A disfunção sacroilíaca acontece pela existência de anormalidades biomecânicas do posicionamento anatômico da articulação. Alguns exemplos são:

  1. Fixação
  2. Hipomobilidade
  3. Subluxação
  4. Mal Alinhamento – Unilateral ou Bilateral

As articulações sacroilíacas e a sínfise púbica não possuem músculos para controlar diretamente seus movimentos. Na verdade, essas estruturas são influenciadas por musculaturas que realizam movimentos da coluna lombar e dos quadris.

Muitos deles possuem fixação no sacro e na pelve, o que explica parte dessa influência. Alguns desses músculos são:

  • Obturadores Internos
  • Piriforme
  • Adutores
  • Glúteos
  • Abdominais

Quando alterações em algum desses músculos ocorrem, elas também podem levar a disfunções da pelve por causa de desequilíbrios musculares, tensões e encurtamento de cadeias musculares relacionadas à pelve.

Outro ponto importante da sacroilíaca é sua inervação. A região é inervada pelas raízes L4 à S4, fazendo com que a dor gerada pela disfunção sacroilíaca seja referida em outras regiões, como:

  • Sacral
  • Pubiana
  • Perineal
  • Face Posterior da Coxa e Perna
  • Face Plantar do Pé
  • Espasmo Reflexo do Piriforme
  • Músculos Glúteos

A inervação das articulações sacroilíacas e dos órgãos pélvicos são sobrepostas através do nervo pudendo, raízes S2, S3 e S4. Isso inclui as estruturas do assoalho pélvico.

Teste de Levantamento Ativo da Perna

Pesquisas realizadas por O’Sullivan compararam indivíduos com dores crônicas na sacroilíaca com pessoas sem dor na articulação. O estudo só consistia em dar o comando de levantar a perna ativamente. Por isso, o teste derivado se chama “teste de levantamento ativo da perna esticada”.

Depois de realizar o teste, o pesquisador mediu diversos parâmetros. Isso incluía a pressão intra-abdominal e a ativação muscular. Os músculos eram:

  • Reto Abdominal
  • Transverso
  • Oblíquos

O teste também media a posição das vísceras pélvicas no assoalho pélvico em relação a linha pubococgiana. O’Sullivan também analisou a ventilação da coluna ventilatória e posição do diafragma.

Outro ponto de análise foi a atividade elétrica dos escalenos e força operada pela perna contralateral sobre a maca.

Indivíduos com dor crônica na sacroilíaca que realizaram o teste possuíam uma compensação interessante. O pesquisador chamou esse esquema compensatório de “esquema alternativo de controle postural”. Ao tentar estabilizar a coluna vertebral, a pessoa com dor ativava um esquema de postura alternativo.

Para realizar o movimento a pessoa jogava as vísceras abaixo da linha pubiococcígea e empurravam o diafragma. A atividade dos músculos escalenos também se alterava: ia de uma atividade fásica para tônica.

O teste foi repetido em 2002 somente em um grupo de indivíduos que possuíam dor crônica na sacroilíaca. Dessa vez, a comparação foi feita entre a perna do lado com dor e do lado sem dor. Os fenômenos observados acima apareciam no movimento de levantamento da perna de ambos os lados.

Portanto, essas pessoas realizavam:

  • Aumento da Pressão Intra-Abdominal
  • Descida dos Órgãos Pélvicos abaixo do Pubococcigiano
  • Aumento do Volume Ventilatório
  • Aumento da Frequência
  • Alteração na Atividade dos Escalenos
  • Aumento da Pressão na Perna Contralateral

De acordo com esse estudo, existe um ajuste postural alternativo realizado em pessoas com disfunção sacroilíaca e dor. Sabendo disso, conseguimos orientar nosso tratamento para corrigir as compensações posturais.

Pesquisa de Movimento da Articulação Sacroilíaca

A estabilidade da coluna da sacroilíaca acontece através do assoalho pélvico e dos transversos.

Ela é complementada pelas alterações de pressão intra-abdominal. A atividade dos músculos que realizam um aumento da PIA também favorece a estabilidade da coluna vertebral através da compressão.

Através da famosa pesquisa de levantamento de um braço é possível entender que o ajuste postural é antecipatório e opera antes mesmo do movimento. Na pesquisa, o ajuste acontece 20 milisegundos antes do levantamento do braço ocorrer. Isso acontece pela ação da pressão intra-abdominal, produzida pela contração do transverso e do diafragma.

Considerando essa concepção e lembrando-se das propriedades viscosas elásticas do tecido, desenvolveu-se um novo método palpatório. Isso ocorreu através de nova pesquisa por O’Sullivan a respeito dos movimentos da articulação sacroilíaca que comprovou as rotações anteriores e posteriores da articulação.

Anteriormente, considerava-se que as únicas posições possíveis da sacroilíaca eram as seguintes:

  1. Normal
  2. Anterior
  3. Rodado

Os desdobramentos verticais de uma dessas posições estava relacionado com dor lombar. Portanto, essa última pesquisa foi realizada através de marcadores com isótopo. Os pacientes foram novamente convidados a realizar o levantamento ativo da perna.

Durante o movimento, a sacroilíaca apresentou rotação anterior e posterior de 0,08 graus. Porém, a rotação ocorria na perna em repouso, não na perna levantada. Apesar de sabermos sobre a anterioridade e posterioridade possível na sacroilíaca, ainda não existiam comprovações científicas a seu respeito.

Durante o movimento de levantamento ativo da perna existe uma pressão de entrar em contração com o reto femoral. Como resultado, deveria acontecer uma anteriorização do sacroilíaco, mas o que ocorre é uma posteriorização da articulação em 0,08 graus da perna de apoio.

Sempre falamos que a anteriorização da sacroilíaca é realmente uma posteriorização. A articulação realiza um movimento para trás e para dentro, entrando na posterioridade. Porém, esse também pode ser um movimento natural da sacroilíaca.

Anteriorização e Posteriorização

Durante a deambulação existem variáveis, mas pelo menos conseguiram demonstrar que existe a probabilidade de uma anteriorização e posteriorização da articulação sacro ilíaca.

Assim, nós fazemos nossa palpação e avaliação da mobilidade sacro ilíaca baseado nas viscosidades elásticas deste tecido. O que a gente vê, é que os tecidos viventes respondem com estruturas elásticas quando solicitado.

Isto sugere que quanto mais uma estrutura é submetida à uma pressão prolongada, mais perde suas propriedades mecânicas e se comporta como um corpo rígido.

Existe uma contra lesão do sacro que é extremamente frequente e que pode induzir ao erro de diagnóstico. Nós sempre aprendemos que a articulação sacro ilíaca faz movimentos de anterioridade e posterioridade.

Se um ilíaco está em anterioridade e o outro em posterioridade, nós sabemos que normalmente quando o ilíaco é anteriorizado, corresponde à uma falsa perna mais longa, com uma rotação interna e um ilíaco posterior com uma perna mais curta e rotação externa.

Assimetrias na Sacroilíaca

Quando trabalhamos a articulação sacroilíaca buscamos em primeiro lugar a mobilidade.

Não podemos cometer o erro grave de confundir posição com mobilidade, que são dois fatores completamente diferentes. Também não devemos confundir uma atitude postural com uma disfunção.

Os seres humanos são lateralizados e usam um hemicorpo mais que o outro. Além disso, um hemisfério cerebral é mais desenvolvido que o outro. Tudo o que fazemos é mais intenso de um dos lados do corpo.

As assimetrias comportam compensações.

Para compreender bem, pense num indivíduo que é destro. Seu ilíaco anterior direito compensando, com um ombro mais alto, outro mais baixo e o occipital inclinado para um dos lados.

Essas compensações foram 3 linhas assimétricas. Essa compensação é equilibrada por um desvio postural, além do ilíaco anterior inclinado à direita e o posterior inclinado à esquerda. Essas compensações se chamam de esquema postural adaptativo.

Quando existe um ilíaco anteriorizado e um ilíaco posteriorizado o sacro posterior se altera. Como resultado, teremos escolioses adaptativas e uma convexidade lombar para a esquerda, além de inversão de inclinação. Também teremos uma convexidade à direta combinada com posterioridade de vértebras à direita e inclinação à esquerda.

As alterações também acontecem a nível torácico. Existe uma troca de curva em T4 que gera outra convexidade à esquerda. As vértebras torácicas também adotam posterioridade à esquerda. A inversão de rotação acontece a nível de cervicais.

Todo ser humano realiza compensações posturais. Apesar disso, nem toda compensação gera patologias, dores e desconfortos. Isso acontece porque uma pessoa pode ser bem compensada. Para isso, o corpo compensa a inclinação de um lado com outra inclinação para o outro lado.

Por possuir essas compensações, o corpo cria colunas de pressão, algo que nem sempre é tão positivo. Porém, até certo ponto, é possível o corpo de uma pessoa ser compensado, mas bem compensado, sem gerar problemas.

As adaptações posturais são inevitáveis em todos os seres humanos. Para não serem consideradas patológicas elas precisam estar dentro de um limite fisiológico. Por isso, quando você analisar os ilíacos do paciente, sempre perceberá que existe um mais alto que o outro. Lembre-se que isso não está relacionado a mobilidade.

Quando existe Disfunção Sacroilíaca?

A disfunção sacroilíaca é algo bastante diferente e pode ocorrer dentro dessa situação postural.

Nesse caso o sacro realiza uma contra lesão. A contra lesão nesses casos não é muito evidente e você dificilmente consegue perceber que o sacro foi para a frente ou para trás.

Ao realizar o apoio dos polegares é possível sentir uma posição mais alta à direita e mais funda à esquerda. Portanto, o diagnóstico é de um sacro posterior à direita. Caso a perna direita seja mais curta que a esquerda a maioria dos profissionais consideraria uma assimetria no paciente.

Na verdade, não estamos observando uma assimetria. O que realmente existe é uma contra lesão do sacro.

Se o profissional realizar um teste de posição e depois de compressão perceberá a diferença. Mesmo que a articulação pareça mais superficial, ela é mais móvel. O outro ilíaco pode parecer mais fundo, mas é mais rígido.

O DIAGNÓSTICO DA DISFUNÇÃO SACROILÍACA É ESSENCIAL!

Quando realizado da maneira incorreta, ele localiza a sacroilíaca na posição errada. Se corrigirmos durante o tratamento para anterior algo que deveria ser posterior e vice versa, traremos problemas para o paciente.

Realizando um diagnóstico correto conseguimos fazer 50% do tratamento.

Após diagnosticar é preciso fazer a correção e trabalhar bem as articulações sacroilíacas. O controle das pressões abdominais já traz uma melhora significativa para o paciente. Isso é possível simplesmente pela normalização da articulação sacroilíaca.

Quando existe um aumento da pressão abdominal também observamos um deslocamento da articulação sacroilíaca. Esse deslocamento, por sua vez, modifica o comprimento e tensão de músculos importantes. Eles são o assoalho pélvico e transverso. Quando tensionadas, essas musculaturas aumentam a pressão intra-abdominal, gerando um ciclo vicioso.

Conclusão

Diagnosticar a disfunção sacroilíaca é um verdadeiro desafio para o profissional do movimento.

Precisamos tomar cuidado para não confundir alterações ilíacas com compensações posturais fisiológicas. Considerando que pequenas alterações existem em todos, isso é bastante importante.

Um diagnóstico correto nos auxilia a garantir o melhor tratamento para nosso aluno. Portanto, nunca deixe de realizar uma avaliação postural eficiente.

 

Bibliografia
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2.    Henrique, S. Egberto dos, O. Juliano de, L. F. Tiago, Disfunção da articulação sacroilíaca e a influência na flexão de tronco e no ângulo Q do joelho. Revista Interdisciplinar de Promoção de Saúde. Acesso em: https://online.unisc.br/seer/index.php/ripsunisc/article/view/11937
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