08A terminologia espondilolistese, derivada do grego (spondylo = coluna/olisthesis = escorregamento), contempla conjunto de doenças que têm como principal característica o escorregamento de um corpo vertebral sobre o corpo vertebral adjacente, ou seja, de uma vértebra sobre a vértebra seguinte.

É a luxação de um corpo vertebral sobre outro, sendo uma das principais causas de instabilidade da coluna, chegando a atingir até 5% da população. Pode ter alguns sintomas, incluindo:

  • Dor Lombar
  • Dor Irradiada (Dor Ciática)
  • Dor nas Pernas ao Caminhar
  • Formigamento
  • Encurtamento dos Músculos Posteriores das Pernas
  • Perda de Força e Coordenação dos Movimentos
  • Incapacidade de Andar

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Classificação da Espondilolistese

Fonte: www.fisioterapia.com

A mais aceita é a classificação de Wiltse e Bradford que tem como diferencial a etiologia do escorregamento vertebral. As listeses são divididas em 5 grupos da seguinte forma:

  • Displásica – Anomalia da Porção Superior do Sacro ou do Arco de L5
  • Ístmica – Lesão do Istmo Vertebral por Fratura de Fadiga
  • Degenerativa – Secundária a Processo Degenerativo do Disco ou Articulação Intervertebral Posterior
  • Traumática – Fratura Aguda do Arco Posterior da Vértebra
  • Patológica – Enfermidade Óssea que Acomete o Arco Posterior (Tumor Ósseo, etc)

Estes deslizamentos vertebrais foram classificados por Meyerding conforme sua intensidade:

  • Grau I – 0 a 25%
  • Grau II – 25% a 50%
  • Grau III – 50% a 75%
  • Grau IV – 75% a 100%
  • Grau V – seria a pitose vertebral

Causas da Espondilolistese

  • Espondilolistese Degenerativa – ocorre em adultos e idosos, pois é provocada pelo desgaste das articulações facetárias, como parte do quadro de degeneração da coluna.
  • Espondilolistese Ístmica – ocorre por um defeito das articulações facetárias, que pode ser de natureza congênita ou devido a lesões ocorridas na infância. Como pode ser por uma má-formação congênita, a espondilolistese ístmica é comum na infância e adolescência.

Diagnóstico e Exame

Fonte: Adaptado de Netter (2003, p.146)

  • Raio-x
  • Ressonância Magnética

A coluna vertebral estende-se do crânio até o ápice (ponta) do cóccix. Em adultos, a maioria delas mede de 72 a 75 cm de comprimento, dos quais os discos intervertebrais compõem aproximadamente um quarto do comprimento total, separando e mantendo juntas as vértebras.

Composta por 33 vértebras que são divididas estruturalmente em 5 regiões ou segmentos. De cima para baixo, existem:

  • 7 Vértebras Cervicais
  • 12 Vértebras Torácicas
  • 5 Vértebras Lombares
  • 5 Vértebras Sacrais Fundidas Formando o Sacro
  • 4 Pequenas Vértebras Coccígeas Fundidas que Forma o Cóccix.
    • Atribui-se a ela proteger a Medula Espinal e a Saída dos Nervos Espinais;
    • Suportar o Peso do Corpo;
    • Fornecer um Eixo parcialmente Rígido e Flexível para o Corpo;
    • Pivô para a Cabeça;
    • Bem como exercer um Papel importante na Postura e Locomoção.

São possíveis diferentes graus de movimento entre vértebras adjacentes nas regiões cervical, torácica e lombar da coluna, devido à presença de diferenças estruturais e das costelas.

Dentro de cada região, duas vértebras adjacentes e os tecidos moles dispostos entre elas são conhecidos como um segmento móvel, que são considerados a unidade funcional da coluna vertebral. A coluna vertebral é essencialmente uma coluna composta de uma unidade funcional sobre a outra.

Essas unidades funcionais colocadas umas sobre as outras e equilibradas sobre o sacro mantêm a coluna ereta e em bom equilíbrio contra a gravidade. Sendo um segmento complexo a coluna vertebral é funcionalmente significativa do corpo humano, por proporcionar o elo mecânico entre membros superiores e inferiores, possibilitando os movimentos em todos os três planos.

Vértebra

Fonte: Miranda (2003, p.46)

Uma vértebra típica é constituída posteriormente por um anel oco, conhecido como arco neural ou vertebral, e diversos processos ósseos. Anteriormente encontra-se o corpo vertebral, que atua como principal componente da coluna vertebral, responsáveis pelo suporte do peso.

O corpo vertebral é a porção mais volumosa da vértebra, constituída basicamente de tecido esponjoso, revestido por uma fina camada de osso compacto.

É representado por um segmento cilíndrico irregular apresentando as faces superior e inferior, aplanadas, mas de contorno saliente para a implantação do disco intervertebral.

  • Face anterior, limitada por dois lábios, superior e inferior, que fornece inserção para o ligamento longitudinal anterior.
  • Face posterior, côncava no sentido transverso, provida de orifício, limitando o forame vertebral. Serve de fixação do ligamento longitudinal posterior.
  • O arco vertebral, composto de dois pedículos, duas lâminas, quatro processos articulares, dois processos transversos, um processo espinhoso.

Vértebra Padrão – Visão geral mostrando cada elemento anatômico

Miranda (2007, p.32) 

Unidade Funcional

Unidade funcional é o conjunto de dois corpos vertebrais separados pelo disco intervertebral.

Este disco é o que suporta o peso da coluna vertebral, bem como o do corpo e permite a inclinação e um pouco de rotação e balanceio. Dentro da coluna vertebral possui tecido sensível que, quando lesado, irritado, estressado ou doente faz com que o paciente sinta dor.

As duas vértebras de cada unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. As articulações entre corpos vertebrais adjacentes são do tipo sínfise, com discos fibrocartilaginosos intercalados, projetados para suportar peso e resistência.

Os discos intervertebrais proporcionam resistentes fixações entre os corpos vertebrais. Atuam como absorventes de choques e quando o tronco encontra-se ereto, as diferenças entre a espessura anterior e posterior dos discos, produzem as curvaturas lombar, torácica e cervical da coluna vertebral.

Cada disco intervertebral é composto de:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é composto por cerca de 90 faixas concêntricas de tecido colágeno ligadas entre si. As fibras anulares estão dispostas em camadas, semelhante ao que se observa em uma fatia de cebola. Elas envolvem e incluem a parte central, o âmago do disco, denominado núcleo.

Se observadas lateralmente, essas fibras são dispostas de tal modo que a primeira camada de fibras vai em direção oblíqua de uma vértebra para outra e a camada seguinte vai de uma vértebra à outra em direção oposta, fazendo com que cada camada de fibras dirija-se em direção oposta se cruzando e entrelaçando.

Esse arranjo fortifica o anel do disco, permitindo que a vértebra mova-se em qualquer direção.

O núcleo de um disco jovem e saudável é composto por cerca de 90% de água, o restante é constituído de colágeno e proteoglicanos, materiais especializados que quimicamente atraem água.

Sob o aspecto mecânico, o anel fibroso atua como uma mola em espiral cuja tensão mantém unidos os corpos vertebrais contra a resistência do núcleo pulposo. Já o núcleo pulposo age como um rolamento contendo um gel incompressível.

Disco Intervertebral: Núcleo Pulposo e Anel Fibroso

Fonte: Miranda (2007, p.58)

Sistema Ligamentar

Diversos ligamentos sustentam a coluna, contribuindo para a estabilidade dos segmentos móveis.

O potente ligamento longitudinal anterior é uma forte e larga faixa fibrosa que cobre e conecta as faces ântero-laterais dos corpos 21 vértebras e os discos intervertebrais, nas regiões cervical, torácica e lombar.

A ele cabe o papel de manter a estabilidade das articulações entre os corpos vertebrais e impedir a hiperextensão da coluna vertebral. Juntamente com a musculatura em torno da coluna, fornece um condição pré-carga à coluna, ajudando na estabilização durante o movimento de levantamento de peso.

O ligamento longitudinal posterior é uma faixa mais estreita e mais fraca que o ligamento longitudinal anterior, passa dentro do canal vertebral ao longo da face posterior dos corpos vertebrais de C2 até o sacro, ajudando a impedir, agindo como um “freio” acessório à hiperflexão da coluna vertebral.

O ligamento supra espinal se insere nos processos espinhosos em toda extensão da coluna, tendo um aumento significante na região cervical, onde é referido como ligamento nucal ou do pescoço.

As vértebras tem conexões adicionais entre os processos espinhosos, os processos transversos e as lâminas supridos respectivamente pelos ligamentos interespinais, intertransversais e amarelos.

Curvaturas Vertebrais

A coluna vertebral de um adulto possui quatro curvaturas:

  1. Cervical
  2. Torácica
  3. Lombar
  4. Sacral

As curvaturas fornecem um suporte flexível (resiliência a absorção de choque no corpo).

As curvaturas torácica e sacral (pélvica) são côncavas anteriormente e presentes desde o nascimento, são referidas como curvaturas primárias, se desenvolvem durante o período fetal e são causadas devido à diferença de altura da parte anterior e posterior das vértebras.

As curvaturas cervical e lombar são côncavas posteriormente, desenvolvem-se em decorrências da sustentação do peso em uma posição ereta, depois que a criança começa a sentar e levantar. Como estas curvaturas não estão presentes desde o nascimento, são denominadas curvaturas vertebrais secundárias.

Apesar de as curvaturas cervical e torácica se alterarem muito pouco durante o crescimento, a curvatura lombar aumenta cerca de 10% entre os 7 e os 17 anos de idade. A curvatura vertebral (postura) é influenciada pela hereditariedade, condições patológicas, estado mental do indivíduo e forças as quais a coluna é submetida habitualmente.

Ainda que assim como os ossos passam por processos de modelamento e remodelamento em resposta a magnitude das forças que agem sobre eles, as curvaturas da coluna vertebral podem se alterar devido às forças assimétricas que são habitualmente submetidas.

Diversos fatores podem influenciar para uma anormalidade nas curvaturas da coluna vertebral. Um aumento exagerado da curvatura lombar, ou lordose, em geral é associado à fraqueza dos músculos abdominais e inclinação anterior da pelve.

As causas de lordose incluem deformidade vertebral congênita, fraqueza na musculatura abdominal, maus hábitos posturais e o excesso de treinamento em esportes que exigem a hiperextensão lombar repetitiva, como por exemplo, ginástica, arremesso de dardos, nado borboleta e patinação artística.

Outras anormalidades nas curvaturas da coluna são:

  • Cifose (aumento exagerado da curvatura torácica) dando o aspecto corcunda no indivíduo e a escoliose caracterizada pelo(s) desvio(s) lateral(is) na curvatura vertebral.

Curvaturas Vertebrais Anormais

Fonte: Hall (2009, p.286)

Movimentos da Coluna Vertebral

A flexão é a inclinação da coluna anteriormente, ampla nas regiões cervicais e lombares, porém devido à presença das costelas, esterno e clavículas, é reduzida no segmento torácico, evitando uma compressão dos órgãos toracolombares.

A extensão é a flexão posterior da coluna, denomina-se hiperextensão quando a coluna arqueia-se posteriormente a partir da posição anatômica, apresenta maior amplitude na coluna cervical e lombar, sendo limitada pelos processos espinhosos na coluna torácica.

A flexão lateral ou inclinação lateral é o movimento da coluna no plano frontal, inclinando-se para a direita e para a esquerda, tendo sua maior mobilidade na região cervical. O movimento para a direita e para a esquerda no plano horizontal é denominado rotação, sendo bem livre na coluna cervical e nas porções superiores da coluna torácica e geralmente bem limitada na coluna lombar.

Músculos da Coluna Vertebral

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.86-87)

Os músculos do pescoço e do tronco são designados aos pares, sendo um localizado no lado esquerdo e outro no lado direito do corpo. Quando atuam de maneira unilateral, esses músculos podem ser responsáveis pela flexão lateral e/ou rotação do tronco e pela flexão e extensão quando agem bilateralmente.

Principais músculos atuantes na coluna lombar, tendo como base o estudo funcional (mecânico), dividindo os músculos em três grandes grupos:

  • Anterior
  • Posterior
  • Lateral

Grupo Anterior

No grupo anterior, na região toracolombar, encontram-se os seguintes músculos do abdome:

O músculo reto abdominal é longo, estendendo-se do tórax ao púbis, sendo 3x mais largo superiormente do que inferiormente, estreito e espesso na sua porção inferior e largo e fino na porção superior.

O comprimento, a força, o enduro e a coordenação dos músculos abdominais possuem grande importância para todas as funções do terço inferior da coluna. São quatro os principais músculos da parede abdominal, e antes de tudo, um flexor da coluna lombar, além de provocar um movimento de inclinação da bacia para cima.

Os músculos abdominais são de suma importância para a estabilização do tronco e da coluna, protegendo-a quando a mesma é exigida, comparam-na com um cilindro capaz de “pressurizar” para realizar essa estabilização.

Os músculos da parede abdominal também formam o arcabouço muscular para as paredes anterior e lateral do “cilindro” representado pelo tronco, onde a parede posterior do cilindro é formada pelos músculos extensores da coluna, o teto pelo diafragma e o assoalho pela musculatura do assoalho da pelve.

Durante o preparo para o levantamento de um objeto pesado e durante a manobra de Valsalva, este cilindro deixa a cavidade abdominal temporariamente “pressurizada”, de modo a manter a de modo a manter a coluna relativamente rígida.

Músculo Reto do Abdome

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.116) e Valerius et al. (2005, p.278)

Origem: Face anterior da 5ª a 7ª cartilagens costais e processo xifoide.

Inserção: Crista do púbis

Ação: Estando o ponto de apoio (fixo) no púbis, atua como potente flexor da coluna vertebral torácica. Se o ponto fixo estiver nas costelas e processo xifoide, promove uma retroversão na pelve.

Ação Unilateral: Flexão lateral para mesmo lado. E intervém na micção, na evacuação, na expiração, no vômito e no parto.

Músculo Oblíquo Externo do Abdome 

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.117) e Valerius et al. (2005, p.280)

O músculo oblíquo externo do abdome, é o maior e mais superficial dos músculos da parede abdominal. Situado ântero-lateralmente, com suas fibras orientadas obliquamente no sentido ínfero-medial.

Origem: Margem inferior e face anterior da 5ª à 12ª costela.

Inserção: Tubérculo púbico, crista púbica, lábio externo da crista ilíaca, ligamento inguinal e linha alba.

Ação: Bilateralmente, flexiona a coluna aplicando força na inserção proximal. Estando a pelve fixa, promove rotação do tronco para o lado oposto da contração. Com o tronco fixo, executa rotação da pelve para o mesmo lado da contração. Unilateralmente inclina a pelve do mesmo lado ou flexiona lateralmente a coluna para o mesmo lado.

Auxilia na “compressão abdominal” durante a defecção, micção, vômito e no trabalho de parto. Importante na expiração forçada. E com ponto fixo nas costelas promove a retroversão da pelve. O músculo oblíquo interno do abdome, situa-se logo abaixo do oblíquo externo, formando ângulos quase retos com as fibras do oblíquo externo.

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Músculo Interno do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.282)

Origem: Fáscia toracolombar e margem superior da crista ilíaca.

Inserção: Margem inferior das três ultimas costelas, linha alba e púbis.

Ação: Bilateralmente, resulta na flexão da coluna vertebral. Unilateralmente, promove uma flexão lateral da coluna para o mesmo lado. A pelve estando fixa, executa rotação do tronco para o mesmo lado. Estando o tronco fixo, executa a rotação da pelve para o lado oposto. Auxilia na defecção, micção, expiração e no trabalho de parto.

O músculo transverso do abdome, fica localizado abaixo do oblíquo interno, tem seu nome derivado da direção de suas fibras, que ocorrem horizontalmente. Tem como principal ação comprimir e suportar as vísceras. O músculo transverso do abdome é o músculo de localização mais profunda e forma uma espécie de cinto horizontal entre as suas inserções na fáscia toracolombar

Músculo Transverso do Abdome

Fonte: Adaptado de Valerius et al. (2005, p.285)

Origem: Cartilagens costais de 6ª à 12ª costelas e processos costiformes das vértebras lombares.

Inserção: Linha alba.

Ação: Efetua rotação do tórax em relação à pelve do mesmo lado. Pode estreitar a abertura inferior do tórax, na sua parte superior, em casos de contração bilateral tendo assim ação respiratória. Aumenta a pressão intra-abdominal durante a contração da parede abdominal, em especial durante e o parto, a micção, e defecção, bem como a retração ou encolhimento da parede abdominal.

Grupo Posterior

Os grupos musculares das regiões torácica e lombar são os potentes eretor da espinha (sacroespinal), o semi-espinal (da cabeça, da cervical e do tórax) e os músculos espinais profundos (multífidos, rotadores, interespinais, intertransversários, levantadores de costelas).

Os músculos eretores da espinha são os principais extensores e hiperextensores do tronco. Quando se contraem bilateralmente, todos os músculos da região posterior do tronco contribuem para a extensão e hiperextensão. Já quando se contraem unilateralmente, contribuem para a flexão lateral.

De forma simplificada para apresentar origem, inserção e ação dos músculos citados apresenta-se a quadro a seguir:

Músculos do Grupo Posterior

Fonte: Hall (2009, p.290)

Grupo Muscular dos Eretores da Espinha

Fonte: Hall (2009, p.293)

Grupo Muscular dos Semi-Espinais

Fonte: Hall (2009, p.294)

Grupo Muscular dos Espinais Profundos

Fonte: Hall (2009, p.294)

O grupo lateral é composto por dois músculos, são eles: quadrado do lombo e iliopsoas.

O músculo quadrado do lombo contrai-se fortemente no lado do membro inferior em movimento e auxilia o músculo glúteo mínimo, do lado do membro inferior de apoio, a impedir o abaixamento da pelve do lado do membro inferior em movimento. É um músculo que faz parte da parede abdominal posterior, situado profundamente, estendendo-se da crista ilíaca até a última costela.

O músculo quadrado lombar sendo um músculo fino e chato que atravessa o espaço entre a crista ilíaca e a décima segunda (última) costela e os processos transversais das vértebras lombares.

Graças a sua orientação funciona de forma semelhante aos músculos eretores profundos do tronco, onde se localizam imediatamente abaixo. Juntamente com o ligamento Iliolombar, o músculo quadrado lombar conseguem estabilizar passiva e dinamicamente a coluna lombar no plano frontal.

Músculo Quadrado do Lombo

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.147) e Valerius et al. (2005, p.286)

Origem: Crista ilíaca e ligamento iliolombar.

Inserção: Margem inferior da 12ª costela, face ântero-lateral do processo transverso de todas as vértebras lombares.

Ação: Flexão lateral do tronco para o mesmo lado, elevação da pelve para o mesmo lado da contração, a contração bilateral produz extensão da coluna lombar e báscula anterior na pelve além de atuar na expiração forçada. O conjunto iliopsoas está situado quase totalmente na cavidade abdominal, porém será abordado sua função sobre a coluna vertebral, estando o ponto de apoio no fêmur.

Músculos Psoas Maior, Psoas Menor e Ilíaco (Iliopsoas)

Fonte: Adaptado de Miranda (2007, p.145) e Valerius et al. (2005, p.144)

Origem: Face anterior do processo transverso de todas as vértebras lombares e face lateral do corpo vertebral e disco intervertebral da décima segunda vértebra torácica e de todas as vértebras lombares. Dois terços superiores a fossa ilíaca, lábio interno da crista ilíaca, ligamentos sacroilíacos anterior e iliolombar.

Inserção: Trocânter menor do fêmur.

Ação: Executa a inclinação lateral da coluna, para o mesmo lado. Rotação da coluna para o lado oposto da contração, flexão da coluna toracolombar sobre a pelve e flexão e adução do quadril. Dá-se um destaque ao músculo grande psoas, que se insere na face dos processos transversais da coluna lombar, nos corpos vertebrais e nos discos intervertebrais, dirige-se para baixo, onde se junta com o músculo ilíaco, passando a seguir por cima do ramo pubiano até se inserir no trocanter menor do fêmur.

A movimentação dos membros inferiores afeta a coluna lombar. Tanto a rotação interna quanto a hiperextensão do fêmur aumentam a tensão do músculo grande psoas, isto aumenta por sua vez a forçar tangencial anterior sobre a coluna lombar, graças a inserção do músculo grande psoas.

A força de compressão exercida por esse músculo entre dois segmentos durante sua contração, contração essa que aumenta a estabilidade dos segmentos lombares graças a dois mecanismos principais. Primeiro o auxílio na fixação das articulações da coluna lombar, contribuindo portanto, para o mecanismo de bloqueio entre duas vértebras e segundo aumentando a pressão no interior do disco.

A importância do músculo grande psoas como um dos principais estabilizadores da coluna lombar é evidenciada ainda pelo fato de ele apresentar atividade eletromiográfica em praticamente todas as posturas e movimentos da coluna lombar

Espondilolistese

A espondilolistese é geralmente associada a uma progressão da espondilólise, definida como um defeito com descontinuidade óssea do segmento intervertebral, região da lâmina entre os processos articulares superiores e inferiores.

Espondilólise e espondilolistese são duas condições que envolvem mudanças diretamente na vértebra. Esse defeito na parte posterior da vértebra lombar é denominado espondilólise. Essa lesão pode ocorrer por desgaste das articulações responsáveis pela sustentação, ou defeito na parte posterior da vértebra.

Espondilolistese pode ser definida resumidamente como uma deformidade em que uma vértebra desliza sobre a outra e provoca um desalinhamento da coluna.

Espondilólise e Espondilolistese

Fonte: Miranda (2007, p.235) Com Modificações

Espondilolistese é um deslocamento anterógrado da quinta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre o sacro ou menos comumente, da quarta vértebra lombar e da coluna vertebral sobre a quinta vértebra lombar.

Em aproximadamente 85% dos casos, a quinta vértebra lombar é deslocada sobre o sacro. Um defeito bilateral na porção interarticular com deslizamento vertebral constitui um distúrbio adquirido que resulta de fraturas por estresse podem ser observados em uma maioria dos casos.

A hiperlordose pode ser revelada através de exame da coluna vertebral. Nos casos mais graves, observa-se ainda um degrau palpável entre os processos espinhosos L4 e L5 quando a vértebra L5 desliza para frente sobre o caso.

Levando-se em conta que o defeito ocorre na porção interarticular, os arcos posteriores, que inclui o processo espinhoso de L5, permanece no local enquanto os ligamentos anteriores deslizam para frente. A espondilólise é uma condição que afeta a vértebra na qual ocorre, primeiro uma fratura por tensão.

Essa fratura ocorre na área da porção interarticular (parte entre o processo articular inferior e superior em um lado da vértebra). A ocorrência da espondilolistese é maior na coluna lombar, em especial entre as vértebras L5-S1, predispondo a lombalgia, sobretudo em crianças e adolescentes.

Estudos epidemiológicos apontam que sua incidência está relacionada com idade, herança genética, gênero, raça e nível de atividade, manifestando-se frequentemente durante o crescimento entre os 8 e 20 anos. Tem o risco declinado na meia idade e um ligeiro aumento entre os 60 e 80 anos.

Atividades que requerem hiperextensão ou hiperflexão da coluna lombar aumentam o risco de espondilólise/listese.

Embora essa condição muitas vezes se desenvolva cedo na adolescência, normalmente não é detectada até a idade adulta. Crianças e adolescentes geralmente suportam a dor lombar por muitos anos antes de serem avaliadas por um médico.

Em seu estudo de revisão Jassi et al. (2010), apontam que a espondilolistese é classificada em cinco categorias baseadas na sua etiologia:

  1. Displástica
  2. Ístimica
  3. Degenerativa
  4. Traumática
  5. Patológica Conforme

Fonte: Dickson, 1998; Earl, 2002; apud JASSI et al. 2010)

O diagnóstico definitivo é feito pelo exame radiológico, com o defeito visualizado nas radiografias de perfil e oblíqua, tiradas na posição ortostática, pois os deslizamentos podem ser corrigidos e deixam de ser percebidos em decúbito dorsal.

Sintomas

Quanto aos sintomas, geralmente espondilolistese é assintomática, porém dor lombar e ciática bilateral até as nádegas ou face posterior das coxas podem se manifestar. A dor é leve ou moderada inicialmente e se agrava com movimentos de extensão e rotação.

A progressão da patologia resulta em tensão dos isquiotibiais, retroversão da pelve, fraqueza dos músculos abdominais e postura flexionada dos quadris e joelhos. Graus mais severos de espondilolistese podem ser acompanhados de sintomas neurológicos, normalmente do tipo displástico, no qual as raízes do nervo lombosssacro podem ser comprimidas atrás da face póstero-superior do sacro.

Além disso, algum grau de dor radicular não é incomum na espondilolistese ístmica de longa data. Denota-se que em torno de 50% a 90% de indivíduos adultos apresentam quadros de dor na coluna vertebral em especial na região lombar (lombalgia) em algum momento de suas vidas, sendo a principal causa de incapacidade em sujeitos com menos de 45 anos de idade.

O principal sintoma que acomete os indivíduos com espondilolistese é a lombalgia.

Tratamento

Deve iniciar com um tratamento conservador antes de uma indicação cirúrgica.

Onde esse tratamento deve visar uma educação do paciente, orientando-o com relação aos medicamentos para controle da dor, os exercícios de alongamento e à estabilização da musculatura lombar em conjunto com um trabalho cognitivo.

Estudos que acompanham sujeitos com lombalgia durante seis meses a dois anos demonstraram que 40% a 44% apresentam cronificação da dor e que 1% a 3% requer tratamento operatório (IMAMURA; KAZIYAMA; IMAMURA, 2001). O tratamento conservador tem sido a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, a fim de tratar as dores lombares, restaurar a amplitude de movimento e a função, além de fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

O tratamento não-cirúrgico é a escolha inicial na maioria dos casos de espondilolistese, com ou sem sintomas neurológicos, além de ser a principal forma de tratamento das dores lombares. Não há, entretanto, estudos prospectivos randomizados que estabeleçam um protocolo ideal de tratamento.

Na maioria dos casos sintomáticos de espondilólise e espondilolistese o tratamento conservador é recomendado para reduzir a dor, restaurar a amplitude de movimento e a função, e para fortalecer e estabilizar os músculos espinhais.

Exercícios para Espondilolistese Lombo Sacral e Sintomas

O exercício físico como forma terapêutica é altamente desejável e realístico para a restauração da área afetada, essa afirmativa implica que o exercício é dirigido principalmente para a deficiência funcional do trauma. O exercício físico é uma forma poderosa para recuperar a força, a resistência, a flexibilidade, além da mobilidade.

Um importante fator de proteção à coluna é a prática dos exercícios resistidos associados a alongamentos específicos.

A prática da musculação torna a pessoa mais forte, mas a probabilidade de lesões na sua prática existem, portanto, a seleção dos exercícios, o volume e intensidade destes exercícios podem, se não prescritos adequadamente, contribuir para desordens da coluna.

Um exemplo é a realização de retroversão da pelve durante exercícios para a coluna lombar, que aumenta o risco de lesão por comprimir as articulações e aumentar a carga nas estruturas passivas.

Exercícios adequados para indivíduos portadores de espondilolistese lombo sacral e seus sintomas, em especial seu principal sintoma, a lombalgia. É necessário observar o padrão de controle correto e o recrutamento tônico das fibras, sem que se note fadiga. O paciente não deve sentir dor e a respiração deve ser normal. A contração deve se manter por 10 segundos e ser repetida 10 vezes.

Exercício 1

Posição de Quatro Apoios sem Contração

Posição de Quatro Apoios com Contração

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar e reto do abdome.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído e respiração calma.

O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos. Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Há posições que se consegue isolar músculos específicos em isometria e simultaneamente relaxar os globais mantendo a coluna em posição neutra. Sugere-se este exercício como ideal para o aprendizado da contração da parede abdominal e da manutenção da posição em isometria de forma mais fácil.

Exercício 2

Contração do Transverso do Abdome em Decúbito Dorsal

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito dorsal, o paciente deve fletir os joelhos e apoiar os pés, a partir desta posição levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar, mantendo o abdome contraído e uma respiração calma. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 3

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores e apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e elevar a pelve no momento da expiração. Manter a posição com o abdome contraído e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 4

Decúbito Dorsal com Elevação dos Membros Inferiores

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome, reto da coxa e iliopsoas.

Descrição: Em decúbito dorsal, fletir os membros inferiores, apoiar os pés, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído enquanto os membros inferiores são retirados do chão. Manter a flexão dos quadris e joelhos a 90º  e respirar tranquilamente. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios.

Exercício 5

Quatro Apoio com Elevação dos Membros Inferiores Alternadamente

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e glúteo máximo.

Descrição: Posição quatro apoios, distribuir o peso do corpo nos quatro membros, manter a pelve em posição neutra, levar a cicatriz umbilical em direção a coluna lombar e manter o abdome contraído. A partir desta posição, retirar alternadamente os membros inferiores do apoio e mantê-los em extensão. O paciente deve manter a contração por 10 segundos, com intervalo de 10 segundos.

Deve ser realizado 3 séries de 10 exercícios para cada membro inferior

Exercício 6

Prancha Frontal

Objetivo: Recrutar os músculos abdominais superficiais, profundos e multifido lombar.

Descrição: Em decúbito ventral deve-se realizar uma “ponte”, onde o apoio superior são os antebraços e o apoio inferior é a ponta dos pés, devendo-se deixar a coluna bem alinhada e o os músculos do abdome bem contraídos.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 7

Prancha Lateral

Objetivo: Recrutar os músculos estabilizadores laterais, em especial o quadrado lombar, otimizando a ativação lateral e minimizando a sobrecarga na coluna lombar.

Descrição: O paciente deve se colocar lateralmente ao solo, realizar apoio com um dos braços e inicialmente com os joelhos, deixando o corpo todo alongado, em um nível mais avançado deve estabelecer o ponto de apoio nos pés, mantendo sempre sua coluna alinhada e a musculatura abdominal bem contraída.

Deve-se manter a postura por 30 segundos e repeti-la por 3 vezes com intervalo de 15 segundos.

Exercício 8

Objetivo: Recrutar os músculos transverso do abdome, multifido lombar, reto do abdome e iliopsoas.

Descrição: Paciente mantem em decúbito dorsal com joelhos fletidos e bola entre as coxas, solicita-se ao paciente que durante a inspiração a coxa mantém-se parada e durante a expiração ocorrem os movimentos de adução e abdução de coxo femoral, apertando a bola, mantendo a contração infra umbilical.

Exercício 9

Alongamento dos Paravertebrais Lombares

Objetivo: Promover alongamento dos músculos eretores lombares, músculos dos glúteos e isquiotibiais.

Descrição: Em decúbito dorsal com os joelhos fletidos e pés apoiados, o paciente deve abraçar os joelhos de modo que a porção anterior da coxa se apoie no peito e fazendo elevação do sacro do ponto de apoio.

Deve-se manter na posição entre 30 e 60 segundos e repeti-la por 3 vezes.


Este artigo foi co-escrito por Tayna Bortone, Fisioterapeuta e integrante da Equipe Janaína Cintas.

  • Pilates
  • Treinamento Funcional
  • Massoterapia

 

Referências
  • The Pilates method in the treatment of traumatic spondylolisthesis at L4-L5: case report [A] Laís Campos de Oliveira[a], Camila da Silva Hoshina[b], Larissa Alexandre Furlan[c], Raphael Gonçalves de Oliveira[d], Fábio Antônio Néia Martini[e]
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  • MOREIRA, M. R. et al. Estudo da estabilização lombar através da utilização stabilizer como instrumento de biofeedback de treinamento muscular. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 9; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 5., 2011. Paraíba. Anais eletrônicos… Paraíba, 2011.
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