Sabemos que a fáscia é uma parte do tecido conjuntivo que realiza a conexão entre diversas partes do corpo. É ela a responsável por transferir tensões musculares e desequilíbrios através das cadeias musculares e, portanto, está bastante relacionada com nossos pacientes em reabilitação. Trabalhar a fáscia na reabilitação nem sempre é tão intuitivo quanto parece. Por isso, selecionei 3 dicas essenciais que te ajudarão nesse trabalho. Continue lendo para conferir todas.

Alongamento lento e dinâmico

Como você alonga seu aluno? A maioria dos alunos só conhece um tipo de alongamento: o estático. Ele é realizado mantendo uma posição que leva ao estiramento do músculo por certo período de tempo. Minha sugestão para trabalhar a fáscia de maneira mais eficiente é adotar o alongamento dinâmico, que é mais fluido.

Um alongamento eficiente para trabalhar a fáscia na reabilitação é rápido, mas com movimentos fluidos. Porém, devemos lembrar que os tecidos miofasciais podem ser danificados quando passam por movimentos bruscos ou repentinos. Por isso, o aquecimento é essencial nas suas aulas.

Os alongamentos dinâmicos lentos devem ser utilizados para as cadeias miofasciais longas. Nada de alongar grupos isolados. Nós queremos é envolver as cadeias miofasciais mais longas sempre que possível nos movimentos.

Não conseguimos esse tipo de alongamento através dos métodos passivos, como acontece em um alongamento clássico, a Hatha Yoga Pose ou mesmo em um alongamento convencional. Para utilizar a fáscia na reabilitação ou treinamento esportivo é preciso utilizar movimentos multidirecionais com mudanças de ângulo pequenas.

É possível usar variações de movimento lateral, diagonal e até variações como rotações em espiral. Através desse tipo de alongamento é possível envolver grandes áreas da rede fascial simultaneamente.

O estímulo de tecidos tendinosos e aponeuróticos pode acontecer através de uma mistura de movimentos de estiramento e dinâmicos. Eles são semelhantes aos movimentos extensivos que ginastas rítmicos utilizam.

O alongamento dinâmico e rápido pode ser combinado com um contra-movimento preparatório, conforme descrito anteriormente. Por exemplo, ao esticar os flexores do quadril, um breve movimento para trás pode ser introduzido antes de alongar e alongar dinamicamente para a frente.

Refinamento proprioceptivo

No treinamento da fáscia na reabilitação é importante destacar a importância da propriocepção fascial. O próprio aluno deve compreendê-la e, para explicá-la, precisamos utilizar explicações racionais e componentes afetivos límbicos.

Um exemplo é o caso de Ian Waterman, que é bastante mencionado na literatura científica. Aos 19 anos eles contraiu uma infecção viral, fazendo com que desenvolvesse uma “neuropatia sensorial” abaixo da região do pescoço.

Essa é uma patologia rara na qual os nervos periféricos sensoriais são destruídos, mantendo os nervos motores completamente intactos. Os nervos periféricos sensoriais são responsáveis por fornecer o córtex somatomotor com informações sobre os movimentos do corpo.

Por causa de sua condição, o sr. Waterman conseguia se mover, mas era incapaz de sentir seus movimentos. Depois de algum tempo ele ficou virtualmente sem vida. Somente com uma vontade de ferro e anos de prática, ele finalmente conseguiu compensar essas sensações físicas normais, uma capacidade comumente aceita.

Refinamento e sua relação com Alongamentos

Ele o fez com um controle consciente que depende principalmente do feedback visual. Ele é atualmente a única pessoa conhecida com essa aflição, que é capaz de ficar de pé sem ajuda, além de poder caminhar (Cole, 1995).

Mas a forma como o sr. Waterman se move não é completamente inusitada. Encontramos mecanismos compensatórios similares em pacientes com dor crônica nas costas. Se estiver fazendo um programa de alongamento “clássico” com alongamentos estáticos ou ativos, ele pareceria normal.

Quanto ao alongamento dinâmico que faz parte do nosso treinamento fascial, ele claramente não é capaz, pois ele não tem a propriocepção necessária para uma boa coordenação.

Congruentemente, no treinamento de fascia proposto, um refinamento perceptivo dos movimentos de cisalhamento, deslizamento e tensão em membranas fasciais superficiais é encorajado. Para evitar um amortecimento tão sensorial, a idéia de experiências variadas e criativas torna-se importante.

Além dos alongamentos dinâmicos lentos e rápidos observados acima, além de utilizar propriedades de retrocesso elásticas, recomenda-se a inclusão de elementos de “refinamento fascial”. Neles são experimentadas diferentes qualidades de movimento, por exemplo, moção de demora extrema e micro-movimentos que podem até não ser visíveis para um observador, bem como grandes macromovimentos envolvendo todo o corpo.

Para este fim, pode não ser incomum colocar o corpo em posições desconhecidas enquanto trabalha com a consciência da gravidade, ou possivelmente através da exploração do peso de um parceiro de treinamento.

Trabalho com foam roller para fáscia na reabilitação

Já conhece os rolos de espuma especiais, como o foam roller, ou materiais similares para usar nas suas aulas? Tais materiais são úteis para induzir desidratação temporária do tecido esponjoso localizado. Como resultado, você consegue estimular hidratação renovada.

Não posso indicar uma receita padrão para aplicar com todos seus alunos. É necessário monitorar individualmente a firmeza do rolo e a aplicação do peso corporal.

Se aplicado corretamente e incluindo mudanças direcionais muito lentas e finamente sintonizadas, as forças do tecido e os benefícios potenciais podem ser semelhantes aos dos tratamentos de liberação miofascial manual (Chaudhry et al., 2008).

É possível que exista tecido fascial inibido ou dessensibilizado em locais mais escondidos do corpo. Esse tipo de estimulação para fáscia na reabilitação é ótima para estimular e os proprioceptores fasciais dessas regiões.

Outro fator importante que deve ser considerado no treinamento é a duração das fases de carregamento e liberação individuais. Atualmente, recomenda-se incluir no treinamento de corrida uma redução do ritmo através de intervalos curtos de caminhada.

Treinamento seguro

Existem motivos simples para essa recomendação. Sob tensão, o fluido é pressionado para fora dos tecidos fasciais. Assim, estes começam a funcionar de forma menor otimizada e perdem sua resistência elástica aos poucos.

Para manter o treinamento seguro é possível utilizar pequenas pausas de caminhada com uma duração aproximada de 3 minutos. Dessa maneira o tecido consegue reidratar-se parcialmente. Dependendo do nível de experiência do corredor, as quebras de reidratação podem ser mais espaçadas.

Os mais iniciantes podem realizá-las a cada 10 minutos, já os mais avançados com melhor consciência corporal conseguem ajustar os intervalos.

Para saber quando é o momento ideal de fazer a pausa, o corredor deve ficar atento ao movimento. Quando ele percebe um movimento mais amortecido e menos elástico é provável que está na hora de descansar.

Após o período de caminhada é possível perceber uma recuperação do movimento, indicando que o período de descanso foi adequado.

Conclusão

Trabalhar com a fáscia na reabilitação te dá diversas vantagens. A primeira é uma melhora nos resultados obtidos com o aluno ou paciente. Muitas vezes a liberação de tensões fasciais e o uso de alongamentos apropriados também auxilia a melhorar os movimentos e aliviar parcialmente a dor. Também conseguimos livrar alguns dos esquemas adaptativos adotados pelo corpo por causa do problema musculoesquelético.