Existe um primeiro passo a ser tomado antes de conseguirmos entender os desvios posturais. Antes de tudo, o profissional do movimento deve compreender e dominar plenamente as disciplinas de Anatomia e Biomecânica.

Digo isso porque o estudo dos dados anatômicos e biomecânicos é essencial para que os profissionais possam traçar suas condutas e suas lógicas ao entender as três leis que regem o corpo.

Isto visto, nesse texto abordarei somente os desvios posturais no plano sagital, sendo esses principais desvios:

Importância da biomecânica

biomecânica dos desvios posturais

A anatomia humana é a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. Ela tornou-se a disciplina base para os cursos da área do movimento, contendo muitas vezes sua história confundida com o próprio surgimento da medicina.

A Biomecânica é um estudo de forças que atuam pelo corpo humano, e ela pode ser considerada como uma parte inerente ao movimento, pois todo movimento é um efeito mecânico (físico).

Sempre que uma força diretamente ou indiretamente atua sobre o corpo humano, esses princípios físicos estarão envolvidos. Logo, este estudo é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou são.

Por razões didáticas, primeiro discutiremos a anatomia e biomecânica, visto que muitos profissionais preferem estudar protocolos de atendimentos prontos. Aqui quero convencê-los a serem críticos, a terem boas bases de discussão e análise diante de um caso. Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e a biomecânica.

Costumo dizer que a fisioterapia é feita de detalhes, e a resposta para o caso de que está diante com certeza estará nos conceitos anatômicos e/ou biomecânicos.

É necessário que se compreenda todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que o nosso corpo obedeça a três leis responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo:

Lei do Equilíbrio

Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico) é sempre prioridade e as soluções.

Lei do Conforto

O funcionamento de um corpo são e fisiológico é sempre confortável. Já o comportamento de um corpo não fisiológico estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.

Necessitamos ver o indivíduo através de seu corpo fisiológico ou adoecido, descobrindo o que ele acoberta e quais compensações esconde. Isso só será possível através de muita dedicação e de estudos.

Lei da Economia

Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Entendendo essas três leis, os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo tornam-se lógicos, e principalmente nos atentarmos para a retroalimentação dessas três leis.

Coluna Vertebral

A coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si, sendo:

  • Sete cervicais;
  • Doze torácicas;
  • Cinco lombares;
  • Cinco sacrais fundidas
  • Três a quatro coccígeas.

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/ clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

anatomia da coluna vertebral
A estabilidade das vértebras é dada pelos músculos, ao contrário do que pensávamos que eram os ligamentos responsáveis pelas estabilidades das vértebras. Eles somente direcionam os movimentos produzidos e protegem as vértebras de movimentos bruscos ou de forças excessivas aplicadas a coluna.

Os músculos, sobretudo com suas fáscias extremamente potentes, são os grandes responsáveis pela proteção do eixo raquidiano. As vértebras, estruturas fixas, são justapostas e suas ligações se dão pelas articulações interapofisárias, que servem como guias para os movimentos.

Entre as vértebras existe o disco intervertebral. Juntos articulações e discos são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. São eles, em conjunto, os grandes responsáveis pela mobilidade articular, e principalmente pelas distribuições de forças realizadas na coluna vertebral durante os movimentos.

Logo entendemos o porquê dessas estruturas serem tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral.

Existe uma vértebra padrão, mas elas sofrem pequenas modificações de acordo com o nível da coluna em que se encontram e as especificidades de todos os segmentos da coluna vertebral, que são diferentes.

Funções da coluna

funções da coluna vertebral

A coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas: a escapular e a pélvica. Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Ainda na estática, o qual se tem forças sem movimento, uma coluna saudável terá seus ligamentos e tensores musculares equilibrados, relaxados, só funcionando para manter o equilíbrio estático diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé.

Como exemplo, contraindo-se, e logo em seguida relaxando, imediatamente o equilíbrio será reestabelecido. Se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio, ele adoecerá.

Já exercendo sua função cinética, qualquer movimento ocorrido entre as duas cinturas gerará uma regulação automática de tônus dos músculos estabilizadores do tronco e um complexo sistema de compensação postural. Isso gera deslocamentos gravitacionais importantes, surgindo assim qualquer encurtamento, fraqueza muscular ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral sofre constantemente um dilema contraditório que é o de ser rígida o suficiente para ter um eficiente suporte da compressão axial (exercida pela força gravitacional), sem perder a mobilidade para que os movimentos sejam produzidos de forma organizada.

Para que isso ocorra a coluna tem que manter equilibrada suas três funções: a estática, (exercida pelos corpos e discos vertebrais, principalmente pelas fáscias) musculares, a cinética (feita pelos músculos) e a de proteção (efetuada pelo canal vertebral.)

A manutenção equilibrada da postura estática e um controle dinâmico adequado são condições fundamentais para nosso corpo responder de maneira eficiente às demandas impostas. Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como a habilidade da articulação retornar ao eu estado original, após sofrer uma perturbação. Ou ainda, fisicamente é a rigidez X a mobilidade desse corpo físico.

Estabilidade da coluna

estabilidade da coluna e desvios posturais

A estabilidade articular da coluna vertebral, diz que o sistema de estabilização da mesma incorpora três subsistemas: passivo, ativo e neural. O subsistema passivo, composto pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentares, contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, onde desenvolve forças reativas que resistem ao movimento.

Entretanto, em torno da posição neutra da articulação, ele não oferece nenhum suporte estabilizador significativo. O subsistema ativo contempla as estruturas musculares quando desempenhando suas funções contráteis.

Este, diferentemente do primeiro, atua na obtenção mecânica da estabilidade mesmo a partir da posição neutra, pois é capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento. O terceiro subsistema, o neural, é aquele que monitora e regula de forma contínua as forças ao redor da articulação.

Devido ao comportamento não linear das estruturas ligamentares, em torno da posição articular neutra, encontra-se uma região de elevada frouxidão, ou baixa rigidez. Essa região, a zona neutra, permite que os deslocamentos ocorram com o mínimo de resistência interna das estruturas passivas.

Lesões nos subsistemas passivo e/ou ativo levam a aumentos não fisiológicos na amplitude da zona neutra. Por outro lado, a atividade muscular é capaz de minimizá-las e mesmo restaurar os limites fisiológicos após lesão ou degeneração das estruturas passivas, o que representa papel fundamental na busca da estabilidade.

Estabilidade da coluna e desvios posturais

desvios posturais e coluna

A compreensão dos mecanismos cinesiopatológicos, que envolvem o desenvolvimento das disfunções musculoesqueléticas, é fundamental para a definição de estratégias para sua prevenção e tratamento.

Por esse motivo, busca-se o entendimento das instabilidades articulares apontada como risco para potenciais lesões teciduais, e componente básico de inúmeros processos degenerativos e álgicos.

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). Por este motivo entendemos o porquê das frentes das lordoses sempre possuírem músculos longos e potentes, como é o caso dos flexores do pescoço e do reto abdominal. Enquanto que a frente das cifoses encontrarmos músculos chatos e profundos, como exemplo o Serrátil Anterior, que é ligado a função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital, observamos a cifose cervical (protegendo o cérebro), a cifose torácica (protegendo os pulmões e coração), e uma curvatura sacral côncava (protegendo os órgãos da pelve menor).

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano a partir do momento que estamos expostos a força gravitacional (descendente), a forca do peso normal e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna, mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Classifica-se quanto às curvaturas vertebrais

Quanto mais retificada (retilínea) forem as curvaturas, define-se como uma coluna do tipo funcional estática. Já colunas com maiores curvaturas vertebrais são classificadas como do tipo funcional dinâmica. Além disso, quanto mais acentuadas forem as curvaturas mais mobilidade e quanto menos acentuada maior rigidez.

O recém-nascido apresenta somente uma curvatura corporal que é realizada por um padrão de flexão global (adequação ao útero materno). Logo após o nascimento, a força gravitacional sempre contínua, obriga o bebê a realizar uma inversão de algumas dessas curvaturas para se movimentar. À medida que seus reflexos inatos vão sendo sobrepostos pelo controle de movimento essas curvaturas começam a se formar.

A primeira delas é a lordose cervical, já que o desenvolvimento neuro-psico motor é céfalo-caudal e próximo distal, nada mais lógico que o primeiro segmento corporal que o bebê consiga controlar é o segmento cervical, suportando e regulando os movimentos da cabeça, invertendo assim a curvatura cervical para uma lordose chamada de primeira curva secundária.

A segunda curva secundária é formada quando a criança passa da posição de quadrúpede para bípede e é chamada de lordose lombar. As curvaturas secundárias são mais flexíveis, em contrapartida mais frágeis.

curvaturas vertebrais

O mesmo mecanismo de inversão das curvaturas vertebrais ocorreu durante a filogênese, quando assumimos a postura bípede. Quando o ser humano assumiu a bipedestação, houve uma retificação da coluna lombar seguida de uma inversão da curvatura (lordose lombar).

Isso ocorreu para que houvesse uma extensão do tronco, gerando a manutenção da horizontalidade do olhar e das orelhas internas (para que o labirinto ligado à orientação espacial realizasse seu importante papel junto ao equilíbrio).

Essa mudança na curvatura lombar provocou toda uma nova distribuição da força gravitacional. Esse papel foi assumido pela pelve, que de acordo com sua retroversão ou ante versão, anterioriza ou posterioriza o Centro Gravitacional do ser humano, permitindo assim a eretabilidade.

Por consequência, a pelve foi submetida a adaptações ao estresse promovido pelo aumento da pressão intra-abdominal e pela força da gravidade que passaram a incidir sobre o seu eixo vertical.

Isso resultou em uma mudança significativa do arco pélvico ósseo, com aumento da resistência dos ossos ilíacos e púbico. Ocorrendo, concomitantemente, o espessamento dos ligamentos que servem de suporte à inserção dos músculos mais desenvolvidos.

Na parte inferior da coluna se situa a pelve, formada pelo sacro e os ilíacos, o que é comumente chamado de cíngulo inferior, pois é o elo dos membros inferiores com o tronco.

A pelve

A característica desse conjunto de articulações é a de possuir muita estabilidade e um sistema de autobloqueio, extremamente importante. A pelve é capaz de realizar micro movimentos, porém jamais pode perder sua continuidade abaulada. Esse cíngulo se une ao tronco através da articulação lombossacral.

É na pelve também que duas forças contrárias de grande importância se anulam: a força do Peso Normal que é a nossa massa corporal e a força Solo. Sempre que observar alguma patologia musculoesquelética na coluna vertebral deve-se antes pesquisar se há um bom posicionamento da pelve, por ser ela a grande distribuidora dessas forças.

Na articulação lombo sacral, o corpo e o disco de LV são mais altos na região anterior. A base do sacro possui uma discreta inclinação anterior, quando na sua posição estática, a força gravitacional se divide em duas na quinta vértebra lombar.

Uma delas descendente pelo corpo vertebral em direção ao solo e a outra se aplica anteriormente sobre a base do sacro, então quanto mais horizontalizado se encontrar o sacro essa força pode estar aumentada em muitas vezes, tracionando a lombar anteriormente.

pelve e desvios posturais

Na coluna torácica é possível a realização de todos os movimentos, porém numa menor amplitude de movimento, a limitação é dada pela caixa torácica, a qual é diminuída entre TI e T VII, onde estão fixadas as escápulas e costelas, formando um arco costal junto ao esterno anteriormente. Entre TXI e TXII não existe ligação com o esterno, pois nessa região a mobilidade é significativa.

O papel da respiração

Pela respiração responsável pelo aporte de oxigênio necessário, para que o músculo exerça seu trabalho, não podemos deixar de citar o importante papel exercido pela respiração correta na manutenção da postura.

O músculo diafragma é responsável pelo aumento e diminuição da pressão intratorácica durante o processo respiratório, isso nada teria a ver com a coluna senão pelo fato do diafragma cortar o tronco logo abaixo das costelas e ter seus pilares inseridos nas vértebras lombares.

Pode-se afirmar então que numa respiração limitada, que impede o diafragma de imprimir todo seu curso de contração, teremos o encurtamento dos pilares inseridos na coluna lombar. Essa limitação do diafragma tem como efeito uma tração anterior das vértebras lombares.

Tal tração favorece o aumento da lordose lombar, além de provocar um aumento de tônus e da tensão de toda musculatura inspiratória acessória como:

  • Escalenos;
  • ECOM;
  • Elevador da escápula;
  • Trapézio superior.

Aumentando, por exemplo, a propensão já existente no ser humano da elevação dos ombros.

Não teremos também uma diferença de pressão para a entrada e saída do ar eficaz para o bom funcionamento do estômago, intestinos, entre outros órgãos, pois perdemos a eficácia da massagem efetuada sobre esses órgãos.

Quando solicitamos o diafragma durante o tratamento e em todo trabalho muscular a ênfase na expiração é a fase mais difícil do exercício. É preciso fazê-lo sem colocar o reto abdominal e demais músculos superficiais do abdômen em contração excessiva para que não haja retificação da pelve.

Ou seja, devemos tentar ao máximo manter o quadril em posição neutra, sem retificação da pelve, mas também sem permitir que a lombar trabalhe em relaxamento favorecendo a hiperlordose.

A todo momento essa respiração deve se dar na forma de sucção, trazendo a parede abdominal em direção a lombar, mas também em direção cefálica (respiração aspirativa). Seja a respiração feita predominantemente pelo ápice ou pela base pulmonar. Posteriormente discutiremos mais profundamente o Diafragma.

Como acontecem os movimentos da coluna

movimentos da coluna

Todo esse conjunto mecânico citado anteriormente é mantido por um complexo sistema muscular e para começarmos a discutir os movimentos, não podemos deixar de citar que os mesmos acontecem do centro para as extremidades.

Hoje sabemos que antes de iniciarmos qualquer movimento, seja ele dos membros superiores ou dos inferiores, os músculos estabilizadores de tronco se contraem de 3 a 5 milisegundos antes. A contração acontece para garantir a qualidade e a estabilidade do movimento que ocorrerá nas extremidades.

Então, nada mais indiscutível que darmos suma importância ao Powerhouse do Pilates, ao Core do Treinamento Funcional, ou simplesmente aos músculos responsáveis pela manutenção postural. Serão eles os grandes responsáveis pela eficiência de toda nossa mobilidade.

Musculaturas envolvidas

Porém, temos uma tarefa inglória se seguirmos essa linha de pensamento, pois dando ênfase ao Powerhouse aumentamos a pressão intra-abdominal, enquanto no caso de negligenciarmos esses músculos estaremos sem estabilidade e proteção suficiente na coluna para as tarefas mais cotidianas.

O transverso do abdômen é o grande responsável pela manutenção tônica da coluna e talvez o músculo mais estudado hoje em dia pela disposição de suas fibras. Pelo fato da coluna lombar não possuir nenhum músculo eretor, o transverso abdômen, junto com o diafragma, o multifídeo e os músculos do assoalho pélvico se tornam os grandes responsáveis pela manutenção tônica postural sendo também responsáveis pelo aumento da pressão intracavitária (PIA).

Como os músculos abdominais possuem relevância na estabilização da região lombo pélvica, a diminuição da atividade desses músculos faz com que a flexão do quadril seja realizada sem a estabilidade necessária.

O movimento realizado sem tal estabilidade permite que o músculo Psoas exerça tração sobre o aspecto anterior das vértebras lombares, levando assim a uma anteversão pélvica e um aumento da lordose lombar.

O multifídeo é o grande responsável pela proteção das vértebras durante todos os movimentos realizados pela coluna. Aquela dor referida sentida pelo indivíduo portador de lombalgia nos processos espinhosos é invariavelmente confundida com o multifídeo, que estará álgico e hipotrofiado no primeiro episódio de dor lombar.

O multifídeo se encontra abaixo do semi espinhal e do eretor da espinha na goteira, entre os processos espinhosos e transversos das vértebras. Em todos os níveis, sua ação é produzir rotação, bem como extensão e flexão lateral da coluna em todos os níveis possuindo também um importante papel de estabilizador vertebral.

O assoalho pélvico é definido como o conjunto de estruturas que fornece suporte as vísceras pélvicas e abdominais, fechando a pelve inferiormente. Os músculos do assoalho pélvico são responsáveis pela sustentação das vísceras e fecham o quadrado de sustentação da coluna, tendo como sua principal função manter a pelve em fechamento, ou seja, não permitir a horizontalização do sacro.

Os músculos pélvicos são compostos por fibras tônicas (tipo I) e fásicas (tipo II). Com uma maior proporção de tônicas, o tipo de fibra muscular é determinado pela fibra nervosa responsável por sua inervação.

As fibras tipo I, de oxidação lenta, exercem a atividade muscular sustentada, enquanto as fásicas e glicolíticas estão envolvidas em atividades de disparo rápido. Uma contração errônea feita por esses músculos podem ser causas de lesões.

O músculo do Assoalho Pélvico é constituído por três camadas musculares. A camada superficial é composta pelos músculos bulboesponjoso, isquiocavernoso, transverso superficial do períneo e esfíncter anal externo.

A intermediária é composta pelo transverso profundo do períneo, compressor da uretra e esfíncter uretrovaginal. Essas duas camadas compõem o diafragma urogenital.

A camada profunda, conhecida como diafragma pélvico, é formada pelos músculos levantadores ou elevadores do ânus: pubococcígeo ou pubovisceral, que compreende o pubovaginal, o puboperineal, o puboanal puborretal e ileococcígeo. Além destes, compondo ainda a camada profunda, existe o isquiococcígeo ou coccígeo.

A contração dessa musculatura tem que estar corretamente ativada para que a região lombar fique estabilizada, porém como é uma musculatura tônica, sua contração tem que ser intermediária e contínua sem realizar movimentos rápidos e fortes para que ela não fadigue.

A ativação dessa musculatura gera uma co-contração do transverso do abdômen, através do Reflexo de Guardião. A contração dos músculos do Assoalho Pélvico gera uma “tendência” à abertura discreta dos ilíacos.

Já a contração incorreta desses músculos deixaria a coluna lombar baixa e a coluna sacral sem nenhuma proteção muscular no momento do exercício porque resulta na contração da musculatura superficial e na falta de estabilização da lombar, juntamente com a protrusão abdominal.

Todo esse conjunto favorece o aparecimento de incontinência urinária, conhecida como fugas, hemorroidas, refluxos, hérnias abdominais e vertebrais pelo excessivo aumento da pressão abdominal.

Hiperlordose Lombar

desvios posturais hiperlordose lombar

Caracterizada pelo aumento excessivo da curvatura lombar, a ante versão da pelve é feita pela ação dos músculos: quadrado lombar, reto femoral e iliopsoas.

  • Quadrado Lombar: aproximam a pelve das últimas arcadas costais, lordosando a lombar em L3, tendo como base de seu centro.

A lordose alta que encontramos acima de L3 resulta na elevação do tórax em sua parte anterior, levando ao seu recuo em extensão. Já a tensão excessiva do quadrado lombar abaixo de L3 leva a ante versão pélvica horizontalizando o sacro.

  • Reto femoral: provocam a ante versão pélvica pela rotação anterior dos ilíacos. Em ação conjunta com os quadrados lombares acionam de forma mais severa a patela, empurrando-a de encontro aos ossos do joelho, obrigando os joelhos ao recurvatum.

Logo, fica fácil concluir que um problema mecânico no joelho, pode ter origem no excesso de tensão dos retos femorais trabalhando erroneamente em dupla com o quadrado lombar.

  • Iliopsoas: têm sua origem em T12 e seguem em sua linha de tração até L5, possuem dois feixes: um que se encerra nos bordos sacrais superiores e o outro feixe segue internamente pelas fossas ilíacas.

O aumento da Lordose causada pelo Iliopsoas será notada e encontrada na articulação lombo sacra, portanto encontraremos no Teste de Flexão em Pé (TFP) uma depressão lombo sacra, mais comum do que imaginamos.

Retificação Lombar

desvios posturais retificação lombar

Caracterizada pelo apagamento da curvatura lombar, a retroversão da pelve é realizada pelos: retos do abdômen, músculos do períneo, isquiotibiais e Psoas.

  • Retos do abdômen: realizam a aproximação do esterno ao púbis.
  • Músculos perineais: são responsáveis pela aproximação do sacro ao púbis.
  • Isquiotibiais: em ação conjunta com os retos do abdômen geram uma posteriorização ilíaca.
  • Psoas: caso estejam contraturados serão músculos cifosantes.

Hipercifose Torácica

desvios posturais hipercifose torácica

Observada atrás do aumento da curvatura torácica sendo gerada por esquemas corporais adaptativos extremamente inteligentes, envolvendo músculos, padrão respiratório, além de fatores comportamentais.

  • Os fatores comportamentais são gerados pela timidez e introspecção na adolescência.
  • O problema respiratório se dá quando o diafragma, por algum motivo se posiciona e fixa-se em padrões altos de funcionamento expiratório.

Seu posicionamento coloca o reto abdominal e os intercostais médios em ação máxima de tensão, gerando o afundamento do esterno, e o abaulamento da curva torácica posteriormente, pela aproximação feita do esterno ao púbis.

A ação do peitoral menor trará os ombros em enrolamento, e num esquema máximo de compensação, os músculos romboides, subescapulares, e trapézio não terão condições de resistir a essa forca anterior. Sendo assim, a escápula sucumbirá se alando, tornando-se a partir daí impossível o endireitamento da curvatura torácica, pois as escapulas estarão descoladas do gradil costal.

Retificação Torácica

desvios posturais retificação torácica

Caracteriza-se pelo apagamento, ou por vezes, até a inversão da curvatura torácica, isto porque as técnicas vigentes até o momento são extremamente retificadoras, e até pelo mito gerado por nossas mães e avós de que devemos manter a coluna ereta.

A retificação torácica se dá por uma lógica contrária à hipercifose torácica, com o fechamento do tórax trabalhando em inspiração, posição baixa do diafragma, tracionado o tórax para o alto e para frente em um movimento de rotação das vértebras torácicas em extensão, devido aos pilares de inserção diafragmática baixa, tornando os músculos romboides, trapézio e subescapulares tensos, para manter esse padrão de compensação.

Hiperlordose cervical

desvios posturais hiperlordose cervical

A hiperlordose cervical, aumento da curvatura lordótica cervical, está intimamente ligada à alteração cifótica da coluna torácica, pois continuando a coerência do aumento da curvatura torácica, a coluna cervical pode sofrer lordose sob a ação dos escalenos que estarão sendo tracionados em seu ponto fixo anterior para baixo. A cabeça, por sua vez, colocar-se-á em extensão e anteriorizada, pela tensão excessiva dos músculos esternocleidomastoideos.

Retificação Cervical

É onde encontraremos o apagamento da curvatura lordótica da coluna cervical, e por mais incrível que essa compensação possa lhe parecer, está intimamente ligada à pelve.

A compensação está gerada pela retração do iliopsoas, neste caso a pelve não pode mais se retroverter colocando em inclinação anterior a coluna lombar. A lordose diafragmática colocará as colunas dorsais e cervicais em retificação para manter o ortostatismo do indivíduo.

Conclusão

Por todo conteúdo descrito neste texto, coloco mais uma vez, a necessidade do entendimento do corpo como um todo, único e indissociável.

Com o conhecimento da biomecânica da coluna vertebral e como o corpo cria seus desvios, conseguimos melhorar nosso atendimento ao paciente. Você deverá sempre lembrar que esses desvios surgiram para responder às três leis do conforto, equilíbrio e da economia.

O que você achou dessas informações? Se quiser continuar aprendendo e melhorar ainda mais o tratamento dos seus pacientes, recomendo meu artigo sobre avaliações posturais. É só clicar no link.