A hérnia de disco acontece quando a parte central do disco intervertebral (núcleo pulposo) se desloca para além de seus limites normais. Ou seja, o núcleo passa da parte externa do disco, do anel fibroso.

O disco intervertebral é uma placa de cartilagem que ajuda a amortecer o contato entre os corpos vertebrais. A cartilagem sofre lesões depois de traumatismos, esses eventos podem ser:

  • Quedas;
  • Acidentes de automóvel;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamento de músculos;
  • Outros.

O trauma exerce uma compressão das raízes nervosas e leva a perda de sensibilidade (parestesia ou anestesia) na altura do dermátomo correspondente. Dependendo da altura da hérnia de disco encontraremos no aluno perda de força muscular e alteração do trofismo muscular. Ou seja, as consequências de uma hérnia de disco são bastante graves e não devem ser ignoradas.

Tipos de hérnia de disco

tipos de tratamento da hérnia de disco

Podemos encontrar os seguintes tipos de hérnia de disco:

  • Hérnia de disco protrusaé o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusaquando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma ‘gota’;
  • Hérnia de disco sequestradaquando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Nem todos os alunos que parecem apresentar uma hérnia de disco realmente as possuem. Se os sintomas não foram fidedignos à descrição que fiz anteriormente ele terá uma falsa hérnia. De acordo com Leopold Busquet, ao redor de 95% dos casos diagnosticados nos consultórios como hérnias de disco na verdade são do tipo falso. Eles apresentam o quadro incompleto de sintomas. Só 5% dos casos são hérnias de disco, eles são mais graves e também precisam de intervenção cirúrgica para o tratamento.

Sintomas de falsas hérnias de disco

sintoma das falsas hérnias de discoA dor intensa no local da hérnia é o principal sintoma da hérnia de disco. Ela também pode gerar sintomas secundários de acordo com o tipo. A hérnia falsa na região cervical causa dor na nuca e no pescoço. O paciente também sente dificuldade para realizar movimentos da cervical e membros superiores. Alguns também apresentam parestesia de membros superiores.

Já uma falsa hérnia lombar gera dor lombar combinada a dificuldades de movimento e parestesia que acontece devido a compressão do nervo ciático.

Pacientes que sofrem com hérnia de disco sentem uma piora na dor durante algumas ações rotineiras, como:

  • Tosse;
  • Riso;
  • Espirro;
  • Evacuação.

Áreas com pouca mobilidade raramente apresentam hérnias de disco. Por isso as curvas cifóticas da coluna pouco são afetadas pelo problema. Em geral, é mais comum encontrar hérnias de disco torácicas em pacientes com colunas muito retificadas.

Causas

causas e tratamento da hérnia de discoAo longo dos meus estudos a respeito do movimento comecei a perceber algo: uma das principais causas da hernia de disco é a própria falta de movimento. Pode parecer um pouco paradoxal considerando que as regiões menos móveis da coluna desenvolvem um número bem menor de hérnias. Porém, vendo tudo com uma visão global faz bastante sentido.

A vida moderna é fácil e incentiva os indivíduos a passar horas e horas sentados, imóveis. Assim, o corpo cria rigidez e falta de movimento, que geram:

  • Limitações articulares;
  • Fraquezas musculares;
  • Sobrecarrego do sistema musculoesquelético por pressões para as quais ele não foi projetado.

O primeiro aviso aviso de que algo está errado vem em um episódio de dor lombar. Ele acontece aproximadamente 10 anos antes do surgimento de uma falsa hérnia. A dor lombar é praticamente o corpo fazendo um pedido de ajuda. Ele quer movimento, correção das disfunções mecânicas que estão causando a dor e eventualmente causarão a hérnia.

Caso a pessoa perceba esse pedido de socorro e busque ajude para corrigir seus movimentos a dor desaparecerá. Mas o mais comum é se automedicar com um relaxante muscular ou analgésico. Ou seja, os desequilíbrios musculares e a falta de movimento continuam presentes.

Essas alterações mecânicas geram pressão sobre os discos intervertebrais constantemente. Mesmo à noite, quando o estado de hidrofilia tenta repor a água perdida pelos discos no dia, a falta de relaxamento das cadeias musculares os impede.

Depois de mais ou menos 10 anos sofrendo com esses desequilíbrios que causaram a dor lombar inicial o disco não resiste. É nessa hora que acontece a hérnia de disco. É exatamente isso que acontece quando impomos a imobilidade a colunas que foram criadas para realizar movimentos.

Tratamento da hérnia de disco

 

Considerando que a falta de mobilidade foi a causa da hérnia de disco só existe uma maneira de tratar: devolvendo a mobilidade perdida.

Sei que logo no início do tratamento o aluno herniado tem muito medo de se mover. É completamente compreensível. Ele passou meses, quando não anos, sentindo dor sempre que realizava certos movimentos. O médico ainda o assustou em relação a sua hérnia de disco, deixando-o temeroso.

Mas não é com falta de movimento que conseguimos resolver um problema que surgiu dessa maneira. Percam o medo de mobilizar seus alunos herniados, mesmo que eles próprio tenham bastante medo. O profissional do movimento tem o papel de orientá-los sobre a reabilitação e quebrar esse paradigma tão comum da hérnia de disco.

Core no tratamento da hérnia de disco

Eyal Lederman diz que o princípio da estabilidade do núcleo ganhou ampla aceitação como reabilitação e prevenção de lesões e condições músculo-esqueléticas.

O autor percebeu que surpreendentemente existem poucas críticas dessa abordagem atualizada. Lederman já indagava sobre a importância de não tornarmos as colunas rígidas demais por excesso de ativação do Core.

Durante muito tempo acreditou-se que um Core forte seria a solução para dores lombares independente da origem. Lederman segue dizendo que o transverso do abdômen tem várias funções na manutenção da postura ereta.

Ele atua no controle da pressão da cavidade abdominal para as funções de fonação, respiração defecação, vômito, etc. Ele também forma a parede posterior do canal inguinal atuando como válvula e impedindo a herniação das vísceras por esse canal.

Na gravidez esse músculo é excessivamente alongado e devido a curva comprimento-tensão perde força. Sua capacidade de estabilização fica dissipada durante esse período.

Mas nem todas as mulheres grávidas apresentam dores lombares, apesar de perder a ação do principal músculo estabilizador. Lederman também faz esse questionamento.

O próprio Paul Hodges, criador do Powerhouse baseado nos estudos de Panjabi, admite em suas pesquisas atuais os efeitos do excesso de contração do Powerhouse. Ele gera um alto custo para o nosso corpo, que não possui somente um músculo estabilizador.

O que existe é um conjunto de músculos que devem trabalhar em sintonia, contraindo-se o músculo certo, na hora certa e com a força certa. No caso de uma sintonia ruim poderemos gerar um aumento importante na pressão intracavitária (PIA).

Outro estudo diz que o treinamento de estabilidade leva a um melhor equilíbrio e controle neuromuscular. Com ele é possível prevenir lesões nas articulações do joelho e do tornozelo, além de servir para tratar dor lombar.

Porém, esse trabalho de estabilidade de núcleo jamais pode deixar nossas colunas vertebrais rígidas demais. Sabemos que as colunas do tipo funcional estático são menos móveis e com um equilíbrio mais precário.

Conclusão

Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado, e das consequências do aumento da PIA, porem devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.