As mulheres ficam especialmente incomodadas com um problema que deixe sua “barriguinha” maior. As diástases estão entre esses problemas e afetam, em sua maioria, mulheres no pós-parto. Porém mulheres não grávidas e até homens podem sofrer com elas.

Essas pessoas chegam no Studio de Pilates procurando uma solução tanto estética quanto para sua saúde. A diástase pode afetar até a autoestima feminina, portanto é importante saber trata-las.

E nada melhor para oferecer um tratamento eficiente que o conhecimento. Separei aqui nesse artigo algumas informações sobre as diástases e motivos de seu surgimento.

Você também entenderá como a ginástica hipopressiva pode auxiliar no tratamento.

Quer saber de tudo isso? Continue lendo!

Músculos do Abdômen

musculaturas do abdomên e as diástases

Reto abdominal

O reto abdominal são músculos que ficam à frente do tronco e compõem a camada muscular superficial dos músculos abdominais. Suas fibras são predominantemente vermelhas, porém entrecortadas por áreas não contráteis fascial.

Esses músculos estão recobertos pela bainha do reto do abdome, cuja função é manter os músculos em sua posição. Ela é formada pelas aponeuroses do:

  • Oblíquo externo;
  • Oblíquo interno;
  • Transverso do abdômen.

 

O músculo reto do abdômen é longo e aplanado, recobre toda a face anterior do abdome. Ele é intercedido por faixas fibrotendinosas chamadas interseções tendíneas. Os números dessas interseções variam de pessoa para pessoa.

  • Origem: Da 5ª a 7ª cartilagens costais, processos xifóide e ligamento costoxifoide
  • Inserção: Púbis e sínfise púbica
  • Inervação: Sete últimos nervos intercostais
  • Ação: Flexão do tronco, comprime o abdome e auxilia a expiração forçada.

Os retos do abdômen são os responsáveis pelo enrolamento da unidade tronco. Eles realizam a elevação do púbis em direção ao umbigo e abaixam o esterno em direção ao umbigo.

Essa nos parece ser uma zona de convergências de forças importantes. Com esse enrolamento indiretamente mobilizaremos a coluna vertebral de forma retificadora em sua região torácica baixa e lombar.

Por fazer parte da Cadeia muscular de Flexão do Tronco, esses grandes músculos são responsáveis pelos rolamentos realizados no Pilates. Esses movimentos envolvem a contração dos retos do abdômen.

Os excessos de tensão nos retos do abdômen podem ser um importante músculo inibitório do movimento de extensão do tronco. A principal causa disso costuma ser a falta de flexibilidade.

Não raramente, há necessidade de flexibilização desse músculo. A falta de flexibilidade acontece por influências viscerais centrípetas que nos puxam para o enrolamento. Outra opção são nossos atuais hábitos de vida:

  • Sedentarismo;
  • Posicionamento ergonômico errôneo adotado no trabalho, dentre outros

O que precisamos saber é que são os retos abdominais que ao contrair-se empurram as vísceras abdominais para dentro. Portanto, sendo responsáveis por aumentar a pressão intracavitária.

Os músculos largos

São os músculos nas laterais do tronco que se opõe ao longilíneo reto do abdômen são chamados de músculos largos. São três deles dispostos em camadas:

  • Transverso do abdômen
  • Oblíquo interno
  • Oblíquo externo

Transverso do abdômen

É o muculo mais profundo dentre todos os músculos largos e tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • Dois terços laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção fica nas bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba estendendo-se inferiormente sobre o ligamento inguinal acompanhando a prega inguinal.

Como vimos na figura, ele é cortado pela frente pela potente linha alba e por trás pela fáscia tóraco lombar. Logo, acredito em sua interdependência. O periódico JOSPT já fala sobre essa interdependência há cerca de 10 anos.

Acredito ainda na existência de dois músculos transversos. Seriam eles o Transverso direito e o Transverso esquerdo.

Portanto, discordo do comando de levar o umbigo para a coluna. Isso só seria capaz com a colaboração dos retos abdominais, já que o Transverso não realiza esse movimento.

Não há fibras musculares do Transverso a frente do umbigo, temos somente todo tecido aponeurótico da linha alba não contrátil. Além disso, há um engano sobre a contração do Transverso.

Olhemos bem a figura do Transverso. Em suas linhas de tração, origem e inserção, analisemos agora uma contração concêntrica destes músculos.

O Transverso também não atua na pelve por sua disposição de fibras horizontais.

O Transverso é dos músculos do abdômen que menos atua sobre o esqueleto. Sua principal ação está relacionada às questões viscerais:

  • Fonação;
  • Vômito;
  • Tosse;
  • Espirro;
  • Entre outras.

Esse muculo tem uma atuação importante sobre as vísceras. Ao se contrair ele diminui o diâmetro da cintura, podendo aumentar consideravelmente a pressão intra-abdominal. Somada a esse aumento de pressão, a ação gravitacional acaba por empurrar as vísceras para baixo.

As linhas inferiores do Transverso ao se contrair reforçam a borda do ligamento inguinal, também conhecido como ligamento de Poupart. Essa é a parte inferior e tendínea da aponeurose do músculo oblíquo externo do abdômen.

Ações do transverso e suas fibras

ações do transverso e as diástases

Esse ligamento se estende da espinha ilíaca ântero-superior até o tubérculo púbico. Sua margem livre, ou terço medial, denominada arco inguinal superficial, reforça a contenção da parte inferior do abdômen. Por consequência ajuda na contenção visceral.

Além disso ele traz sua contração para a crista ilíaca de forma ascendente. Assim forma uma cintura fininha realizada pelas fibras médias do Transverso que são horizontais.

Suas fibras inferiores são responsáveis pela proteção dos órgãos da pelve menor das diferenças pressóricas ocorridas a todo momento, Quando contraídas são responsáveis pelo alargamento das cristas ilíacas, o famoso comando do sorriso dado por Lolita de San Miguel.

Suas fibras superiores têm um direcionamento dado para baixo e para fora sendo responsáveis pelo sutil fechamento das costelas. Por terem um ventre e um comprimento muscular pequeno essas fibras não conseguem realizar um grande fechamento das costelas.

Levando todos os autores e pesquisas atuais tenho uma sugestão quanto ao novo comando a ser dado. Pesquisas mecânicas recentes indicam que a formação de uma cintura fininha é o melhor comando.

Isso deve ser feito sem empurrarmos as vísceras para baixo, esquecendo a contração do assoalho pélvico. Veremos que a contração dos músculos do abdômen somada a força gravitacional empurraram as vísceras para baixo fadigando os músculos perineais.

Quero aqui fazer um adendo para que entendam o porquê da não solicitação dos músculos perineais. Alguns autores identificaram um aumento da atividade eletroneuromiográfica dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. A contração ocorreu sem qualquer contração da musculatura abdominal.

Existe entre eles uma ação de sincronia, isto é, a contração do músculo abdominal leva a uma contração recíproca do músculo pubococcigeo. Isso estabiliza e mantém o colo vesical na posição retropubica, facilitando a igualdade das pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal. Essas ações mantém a continência urinária.

A atividade sinérgica entre os Músculos do Assoalho Pélvico e os abdominais possibilita o desenvolvimento de uma pressão de fechamento adequada e importante para manter:

  • Continência urinária;
  • Continência fecal;
  • Pressão no abdômen;
  • Suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos demonstram que, durante a contração voluntária dos Músculos do Assoalho Pélvico, ocorre uma co-ativação dos músculos transversos abdominais, oblíquo interno, oblíquo externo e reto abdominal. A pressão esfincteriana aumenta com essa ativação.

Um estudo realizado a respeito da sinergia abdômino pélvica diz que aumentos repentinos na pressão intra-abdominal, levam a uma rápida atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico, (reflexo guardião).

Deve-se considerar, no entanto, que “o aumento repentino da pressão intra-abdominal”, se causada por uma manobra intrínseca (tosse, por exemplo) incluem a ativação via retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como parte de um complexo padrão de ativação muscular.

Acredita-se que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual dentro do tronco cerebral. Assim, a ativação dos Músculos do Assoalho Pélvico é uma co-ativação prévia, e não primariamente uma reação “reflexa” ao aumento da pressão intra-abdominal.

Porém, além disso, pode haver uma resposta reflexa adicional dos Músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares dentro dessa musculatura.

Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema nervoso central.

Este fato parece sugerir que a ativação dos músculos do períneo não acontecem em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal, sendo antes produzida por mecanismos nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela vontade.

Algumas investigações demonstram que o aumento da PIA precede a contração automática do Assoalho Pélvico. A contração prévia desses músculos antes do aumento intra-abdominal indica que esta resposta é pré-programada.

A atividade antecipada não pode ser de uma resposta reflexa a uma entrada aferente, resultante de um aumento da pressão abdominal. Aumento da pressão intra-abdominal é tudo que não queremos durante nossa pratica de Pilates, visto que a pressão intra-abdominal nos parece ser a grande vila das dores lombares, nesse texto abordo somente as forças internas. É claro que existem outros mecanismos fisiopatológicos para dor lombar crônica.

Oblíquo interno

oblíquo interno nas diástases

O oblíquo interno pertence a camada intermediaria dos músculos largos e são dois: direito e esquerdo.

Tem sua origem na:

  • Crista ilíaca;
  • Fáscia toracolombar;
  • Dois terços laterais do ligamento inguinal.

Sua inserção é nas Bordas inferiores das últimas 3 costelas e linha alba. Sua ação inclui fletir e rodar o tronco para o mesmo lado. Ele também auxilia na expiração forçada.

Seu direcionamento de fibras vermelhas circundam a cintura, numa direção para cima e de trás para a frente da pelve até as costelas. Sua ação mais potente está exatamente acima do umbigo e ao se contrair comprimira as vísceras.

Por fim, também reforça a borda do ligamento inguinal contribuindo para a contenção inferior do abdômen.

Oblíquo externo

É um músculo amplo, plano e quadrangular. Mais extenso em sua parte ventral que na parte dorsal.

Recobre a face lateral do abdome com sua porção muscular e a face anterior com sua porção aponeurótica. Tem a sua origem: da 5° a 12° costelas (bordas inferiores). Sua inserção está na: crista ilíaca, ligamento inguinal e lâmina anterior da bainha do reto abdominal. Suas aponeuroses se unem a linha alba.

Em sua ação: comprime o abdome, flete e roda o tronco para o lado oposto; auxiliando também na expiração forçada. Além disso, os oblíquos externos são capazes de direcionar as vísceras de cima para baixo pelo seu direcionamento de fibras.

Ação dos músculos largos sobre a linha alba

São eles os responsáveis em sua contração simétrica pela diástase pois tracionam a linha alba em sentidos opostos. A contração do Transverso traciona a linha alba num direcionamento horizontal, por sua disposição de fibras.

O oblíquo externo afasta a linha alba obliquamente em sua região superior para baixo. E o obliquo interno atua na região infra umbilical tracionando a linha alba num direcionamento cefálico.

Os músculos retos do abdômen não realizam a separação da linha alba por serem paralelos a ela.

Aponeuroses

Todos os músculos largos são envolvidos por aponeuroses, ao todo seis aponeuroses, três para cada músculo. Elas saem unidas sendo em seguida redistribuídas para envolver o reto do abdômen se unindo novamente na linha alba. Essa distribuição é bem complexa.

Nos dois terços superiores do abdômen as aponeuroses que passam a frente do reto são:

  • Aponeuroses do oblíquo externo;
  • Aponeurose superficial do oblíquo interno.

E as aponeuroses que passam posteriormente ao reto o abdômen são:

  • Aponeuroses do transverso;
  • Aponeurose profunda do oblíquo interno.

Já no terço inferior do abdômen todas as aponeuroses dos músculos largos estão situadas a frente do reto do abdômen.

Essa disposição das aponeuroses não se dá por acaso. Na parte infra umbilical (terço inferior do abdômen) temos a influência da convergência de forças da contração do musculo diafragmático que é para baixo e para frente.

A contração do diafragma traciona os órgãos da pelve menor à frente, e as aponeuroses tentam proteger esses órgãos dessa variação constante da pressão realizada pela respiração.

Logo fica fácil entendermos esse reforço aponeurótico à frente dos retos do abdômen na região infra umbilical. Ele é o ponto de encontro de todas as cadeias musculares do tronco. A lordose lombar, pode ser um meio de proteção dos órgãos da pelve menor as constantes diferenças de pressão respiratória.

Já nos dois terços superiores ou região supra umbilical não temos esse reforço aponeurótico superior. Portanto, a linha alba é mais frouxa o que facilita o aparecimento de diástases.

Essa frouxidão é importante para o conforto das vísceras. Como vimos a região infra umbilical é bem reforçada a fim de proteger os órgãos da pelve menor das diferenças de pressões abdominais empurrando as vísceras para baixo.

Logo, as vísceras que são prioridade encontram nessa folga supra umbilical o conforto de acordo com suas necessidades as variações pressóricas.

Portanto, as diástases não são fraquezas dos músculos da parede abdominal, mas sim uma adaptação corporal importante entre a estática e as vísceras. (Traité d ostéopathie viscérale, Ed. Maloine)

Diástases na gravidez

diástases na gravidez

Esse crédito de largura ou frouxidão supra umbilical tem a função de amortecer as importantes e constantes variações pressóricas intra-abdominais para:

  • Fenômenos hemodinâmicos;
  • Fenômenos digestórios;
  • Permitir o aumento de pressão gerado na gravidez.

Isso explica porque o Transverso do abdômen passa a frente na linha infra umbilical e atrás na linha supra umbilical. Ele deve proteger sua principal ação que é a fonação.

Se passasse a frente da linha alba da região supra umbilical, o transverso perderia sua função de fonação com o processo fisiológico da gravidez.

Na gravidez é através dessa folga que o bebe será gerado recrutando as cadeias musculares cruzadas posteriores ou de extensão para manter sua postura.

O diafragma diminui sua excursão durante a respiração na gravidez. O motivo é o aumento do útero durante o crescimento do bebê, para evitar que a pressão intra-abdominal aumente ainda mais.

Quanto mais o útero aumenta, menos o diafragma desce, mais as cadeias cruzadas de extensão ou de abertura são recrutadas. Assim a diástase abdominal fisiológica é aumentada.

Concluímos então que a linha alba é a grande transmutadora de forças entre as cadeias musculares cruzadas de fechamento do tronco e as cadeias de flexão, da qual faz parte os músculos retos do abdômen.

A linha alba junto dos retos abdominais são os grandes maestros permitidores da distribuição de forças pressóricas durante o processo gestacional. A gestante encontrará então para sua estática um importante ponto de apoio na região torácica.

Entendendo essa inteligência corporal fica fácil compreender o corpo como um todo. Não há como tratar uma diástase pensando somente nos músculos abdominais, faz-se necessário desfazer essa necessidade corporal gestacional de realizar todo seu apoio estático na região dorsal.

O tratamento mais eficiente das diástases é realizado pela torácica. Além da flexibilização dos músculos largos seguidas de contrações alternadas para que não haja o efeito de tração sobre a linha alba.

A solicitação mais forte do Powerhouse é ineficiente, visto que a contração dos músculos ativará a contração dos músculos largos do abdômen. O resultado será uma distensão ainda maior da linha alba.

Ou seja, a variação da solicitação dos músculos largos, seguidos da flexibilização desses mesmos músculos, permitirão seu relaxamento. Assim retiramos tração da linha alba. Por conseguinte, os retos abdominais também ficam menos tracionados.

Também teremos a aplicação incansável da Ginástica Hipopressiva como parte importante do tratamento.

Ginástica Hipopressiva como aliada no tratamento da diástase

A Ginastica Hipopressiva virou febre na Europa, após serem rebuscados e reinventados de uma técnica milenar chamada Yoga. O responsável por isso foi o Professor Doutor Marcel Caufriez, fisioterapeuta belga, doutorado em Ciências da Motricidade e especializado em Reabilitação.

As Técnicas Hipopressivas englobam posturas e movimentos que visam a diminuição da pressão nas cavidades torácica, abdominal e pélvica.

O professor doutor Marcel percebeu em seus estudos alguns benefícios dos exercícios hipopressivos. Eles auxiliavam na diminuição da PIA ao criar um efeito de vácuo e aspirar as vísceras para cima.

Ao mesmo tempo, os exercícios tornificam a parede abdominal e ativam a musculatura mais profunda da região.

Sua técnica é descrita como sequências cronológicas rítmicas de exercícios posturais que provocam a diminuição da pressão intra-abdominal (PIA) e intra-torácica.

Para isso faz-se uma série de ativação automática de neurodivergências dos músculos do períneo e da faixa abdominal, normalização das tensões dos músculos respiratórios, relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertónicos e estimulação do sistema neurovegetativo simpático.  Parece-me perfeita aliada para o tratamento das diástases.

As diástases não fisiológicas

Os músculos abdominais têm papel significativo na atividade respiratória, principalmente durante a fase expiratória. Isso pôde ser observado por meio da eletroneuromiografia. No teste se obtém o aumento da atividade elétrica destes músculos durante a expiração e declínio durante a inspiração.

Diante dos resultados obtidos sobre a resposta sinérgica abdômino-pélvica, observa-se que tanto a atividade perineal quanto a abdominal são influenciáveis pelo padrão respiratório imposto.

Assim sendo, a manobra que demonstrou melhor estimular tal ação sinérgica foi a execução da expiração. Já aquela que mostrou praticamente nenhuma resposta sinérgica entre os grupos musculares estudados foi a inspiração.

Segundo o artigo The myth of core stability1 (O mito da estabilização do tronco), o autor relata que o transverso do abdômen tem várias funções na postura ereta.

A estabilidade é uma delas, mas está em sinergia com os outros músculos da parede abdominal. Ele atua no controle da pressão da cavidade abdominal para as funções de fonação, respiração, defecação, vômito etc.

Ele também forma a parede posterior do canal inguinal atuando como válvula e impedindo a herniação das vísceras por este canal.

Em alguns casos encontramos músculo abdominais fracos, com seu funcionamento inibido. Mas, isto não ocorre simplesmente pela falta de uso destes músculos. Na verdade, isso é uma estratégia inteligente de proteção do corpo frente a um amento da pressão intra-abdominal.

Um indivíduo que possui hábitos alimentares errôneos, por exemplo, pode gerar um excesso de gases. Os motivos podem ser o excesso de fermentação dos alimentos, ou ainda pelo fato da fermentação estar sendo feita no local errado.

Tal indivíduo gerará um abdômen globoso (distendido) que prejudicará o sistema musculoesquelético perante o movimento. Os músculos estarão distendidos, fora de sua curva normal de comprimento e tensão, se relaxando.

Lembrando aqui que as vísceras têm prioridade. Logo, o transverso do abdômen vai encontrar-se distendido pois, o corpo precisa abrir espaço nesta cavidade tracionando a linha alba, podendo afastar os músculos retos do abdômen.

Qualquer pressão exercida nesta região seria antifisiológica, aumentaria a dor, algumas vísceras não suportam pressão. Se os músculos não sacrificarem seu funcionamento a favor das vísceras vão contra o mecanismo de conforto do corpo.

Conclusão

Como vimos, ainda existem muitos questionamentos a serem feitos sobre as propostas de estabilização do tronco. Um fator extremamente importante que não é considerado por tais propostas é a avaliação da pressão abdominal.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intra-cavitária elevada, pode ser muito perigoso. Esta elevação acentuada da pressão intra-abdominal, pode:

  • Gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos;
  • Prejudicar o funcionamento de todo sistema visceral.

O excesso de pressão também acontece sobre o assoalho pélvico, facilitando, a longo prazo, a instalação de mecanismos de fuga. Se a respiração solicitada durante o Pilates for errônea e seu aluno empurrar as vísceras para baixo enquanto contrai o abdômen favorece a instalação do esquema descrito.

Blandine traz da França todo um novo conceito em seus livros sobre Pilates. Ela recomenda solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Em contrapartida, ao realizarmos os exercícios na inspiração o diafragma encontrar-se-á em posição baixa, diminuindo a área abdominal, e quanto a essa nova proposta ainda não temos estudos científicos comprobatórios.

Como vimos, vários autores e pesquisadores contemporâneos já se atentaram para as questões das variações pressóricas e vem buscando novas propostas para o conforto de um corpo viscerado, sem desrespeitar as três leis corporais: conforto, equilíbrio e economia.

1publicado na 14º edição do Journal of Bodywork & Movement Therapies, em 2010, páginas 84-98