Diferentemente do que muitos pensam, a fibromialgia não causa qualquer alteração musculoesquelética, porém leva ao surgimento de dor e desconforto imenso para o paciente. Considerando esse enigma, precisamos nos perguntar: qual será a melhor maneira de fazer o tratamento de fibromialgia?

Muito se fala a respeito de fibromialgia nos veículos de comunicação. É a doença que fez a cantora Lady Gaga cancelar diversos shows em 2017 e, também, é um tipo de enigma que intriga o público. No artigo de hoje discutiremos um pouco a respeito do uso do Pilates para esse tratamento. Continue lendo para descobrir mais!

O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma doença musculoesquelética de acordo com a classificação da COPCORD (Community Oriented Program for Control of Rheumatic Disease). Ela é uma doença generalizada e difusa caracterizada por dores migratórias e também excesso de sensibilidade do paciente.

Alguém com fibromialgia pode sentir desconforto por causa de esforços físicos, estresse e até ruídos. Entre 2% e 4% dos adultos são afetados pela doença, sendo a maioria deles mulheres.

Esses pacientes passam por períodos de calma nos quais os sintomas da fibromialgia estão ausentes ou são leves. Eles são alternados com períodos de crise, com a presença dos sintomas. A dor e o desconforto são instáveis e podem surgir a qualquer momento.

Apesar de existir literatura falando a respeito da doença, não existe ainda uma causa definida para a fibromialgia. Estima-se que as alterações de sensibilidade à dor surgem por causa de alterações em neurotransmissores. Portanto, pacientes fibromiálgicos teriam alterações no sistema nervoso periférico e central, maior sensibilização periférica e central.

Consequências da fibromialgia

Quando o indivíduo está estressado ele tende a sofrer com uma piora dos sintomas. Estresse, preocupação e ansiedade aumentam a tensão psicológica, e o sistema límbico a transferem para músculos, causando dor, através de uma eferência do Sistema Nervoso Simpático.

Além de dor, o paciente pode sentir:

  • Queimações;
  • Sensação de parestesia;
  • Tremor;
  • Sudação;
  • Sensação de rigidez de articulações e músculos.

Existem alguns fatores que pioram as dores e sintomas da doença. Eles são:

  • Frio;
  • Alterações do sono;
  • Períodos de estresse;
  • Preocupação;
  • Angústia.

Coincidentemente, boa parte dos pacientes apresentam alterações do sono como insônia, sono fragmentado e sono não reparador. Os indivíduos fibromiálgicos têm dificuldade de atingir a fase profunda de sono (REM) por causa de momentos de atividade cerebral intensa durante o sono. Por isso, eles geralmente encontram-se cansados e têm dificuldade de aderir a um programa de treinamento físico.

A fadiga física é combinada com sintomas psicológicos, como falta de vontade para realizar tarefas diárias, menor concentração, déficit de memória e distração fácil.

Indivíduos fibromiálgicos também podem apresentar:

  • Intolerância ao frio e/ou ao calor;
  • Síndrome colón irritável;
  • Enxaqueca ou cefaleia de tensão;
  • Dores menstruais;
  • Disfunção da articulação temporomandibular;
  • Bexiga hiperativa;
  • Depressão.

Como acontece o diagnóstico da fibromialgia?

Essa patologia é difícil de identificar, por isso seu diagnóstico acontece principalmente por exclusão. Quando o paciente relata excesso de dor e sensibilidade, mas não possui alterações em exames podemos imaginar que é um caso de fibromialgia. Também é importante analisar seu histórico médico e identificar 12 a 18 pontos dolorosos.

Relacionar a dor a outros sintomas da doença ajuda a identificar o caso com mais clareza. Portanto, fique atento a evidências de alterações no sono, fadiga em excesso e instabilidade emocional.

Depois de diagnostica, começaremos o tratamento de fibromialgia, que tem como objetivo:

  • Aliviar a dor;
  • Diminuir a ansiedade;
  • Obter melhoras no sono;
  • Recuperar a qualidade de vida.

Durante o tratamento precisamos recuperar a independência do paciente e fazer com que ele retorne a suas atividades sociais, físicas e familiares. Precisamos sempre lembrar que essa é uma doença que não gera deformações ou comprometimentos articulares. Da mesma maneira, ela não compromete órgãos internos. Porém, afeta muito sua qualidade de vida.

Por que usar Pilates no tratamento de fibromialgia?

A atividade física já é considerada como uma opção para tratamento de fibromialgia importante. Uma revisão bibliográfica que realizei em outro artigo a respeito do assunto mostrou que programas de intervenção com atividades físicas conseguiram redução de dor em 10% a 44,2% dos pacientes.

Os exercícios utilizados nesses estudos variam indo desde dança até aulas de alongamento. De qualquer maneira, é possível observar o benefício que o movimento traz para pacientes com o problema. Ele consegue melhorar a qualidade de vida do indivíduo através da diminuição da dor e até algumas melhoras psicológicas, por conta da ativação parassimpática gerada pela atividade física.

Enquanto esses pacientes podem encontrar dificuldade para realizar exercícios aeróbicos mais intensos, porem necessários, o Pilates pode ser adaptado para suas necessidades. Além disso, o Método consegue melhora a respiração, e o princípio da concentração, acessa o SN desses pacientes de maneira significativa.

Pacientes com fibromialgia frequentemente apresentam problemas posturais e assimetria muscular. Isso acontece porque os desequilíbrios no sistema nervoso periférico e central podem influenciar no sistema de controle postural.

Imagino que você já sabe qual modalidade de atividade física consegue ajudar na melhora do controle postural. O Pilates, é claro

Conclusão

A fibromialgia é uma patologia extremamente complexa e que envolve diversos fatores. Por isso, o tratamento de fibromialgia deve ser feito com uma equipe multidisciplinar que proporcione auxílio para o paciente em todas as esferas de sua vida. Precisamos unir forças com profissionais da nutrição, psicologia, entre outros.

Em questão de exercícios, o Pilates é bastante eficiente e pode fazer parte de um protocolo de tratamento de fibromialgia. Para obter melhores resultados é interessante combinar o treinamento de força proporcionado pelo método a uma atividade aeróbica. Essa combinação consegue auxiliar na diminuição da dor e de pontos sensíveis no corpo do paciente.

O paciente precisa compreender sua situação e os malefícios que a imobilidade pode lhe causar. Já te adianto que será difícil e lento a princípio. Por causa das limitações causadas pela dor passamos boa parte da nossa aula aliviando tensões musculares, relaxando e alongando musculares. Pelo menos, é assim no começo.

Conforme o aluno evolui ele consegue realizar mais exercícios e sente menos desconforto durante nossa aula. Isso nos mostra que os resultados estão sendo eficientes para a melhora desse aluno.