O alinhamento postural no Pilates acontece geralmente através das musculaturas do corpo.

Apesar de ser uma maneira de obter resultados com as aulas, venho aqui propor uma alternativa. A opção seria trabalhar com o alinhamento através dos vetores articulares do corpo.

Hoje compreenderemos como os vetores articulares influenciam no alinhamento corporal e como podemos trabalhar isso em aula. Eles são importantes ferramentas que te ajudarão a melhorar seu atendimento aos alunos de Pilates e a criar cada vez mais resultados em aula.

Vamos aprender mais sobre o alinhamento postural no Pilates?

O que é um Vetor?

Podemos definir um vetor como uma grandeza vetorial ou grandeza escalar. Esse é um conceito matemático com conseguimos aplicar na biomecânica para nos auxiliar na compreensão de movimentos e exercícios. O vetor possui:

  • Direção: Horizontal ou Vertical
  • Sentido: Direita ou Esquerda
  • Módulo de Intensidade: 10N

Eles atuam inclusive em equipamentos do Pilates como o Cadillac.

Nesse caso específico existe um sistema quadriculado com soma de vetores. Preciso necessariamente saber disso para preparar minha aula de Pilates? Não, mas a compreensão dos vetores de força presentes no equipamento ajuda o instrutor. Através deles conseguimos realizar um melhor posicionamento das molas no exercício.

No corpo existe o que chamamos de vetores articulares. São 8 deles ao todo que influenciarão no alinhamento postural no Pilates, além do alinhamento articular.

Primeiro Vetor: Metatarso

O primeiro vetor existente é o vetor do metatarso, que descreve nosso apoio ao solo. Joseph Pilates considerou esse vetor extremamente importante em seus trabalhos. Perceba como o Método tinha como prioridade o trabalho dos footworks.

A partir desse vetor conseguimos trabalhar a distribuição de peso adequada dentro do polígono de sustentação, que é:

  • Primeiro Metatarso
  • Quinto Metatarso
  • Calcâneo

Para conseguirmos explorar bem esse vetor articular precisamos intensificar sua estabilidade. Isso só é possível ao criar um tônus muscular adequado na região. Por isso a importância de realizar um trabalho adequado com os pés durante a aula de Pilates.

Segundo Vetor: Calcâneo

Esse vetor também faz parte do nosso triângulo de sustentação. Eles possui direção vertical ao solo e sua força gera uma pequena rotação do fêmur para fora. Como resultado também acontece ativação dos rotadores internos do fêmur, estabilizando a articulação coxofemoral.

Através desse vetor conseguimos ver uma relação íntima entre pés e quadril. Ele é móvel e pode ser aplicado também no sentido oposto. A mobilidade da articulação coxofemoral é resultado da interdependência entre membros inferiores e quadril.

Durante as aulas de alinhamento postural no Pilates devemos trabalhar esse vetor sempre com os joelhos alinhados e voltados para a frente.

Terceiro Vetor: Púbis

O terceiro vetor está relacionado com a pelve. Quando está ativado ele causa um ligeiro direcionamento do púbis e aciona a musculatura abdominal. Quem trabalha com o Método já deve estar começando a perceber a relação desses vetores com o alinhamento postural no Pilates.

Esse vetor está diretamente ligado à distribuição do peso normal na pelve. Ele também interfere na tonicidade dos músculos dos glúteos e assoalho pélvico. Teremos uma ativação em intensidade diferente desse vetor para alunos com diferentes problemas posturais como hiperlordose lombar ou retificados.

Precisamos saber lidar com esse vetor especialmente nos exercícios de rolamento que existem no Pilates. Através dele conseguimos achar o ponto de equilíbrio e força máxima no aluno.

Quarto Vetor: Sacro

Está ligado ao sacro que deve estar acionado e voltado para baixo. Ele é diretamente ligado ao terceiro vetor articular e à musculatura posterior do corpo. Através do seu ativamento o quarto vetor libera as pressões nos discos intervertebrais da região lombar. Quando ele se encontra ativado o sacro fica numa posição quase vertical e alonga a coluna lombar.

É normal encontrarmos alunos que possuem músculos da região posterior com um excesso de trabalho e fortalecimento errado. Assim, o quarto vetor fica desequilibrado em relação ao terceiro vetor.

A sinergia entre esses dois vetores funciona da seguinte maneira:

  • Terceiro Vetor: ativa a musculatura abdominal e melhora a percepção da pelve, dirigindo o movimento.
  • Quarto Vetor: desperta a presença da projeção da coluna lombar.

Quinto Vetor: Escápulas

É responsável por direcionar as escápulas para baixo e para a lateral opondo os acrômios. O vetor gera a ampliação da cintura escapular através da abertura do espaço interno do tórax. Ele ajuda a aliviar parte das tensões na região do trapézio.

Sua ativação consiste na sensibilização da cintura escapular. O direcionamento das escápulas para baixo através do quinto vetor gera um arredondamento das costas.

Ele é uma ótima ferramenta para utilizarmos em nossos alunos retificados que não conseguem ativar o primeiro vetor. Já vou avisando: esses alunos são muitos.

Sexto Vetor: Cotovelos

Podemos considerar esse vetor como uma continuidade do quinto vetor.

Ele consiste no direcionamento ósseo de lateralização dos cotovelos. Sua ativação permite usar o úmero para complementar a direção das escápulas e aumentar o espaço da articulação escapuloumeral. A compressão nessa articulação acontece através da frouxidão ligamentar que também gera hiperextensão de cotovelos.

O quinto vetor aciona a musculatura inter-escapular, principalmente o serrátil anterior, e também separa as escápulas. Nas aulas sempre devemos trabalhar com esse vetor ativo.

Sétimo Vetor: Metacarpo

É um vetor que se encontra nos ossos do metacarpo, que devem ficar girados para fora e direcionar a rotação externa do antebraço. Ele é responsável por gerar e dar função às mãos, realizando sua ligação com as escápulas, braços e antebraços.

A ativação desse vetor amplia espaços articulares entre metacarpos e falanges. Deve estar ativado nos exercícios para aproveitar a energia cinética. Ele também ajuda a nos equilibrar. Perceba que a primeira ação realizada quando existe desequilíbrio é estender membros superiores.

Oitavo Vetor: Sétima Vértebra Cervical

A sétima vértebra cervical realizar o alinhamento final do corpo e faz a ligação com o crânio. A sétima vértebra cervical deve estar sempre direcionada anteriormente através da ativação do músculo longuíssimo do pescoço. Sua alavanca de força traz o crânio posteriormente, assim conseguimos realizar seu alinhamento gravitacional do corpo.

Através desse vetor conseguimos a sustentação da cabeça e a flexibilidade cervical. Precisamos dele ativado quando trabalhamos em bipedestação para conseguir ter uma sensação de alinhamento da região occipital com a sétima vértebra cervical.

Se ele estiver corretamente aplicado o queixo ficará paralelo ao solo. Ele proporciona também espaço na cavidade da traqueia e melhora o uso das cordas vocais. Sua ativação ajuda na descompressão das vértebras cervicais. Ele também está ligado diretamente ao terceiro e quarto vetor.

Como os Vetores articulares trabalham com Alinhamento Postural no Pilates?

Percebemos que os vetores articulares propõem uma nova maneira de realizar a organização articular.

Podemos comandar nossas aulas através das articulações e não dos músculos, como é mais comum. Assim conseguimos compreender melhor o corpo e realizar seu alinhamento postural no Pilates de maneira eficiente.

A musculatura sempre responde a esse feedback de entrada. Sem os músculos é impossível organizarmos os vetores articulares. Tudo que fazemos através dessa proposta é inverter a ordem.

Ao invés de solicitarmos um movimento através da contração muscular, pedimos a organização dos vetores. Os músculos acompanharão esse movimento.

Não quero dizer qual organização é melhor. Só estou mostrando uma nova maneira de olhar para o corpo considerando que é impossível organizá-lo sem ativar os vetores corporais. Também é impossível separá-los do movimento que surge.

Assim, devemos conhecer sua existência e ação para utilizá-los de maneira eficiente na organização corporal.

O aluno também deve ser capaz de lidar com seu corpo no espaço da maneira mais equilibrada possível. O próprio Joseph Pilates via o Método como uma maneira de ajudar seres humanos a encontrar melhores caminhos de adaptação para o corpo.

Ao dominar esses vetores conseguimos alinhar o corpo do nosso aluno mesmo que ele tenha problemas de consciência corporal durante as aulas. O importante é ajudar o aluno a descobrir seu próprio caminho sensorial, não importa se esse caminho é muscular ou articular.

 

Bibliografia

  • A Escuta do corpo Sistematizacao da Tecnica Klauss Vianna
  • Jussara Miller
  • Summus Editorial