A idade média do brasileiro vem aumentando assim como sua expectativa de vida. Com essa mudança podemos perceber também o aumento da presença de doenças típicas da terceira idade como a osteoporose.

A osteoporose causa diversas limitações na vida de nossos alunos e pode até diminuir sua expectativa de vida. Portanto, é essencial entendermos, como profissionais do movimento, se é possível ajudarmos nossos alunos nessa condição através da atividade física.

Nesse artigo quero focar nos benefícios que o Pilates consegue trazer para idosos com osteoporose.

Sabemos como o método é vantajoso para o tratamento de diversas patologias. Portanto, imagina-se que sua aplicação à osteoporose seria igualmente benéfica.

O que é Osteoporose?

A osteoporose é uma doença metabólica que atinge o tecido ósseo. Ela é gerada por:

  • Perda gradual de massa óssea;
  • Enfraquecimento das trabéculas ósseas por deterioração na microarquitetura tecidual;
  • Falta de qualidade do tecido depositado;
  • Perda de plasticidade e homogeneidade do tecido;
  • Diminuição da quantidade de mineralização óssea.

Todos esses fatores quando combinados levam a ossos frágeis que se tornam propensos a fraturas.

Para compreender corretamente como ocorre a osteoporose precisamos tirar da mente a ideia de que o osso é uma estrutura morta. Pelo contrário, sua formação acontece por 3 tipos de células específicas para esse fim. Elas realizam a formação, regulação e reabsorção da estrutura óssea enfraquecida. São elas:

  1. Osteoblastos: formam a estrutura óssea;
  2. Osteócitos: células mantenedoras da quantidade de minerais existentes no osso (cálcio);
  3. Osteoclastos: reabsorção das células envelhecidas.

Devido a todos esses fatores, os ossos tornam-se frágeis e suscetíveis às fraturas.

A osteopenia que observamos nos idosos é uma diminuição de massa óssea que acontece pela perda de cálcio. Quando a osteopenia não recebe tratamento a osteoporose surge.

Existem diversas funções para o arcabouço esquelético do corpo. Falarei principalmente sobre a capacidade do osso de suportar nossa massa corporal. Os ossos distribuem essa carga ajudando a absorver os impactos gerados pelo corpo.

A osteoporose pós-menopausa, por exemplo, é particularmente preocupante. Ela causa grandes impactos na saúde de mulheres mais velhas por causar um risco elevado de fraturas. No Brasil, esse tipo de osteoporose possui prevalência de 15% a 33% entre as mulheres pós-menopáusicas.

Também existe desequilíbrio ou falência na formação do tecido conjuntivo causado pelo próprio processo de envelhecimento. Podemos citar estruturas que estarão prejudicadas como:

  • Ligamentos
  • Tendões
  • Pele
  • Fáscia

É provável que a fáscia também encontre-se prejudicada em casos de osteoporose pela deficiência de colágeno. Deveremos lembrar desses desequilíbrios na hora de tratar nossa paciente.

Diagnóstico da Osteoporose

Para diagnosticar a osteoporose é possível analisar a densidade mineral óssea através de absorciometria de raios-x. Também podemos levar em consideração as fraturas que ocorreram sem trauma significativo.

Relação Mecânica com o Processo de Remodelagem Óssea

Não existem estudos sérios capazes de comprovar a resposta dada pelas células ósseas a aspectos de tensão. A capacidade de remodelagem óssea nas células já residentes deve aumentar com a capacidade de fluxo e fluido, assim como a deformação com os estímulos. Assim, podemos acreditar que variados estímulos mecânicos podem estar envolvidos no processo.

Por exemplo, cargas mecânicas de flexão que atingem o osso cortical gerem pressões mais elevadas no córtex quando as comparamos a uma única trabécula. Se a área for maior, teremos uma pressão também maior.

De acordo com a teoria de Harold Frost, a tensão mecânica gera um feedback que faz a massa e a remodelagem óssea serem estimuladas. O pesquisador chamou isso de mecanossistema.

Aparentemente esse processo de remodelagem óssea tem o objetivo de realizar a manutenção de ossos fortes. Ele ajudaria a diminuir o risco de fraturas. Infelizmente esse é um processo de pode levar anos e até estar inativo. Vemos essa inatividade principalmente em indivíduos sedentários quando as tensões não são geradas.

Tal teoria do mecanossistema é uma explicação para que os ossos de mesmo nome em dois indivíduos diferentes terem suas próprias insurgências, declínios e conformações. Isso é especialmente interessante quando os indivíduos possuem causa de morte com exclusão de doenças que causam deformação no sistema musculoesquelético.

Tratamento de Idosas com Osteoporose

Existe uma importante relação entre osteoporose e o sexo feminino. Nessa população a prevalência de osteoporose da coluna lombar varia de 15,8% na faixa de 50 a 59 anos.

Já mulheres com mais de 80 anos possuem uma prevalência de 54,5% de osteoporose. As mesmas faixas etárias possuem uma prevalência de fraturas entre 20% e 82% concomitantemente.

Ao trabalharmos com pacientes com osteoporose teremos um objetivo principal: diminuir o risco de fraturas. Esse objetivo é o mesmo estabelecido pela Sociedade Americana de Menopausa para o tratamento dessas pacientes.

Também devemos lembrar que estamos trabalhando com mulheres afetadas na autoestima e humor. Alguns dos problemas enfrentados pela nossa paciente são:

  • Dor resultante da mudança na imagem corporal;
  • Perda de mobilidade;
  • Perda de independência.

O mais importante para mulheres com osteoporose é a prevenção de quedas, que faz diminuir muito o risco de fraturas. Mulheres que já passaram pela menopausa e possuem osteoporose são um grande grupo de risco.

Mulheres sem osteoporose possuem prevalência de queda de 29,3%, um número já alarmante para idosas. Já mulheres com a doença têm prevalência de queda de 51,1%.

Considerando que as quedas causam queda na expectativa de vida da paciente e altos custos, é importante lembrar disso nas aulas. As fraturas de quadril recebem atenção especial porque possuem alta taxa de morbidade na terceira idade.

Papel do Exercício Físico no Tratamento

O exercício físico é parte importante do tratamento da osteoporose. Ele ajuda a reduzir a reabsorção óssea e promove uma série de benefícios, como:

  • Aumento de Força Muscular
  • Estabilidade
  • Equilíbrio
  • Mobilidade
  • Melhora da Qualidade de Vida
  • Redução da Dor
  • Prevenção de Quedas

Nesse cenário o Pilates surge como opção para tratamento de idosos com osteoporose. Ele pode melhorar a qualidade de vida dessas pacientes, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

Pilates para Idosos com Osteoporose

A prática do método Pilates está diretamente relacionado a uma melhora significativa da qualidade de vida das pacientes. A prática do Pilates por idosos gerou um importante ganho de flexibilidade que ajuda a prevenir a perda de funções musculares no corpo.

Também podemos perceber grandes mudanças em relação a equilíbrio estático e dinâmico. Os idosos praticantes de Pilates melhoram sua autonomia pessoal e conseguem realizar atividades da vida diária mais facilmente.

Isso leva também a uma melhora na autoestima e até da possibilidade de criar vínculos sociais.

Quanto à composição corporal, o método Pilates também consegue alcançar algumas mudanças. Existem casos em que a prática leva a reversão da perda de massa magra e redução da gordura corporal. Ele consegue estabilizar ou reverter quadros que estão relacionados a obesidade. Alguns exemplos são hipertensão e diabetes, doenças bastante comuns em pessoas da terceira idade.

Idosos que praticam Pilates também consegue melhorar sua força muscular. Considerando todos esses fatores podemos concluir que a terceira idade consegue prevenir quedas através do Método.

Quando ele é combinado a exercícios aeróbicos também é possível diminuir as dobras cutâneas.

O Pilates apresenta-se como uma importante ferramenta para trabalhar com a postura do idoso. Para resumir, ele ajuda a realizar melhorias em:

  • Funcionalidade
  • Estabilidade
  • Mobilidade
  • Equilíbrio
  • Força
  • Flexibilidade Muscular
  • Devolução aos Indivíduos de Autoconfiança com Relação a sua Independência Corporal
  • Redução de Quedas

Conclusão

O envelhecimento gera uma série de perdas funcionais para o corpo do idoso. Como resultado esse indivíduo perde sua independência, autoestima e pode até desenvolver problemas psicológicos.

Nós que trabalhamos com movimento, em especial com o Pilates, temos a oportunidade de devolver parte da sua qualidade de vida.

Seja na osteoporose ou em outras patologias vemos uma melhora significativa em diversas características do corpo. Para conseguir realizar um tratamento eficaz da doença lembre-se de uma coisa: você está lidando com um corpo limitado.

Sempre preste atenção aos seus limites e não os ultrapasse. Não queremos causar dor ou desconforto sem motivo para nosso paciente. Pelo contrário, sempre tentaremos motivá-lo para praticar atividades físicas e melhorar cada vez mais sua condição.

 

Referências