Chamamos de escoliose casos nos quais existe um desvio da coluna à esquerda ou à direita. Isso dá à estrutura vertebral um formato em S ou em C por causa do desvio que ocorre nos 3 planos de movimento.

A escoliose é um desvio postural bastante comum e os costumam ser completamente diferentes e com prognósticos distintos de acordo com as chances de progressão e gravidade das curvas.

Antes de começar a estudar as causas da e o tratamento do Pilates para escoliose, precisamos entender um conceito importante: a atitude escoliótica. Essa atitude é bem diferente da escoliose em si e aparece na maioria das pessoas.

Dizemos que alguém possui a atitude escoliótica quando existe desigualdade no comprimento de membros inferiores. Portanto, esse tipo de escoliose desaparece quando a pessoa adota a posição horizontal. Em muitas casos você precisa começar o tratamento pelo desvio de membros inferiores, não pelo desvio vertebral.

Também existem outras origens das escolioses, como:

  • Idiopática
    • Ligada a genética
  • Neuromuscular: Geradas pela alteração de tônus frequentes nas patologias neurais
  • Congênitas: Relacionada a má formação das vértebras
    • Fusões
    • Aumento do Número de Vértebras

Como realizar uma Avaliação Eficiente?

Assim como tudo que realizamos nos tratamentos, o Pilates para escoliose exige uma boa avaliação.

O paciente com um desvio na coluna possui camadas sobre camadas de compensações que precisam ser identificadas e corrigidas. Mas muitos profissionais cometem um erro ao avaliar o problema.

O diagnóstico da escoliose ocorre principalmente através de radiografias para analisar o ângulo de Cobb. É essa curvatura que determina se o desvio é fisiológico e não exige tratamento ou se ele é patológico.

O que muitos não sabem é que seus resultados sofrem alterações de acordo com o horário em que é feito.

O núcleo pulposo que existe para estabilizar a coluna começa o dia completamente hidratado e vai perdendo água conforme realizamos nossas atividades diárias. Se fizermos o exame de manhã encontraremos uma angulação menor. Um exame feito ao fim do dia encontra um ângulo maior.

A única maneira de resolver esse problema é realizando todos os exames no mesmo horário. Assim, você consegue controlar as alterações no ângulo de Cobb e ter uma noção real do problema do seu aluno e sua melhora com o tratamento.

Identificando Origens das Escolioses

Durante a avaliação, também devemos descobrir de onde veio essa escoliose para conseguir determinar o tratamento correto. A maioria dos casos que apresentam dor são de origem muscular, podendo ser uma lesão ascendente ou descendente:

  • Escolioses Ascendentes: a causa da escoliose segue uma lógica de compensação de baixo para cima.
  • Escolioses Descendentes: seguirá uma lógica de compensações que descem. Logo, nas Escolioses descendentes devemos ficar muito atentos às Disfunções Temporo Mandibulares (DTM), ou ainda a colocação de aparelhos corretivos ortodônticos nos dentes, que vai imprimir uma nova força craniana, podendo mudar todo o esquema muscular.

Possíveis Origens das Escolioses

Gostaria que todos olhassem para as escolioses de acordo com a visão osteopática nesse momento.

De acordo com a osteopatia, o corpo é feito de diversos sistemas interligados. Portanto, uma doença não afeta um órgão isolado, mas todo o organismo. Se a estrutura possui harmonia, não existe doença. Da mesma maneira, a doença sempre surge por causa de um distúrbio da estrutura.

Quando observamos o corpo humano devemos lembrar que ele possui uma incrível capacidade de autorregulação. Ele sempre está em busca do equilíbrio e da harmonia, algo que Still chamava de homeostasia. Para encontrá-la, o corpo realiza alterações no sistema miofáscioesquelético. Na visão osteopática de Still, eram as estruturas que determinavam as funções.

Para a osteopatia, existem diversas origens para as escolioses, como:

  1. Origens Viscerais: os órgãos não são simétricos e boa parte deles também não é mediano. Quando ocorrem problemas viscerais a coluna sofre forças de rotação e de inclinação para aliviar a compressão sobre as vísceras, o que gera a patologia que tratamos no Pilates para escoliose.
  2. Origens Neurológicas: a escoliose surgiria nesses casos através de um comprometimento tônico que altera as lógicas compensatórias das cadeias musculares. Nesses casos, o profissional do movimento pouco pode intervir, sendo responsável somente por aliviar os sintomas.
  3. Origens Musculares: as escolioses surgem na própria estrutura esquelética. Sua verdadeira origem seria uma auto regulação muscular em resposta a distúrbios de origem externa. Quando conseguimos tratar esses casos no início temos maior possibilidade de obter resultados positivos.
  4. Origens Cranianas: referem-se às deformações cranianas geradas muitas das vezes durante o parto, através de algum trauma craniano, ou ainda, no momento da correção dentária, pelas forças impostas a esse crânio.

Usando o Pilates para Escoliose de Maneira Eficiente

A primeira fase do tratamento usando Pilates para escoliose consiste na identificação das cadeias musculares que encontram-se tensionadas. Seu paciente terá uma série de compensações de movimento que precisamos corrigir.

Abaixo, deixo uma lista das cadeias musculares tensionadas com maior frequência em casos de escoliose:

  1. Cadeia de Flexão do Tronco: podemos usar exercícios como o Swimming para relaxar
  2. Cadeia Extensora do Tronco: podemos usar exercícios como o Monkey
  3. Cadeias de Flexão e Extensão: podemos usar exercícios como o Mermaid
  4. Cadeias Cruzadas: podemos usar exercícios como o Butterfly

Antes de realizar o relaxamento das cadeias musculares é importante identificar pontos de tensão nas fáscias existentes. Um exemplo é a fáscia toracolombar, que costuma possui pontos quando existe uma tensão excessiva na cadeia de flexão do tronco.

Se você identificar a tensão fascial, é preciso corrigi-la antes mesmo de começar o tratamento com exercícios. Você pode utilizar técnicas de flexibilização das cadeias musculares para esse objetivo.

Logos após realizar os movimentos de relaxamento, recomendo aplicar também exercícios para ativação dos músculos do tronco. Quem trabalha com Pilates sabe que não devemos permitir que o aluno saia da aula relaxado. Para isso, é possível usar exercícios como o Spine Twist.

Conclusão

Usar o Pilates para escoliose com eficiência depende muito da avaliação que o profissional realiza. Através dela é possível identificar as cadeias musculares tensionadas e outras compensações realizadas pelo corpo para manter o movimento e o conforto das vísceras.

Caso a origem da escoliose seja visceral, é importante recomendar também um médico especialista que possa realizar o diagnóstico e tratamento do problema. Sem resolver a causa visceral, dificilmente teremos alívio no quadro escoliótico do nosso paciente.

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