma Entorse de Tornozelo?

Quem trabalha com atletas ou já praticou atividades físicas competitivas sabe que parar o treinamento não costuma ser uma opção que passa pela cabeça do praticante. A maioria dos atletas realiza os primeiros procedimentos corretamente. Eles utilizam o gelo e geralmente aplicam algum mecanismo de compressão, tensores ou faixas elásticas.

O grande problema é que eles não realizam um tratamento apropriado após esses procedimentos.

Assim que ele sente alívio na dor aguda voltam ao treinamento. Essa prática aumenta o risco de entorses de repetição. O tornozelo permanece instável e o mecanismo da lesão não foi trabalhado. Ou seja, aquele indivíduo está fragilizado e precisa de tratamento.

Nas próximas lesões a pessoa ainda pode sofrer danos maiores à cartilagem por causa da instabilidade excessiva do tornozelo.

Passos após uma Entorse

Assim que uma entorse de tornozelo acontece você pode adotar os seguintes passos para garantir um retorno mais rápido à prática de atividades físicas.

1) Crioterapia

Os atletas já sabem na prática que gelo ajuda aliviar dores, principalmente no caso de lesões. Realmente, aplicar gelo é ótimo para quem sofreu uma entorse. Um artigo publicado no British Journal of Sports Medicine mostra que essa aplicação ajuda a melhorar a dor e o edema.

O protocolo de aplicação de gelo recomendado é de 10 minutos de gelo intercalado com 10 minutos de repouso. É melhor aplicar o gelo nesse protocolo do que aplicar por 20 minutos contínuo, pois o gelo contínuo gera uma vasodilatação profunda para suprir a diminuição da oxigenação superficial, tendo como efeito tardio, mais edema.

Sendo assim, aplica-se o gelo intermitente. Conseguimos usar a baixa temperatura para diminuir a dor, edema e inchaço, mas não é um tratamento definitivo, sendo apenas um paliativo.

2) Exercícios de Recuperação

Após a aplicação do gelo, muitos atletas escolhem imobilizar o tornozelo usando tensores, bracing, ataduras e até muletas. Porém, essa não é a estratégia mais recomendada. O melhor é iniciar exercícios para reabilitação da articulação lesionada assim que a dor aguda aliviar.

O tratamento com exercícios é a forma mais rápida de retornar às atividades cotidianas e físicas. Hoje em dia, pesquisas nos revelam que o movimento deve ser imediato, quanto menos imobilidade melhor.

Conclusão

Precisamos dar uma atenção especial a atletas que sofreram entorses de tornozelo por um motivo simples: eles tendem a ignorar o tratamento e querer voltar à atividade física de forma precoce.

Isso faz com que esses atletas aumentem a tendência de sofrer uma nova lesão, e, ainda mais grave.

Portanto, está na hora de adotar o tratamento correto após uma entorse de tornozelo. Além de adotar o gelo para melhorar a dor, também é importante utilizar exercícios que garantam a estabilidade articular e corrigir desvios de membros inferiores.

 

Bibliografia
Mulheres no Puerpério: Como realizar o atendimento com Hipopressiva?

Mulheres no Puerpério: Como realizar o atendimento com Hipopressiva?

Depois de três trimestres de adaptações biomecânicas, emocionais, hormonais e fisiológicas, a mulher passa pelo parto e entra no período do puerpério.

Nele, ela precisa enfrentar novamente uma série de alterações do seu corpo que está retornando ao estado anterior à gravidez. A fisioterapia é comprovadamente uma maneira de auxiliar mulheres no puerpério e oferecer-lhes uma melhor qualidade de vida.

Nesse artigo, quero propor um complemento ao atendimento fisioterápico: o uso do método abdominal hipopressivo. Aprenda como a técnica pode ajudar sua paciente e comece a aplicá-la.

Alterações no Corpo da Mulher no Puerpério

Durante a gestação, a mulher precisa passar por diversas adaptações físicas e hormonais para garantir a saúde e desenvolvimento do feto. Essas alterações se estendem pelo período dos três trimestres de gestação e chegam ao fim no momento do parto.

Mas o corpo não volta imediatamente ao seu estado anterior, afinal de contas, foram 9 meses de adaptações para receber aquela vida.

Durante a gestação, a parede abdominal sofre um estiramento para aumentar o espaço de desenvolvimento do bebê, tendo sua pressão intra abdominal (PIA) aumentada fisiologicamente. Como resultado, a linha alba estará sob os efeitos da relaxina afastando os dois feixes do músculo reto abdominal.

Durante a gravidez, a diástase é normal e esperada para que o feto se desenvolva, porém, tal alteração também pode acontecer imediatamente após o parto ou nas primeiras semanas após o acontecimento, pois os músculos levam de 4 a 6 semanas para recuperar seu controle motor (Eyal Lederman).

Após, esse período considera-se que o estiramento do reto abdominal pode ser fator de risco para:

  • Falta de Estabilização para as Vísceras
  • Hérnia visceral no Abdômen
  • Disfunções Uroginecológicas

Todos esses são problemas que desejamos evitar em mulheres no puerpério para garantir uma melhor qualidade de vida no período.

Ainda no período de gravidez, a mulher passa por alterações importantes no sistema respiratório que também é influenciada pelo aumento da pressão intra-abdominal.

O aumento da área abdominal causado pelo crescimento do feto diminui a excursão do diafragma, o que o elevará cerca de 4cm a 5cm. A caixa torácica se expande para suprir essa demanda de aumento pressórico e a frequência respiratória fica aumentada.

O puerpério é caracterizado como o período de adaptação do corpo após a gestação e pode durar de 6 a 8 semanas, o retorno total da pelve após, leva exatamente 8 semanas para recuperar seu controle motor. Todas as alterações que o corpo sofreu durante a gestação podem manter-se nesse período, causando uma série de desconfortos para a mulher.

Trabalhar com mulheres no puerpério pode ser um trabalho delicado. Além de estar passando por adaptações físicas e hormonais novamente, elas também estão alterando seu estilo de vida para a convivência com o recém-nascido.

Portanto, devemos oferecer-lhes todo conforto possível.

Benefícios do Método Abdominal Hipopressivo para Mulheres no Puerpério

Se você leu corretamente o tópico anterior, percebeu que existem diversas alterações musculoesqueléticas no corpo das mulheres no puerpério. Entre elas, temos adaptações importantes na parede abdominal, que podem levar ao estiramento  de diversas musculaturas.

O assoalho pélvico também pode sofrer com as adaptações já que suportou um excesso de carga durante o período gestacional.

O Método Abdominal Hipopressivo é bastante recomendado para ativação das musculaturas abdominais e, para retirada do peso hidráulico do assoalho pélvico, devolvendo a esses músculos sua curva de comprimento e tensão.

Caso não tenha ocorrido laceração de fibras, nesses casos devemos estar acompanhados de uma fisioterapeuta uroginecológica. O método também pode ser utilizado para auxiliar no tratamento de mulheres no puerpério com incontinência urinária.

Os objetivos da hipopressiva aplicada à essas pacientes incluem:

  1. Ativar Musculatura Abdominal
  2. Devolver as Condições Fisiológicas ao Assoalho Pélvico
  3. Normalizar a PIA
  4. Desativar a Série Muscular de Williame e Finet – Normalizando as Pressões na Cavidade Torácica
  5. Realizar o Reposicionamento das Vísceras no Peritônio
  6. Alinhar os Ilíacos
  7. Recuperar sua Forma Estética mais rapidamente.

Existem também indicativos que as aulas hipopressivas para mulheres no puerpério diminuem o afastamento das porções do reto abdominal. Assim, seria possível prevenir uma possível diástase abdominal ou hérnia, mas falaremos a respeito disso mais à frente.

Um estudo realizado com 50 mulheres no puerpério imediato mostrou diminuição no afastamento das porções do reto abdominal 12,5% com uso da hipopressiva. No mesmo período estudado, entre 6 horas e 18 horas após o parto, o grupo de controle teve diminuição de 5,4%.

Também é possível utilizar os exercícios para melhorar o tônus da musculatura abdominal que costuma estar desativado em mulheres no puerpério. Além de corrigirmos também algumas alterações posturais desenvolvidas no período gestacional e evitar compressões mecânicas mais à frente.

Hipopressiva para Tratar Diástase Abdominal após a Gestação

A diástase abdominal é uma reclamação frequente em mulheres com uma gestação recente.

Durante a gravidez acontece o estiramento dos músculos abdominais que já mencionei anteriormente. Combinado com alterações posturais, como hiperlordose lombar e anteversão pélvica, essas mudanças geram alterações fisiológicas e biomecânicas nas musculaturas abdominais.

Lembrem-se que o corpo está sempre em busca de: equilíbrio, conforto e economia.

Para tanto,se utiliza de programações corticais, que são capazes de ativar e desativar músculos para cumprir principalmente o princípio da economia. Na gravidez, não se faz diferente. O córtex desativará os músculos da faixa abdominal a fim de diminuir a PIA, para que o feto possa crescer confortavelmente.

Levará os ilíacos em abertura e anterioridade, na tentativa clara de aumentar a área interna, com o mesmo objetivo. E as alterações musculoesqueléticas, sempre se adaptaram às necessidades viscerais.

A alteração mais importante para nós quando falamos de diástase abdominal ocorre nos retos abdominais. Suas duas porções separam-se na linha alba para permitir o crescimento do útero que abriga o feto. Apesar de ser mais comum no último trimestre de gestação, a diástase também pode afetar as mulheres no puerpério.

Um detalhe importante, nem toda diástase no período gestacional ou pós-parto é considerada patológica. Uma separação das porções do reto abdominal de até 2,5 cm é considerada fisiológica.

O corpo da gestante se recupera após o parto e volta ao estado normal, lembrando que o corpo da mulher pode levar até 2 anos para se recuperar de todas alterações: são as puérperas tardias. Precisamos garantir tratamento para mulheres puérperas que possuem alterações maiores, portanto patológicas.

Temos no Método Abdominal Hipopressivo um grande aliado no tratamento e prevenção da diástase dessa população.

O método possui uma grande vantagem sobre os exercícios convencionais, pois proporciona diminuição da PIA, enquanto que os abdominais tradicionais, seja o: holliwing, bracing ou crunch elevará a pressão intra-abdominal, que já encontra-se aumentada.

Nas diástases, seria pouco eficaz utilizar exercícios abdominais convencionais que podem aumentar a PIA ainda mais..

Portanto, usando a hipopressiva para tratamento de mulheres no puerpério conseguimos auxiliar com a diástase e fornecer todos os outros benefícios do método abdominal hipopressivo.

Conclusão

Já conhecemos o método abdominal hipopressivo e seus benefícios. Mencionei aqui mesmo nesse blog como ele pode ser usado para tratamento de incontinência urinária, dor lombar crônica e as próprias diástases abdominais. Agora, você também sabe que ele é excelente para trabalhar com mulheres no puerpério.

A hipopressiva auxilia o corpo da mulher puérpera a retornar ao seu estado anterior à gestação, estimulando neuro divergências, ou seja, novas redes neuronais para este retorno.

Para isso, precisamos realizar a ativação da musculatura abdominal, a retirada do peso hidráulico do saco visceral da região pélvica, aliviando assim, a tensão excessiva que foi exercida sobre os diminutos músculos do assoalho pélvico por meses, e a desativação da tensão excessiva dos músculos da caixa torácica, através de liberações fasciais, que incluem o diafragma.

A hipopressiva também obtém melhorias para a postura, controle muscular, postural e respiratória da paciente. Além disso, é um método que auxilia na prevenção de prolapso do útero após o parto e ptoses de bexiga.

Quer um atendimento eficiente para sua paciente que encontra-se no período pós-parto? Siga minha dica e comece a aplicar a hipopressiva!

 

Bibliografia
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  • Mulheres no Puerpério Imediato: Associação com o Tipo De Parto. Universidade São Francisco, dezembro de 2008.
  • Blandine, Abdominais sem riscos.
Ativar ou não o Powerhouse durante as aulas? PARTE 2!

Ativar ou não o Powerhouse durante as aulas? PARTE 2!

Continuando o artigo da semana passada, concluímos através de vários estudos científicos, e de uma entrevista do próprio Paul Hodges, pesquisador responsável pelo desenvolvimento da estabilização do núcleo (CS), conhecido pelos profissionais do movimento como Powerhouse ou Core, de que a ativação do centro de força, acabou por se tornar obsoleta, apesar de estar fortemente enraizada, no Método Pilates e no treinamento funcional.

Se você não leu o artigo da semana passada, recomendo fortemente que o leia clicando aqui.

Continuando nossa viagem pela ciência… será que nunca deveremos ativar o powerhouse?

Apesar de não termos evidencia cientifica de que a prevenção da dor lombar seja realizada com exercícios de estabilidade e força do Core, nunca não é uma palavra bem vista pela ciência. Logo, existem sim, alguns momentos, em que o powerhouse, pode ser ativado.

Eu disse pode, e não deve. Compreendem a diferença?

Evidências Científicas e Método Pilates

Em uma revisão sistemática com meta análise de Wang X Q et al. em 2012 (para quem está pouco acostumado com termos científicos, esse tipo de pesquisa está no mais alto escalão de evidência científica) ficou claro que, a curto prazo, os exercícios com ativação do powerhouse (CS) são mais eficientes para diminuir a dor lombar, quando comparado a exercícios sem a ativação da força do núcleo.

Contudo, em um período de 6 meses, a estabilização segmentar ou ativação do powerhouse perdeu o sentido ante ao achado cientifico, não havendo diferenças entre os dois tipos de exercício.

Em 2016, Yamato TP em outra revisão sistemática com meta análise, afirma não existir estudos de alta evidência comprovando que o Método Pilates seja superior a outros métodos de tratamento.

Opa! Eu disse isso mesmo. Eu não, Yamato, que disse ainda.

Existe evidência da efetividade do Pilates na dor lombar, o que não o torna superior perante outras formas de exercício físico, logo a escolha do Pilates, como tratamento para a dor lombar, conclui Yamato, deve fazer parte da:

  • Individualidade
  • Preferência do Aluno/Paciente
  • Além do Custo

Provavelmente, pela qualidade metodológica desses achados, não é muito provável que novas pesquisas, venham mostrar o oposto. Mas, então porque nossos pacientes melhoram com o Pilates?

A sugestão científica é de que essa melhora venha acompanhada de fatores psicológicos: mais motivação, ativação neural e tolerância a dor, dentro da nova hipótese de dor lombar, e suas questões multifatoriais.

E deixo aqui claro que, o Pilates desses artigos científicos vem acompanhado da estabilização do núcleo (CS), o que a longo prazo gerará um alto custo para o indivíduo, pois gerará uma reprogramação cortical, segundo o próprio Paul Hodges, para 2 cm atrás, além de 2 cm medialmente do polígono de sustentação do indivíduo, gerando assim, mais rigidez de tronco.

Powerhouse?

Logo, e como sempre digo em meus cursos, o método Pilates foi uma filosofia de vida criada por Joseph, e não é possível galera, vou repetir, trocando as palavras dessa vez, é impossível, que um dos pilares do Pilates que sugere a força de núcleo, que Joseph se referia, fosse a mesma estabilização central (CS) de Paul Hodges.

Haja visto, que o Método Pilates foi desenvolvido na primeira guerra mundial, e que Joseph Pilates morreu em 1967, quando Paul Hodges (02 de janeiro de 1966) tinha apenas 1 aninho, tornando, pouco provável, um possível encontro dos 2 gênios para unir a Teoria da Estabilização (CS) de Paul Hodges e a casa de força de Joseph.

Gostaria de citar aqui, ainda, que, nunca li na obra original de Joseph a palavra powerhouse. Para o filósofo Joseph Pilates a casa de força era algo muito além de tentar isolar um grupo de músculos profundos.

Fui ao dicionário e encontrei que força vem do latim fortia e indica: poder, energia, impulso.

Logo, seguem as minhas conclusões individuais:

  • Fica-me muito claro, que a CS e a casa de força não são sinônimos.
  • A casa de força para Joseph poderia ser algo como o empoderamento corporal.
  • Que a parte filosófica do Método fora perdida em algum lugar do tempo.
  • Que por algum motivo, desconhecido por mim, a Teoria de Paul Hodges foi engendrada no Método Pilates.

Elucubrações à parte voltemos a realidade, com todos esses resultados científicos, tenho certeza, que Joseph jamais desenvolveria um Método de Movimento, limitando movimento, pois é isso que a CS faz. Além, de aumentar inúmeras vezes a pressão intra-abdominal (admitido pelo próprio Paul Hodges).

A pressão intra-abdominal, medida por via intra bexigal, em posição deitada com os abdominais relaxados, se considera patológica a partir de 12mm de hg.

Acima deste valor se falasse já em hipertensão abdominal e, acima de 20mm Hg, estamos em uma condição de Síndrome Compartimental Abdominal. Para os urgentistas, um caso de hipertensão abdominal e/ou síndrome compartimental, medidas urgentes de descompressão devem ser adotadas.

Todavia, segundo alguns autores, o abdômen funciona como um sistema hidráulico, cuja pressão interna normal varia de 5 a 7 mm Hg. Segundo Cernea, acima de 10 mmHg, a pressão já pode provocar danos aos órgãos intra, extra-abdominais, e também, ao sistema nervoso central.

Estes dados nos dizem, em primeiro lugar, que não existe um consenso sobre os valores normais e patológicos da pressão intra-abdominal e que, de qualquer forma, pequenas variações já podem ser suficientes para determinar uma condição patológica.

O que parece ser determinante à respeito do efeito danoso da hiper pressão intra-abdominal sobre a saúde, é principalmente o seu caráter temporal, ou seja: mais que os valores maximais, que em caso de esforço transitório podem aumentar, e muito, mesmo sem provocar danos, o que mais pode comprometer a homeostasia, é o caráter permanente, do aumento.

O tempo durante o qual a pressão intra-abdominal permanece aumentado é o que mais impacta sobre a saúde, pois, quanto maior for o tempo do aumento, piores serão os danos ao organismo.

Segundo estas pesquisas, mesmo pequenas variações da pressão abdominal, quando prolongadas no tempo, podem determinar efeitos danosos, entre eles:

  • Atraso de Cicatrização de Feridas
  • Danos e Insuficiência de:
  • Aumento de Endo Toxinas Bacterianas no Sangue
  • Transmigração Bacteriana através das Membranas Celulares – que estarão mais permeáveis ao aumento da pressão.

De fato, o que deveria ser um mecanismo favorecedor da respiração e do controle postural e que deveria permitir a normal circulação do sangue e da linfa, se torna uma bomba armada e pronta a explodir, tendo como fator determinante o tempo de duração do aumento da pressão intra-abdominal dentro do nosso corpo.

Conclusão

Nunca desejei tanto existir a máquina do tempo para bater um papo com Joseph Pilates, e só serviria ele, para esclarecer minha dúvida, visto que como disse no artigo anterior, temos pouco material escrito original deixado pelo Sr. Joseph Pilates, e pouquíssimos discípulos diretos, que já estão mortos, com exceção de Lolita de San Miguel.

Tornando o método frágil e passível à distorções. Alguém encontra a casa de força de Joseph Hubertus Pilates para mim?

 

ASSINADO: Janaína Cintas

P.S. Esse texto foi impresso e colocado dentro de uma garrafa que foi lançada no oceano, afinal é assim que os mitos começam.

 

Referências Bibliográficas
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Dor Lombar e Depressão: Como elas estão interligadas?

Dor Lombar e Depressão: Como elas estão interligadas?

Por acaso você já pensou na relação que o psicológico do seu aluno tem com a dor? Duas doenças distintas como dor lombar e depressão parecem estar pouco relacionadas, mas na verdade elas têm uma conexão bastante interessante.

Fatores psicológicos têm forte influência sobre o funcionamento do corpo.

Por isso, os profissionais do movimento não podem e nem devem ignorá-los. Quer saber como depressão pode ajudar a causar dor lombar e vice versa? Continue lendo esse artigo para ver tudo que você precisa saber!

Relação entre Episódios Depressivos e Dor Lombar

Uma revisão bibliográfica realizada com 11 estudos mostrou que sintomas depressivos estão fortemente relacionados a uma maior tendência para desenvolver dor lombar. Em idosos essa relação aumenta ainda mais.

Outro estudo, realizado com análise de dados de pacientes no Japão, identificou que indivíduos depressivos relataram índices de dor lombar mais altos.

A relação entre dor lombar e depressão pode acontecer como causa e consequência. A dor causa falta de independência, muitas vezes impede a realização de atividades diárias como trabalhar e praticar esportes e pode diminuir os níveis de autoestima do indivíduo.

Por ter um efeito psicológico tão significativo, é possível que ela seja um possível gatilho para a depressão.

Também é possível que a dor lombar interrompa o sistema de dopamina do corpo. Ou seja, mesmo quando a dor lombar não causa ou incentiva o caso de depressão, ela pode piorá-lo.

Porém, a depressão também pode ser causa da dor. Indivíduos depressivos apresentam maior sensibilidade a dor e maior probabilidade de desenvolver dores crônicas. Um indivíduo depressivo também tem maiores chances de tornar-se sedentário, que é outro fator de risco para o desenvolvimento de dor lombar.

Mesmo com todas essas informações a respeito da relação entre dor lombar e depressão, quantas vezes você já parou para pensar no estado psicológico do seu paciente?

Claro, essa não é nossa área e não podemos prescrever tratamento. Apesar disso, é importante saber identificar quando existem fatores psicológicos ligados à dor. Talvez o tratamento nunca esteja completo até que o indivíduo consiga ajuda para seus sintomas depressivos.

Por que a Dor lombar e Depressão surgem?

As relações entre dor lombar e depressão ainda não estão completamente claras para a ciência. O que podemos observar é que ela existe e que uma doença aumenta o risco para outra.

Ambos os pacientes (com dor lombar e depressão) apresentam deficiência de neurotransmissores responsáveis por sentimentos de bem estar e prazer. Entre esses neurotransmissores ficam em destaque a serotonina e a dopamina. Sua falta afeta o estado emocional do indivíduo e também seu limiar de dor.

Por isso, a dor lombar é mais intensa em muitos casos de pacientes depressivos.

Pessoas com depressão também costumam adotar importantes mudanças no seu estilo de vida. Isso leva a uma menor realização de atividades físicas ou fim da prática completamente. Alguns pacientes também apresentam piora em distúrbio do sono, outro fator de risco para desenvolvimento de lombalgia.

Aumento do Risco conforme a Idade

Na maioria das patologias a idade é um fator de risco importante, e o mesmo ocorre com a dor lombar. O problema de lombalgia em pacientes idosos, na verdade, pode estar muito mais relacionado a seus aspectos psicológicos.

Idosos perdem suas capacidades funcionais com o passar do tempo, esse é o processo natural de envelhecimento.

Isso inclui perda de massa muscular, enfraquecimento, perda de propriocepção e equilíbrio, entre outros. Já falamos nesse blog como esses fatores aumentam a probabilidade de quedas, que são extremamente perigosas para os que estão na terceira idade.

Mas precisamos ir além nessa análise e perceber como o processo de envelhecimento é prejudicial para a saúde mental da pessoa.

O idoso que teve uma piora em seus movimentos começa a evitar se locomover. Ele perde sua independência e passa a precisar de outros para ajudá-lo, o que diminui a possibilidade de contato social. O isolamento comum na velhice pode ser um importante fator no desenvolvimento de depressão.

Agora pense em como fica a situação do idoso quando existe dor lombar, e isso é muito comum na terceira idade. Os idosos estão mais propensos ao desenvolvimento da dor por causa dos diversos fatores do envelhecimento que já citei. Quando ela surge é extremamente incapacitante. Ela tem o potencial de impedir a pessoa de praticar suas atividades físicas ou conviver com seu círculo social. Ou seja, aumenta o risco de depressão.

Precisamos considerar esse fator já que vivemos em um país atualmente em processo de envelhecimento. Em 2011 já existiam cerca de 32 milhões de pessoas acima de 60 anos no país. A estimativa é que em 2025 essa faixa etária seja 15% da população, um número bastante significativo.

Por isso, é impossível ignorar o papel que a dor lombar pode ter no desenvolvimento de problemas psicológicos!

Precisamos lembrar que a qualidade de vida do idoso está diretamente ligada à sua independência. Esta, por sua vez, está relacionada à habilidade de realizar movimentos da vida diária sem apresentar risco a si mesmo.

Quero trazer outra informação aqui: a depressão é a doença psiquiátrica mais encontrada em idosos. Apesar disso, ela raramente é tratada e muitas vezes é sequer diagnosticada. Muitos familiares acabam pensando que o isolamento por parte do idoso é parte do envelhecimento.

Volto a lembrar que devemos recomendar o paciente ao atendimento psicológico quando existe necessidade. É possível que o caso de depressão nos nossos alunos mais velhos impeça a verdadeira reabilitação da dor lombar.

Conclusão

Mesmo que o profissional do movimento seja responsável por tratar os sintomas físicos do corpo, ele não deve desconsiderar a influência de aspectos psicológicos. Precisamos sempre lembrar que a dor lombar é um problema multifatorial.

Portanto, existem diversos fatores que podem estar envolvidos no seu surgimento.

A depressão parece ser um desses fatores e, mesmo que não determinar o surgimento de dor, pode influenciá-la. Devemos prestar ainda mais atenção em pacientes idosos, que apresentam maior risco tanto para o desenvolvimento de sintomas depressivos quanto dor lombar.

Se os problemas psicológicos parecerem influenciar o quadro álgico do aluno, não ignore. Essa pessoa precisará de ajuda especializada para conseguir tratamento para a depressão. Dessa maneira você também conseguirá garantir melhores resultados no tratamento da dor lombar.

 

Bibliografia
  • PINHEIRO, Marina B. et al. Relação entre dor lombar e depressão. Boletim Científico Semanal: Fisio com evidência, ed. 02, n. 1. 2018.
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