A incontinência urinária é um dos muitos distúrbios do assoalho pélvico que nossas alunas e pacientes podem desenvolver.

Isso acontece porque a vida moderna é hiperpressórica, fazendo com que o estresse imposto sobre esses músculos acabe gerando problemas.

Nesse artigo discutiremos os benefícios do método hipopressivo para tratamento e prevenção de distúrbios do assoalho pélvico. Continue lendo para entender porque você deveria adotar esse método em aula para ajudar suas alunas.

Importância dos Músculos do Assoalho Pélvico (MAP)

Se você pode tossir, espirrar ou praticar esportes sem se preocupar com suas funções urinárias e fecais, agradeça ao assoalho pélvico (AP). Suas musculaturas possuem papel importante para:

  • Sustentar Órgãos Pélvicos
  • Permitir a Passagem do Feto no Parto
  • Proporcionar Ação Esfincteriana para a Bexiga
  • Proporcionar Continência Urinária e Fecal

Olha que estou resumindo essa lista. Na verdade, os músculos do assoalho pélvico estão envolvidos em diversos processos, inclusive nas funções sexuais.

Esse conjunto muscular é dividido em duas camadas: superficial e profunda. A camada superficial é composta pelos músculos do períneo e tem como principais funções manter a continência urinária e possibilitar o ato sexual.

A camada profunda é composta pelos músculos do diafragma pélvico. São eles que realizam a sustentação das vísceras, mesmo quando existe aumento da pressão intra-abdominal (PIA).

Esses músculos contraem rapidamente assim que ocorre algum aumento de pressão para manter a posição dos órgãos. Eles também possuem esfíncteres que permanecem fechados.

Os esfíncteres só se abrem quando defecamos ou urinamos, causando um relaxamento nessa musculatura. Para que ocorra continência urinária, a bexiga e a musculatura do períneo devem estar coordenados nas fases de esvaziamento e enchimento.

Quando existem disfunções do assoalho pélvico, é possível utilizar técnicas de reeducação perineal. Só existe um problema que encontramos em boa parte de nossas pacientes femininas: a maioria não tem consciência do assoalho pélvico e é incapaz de ativá-lo com comando verbal.

Disfunções do Assoalho Pélvico

Existem diversas disfunções do assoalho pélvico que podem ser tratadas através da fisioterapia. Elas incluem:

  • Incontinência Urinária
  • Prolapsos de Órgãos Pélvicos
  • Hiperatividade Vesical
  • Disfunções Sexuais
  • Disfunções Anorretais

Uma das mais conhecidas é a incontinência urinária, que afeta tanto homens quanto mulheres, mas principalmente as mulheres.

Ao contrário da crença popular, incontinência urinária não acontece somente em idosas. Pessoas mais jovens também podem desenvolvê-la, especialmente praticantes de esportes com impacto.

Na atividade esportiva a pressão intra-abdominal sobe rapidamente a curto prazo por causa do treinamento. Combinando esse aumento de pressão com a frequente fraqueza ou falta de ativação correta do assoalho pélvico pode acontecer perda de urina pontual.

Pessoas incontinentes podem sofrer perda involuntária de urina em qualquer ação que leve ao aumento da pressão intra-abdominal. Isso inclui rir, tossir, espirrar, fazer esforço físico e subir escadas.

Assim como todos os outros distúrbios do assoalho pélvico, a incontinência gera graves problemas para a portadora. Além do desconforto de perder urina, a pessoa aumenta as possibilidades de desenvolver problemas psicológicos relacionados.

Em idosos, a incontinência também aumenta a probabilidade de quedas. Com a perda de funções proprioceptivas e motoras, o idoso pode facilmente tropeçar e cair ao tentar correr para o banheiro.

Quando possível, os distúrbios do assoalho pélvico devem ser prevenidos. Quando não for, devemos tratá-los da melhor maneira possível. Como veremos nesse artigo, ambas as opções são possíveis com o uso do método hipopressivo.

Tratamentos para Disfunções do Assoalho Pélvico

Quando falamos nas disfunções do assoalho pélvico podemos encontrar diversas soluções.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Obviamente, considerando nossa área de atuação, falarei sobre as opções conservadoras de tratamento. Elas também são as mais recomendadas por terem boa eficiência e serem pouco invasivas.

Podemos citar diversas técnicas usadas para trabalhar o assoalho pélvico, como:

Todos os métodos usados têm como objetivo fortalecer e melhorar a ativação do assoalho pélvica. Para isso, eles utilizam contrações voluntárias para reeducar o padrão de ativação dessas musculaturas e melhorar a continência.

Os cones vaginais, por exemplo, fornecem estímulos para melhorar a ativação muscular e ganho de força na região. Também existem os exercícios de Kegel, uma técnica que consiste em realizar e manter contrações dos músculos do períneo.

Alguns profissionais até escolhem mesclar técnicas para obter melhores resultados com suas pacientes.

Por que o Método Abdominal Hipopressivo é uma boa opção?

É claro que na hora de escolher um método para realizar fortalecimento do assoalho pélvico sou uma defensora do método hipopressivo. Ele proporciona uma série de benefícios, incluindo diminuição da PIA e correções posturais.

Além disso, as posições utilizadas geram uma ativação sinérgica dos músculos do assoalho pélvico.

Através do seu uso rotineiro é possível prevenir distúrbios como prolapsos genitais e incontinência pós-parto. Indivíduos que praticam a técnica também conseguem tonificar musculaturas do AP e normalizar a tensão de estruturas musculares. Ou seja, é tudo que nossas alunas precisam para evitar incontinência e outros problemas.

Durante a manobra hipopressiva a aluna aspira as vísceras para cima por meio da respiração diafragmática.

Detalhe: isso é feito através de aspiração, não deve ocorrer contração do transverso do abdômen ou outras musculaturas abdominais. A manobra gera contração reflexa dos músculos do assoalho pélvico e diminui a PIA. O indivíduo também realiza uma tração da aponeurose umbilical pré-vesical sobre a fáscia pélvica.

Usar a técnica em aula é uma maneira de complementar o tratamento bastante eficiente. Estudos indicam que pacientes tratadas com o método abdominal hipopressivo conseguem melhora nos sintomas, com algumas até alcançando a cura da incontinência.

Uma das grandes vantagens de usar o método é o controle da PIA. Muitas mulheres são incapazes de realizar uma contração do assoalho pélvico na nossa aula. Quando recebem esse comando podem até empurrar as vísceras para baixo, sobrecarregando o períneo e aumentando a pressão intra-abdominal.

Portanto, devemos sempre usar a técnica para evitar problemas.

Conclusão

Tratar ou prevenir distúrbios do assoalho pélvico é algo ainda bastante difícil e problemático para profissionais do movimento. Encontramos uma forte resistência por parte das próprias mulheres que geralmente evitam buscar ajuda médica.

Boa parte das mulheres afetadas por incontinência urinária não buscam tratamento por desconhecimento ou por considerar a condição normal. Outras acham vergonhoso apresentar a incontinência e não querem discutir o assunto com profissionais.

Outro problema que encontramos é durante o próprio tratamento, que geralmente envolve pedir contração do assoalho pélvico. A maioria das mulheres sequer conhece esses músculos ou tem noção do seu funcionamento.

Como resultado, elas são incapazes de realizar uma contração eficiente e ainda fazem ativação de músculos acessórios.

Com o uso do método abdominal hipopressivo conseguimos bons resultados no tratamento. As pacientes que são submetidas à técnica também conseguem melhoras posturais e de consciência corporal que ajudam a prevenir o retorno da condição.

Bibliografia