Por acaso você já pensou na relação que o psicológico do seu aluno tem com a dor? Duas doenças distintas como dor lombar e depressão parecem estar pouco relacionadas, mas na verdade elas têm uma conexão bastante interessante.

Fatores psicológicos têm forte influência sobre o funcionamento do corpo.

Por isso, os profissionais do movimento não podem e nem devem ignorá-los. Quer saber como depressão pode ajudar a causar dor lombar e vice versa? Continue lendo esse artigo para ver tudo que você precisa saber!

Relação entre Episódios Depressivos e Dor Lombar

Uma revisão bibliográfica realizada com 11 estudos mostrou que sintomas depressivos estão fortemente relacionados a uma maior tendência para desenvolver dor lombar. Em idosos essa relação aumenta ainda mais.

Outro estudo, realizado com análise de dados de pacientes no Japão, identificou que indivíduos depressivos relataram índices de dor lombar mais altos.

A relação entre dor lombar e depressão pode acontecer como causa e consequência. A dor causa falta de independência, muitas vezes impede a realização de atividades diárias como trabalhar e praticar esportes e pode diminuir os níveis de autoestima do indivíduo.

Por ter um efeito psicológico tão significativo, é possível que ela seja um possível gatilho para a depressão.

Também é possível que a dor lombar interrompa o sistema de dopamina do corpo. Ou seja, mesmo quando a dor lombar não causa ou incentiva o caso de depressão, ela pode piorá-lo.

Porém, a depressão também pode ser causa da dor. Indivíduos depressivos apresentam maior sensibilidade a dor e maior probabilidade de desenvolver dores crônicas. Um indivíduo depressivo também tem maiores chances de tornar-se sedentário, que é outro fator de risco para o desenvolvimento de dor lombar.

Mesmo com todas essas informações a respeito da relação entre dor lombar e depressão, quantas vezes você já parou para pensar no estado psicológico do seu paciente?

Claro, essa não é nossa área e não podemos prescrever tratamento. Apesar disso, é importante saber identificar quando existem fatores psicológicos ligados à dor. Talvez o tratamento nunca esteja completo até que o indivíduo consiga ajuda para seus sintomas depressivos.

Por que a Dor lombar e Depressão surgem?

As relações entre dor lombar e depressão ainda não estão completamente claras para a ciência. O que podemos observar é que ela existe e que uma doença aumenta o risco para outra.

Ambos os pacientes (com dor lombar e depressão) apresentam deficiência de neurotransmissores responsáveis por sentimentos de bem estar e prazer. Entre esses neurotransmissores ficam em destaque a serotonina e a dopamina. Sua falta afeta o estado emocional do indivíduo e também seu limiar de dor.

Por isso, a dor lombar é mais intensa em muitos casos de pacientes depressivos.

Pessoas com depressão também costumam adotar importantes mudanças no seu estilo de vida. Isso leva a uma menor realização de atividades físicas ou fim da prática completamente. Alguns pacientes também apresentam piora em distúrbio do sono, outro fator de risco para desenvolvimento de lombalgia.

Aumento do Risco conforme a Idade

Na maioria das patologias a idade é um fator de risco importante, e o mesmo ocorre com a dor lombar. O problema de lombalgia em pacientes idosos, na verdade, pode estar muito mais relacionado a seus aspectos psicológicos.

Idosos perdem suas capacidades funcionais com o passar do tempo, esse é o processo natural de envelhecimento.

Isso inclui perda de massa muscular, enfraquecimento, perda de propriocepção e equilíbrio, entre outros. Já falamos nesse blog como esses fatores aumentam a probabilidade de quedas, que são extremamente perigosas para os que estão na terceira idade.

Mas precisamos ir além nessa análise e perceber como o processo de envelhecimento é prejudicial para a saúde mental da pessoa.

O idoso que teve uma piora em seus movimentos começa a evitar se locomover. Ele perde sua independência e passa a precisar de outros para ajudá-lo, o que diminui a possibilidade de contato social. O isolamento comum na velhice pode ser um importante fator no desenvolvimento de depressão.

Agora pense em como fica a situação do idoso quando existe dor lombar, e isso é muito comum na terceira idade. Os idosos estão mais propensos ao desenvolvimento da dor por causa dos diversos fatores do envelhecimento que já citei. Quando ela surge é extremamente incapacitante. Ela tem o potencial de impedir a pessoa de praticar suas atividades físicas ou conviver com seu círculo social. Ou seja, aumenta o risco de depressão.

Precisamos considerar esse fator já que vivemos em um país atualmente em processo de envelhecimento. Em 2011 já existiam cerca de 32 milhões de pessoas acima de 60 anos no país. A estimativa é que em 2025 essa faixa etária seja 15% da população, um número bastante significativo.

Por isso, é impossível ignorar o papel que a dor lombar pode ter no desenvolvimento de problemas psicológicos!

Precisamos lembrar que a qualidade de vida do idoso está diretamente ligada à sua independência. Esta, por sua vez, está relacionada à habilidade de realizar movimentos da vida diária sem apresentar risco a si mesmo.

Quero trazer outra informação aqui: a depressão é a doença psiquiátrica mais encontrada em idosos. Apesar disso, ela raramente é tratada e muitas vezes é sequer diagnosticada. Muitos familiares acabam pensando que o isolamento por parte do idoso é parte do envelhecimento.

Volto a lembrar que devemos recomendar o paciente ao atendimento psicológico quando existe necessidade. É possível que o caso de depressão nos nossos alunos mais velhos impeça a verdadeira reabilitação da dor lombar.

Conclusão

Mesmo que o profissional do movimento seja responsável por tratar os sintomas físicos do corpo, ele não deve desconsiderar a influência de aspectos psicológicos. Precisamos sempre lembrar que a dor lombar é um problema multifatorial.

Portanto, existem diversos fatores que podem estar envolvidos no seu surgimento.

A depressão parece ser um desses fatores e, mesmo que não determinar o surgimento de dor, pode influenciá-la. Devemos prestar ainda mais atenção em pacientes idosos, que apresentam maior risco tanto para o desenvolvimento de sintomas depressivos quanto dor lombar.

Se os problemas psicológicos parecerem influenciar o quadro álgico do aluno, não ignore. Essa pessoa precisará de ajuda especializada para conseguir tratamento para a depressão. Dessa maneira você também conseguirá garantir melhores resultados no tratamento da dor lombar.

 

Bibliografia
  • PINHEIRO, Marina B. et al. Relação entre dor lombar e depressão. Boletim Científico Semanal: Fisio com evidência, ed. 02, n. 1. 2018.
  • MELLO, E. e TEIXEIRA, MB. Depressão em idosos. Revista Saúde, v. 5, n.1. 2011, São Paulo.
  • TSUJI, Toshinaga et al. The impact of depression among chronic low back pain patients in Japan. BMC Musculosketleton Disorders, 2016.
  • TROCOLI, Tathiana O. e BOTELHO, Ricardo v. Prevalence of anxiety, depression and kinesiophobia in patients with low back pain and their association with the symptoms of low back spinal pain. Rev. Bras. Reumatol. vol.56 no.4 São Paulo, 2016.