A espondilite anquilosante é um tipo de inflamação que afeta os tecidos conjuntivos, caracterizando-se pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões.

Embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas – inflamação e dor – estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

A Espondilite Anquilosante foi provavelmente reconhecida inicialmente como uma doença diferente da artrite reumatoide e foi reconhecida por Galeno no segundo século (d.C.).

Evidências sobre Espondilite Anquilosante

De qualquer forma, evidências esqueléticas da doença, ossificação das articulações, êntesis, envolvendo primariamente o esqueleto axial, conhecido como coluna em bambu, foram vistas no esqueleto de um homem, com mais de 5000 anos encontrado em escavações arqueológicas egípcias.

O anatomista e cirurgião Realdo Colombo descreveu o que pode ter sido um caso de espondilite anquilosante em 1559, mas a primeira descrição de alterações patológicas do esqueleto, provavelmente associada a espondilite anquilosante, foi publicada em 1691, por Bernard Connor.

Em 1818, Benjamin Brodie se tornou o primeiro médico a documentar um paciente com espondilite anquilosante associada à uveíte.

Em 1858, David Tucker publicou um publicou um pequeno livro, que descrevia um paciente de nome Leonard Trask, sofrendo de dor lombar e deformidade, o qual parece ter sido a primeira publicação de um caso típico de espondilite anquilosante.

Em 1833, Trask caiu de um cavalo e exacerbou sua condição clinica dolorosa, resultando em severa deformidade.

Em 1893, o neurofisiologista Wladimir Bechterev, Adolph Strumpell na Alemanha em 1897 e Pierre Marie da França em 1898, foram os primeiros a fornecerem adequadas descrições clinicas. Essas permitiram uma melhor acurácia de diagnóstico de EA, antes que as deformidades da coluna pudessem ser evidentes nos pacientes.

Por esta razão a EA é conhecida também como doença de Bechterew, ou doença de Marie-Strumpel.

A ligação da Espondilite Anquilosante com o antígeno HLA – B27, foi descrita em 1973, por Brewerton, e o termo espondilartrites foi estabelecida em 1974, por Moll e Wright, dois pesquisadores ingleses. Atualmente o termo espondilartropatias foi substituído de forma mais adequada por espondilastrites.

Exemplo de Radiografia de Paciente com Espondilite Anquilosante

  • Homem
  • 36 anos
  • Branco
  • Auxiliar de Serviços Gerais

HMA: AGO/11 – Há 5 anos, dor lombar de ritmo inflamatório, evolução ascendente.

História Familiar: Negativa

HLA: B27 Positivo

BASDAI = 3,8

ASDAS – VHS 2,3

ASDAS – PCR 3,2

O que causa a Espondilite Anquilosante?

A causa da Espondilite Anquilosante é desconhecida.

Os especialistas sabem que a doença é cerca de 300 vezes mais frequente em pessoas que herdam um determinado grupo sanguíneo dos glóbulos brancos, quando comparadas com aquelas que não possuem esse marcador genético, denominado HLA-B27.

Cerca de 90% dos pacientes brancos com espondilite anquilosante são HLA-B27 positivos.

A teoria mais aceita é a de que a doença possa ser desencadeada por uma infecção intestinal naquelas pessoas geneticamente predispostas a desenvolvê-las, ou seja, portadoras do HLA-B27. A espondilite anquilosante não é transmitida por contágio ou por transfusão sanguínea.

Ela tende a ocorrer em famílias, afeta 3x mais os homens do que as mulheres e surge normalmente entre os 20 e 40 anos. Cerca de 20% dos indivíduos com HLA-B27 terão espondilite anquilosante, embora a maioria nunca será diagnosticada como tendo a doença, pois ela se apresentará de forma branda.

Como o HLA-B27 está presente em 7% a 10% da população, pouco mais de um em cem indivíduos apresentará a doença.

A manifestação inicial é dor lombar, que persiste por mais de três meses (normalmente abranda com o movimento, e aumenta com o repouso). Esta dor pode irradiar para as pernas e estar associada a uma rigidez matinal, assim como pode desaparecer espontaneamente e voltar depois de algum tempo.

Outros sintomas são o comprometimento progressivo da mobilidade da coluna (perda de mobilidade\rigidez da articulação), da expansão dos pulmões e aumento da curvatura da coluna na região dorsal.

Com a evolução da doença, a tendência é a dor tornar-se mais intensa, especialmente à noite. Apesar da evolução ser variável, muitas vezes origina, para além das dores, deformidades fixas e irreversíveis da coluna vertebral e das articulações coxofemorais, causando incapacidade funcional grave e limitativa precocemente.

O diagnóstico leva em conta os sinais e sintomas, os resultados de exames laboratoriais de sangue e os achados radiográficos nas articulações da região sacro-ilíaca.

O diagnóstico precoce é de extrema importância para evitar a progressão da doença e suas complicações, e para tal existem métodos complementares que auxiliam no diagnóstico:

  • Hemograma
  • VS
  • PCR
  • ANA
  • Fatores Reumatóides (HLA-B27)
  • RX
  • IG’s
  • Entre Outros

Além da dor, a espondilite às vezes vem acompanhada de outros sintomas. A pessoa pode ter inflamações em outros lugares, como nos olhos, que ficam constantemente vermelhos, uma situação chamada de uveíte, ou manifestar a colite, quando há alterações no intestino que provocam diarreia, constipação e flatulências.

Outra manifestação que frequentemente anda junto com essa enfermidade é a psoríase, um problema de pele por trás de placas que descascam e coçam. Se esses indícios se acumulam, um reumatologista, que é o médico mais indicado para tratar a espondilite anquilosante.

Manifestações da Espondilite Anquilosante

Outras Articulações

Inflamação das articulações dos quadris, ombros, joelhos e tornozelos são as partes afetadas com maior frequência. O efeito nessas articulações é similar àquele na coluna. Pode haver um período de dor, talvez até com a ocorrência de algum inchaço, porém o tratamento alivia os sintomas.

Ossos

Algumas vezes, ocorrem locais sensíveis ou dolorosos em ossos que não fazem parte da coluna, como o osso do calcanhar, tornando- -se desconfortável ficar em pé em chão duro, e o osso ísquio, tornando o quadril rígido muito desagradável.

Olhos

Uveíte ou irite – inflamação da região colorida do olho (íris) ocorre em um a cada sete pacientes.

Os pacientes apresentam olhos avermelhados e doloridos, o que deve ser reportado ao médico o mais rapidamente possível, pois pode ocorrer um dano permanente. Se não houver um médico à disposição, deve-se ir diretamente para um hospital que possua um pronto socorro ou um departamento de oftalmologia.

Coração, Pulmão e Sistema Nervoso Central

São complicações raras, afetando menos de um entre 100 pacientes.

A inflamação pode afetar as válvulas do coração, as articulações ou os discos entre as vértebras, podendo assim comprimir um nervo ou a medula óssea, causando dormências, fraqueza muscular ou dores.

O pulmão raramente é diretamente afetado por uma fibrose na sua parte superior. Ele pode ser indiretamente comprometido pela diminuição da expansibilidade da caixa torácica causada pela espondilite anquilosante. Portanto, o paciente espondilítico nunca deverá fumar.

Pele

Psoríase, uma condição inflamatória comum da pele, caracterizada por episódios frequentes de vermelhidão, coceira e presença de escamas prateadas, secas e espessas, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

Intestino

A colite, ou inflamação do intestino, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

Para a confirmação diagnóstica da EA, os critérios mais utilizados são os que combinam critérios clínicos e radiográficos. Assim, para o diagnóstico de EA é necessária a presença de um critério clínico e um critério radiográfico.

Os critérios clínicos são:

  1. Dor lombar de mais de três meses de duração que melhora com o exercício e não é aliviada pelo repouso;
  2. Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital;
  3. Expansibilidade torácica diminuída (corrigida para idade e sexo).

Os critérios radiográficos são:

  1. Sacroiliíte bilateral, grau 2, 3 ou 4;
  2. Sacroiliíte unilateral, grau 3 ou 4.

Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2012), embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas (inflamação e dor), estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

Os pacientes com espondilite anquilosante costumam relatar problemas de dor, rigidez, fadiga, perda de movimentos e função, sintomas esses, que são tratados usualmente pela fisioterapia, que dispões de vários recursos para isso.

Novo Medicamento apresentado em Congresso Europeu

No EULAR Congresso Europeu de Reumatologia 2018 (Holanda), foi apresentado o Bimekizumabe mostrando melhorias clínicas de 12 semanas em estudos com espondilite anquilosante

Espondilite Novo Medicamento apresentado em Congresso Europeu

A dupla neutralização da interleucina (IL) -17A e IL-17F pelo anticorpo monoclonal humanizado bimekizumab forneceu melhorias clinicamente significativas nas medidas de desfecho da doença entre pacientes com espondilite anquilosante ativa (EA), de acordo com dados apresentados na Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR). Congresso realizado em Amsterdã, de 13 a 16 de junho de 2018.

Conclusão

Na fisioterapia buscamos a todo momento a mobilidade, pois sua perda pode ser uma das causas de dor.

Mobilizaremos e exercitaremos todas as articulações acometidas em todos planos, sentidos e direções e não permitimos a perda da mobilidade. Porém, como vimos é uma doença progressiva, e o nosso paciente perderá a mobilidade.

Nossa função com o movimento será somente de retardar essa perda, não podemos em momento nenhum, forçar essa mobilidade. A todo momento o limite do paciente deve ser respeitado, sob o risco de gerarmos uma fissura ou ate uma fratura óssea.

Mova-o, porém sem forçar, respeite seus limites e entenda que a perda, de qualquer forma ocorrerá!

 

Referências
1 – Up-regulation of fatty acid oxidation in the ligament as a contributing factor of ankylosing spondylitis: A comparative proteomic study
Wei-Dong Xub;  Xin-Yu Yangc;  Da-He Lib,; Kai-Di Zhenga;  Peng-Cheng Qiua;  Wei Zhanga; , Chun-Yang Lia;  Kang-Fu Leia;  Guo-Quan Yane;  Sheng-Wei Jind;  Jian-Guang Wanga
http://dx.doi.org/10.1016/j.jprot.2014.09.014 1874-3919/© 2014 Elsevier B.V. All rights reserved
2 – https://www.reumatologia.org.br
3 – Búsqueda de nuevas dianas terapéuticas en psoriasis. Papel de la terapia biológica
Morón Romero, Rocío; Olivares Castiñeira, Ivette; Ventura Royo, Carles;
Universitat Oberta de Catalunya; 10-gen-2018; Universitat Oberta de Catalunya
4 – TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM ESPONDILITE ANQUILOSANTE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA; v. 12, n. 29, out./dez. 2015 ISSN 2318-2083