A coluna vertebral é constituída da vértebra, que são pequenos segmentos. Cada um deles é formado por um anel oco posteriormente, que é o arco neural ou vertebral, além de processos ósseos. O suporte do peso da coluna é realizado pelo corpo vertebral.

Essa porção é mais volumosa e é feita de tecido esponjoso e também uma camada de osso compacto. A região anterior da vértebra possui um segmento cilíndrico irregular e suas faces superiores e inferiores são aplanadas. Elas também têm um contorno saliente que auxilia na implantação do disco intervertebral.

A face anterior da vértebra é limitada pelos lábios superiores e inferiores. Eles também fornecem inserção para o ligamento longitudinal anterior. A face posterior é uma estrutura côncava no sentido transverso com um orifício que limita o forame vertebral. Ela é utilizada para fixar o ligamento longitudinal posterior.

Por último, a face posterior é côncava no sentido transverso. Também tem orifício para limitar o forame vertebral e fixa o ligamento longitudinal posterior. Outra estrutura da vértebra é o arco vertebral, que possui:

  • 2 Pedículos
  • 4 Processos Articulares
  • 2 Processos Transversos
  • 1 Processo Espinhoso

Como funcionam as Unidades Funcionais?

A vértebra em si possui pouca mobilidade.

Além dela existem as unidades funcionais, que é o conjunto de duas vértebras separadas pelo disco intervertebral. O disco é responsável por suportar o peso da coluna e do corpo. É graças a ele que a estrutura vertebral pode realizar movimentos de inclinação, rotação e balanceio.

O tecido contido dentro da coluna vertebral é sensível. Quando ocorrem lesões, estresse ou irritação ele gera dor no paciente. Imagino que você já sabe como dores na coluna são um caso comum nos Studios de Pilates e consultórios de fisioterapia.

As vértebras que formam a unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. Essas são articulações do tipo sínfise, que possuem discos fibrocartilaginosos intercalando. Eles são projetados para suportar peso e resistência que ocorrem com o movimento.

São os discos intervertebrais que absorvem os choques que o corpo realiza.

Quando o tronco está ereto são as diferenças de espessura das partes anterior e posterior do disco que geram as curvaturas fisiológicas da coluna. Portanto, é graças a seu bom funcionamento que existem a curvatura lombar, torácica e cervical.

A composição do disco intervertebral é:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é uma estrutura composta por ao redor de 90 faixas de tecido de colágeno que são ligadas entre si. Essas fibras do anel são dispostas em camadas, elas aparecem de maneira parecida ao que existe numa cebola. As camadas envolvem o núcleo do disco intervertebral.

Quando observadas lateralmente, as fibras estão dispostas fazendo com que a primeira camada vá em direção oblíqua da vértebra. Na mesma vista, a segunda camada vai de uma vértebra a outra em direção oposta. Assim, as camadas se cruzam e entrelaçam para fortalecer o anel do disco e permitir o movimento em qualquer direção.

Quase todo o núcleo do disco intervertebral é composto de 90% de água, pelo menos enquanto ele ainda é jovem e saudável. Todo o resto é feito de colágeno e proteoglicanos, que são materiais especializados para atrair água quimicamente.

Observando o aspecto mecânico do anel fibroso percebe-se que ele atua como uma mola em espiral. Sua tensão mantém os corpos vertebrais unidos contra a resistência do núcleo pulposo. O núcleo pulposo possui uma função diferente, servindo como um gel incompressível.

Diferentes Tipos de Vértebra

A estrutura que observamos até agora é conhecida como vértebra padrão. Ela sofre alterações de acordo com o segmento da coluna no qual está localizada para se adaptarem melhor a suas funções.

A coluna cervical e lombar, por exemplo, possuem mais mobilidade. Suas vértebras são adaptadas para isso. Para entender como essas alterações funcionam é preciso falar de cada segmento da coluna vertebral.

Coluna Cervical

Já sabemos que o corpo vertebral normalmente possui uma forma cilíndrica com todas as estruturas que mencionei anteriormente.

A região cervical é um pouco diferente e possui uma forma retangular. Suas extremidades laterais se prolongam para cima e formam um unco, as formas inferiores são incisadas para conseguirem um ajuste articular perfeito.

A forma das vértebras cervicais é responsável por fornecer estabilidade para a região. Isso é importante já que a região cervical possui naturalmente mais mobilidade. Os processos espinhosos da vértebra são maiores na parte inferior da coluna cervical.

Essa alteração limita os movimentos de extensão do pescoço. A C7 possui o maior processo espinhoso da coluna cervical.

Existem duas vértebras atípicas que são responsáveis pela mobilidade da coluna cervical. Elas são o atlas e o áxis da cervical. Elas não possuem disco intervertebral, produzem movimentos de:

  • Rotação
  • Flexo-Extensão
  • Lateralização

Isso é comprovado pela possibilidade de flexionar a cabeça em 35º sem precisar da participação do pescoço. Em pacientes que realizam cirurgias cervicais os estabilizadores são retirados, inserindo hastes em algumas vértebras. Por isso a amplitude de movimento total fica prejudicada, mas ainda é possível fazer movimentos.

Os discos que estão localizados entre C2 e C7 são responsáveis pelos movimentos de flexo-extensão e lateralização, também podem realizar um pouco de rotação.

Coluna Torácica

Apesar de poder realizar todos os movimentos, a coluna torácica possui menor amplitude de movimento e mobilidade.

Isso acontece por causa da conexão com a caixa torácica, que é diminuída entre TI e TVII. É nessa região que encontra-se a fixação com escápulas e costelas. As estruturas formam um arco costal junto ao esterno, que está localizado anteriormente.

A mobilidade é maior entre TXI e TXII porque não existe conexão com o esterno.

Coluna Lombar

As vértebras lombares possuem corpos vertebrais um pouco maiores. O tamanho é necessário para possibilitar maior suporte para a carga axial de toda a coluna. Seus movimentos incluem a flexo-extensão, inclinação e um pouco de rotação.

Mas a mobilidade para rotação é bastante diminuída. Esses movimentos são essenciais para a anatomia e biomecânica da coluna vertebral.

A transição entre TXII e L1 também possui essa rotação. Tome cuidado com movimentos de rotação nessas regiões para seus alunos. Eles podem ser realizados, mas precisamos nos certificar de que as cadeias musculares estão completamente livres.

Conclusão

A coluna vertebral é composta por estruturas chamadas de vértebras que possuem a função de garantir mobilidade, estabilidade e proteção. Entre elas encontramos os discos intervertebrais, que absorvem o impacto gerado pelo movimento.

Quando existem compensações nas cadeias musculares, essas são as primeiras estruturas a sofrer com isso.

Compreender perfeitamente a biomecânica da coluna vertebral é parte do trabalho de qualquer profissional do movimento. Quer continuar aprendendo? Confira meu artigo completo sobre a biomecânica da coluna vertebral.

 

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