Chamamos de síndrome da amnésia glútea a perda dos movimentos naturas do glúteo máximo. Com ela também temos uma perda de movimentos funcionais do quadril, tônus e força do glúteo máximo.

O glúteo máximo possui uma função essencial para o corpo, é o cíngulo de anulação de forças que permite todos os movimentos. Portanto, alguém incapaz de ativá-lo perde o padrão motor correto. Em casos de amnésia glútea encontramos:

  • Inibição das conexões neuromusculares naturais;
  • Uma fonte de compensações corporais inadequadas;
  • Ativações musculares errôneas.

Muitos movimentos que originalmente são naturais ficam prejudicados. Um exemplo é o agachamento, pegue um adulto sedentário e peça para fazer um agachamento profundo, ele provavelmente não conseguirá ou fará com muitas compensações.

Porém, essas são habilidades naturais com as quais nascemos. Observe uma criança brincando, ela faz agachamentos perfeitos sendo que ninguém as ensinou. Esse aprendizado é inato, porém a falta de movimento nos faz perder essa capacidade.

Além disso, o glúteo máximo também costuma estar enfraquecido em alunos com amnésia glútea. Assim os membros inferiores perdem desempenho e força, deixando o corpo exposto a uma série de lesões e dores.

Lesões associadas com a amnésia glúteador lombar e amnésia glútea

  • Disfunção patelo-femural
  • Síndrome da banda ou do trato ílio-tibial
  • Herniações ou dores lombares
  • Síndrome do piriforme
  • Desalinhamento extremidades inferiores
  • A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA).
  • Instabilidade crônica do tornozelo.

Compensações mecânicas

Num corpo normal, os quadris de movem constantemente. Só existe uma situação na qual eles deixam de se mover: quando tentam fazer com que o corpo fique estável durante a estática. Porém, com os glúteos inibidos, ele será incapaz de alcançar essa estabilidade.

Compensações na lombar

compensações da amnésia glútea na lombar

Um quadril sem mobilidade não impedirá seu corpo de se mover. A falta de mobilidade gera mais movimentos e instabilidade na região lombar para compensar.

A co-contração do glúteo máximo com o Psoas contribui para a estabilização lombo-sacral. O glúteo máximo proporciona estabilidade à articulação sacroilíaca por meio de apoio e compressão.

Com movimentos em excesso na articulação sacro ilíaca comprometeremos as articulações intervertebrais L5-S1, assim como o disco intervertebral. O glúteo máximo também proporciona menor estabilidade de volta através de sua conexão com os espinhais e a fascia toracolombar.

Algumas de suas fibras são contínuas com as fibras dos espinhais. Uma contração do glúteo máximo irá gerar tensão nos eretores no mesmo lado, proporcionando rigidez à coluna vertebral. Ou seja, enquanto uma parte da coluna está instável, outra estará rígida.

A contração de Glúteo máximo também exerce uma força na extremidade inferior da fáscia toracolombar. A fáscia é uma camada espessa de tecido conjuntivo ligamentar cuja tensão estabiliza as vértebras.

Como resultado, podemos ter casos de dor lombar inespecífica crônica que na verdade são causados por falta de ativação glútea.

Compensações no joelho

compensações no joelho

Os glúteos também são responsáveis por estabilizar os movimentos do fêmur, quando estão inibidos esse controle não acontece. O joelho perde sua capacidade de adaptação por perder a rotação externa realizada pelo glúteo máximo. Apesar de existirem outros músculos que fazem o movimento nenhum é potente como o glúteo máximo. Mesmo trabalhando com todas essas musculaturas em conjunto existe a necessidade de ativar o glúteo.

 

Compensações no ombro

compensações no ombro

E quem disse que as compensações param nos membros inferiores e na coluna vertebral? As compensações criadas pelo glúteo máximo se espalham para os membros superiores e acabam diminuindo a amplitude de movimento do ombro. Os glúteos estão conectados via fáscia ao longo do quadril para o ombro oposto.

Essa conexão se dá através da fáscia das cadeias cruzadas de extensão ou abertura da unidade funcional do tronco.

A fáscia fica mais rígida devido a inibição dos glúteos. Assim a amplitude de movimento do ombro diminui. O corpo não consegue gerar força do chão para o ombro, sobrecarregando os membros superiores que ainda precisam gerar energia cinética e se mover.

Existe um grande problema nessa compensação: o glúteo é mais complexo e frágil. Temos também a questão do grande dorsal que costuma estar encurtado e fraco nesses casos, gerando mais dor lombar e de ombro.

 

Outras compensações

extensão cervical e glúteo

Para continuar a mecânica compensatória da inibição glútea, o grande músculo opositor de forças é o músculo Psoas. O Psoas flexiona o quadril lordosando-o, enquanto os glúteos o estendem retificando-o. O Psoas traciona a pelve anteriormente enquanto os glúteos o tracionam posteriormente.

Se os glúteos estão inibidos, a parte inferior das costas torna-se mais instável e o Psoas aumenta sua tensão. As compensações são feitas para estabilizar a parte inferior das costas aumentando a lordose lombar de forma considerável por causa da potência do músculo.

Além disso, enquanto os glúteos rodam o fêmur externamente, o Psoas por sua linha de tração, roda o fêmur internamente. O movimento gera o valgismo dinâmico, como consequência mais dores lombares e nos joelhos.

Os isquiotibiais assumem o trabalho principal dos glúteos para estender o quadril. Essa compensação é muito comum em atletas. Encontramos nesse caso uma tração dos joelhos para hiperextensão pelo seu excesso de tensão, chamado comumente de falso varo do esportista.

Porém os isquiotibiais só realizam a extensão do quadril, não possuem nenhuma função no plano latero-lateral. Os adutores ficam completamente desgovernados realizando seu papel de adução, sem nenhum musculo em contraposição de forças, reforçando o valgismo dinâmico.

Com os glúteos inibidos perderemos a tensão da fáscia em torno da força motriz de quadril necessária para a propulsão para a frente. Essa tensão percorrerá toda a fáscia toracolombar. Ela pode gerar dentre todas as compensações já citadas um aumento da extensão cervical. Assim podemos encontrar um aumento da tensão sobre os músculos da cintura escapular, dentre eles o Trapézio em suas fibras Superiores.

Já que a fáscia toracolombar segue até a linha nucal, a tensão sobre esses músculos citados estará aumentada. Cervicalgias e cefaleias cervogenicas podem estar relacionadas à inibição do glúteo.