A fáscia é um tecido conjuntivo propriamente dito denso, tendo como principal característica ser ininterrupta. Ela circunda e conecta os músculos, estruturas nervosas e viscerais. Ela constitui assim um importante elemento de comunicação mecânica entre os vários sistemas corporais.

Ou seja, desempenha um importante papel na transmissão miofascial de forças (HUIJING, 2009). É um tecido ativo mecanicamente, que possui funções proprioceptivas e nociceptivas. (YAHIA et al. 1992; SCHLEIP et al. 2005; STECCO et al. 2006, 2007, 2008, 2013b; BHATTACHARYA et al. 2010; TESARZ et al. 2011).

A fáscia é descrita como uma rede tensional distribuída ao longo de todo o corpo humano (SCHLEIP & MÜLLER, 2012), gerando um componente de tensegridade. No corpo humano denominamos esse conceito como biotensegridade. A tensegridade é originalmente um elemento da engenharia, onde ocorre a transmissão de força miofascial.

Uma série de congressos internacionais de pesquisa sobre o assunto possui um consenso de que uma estrutura de tecido conectivo denso em camadas é denominada de “fáscia própria”. Entretanto, existem diversas outras estruturas anatômicas de tecido conectivo denso e fibroso que não são denominadas de “fáscia própria”. De qualquer maneira, eles são considerados elementos de uma vasta rede fascial que corroboram com a transmissão de força miofascial (FINDLEY et al., 2007; HUIJING et al., 2009; CHAITOW et al., 2012). Os elementos anatômicos que são englobados nessa rede tensional são:

  • Cápsula de articulações e órgãos;
  • Septos musculares, ligamentos;
  • Retináculos;
  • Aponeuroses;
  • Tendões;
  • Miofáscia;
  • Neurofáscia (SCHLEIP & MÜLLER, 2012)

Tensegridade

A tensegridade é um sistema de arquitetura comumente utilizado para a formação dos sistemas naturais. Os sistemas se auto-estabilizam mecanicamente devido à maneira como forças compressivas tensionais são distribuídas e equilibradas pela estrutura. (INGBER,1998). É um sistema de estabilização onde o componente passivo exerce uma constante tensão sobre o sistema articular. Assim diminui o gasto energético e o controle a nível central (WC, 2015).

Existe uma pré-tensão passiva do tecido conjuntivo que conecta tudo e permite o equilíbrio entre sistemas antagônicos nos 3 planos de movimento, visando a economia de energia. Essas tensões são geradas por:

  • Fibroblastos;
  • Miofibroblastos.
  • Proteínas contráteis;
  • Células musculares livres na matriz extracelular (MEC);
  • Fluxo de líquidos.

As tensões são transmitidas do meio extracelular para o meio intracelular por proteínas de membrana celular chamadas integrinas. Essa tensegridade gera um sistema de compensação onde aumentando a tensão em uma direção automaticamente ocorre diminuição na direção contrária (BERNAROCH, 2006; SPECTOR, 2010).

A inervação das fáscias profundas e superficiais é controlada, principalmente, pelo sistema nervoso autônomo simpático (SNAS). Já as fáscias internas (fáscias viscerais) recebem inervação simpática na sua camada superficial e parassimpática nas camadas mais profundas (serosas). O sistema aferente se constitui por mecanorreceptores (SCHILEIP, 2003), e são gerados principalmente pelos:

  • Fusos intramusculares (perimísio);
  • Órgãos tendinosos de Golgi (junção miotendínea);
  • Corpúsculos de Pacini e Ruffini (controlam a velocidade de movimento);
  • Terminações nervosas livres.

Discussões interessantes sobre pesquisas e descobertas atuais

Para cada aferência proprioceptiva de: fusos musculares, órgãos tendinosos de Golgi (OTG), Passini, Ruffini e terminações nervosas livres que é o receptor mais abundante do corpo são multimodais, ou seja, captam:

  • Alterações térmicas;
  • PH;
  • Alterações químicas;
  • Nociceptores e mecanoceptores (tensões, pressões e cisalhamento).

Nosso corpo envia sete aferências interoceptivas. A interocepção é a função fisiológica do hipotálamo em receber percepções relacionadas ao interior do organismo como:

  • PH;
  • Temperatura;
  • Tensão de fibras musculares lisas;
  • Outros.

Ou seja, o mesmo receptor que leva a informação de dor carrega também outras informações para o SNC.

Novos conceitos sobre o fuso muscular

A maioria dos fusos intramuscular ficam no perimísio (ventre muscular). Segundo Stecco o fuso ajuda a coordenar movimentos em um plano de movimento, movimentos uniplares, seja no plano:

  • Sagital;
  • Frontal;
  • Transversal.

Porém, na maioria das nossas atividades funcionais ocorrem em mais de um plano de movimento. Quem coordena esse movimento multiplanar são as junções músculo-tendinosas. Eles cruzam as articulações do corpo, onde as fáscias mudam de direção. Quem controla essas junções são os órgãos tendinosos de Golgi (OTG), e claro que temos outros receptores funcionando também.

Na verdade, o movimento acontece pelo controle da fáscia (percepções ápticas) que vão se remodelando a todo momento. Porém, isto está sendo modulado pelos fusos e pelos OTGs. O tempo de um entorse, por exemplo, é muito mais rápido, do que a ativação dos músculos fibulares para impedirem que a entorse aconteça. O que acontece portanto, é a remodelação do corpo inteiro para impedir a lesão.

Isso não quer dizer que as propriocepções não estão percebendo esse mecanismo. Toda vez que temos um desarranjo em mais de um plano de movimento, o controle, é mais realizado pelas articulações fasciais. Não somente por elas, mas principalmente pelas articulações fascias, onde cruzam as fáscias permitindo o movimento em mais de uma direção. Mais à frente, explicitarei o que são essas articulações fasciais.

O OTG coordena, em cada plano de movimento, seu agonista e antagonista, logo em três planos de movimento eu tenho 6 fontes vetoriais, ele inibe a contração muscular para a coordenação do movimento.

As fáscias de movimento

camadas musculares e a fásciaNeste artigo discutiremos a última camada da ilustração acima, chamadas de fáscias do movimento, pois envolvem os músculos.

São as fáscias epimisais e as fáscias profundas histologicamente 20% que estão nessas fáscias são proprioceptivos (mielinizados): fuso, OTG, Ruffini e Paccini. E 80% são terminações nervosas livres que também enviam informações proprioceptivas. Porém, essas são multimodais, podendo enviar, inclusive, informações emocionais, do tecido muscular.

Por isso, talvez estejamos muito próximos de entender a conexão mente-corpo e porque as emoções ficam, por vezes, retidas em tecidos periféricos. Por isso além das alterações químicas, o movimento auxilia nas questões emocionais. Logo, movimento com grandes amplitudes é fundamental para melhorar a fluidez de todo esse sistema. Essas terminações nervosas livres estão no músculo, por uma programação biológica, simpática ou parassimpática. Quem faz o corpo reagir a um stress, lutando ou fugindo é o músculo.

Anatomia das Fáscias da Cabeça, pescoço e tronco

Na cabeça possuímos uma camada de fáscia profunda (fáscia do movimento), no pescoço e no tronco temos 3 camadas de fáscia profunda.

A fáscia profunda encontra-se abaixo da: epiderme, derme e a hipoderme, logo abaixo da segunda camada de gordura corporal.

Fáscia profunda

Refere-se às camadas fibrosas densas que interagem com os músculos. Ela conecta diferentes elementos do sistema musculoesquelético e é importante na transmissão de forças. De acordo com sua espessura e relacionamento com os músculos subjacentes, é dividida em:

  • Fáscia aponeurótica (ex. fáscia toracolombar, bainha do reto, fáscia profunda dos membros);
  • Fáscia epimisal (ex. fáscia profunda do tronco).

Fáscia Profunda

Fáscia Epimisal

Nos membros é a fáscia que recobre cada músculo. Por exemplo: Fáscia epimisal do bíceps, do tríceps, do braquial, do deltóide, etc,

No tronco é a fáscia que recobre ou engloba cada músculo. Por exemplo: Fáscia epimisal dos oblíquos abdominais externo e interno, do transverso do abdômen, dos intercostais, grande dorsal, peitoral maior e menor, serrátil anterior e posterior, eretores da espinha, rombóides, etc.

Fáscia Aponeurótica

Nos membros é a fáscia que recobre todo o segmento ou membro. Por exemplo: Fáscia aponeurótica da perna, do pé, do braço, do antebraço, etc.

No tronco é a fáscia que serve de inserção de vários grupos musculares. Por exemplo: Fáscia tóracolombar e bainha do reto-abdominal.

Fáscias do crânio

fáscia do crânioEm contato com os ossos parietal e frontal do crânio temos a fáscia Epicraniana, a fáscia profunda da cabeça. Ela possui uma camada, porém bilaminar, separada por tecido conjuntivo frouxo. A parte laminar profunda está ligada ao periósteo dos ossos: frontal e parietal.

A fáscia Epicraniana vem do frontal, parietal e segue até a linha orbital superior. Quando ela atinge o olho, surge a primeira articulação fascial na parte superior da órbita, pois ela se cruza com a fáscia de Tenon.  Na verdade, ela é a mesma, só mudando seu nome. A fáscia de Tenon envolve:

  • Os seis músculos dos olhos;
  • A bolsa lacrimal;
  • O ducto lacrimal tendo continuidade na dura-máter envolvendo o nervo ótico;
  • O nervo troclear;
  • Abducente;
  • Óculo-motor (II, III, IV, VI pares cranianos).

A fáscia de Tenon envolve todas estruturas que estão dentro da órbita dos olhos.

Acima da sutura do temporal, logo acima da orelha com o parietal, temos uma linha paralela superiormente a essa sutura. Essa linha é a articulação da fáscia epicraniana com a fáscia temporal profunda que no arco do zigomático insere-se a fáscia temporal profunda. Forma mais uma articulação fascial com sua ligação a fáscia massetérica ou fáscia parotidamasseterica, porque envolve também a parótida numa envaginação se relacionando ao nono nervo, o glossofaríngeo. Ele tem a função de controlar a função de amilase, que abraça a mandíbula envolvendo o masseter, aqui temos a articulação fascial com a camada superficial da fáscia profunda do pescoço (no pescoço temos 3 camadas fasciais).

Dentro da boca a fáscia massetérica se comunica com a fáscia pterigoidea. Ela possui uma expansão chamada fáscia interpterigoidea que ajuda na formação da parte posterior da boca. A fáscia cruza de um processo pterigoideo até o pterigoideo contralateral, envolvendo os músculos pterigoideos lateral e medial.

Ainda dentro da boca temos mais uma fáscia que possui continuidade com a fáscia massetérica, anterior ao masseter e posterior ao músculo bucinador. Aí encontramos a fáscia buco-faríngea envolvendo a parte posterior do bucinador. Ela é interligada ao masseter, envolve o músculo constritor superior da faringe, e segue num trajeto descendente formando a camada adventícia do esôfago e da faringe (conecta o músculo bucinador, ao esôfago e a faringe). A fáscia passa atravessando o tórax por detrás do coração emitindo expansões para o pericárdio no nível de T4. Já na parte basilar do occipital insere a fáscia buco faríngea, e para encerrar as fáscias do crânio, a fáscia epicraniana segue até a linha occipital superior, formando mais uma articulação fascial.

As fáscias profundas que são as fáscias do movimento vêm do folheto embrionário da mesoderme.

Fáscias cervicais

No pescoço conforme, já citado temos 3 camadas profundas de fáscia com e camadas bi laminares. Logo no tronco e cervical teremos 6 capas fibrosas para formar essas 3 camadas profundas. Nas fáscias cervicais começarei falando da camada superficial da fáscia profunda (fáscias do movimento). Essa fáscia envolve os músculos esternocleidomastoideo (ECOM) e trapézio. Ela é continua com a fáscia Epicraniana.

Além disso o ECOM emite expansões fasciais para o assoalho da mandíbula, comunicando-se com a fáscia massetérica. Como o ECOM se insere no terço medial da clavícula e esterno, o trapézio insere-se nos dois terços laterais da clavícula, acrômio e na espinha da escapula. Logo a camada superficial insere-se na clavícula e na espinha escapular. Como uma parte do ECOM insere-se na parte anterior da clavícula, porém algumas fibras do ECOM seguem para ter ligação com o peitoral maior, que está na camada superficial da fáscia profunda do tronco. Já o trapézio superior se liga ao trapézio médio e inferior posteriormente.

Já na camada média bi laminar da fáscia profunda, descreverei agora a lâmina superficial da camada média da fáscia profunda que sairão do osso hioideo envolvendo os músculos infra-hioideos inserindo-se uma parte na região posterior da clavícula. Parte dela segue por baixo da clavícula ligando ao músculo subclávio. Essa fáscia também envolve o peitoral menor recebendo o nome de fáscia clavipeitoral (envolve o subclávio e o peitoral menor). Essa fáscia é um segmento da lâmina superficial da camada média da fáscia profunda.

A lâmina profunda da camada média da fáscia profunda encontra-se atrás dos músculos infra-hioideos. Envolve, portanto, tireoide, paratireoide e segue por trás da clavícula. Ela forma os ligamentos suspensores do coração e pulmão:

  • Vertebro pleurais;
  • Vertebro pericárdios;
  • Costo pleurais;
  • Transverso pleurais;
  • Ligamentos do pericárdio.

Portanto, a lâmina superficial é muscular, e a lamina profunda é visceral.

A camada profunda da fáscia profunda no pescoço envolve posteriormente todos os músculos profundos:

  • Reto da cabeça;
  • Reto do pescoço;
  • Reto anterior;
  • Reto lateral;
  • Reto posterior maior e menor;
  • Oblíquos superior e inferior;
  • Esplênios;
  • Semi espinhal da cabeça e do pescoço.

A frente do corpo vertebral cervical temos o gânglio cervical superior (simpático) se ligando posteriormente ao ligamento nucal da base do crânio até T4. Anteriormente as vértebras cervicais as 3 camadas juntam-se para envolver as estruturas corporais nobres: artéria carótida, veia jugular e nervo vago são envolvidas pela bainha carotídea.

Na altura da cervical média as bainhas carotídeas esquerda e direita se ligam através da fáscia alar. Elas se unem para comunicações sensitivas, o nervo glossofaríngeo é o responsável por levar informações do controle de oxigênio sanguíneo para o cérebro e da pressão dos vasos.

O glossofaríngeo se comunica com o vago que segue até o coração controlando-o. Além disso, temos uma comunicação da fáscia cervical profunda da camada profunda através da fáscia buco faríngea. Entre essas duas fáscias temos um espaço retro faríngeo para o alimento descer para o estomago. Além disso, a camada profunda da fáscia profunda no pescoço envolve também o escaleno. Ele se insere na primeira e segunda costela, sendo continuo com os intercostais.

A camada superficial da fáscia profunda envolve o trapézio e o ECOM, tendo continuidade com o peitoral maior que se insere na clavícula, esterno e costelas. No esterno parte de sua fáscia segue para o lado contrário envolvendo o peitoral contralateral. A outra parte costal tem continuidade com o músculo oblíquo esterno. Por detrás do tronco a camada superficial da fáscia profunda o trapézio se liga ao grande dorsal, inserindo-se na fáscia toraco-lombar, ombro e crista ilíaca.

A camada média da fáscia profunda em sua lâmina superficial sai do hioideo envolvendo os infra-hioideos passando pela clavícula, envolvendo o subclávio e o peitoral menor que se insere nas 3, 4, 5 e em alguns casos 6 costelas. Ele se comunica com o oblíquo interno e o serrátil anterior, unindo a bainha do reto abdominal. O reto abdominal está em todas camadas, que se junta para forma-lo, na linha alba.

Na região posterior do tronco o serrátil anterior envolve todos os músculos da escápula que se comunica com os romboides.  Liga esse segmento fascial ao ligamento nucal e os ligamentos inter e supra espinhais. A camada média da fáscia profunda do tronco envolve o serrátil póstero-superior e o serrátil póstero-inferior.

A camada profunda da fáscia profunda envolve as fáscias cervicais e tem continuidade com os intercostais e transverso abdominal. A folha profunda dos intercostais está em contato com a cavidade torácica, fundindo-se com a pleura parietal. Ele forma a fáscia endo-torácica para garantir nossa fonação e respiração ao mesmo tempo. Já no abdômen essa ligação não acontece a fáscia transversalis não tem ligação do peritônio parietal com a fáscia muscular mais interna.

No abdômen o oblíquo externo está localizado na camada superficial da fáscia profunda, o oblíquo interno na camada média da fáscia profunda e o transverso abdominal na camada profunda da fáscia profunda. Essas três fáscias se unem para formar a bainha do reto do abdômen.

A capa que envolve o oblíquo interno cruza-se para o lado contralateral, cruzando a bainha do reto abdominal para envolver o músculo oblíquo externo. Isto ocorre, pois, o tendão segue a linha de tensão do músculo para transmitir as tensões musculares. Como as fibras têm outra direção é chamada de aponeurose do oblíquo externo. A função das aponeuroses não é a transmissão de forças, mas sim organizar movimentos.

Na região posterior do tronco os trapézios (superior, médio e inferior) se conectam com o músculo grande dorsal ligando-se a fáscia tóraco-lombar para se conectar ao glúteo do lado oposto.

Temos ainda uma coluna interna no corpo que forma seu pilar de sustentação chamado de tendão central que envolve o:

  • Cérebro;
  • Encéfalo;
  • Medula.

Através da dura mater o tendão central se conecta com a camada profunda da fáscia profunda e com a camada média da fáscia profunda da cervical. Juntas, elas envolvem as estruturas cervicais chegando até:

  • Pericárdio;
  • Pleura;
  • Diafragma;
  • Psoas que se encontra posteriormente;
  • Peritônio.

Chega até as fáscias do assoalho pélvico, encerrando o tendão central. Logo o tendão central é formado pela camada media da fáscia profunda e camada profunda da fáscia profunda.

Conclusão

Como vimos a fáscia e única e emite expansões para todos os planos, sentidos, direções em diferentes continuações que se engendram para as vísceras, ossos, sistema nervoso e todos os tecidos corporais, impossível pensarmos em fáscia sem antes entendermos suas conexões anatômicas.

Bibliografia

Functional Atlas of the Human Fascial System

-CARLA STECCO MD Orthopaedic Surgeon; Professor of Human Anatomy and Movement Science, University of Padua, Italy English Language Editor Warren Hammer DC MS Postgraduate Faculty, New York Chiropractic College, NY, and Northwestern Health Sciences University, Bloomington, MN, USA Forewords by Andry Vleeming PhD Professor, Department of Anatomy, Center of Excellence in Neuroscience, University of New England, Maine, USA; Professor, Department of Rehabilitation and Kinesiotherapy, University of Ghent, Belgium; Program Chairman, World Congress Lumbopelvic Pain Raffaele De Caro MD Full Professor of Human Anatomy, Director, Institute of Human Anatomy, Department of Molecular Medicine, University of Padua, Italy; President, Italian College of Anatomists

– Leonardo Sette Vieira ABF- Academia Brasileira de Fascias