A cefaleia é uma desordem neurológica que pode trazer inúmeros desconfortos para o paciente. Ela é facilmente confundida com outras dores, menos agressivas, na região da cabeça e pescoço. Quer saber mais sobre o assunto? Então continue lendo para entender!

O que é cefaleia?

A cefaleia, em especial a cefaleia de tipo tensional, é considerada como uma desordem neurológica com ligação com a coluna cervical que pode ser causada por:

  • Elementos ósseos;
  • Elementos do disco intervertebral ou tecidos moles.

Apesar disso, pacientes com cefaleia raramente sentem dor no pescoço. Muitos deles sequer sabem que tem cefaleia, confundindo-a com uma enxaqueca e utilizando diversos medicamentos que não geram resultados. Estima-se que entre 0,4% a 20% da população sofrem com o problema.

Interessantemente, esse número aumenta muito quando falamos da porcentagem de pacientes que sofreram lesão do tipo whiplash. Observamos cerca de 53% desses indivíduos com cefaleia tensional. Portanto, a lesão na coluna cervical está relacionada a esses casos e precisa de um tratamento fisioterápico adequado.

Para conseguir identificar a cefaleia de tipo tensional e diferenciá-la de outros tipos comuns de dor de cabeça é importante conhecer suas características. Quem tem o problema costuma apresentar sintomas como:

  • Dor unilateral;
  • Limitação de movimento;
  • Gatilho de dor após movimento sustentado;
  • Gatilho de dor após pressão e/ou palpação na região superior cervical.

Assim como acontece com quase todas as outras patologias da coluna, podemos aplicar a fisioterapia e suas técnicas no tratamento da cefaleia. Porém, isso deve ser feito com cuidado considerando a região sensível do corpo com a qual estamos trabalhando.

Qual é a relação da cefaleia com a coluna cervical?

A cefaleia é considerada um distúrbio de ordem neurológica, porém também possui uma relação íntima com a coluna cervical. Primeiro, quero esclarecer que existe um motivo para chamarmos um dos tipos da cefaleia de tensional.

Ela acontece principalmente por causa da tensão muscular gerada na região cervical. Como já mencionei, essa tensão afeta elementos ósseos ou do disco, assim como tecidos. Também sabemos que a região cervical é ricamente inervada, assim, temos nela o local perfeito para a origem das dores de cabeça que são tão incômodas.

Boa parte da população sofre ou sofrerá em algum momento com a cefaleia tensional. Apesar de não ser tão intensa quanto as enxaquecas, ela ainda causa afastamento do trabalho e das atividades sociais. Por isso, é nosso papel como fisioterapeutas buscar uma forma eficiente de tratamento.

Tratamentos mais comuns para cefaleia

Os estudos mais relevantes são a respeito dos tratamentos para a faixa etária que vai de 25 anos a 60 anos. Essa é a população economicamente ativa que sofre bastante com a vida profissional e familiar. Através da fisioterapia, esses indivíduos conseguem diminuir a frequência da dor e diminuir, também, duração dos períodos de crise.

Tal fato é comprovado através da análise biográfica. O tratamento fisioterápico mostrou-se bastante eficiente, ajudando a diminuir a intensidade e frequência das dores, assim como o uso de medicamentos analgésicos.

Entre as técnicas utilizadas encontram-se:

  • Terapia manual;
  • Terapia de liberação de pontos gatilho miofasciais;
  • Manobras cervicais e no crânio;
  • Mobilização articular e tração cervical.

É claro que você deve estar se perguntando qual é a terapia mais indicada para seu paciente. Sempre buscamos a melhor eficiência, portanto não podemos gastar tempo sujeitando nossos pacientes a terapias variadas sem resultado algum.

Nos estudos, destacam-se dois tipos de tratamento para a cefaleia tensional: manipulação cervical e mobilização cervical com exercícios. Só falta agora saber qual dos dois é mais indicado para quem tem o problema.

Riscos da manipulação cervical

“Como assim você está falando em manipulação cervical, Jana? Não é uma manobra arriscada?” Realmente, a manipulação cervical é conhecida por apresentar diversos riscos ao paciente. Seus movimentos podem ser aplicados lentamente e de maneira rítmica, com pouca amplitude de movimento. Esse último tipo é conhecido como thrust techniques.

Alguns imaginam que a técnica seja arriscada exatamente por manipular a coluna cervical. Por ser ricamente inervada, o medo é que a manipulação cause algum tipo de dano ou pinçamento em estruturas nervosas causando sintomas diversos. Entre eles podemos incluir perda de sensibilidade, dor referida e até acidentes vasculares.

Portanto, fica o questionamento: por que usar uma manobra aparentemente tão arriscada no tratamento da cefaleia? Porque ele é extremamente eficiente e não tão arriscado quanto imaginamos, mas veremos mais sobre isso a seguir.

Manipulação cervical vs. mobilização e exercícios

De nada adianta eu falar que devemos usar a manipulação cervical e que ela te trará resultados. Sempre dou ênfase no pensamento crítico e é exatamente isso que quero fazer nesse artigo. Para entender se a manipulação cervical ou a mobilização com exercícios é melhor, nada mais correto que analisar estudos a respeito.

Um estudo em especial chama a atenção. Realizado com uma amostra de 110 pacientes com dor de cabeça, ele examinou os efeitos desses dois tipos de tratamento profundamente. Além disso, o estudo incluiu 12 fisioterapeutas em 8 clínicas privadas de diferentes regiões geográficas para fortalecer a generalização dos resultados.

Os pacientes no grupo de manipulação receberam tratamento com manipulação a nível de C1-C2 e T1-T2 pelo menos 1 vez por semana, além de sessões adicionais. Isso foi mantido por um período de 6 a 8 semanas. Os profissionais tinham liberdade de utilizar manipulações a outros níveis cervicais e torácicos de acordo com sua avaliação para obter melhores resultados no restante das sessões.

O grupo de mobilização e exercícios também recebeu interferências a nível de C1-C2 e T1-T2 pelo menos 1 vez por semana no período de 6 a 8 semanas. Os profissionais que realizaram a mobilização tinham a mesma liberdade de trabalhar com o paciente conforme sua avaliação no restante das sessões.

Após o período do estudo percebeu que os grupos de manipulação conseguiram resultados mais significativos no geral. O percentual de pacientes nesses grupos com melhora na intensidade da dor e diminuição da incapacidade funcional foi maior. Todos esses pacientes passaram por 6 a 8 sessões de manipulação em 4 semanas e, o melhor de tudo, sem efeitos adversos.

Conclusão

Percebe-se que podemos e devemos usar a fisioterapia como método para tratar pacientes com cefaleia. Entre as diversas técnicas existentes nesse campo, a manipulação cervical e torácica se destaca como forma de diminuir a intensidade da dor e frequência dos episódios de crise.

Apesar do medo de complicações que ainda existe entre a comunidade fisioterápica, estudos mostram que a manipulação cervical não apresenta riscos significativos para pacientes com cefaleia. Os estudos analisados não mostraram a incidência de lesões ou acontecimento de acidentes vasculares nesses pacientes.

Portanto, podemos trabalhar com nossos pacientes que têm dor de cabeça sem medo. Basta ter o conhecimento adequado e aplicar as técnicas corretamente para cada aluno para conseguir os melhores resultados.

 

Bibliografia
  • MAGALHÃES, Maurício. Efetividade de duas técnicas de fisioterapia na cefaleia tensional. Boletim Científico Semanal Fisio em Evidência. Edição 02 – 2018.
  • Joana Hasenack Stallbaum, Ana Gabrieli Ferreira Antunes, Bianca Ineu Kelling, Cristieli Froemming,
  • Guilherme de Souza Pokulat, Melissa Medeiros Braz. A inserção da fisioterapia no tratamento da cefaleia do tipo tensional: uma revisão sistemática. Revista do Departamento de Educação Física e Saúde e do Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul / Unisc. Ano 14 – Volume 14 – Número 3 – Julho/Setembro 2013.
  • Whedon JM et al. Risk of Stroke After Chiropractic Spinal Manipulation in Medicare B Beneficiaries Aged 66 to 99 Years With Neck Pain.  J Manipulative Physiol Ther . 2015;38:93-101
  • Sergio Marinzeck, Ft, M.Phty, Tina Souvlis PT. Efeitos no sistema nervoso simpático periférico após manipulação e mobilização da coluna cervical. Departamento de fisioterapia, Universidade de Queensland, Australia, 2001.