A compressão do nervo mediano leva à uma série de patologias do membro superior. Entre elas temos a Síndrome do Túnel do Carpo, que acontece quando existe lesão ou compressão do nervo a nível do punho.

A síndrome possui diversos sintomas como impossibilidade de opor e abduzir o polegar, dor e alterações de sensibilidade.

Apesar de ser uma síndrome comum, o diagnóstico não é tão simples quanto parece. Seus sintomas muitas vezes são similares a outras patologias relacionadas ao nervo mediano.

Por isso, devemos conhecer os testes específicos para a Síndrome do Túnel do Carpo e saber identificar o problema. Vamos lá?

Testes e Diagnóstico para Síndrome do Túnel do Carpo

Existem algumas possibilidades de testes para conseguir diagnosticar a Síndrome do Túnel do Carpo.

Entre eles, temos no teste de Phalen um dos mais sensíveis. Eles nos dá resultados positivos em mais ou menos 80% dos pacientes. O teste consiste em manter o punho em flexão completa de 30 a 60 segundos. Se o paciente realmente tiver Síndrome do Túnel do Carpo, nesse teste ele apresentará os sintomas.

Também existe o sinal de Tinal, que é obtido com a percursão leve aplicada na prega flexora do punho. Mas seu diagnóstico é questionado e pode render um grande número de resultados falso-positivos.

Um sinal positivo mais confiável geralmente vem da compressão da região do punho sobre a região do osso pisiforme. Essa compressão piora os sintomas da síndrome.

Também precisamos considerar outras patologias que podem levar à alterações nas mãos, incluindo dor e perda de sensibilidade. Entre elas, precisaremos realizar testes para identificar:

Deveremos considerar condições relacionadas a essas outras patologias na hora do diagnóstico. Conhecê-las é essencial para conseguir diferenciar a Síndrome do Túnel do Carpo.

Na Síndrome do Desfiladeiro Torácico, a compressão predominante acontece a nível de C8-T1. Por causa disso acontece comprometimento de músculos inervados pelo nervo ulnar. Também observamos evidências de comprometimento do nervo mediano.

Uma lesão do nervo mediano que aconteça na altura do cotovelo gera comprometimento dos músculos flexores longos do polegar, pronador quadrado e flexor profundo dos dedos.

Já na Síndrome de Quervain acontece tenossinovite dos tendões de músculos abdutor longo e extensor curto do polegar. Os sintomas geralmente aparecem ao realizar movimentos repetitivos. Sintomas incluem dor e hiperestesia no punho mais próximo ao polegar.

Um bom teste para identificar a Síndrome de Quervain é o teste de Finkelstein. Ele faz com que os sintomas fiquem mais intensos quando o polegar é abduzido de maneira passiva.

Tratamento da Síndrome do Túnel do Carpo

Técnicas de mobilização do sistema nervoso (MSN) são usadas para melhorar o movimento e a elasticidade perdida do sistema nervoso (SN). A intenção é auxiliar o paciente a conseguir recuperar suas funções normais.

A técnica tem o princípio de que a existência do comprometimento do sistema nervoso leva à disfunções próprias do SN ou estruturas musculoesqueléticas inervadas pelos nervos comprometidos. Síndromes que causam a compressão ou tensão neural adversas, como a Síndrome do Túnel do Carpo, são bons exemplos de disfunções.

Para conseguir tratar e restabelecer a biomecânica ou fisiologia adequada do nervo, seria utilizado o movimento ou tensão. Assim, o profissional conseguiria recuperar a extensibilidade e função do SN e estruturas comprometidas na patologia.

Porém devemos lembrar que o nervo está sofrendo por ser comprimido. A compressão pode vir das próprias fáscias ou tensões musculares, que são casos mais comuns.

Apesar da mobilização do sistema nervoso servir como bom método diagnóstico, suas manobras podem irritar o tecido nervoso. É preciso utilizá-las com cuidado para que consigam cumprir sua função de reduzir a tensão neural e contribuir para resolver o quadro de dor e sintomas.

Sistema Nervoso Central (SNC) e Periférico (SNP)

Para conseguir avaliar corretamente a Síndrome do Túnel do Carpo precisamos entender melhor o funcionamento do sistema nervoso. A literatura mais tradicional costuma dividi-lo em Sistema Nervoso Central (SNC) e Sistema Nervoso Periférico (SNP). Devemos considerá-los como uma unidade, os dois formam um tecido contínuo.

A continuidade dos sistemas se dá das seguintes maneiras:

  • Mecanicamente – Existe a transmissão de forças e de movimentos através dos envoltórios conectivos;
  • Eletricamente – Os impulsos gerados em uma parte do sistema nervoso atingem o restante;
  • Quimicamente – Neurotransmissores periféricos e centrais são os mesmos e acontece um fluxo axoplasmático de substâncias.

Essa é a estrutura com maior conectividade em todo o corpo humano. Portanto, quando acontece estresse sobre o sistema nervoso periférico, ele será transmitido para o SNC. O contrário também acontece, tensões no SNC atingem o SNP.

O SN é um tecido contínuo que possui propriedades elásticas. Ele consegue encurtar-se ou alongar-se para se adaptar aos movimentos do corpo. Essa adaptação acontece enquanto as estruturas do SN realizam sua importante função de transmitir impulsos.

Existe um termo para descrever os aspectos mecânico e fisiológicos do SN, a neurodinâmica. Quando o tecido neural possui neurodinâmica normal, ele terá propriedades mecânicas e fisiológicas sem alterações.

Teste de Tensão do Membro Superior 1 (ULTT1)

Esse é um teste utilizado para avaliar a tensão do plexo braquial.

Realizamos o teste com o paciente posicionado em decúbito dorsal. O profissional deve realizar força para deprimir a cintura escapular do paciente. Para melhorar a eficiência do teste a pessoa precisa manter a cintura escapular em rotação lateral e abdução glenoumeral.

O cotovelo fica em extensão com supinação de radioulnar e extensão de punho de dedos. Também é preciso manter inclinação da cervical para o lado oposto.

Essas são as respostas normais do teste ULTT1:

  1. Alongamento profundo ou dor na fossa cubital, estendendo para baixo nos aspectos anterior e radial do antebraço e para o lado radial da mão;
  2. Sensação de formigamento dos primeiros quatro dedos;
  3. Alongamento na área anterior do ombro;
  4. Quando há inclinação da cervical para o lado contrário ao testado, aumenta os sintomas;
  5. Quando há inclinação da cervical para o lado testado, há redução de 70% dos sintomas.

Kleinrensink realizou um estudo com cadáveres que colocou o membro superior em 22 posições diferentes.

Nelas mantinha-se o cotovelo em extensão total e o punho em posição neutra. Tudo que se alterava era a posição do ombro, que alterou a tensão do nervo mediano.

Assim, chegou-se à conclusão de que abduzir o ombro a 90º com extensão de cotovelo e punho aumenta a tensão proximal e distal do nervo mediano. Essa extensão do punho e flexão de cotovelo também causa aumenta da tensão na região distal do nervo.

As posições também aumentaram a tensão dos nervos radial e ulnar. Ou seja, conseguimos sim utilizar a mobilização neural como diagnóstico e tratamento para a síndrome do túnel do carpo. Isso só é possível se tudo for realizado com cautela.

Conclusão

Patologias relacionadas ao nervo mediano como a Síndrome do Túnel do Carpo exigem um tratamento cuidadoso.

Não basta prestar muita atenção na liberação da compressão do nervo e na região próxima ao retináculo. Precisamos perceber as alterações e sintomas de alteração de sensibilidade para encontrar regiões de tensão importantes.

Após encontrá-las é preciso eliminar a tensão através das liberações do músculo no local. Assim, conseguimos rastrear as tensões e relaxar os pontos gatilho.

 

Referências Bibliográficas
1 – Classificação neurofisiológica da Síndrome do Túnel do Carpo
Neurophysiological classification of the Carpal Tunnel Syndrome
Fabrício Nunes Carvalho; Armando Pereira Carneiro; Régis Resende Paulinelli; Tanise Nunes Carvalho
2 – LIGAMENTO DE STRUTHERS E PROCESSO SUPRACONDILAR DO ÚMERO: ESTUDO ANATÔMICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS
Edie Benedito Caetano, João José Sabongi Neto, Luiz Angelo Vieira, Maurício Ferreira Caetano, José Eduardo de Bona, Thais Mayor Simonatto
3 – MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO: avaliação e tratamento
Herculano Franco de Oliverira Junior, Áktor Hugo Teixeira
https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
4 – Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects.
Kleinrensink GJ1Stoeckart RMulder PGHoek GBroek TVleeming ASnijders CJ.
5 – Mobilization nervous system: assessment and treatment
Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury