Se um paciente dizer que sente a patela sair do lugar enquanto caminha, você já tem uma suspeita em mente: a instabilidade femoropatelar.

Apesar de ser muito comum, muitas vezes é difícil trabalhar com estabilização articular em aula.

A instabilidade femoropatelar é uma disfunção que pode ser causada por diversos tipos de desequilíbrios. Só devemos lembrar que a estabilização do joelho é complexa e envolve músculos e estruturas passivas.

Mesmo que os ligamentos, estruturas passivas, sejam os que mais sofrem no processo, os músculos também estão muito envolvidos. Vamos entender melhor?

O que é Instabilidade Femoropatelar?

Chamamos de instabilidade femoropatelar a disfunção que surge quando existe falta de estabilidade na articulação formada pela patela e o fêmur. Essa é uma disfunção multifatorial que pode gerar dor e impedir os movimentos fisiológicos de membros inferiores. Ela também pode gerar a subluxação ou luxação da patela.

Em boa parte dos casos nosso paciente nos procura para reclamar que a patela “saiu do lugar” ou por causa da crepitação da articulação.

Pode acontecer por causa de traumas diretos na região ou por instabilidades geradas por outros fatores. É comum em pacientes com valgo do joelho, já que o desalinhamento dessa região diminui a estabilidade patelar medialmente.

Também precisamos considerar a posição da articulação femoropatelar e suas consequências. Ela fica localizada entre os dois maiores braços de alavanca do corpo, sendo forçada a suportar suas forças.

Portanto, quase qualquer desequilíbrio é capaz de causar lesões ligamentares e meniscais graves.

Outra possibilidade para o desenvolvimento de instabilidade femoropatelar é a existência de alterações biomecânicas dos joelhos e quadris. A patela alta, por exemplo, é um fator de risco presente em muitos pacientes com tensão exacerbada nos retos femorais. O mesmo ocorre com o valgo dos joelhos e desvios do quadril.

Devemos prestar atenção especial durante a avaliação do quadril, pois através da biotensegridade corporal, seus desvios podem causar encurtamento de musculaturas estabilizadoras do joelho.

Algumas vezes o paciente sequer possui um quadro que pode ser caracterizado como instabilidade femoropatelar, mas apresenta sintomas similares que se originam no quadril ou vice-versa.

Como acontece a Estabilização da Articulação Femoropatelar?

A articulação do joelho possui um amplo grau de liberdade de movimento.

Para conseguir evitar lesões frequentes, é preciso que existam diversos níveis de estabilização estática e dinâmica. Quando o assunto é estabilização estática, podemos dividir em 3 camadas de tecidos moles estabilizadores do joelho.

A camada intermediária é a mais conectada: a articulação femoropatelar. Ela é composta pelo ligamento femoropatelar medial (LFPM) e auxiliada pelo ligamento patelomeniscal.

Como sabemos, em casos de instabilidade femoropatelar mais graves podemos encontrar luxação e até lesão do LFPM. Isso mostra indícios de sobrecarga do ligamento, que é incapaz de estabilizar completamente a articulação. Apesar de ser um dos principais estabilizadores estáticos responsáveis por resistir a translação lateral da patela, ele não evita a luxação sozinho.

Também existem as estruturas estabilizadoras dinâmicas do joelho. Elas são musculaturas como o quadríceps. O vasto medial, em especial, é responsável por impedir o deslocamento anterior da patela.

Avaliação de Instabilidade Femoropatelar

Uma boa avaliação de instabilidade femoropatelar garante um tratamento mais eficiente da patologia.

Ela deve ter como objetivo determinar hipóteses de causas através do estudo do histórico clínico do paciente. Depois precisaremos comprovar as causas através da avaliação física e elaborar um tratamento.

Inicialmente, usamos a entrevista para avaliar o histórico clínico desse paciente. É comum que cheguem no consultório ou studio com reclamações de deslocamento e luxação da patela. Você precisará confirmar esses sintomas depois na avaliação física.

Também devemos aproveitar a oportunidade para entender completamente a queixa do aluno e quando os sintomas começaram. A partir desse conhecimento é possível observar qual é o nível de dano que as estruturas articulares já sofreram e a atrofia muscular gerada por falta de movimento.

Depois pergunte a respeito de causas, para descobrir se os sintomas tiveram início após um trauma na área. É normal ouvirmos que o indivíduo sofreu uma “torção” em movimentos simples do cotidiano, como uma mera caminhada.

Se receber uma resposta desse tipo já pode imaginar que existem sérios desequilíbrios musculares que geram a instabilidade femoropatelar.

Após entender mais sobre a patologia, chega a hora de avaliar o movimento em si. A avaliação é composta pela parte estática e dinâmica. Na estática começamos identificando desvios de membros inferiores e quadris. Alguns exemplos incluem:

  • Anteversão Femoral
  • Genovalgo
  • Rotação Tibial Externa
  • Pé Plano

Para compreender melhor o grau de dano das estruturas articulares, podemos usar a palpação. Se o caso for unilateral, é possível comparar com o joelho saudável. Obviamente também devemos avaliar a amplitude de movimento e quais limitações atualmente afetam esse joelho.

Tratamento da Instabilidade Femoropatelar

Assim que conseguirmos alguns resultados para alívio da dor nas primeiras sessões, sempre começamos o trabalho com exercícios para tirar a sobrecarga mecânica da articulação, que é nosso verdadeiro objetivo. A partir de então, passamos para o fortalecimento em si, pois visamos a ativação e trofismo de musculaturas, como:

  • Quadríceps
  • Adutores
  • Abdutores
  • Isquiotibiais

Com essas musculaturas fortalecidas conseguimos melhorar a estabilização dinâmica do joelho e também o suporte nos movimentos do quadril. Como resultado, os ligamentos da região sofrem menos pressão e ficam com menor risco de lesões.

Também precisamos envolver exercícios de resistência com evolução lenta e gradual. Dê preferência para exercícios com baixo impacto sobre a articulação do joelho, como aqueles usados no Pilates. Com a evolução, aumente a intensidade dos exercícios e trabalhe também a propriocepção.

Conclusão

A instabilidade femoropatelar é uma disfunção de joelho bastante comum e que afeta principalmente mulheres.

Suas causas variam, podendo envolver desvios de membros inferiores, encurtamento muscular e falta de estabilização dinâmica. A única maneira de resolver o problema é aplicando um tratamento eficiente com base numa boa avaliação.

Nunca se esqueça que a disfunção é um problema multifatorial e pode envolver diversas estruturas. Isso inclui outras articulações, como o quadril, que também poderá estar em sofrimento, e em desalinhamento.

Quer aprender mais sobre desvios dos membros inferiores que podemos encontrar nas aulas de Pilates? Confira meu artigo completo a respeito e aprenda como as cadeias musculares se comportam para a formação de desvios dos membros inferiores.

Bibliografia