A cintura pélvica, onde se anulam a força de peso normal e solo, é composta pelos dois ilíacos e o sacro. Essas estruturas formam a articulação Sacroilíaca .

A Sacroilíaca transfere a carga dos membros inferiores para:

  • Parte superior do corpo;
  • Sínfise Púbica (púbis de um lado se articulando com o púbis do lado oposto).

Na parte medial do forame obturado, o púbis se junta ao ísquio. Já na parte lateral ele está voltado para os membros inferiores. Nessa região o púbis dá a inserção a diversos músculos mediais da coxa.

Fortes inserções ligamentares e musculares se localizam na face póstero inferior do ísquio, mais precisamente no tubérculo isquiático

O acetábulo é a parte óssea côncava formada pela fusão dos ossos: ilíaco, ísquio e púbis e é aprofundada por um anel de fibrocartilagem, o lábio do acetábulo.

*Força da Gravidade: Força gerada pela massa corporal em kg, quanto pesamos vezes aceleração gravitacional (aproximadamente 9,8)

*A Força de Reação Solo: É uma força que atua do solo para o corpo que está em contato, representando uma resposta às ações musculares e ao peso corporal transmitido por meio dos pés.

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Mobilidade ilíaca

mobilidade dos ilíacos

Embora seja de desconhecimento para alguns, é importante esclarecer que existe sim uma mobilidade desses ossos. Ela é discreta e muito potencial para desequilíbrios musculares, desarranjos posturais bem como afecções dolorosas. A mobilidade ilíaca vai condicionar a estática e a dinâmica dos membros inferiores (MMII).

As asas ilíacas são braços de alavanca importantes para as cadeias musculares do tronco e para as do membro inferior.

As asas ilíacas têm como principais mobilidades:

  • anterioridade e posterioridade
  • abertura e fechamento

O ilíaco é a referência que precisamos para analisar o posicionamento da lesão. Através dele tomamos nota sobre os posicionamentos em que a pelve/ ilíaco podem se encontrar disfuncionalmente.

  • O Sacro é a peça anatômica que sempre acompanha o ilíaco que se apresenta em lesão.

Anterioridade do ilíaco

anterioridade do ilíaco

Essa é a rotação anterior do ilíaco sobre a cabeça do fêmur.

A anterioridade dada de ambos os lados, ou seja, em ambos os ilíacos levará a anteversão da pelve. Outra consequência é a postura da lordose lombar.

Os músculos envolvidos / em tensão/ programados são:

  • Quadrado lombar, tensionando a asa ilíaca em sua parte posterior para o alto
  • Reto femoral, tracionando a parte anterior do ilíaco para baixo.

Sinais clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero-Superior (EIAS) baixa
  • Crista Ilíaca mais baixa
  • Espinha Ilíaca Postero-Superior (EIPS) alta
  • Descida do púbis ( anterior)
  • Subida do Ísquio (posterior)
  • Sacro se horizontaliza e fica mais alto

Por tensão do Quadríceps femoral, podemos encontrar alterações patelo-femorais e um recurvato de joelho, um dos processos mecânicos fisiopatológicos de alterações álgicas nos joelhos.

A anterioridade do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de alongamento compensatório (um aumento do comprimento da perna respectiva a lesão)

Posterioridade do Ilíaco

posterioridade do ilíaco

É a rotação posterior do ilíaco sobre a cabeça femoral.

A posterioridade de ambos os iliacos leva a retroversão da pelve; postura de retificação lombar.

Os músculos envolvidos são:

  • Reto Abdominal tracionando a asa ilíaca em sua parte anterior para cima
  • Isquiotibiais tracionando a asa ilíaca em sua parte posterior para baixo

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior alta
  • Crista Iliaca mais alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior baixa
  • Subida do púbis
  • Descida do Ísquio
  • Sacro verticaliza-se e fica mais baixo

Por tensão do Isquiotibial, podemos encontrar um flexo de joelho, bem como também dores localizadas na região dos ísquios, a tensão gerada pela posterioridade poderá gerar um aumento da compressão nos discos intervertebrais em até 30 vezes.

A posterioridade do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de encurtamento compensatório (uma diminuição do comprimento da perna respectiva a lesão)

* A anterioridade e a posterioridade dos ilíacos são parâmetros utilizados preferencialmente para a locomoção.

Abertura do Ilíaco

abertura dos ilíacos

Os músculos envolvidos são:

  • Glúteos tracionando a parte superior da asa ilíaca para fora
  • Períneo tracionando a parte inferior da asa ilíaca para dentro, aproximando os ísquios.

Encontraremos, portanto 3 (três) pontos anatômicos altos ao exame clínico

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior alta
  • Crista ilíaca mais alta
  • Espinha Ilíaca Postero Superior alta
  • Aumento da distancia entre o umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa verticalização

A ABERTURA do ilíaco leva o membro inferior em questão em posicionamento de VARO de joelho e um aumento da projeção do membro, portanto um alongamento compensatório desta perna.

Fechamento do Ilíaco

Os músculos envolvidos são:

  • Transverso do abdômen tracionando a asa ilíaca superior em direção a linha media.
  • Adutores tracionando a asa ilíaca inferior, inferolateralmente.

Encontraremos portanto 3 (três) pontos anatômicos baixos aos exame clinico.

Sinais Clínicos

  • Espinha Ilíaca Antero Superior baixa
  • Crista ilíaca baixa
  • Espinha Ilíaca Postero Superior baixa
  • Diminuição da distancia entre o umbigo e a Espinha Ilíaca Antero Superior
  • Sacro se inclinara numa horizontalização

O FECHAMENTO do ilíaco levará o membro inferior em questão em posicionamento de VALGO de joelho e uma diminuição da projeção do membro. Portanto um encurtamento compensatório desta perna.

* A abertura e o fechamento dos ilíacos são parâmetros utilizados preferencialmente para a relação visceral.

Como acontecem alterações da pelve

alterações da pelve e patologias do quadril

Estas adaptações da pelve, como por exemplo: metade superior em abertura e metade inferior em fechamento ilíaco se da graças a plasticidade dos ossos (vivos) e á organização das cadeias musculares em relação ao plano visceral.

Quando falamos em abertura e fechamento do iliaco, se torna imprescindível citarmos a condição visceral. Lembremos, somos um corpo viscerado, e as vísceras se tornam prioridade no corpo humano pela função vital.

Se relaxarmos corretamente as cadeias musculares e ainda sim remanescer as alterações de alongamento e encurtamento compensatórias dos membros inferiores respectivamente à abertura e fechamento do ilíaco, podemos estar diante de alterações da pelve a nível visceral.

As TENSÕES viscerais geram uma força CENTRIPETA
As CONGESTÕES viscerais geram uma força CENTRIFUGA
  •  Cavidade abdominal/ pelve maior compreende o mesocólon transverso, o fígado, os rins, o pâncreas, a vesícula, estomago e o baço.
  • Cavidade pelviana/ pelve menor compreende o começo e o final dos intestinos, a bexiga,o útero e ovário para as mulheres e a próstata para os homens.
  • Portanto ao pensarmos nessas questões viscerais podemos dizer que :
  • Quando a cavidade abdominal possui tensões (centrípetas)  instala-se o fechamento ilíaco ( estreitamento superior da pelve – ilíaco/ pelve maior) =  FECHAMENTO ILÍACO
  • Quando a cavidade pelviana possui tensões centrípetas, instala-se o fechamento pelviano
  • Quando a cavidade abdominal possui congestão (centrifuga), entala-se a abertura ilíaca ( pontos fixos trocanterianos) = ABERTURA ILÍACO
  • Quando a cavidade pelviana possui congestão, instala-se a abertura pelviana (pontos fixos nos fêmur).

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Ilíacos no parto e pós-parto

ilíacos no pré e pós-parto

Em relação à abertura e fechamento dos ilíacos, podemos também citar um exemplo que acontece com muitas mulheres e que neste momento de sua vida é absolutamente funcional em relação aos pequenos e potentes movimentos que fazem os ilíacos.

O exemplo de uma mulher após o parto.

O corpo da mulher deverá adaptar-se ao vazio da região abdominal que fica após o nascimento do bebê.

Após o parto, esta cavidade abdominal deve se reduzir para se ajustar ao novo volume e recriar assim as pressões internas necessárias. Isso dá início ao processo de fechamento dos ilíacos.

A partir deste evento do nascimento, podemos nos atentar as informações obtidas por influencias do Método GDS de Cadeias Musculares e Articulares. Sendo um método global de fisioterapia desenvolvido pela fisioterapeuta, biomecanicista e osteopata belga Godelieve Denys Struyf. Método que integra o funcionamento do corpo e suas conexões com o comportamento psicológico.

Analisando por este ponto de vista, podemos notar que durante alguns anos muitas mulheres darão prioridade ao ciclo materno, ao seu lar e seus filhos. Nesse contexto, seu corpo pode evidenciar as cadeias de flexão num comportamento de enrolamento para abraçar esse mundo afetivo.

O tempo desse período varia de mulher para mulher. Depois dele, ela pode decidir voltar para seu mundo exterior, com suas atividades profissionais e físicas.

O novo estado de espírito faz com que entrem em ação as cadeias da comunicação (cadeias de abertura ou para madame Godelieve cadeias PM). Tal atitude sinaliza que ela deseja se relacionar além de sua vida materna.

Desta forma, sua pelve pode começar a se modificar e se reestruturar em abertura.

Esta condição psicológica parece se relacionar bastante com as cadeias de fechamento e abertura, respectivamente. Mas também pode ocorrer desta mulher procurar se equilibrar entre essas duas facetas.

Uma mulher talvez decida enfrentar o mundo externo e este ciclo materno. Porém, se seu corpo apresenta pontos de tensão, pontos de fixação, cicatrizes, aderências; estas questões estruturais acabam vencendo e valorizando as cadeias de fechamento.

Nessa briga de cadeias musculares a vencedora será de fechamento.

O motivo são as tensões internas fazendo com que essa mulher pague por períodos de grande fadiga. Ela despendera muita energia por conta desse conflito de tensionamento das cadeias.

Ilíacos nas patologias do quadril

ilíacos geram alterações no quadril

Visto os movimentos que o ilíaco pode fazer e as inter-relações com as questões viscerais, podemos explicar as principais disfunções biomecânicas no quadril.

Coxoartrose

(mais comum)

Seu mecanismo de formação se dá quando o ilíaco se encontra em fechamento em suas duas pontas. São elas:

  • Asa ilíaca superior /cavidade abdominal;
  • Asa ilíaca inferior/ cavidade pelviana.

Os músculos oblíquos abdominais puxam a asa ilíaca superior para um fechamento. O períneo puxa a asa ilíaca inferior também fechamento.

Uma convexidade se formará no meio da asa ilíaca, expondo o acetábulo lateralmente. Como resultado, teremos maior contato entre a cabeça do fêmur e o acetábulo e um processo de desgaste da coxofemoral.

Nas coxoartroses, podemos encontrar contraturas importantes dos músculos periaticulares à esta afecção. Isto se dá de modo a manter a mobilidade do quadril dentro de um perímetro que o paciente não sinta dor ou a sinta de forma mais amena.

Esta compensação pode parecer confortável para o quadril, mas suas consequências levam a um aumento de forças intra-articulares da coxofemoral. Com isso, a artrose instalada nessa área evolui, levando a mais patologias do quadril.

Subluxação do quadril

Essa é uma das patologias do quadril. Nas subluxações do quadril, o ilíaco se encontra em abertura nas suas duas pontas.

Os músculos com tensão excessiva como os glúteos, tracionam a parte superior do ilíaco para fora e para cima. Os adutores tracionam a parte inferior do ilíaco para fora.

Haverá então uma concavidade na asa ilíaca, diminuindo o contato do acetábulo com o fêmur. O caso de uma luxação do quadril se efetiva de fato, mediante um trauma na altura do joelho ou do quadril em uma força centrípeta.

Desta forma, a prioridade será garantir e equilibrar as tensões/ congestões internas abdominais/pelvianas, para poder então relaxar as cadeias musculares.

Verdades e falsas pernas longas ou curtas

Baseando-se nas explicações supracitadas sobre as compensações ilíacas, podemos encontrar desigualdade no comprimento dos membros inferiores, tais como:

  • Falsas desigualdades/ diferença de membro inferior: quando as compensações iliacas modificam o comprimento do membro.
  • Verdadeiras desigualdades: quando o comprimento dos membros inferiores é que modificam as compensações ilíacas.

Lembrando que as verdadeiras diferenças de comprimento de membro inferior somente poderão ser confirmadas através do exame radiográfico pela escanometria (medida) com carga.

No contexto, para fazermos um diagnóstico puramente clínico, observaremos:

  • Falsa Perna Longa

O ilíaco deste lado se encontrará em Abertura e Anterioridade.

  • Falsa Perna Curta

O ilíaco deste lado se encontrara em Fechamento e Posterioridade.

* Ao corrigirmos estas compensações ilíacas, devolvemos o comprimento “natural” deste membro, desta forma se entende o porque da nomenclatura “falsa”.

  • Verdadeira Perna Longa

O ilíaco deste lado se encontrara de forma compensatória em Posterioridade e Fechamento

  • Verdadeira Perna Curta

O ilíaco deste lado se encontrara de forma compensatória em Anterioridade e Abertura.

* Ou seja, a diferença anatômica verdadeira do comprimento do membro (por exemplo por Poliomielite, deformações congênitas ou acidentes) é que levara o ilíaco numa compensação.

Assim percebemos a grande magnitude do nosso corpo, neste caso, as diferentes mobilidades do ilíaco e as compensações da pelve.

Vimos que as forças musculares amplificam as mobilidades articulares da pelve que pareciam ser tão limitadas. As cadeias musculares acabam moldando a pelve, indo além da articulação até o osso, graças a plasticidade óssea.

Musculaturas importantes no comportamento dos ilíacos

Sabemos que todas as musculaturas agem em conjunto, em cadeias musculares e assim conseguimos a plenitude do movimento.

Neste texto quero abordar duas musculaturas de suma importância em suas funções, mas que passa desconhecida na sua integridade por muitos de nós.

  • ILIOPSOAS

PSOAS:

Origem: de T12, passando por todos os processos transversos das vértebras lombares, discos intervertebrais.

*A origem do arco aponeurotico do Diafragma reveste a porção cranial do Psoas (nota-se forte ligação entre estes dois músculos).

Inserção: Trocanter menor

ILIO/ILIACO:

Origem: Fossa ilíaca e pequena porção lateral da asa do sacro.

Inserção: Através de um tendão comum com as psoas sobre o trocanter menor.

Ao analisarmos melhor as direções das fibras musculares percebemos um músculo em forma de leque.

Este músculo tem suas fibras concentradas em sua parte terminal sobre a cabeça do fêmur. Podemos assim deduzir que sua força potencial, sua ação dinâmica se dá sobre o quadril.

A direção das fibras musculares neste momento faz toda a diferença. As origens são mais afastadas e as inserções mais concentradas.

As fibras descem para fora, para baixo e para frente à cabeça do fêmur (conforme na figura acima), isto lhe confere a ação flexora de quadril. Ao passar pela frente á cabeça femoral, as fibras do iliopsoas seguem o trajeto para baixo, para fora e para trás dessa peça anatômica.

Assim podemos dizer que este músculo participa na adução de quadril, além de poder realizar uma rotação interna.

Basta olharmos para as fibras musculares. Sempre pensarmos na anatomia desta musculatura para entendermos melhor sua ação que por vezes ainda é tão estudada.

Exemplo prático

Vejamos um exemplo sobre um caso de Psoite. Como essa musculatura encontra-se dolorida adota uma posição antálgica, uma contratura em concêntrico, ocasionando um equilíbrio global disfuncional ao individuo.

Pensemos; se o Iliopsoas se encontra em contratura, apresentará, portanto, uma flexão de quadril. Essa flexão fará com que o individuo perca seu apoio máximo ao solo, dificultando assim seu equilíbrio postural.

Com essas alterações, o indivíduo adota ainda uma posição de adução e rotação interna do quadril.

Estando ele em posição de flexão, atuará juntamente com a Cadeia de Flexão com os retos abdominais, adotando então uma postura Cifosante desta região. Esta cifose lombar leva o ilíaco em uma posterioridade.

Caso a posterioridade seja bilateral, apresentará uma retroversão pélvica. A partir de toda essa disfunção podemos pensar num ponto fixo do Psoas a nível lombar em sua origem.

Mas este músculo de tamanha complexidade também pode atuar juntamente `a Cadeia de Extensão. Neste caso o ponto fixo agora se faz a nível de quadril, uma vez que a perna/ pé estão com apoio ao solo.

Nesta parceria junto a cadeia extensora, o indivíduo apresentará uma lordose lombar. Nessa manutenção do apoio ao solo concomitante a flexão de quadril causada pela contratura do Psoas, quem atua como antagonista será o grande dorsal contralateral assumindo então esta postura lordosante.

Isso acontece na tentativa de harmonizar o eixo postural e garantir que não haja lesão por força excessiva rotacional das vértebras.

Este ponto fixo no quadril, mais precisamente periarticular à cabeça do fêmur, poderá nos mostrar um estado de coxoartrose. Uma das causas é o excesso de forças constantes nesta articulação.

Essas contraturas periarticulares desta região se fazem afim de limitar a mobilidade do quadril dentro um perímetro antálgico.

Em resumo

Ponto fixo na lombar = Psoas atuando com cadeia flexora = Cifosante lombar

Ponto fixo no quadril = Psoas atuando com cadeia extensora = Lordosante Lombar

Assim sendo, deduzimos que este músculo em seu trajeto terminal (trocanter menor) onde há maior concentração de suas fibras musculares, responde tanto à estabilidade quanto a mobilidade do quadril.

Ainda sim, existe um grupo muscular que atua em conformidade com o Iliopsoas.

São os obturadores:

– Obturador Interno:

Origem: Face Interna do ilíaco em torno do forame obturador

Inserção: Sobre a face interna do trocanter maior, na fossa trocanteriana, na parte superior do colo do fêmur. Na parte isquiopubiana ele se entremeia com gêmeo superior e gêmeo inferior.

Ação: Dado como um flexor de quadril colaborando com o iliopsoas neste momento e como um abdutor e rotador externo de quadril, também analisado como retroversor de quadril.

– Obturador Externo:

Origem: bordas do forame obturador

Inserção: passa abaixo e atrás da cabeça do fêmur, em torno do colo femoral.

Ação: Este músculo dado como flexor de quadril, abdutor e rotador externo e também considerado um anteversor da pelve, tem como sua principal função dado a sua anatomia e fisiologia, um facilitador da centragem da cabeça do fêmur, quando atua em sinergia com o psoas.

Ora, lembremos, o Psoas passa a frente da cabeça femoral e o obturador externo passa atrás da cabeça femoral, portanto trabalhando juntos em sinergia, centralizam esta peça anatômica.

A ação do obturador externo e do Psoas, além de flexão, resultam em conferirem coerência articular, funcionam como um ligamento ativo para a coxofemoral.

Quando em movimento amplo desta articulação como numa flexão de quadril intensa e rápida, onde a cabeça do fêmur poderia ressaltar, entram em ação esses músculos a fim de estabilizar, centralizar essa porção femoral.

Em extensão de quadril feito de maneira ampla e intensa, este movimento produzido por bailarinos por exemplo, é freado pelo enrolamento dos tendões flexores do iliopsoas e obturador externo em torno do colo e da cabeça do fêmur, a fim de evitar uma lesão.

Esses músculos podem ser considerados verdadeiros ligamentos ativos desta articulação.

SUSPENSORES

Alem de toda essa complexidade e funcionalidade brilhante, os obturadores ainda exercem papel de suspensores da pelve.

Como pode diante da ação da gravidade e o peso corporal (variável a cada individuo), a cabeça do fêmur se apresentar ainda em sua conformação redonda e uniforme?

Se faz necessário um sistema de suspensão que seja capaz de absorver estas forças descendentes (ação da gravidade por exemplo e ação do peso normal) e ainda dividi-la por toda a articulação.

Os obturadores possuem uma bainha mais espessa com grande quantidade de tecido conjuntivo no ventre muscular.

Se analisarmos com cuidado, estes músculos abraçam o forame obturador formando um anel, anéis de suspensão. Através de suas características conjuntivas, estes são músculos que respondem bem as forças estáticas também assegurando qualidade da conformação óssea da cabeça do fêmur (cabeça esférica), caso ao contrario poderíamos verificar um “platô femoral”.

O estudo aprofundado e a compreensão do corpo humano através da anatomia, fisiologia e biomecânica sempre nos dará norte para um bom entendimento da funcionalidade deste corpo e uma boa conduta terapêutica.

Conclusão

Como vimos várias forças atuam na pelve, além das já conhecidas forças musculares, forças essas que em desorganização causarão as mais diversas alterações na mecânica corporal, logo faz-se necessário uma boa avaliação afim de reconhecermos a disfunção mecânica geradora da dor, sem negligenciarmos as questões emocionais descritas por madame Godelieve Denys Struyf. Só então, solucionaremos a alteração mecânica na sua raiz.

Conseguiu entender melhor como os ilíacos são importantes no tratamento e diagnóstico de patologias do quadril? Espero que essas dicas te ajudem a deixar suas aulas cada vez melhores. Se quiser continuar acompanhando meu trabalho e recebendo conteúdo científico de quadril, assine a LISTA VIP do blog.

Referências:

Busquet L. As cadeias musculares- membros inferiores. Vol 4. Ed. 2. Belo Horizonte; 2001

Cintas, Janaina. Cadeias Musculares do Tronco: Evolução biomecânica das principais cadeias. Sarvier. São Paulo, 2016.

Zambenedetti, H. W.; Oliveira, G.A.; Tamelini, B.H.M.; Junior, F.S.M. Escanometria dos Membros Inferiores: revisitando Dr. Juan Farill. Colégio Brasileiro de Radiologia e diagnostico por Imagem. Vol 40 n 2. Mar- Abr, 2007.

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