Você sabe o quão importante é, para um profissional do movimento, entender todos os processos que compreendem a histofisiologia da contração do músculo? Mediante novas descobertas científicas sobre a fáscia, faz-se extremamente importante recordarmos alguns conceitos para termos uma completa compreensão do papel da fáscia junto ao sistema musculoesquelético.

O músculo estriado esquelético, é aquele grupamento muscular no qual a contração depende da nossa vontade. Ou seja, são músculos voluntários. Quer saber mais sobre este assunto? Continue lendo para entender!

Como funciona o músculo reto femoral?

Na imagem a cima, podemos fazer uma viagem microscópica e enxergar uma parte do músculo reto femoral. Também podemos visualizar um feixe de fibras musculares. Depois a figura separa uma fibra muscular específica, ou seja, uma célula muscular, que vamos chamar de fibra muscular.

Ao alongar esta fibra muscular, logo podemos conferir vários núcleos periféricos. Percebam que esses núcleos estão na periferia da célula, pois a fibra é multinucleada. No centro temos o citoplasma – que, por se tratar de um músculo estriado esquelético, vamos chama-lo de sarcoplasma.

Bem como, nesse filamento de sarcoplasma, temos estriações que darão aos músculos estriados esqueléticos muitas miofibrilas. Dentro delas, se encontram todas as proteínas da contração.

Assim sendo, o citoplasma trazido para a célula estará cheio de miofibrilas em seu interior, nelas há, também, bandas claras e bandas escuras. Quando olhadas no microscópio eletrônico, as estriações são constantes e cada miofibrila apresenta estrias.

Músculo estriado esquelético e o movimento corporal

O músculo estriado esquelético – aqueles que produzem movimento e promovem a manutenção postural – possui musculaturas mais tônicas que nos sustentam contra a gravidade. Há, portanto, músculos fáscias que fazem explosão e tem, como objetivo, produzir contrações mais rápidas e funcionais.

Os músculos se ligam aos ossos pois, quando eles se contraem, essa ação passa pelos ligamentos, tendões e fáscias chegando ao esqueleto que replica essas contrações e cria movimento.

Conforme essa contração se mantém – como por exemplo no caminhar -, o metabolismo deste músculo aumenta, assim como seu aporte sanguíneo. Isso cria um aumento do metabolismo muscular gerando, assim, calor (durante este processo, a coloração dos nossos tecidos torna-se mais avermelhados).

Os músculos são cercados de fáscia, mais precisamente: duas camadas de fáscia superficiais. Saiba mais sobre estes dois pontos abaixo:

  1. Um dos pontos atua na distribuição de tecido conjuntivo adiposo que, dispostos de forma perpendicular, ajudam a amortecer choques;
  2. O outro ponto, também formado por tecido conjuntivo adiposo só que em paralelo, tem a finalidade de favorecer a distribuição de líquidos pelo músculo – por ali passa o interstício.

Percebeu que o tecido muscular também tem como função ajudar o tecido adiposo a ser um amortecedor de choques? É por isso que os músculos que pertencem a camada da fáscia profunda (também conhecida como as fáscias do movimento) também são protetores.

Como é a histologia dos músculos esqueléticos?

Na figura acima, podemos ver uma parte de um osso qualquer e o tendão que está inserido neste osso – que será contiguo com as capas protetoras dos nossos músculos. O agrupamento do epimísio (que nada mais é que uma capa protetora de tecido conjuntivo que também agrupa as fibras musculares), possui vasos sanguíneos e, internamente entre as fibras musculares, temos tecido conjuntivo chamado endomisio.

Esse tecido conjuntivo está sustentando e propagando a contração entre todas as fibras musculares. Continuando no sentido microscópico, a figura destaca também um feixe  que nada mais é do que um grupo de células musculares chamadas de perimísio.

A capa externa que chamada de epimisio, da continuidade aos tendões fazendo esta ligação com os ossos, já citada anteriormente.

A fáscia e o tecido conjuntivo vinculados a musculatura tem como função o preenchimento, a sustentação, a cicatrização, a circulação, o metabolismo celular, a alimentação e a propagação da contração muscular para os tendões, ligamentos e ossos para que o movimento seja gerado.

Do macro para o micro

Uma fibra muscular foi destacada na figura acima, fibra muscular esta que se encontra no interior do sarcoplasma. Esta fibra muscular possui uma quantidade infinita de miofibrilas, esta miofibrila está tridimensionada na figura para que possamos chegar no sarcômero. Essas miofibrilas cheias de estriações das bandas claras e escuras que formam um sarcômero.

Sarcômero, então, é o local onde acontece o deslizamento das proteínas de actina com a miosina. Logo, podemos dizer, que é o local onde acontece a contração muscular. Neste sarcômero de um músculo estriado sempre haverá uma sequência de uma banda clara com uma banda escura.

Dentre as bandas claras e escuras pode-se conferir a presença de actina e miosina. Essas duas proteínas se entrelaçarão, trabalhando em conjunto para que aconteça a contração muscular.

Olhando com mais afinco para as proteínas desse sarcômero, podemos ver moléculas de miosina com seus filamentos grossos e pesados, além das moléculas de actina, com seus filamentos mais finos, pois são proteínas globulares (cheias de glóbulos enroladas em hélice onde encontraremos o peptídeo).

Atente-se ao fato de que peptídeos são compostos formados pela ligação de um ou mais aminoácidos em uma ligação covalente. São um dos blocos de construção da vida, ou seja, é uma proteína não globular, alongada e inteira, chamada proteína pectidea. No final dela encontraremos uma cabeça ou várias cabeças para interagir com os sítios ativos da actina.

Fibras do músculo e o conceito de bandas

Nestas figuras, podemos ver o sarcolema – que é uma membrana plasmática que contém parte dos núcleos. Portanto, ela é multinucleada com suas estriações, que aparecerão em grande escala no microscópio eletrônico.

Nesta fibra, se dermos um corte longitudinal transversal, podemos observar muito claramente a miofibrila. Nesta miofibrila vemos uma banda A, uma banda escura e uma banda clara, que sempre se alternaram, da seguinte forma:

  • Uma banda escura, uma banda clara, uma banda escura, uma banda clara, uma banda escura, uma banda clara, e assim por conseguinte.

Assim sendo, pela quantidade de proteínas que existe dentro delas. Nas bandas claras vamos ter uma quantidade de actina com as suas proteínas troponina e tropomiosina. Essas proteínas auxiliam a actina na sua ativação. E nas bandas escuras encontraremos a proteína mais pesada que é a miosina.

No sarcômero essa alternância se repete incessantemente. Logo teremos sempre uma banda clara, chamada de banda I e uma banda escura chamada de banda A. Entre as bandas claras encontraremos uma linha Z e, em toda banda escura, teremos uma zona H no meio.

Então, o sarcômero é definido de uma banda clara até outra banda clara: de uma linha Z até a outra linha Z. Assim, formando uma banda I com uma banda Z, uma banda I com uma linha Z, com uma banda A com uma zona H. Dentre elas encontram-se as proteínas de actina e miosina.

O sarcômero encontrar-se-á de uma linha Z até outra linha Z. Atravessando duas bandas claras com uma banda escura no meio.

Toda fibra estriada esquelética a sua miofibrila será composta de proteína. Essas proteínas estarão junto os filamentos mais finos. Na parte proteica vamos ter actina, a troponina e a tropomiosina. Essas proteínas estarão juntas, nesses filamentos finos, na banda clara chamada banda I com uma linha Z no meio.

Componentes do músculo

O músculo normalmente possui dois componentes básicos. Abaixo você pode conferir uma explicação deles.

Componentes elásticos: comportamento em que os músculos retornam a sua forma original após o alongamento, e ele e tempo dependente.

Componentes plásticos: são aqueles que não retornam à forma original cessada a contração, se não houver influência externa:

  • Mitocôndrias (30-35% volume muscular),
  • Retículo Sarcoplasmático
  • Sistema Tubular (5% do volume muscular)

Contudo, isso vai depender dos fatores gerados no treinamento, nos exercícios e na atividade motora. Assim sendo, uma coisa é bem tecidual contraio e relaxo. Conseguindo, assim, que os músculos retornem ao seu tamanho normal, a sua forma original. Já quando eu quero aumentar estruturas eu preciso ter atividades que gerarão estes processos.

Conclusão

Sei que este artigo foi pesado, mas reforço que nós, profissionais do movimento, não podemos desconhecer esta teoria histológica densa, mas fundamental para o entendimento de nossas funções.