Alguém que trabalha com movimento e quer ser um profissional completo precisa de conhecimento nas disciplinas de anatomia biomecânica da coluna vertebral. Estudo dos dados anatômicos e biomecânicos são essenciais para que os profissionais consigam traçar condutas de atendimento eficientes.

Através deles conseguimos evoluir o quadro do paciente/aluno. Também nos tornamos aptos a contribuir significativa e qualitativamente para a melhor compreensão das sequências motoras envolvidas.

Devemos ver o paciente através do seu corpo fisiológico ou adoecido. Essa visão deve conseguir descobrir o que ele acoberta e quais compensações esconde. Isso só é possível através de muita dedicação e estudos.

Mas antes de entendermos sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral, precisamos estudar esses dois conceitos separados.

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O que é Anatomia e Biomecânica?

Chamamos de anatomia a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. É a disciplina base para cursos da área do movimento. Sua história é confundida muitas vezes com o próprio surgimento da medicina.

A biomecânica é um estudo de forças que atuam pelo corpo humano. Ela pode ser considerada como parte inerente ao movimento, já que todo movimento é um efeito mecânico (físico). O movimento é sempre realizado por uma força que atua diretamente ou indiretamente sobre o corpo humano.

Portanto, esses princípios físicos sempre estarão envolvidos no movimento e na anatomia biomecânica da coluna vertebral. Logo, este estudo é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou são.

Por razões didáticas quero discutir aqui a anatomia e biomecânica da coluna vertebral. Muitos profissionais preferem estudar protocolos de atendimento prontos, mas desejo convencê-los a ser críticos. É preciso ter boas bases de discussão e análise diante de um caso. Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e biomecânica.

Costumo dizer que o movimento é feito de detalhes. A resposta para o caso do seu paciente com certeza estará no conhecimento anatômico e/ou biomecânico ou na anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Leis que regem os Desequilíbrios Corporais

Através do estudo dessas áreas compreendemos todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que nosso corpo obedeça três leis. Elas são responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismos:

  • Lei do Equilíbrio: Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico) é sempre prioridade e as soluções encontradas são sempre econômicas.
  • Lei do Conforto: O funcionamento de um corpo são, fisiológico é sempre confortável, já o comportamento de um corpo não fisiológico, estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.
  • Lei da Economia: Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Entendendo essas três leis, fica lógico os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo. Precisamos nos atentar principalmente para a retroalimentação dessas leis.

Vamos agora à anatomia biomecânica da coluna vertebral?

Coluna Vertebral

A coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si. São elas:

  • 7 Vértebras Cervicais
  • 12 Vértebras Torácicas
  • 5 Vértebras Lombares
  • 5 Vértebras Sacrais Fundidas
  • 4 Vértebras Coccígeas

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

Originalmente pensávamos que eram os ligamentos os responsáveis pela estabilidade das vértebras. Hoje sabemos que eles somente direcionam os movimentos produzidos e protegem as vértebras de movimentos bruscos ou forças excessivas aplicadas na coluna. Os verdadeiros estabilizados são os músculos.

O músculos e suas fáscias extremamente potentes são os grandes responsáveis pela proteção do eixo raquidiano. As vértebras são estruturas fixas que ficam justapostas. Sua ligação se dá pelas articulações interapofisárias. Elas servem como guia para os movimentos.

Entre as vértebras encontramos o disco intervertebral. O conjunto de discos e articulações são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. Em conjunto, essas estruturas permitem mobilidade articular principalmente pelas distribuições de força realizadas na coluna vertebral durante o movimento.

Logo, entendemos o motivo de essas estruturas serem tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral e a importância da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Existe uma vértebra padrão, mas elas sofrem pequenas alterações de acordo com o nível da coluna em que se encontram. Isso acontece devido às especificidades de todos os segmentos da coluna vertebral, que são diferentes.

Funções da Coluna Vertebral

A anatomia biomecânica da coluna vertebral é muito importante porque a coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas: a escapular e a pélvica. Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Na estática, quando existem forças sem movimento, uma coluna saudável terá seus ligamentos e tensores musculares equilibrados e relaxados. Eles só funcionarão para manter o equilíbrio estático diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé. Essas estruturas se contraem e relaxam logo em seguida.

Assim, o equilíbrio é restabelecido. Se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio, ele adoecerá.

Na função cinética da coluna qualquer movimento que ocorre entre as duas cinturas gera uma regulação automática de tônus dos músculos estabilizadores do tronco.

Também percebemos a ativação de um complexo sistema de compensação postural. Isso gera deslocamentos gravitacionais importantes. Quando ocorre qualquer encurtamento surge fraqueza muscular ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral sofre constantemente um dilema contraditório. Ela precisa ser rígida o suficiente para ter suporte da compressão axial exercida pela força gravitacional e massa do indivíduo. Porém, também precisa manter sua mobilidade para que os movimentos aconteçam de forma organizada segundo a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Para que isso ocorra a coluna tem que manter equilibrada suas três funções:

  1. Estática: exercida pelos corpos e discos vertebrais, principalmente pelas fáscias musculares;
  2. Cinética: feita pelos músculos;
  3. De proteção: efetuada pelo canal vertebral.

A manutenção equilibrada da postura estática e um controle dinâmico adequado são condições fundamentais para nosso corpo responder de maneira eficiente às demandas impostas.

Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como: a habilidade da articulação retornar ao seu estado original, após sofrer uma perturbação.

Subsistemas da Coluna

Vindo de encontro com as ideias abordadas neste artigo sobre anatomia biomecânica da coluna vertebral, um estudo a respeito da estabilidade articular da coluna vertebral, diz que o sistema de estabilização da coluna incorpora três subsistemas:

  • Passivo
  • Ativo
  • Neural

O subsistema passivo é composto pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentares.

Ele contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, onde desenvolve forças reativas que resistem ao movimento. Entretanto, em torno da posição neutra da articulação, ele não oferece nenhum suporte estabilizador significativo.

O subsistema ativo contempla as estruturas musculares quando desempenhando suas funções contráteis. Este, diferentemente do primeiro, atua na obtenção mecânica da estabilidade mesmo a partir da posição neutra. Ele é capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

O terceiro subsistema, o neural, é aquele que monitora e regula de forma contínua as forças ao redor da articulação. É baseado na organização armazenada no córtex cerebral.

O comportamento não linear das estruturas ligamentares em torno da posição neutra a tornam uma região de elevada frouxidão ou baixa rigidez. A zona neutra permite que os deslocamentos ocorram com o mínimo de resistência interna de estruturas passivas.

Quando uma lesão ocorre nos subsistemas passivo ou ativo teremos um aumento não fisiológico da amplitude da zona neutra. A atividade muscular é capaz de minimizá-las e mesmo restaurar os limites fisiológicos. Perceba que as musculaturas possuem um papel fundamental na busca por estabilidade.

A compreensão dos mecanismos cinesiopatológicos, que envolvem o desenvolvimento das disfunções musculoesqueléticas, é fundamental para a definição de estratégias para sua prevenção, tratamento e treinamento.

Por esse motivo, busca-se o entendimento das instabilidades articulares. Elas são apontadas como risco para potenciais lesões teciduais, e componente básico de inúmeros processos degenerativos e álgicos.

Curvaturas da Coluna Vertebral

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). A frente das lordoses sempre possuem longos e potentes, que é o caso dos flexores do pescoço e reto abdominal.

Já a frente das cifoses possuem músculos chatos e profundos, como o Serrátil Anterior. Ele é ligado à função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital observamos:

  • Cifose Craniana (protegendo o cérebro)
  • Lordose Cervical
  • Cifose Torácica (protegendo os pulmões e coração)
  • Lordose Lombar
  • Curvatura Sacral Côncava (protegendo os órgãos da pelve menor)

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano.

Essas pressões surgem partir do momento que estamos expostos a força gravitacional e a força de peso normal ou massa do indivíduo (descendente) e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Por isso a importância do estudo da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Classificação das Curvaturas Corporais

Sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral, classifica-se quanto às curvaturas vertebrais:

Quanto mais retificada (retilínea) forem as curvaturas, define-se como uma coluna do tipo funcional estática. Quanto maior forem as curvaturas vertebrais indicativo de uma coluna do tipo funcional dinâmica.

Além disso, quanto mais acentuadas forem as curvaturas mais mobilidade e quanto menos acentuada maior rigidez.

O recém-nascido apresenta somente uma curvatura corporal que é realizada por um padrão de flexão global (adequação ao útero materno). Logo após o nascimento, a força gravitacional contínua, obriga o bebê a realizar uma inversão de algumas dessas curvaturas para se movimentar.

À medida que seus reflexos inatos vão sendo sobrepostos pelo controle de movimento essas curvaturas começam a se formar.

A primeira delas é a lordose cervical. Como o desenvolvimento neuro-psico motor é céfalo-caudal e próximo distal, nada mais lógico que o primeiro segmento corporal que o bebê consiga controlar é o segmento cervical. Ele suporta regula os movimentos da cabeça, invertendo assim a curvatura cervical para uma lordose chamada de primeira curva secundária.

A segunda curva secundária é formada quando a criança passa da posição de quadrúpede para bípede e é chamada de lordose lombar. As curvaturas secundárias são mais flexíveis, em contrapartida mais frágeis.

Diferenças entre Segmentos Vertebrais

Com exceção do atlas e axis (não palpáveis), as duas primeiras vértebras cervicais, todas as vértebras da coluna possuem basicamente a mesma constituição que se dividem em duas partes principais:

Parte anterior, onde se encontra localizado o corpo vertebral que tem a função de sustentação. Parte posterior, onde se encontra o arco vertebral que é formado por:

  • Dois pedículos;
  • Duas lâminas;
  • Quatro processos articulares (dois superiores e dois inferiores).

Essas partes da anatomia biomecânica da coluna vertebral são responsáveis pelo contato articular. Também existem outras regiões que formam a vértebra:

  • Processo espinhoso (responsável pelo controle da mobilidade local);
  • Dois processos transversos;
  • Canal vertebral;
  • Forame intervertebral.

Esses dois últimos ligados a função de proteção de nossas estruturas nobres (medula espinhal).

Basicamente podemos dizer que a parte anterior da vértebra está associada à função estática da coluna e a parte posterior ligada à função cinética da mesma.

Modificações das Vértebras

A coluna cervical e lombar são as de maior mobilidade. As vértebras conforme já dito anteriormente possuem basicamente uma mesma conformação com algumas modificações específicas para algumas funções.

Para entendermos melhor a anatomia biomecânica da coluna vertebral, vamos falar especificamente de cada parte da coluna.

Coluna Cervical

Para começar a entender a anatomia biomecânica da coluna vertebral, precisamos saber que o corpo vertebral normalmente possui uma forma cilíndrica. No caso da região cervical possui uma forma retangular com as extremidades laterais se prolongando para cima em forma de um unco e as formas inferiores incisadas para perfeito ajuste articular.

Essa forma possibilita grande estabilidade para essa região. A adaptação é importante devido a sua característica de bastante mobilidade. Seus processos espinhosos são maiores nas porções inferiores da coluna cervical. Eles limitam consideravelmente os movimentos de extensão do pescoço.

O ápice de proteção está em C7 que possui o maior processo espinhoso da coluna cervical.

O atlas e o axis são vértebras atípicas responsáveis somente pela mobilidade da coluna cervical. Não possuem disco intervertebral e produzem os movimentos de rotação, flexo-extensão e lateralização.

Um dado comprobatório disso é a possibilidade de flexionar a cabeça em 35° sem a participação do pescoço. Isso explica as cirurgias cervicais onde são retirados ou estabilizados, com hastes, de algumas vértebras. A amplitude de movimento total fica comprometida, porém é possível fazê-la.

Nos discos Entre C2 e C7 são realizados os movimentos de flexo-extensão e lateralização combinados com uma ligeira rotação.

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Coluna Torácica

Já na coluna torácica é possível a realização de todos os movimentos, porém numa menor amplitude de movimento.

A limitação é dada pela caixa torácica, a qual é diminuída entre TI e T VII. Nessas regiões estão fixadas as escápulas e costelas, formando um arco costal junto ao esterno anteriormente.

Entre TXI e TXII não existe ligação com o esterno, pois nessa região a mobilidade é significativa.

Coluna Lombar

Os corpos vertebrais são maiores nas vértebras lombares, pois suportam o maior índice de carga axial de toda coluna. Possuem alguns movimentos como a de flexo-extensão, inclinação e mobilidade de diminuta para as rotações, importantes para a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Assim como a transição entre TXII e LI também possui essa rotação. Devemos ser cautelosos com esses movimentos de rotação nessas regiões caso as cadeias musculares não estejam completamente livres.

Mencionei anteriormente que possuímos dois tipos de funcionais de coluna: estático e cinético.

Devemos ter ampla compreensão desses tipos funcionais na hora de reabilitar o aluno. Alguém com uma coluna predominantemente estática (retificada) terá mobilidade diminuída. Portanto, sua compressão axial será maior.

Essa pessoa estará mais suscetível a uma dor lombar proveniente de uma lombociatalgia. Seus músculos estarão mais retesados e o ciático estará sofrendo maior compressão.

Em um tipo funcional cinético a lombalgia provavelmente estará relacionada a:

  • Aumento da Mobilidade
  • Hiperlordose Lombar
  • Horizontalização do Sacro
  • Força de Tração Anterior Aumentada

O tratamento para lombalgia é diferenciado para os diferentes tipos de coluna, já que os mecanismos fisiopatológicos são distintos.

Disco Intervertebral

O disco intervertebral é o grande contribuinte para uma coluna saudável e anatomia biomecânica da coluna vertebral, o qual sua estrutura se divide em duas partes:

  • Núcleo Pulposo
  • Anel Fibroso

O núcleo pulposo é a parte central formada de 88% de água e com uma capacidade hidrófila muito grande. Ele fica protegido por um potente sistema de contenção conhecido como anel fibroso, formando assim um componente hermeticamente fechado.

Tem a função de suportar as fortes pressões axiais sofridas pela coluna constantemente enquanto estamos em bipedestação.

Uma boa noite de sono contribui muito com a saúde da coluna vertebral. É durante a noite que a ação da gravidade cessa sobre a coluna vertebral, permitindo assim que a água do núcleo pulposo retorne ao seu centro (capacidade de hidrofilia).

Durante o dia o núcleo vai perdendo a água para reequilibrar as forças sofridas pelos movimentos e a ação gravitacional. O estado de atonia proporcionado pela fase REM do sono também é fundamental aos músculos. Ele proporciona um estado de não contratilidade para o descanso necessário.

Movimentos da Anatomia Biomecânica da Coluna Vertebral

Devemos lembrar que os movimentos articulares em cada segmento vertebral da anatomia biomecânica da coluna vertebral são muito limitados. É a somatória da pequena mobilidade de cada segmento que dá a ampla mobilidade da coluna.

Na flexão a vértebra subjacente se inclina anteriormente. Ela diminui o espaço articular na parte anterior do espaço articular. Isso tende a pinçar o anel fibroso e empurrar o núcleo pulposo posteriormente.

Os processos articulares e espinhosos se afastam e todo sistema ligamentar posterior se encontra tenso. Durante a extensão a mecânica ocorrida é exatamente oposta.

Nas inclinações laterais, a vértebra superior báscula lateralmente sobre a vértebra inferior. Com isso há diminuição do espaço do lado côncavo e o núcleo pulposo se desloca para o lado convexo. Também há aumento dos espaços articulares e tensionamento dos ligamentos nesse lado.

As rotações geram uma torção sobre o disco que produzem uma tensão (força de cisalhamento) das fibras com a diminuição de todo espaço articular e tensão no sistema ligamentar. Por esse fato as rotações são mais susceptíveis a lesões caso o movimento não esteja em boa organização, com a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Compensações nos Movimentos

É importante ressaltarmos que, segundo Leopold Busquet (2010) apenas 5% das hérnias são verdadeiras, e essas são cirúrgicas. Considerando a segunda Lei de Pascal, que diz que uma força empregada em um sistema hermeticamente fechado, no caso dado pelo anel fibroso, gerará uma força e pressão distribuída de forma coesa.

Logo o núcleo pulposo é deslocado para um determinado lado dependendo do movimento. Porém aquela visão antiga que tínhamos de que a pressão também estará aumentada daquele lado é errônea.

Toda essa mecânica estrutural e anatomia biomecânica da coluna vertebral só terá eficácia se a musculatura, seja ela estabilizadora ou produtora, funcionar de forma coesa, funcional e estruturada.

Caso contrário, nosso organismo é inteligente o suficiente para gerar mecanismos compensatórios. A princípio só funcionarão para a produção do movimento, mesmo que ele produza uma carga excessiva sobre determinada estrutura, ou algum enfraquecimento ou encurtamento de músculos.

Ao longo prazo esse mecanismo, aparentemente efetivo, gerará as mais diversificadas lesões. Algumas pesquisas afirmam que aos 30 anos de idade grande parte da população apresenta zonas de hiperpressão óssea nas radiografias.

Ou seja, estruturas que começam a apresentar os primeiros sinais de desgaste mecânico. Caso o ajuste mecânico não seja realizado, serão estruturas que em médio prazo já tendem a apresentar algum nível de desgaste articular.

Paul Hodges

Paul Hodges sugeriu, a partir dos estudos de Panjabi, que a melhor estratégia para estabilizar a coluna é frequentemente o movimento. É uma ideia bastante diferente da rigidez que muitos impõem sobre a anatomia biomecânica da coluna vertebral.

A perturbação é menor quando existe uma preparação para o movimento e ajustamento da posição da coluna. Assim, a estabilidade deixa de ser um impedimento do movimento.

Na maioria das vezes estabilidade envolve pequenos movimentos sutis feitos no momento certo. Alguém que tenha dor lombar tem seus movimentos comprometidos. De acordo com Hodges, a optimal stability não se dá sobre a geração máxima de contração, no caso, do Power House.

Na verdade, ela acontece com a contração dos músculos corretos, com a intensidade certa e no momento certo. Isso é importantíssimo porque as contração musculares para estabilizar a coluna têm um alto custo:

  • Restringem da respiração;
  • Exercem maior pressão sobre o assoalho pélvico;
  • Comprimem a coluna vertebral.

A atividade muscular da estabilização do núcleo deve preceder quaisquer forças que possam perturbar a coluna. Por isso Hodges considera que a o timing, a antecipação e atividade muscular feedforward são o mais importante.

Sabemos que o transverso é o principal músculo de estabilização da coluna vertebral. Portanto devemos conhecê-lo profundamente antes de trabalhá-lo no nosso aluno.

Transverso do Abdômen

O transverso do abdômen é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. Acredito em sua interdependência e ainda na existência de dois músculos transversos. É possível dividi-lo em:

  • Transverso Direito
  • Transverso Esquerdo

Discordo do comando que tantos instrutores usam de levar o umbigo para a coluna. Isso só ajuda a realizar a ativação com a colaboração dos retos abdominais. O transverso não é o responsável por esse movimento.

Também existe um grande engano no Brasil sobre a contração do transverso. Perceba as linhas de tração do transverso, sua origem e inserção. Agora analisemos uma contração concêntrica dos transversos.

As linhas inferiores do transverso o tracionam para dentro e para baixo. Elas alargam a parte inferior do abdômen como as figuras que criamos de cinturão, espartilho e outras. É mais um fator que devemos levar em consideração na contração do transverso. Isso impede que o músculo realize sua contração somente no sentido interno.

O transverso traz sua contração para a crista ilíaca de forma ascendente. Assim formamos uma cintura fininha na altura de suas fibras médias que são horizontais, não nas fibras inferiores e superiores.

O comando que devemos dar é de aplanamento do abdômen com a formação de uma cintura fininha. Não devemos fazer o aluno empurrar as vísceras para baixo para não fadigar o assoalho pélvico. Toda a linha osteopática fala em fadiga do assoalho pélvico e não fraqueza e não fraqueza.

Conceito da Estabilidade

Agora analisaremos o conceito da estabilidade segundo a física mecânica. Adianto que diante de todas as pesquisas apresentadas o Método de Joseph Pilates foi genial em suas soluções.

A estabilização segmentar ou o fortalecimento do Power House é usado até hoje depois de ser proposto por Pilates.

Fazemos isso por acreditar que quanto mais forte for o Power House, mais estável será a coluna. Pela física esse conceito não estaria errado, porém está mal compreendido. Confundimos estabilidade com rigidez e esquecemos da mobilidade.

De acordo com a física, estabilidade é a energia potencial de um corpo. Essa energia pode ser armazenada nesse corpo e transformada em energia cinética (de movimento).

Tudo só é possível se o corpo estiver equilibrado, por isso a importância da anatomia biomecânica da coluna vertebral.

A energia potencial gravitacional gerada pela força solo pode ser transformada pelos nossos tendões e músculos em energia cinética. Isso gera estabilidade o corpo em movimento.

Estabilidade é igual rigidez vezes mobilidade. Se fortalecermos o Powerhouse em demasia geramos rigidez e pouca mobilidade. Portanto, acabamos perdendo a energia potencial elástica gerada pelos músculos.

Se formos móveis em excesso também teremos um problema. Perdemos estabilidade e também não conseguimos gerar energia potencial elástica.

Um corpo equilíbrio deve conseguir utilizar de forma econômica uma fonte de energia cinética para o movimento sem riscos de lesões. Por isso podemos ver que o Método Pilates é um exercício completo. Ele trabalha na mobilidade e na estabilidade (rigidez).

Só é preciso um ajuste de menos força para a estabilidade segmentar. Queremos realizar menos força para garantir estabilidade sem gerar rigidez ou aumento da pressão intra cavitária.

Biomecânica da Coluna Vertebral

Antes de começar a estudar a mecânica da coluna vertebral devemos entender um pouco sobre o trabalho de Andrew Taylor Still. Alguns fatores influenciam seu trabalho, como:

  • Ambiente da época (guerra civil americana);
  • Estudos de anatomia que cresciam com a revolução industrial durante o século XIX.

Os estudos da época usavam dissecação de cadáveres e estudos do corpo humano. As influências clássicas ficam claras nos conceitos usados por Taylor Still e sua obsessão pela fisiologia humana.

Still compreende que os conceitos de mecânica e suas leis descrevem os movimentos. Eles são realizados sob o conceito de um sistema de forças. Esses foram observados primeiramente nas estruturas da coluna vertebral para depois serem adaptados às outras articulações corporais.

John Martin Littlejohn

John Martin Littlejohn formou-se na primeira turma de osteopatas diretamente com Still. Ele explorou esse conceito Newtoniano de forma brilhante de maneira que explicarei esse conceito sobre a coluna vertebral para vocês.

Segundo Littejohn a bipedestação só é possível, devido a tensões músculo-tendíneas. Elas desafiam permanentemente a força gravitacional, sendo vetores que dispersam a gravidade.

Para estar equilibrada dentro do próprio corpo do indivíduo, definiu assim, duas linhas de força fundamentalmente dois pontos.

Linhas de Força

1- Linha Ântero-Posterior

2- Linha Póstero-Anterior

Essas duas linhas se cruzam ao nível de T4 (quarta vértebra torácica) a frente do seu corpo vertebral. Segundo Littejohn essas duas linhas de força: a linha ântero-posterior origina-se anteriormente a margem anterior do furo occipital.

Elas seguem pelos corpos vertebrais de T11 e T12, atravessa as facetas articulares de L5 para se encerrar no cóccix.

Essa linha representa as tensões do corpo que asseguram o formato da coluna vertebral. Comparando a nossa coluna a um arco, esta linha seria a corda que assegura o formato e a tensão desse arco. Essa linha mantém as curvas da coluna vertebral.

Comparando a coluna vertebral a esse arco essa linha, nada mais é, do que as tensões que seguram a corda desse arco.

A linha póstero-anterior parte da margem posterior do furo occipital, segue pelos corpos vertebrais posterior a eles, segunda vertebra torácica, chegando até L2-L3. Nesse ponto ela se divide, e segue até os acetábulos. Na verdade, a linha póstero-anterior são duas.

A primeira parte da margem póstero-lateral do furo occipital até o acetábulo oposto, cruzando-se portanto, a função da linha póstero-anterior e coordenar o segmento coluna vertebral com a unidade cervical e membros inferiores. Também coordena a cabeça com os movimentos dos membros inferiores. Ou seja, permite a estabilidade e o equilíbrio desses elementos.

A linha póstero-anterior mantem a tensão da cervical, do tronco e dos membros inferiores, de acordo, com as pressões das cavidades internas do corpo.

Divisão de Littlejohn

Portanto, a linha anteroposterior permite a manutenção das curvaturas da coluna vertebral, e a linha póstero-anterior é quem permite a mobilidade da mesma no espaço mantendo o equilíbrio entre os seus segmentos.

Littlejohn, propõe a divisão da linha póstero anterior em duas. Isso é feito de forma que elas se cruzem com a linha anteroposterior. Esse cruzamento gera geometricamente duas pirâmides que representam as cavidades: torácica e abdominal.

Segundo Littejohn as pirâmides têm por função manter as pressões das cavidades torácicas e abdominal em equilíbrio.

A forma externa da pirâmide é constituída pelo conjunto de músculos que asseguram essa pressão interna. Essas pressões internas permitem a fundamental mobilidade visceral.

Qualquer alteração do relacionamento entre as pirâmides muda o equilíbrio das pressões no conjunto muscular que a cercam. Ou seja, o aumento da pressão em uma das pirâmides (cavidades abdominal e torácica) altera a pressão da outra cavidade.

A outra função das pressões das pirâmides é assegurar o equilíbrio das diversas estruturas: a base e o ápice e suas relações de equilíbrio. Logo a manutenção da cabeça sobre o tronco, e do tronco sobre os membros, além da cabeça e dos membros inferiores.

Littejohn, faz ainda, uma correlação importantíssima com a L3 (terceira vértebra lombar). Essa é a que mais se altera, entrando em disfunção na coluna lombar, pois L3 é a única vértebra por onde passa a linha gravitacional.

Também é a única vértebra de transição dinâmica entre os membros inferiores e a coluna vertebral. L4 e L5 estão muito correlacionadas de forma ligamentar ao sacro, sendo, portanto, L3 e a verdadeira e única vértebra de extensão do tronco.

Tanto que Littejohn ousou a dizer que todas estruturas anatômicas situadas acima de L3 estão apoiadas nela. Todas estruturas anatômicas situadas abaixo são suspensas por L3. Não é por acaso, que em L3 encontra-se o centro de gravidade do corpo humano.

Importância das Curvaturas da Coluna

Qual a importância das curvaturas da coluna para a anatomia biomecânica da coluna vertebral?

A presença de curvaturas da coluna vertebral aumenta a sua resistência aos esforços de compressão axial. Os engenheiros puderam demonstrar que a resistência de uma coluna com curvaturas é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Portanto, se tomarmos como referência uma coluna do tipo funcional estática (retificada), cujo número de curvaturas é igual a O, e considerarmos a sua resistência como uma unidade, numa coluna com uma só curvatura, a sua resistência é o dobro da primeira.

Numa coluna com duas curvaturas a sua resistência é cinco vezes maior do que a da coluna retilínea. Por último, no caso de uma coluna com três curvaturas móveis a resistência é dez vezes maior que a da coluna retilínea.

Esse seria o caso da coluna vertebral com a sua lordose lombar, a sua cifose dorsal e a sua lordose cervical.

Pode-se medir a importância das curvaturas da coluna vertebral pelo índice raquidiano de Delmas. Este índice somente pode ser medido num modelo anatômico. Consiste na relação existente entre o comprimento alcançado pela coluna vertebral do platô da primeira vértebra sacral até o atlas e a altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Uma coluna com curvaturas normais tem um índice de 95%; os limites máximos da coluna adequado são 95 e 96%. Uma coluna vertebral com curvaturas acentuadas possui um índice de Delmas inferior a 94%. Isto significa que o seu comprimento é nitidamente maior do que a sua altura.

Contudo, uma coluna vertebral com curvaturas pouco pronunciadas, isto é, quase retilínea, possui um índice de Delmas superior a 96%. Esta classificação anatômica é muito importante, visto que existe uma relação entre ela e o tipo funcional.

De fato, A. Delmas demonstrou que a coluna vertebral com curvaturas pronunciadas é de tipo funcional dinâmico. Já a coluna vertebral com curvaturas pouco acentuadas é de tipo funcional estático.

Importância da Vértebra T4

Porém, as pirâmides se cruzam em T4, vértebra fulcro do plano frontal, almofada da cabeça, além de ponto de anastomose entre o plexo cardíaco, o nervo frênico e o vago. Hoje em dia, sabemos que houve uma evolução gigantesca do nervo vago.

Assim, existe o vago primitivo e o vago evoluído, proporcionando mudanças importantes em nosso Sistema Nervoso Central (SNC). A quarta vértebra torácica é a última vertebra de onde parte o ligamento vertebro-pericárdio. Isso nos indica que o tratamento de uma cervicalgia está na mobilização ou manipulação de T4.

Percebam quantas estruturas anatômicas importantes estão interligadas a T4.

Em T3 e T4 também encontramos o núcleo semi espinhal, o núcleo neuro vegetativo do sistema simpático responsável pelo controle da vasomotricidade entre as vértebras.

Falando em cadeias musculares, Littejohn dizia para se trabalhar na linha anteroposterior, as linhas da forma da coluna vertebral, que são os músculos paravertebrais. Já a linha póstero-anterior só observamos. Porém hoje sabemos que temos importante atuação na linha póstero anterior que são as linhas de pressão.

Segundo Paul Hodges aumentando a pressão abdominal ativamos a cadeia de flexão de forma a pré ativar a cadeia de extensão. Ou seja, as duas linhas músculo-tendíneas para garantir o equilíbrio corporal. A cadeia de flexão e extensão se reequilibram a todo momento, devemos agir na linha póstero anterior para modular a tensão delas.

Perda de Mobilidade Torácica

O que observamos na prática com nossos pacientes\alunos com perda de mobilidade torácica e devido ao fato de mecanicamente ser uma região de inversão de curvas, todas as regiões de trocas de linhas de força são regiões vulneráveis na anatomia biomecânica da coluna vertebral.

Nossa coluna funciona de forma bem equilibrada quando mantém suas curvas. Elas distribuem seus vetores de força para fora da linha média. A fragilidade da coluna vertebral está nas inversões dos vetores de força que ocorrem nas trocas de curvas de cifoses para lordoses e vice-versa.

Porém nossa coluna vertebral não é um arco fixo. Ela possui elementos flexíveis com seus fulcros de rotação, sendo em T11 e T12 esse maior fulcro de rotação. As facetas articulares de T11 e T12 são orientadas no plano frontal para a rotação.

Também estão livres das costelas, sejam elas falsas ou verdadeiras.

Vértebras Lombares

Já as vértebras lombares possuem suas facetas articulares no plano sagital e orientadas para trás.

O centro geométrico do círculo que passa pelas facetas articulares lombares é projetado em seus processos espinhosos. Isto nos diz que o fulcro de rotação das vértebras lombares encontra-se na espinhosa.

Logo quando a lombar roda, é devido a um movimento de translação lateral dos discos. Isso faz com que a rotação para a coluna lombar seja um movimento gerador de stress mecânico. As vértebras lombares possuem em média 3 ou 4 graus de rotação, no máximo, para cada segmento vertebral lombar.

Segundo Kapandji, as facetas articulares superiores das vértebras lombares estão orientadas para trás e para dentro e não são planas. Na verdade, são côncavas transversalmente e retilíneas verticalmente.

Geometricamente, elas estão talhadas sobre a superfície de um mesmo cilindro cujo centro se situa atrás das facetas articulares, aproximadamente na base da apófise espinhosa.

Nas vértebras lombares superiores, o centro deste cilindro se localiza quase imediatamente atrás da linha que une a margem posterior das apófises articulares. Nas vértebras lombares inferiores, o cilindro tem um diâmetro muito maior. Ele recua na mesma medida o seu centro em relação ao corpo vertebral.

É importante o fato de que o centro deste cilindro não se confunda com o centro dos platôs vertebrais, quando a vértebra superior gira sobre a vértebra inferior. Este movimento de rotação se realiza ao redor deste centro e deve acompanhar-se, obrigatoriamente, de um deslizamento do corpo vertebral da vértebra superior com relação ao da vértebra subjacente.

O disco intervertebral não é, portanto, solicitado na torção axial. Isso lhe daria uma amplitude de movimento relativamente grande, mas em cisalhamento. Isto explica que a rotação axial na coluna lombar seja limitada, tanto em cada altura, quanto no seu conjunto.

Segundo os trabalhos de Grégersen e D.B. Lucas, a rotação total direita-esquerda da coluna lombar seria de 10° e, supondo que a rotação segmentária estivesse repartida, isto seria igual a dois graus por cada parte, isto é, um grau a cada lado em cada nível.

Portanto, podemos destacar que a coluna lombar não está conformada para realizar a rotação axial, limitada pela orientação das facetas articulares.

Por que isso é importante?

Nossa anatomia biomecânica da coluna vertebral não é somente um arco, são dois arcos, pensando somente nos segmentos torácicos e lombares. Portanto quando chegamos no segmento lombar esse arco se inverte sem que a tensão da corda se perca.

Logo, há possibilidade do segmento torácico e lombar inverterem-se mantendo a liberdade de movimento.

Lembrando que a tensão da corda é gerada pelas tensões músculo tendíneas. Só é possível se a tensão da corda passar exatamente pelo centro do fulcro, se a tensão da corda passar atrás ou a frente do fulcro, que fatalmente ocorrerá se uma das curvaturas vertebrais estiverem aumentadas ou diminuídas.

Assim, geramos uma dificuldade nessas colunas para realizarem rotações, rotações essas que serão recuperadas no segmento lombar, sobretudo em L4-L5.

Logo temos, uma linha anteroposterior, uma linha póstero anterior, e ainda, uma linha gravitacional como resultante das duas linhas citadas.

 

 

Bibliografia
  • Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
  • Kapandji
  • Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)
  • Cadeias Musculares do Tronco Janaina Cintas

 

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