Geralmente a capsulite adesiva começa com uma inflamação na cápsula articular. Essa inflamação pode acontecer por vários motivos, mas precisamos sempre lembrar que essa é uma patologia autoimune. Sendo assim, teremos diversas complicações relacionadas. E também ela pode se desenvolver sem um gatilho inflamatório.

Falando de uma doença autoimune como a capsulite adesiva, raramente conseguimos descobrir seu mecanismo de formação correto. Trabalhando com uma patologia altamente limitante como a capsulite, isso é uma limitação para o trabalho do profissional do movimento.

Podemos dividir a capsulite adesiva em 3 fases que são bastante distintas. Começamos pela faze quando se desencadeia a inflamação na cápsula. Portanto, a chamamos de fase inflamatória. Durante esse período a dor pode começar de forma suave. Em poucos dias essa fase evolui para uma dor aguda

Detalhe: o paciente sentirá dor em qualquer amplitude dos movimentos do ombro. Assim, a patologia fica diferente de outros problemas como:

  • Tendinites;
  • Síndromes do impacto;
  • Outras patologias do ombro.

Nas patologias que citei acima a dor costuma aparecer nos movimentos cima de 90º. A primeira fase da capsulite adesiva pode durar entre 8 e 10 meses. Apesar da articulação está muito dolorosa nos movimentos, a mobilidade continua preservada.

Depois que essa fase de dor passa encontraremos a fase da rigidez ou congelamento. Ela é caracterizada pela perda progressiva dos movimentos do ombro. Ao mesmo tempo a intensidade da dor diminui. A fase pode durar entre 12 e 18 meses.

Finalmente, chegamos na fase final, a do descongelamento. Sua duração não é bem especificada. Durante a fase do descongelamento, a amplitude dos movimentos melhora progressivamente até resolver o problema. Porém, boa parte dos pacientes apresenta sequelas no final do processo. É comum encontrarmos perda de 15 a 20% da amplitude dos movimentos.

Diagnóstico

diagnóstico da capsulite adesivaPreste muita atenção, essa doença é caracterizada por três fases bem diferentes, cada uma com sintomas próprios. Portanto, o tratamento também será distinto. Por isso o diagnóstico preciso e precoce é tão importante para descartar outras patologias ligadas a processos inflamatórios.

Só uma boa investigação clínica e perspicácia profissional conseguem fazer esse diagnóstico. Também precisaremos do apoio de exames de imagem como:

  • Radiografia (RX);
  • Ultrassonografia (USG);
  • Ressonância Nuclear Magnética (RNM).

Mas nenhum desses exames é decisivo para demonstrar alterações capsulares. Sua função é ajudar a descartar outras patologias que geram rigidez no ombro e inflamação.

Tratamento da capsulite adesiva

Geralmente, tratamos a capsulite adesiva de maneira conservadora. Como falei anteriormente, teremos um tratamento diferente para cada fase da patologia.

Lembrando que a capsulite adesiva é uma patologia autoimune e autolimitada. Assim, o tratamento conservador está baseado no alívio do desconforto que cada uma das fases traz. Ou seja, não focaremos na cura da patologia, deixaremos que siga seu curso até a resolução do problema. Isso pode levar até 24 meses.

Em geral, o tratamento acontece da seguinte maneira:

  • Fase inflamatória: alivio da dor
  • Fase da rigidez: ganho de mobilidade, ou evitar, o máximo possível, a perda de mobilidade, que haverá.
  • Fase do descongelamento: nessa fase trabalharemos em cima das limitações que restam, ganho de forca e na devolução da funcionalidade.

Precisamos tratar cada fase da doença de acordo com os objetivos que citei acima. Uma revisão sistêmica de Jain e Sharma mostrou que o tratamento da capsulite adesiva ainda é desafiador para nós, profissionais do movimento. Mas os autores revisaram as melhores evidências para intervenções fisioterápicas.

A revisão chegou a diversas conclusões. Percebeu-se que exercícios terapêuticos feitos através de mobilização ajudam a:

  • Aliviar a dor;
  • Melhorar a amplitude de movimento em pacientes no 2º ou 3º estágio da capsulite adesiva.

Outras conclusões mostram que:

  • A terapia a laser de baixo nível pode ser aliada para o alívio da dor. Ela também ajuda para a melhora da função, mas não e capaz de melhorar a amplitude de movimento.
  • A acupuntura associada aos exercícios terapêuticos é moderadamente recomendada para alívio da dor, melhorando a amplitude de movimento e função.
  • A eletroterapia pode ajudar a proporcionar alívio da dor a curto prazo. O movimento passivo contínuo é recomendado para alívio da dor a curto prazo, mas não para melhorar a amplitude de movimento, tão pouco, a função.
  • O calor profundo pode ser usado para aliviar a dor e melhorar a amplitude de movimento se associado a exercícios passivos na fase 1 da patologia.
  • O movimento passivo contínuo é recomendado para alívio da dor a curto prazo, mas não e capaz de melhorar a amplitude de movimento ou a função.
  • O ultra-som para alívio da dor não é recomendado.
  • A eletroterapia pode ajudar a proporcionar alívio da dor a curto prazo.
  • O movimento passivo contínuo é recomendado para alívio da dor a curto prazo, mas não para melhorar a amplitude de movimento ou a função.

Conclusão

Muitos profissionais do movimento ficam desestabilizados quando encontram perda de funcionalidade do ombro no paciente. Porém, esse é um erro muito grave no tratamento da capsulite adesiva.

Precisamos manter o foco em cada fase para conseguir tratar a capsulite apropriadamente. Lembrando que sempre devemos respeitar o curso natural da patologia. Durante a fase da rigidez, por exemplo, de nada adianta forçar o alongamento ao máximo. Isso só trará desconforto para o nosso aluno que pode, inclusive, desenvolver outras lesões. A perda da amplitude de movimento acontecerá de qualquer maneira, não conseguimos evita-la.

Exagerar nos desconfortáveis alongamentos na fase inflamatória não evita a perda da funcionalidade. O objetivo nessa fase sempre é o de melhorar a dor, sendo eficaz:

  • Liberações miofasciais;
  • Acupuntura;
  • Crioterapia;
  • Exercícios de mobilização;
  • Eletroterapia;
  • Outros.

Outro ponto importante que vale a pena lembrar é o papel do próprio paciente no tratamento. Devemos ajudá-lo a entender e participar do curso natural da doença, que é inevitável. A paciência é o melhor tratamento para a capsulite adesiva. Saiba que tanto o paciente quanto o profissional precisarão dessa característica tão importante.

Quer saber mais sobre a capsulite adesiva, seus mecanismos de formação e tratamento? Confira meu artigo completo nesse link para aprender mais.