O assoalho pélvico

assoalho pélvico e ginástica hipopressivaO assoalho pélvico é um conjunto de partes moles que fecham a pelve. Ele é formado por:

  • Músculos;
  • Ligamentos;
  • Fáscias.

O assoalho pélvico é de extrema importância para o Pilates devido a suas funções. Ele deve sustentar e suspender os órgãos pélvicos mantendo a continência urinária e fecal.

Os músculos do assoalho pélvico também participam da função sexual e distendem-se em sua porção máxima na passagem do produto conceptual. (OLIVEIRA & LOPES, 2006).

Músculos do assoalho pélvico

Os músculos do assoalho pélvico são constituídos de 70% de fibras do tipo I (fibras de contração lenta) e 30% de fibras do tipo II (fibras de contração rápida).

Preste muita atenção nas fibras do tipo I. Elas são responsáveis pela ação antigravitacional dos músculos do assoalho pélvico. São elas que mantém o tônus constante e também mantém a continência no repouso.

As do tipo II são recrutadas durante aumento súbito da pressão abdominal contribuindo assim para o aumento da pressão de fechamento uretral (CAMARRÃO et al., 2003; ZANATTA & FRARE, 2003; OLIVEIRA & LOPES, 2006).

A musculatura do assoalho pélvico (MAP), também chamada de diafragma pélvico, é composta de diversos músculos que funcionam como um grupo, com os objetivos de manutenção da continência urinária e fecal e do posicionamento dos órgãos pélvicos na localização correta. Estes músculos atuam em conjunto com diversas estruturas, como as fáscias, os ligamentos e os nervos, e sua ação é coordenada por um sistema neuromuscular integrado.

Além das estruturas estáticas do tecido conjuntivo, outras estruturas também contribuem para o funcionamento da MAP. Os músculos da parede abdominal e o diafragma respiratório atuam em sinergismo ao assoalho pélvico e formam uma espécie de cápsula denominada “core abdominal”.

Estes músculos funcionam promovendo estabilidade e continência durante mudanças de pressão intra-abdominal, que ocorrem, por exemplo, durante a respiração, a tosse, as mudanças posturais e a movimentação dos membros. Desta forma, a respiração, a continência e o controle postural funcionam de forma integrada: se um deles está deficiente, acarretará sobrecarga em outro.

Desde que o homem evoluiu para a postura ereta, a musculatura perineal se tornou responsável pelo suporte dos órgãos pélvicos, das variações de pressão e da pressão intra-abdominal (PIA).

Disfunções urinárias e assoalho pélvico

tratamento da incontinência urinária com hipopressiva

Como resultado de sua localização anatômica e das características de suas fibras, o músculo levantador do ânus (LA) foi funcionalmente adaptado para suportar longos períodos de contração tônica.

Concomitante com este papel, a função esfincteriana é exercida por ele, sempre que há aumento da demanda pressórica durante a micção, evacuação e parturição. Numa mulher ereta, os músculos do LA se posicionam paralelamente ao assoalho, podendo resistir à força da gravidade; sua atividade aumenta reflexamente em resposta a manobras que aumentem a pressão intra-abdominal.

Além disso, com o aumento da população idosa, sintomas de frouxidão muscular do assoalho pélvico (AP) sofreram acréscimo significativo. Geralmente essa frouxidão é acompanhada do desenvolvimento de disfunções urogenitais, necessitando de abordagem clínica e científica.

A disfunção do assoalho pélvico feminino é condição clínica que acomete número crescente de mulheres a cada ano, tendo como consequência a incontinência urinária e fecal, distopias genitais, anormalidades do trato urinário inferior, procidências retais, disfunções sexuais, dor pélvica crônica e problemas menstruais, dentre outras. (Rev Bras Ginecol Obstet. 2005; 27(4): 210-5)

O tipo mais frequente é a incontinência urinária de esforço, conceituada pela perda involuntária de urina sem a contração do músculo detrusor. Ela ocorre quando a pressão intravesical ultrapassa a pressão na luz da uretra, através de uma falha do seu mecanismo de oclusão.

Ela acontece quando há um aumento da pressão intra-abdominal, como no exercício físico, tosse ou espirro, que pode predispor à fraqueza perineal. Dessa forma, a musculatura do assoalho pélvico assume papel relevante no mecanismo da continência urinária, pois é fundamental na manutenção do suporte anatômico e da pressão intra-uretral.

Tratamento de disfunções urinárias

A Fisioterapia, atualmente, é considerada um tratamento de primeira linha para a IU. Os resultados encontrados com esse método de reabilitação são vantajosos em relação à cirurgia, por ser conservadora, pouco invasiva, com baixo índice de efeitos colaterais e custo reduzido.

Técnicas cada vez menos invasivas vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos, dentre elas encontra-se a Ginástica Abdominal Hipopressiva (GAH). A ginástica hipopressiva é um conjunto de posturas associadas a movimentos respiratórios que provocam uma queda na pressão intra-abdominal, ativação sinérgica de músculos do pavimento pélvico e músculos abdominais, especialmente o transverso abdominal.

A ativação desse músculo pode coativar a musculatura perineal. Em longo prazo, leva ao aumento no tônus do assoalho pélvico e músculos abdominais, diminuindo significativamente o risco de perda urinária.

Além disso, a GAH pode ser definida como uma técnica postural, pois realiza uma ativação dos diferentes grupos musculoesqueléticos, que são antagonistas do diafragma do ponto de vista postural.

(1.Efeitos da ginástica abdominal hipopressiva sobre a musculatura pélvica em mulheres incontinentes Effects of abdominal hipopressive gymnastics on the pelvic muscle in incontinent women Maiara Guerra Valente,1 Ariane Bôlla Freire,1 Amanda Albiero Real,1 Nathália Mezadri Pozzebon, Melissa Medeiros Braz,1 Patricia Xavier Hommerding1 1 Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.)

Conclusão

A musculatura do assoalho pélvico tem um papel importante na continência. Vemos que em pacientes incontinentes é comum encontrar frouxidão nessa musculatura.

A ginástica hipopressiva é uma maneira de realizar um tratamento não invasivo nessas pacientes. Sua grande vantagem é de aliar a ativação das musculaturas do assoalho pélvico, além de diminuir a pressão intra abdominal. Comece hoje mesmo a usar essa técnica completa para fazer o tratamento da incontinência urinária.