Muita gente pergunta quais exercícios podemos usar para tratar Disfunção Sacroilíaca. Certamente, os exercícios são o que ajudará seu aluno a levar uma vida sem dor.

Mas não adianta pegar um protocolo de aula pronto e seguir exatamente o que tem ali. Tratar Disfunção Sacroilíaca significa entender as complexas compensações e encontrar maneiras eficientes para trabalhar o corpo disfuncional.

Vou te dar uma dica: a ativação de glúteo tem papel fundamental durante o tratamento.

Meu objetivo nesse artigo não é te dar um protocolo de exercícios para seguir como uma receita de bolo. Na verdade, vou explicar o funcionamento da disfunção e quais são os músculos chave para tratá-la.

Depois disso você será capaz de ter uma visão mais analítica do problema para elaborar soluções adequadas para cada aluno. Então nesse artigo vamos entender como Tratar Disfunção Sacroilíaca de uma vez. Vamos lá?

Dores causadas pela Disfunção Sacroilíaca

A articulação sacroilíaca está localizada na pelve e é essencial para um movimento fisiológico e sem dor. Apesar de ser bastante estável graças a um grande número de ligamentos, ainda pode existir certa mobilidade de suas estruturas. É essa mobilidade que, quando disfuncional, causa a dor que é tão comum.

Geralmente temos alguns problemas para identificar a disfunção. O principal sintoma é a dor lombar, que muitas vezes se torna crônica e é confundida com dor lombar inespecífica.

Alguns casos também podem ser similares a inflamação no ciático e outras patologias que referem dor na região lombar. Porém, a dor lombar que existe no paciente não é causada por uma disfunção que afete diretamente a lombar. Na verdade, sua origem está na articulação sacroilíaca.

O paciente com o problema pode sentir incômodo em atividades diárias como caminhar, correr, agachar e se inclinar para a frente. A dor é geralmente na região lombar com raros casos de dor no quadril.

As articulações também são muito afetadas pela compensação da sacroilíaca. Alunos com a disfunção geralmente apresentam desvios nos membros inferiores, incluindo quadril, joelho e tornozelo.

Como devemos Tratar Disfunção Sacroilíaca?

Considerando o enorme número de compensações causados pela disfunção, fica difícil designar uma forma de Tratar Disfunção Sacroilíaca de maneira realmente eficiente.

Para corrigir o movimento errado da articulação precisamos primeiro identificar fraquezas musculares que impedem a boa estabilização. É aí que entra o trabalho de glúteos.

Fortalecimento de Glúteos para Tratamento da Dor Sacroilíaca

Sem a ação dinâmica dos músculos glúteos a articulação sacroilíaca fica instável. A superfície articular da sacroilíaca é plana e orientada no plano vertical. Portanto, ela tem o formato ideal para sua função de transferência de forças.

Porém, seu posicionamento também a deixa mais vulnerável ao desenvolvimento de lesões por forças de cisalhamento vertical.

Também precisamos lembrar da natureza dos ligamentos que realizam a articulação estática da ligação. Eles são bastante fortes, mas possuem natureza viscoelástica e são capazes de se moldar à situação. O grande problema é quando existe uma pressão anormal sobre a articulação. Nesse caso eles podem se deformar e deixar de oferecer suporte adequado à articulação.

Para evitar essa deformação dos ligamentos e que as forças de cisalhamento do movimento prejudiquem a sacroilíaca, precisamos fornecer uma combinação de estabilização muscular e da fáscia do complexo lombopélvico. O glúteo máximo é capaz de anular um pouco das forças compressivas na articulação e ajuda a realizar a transferência de forças entre o membro inferior e superior.

Fraqueza e falta de ativação de glúteo máximo leva a uma tensão e ativação excessiva de isquiotibiais.

Os músculos isquiotibiais possuem o posicionamento ideal para realizar as funções de movimentar o quadril que deveria ser feitas pelo glúteo. Porém, essa solução não é perfeita e deixa a sacroilíaca ainda mais exposta à forças de cisalhamento. Já mencionei em outro artigo como essa relação entre glúteo máximo e isquiotibiais influencia na dor lombar.

Também existem compensações importantes a nível do glúteo médio. Essa musculatura controla movimentos do fêmur, ajudando na estabilização e posicionamento do mesmo. Ele também é um estabilizador da pelve no plano frontal e transversal.

Outros Músculos no Tratamento

Apesar de grande parte do tratamento ser focado nos glúteos, especialmente glúteo máximo, também existem outros estabilizadores.

A sacroilíaca precisa de uma boa atuação de transverso do abdômen, assoalho pélvico e bons ligamentos para manter-se estável. Um corpo com ativação adequada dessas estruturas consegue diminuir a força de cisalhamento sobre a sacroilíaca em quase 50%.

Toda a cadeia posterior encontra-se prejudicada em um aluno com disfunção sacroilíaca. É importante compreendermos a cadeia muscular como uma corrente. Cada elo é interligado e quando um se rompe os restantes não são capazes de exercer sua função.

Por isso, a fraqueza de glúteos também leva ao tensionamento e encurtamento de outros músculos da cadeia. Isso inclui perda de flexibilidade e de movimentos fisiológicos do quadril e membros inferiores.

Eficiência do Tratamento com Fortalecimento de Glúteo Máximo

Um estudo publicado no International Journal of Sports Physical Therapy contava com 8 indivíduos diagnosticados com disfunção sacroilíaca. Todos os indivíduos tinham dor lombopélvica unilateral que havia surgido há pelo menos 12 semanas e permanecido sem tratamento.

O tratamento conservador consistiu em 10 sessões de fisioterapia durante 5 semanas. Durante essas sessões os pacientes realizam exercícios de fortalecimento de glúteos como pontes e suas variações.

Ao fim dos testes todos mostraram sinais claros de melhora, diminuição da dor e melhores padrões de movimento funcionais.

O estudo é um entre vários que mostra a relação entre disfunção sacroilíaca e enfraquecimento de glúteo, especialmente glúteo máximo. Os exercícios de fortalecimento são essenciais para conseguir a melhora e, até cura, do indivíduo com a disfunção.

Podemos iniciar o tratamento com exercícios de forçamento sem carga, como a ponte. Aos poucos evoluímos esse aluno para que ele consiga realizar exercícios com resistência, podendo incluir exercícios com faixa elástica e até equipamentos.

Espera-se que um protocolo de reabilitação dando ênfase no fortalecimento de glúteos ajude a diminuir muito a dor e melhorar a função. Os exercícios também devem condicionar o aluno para uma ativação de glúteos correta durante o movimento.

Assim, é possível aliviar também a carga imposta sobre eretores do tronco e diminuir os sintomas de dor lombar.

Para complementar o tratamento é possível inserir exercícios para outros estabilizadores da sacroilíaca e musculaturas envolvidas no movimento. Uma boa ativação de transverso do abdômen, por exemplo, também consegue influenciar nos sintomas da disfunção e função das articulações.

Conclusão

Estudos e evidências biomecânicas nos mostram que a articulação sacroilíaca precisa de uma boa ativação de glúteo máximo. Sem ele as forças compressivas exercidas sobre as estruturas articulares podem ter efeitos graves.

Portanto, devemos começar a introduzir esses exercícios para tratar Disfunção Sacroilíaca em nossos pacientes.

Através deles conseguimos também melhorar a dor e evoluir o tratamento de maneira mais eficiente. Também devemos utilizar exercícios para outras estruturas relacionadas à pelve e estabilização do centro do corpo.

Uma reabilitação completa te garante melhor retorno às atividades diárias e ao esporte.

 

Referências Bibliográficas