Como resultado dos problemas da marcha há uma maior incidência de lesões e quedas nessa população. A queda em especial é um problema comum e preocupante porque está relacionada ao aumento da morbidade e mortalidade na terceira idade.

Para entender como esses episódios são comuns, estima-se que entre 25% e 40% das quedas anuais aconteçam com idosos. Do total de quedas que afetam idosos, 6% causaram fraturas e 5% levam a outros tipos de lesões.

Depois de uma queda, a tendência é que o idoso volte a cair, tornando-se o que a literatura chama de caidores recorrentes. Cerca de 50% dos idosos que sofrem quedas voltam a cair posteriormente, o que aumenta a probabilidade de desenvolver lesões e fraturas graves.

Um grande agravante relacionado à queda durante a marcha em idosos é a osteoporose. Essa doença causa perda gradual de massa óssea, tornando os ossos mais frágeis e fáceis de fraturar. Mesmo uma queda pequena pode gerar uma fratura grave por conta da fragilidade das trabéculas ósseas.

Em muitos casos, as estruturas corporais não conseguem suportar a carga axial do corpo (massa corporal do indivíduo), e um exemplo disso, é que faz-se muito comum a fratura da cabeça do fêmur ocorrer espontaneamente, antes mesmo, da queda.

É comum indivíduos idosos apresentarem lesões ou problemas da coluna vertebral causados por micro lesões nas vértebras com osteoporose. Por isso, qualquer impacto nesses indivíduos é um possível causador de lesão. Lembrando aqui, que o maior número de fraturas em vértebras osteopênicas se dá durante o abdominal do tipo crunch.

Obviamente, um idoso que sofreu uma queda e consequentemente fratura ou lesão sofre com diversas consequências. A cinesiofobia é uma delas, o medo de sofrer uma nova queda faz com que o idoso se movimente menos, até mesmo andar pela sua própria casa. Pequenos fatores e diferenças de terreno são o suficiente para causar desequilíbrio.

O indivíduo torna-se extremamente dependente, por suas dificuldades para caminhar. Ele também deixa de praticar atividades físicas e se isola socialmente, aumentando as chances de desenvolver desequilíbrios psicológicos.

Alterações e Problemas da Marcha em Idosos

Cerca de 55% das quedas em idosos acontecem por conta de consequências da marcha. Para compreender como isso acontece, precisamos primeiro entender os fatores envolvidos na marcha.

Basicamente, essa é uma série de movimentos rítmicos que realizam a locomoção progressiva do corpo para a frente. Para isso, o corpo reage a forças externas através da ação de:

  • Músculos
  • Ossos
  • Ligamentos
  • Tendões
  • Cápsulas Articulares

Durante o processo de envelhecimento a pessoa costuma diminuir a velocidade da marcha. O grande culpado é a perda da capacidade de flexibilização e mobilidade do corpo.

Para manter-se mais estável, o idoso tende a manter uma passada menor e ficar por muito mais tempo na fase de duplo apoio, o que é extremamente perigoso, pois não tendo mobilidade, não consegue realizar seu reequilíbrio trazendo-o para dentro do polígono de sustentação.

Alguns indivíduos perdem parte de seu controle motor, o que leva a uma variação no tamanho das passadas e período do tempo de apoio duplo durante a marcha.

Um estudo com 52 idosos relatou que esse seria um fator de risco importante que aumenta a chance de quedas nos indivíduos idosos. Portanto, além de buscarmos melhorar a mobilidade articular e a flexibilidade muscular, também precisamos melhorar o controle motor e postural relacionado à marcha.

O envelhecimento também leva a alterações biomecânicas significativas. A perda de mobilidade está especialmente relacionada à probabilidade de quedas e lesões. Idosos caidores tendem a ter uma menor mobilidade de quadril ou tornozelo. Isso também aumenta as chances de desenvolver lesões ou patologias articulares.

A falta de mobilidade de tornozelo também está relacionada à perda de estabilidade.

A fraqueza muscular é outro evento que ocorre durante o envelhecimento e que prejudica, sendo um dos problemas da marcha. Idosos perdem força muscular e massa muscular conforme a idade avança. Assim, eles perdem a estabilização articular realizada por essas estruturas e têm maior dificuldade para se mover.

Na marcha, os músculos gastrocnêmio e sóleo estão entre os principais prejudicados. Essas musculaturas garantem estabilidade para o corpo durante todo o ciclo da marcha e também estão envolvidas na transferência de forças que impulsionam o corpo à frente.

Alterações Visuais em Idosos

Além de estarmos atentos aos problemas da marcha na terceira idade, também devemos ter em mente a probabilidade de alterações visuais nessa fase da vida.

Um idoso geralmente não é capaz de enxergar com tanta clareza quando um indivíduo jovem.

Isso faz com que ele tenha maior dificuldade de identificar obstáculos no seu caminho e realizar as compensações posturais necessárias para manter a estabilidade dinâmica.

Tratamento para Melhorar os Problemas da Marcha em Idosos

Ao contrário do que alguns pensam, idosos devem praticar atividades físicas para melhorar e garantir sua qualidade de vida. Muito de nosso tratamento estará focado em recuperar a independência, mobilidade e estabilidade do aluno na terceira idade.

Devemos utilizar exercícios que consigam melhorar seu controle postural e motor, permitindo realizar as alterações necessárias para prevenir quedas.

Além disso, o profissional do movimento deve identificar quais são as estruturas comprometidas e sem mobilidade no corpo do idoso. Depois de descobrir as disfunções, focamos em recuperar a mobilidade, que eventualmente proporcionará uma melhor marcha para o indivíduo.

O Pilates é um método excelente para trabalhar todas as habilidades que a terceira idade precisa. Sua prática está relacionada à melhora na força muscular, mobilidade e estabilidade, além de melhor equilíbrio e propriocepção.

Assim, o idoso consegue melhorar sua marcha, evitar quedas e recuperar a independência. Devemos ficar muito atentos também, a confusões mentais e disfunções da orientação espacial.

Conclusão

Conforme o corpo envelhece encontramos uma série de problemas da marcha, assim como outros.

A partir da quarta década de vida o indivíduo começa a perder massa e força muscular e a desenvolver problemas de controle motor e ajustes posturais. Inicialmente, essas alterações podem ser imperceptíveis, mas pessoas acima dos 60 anos as percebem bem.

Todas as alterações no corpo do idoso levam ao surgimento de problemas da marcha.

Indivíduos mais velhos têm maior dificuldade de andar, diminuindo a velocidade e tamanho da passada. Além disso, seus músculos não possuem força ou controle o suficiente para proporcionar a estabilização necessária para prevenir quedas.

Portanto, devemos sempre dar muita atenção aos nossos alunos idosos. Eles precisam da atividade física para melhorar sua vida cotidiana, ganhar independência, recuperar autoestima e melhorar sua vida social. Os exercícios utilizados em aula têm sempre como objetivo garantir essas melhorias para a vida do indivíduo e ainda prevenir lesões e fraturas.

Bibliografia
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