Tudo que nunca te contaram sobre a Escoliose

Tudo que nunca te contaram sobre a Escoliose

Ouvir que tem uma escoliose soa como problema para qualquer paciente. Eles não sabem o que a palavra significa, mas ficam com medo do tratamento e de precisar de cirurgia. Felizmente o Pilates oferece um tratamento conservador que ajuda a manter o funcionamento da coluna vertebral e evitar evoluções da curva.

Mas quero ir além disso e melhorar ainda mais seu atendimento. Para isso precisamos entender a Escoliose e essa nova visão que proponho.

O desvio da coluna vertebral à esquerda ou direita é chamado de escoliose, resultando em um formato de “S” ou “C”. É um desvio da coluna nos três planos de movimento.

A Escoliose é uma deformidade vertebral. As escolioses de um ou outro grupo etiológico podem ter prognósticos muito diferentes pela progressividade e gravidade de suas curvas escolióticas. Para melhor entender a definição de uma escoliose, é preciso antes entendermos a atitude escoliótica.

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Atitude escoliótica

o que é atitude escoliótica

A atitude escoliótica é diferente da escoliose em si, e apresenta-se, em 9 entre 10 casos. Ela existe quando há uma desigualdade de comprimento dos membros inferiores, desaparecendo com o indivíduo na posição horizontal.

Suas origens podem ser:

  • Idiopática (ligada a genética);
  • Neuromuscular (paralisia cerebral, poliomielite, Síndrome de Down) geradas pela alteração de tônus frequentes nas patologias neurais;
  • Congênitas: relacionada a má formação das vértebras (como fusões, aumento do número de vértebras);

Classificação das escolioses idiopáticas

classificação da escoliose

Escoliose idiopática: hereditária na maioria dos casos, atinge três a cada mil mulheres. Provavelmente se trata de uma herança multifatorial (genética). É o grupo mais frequente das escolioses. Segundo a idade de aparição distinguimos três tipos:

  1. Infantil– antes dos três anos de idade: Geralmente são muito graves, pois ao final do crescimento podem vir a apresentar uma angulação superior a 100 graus;
  2. Juvenil– desde os três até os 10 anos;
  3. Adolescente– desde os 10 anos até a maturidade: Após a primeira menstruação nas mulheres. Nos homens é ao final da puberdade antes da maturidade óssea completa, sendo a mais comum;

As escolioses idiopáticas podem ser

tipos de escoliose idiopática

  • Escolioses funcionais: frequentes em adolescentes, as curvas são leves e desaparecem por completo com a flexão da coluna vertebral ou bem com o decúbito, visto que não estão estruturadas.
  • Escolioses estruturais: as diferenças dos membros inferiores levam a um desequilíbrio pélvico e secundariamente a uma curva vertebral para reequilibração corporal. A curva desaparece quando o paciente se senta, logicamente por retirar as influências dos membros inferiores.

Escolioses neuromusculares

Em casos como esse estamos diante de uma alteração do sistema nervoso central, que por sua vez, gerará uma alteração no tônus muscular, confundindo e desestabilizando a coordenação motora, descrita por Piret e Beziérès. Estamos falando de patologias centrais ou Síndromes neuromusculares.

Escolioses congênitas

Essas não são hereditárias, mas sim uma má formação ocorrida no período embrionário, gerando fusões vertebrais, hemivertebras, alterações costais, vértebra em cunha, dentre outros.

No geral as Escolioses são consideradas leves (até 10 graus), moderadas (até 20 graus), ou severas (a partir de 30 graus). A partir de 30 graus, os médicos já prescrevem coletes estabilizadores.

Avaliação da Escoliose

avaliação da escoliose pelo horário

Um erro muito comum ao avaliar o grau das escolioses através do ângulo de Cobb dá-se ao horário em que a radiografia foi realizada.

Vou explicar melhor: se realizarmos o estudo radiográfico pela manhã, devido ao estado de hidrofilia dos núcleos pulposos, a angulação de Cobb será menor. Caso o exame seja feito na final do dia, o núcleo pulposo já perdeu líquido durante o dia, e a angulação de Cobb aumentará substancialmente.

Logo, o exame deve obrigatoriamente ser efetuado no mesmo horário para qualquer dado comparativo de melhora ou piora.

Normalmente, as escolioses são assintomáticas, com exceção das mais severas, e podem ser de origem muscular ascendente ou descendente, devido ao sistema de tensegridade gerado pela fáscia que desorganiza as cadeias musculares.

  • Escolioses Ascendentes: a causa originária da escoliose segue uma lógica de compensação de baixo para cima.
  • Escolioses Descendentes: seguirá uma lógica de compensações que descem. Logo, nas Escolioses descendentes devemos ficar muito atentos às Disfunções Temporo Mandibulares (DTM), ou ainda a colocação de aparelhos corretivos ortodônticos nos dentes, que vai imprimir uma nova força craniana, podendo mudar todo o esquema muscular.

A visão Osteopática das Escolioses

como funciona a escoliose

A Osteopatia de Andrew Taylor Still acreditava que todos os sistemas do corpo estavam interligados, e dessa forma a doença de um sistema afetaria todos os demais. Para Still, se a estrutura está em harmonia, não pode haver doença. Toda doença se origina de um distúrbio na harmonia da estrutura.

O corpo humano tem a capacidade de se autorregular, reencontrando a harmonia e o equilíbrio em suas estruturas. Para se referir a essa capacidade, Still usava o termo homeostasia, situando-a no que ele chama de sistema miofascioesquelético.

Still acreditava ainda que a estrutura (pele, pulmões, sistema digestório e outros) determina a função (respiração, digestão, eliminação de dejetos e outros).

Baseada nisso, voltemos a falar das Escolioses que são classificadas perante a Osteopatia quanto a sua origem:

  1. De origens viscerais: visto que nossos órgãos não são simétricos e vários deles não são medianos, as escolioses são respostas a problemas viscerais, onde as forças de inclinação e de rotação têm por objetivo aliviar a compressão sobre esses órgãos chaves.
  2. De origens neurológicas: nesses casos pouco podemos intervir, já que existe um comprometimento tônico que alterará toda as lógicas compensatórias corporais das cadeias musculares.
  3. De origens musculares: geradas na estrutura m esquelética, trata-se somente de uma auto regulação muscular perante algum distúrbio normalmente externo. Se o tratamento for no início, são as escolioses mais fáceis de se tratar, com seus pequenos desvios segmentares.
  4. De origens cranianas: referem-se às deformações cranianas geradas muitas das vezes durante o parto, através de algum trauma craniano, ou ainda, no momento da correção dentária, pelas forças impostas a esse crânio.

Escolioses de origens viscerais

escoliose visceral

Lembram-se que nossos músculos têm memória?

“Nesse instante, esteja onde estiver, há uma casa com seu nome. Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora, só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.

Se as paredes ouvissem: na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que tudo ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza, dores dos músculos e das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo está escrita toda a sua história desde o nascimento até hoje. ”

Trecho extraído do livro de Madame Thérèse Bertherat o Corpo tem suas razões

Já Madame Godelieve Denys Struyf a criadora do método de cadeias musculares, que leva as iniciais de seu nome (GDS) também descreve essa capacidade corporal de tudo memorizar.

Ela acredita no conceito de que nossa atitude postural e a forma de nosso corpo deriva de uma multiplicidade de fatores: desde a genética até o psiquismo e o comportamento.

Há seis famílias de músculos que dão ao corpo a possibilidade de se expressar. A cada uma dessas famílias corresponde uma tipologia psico comportamental. Entretanto, elas podem, em consequência de uma constância de tensão, aprisionar o corpo em uma determinada tipologia, dificultando sua adaptabilidade biomecânica e comportamental tornando-se, então, fonte de sofrimento. Neste momento, configuram-se no corpo cadeias de tensão musculares.

Baseada nessa memoria descrita por Bertherat e por essa multiplicidade de fatores, desde genéticos até comportamentais do GDS é que vamos discutir de agora em diante as escolioses de origens viscerais.

Num corpo que tem memória qualquer patologia visceral gera um esquema adaptativo corporal visto que a víscera tem sempre a prioridade de conforto sobre o sistema musculo esquelético. Sempre!

Veremos então como esse sistema musculoesquelético se comporta diante dessas patologias viscerais.

Escoliose de origem hepática

escoliose hepática

fígado é a maior glândula do corpo humano e pode executar mais de 500 funções. Encontra-se na região abdominal, do lado direito, logo abaixo da hemicupula diafragmática, e logo acima do mesocolon transverso.

Ele pode ter uma massa de até 1,5 kg. É um órgão extremamente sensível. Diante do fato de estarmos diante de um aumento do fígado (hepatomegalia), o sistema musculo esquelético se adaptará diante desse aumento de volume para aliviar a pressão sobre a glândula.

A primeira medida inteligente adotada pelo corpo será a de elevar a hemicupula diafragmática direita, posicionando-a à direita em posição alta e em expiração. Esta medida levará à elevação do hemitorax direito que será realizada na região torácica baixa, gerando uma lordose nesse segmento vertebral.

A lordose estará associada a uma inclinação à esquerda pelo relaxamento dos músculos abdominais a direita. A concavidade gerada à esquerda, elevará mais ainda o hemitorax direito e o afastará para a direita levando-o para longe das costelas inferiores, rodando também o tórax para a direita criando uma gibosidade posteriormente a esquerda.

Os pontos fixos para este esquema adaptativo serão: a escápula que é um dos pontos fixos através do processo coracóide que colocará em ação o peitoral menor para ajudar a elevar o hemitorax direito.

Pode ser afetado nesse esquema o ombro, pois a musculatura suspensória do ombro direito estará em sofrimento para toda essa adaptação.

Além disso o serrátil anterior que perdeu sua continuidade de força dos abdominais à direita poderá gerar nas escápulas a asa de Sigaud, uma vez que a escápula perdeu sua fixação anterior;

O outro ponto de fixação para todo esse esquema adaptativo será a base do occipto direito, gerando o aumento da tensão do trapézio direito até a base do occipto.

A escoliose de origem hepática apresentará uma lordose diafragmática levando o tronco em extensão com uma inclinação à esquerda e uma rotação de tronco à direita, podendo gerar curvas adaptativas inferiores a fim de reequilibrar o corpo.

Após resolvido o problema hepático, as adaptações musculares continuam presentes sendo necessária a intervenção de um profissional do movimento.

Escoliose de origem renal

escoliose renal

Os rins (normalmente dois) estão localizados na porção posterior do abdômen e suas extremidades superiores estão localizadas na altura dos arcos costais mais inferiores (10ª a 12ª costelas torácicas).

O rim direito quase sempre é menor e está situado um pouco abaixo do rim esquerdo. Os rins se movimentam (para baixo e para cima) de acordo como ato da respiração.

Cada rim tem a forma de um grande grão de feijão, medindo em um adulto de 10 a 13 cm, com peso aproximado de 120 a 180g.

Anomalias renais não reconhecidas podem estar presentes entre 25% e 33% dos doentes e incluem:

  • Rim em ferradura;
  • Agenesia renal;
  • Duplicação renal ou dos ureteres;
  • Hipospádias.

Todos os doentes com escoliose congénita devem ser avaliados por ecografia, pielografia endovenosa ou RM.

Uma escoliose renal é caracterizada como congênita. Um indivíduo sem um rim (Agenesia Renal) vai compor no seu sistema musculo esquelético um esquema adaptativo para tal falta de simetria visceral. Para minha elucidação usarei como exemplo uma agenesia do rim direito.

Quando não temos um órgão, seja porque nascemos sem ele ou porque tivemos que o retirar, nosso organismo gerará um tecido cicatricial para suprir esse espaço vago, esse tecido cicatricial terá uma formatação confusa gerando fibrose.

As medidas compensatórias musculo esqueléticas para a falta desse órgão do lado direito serão as descritas a seguir.

Primeiro criaremos uma lordose na altura do rim direito com aumento da tensão dos paravertebrais à direita. Percebam que aqui o esquema adaptativo se faz diante de uma força centrípeta cicatricial, e não para o conforto do órgão.

A partir daí nosso tronco inclinar-se-á também à direita, gerando a concavidade à direita pela tensão dos paravertebrais direitos.

Percebam que diferentemente da escoliose de origem hepática, a escoliose de origem renal rodará o tronco para a esquerda pela ativação da cadeia cruzada posterior esquerda. Lembre-se que nesse caso toda a compensação corporal se formará na direção dessa força centrípeta.

Toda a força está sendo direcionada para o quadril esquerdo, que será o ponto fixo nesse esquema adaptativo. O músculo quadrado lombar do lado esquerdo encontrar-se-á em máxima tensão podendo trazer a asa ilíaca esquerda para cima, acionando dessa maneira o reto femoral que também se tensionará. É possível que a patela seja direcionada para o alto e ser a causa de várias patologias musculoesqueléticas no joelho esquerdo.

A tensão excessiva do quadrado lombar também atraíra as últimas costelas do hemicorpo esquerdo para baixo, aumentando inúmeras vezes a força de cisalhamento nessa região.

A hemicupula do diafragma direito estará em posição baixa, ou em inspiração, gerando uma tensão excessiva em seus músculos acessórios e com esse aumento de tensão e aumento de força inspiratória no hemicorpo direito gerando dores na região cervical, sobretudo nos músculos: esternocleidomastoideo (ECOM), escalenos, infrahioideos e trapézio ao lado direito. A giba nesse tipo de esquema biomecânico corporal aparecerá à direita na parte posterior do tronco.

Como nesse caso, a patologia médica nunca será resolvida este indivíduo deverá estar em constante cuidado de um profissional do movimento.

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Escoliose de origem cardíaca

escoliose cardíaca

O coração é um órgão oco de tecido muscular estriado cardíaco com uma massa entre 250 e 350 gramas e aproximadamente o tamanho de um punho. Está localizado na parte anterior à coluna vertebral e posterior ao esterno.

Se estivermos diante de um sofrimento cardíaco, o coração será prioridade absoluta para que possa funcionar sem qualquer intervenção de forças externas, sejam elas musculares ou ósseas. Nosso corpo imediatamente eliminará todas essas forças priorizando o conforto do funcionamento cardíaco. O corpo instalará um esquema de conforto anterior e lateralizado a esquerda.

A primeira medida assumida para esse conforto cardíaco será o abaixamento do hemitórax direito formando uma cifose na altura do nível cardíaco à esquerda, seguida de uma rotação de tronco à esquerda, com elevação da hemicúpula diafragmática à esquerda.

O indivíduo estará diante de uma respiração expiratória com a hemicúpula do diafragma esquerdo trabalhando na posição alta. Essa elevação completa o relaxamento para o pericárdio.

Em casos severos a respiração pela hemicúpula diafragmática à esquerda poderá estar bloqueada de forma permanente ou intermitente (tosse cardíaca). O fechamento do hemitorax direito e à elevação da cúpula diafragmática à esquerda levará ao aumento da PIA.

Essa interrupção do funcionamento do diafragma à esquerda irá interferir no trânsito do mesocolón transverso, podendo associar ao quadro clinico como uma aerocolia (distensão do colón transverso por aumento de gases), o que aumentará a tensão dos músculos da região do abdômen à esquerda.

Como os intercostais não podem se relaxar pelo fato de terem função inspiratória e expiratória sendo prioridade também, esse enrolamento do tórax pode levar à compressão dos feixes vasculo nervosos costais gerando parestesias desde a região do tórax.

A compressão pode irradiar para o membro superior esquerdo e chegar ainda até o pescoço. O ombro esquerdo entrará em sofrimento, pois sofrerá pressões mais ou menos intermitentes das cadeias musculares de flexão e anteriores de enrolamento.

Para não desmanchar esse esquema de adaptação para a proteção, o pericárdio diminuirá substancialmente sua mobilidade.

Por fim, para mantermos a horizontalidade do olhar e nossa orientação espacial através de nossas orelhas internas, onde encontra-se o labirinto. Nossos ossos do crânio se torcerão para absorver todas essas forças deformando-se dentro de sua plasticidade óssea.

A escoliose cardíaca orientará nosso tronco na sua porção superior em: flexão, rotação e inclinação à esquerda, notaremos o aparecimento de uma gibosidade posterior à esquerda.

Após o desaparecimento do problema no pericárdio, o corpo não entende que não precisa mais desse esquema adaptativo, nós temos que liberta-lo das tensões com que ele se acostumou a viver.

Dois músculos chaves para tratamento

psoas no tratamento da escoliose

1.Psoas: é o músculo mais profundo e estabilizador no corpo humano, afetando o equilíbrio estrutural, a amplitude dos movimentos, a mobilidade articular e o funcionamento dos órgãos do abdômen.

Ele é um grande gerador de força e tem um papel fundamental durante os movimentos posturais e esportivos.
O músculo iliopsoas é originado à partir de três músculos, o psoas maior, o psoasmenor e o ilíaco. Os músculos psoas maior e menor se originam das vértebras torácicas (T12) e lombares (L1 a L5), enquanto o músculo ilíaco se origina da fossa ilíaca na pelve. Ambos se inserem no trocanter menor do fêmur.

A principal ação motora do iliopsoas é flexionar o quadril (mover a coxa para cima) e nos casos que a coxa se encontra fixa, sua função é tracionar o tronco em direção à coxa, como no movimento de flexão abdominal completa. Devido à sua origem e trajeto, ele também é um importante estabilizador da coluna e pelve.

A tensão do músculo iliopsoas gera uma tração frontal anormal do quadril o que leva consequentemente ao aumento da curvatura lombar, conhecida como hiperlordose lombar. Já a tensão do Psoas unilateral vai realizar essa tração de forma unilateral torcendo os ilíacos, gerando escolioses de origem muscular. Libere esse músculo de suas tensões.

  1. Diafragma: Para liberar o corpo de suas tensões, o primeiro passo é melhorar a função respiratória. A maioria das escolioses afetam a região torácica e o posicionamento dos pulmões. O principal musculo respiratório, o diafragma, está inserido nas costelas, no esterno e nas vertebras lombares e, portanto, quaisquer alterações em alguma dessas regiões citadas podem modificar seu funcionamento, como já vimos acima. Libere o diafragma de suas tensões.

Tratamento das Escolioses

como tratar escoliose

Diante do exposto, você deve estar se perguntando como tratar essa série de complexas compensações apresentadas? Sei que muitos estudiosos e especialistas em escoliose vão torcer o nariz para o meu método de tratamento das escolioses.

É bem simples, eu trato o que eu encontro, vou relaxando a musculatura tensionada, reavalio, libero uma outra camada de compensação de suas tensões e conflitos, reavalio novamente e libero novamente.

Continuo assim até o corpo entender que não necessita mais desse esquema adaptativo de compensações. Libero essas tensões das mais diversificadas maneiras através de relaxamentos musculares simples, como as pompagens de Marcel Bienfait e através de liberações miofasciais, já que sabemos ser a fáscia a grande responsável pelo sistema de tensigridade corporal.

Solto, libero e relaxo as tensões. Simplesmente permitindo que esse corpo volte à homeostasia, uma vez que a patologia médica esteja solucionada. E posso afirmar que os resultados são excelentes.

Sou bem rebelde em relação aos protocolos e os métodos hoje em dia, que tendem a ser mirabolantes. Por vezes eles complicam tanto a disfunção musculo esquelética que o método acaba perdendo sua lógica biomecânica. Por isso, sou fiel a ela que nunca me traiu.

Para tratar a patologia temos que descomplicar e a biomecânica faz isso lindamente. Trate o que encontrar, libere o corpo de suas tensões.

Com relação às crianças estas têm músculos bons segundo Leopold Busquet, somente a liberação miofascial realizada após a solução das questões patológicas médicas se faz eficaz para lidarmos com os músculos delas.

Pós-tratamento da escoliose

Após me certificar de que o corpo está livre de suas tensões, reativo todos os músculos que durante um período ficaram inativos, através do Método Pilates ou do Treinamento Funcional. Ensino novamente esse corpo a realizar seus movimentos naturais perdidos, e reconstituo sua amplitude de movimento (ADM) normal.

Em seguida mobilizo, em todos os sentidos e planos de movimento de forma simétrica, devolvo a mobilidade a esse corpo, força de núcleo de forma sutil. Através dos diversos exercícios deixados por Joseph Pilates, não lhes parece logico e simples?

Conclusão

Antes de encerrar, após ler este texto, quero que você mesmo me responda: uma bolsa carregada por uma mulher ou uma mochila que a criança leva para a escola de forma assimétrica é capaz de gerar uma escoliose? Obvio que não, se nosso corpo é capaz de suprir inteligentemente todas as nossas necessidades, inclusive viscerais, para viver dentro das três leis que o regem: conforto, equilíbrio e economia.

Acha que esse mesmo corpo não é capaz de se reequilibrar para transportar uma carga assimétrica? Isso é mito!

Gostou dessas dicas e de entender como a Escoliose é muito mais complexa do que aparece? Espero que elas te ajudem a deixar seu atendimento e tratamento da patologia cada vez mais completo. Se quiser ainda mais informações sobre patologias da coluna continue estudando no meu artigo sobre Avaliação Postural.

Janaina Cintas

Referências bibliográficas:

Lonstein J. Congenital Spine Deformities. Orthop Clin North Am. 1999; 30(3): 387 – 405. 2. Lonstein J, Winter R, Bradford D, Ogilvie J. Moe’s Textbook of Scoliosis and Other Spinal Deformities.Philadelphia: Saunders; 1987. 3. Batra S, Sashin A. Congenital scoliosis: Management and future directions; Acta Orthopa Belg. 2008; 74(2): 147-60. 4. Jog S, Patole S, Whitehall J. Congenital scoliosis in a neonate: can a neonatologist ignore it? Postgrad Med J. 2002;78:469–72. 5. Letts R, Jawadi Al. Congenital Spinal Deformity. eMedicine Orthopedic Surgery.2009 [consultado em 20 Março 2012]. Disponível em http://emedicine.medscape.com/article/ 1260442-overview 6. Kumar N, Mohanty S. The vertebral body: Radiographic configurations in various congenital and acquired disorders. RadioGraphlcs.1988; 8(3): 455 – 85. 7. Janicki J, Alman B. Scoliosis: Review of diagnosis and treatment. Ped Child Health. 2007;12(9): 771-6. 8. Harrod C, Lee J, Hedequist D. Congenital Scoliosis – a review. Eur Musculoskelet Rev. 2010; 5 (1): 54 – 60. 9. Bush C, Kalen C. Three-dimensional computed tomography in the assessment of congenital scoliosis Skeletal Radiol.1999; 28(11):632–7. Busquet L, Still A.

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Está chegando a Semana MIT – Movimento Inteligente, 100% online, ao vivo e gratuita!

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Já falamos aqui do Movimento Inteligente e também já comentamos recentemente da Semana MIT… e é exatamente disso que viemos falar hoje!

Se você trabalha com Pilates ou Treinamento Funcional, essa é a oportunidade perfeita para você se tornar um profissional ainda mais qualificado, e sabe o melhor? De graça!

Porém, vim te lembrar que o evento começa dia 3 de julho, semana que vem, então melhor se apressar e se inscrever!

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O que é a Semana MIT – Movimento Inteligente?

Esse é um evento, em que eu, Keyner, irei explicar detalhadamente como funciona a Metodologia do Movimento Inteligente. 

Serão 3 aulas ao vivo e online, e cada uma com os principais temas que os profissionais tem mais dificuldade. São eles: Avaliação Funcional, Repertório de Exercícios, Planejamento de Aula e Reabilitação das Principais Patologias do Quadril, Ombro e Joelho. Mais abaixo vamos falar mais sobre esses temas.

A Semana MIT é totalmente voltada para profissionais de Fisioterapia e Educação Física, e para quem trabalha com Pilates ou Treinamento Funcional.

Serão 3 dias para você adquirir maior conhecimento, se tornar um profissional ainda mais capacitado e atingir resultados rápidos e assertivos com seus alunos e pacientes.

 O que será passado na Semana MIT?

Ainda em dúvida sobre o que a Semana MIT irá trazer para você? Abaixo listei os principais pontos a serem abordados, para você ter certeza que é o evento ideal para você.

Conceito do MIT – Movimento Inteligente

O conceito da Metodologia que incorpora conceitos e pilares do Treinamento Funcional junto aos Princípios do Método Pilates, somado as bases fundamentais da Biomecânica Aplicada, Avaliação funcional “MIT”, Cadeias musculares e Terapia manual.

Maneiras de obter resultados mais rápidos

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Como aplicar o método

Como aplicar o MIT nos mais diversos casos: patologias da coluna, prevenção de lesões, desempenho esportivo, idosos e atletas.

Introdução

Como introduzir a Metodologia MIT em Studios de Pilates ou Funcional, academias e atendimento personal.

Como se planejar

De que maneira planejar a sua aula ou atendimento e depois como evoluir com o seu aluno sem fazer nada pelo “achismo”.

Dicas para um repertório completo

Um vasto repertório de movimentos (com e sem equipamentos), mas além disso, entender o COMO, QUANDO, ONDE e COM QUAL INTENSIDADE aplicar cada exercício.

Avaliação Funcional

Como aplicar uma avaliação funcional, prática e eficaz de ser aplicada.

Quer saber mais sobre o que vai ter na Semana MIT? Assista o vídeo abaixo em que eu explico tudo detalhadamente!

Quem é Keyner Luiz?

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Keyner é fisioterapeuta há 13 anos e idealizador da Metodologia MIT no Brasil. Palestrante Internacional, já ministrou curso para mais de 4.800 profissionais em 4 países e 18 estados brasileiros nos últimos 9 anos através da Metodologia MIT – Movimento Inteligente.

Depois de quase 7 anos ensinando de forma presencial, Keyner resolveu passar seu conhecimento através da Internet e desde então passou a ministrar o seu Curso MIT no formato Online.

Além disso, passou a postar conteúdos para ajudar profissionais e estudantes de fisioterapia e educação física, em seu canal no Youtube e no seu próprio blog. (Acesse Aqui)

Keyner produz vídeos, artigos, e-books, lives e webinários – todos feitos por ele mesmo – e conseguiu através disso, alcançar a incrível marca de 210.000 seguidores neste mês, tornando-se o profissional brasileiro com maior influência a nível mundial.

Como faço para me inscrever?

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E aí não dá para perder essa não é mesmo? Então corre que faltam poucos dias, o evento irá começar dia 3, segunda que vem!!

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Não perca essa oportunidade incrível!

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Por que a coluna torácica pode estar por trás dos seus problemas (+4 exercícios)

Por que a coluna torácica pode estar por trás dos seus problemas (+4 exercícios)

Você trabalha a coluna torácica durante sua aula de Pilates?

Espero que a resposta tenha sido sim. Essa é uma estrutura muito importante para um movimento funcional e sem desequilíbrios. Mas muita gente não lembra porque ela é importante.

Você sabe?

Se sabe continue comigo para darmos uma relembrada na importância de uma torácica móvel. Se já esqueceu também continue lendo. Nesse artigo exploraremos as consequências da falta de mobilidade na coluna torácica e também quais são as maneiras de resolver o problema com o método Pilates. Incluindo 4 exercícios para o tratamento desse problema.

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Anatomia da Coluna Torácica

anatomia da coluna torácica

O principal diferenciador das vértebras torácicas é a presença de fóvea costal no corpo vertebral. É nesse local que se articulam com as cabeças das costelas.

A coluna torácica também se articula com as vértebras cervicais e lombares.

Nas costelas encontramos fixadas as escápulas, parte do complexo anatômico da cintura escapular e do ombro. Portanto, a torácica influencia no bom funcionamento desse sistema.

Apesar de poder realizar todos os movimentos que as demais colunas fazem, a torácica possui uma amplitude de movimento diminuído. Isso acontece por causa da caixa torácica, onde a mobilidade é menor.

Entre TI e TVII é o local com menor mobilidade da coluna e onde as escápulas e costelas estão fixadas. Isso forma um arco costal junto ao esterno anteriormente. Entre TXI e TXII não existe ligação com o esterno, fazendo a mobilidade um pouco maior nessa região.

Além disso, a torácica é uma curvatura da coluna vertebral cifótica, ou seja, uma curvatura de proteção (tem como função proteger nossos órgãos vitais: coração e pulmões).

A coluna dorsal para preservar o bom funcionamento dos nossos órgãos vitais está interligada a caixa torácica, como o próprio nome diz, uma caixa de proteção. Juntando esses dois fatores limitantes para o movimento podemos supor que a torácica mais rígida também influencia em limitações respiratórias.

Isso acontece porque a respiração é capaz de movimentar as costelas e todo seu complexo, retroalimentando sua rigidez.

Nesse ponto é importante lembrar: a mobilidade da coluna vertebral é dada pela somatória de todas articulações vertebrais. Logo, se a mobilidade torácica está diminuída patologicamente, toda a mobilidade vertebral fica prejudicada.

A articulação da coluna vertebral com as costelas se faz em dois pontos:

  • O primeiro une o corpo das vértebras torácicas à cabeça das costelas;
  • O segundo está entre o processo transverso das vértebras torácicas e o tubérculo das costelas.

Os movimentos dessas articulações produzem durante a inspiração o aumento do diâmetro do tórax e sua diminuição durante a expiração. E sobre a parte posterior dos arcos costais encontram-se as escápulas.

Disfunções da coluna torácica no plano sagital

problemas da coluna torácica

  • Hipercifose torácica: caracterizado pelo aumento da curvatura fisiológica da coluna torácica.
  • Retificação torácica: apagamento da curvatura fisiológica, chegando, em casos mais severos, a haver uma inversão da curva.

O aumento da cifose torácica pode ser gerado pela tensão exagerada dos músculos da:

  • Cadeia muscular de flexão do tronco para Leopold Busquet;
  • Cadeia muscular posterior pela linhe mezierista;
  • Cadeia antero-mediana de madame Godelive Denys Struyf

Já para os osteopatas as alterações nas curvas torácicas podem ser causadas por doenças pulmonares. Elas alteram todo conjunto do eixo de ligação esterno-costelas-vértebras-escápulas.

O aumento da curvatura torácica gera uma rigidez local para proteger a articulação escápulo-torácica. A coluna torácica se enrijece para proteger a escápula, que é um osso plano apoiado nas costelas, que estão com espaço aumentado posteriormente.

No caso de uma retificação da torácica ela também perde sua mobilidade para proteger o sistema de alça de balde realizado pelas costelas durante a inspiração.

Em ambos os casos a articulação escápulo-torácica é a que mais sofre por perder sua mobilidade. Isso acontece como forma compensatória para proteger a articulação acrômio-clavicular.

Com tanta rigidez o bom funcionamento da articulação do ombro fica prejudicada. Portanto, podemos encontrar dor nessa articulação.

Alterações em outras partes do corpo

Além disso, também encontraremos alterações no funcionamento das complexas cadeias musculares que cruzam a metade superior da unidade funcional tronco.

Algumas alterações biomecânicas também ocorrerão. No caso de uma hipercifose ou retificação o diafragma altera seu curso de contração normal e limita a respiração. A limitação por sua vez gera ainda mais rigidez torácica.

A articulação do ombro possui direta ligação com o quadril. Dessa maneira, a falta de mobilidade gera dor no quadril oposto devido ao mal funcionamento das cadeias cruzadas do tronco.

Também podemos encontrar dor no quadril homolateral por causa das cadeias musculares retas do tronco com problemas de funcionamento.

Um quadril desequilibrado tende a se reorganizar no espaço. De acordo com essa adaptação ele altera o funcionamento dos joelhos, criando um valgo ou varo.

Por fim, os tornozelos e pés, que precisam manter a bipedestação, também sofrem.

A região cervical também deverá se adaptar à nova conformação da coluna torácica para manter a horizontalidade do olhar e um bom posicionamento do labirinto, e tendo sua biomecânica alterada também estará susceptível a dores.

Vemos que o corpo é único e indissociável, sendo capaz de criar as mais diversas compensações para manter-se em equilíbrio.

Tratamento das Hipercifoses Torácicas com o Pilates

tratamento de coluna torácica com Pilates

O primeiro passo para o tratamento é uma boa avaliação. Precisamos compreender quais artifícios o corpo é capaz de usar a partir de qualquer disfunção mecânica gerada pela falta ou aumento de mobilidade.

Como estamos falando da coluna torácica, trataremos dela para eliminar as possíveis compensações. Ao compensar, o corpo pode gerar dores e desgastes ósseos em várias articulações. Portanto, corrigir o problema da torácica ajuda a quebrar essa cascata de comprometimentos.

O primeiro passo do instrutor de Pilates é proporcionar aos músculos a libertação dessas tensões geradas pela falta de mobilidade. Os principais músculos nos quais devemos focar são os envolvidos nas articulações da:

  • Coluna torácica;
  • Costo-vertebral;
  • Esterno-costal;
  • Escápulotorácica.

Esses músculos deverão ser alongamentos dinamicamente e relaxados. Dessa maneira conseguimos devolver a eles sua fisiologia e oxigenação necessárias. Portanto, sugiro começar o trabalho através de mobilizações que podem ser iniciadas por exercícios de mobilidade.

O método Pilates possui uma gama imensa de possibilidades de exercícios para trabalhar mobilidade.

Lembrando que, tanto em colunas retificadas quanto em hipercifóticas, a mobilidade deve estar assegurada em nosso trabalho em todos os sentidos, planos e direções. Ambos os casos tratam-se de falta de mobilidade.

Exercícios para ganharmos mobilidade torácica

The Cat

the cat para coluna torácica

Ótimo exercício para mobilização da coluna vertebral se praticado com todas as forças diametralmente opostas do método Pilates.

  • Posição inicial: o aluno fica apoiado sobre os joelhos sobre a chair. Ele deve respeitar o ângulo de 90º de flexão dos joelhos. É importante que o aluno fique posicionado na metade posterior da cadeira com os calcanhares alinhados com os ísquios para evitar quedas.

As mãos devem estar apoiadas sobre o pedal com o segundo dedo das alinhadas com os ombros em rotação externa realizando uma decoaptacao com os olecranos internos dos cotovelos voltados internamente. Não pode ocorrer o desalinhamento das mãos.

Lembrando que todo o conjunto de ações organizadoras da cintura escapular partem do ombro.

Nosso aluno ainda deve ser capaz de manter uma contração efetiva nas axilas. Ela deve ser parecida com aquela força que fazemos para segurar um termômetro quando estamos medindo a temperatura.

Para alunos retificados começamos essa ativação através do Serrátil com o ar da inspiração sendo levado até as costas.

Já para os alunos hipercifóticos, solicitamos que o ar da inspiração seja direcionado ao peito. Com a mesma posição dos cotovelos solicitamos que ele guarde as escápulas nos bolsos da calça.

Não podemos ainda permitir que o aluno hiperextenda os cotovelos ao final do movimento. Para isso, solicitamos a ação isométrica do conjunto bíceps-tríceps. Fazemos isso para não gerar sobrecarga nas articulações epicondilianas.

A coluna vertebral começa no C profundo. O exercício se inicia com o aumento da flexão do quadril e a mobilização da coluna para extensão empurrando o step para baixo.

Quando descemos nos utilizamos da energia cinética das mãos sobre o step. Quando retornamos nos utilizamos do enrolamento da coluna. A cada subida devemos enfatizar o C de forma mais profunda possível.

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Shoulder Up and Down (Elevação de Ombro)

  • Posição inicial: Nosso aluno estará posicionado de frente para a chair, sobre os steps com os cotovelos em extensão. Novamente lembre-se: todas ações organizadoras da cintura escapular partem do ombro.

Durante o exercício o aluno só promove o levantamento dos ombros e aproximação das orelhas e abaixamento dos ombros. Ao fazer isso o pedal sobe e abaixa um pouquinho. O exercício ajuda a ter independência do deslizando da escápula sobre o gradil costal.

Outra vez, nosso aluno ainda deve ser capaz de manter uma contração efetiva nas axilas.  Siga as mesmas instruções para a ativação que utilizamos no exercício anterior.

Com a organização escapular e de membros superiores citados anteriormente, punhos em posição neutra e mãos apoiadas nas barras, membros inferiores em extensão de quadril e joelhos com os pés apoiados sobre os steps, solicitamos ao aluno que realize a depressão das escapulas através do Trapézio fibras inferiores e serrátil anterior. Exercício que deve ser sempre realizado quando o aluno tiver a necessidade de aprender a realizar a depressão dos ombros, essencial para que ele possa realizar o movimento de pistão.

Swan

  • Posição inicial: o aluno fica deitado em decúbito dorsal voltado para a barra torre do Cadillac. Os calcâneos deverão estar alinhados com a linha média da patela e com as espinhas Ilíacas Póstero Superiores (EIPS).

O cotovelo fica em extensão e pronação, com os ombros a 180 graus de flexão e os punhos em posição neutra.

As mãos estarão apoiadas na barra torre do aparelho, solicitamos que o aluno ative o Power House durante a expiração.  Em seguida, ele realiza a extensão cervical, extensão dorsal, além da extensão do quadril.

Detalhe: o aluno não deve retirar o quadril da cama do Cadillac. Portanto, a barra torre do aparelho não pode se mover.

Não podemos ainda esquecer da decoaptação dos ombros, com os olecranos internos dos cotovelos voltados internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos.

Siga as mesmas instruções de ativação dos exercícios anteriores, com uma contração nas axilas e ativação através do Serrátil

Observaremos então como está sua mobilidade para a extensão do tronco. Caso o aluno centralize sua mobilidade na lombar para obter o C profundo estaremos diante de uma linha de quebra.

Nesse caso, trabalharemos a mobilidade torácica da seguinte forma:

  • Na expiração solicitaremos que nosso aluno realize a mobilidade torácica no sentido da retificação torácica;
  • Pedimos que ele imagine um farol em seu peito e tente iluminar a cada expiração com seu farol no peito o mais alto que ele possa atingir
  • Nesse momento transferimos a mobilidade da coluna lombar para seu tórax;
  • Tentaremos inibir a ação do quadrado lombar para que os músculos paravertebrais entrem em ação conjunta em todo seu segmento.

Esse é um excelente exercício para a mobilização torácica e de toda cadeia muscular de extensão da unidade tronco. É também ótimo para estabilização de ombros.

Devo lembrar aqui ainda, que existe uma força mantida para o afastamento das últimas costelas do quadril. A cabeça e continuidade da coluna vertebral da unidade tronco deve permanecer em posição neutra, com uma força atuante, como se alguém quisesse arrancá-la.

  • Observação Mecânica: não necessitamos de molas para e execução desse exercício. Me perguntam com frequência nos cursos sobre alunos retificados.

Estaríamos levando esse aluno ainda mais para a retificação com o exercício? A resposta é não. Meu trabalho aqui é destravar as vértebras, devolvendo mobilidade no sentido anteroposterior, tanto para flexão quanto extensão.

Mermaid (Sereia)

mermaid para coluna torácica

  • Posição incial do aluno: Sentado sobre os ísquios, de frente para o instrutor, que estará ao lado do Reformer. Logo, o aluno encontrar-se-á sentado sobre o carrinho de lado, o ombro que estará posicionado sobre a barra em abdução de ombro com punho em posição neutra e mão apoiada na barra.

Em nenhum dos exercícios onde a mão fica apoiada ela deve ficar com os dedos flexionados. Eles devem permanecer em extensão e sem apresentar qualquer compensação. Também precisam ficar paralelos e organizados.

O membro inferior que está posicionado ao lado da barra ficará da seguinte maneira:

  • Em abdução de quadril, com rotação externa e 90º de flexão de joelho.

Esse posicionamento permite que seu aluno mantenha os ísquios apoiados no carrinho para iniciar o exercício.

Solicitamos que o aluno empurre o carrinho à frente com uma ligeira força que deve partir dos seus ombros decoaptando-os. Em seguida solicitamos que o olecrano interno do cotovelo fique voltado internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos.

Lembre-se das orientações que dei para os exercícios anteriores. As ações organizadoras partem do ombro, sendo que o aluno deve manter uma contração nas axilas

Solicitamos então que o aluno realize a inclinação do tronco em direção a barra também. É de suma importância que o aluno não leve o tronco em direção a pelve. Isso pode ser evitado com o afastamento das costelas das cristas ilíacas. Logo, estaremos ativando as cadeias musculares de flexão e extensão de ambos os lados.

O posicionamento da perna também não pode ser alterado. A força deve ser sentida dos dois lados do tronco. Da mesma forma que solicitaremos uma força de abertura na cintura escapular para alunos hipercifóticos com o ar inalado direcionado para o peito. Para alunos retificados faremos uma força de arredondamento sem a aproximação dos ombros de forma que o ar inalado seja conduzido para as costas.

Conclusão

Essas são algumas sugestões de exercícios do Pilates para ganharmos mobilidade em todos os planos de movimentos da coluna torácica.

Mas não podemos nos esquecer que a liberação miofascial e as manobras manuais de ganho de mobilidade escapular também são de tamanha valia para ganhar mobilidade no gradil costal. Assim libertamos o ombro de seus possíveis comprometimentos.

Outro trabalho importante que não podemos negligenciar é a liberação manual do diafragma. Diante de tensões instaladas na coluna torácica estará com seu curso de extensão para a entrada e retorno para a saída do ar alterado imediatamente. Isso acontece tanto nas alterações para a retificação ou para o aumento da curva cifótica.

Ganhando mobilidade da coluna dorsal e liberando a escápula, além do músculo diafragmático de suas tensões, geramos a possibilidade do tórax se insuflar. Assim devolvemos a capacidade máxima de captação de ar pelos pulmões, já que o conjunto dorsal não estará mais preso as tensões internas (diafragmáticas) e nem externas (arcabouço costal).

A ginástica hipopressiva também ajuda seu aluno a normalizar suas tensões internas, além de alongar o diafragma em sua excentricidade. Lembrando que a ginástica hipopressiva deve ser realizada numa apneia expiratória com a sucção das vísceras em direção cefálica.

O ideal é que essa apneia seja mantida por 30 segundos e realizada antes e depois da nossa aula de Pilates.  Realizaremos de 1 até 3 repetições.

Após esse trabalho de liberação de tensões internas e externas, partiremos para a análise das cadeias musculares da unidade motora do tronco. De acordo com as libertações dessas tensões poderão ainda estar presentes no tronco, por conta da nossa memória corporal, se o nosso aluno estiver com seu tronco rodado pensaremos nas cadeias cruzadas, caso ele volte para a próxima aula novamente rígido, pensaremos nas cadeias retas do tronco.

As cadeias musculares cruzadas do tronco ligam o ombro ao quadril oposto podendo desalinhar o ilíaco contralateral gerando dor.

Já as cadeias retas ligam o ombro ao quadril do mesmo lado, logo a dor poderá ser gerada no ilíaco homolateral. Liberamos essas cadeias musculares de suas tensões, posicionando nosso aluno sentado na bola e o instrutor estabilizará a bola e guiará seu aluno para a completa extensão do:

  • Tronco;
  • Quadril;
  • Joelhos.

Buscando a conformação do movimento fundamental descrito por Piret e Bezieres, posicionará a mão cefálica no externo e a mão caudal na inserção dos retos abdominais relaxando assim as cadeias musculares retas do tronco.

E aproveitando o posicionamento do aluno, posicionará sua mão cefálica agora no ombro e sua mão caudal no quadril oposto. Desse modo relaxando as cadeias musculares cruzadas do tronco.

Agora seu aluno estará flexibilizado, relaxado e com suas pressões internas mais adequadas para o início de nossa aula. Agora devemos reestruturar um corpo completamente livre de tensões.

Portando nossa aula deverá ser guiada pela atenta observação para não gerarmos novas compensações posturais. Esse trabalho deverá ser mantido até o ganho efetivo da melhora da flexibilidade torácica.

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Avaliação Postural Estática X Avaliação Postural Dinâmica

Avaliação Postural Estática X Avaliação Postural Dinâmica

Já que conhecemos as Cadeias Musculares gostaria de propor para vocês uma abordagem de avaliação diferente. Claro que a avaliação postural estática é importante, mas não vivemos na estática.

Aliás, sabemos que a estática não existe, visto que nosso equilíbrio é baseado em um desequilíbrio anterior. Levando isso em consideração, nada mais lógico que também avaliemos de forma simples e rápida esse corpo através das suas dinâmicas Cadeias Musculares que levam o nosso corpo para o movimento.

Para Madame Godelieve Denys Struyf criadora do Método GDS, que leva as iniciais de seu nome, para uma boa avaliação o mais importante é o profissional aprender a ver. Todo profissional sobretudo deve saber ver.

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Problemas com a avaliação postural estática

problemas com avaliação postural estáticaA minha grande crítica com a avaliação postural estática que costumamos aprender na maioria das nossas formações é que essa avaliação estática não é fidedigna.

Nosso equilíbrio estático está baseado num desequilíbrio anterior, para reencontrarmos nosso equilíbrio dentro de nossa base de sustentação, após aproximadamente 20 segundos nosso corpo entra num movimento oscilatório para a reequilibrarão postural.  Não parece muito lógico então, realizarmos nossa avaliação postural na estática já que essa estática não existe.

Segundo Léopold Busquet, as cadeias musculares são circuitos de forças organizadores que transitam a todo momento pelo nosso corpo. Uma vez que estejamos sujeitos a força gravitacional, esta força é contínua pelos trajetos das cadeias musculares.

Diante desta informação, temos subsídios suficientes diante dessa força que não cessa em nosso corpo para realizarmos uma boa avaliação postural dinâmica.

Dica para avaliação postural

dicas para avaliação postural

Uma dica importante para a avaliação postural é estarmos atentos para todos os movimentos do indivíduo a ser avaliado desde nosso primeiro contato. Porque no instante em que começarmos oficialmente a nossa avaliação solicitando que o paciente fique em bipedestação para começarmos nossa análise, automaticamente o mesmo se tencionará.

A tensão acontece porque o aluno está em análise. Quem de nós ficaria relaxado, expostos, a uma análise criteriosa de nosso corpo? É normal então que este indivíduo automaticamente tente se corrigir, podendo assim comprometer de forma importante nossa avaliação postural.

Começamos nossa análise nos pequenos momentos em que o indivíduo relaxa, visto que não conseguiria manter essa correção por longo período.

Por que o indivíduo não consegue manter-se por muito tempo tentando se corrigir? Porque ele não pode ou porque ele não quer?

Obviamente a resposta é porque ele não consegue, seus músculos, suas dores, suas limitações não o permitirão.

A avaliação em si

A entrevista ou anamnese

entrevista para avaliação

Devemos primeiramente indagar ao indivíduo quais seus objetivos (ganho de força, melhora postural, emagrecimento) ou queixas (dores, desconforto, lesões).

Nesse instante ele já estará sob nossa atenta observação, como ele se senta, seu gestual, seu modo de falar, sua expressão quando exprime sua dor, caso haja. Tudo é importante e anotado.

Por exemplo, como sabemos que a cadeia muscular de flexão ou antero mediana tem sua origem no assoalho bucal. Portanto, se notarmos um prognatismo nesse indivíduo, já temos uma pista para fecharmos nossos objetivos, diagnósticos e condutas diante do caso, pois sabemos que nesta cadeia haverá tensão.

Caso possua aparelho nos dentes é outro fator de extrema importância, porque a partir desse dado saberemos que estamos lidando com um corpo, que já possui suas próprias tensões internas, externas e outra força que lhe está sendo imposta atuando em seus dentes e crânio.

Nada pode escapar aos nossos instintos nessa hora. Lembrando que as grandes descobertas, foram feitas em insights de conhecimentos através da observação atenta dos nossos grandes gênios antecessores.

Então agora que já sabemos que lidamos com um corpo viscerado começaremos nossa colheita de dados. Quero deixar bem claro aqui, que não estou propondo um protocolo de avaliação postural, mas sim uma sugestão de como ela poderá ser feita de uma maneira otimizada e clara.

Quanto às questões viscerais, faço um adendo: se perguntarmos ao indivíduo como anda sua saúde no geral, ele dirá que está tudo bem. Logo, insista e fragmente sua pergunta.

Vou explicar a seguir o porquê e como. Devo falar ainda que não somos médicos, e, portanto, não diagnosticamos doenças, nossa busca se dá por tensões víscerais, o fato de estarmos diante de uma questão visceral, não indica uma patologia em si.

Seguem algumas sugestões de como aplicá-las na prática

  • Como anda sua deglutição?
  • Engasga com frequência, sobretudo quando come um alimento solido e muito seco?
  • Sente dores de cabeça frequentemente?

Caso a resposta para algumas dessas perguntas seja sim, indica-nos uma tensão na deglutição, portanto, músculos cervicais tensos.

  • Já teve problemas pulmonares: Pneumonia, Bronquiolite, Asma ou Bronquite?

É possível que você ouça que não, insista!

  • Nem quando criança?

Não podemos nunca nos esquecer que o corpo obedece a três leis: do conforto, da economia e do equilíbrio, portanto uma patologia, mesmo que antiga, pode ser o começo para o corpo começar a se reequilibrar diante de tal.

Se temos uma pneumonia, esse corpo esteve sujeito durante um determinado período, à uma forca centrifuga, já que os sinais flogisticos são: dor, calor, rubor e edema.

Sendo o órgão sempre prioridade, esse arcabouço costo vertebral, foi obrigado a ceder espaço para esse aumento de massa pulmonar.

Um quadro asmático seria o contrário, o corpo esteve ou está sob tensão centrípeta desde então.

Madame Thérèse Bertherat diz em um de seus livros que nossos músculos são como paredes de uma casa que tudo ouvem e tudo veem ficando nessas paredes, que são nossos músculos, a memória de todo o ocorrido durante nossa vida.

Os problemas viscerais pulmonares, podem gerar desequilíbrios  importantes, gerando falta de mobilidade torácica e por consequência dor,  além de retrações diafragmáticas importantes.

  • Como iniciou a dor musculoesquelética, caso exista? Como é esta dor? Defina-a, queima, arde, tem irradiações?

Caso a resposta seja sim, já nos atentamos por estar diante de um dor de compressão nervosa.

  • Em que hora do dia sente mais dor? Acorda com a dor mais forte?

Indicativo de uma dor de origem visceral, pois não faz sentido, passarmos 8 horas em repouso sem ação gravitacional, em nosso sistema musculo esquelético, e acordarmos com dor nesse sistema, caso a dor aumente durante o dia segue um esquema logico de dor mecânica.

Análise postural

Aluno ou paciente em bipedestação, segundo dedo do pé alinhado a linha média do joelho que estará por sua vez alinhado com as Espinhas Ilíacas Antero Superiores (EIAS).

Observaremos primeiro se a lesão primária (origem da dor) segue uma lógica ascendente ou descendente.

Lesões Ascendentes

  • Originam-se sempre abaixo da dor relatada, ou seja, caso estejamos diante de uma lesão ascendente, em uma possível lombalgia o esquema de compensação postural que se esgotou causando a dor surgiu de uma estrutura inferior, como por exemplo, pés, joelhos, ou ainda, quadril.

Lesões Descendentes

  • Ao contrário, originam-se sempre acima da dor relatada, na mesma lombalgia citada anteriormente, a lesão primária teve origem em uma estrutura superior, podemos citar aqui: a região torácica, cervical, ou importante, visceral.

Avaliando a lesão

Avaliarmos se a lesão é ascendente ou descendente é bem simples: Traçamos uma linha imaginária de um acrômio até o outro, e da mesma forma, traçamos também uma linha imaginária de uma crista ilíaca até a outra.

Caso as linhas se encontrem em algum ponto estaremos diante de uma lesão ascendente, já se estivermos diante de um caso em que as linhas imaginárias nunca se encontram estaremos diante de uma lesão descendente.

Importantíssimo para traçarmos nossa estratégia com esse indivíduo, para identificarmos, por onde começaremos mobilizá-lo, fortalecê-lo, ou ainda relaxá-lo.

exemplos de lesão ascendente e descendente

Avaliação Estática

A partir daí observo a estática desse individuo, lembrando sempre que a estática tende a ser enganosa.

Poderemos estar diante de um pé supinado, que na verdade estará em supinação, para a reequilibração de uma possível cadeia de fechamento no ilíaco. Isso levaria para um pé pronado, porém diante do esquema compensatório inteligente de nosso corpo, assumirá a posição oposta, de forma excêntrica para a reequilibracão.

Sendo assim a proteção desse corpo para que não realize torções no joelho por exemplo. Por essa questão somente anoto as alterações estáticas observada afim de montarmos o quebra cabeça do esquema corporal que estamos diante, mas realizo os testes dinâmicos que citarei ao longo do texto para ratificar o observado diante da estática.

Analise do quadril

avaliação do quadril

Alguns pontos serão de extrema importância, como por exemplo:

1 – Espinha Ilíaca Antero-Superior (EIAS)

Devemos observar nela qual está mais alta ou mais baixa a direita ou a esquerda.

2 – Crista Ilíaca

Observaremos nas cristas qual está mais alta ou mais baixa, direita ou esquerda.

3 – Espinha Ilíaca Postero Superior (EIPS)

Onde anotaremos qual delas está mais alta ou baixa comparativamente ao lado esquerdo ou direito, pois é através desses pontos que entenderemos o posicionamento da pelve e dos ilíacos.

Esses ilíacos poderão adotar quatro esquemas de alteração postural:

  • A anterioridade que será gerada pela tensão do reto femoral tracionando o ilíaco anteriormente para baixo e do quadrado lombar gerando a tração posteriormente para cima.
  • A posterioridade gerada pela tensão do Isquiotibial tracionando o ilíaco posteriormente para baixo e o reto abdominal tensionando o mesmo ilíaco anteriormente e para cima, fazendo-o girar como se fosse uma roda gigante.
  • O fechamento corresponde a tensão do obliquo abdominal e adutores que trarão a asa ilíaca em sua parte superior para dentro.
  • A abertura ocasionada pela tensão do glúteo médio e assoalho pélvico tracionando o ilíaco em sua asa superior para fora.

Lembrando aqui que quase todos os músculos citados acima correspondem aos músculos do Power House. Podem imaginar o que isso pode acarretar em nossa aula ou atendimento, seja no Pilates ou no Treinamento Funcional?

Quando os dois ilíacos estão em anterioridade segue-se a hiperlordose, lembrando que o sacro sempre acompanhará o ilíaco em seu movimento, nesse caso horizontalizando-o.

Caso ambos estejam em posterioridade estaremos diante de uma retificação ou apagamento da curvatura lombar, com o sacro em verticalização excessiva.

Por que os ilíacos podem mexer-se separadamente?

Segue um esquema para facilitar nosso entendimento, porque os ilíacos podem mexer-se separadamente, por uma tensão de um hemicorpo, para facilitar nossos estudos fiz uma tabela do que acharemos na avaliação dos três pontos do quadril, usando como referência o ilíaco direito:

Posterioridade Abertura Fechamento Anterioridade
EIAS Direita Mais alta Mais alta Mais baixa Mais baixa
Crista Ilíaca D Mais alta Mais alta Mais baixa Mais baixa
EIPS D Mais baixa Mais alta Mais baixa Mais alta
 

Diagnóstico diferencial para o quadril

Faremos o diagnóstico diferencial dos achados posturais através do Teste de Flexão em pé (TFP).

Indivíduo em pé, com os pés paralelos e alinhamento do segundo dedo do pé como a linha média do joelho e EIAS.

Estaremos posicionados atrás do avaliado, apoiaremos nossos polegares nas articulações EIPS, nosso polegar D sobre a EIPS D e nosso polegar E sobre a EIPS E.

Solicitaremos que nosso aluno ou paciente realize uma flexão de tronco, e com nossos polegares acompanharemos as Espinhas. O polegar que subir indica o ilíaco que se moveu, porque o sacro sempre acompanha o ilíaco que mexe para manter a continuidade pélvica.

Diante do esquema acima, caso o polegar que se mova para cima seja o direito, somente uma suposição, e tenhamos três pontos baixos, ou seja, EIAS D mais baixa, Crista ilíaca D mais baixa e EIPS D mais baixa, estaremos diante de um fechamento ilíaco a direita.

Caso o polegar que suba seja o esquerdo e estejamos diante de uma posterioridade a E encontraremos EIAS E mais alta, Crista ilíaca E mais alta e EIPS E mais baixa.

Caso encontrarmos três pontos altos estaremos diante de uma abertura, que gera um varo no membro inferior, podendo nos induzir a uma falsa perna longa. Caso encontremos três pontos baixos o esquema será de fechamento que gerará um valgo, com uma possível falsa perna curta.

Testes dinâmicos para o quadril

Confirmaremos se nossa analise está correta diante do teste de Downing.

Na anterioridade teremos uma cadeia de extensão em membro inferior apresentando um recurvatum. Já na posterioridade estaremos diante de uma tensão na cadeia de flexão, com um flexo de joelho.

Nesses dois esquemas de posicionamento ilíaco, no caso da anterioridade poderemos encontrar uma falsa perna longa, e ao contrario no caso de uma posterioridade poderemos estar diante de uma falsa perna curta.

Para nos certificarmos de que nossa analise está correta, deitamos o indivíduo, juntamos os dois maléolos internos da tíbia, e observaremos se o esquema acima é verdadeiro.

Logo se estivermos diante de uma posterioridade ilíaca a perna do lado da posterioridade estará mais curta, ou a perna contraria a posterioridade estará mais longa.

O mesmo esquema corporal será encontrado no caso da anterioridade, porém a falsa perna longa estará do lado da anterioridade e a falsa perna curta do lado contrário a anterioridade.

Já nos casos de fechamento e abertura, devemos nos certificar de nossa analise clinica através do Teste de Downing, que num esquema de abertura levará o membro inferior ao varo.

Logo levamos o membro inferior ao valgo, e a perna deve encurtar-se. Em seguida levamos a perna ao varo e o membro inferior não se alongará porque a cadeia de abertura não permitirá por seu estado de tensão.

Diante de um esquema do ilíaco em fechamento aplicamos também o Teste de Downing. O ilíaco em fechamento levará o membro inferior ao valgo, então levaremos o membro inferior ao varo e o membro inferior não aumentará sua projeção no espaço, pois a cadeia de fechamento com sua tensão não permitirá. Quando levamos ele ao valgo ele se encurtará.

Em seguida avaliamos a Cadeia de Flexão da Unidade Tronco levando-a para a extensão para observarmos o grau de liberdade da cadeia de Flexão, além da qualidade de seu movimento.

Ao contrário levamos o Tronco para flexão avaliando assim, a liberdade de cadeia muscular de Extensão, além da qualidade do movimento de extensão.

Avaliamos também as Cadeias Cruzadas que são as cadeias do Movimento, solicitando que o indivíduo leve os seus membros superiores a noventa graus de flexão.

Observamos qual mão encontra-se à frente, ela indicará uma tensão da Cadeia Cruzada anterior do lado oposto.  Esta segue do quadril oposto da mão que está à frente seguindo até o ombro do mesmo lado.

Também pode indicar ou uma tensão da Cadeia cruzada posterior do mesmo lado, que sairá posteriormente e homolateralmente a mão que está à frente, seguindo do ombro oposto até o ilíaco do mesmo lado, gerando a rotação do tronco para o lado da Cadeia muscular cruzada anterior do tronco, movimento de rotação complementado pela cadeia muscular de abertura na unidade tronco.

Avaliação da Unidade Tronco

avaliação da unidade tronco

Com o aluno em pé com os pés alinhados conforme descrito anteriormente solicitamos que ele eleve em 90 graus de flexão. A partir daí juntamos suas duas mãos e observamos qual está mais à frente.

Caso a mão direita esteja à frente estaremos diante de uma cadeia muscular cruzada anterior esquerda ou uma cadeia muscular cruzada posterior direita. Também é possível estar diante de ambos os casos, onde observaremos uma rotação de tronco para a esquerda.

Caso a mão que se encontre à frente seja a esquerda estaremos diante de uma cadeia muscular cruzada anterior direita, ou uma cadeia muscular cruzada posterior esquerda, ou ainda diante das duas cadeias. Nesse caso observaremos uma rotação de tronco para a direita.

Teste de Flexão em pé (TFP)

Realizamos também o Teste de Flexão em pé (TFP) através de um teste tônico, portanto passivo, guiado pelo instrutor para a flexão de tronco, avaliando dessa maneira a cadeia muscular de extensão.

E para avaliarmos a cadeia muscular de flexão levamos o tronco do aluno para a extensão realizando dessa forma o Teste de Extensão em pé (TEP). Em ambos testes, observaremos a primeira barreira motriz de nosso aluno.

A primeira barreira motriz e muito sutil e significa aonde o corpo pede para parar, ou começa a se compensar para realizar o movimento, portanto o teste deve ser feito de forma muito lenta para que possamos notar essas compensações.

Caso encontremos uma translação de tronco estaremos diante de duas cadeias cruzadas: uma anterior e a outra posterior para o mesmo lado da translação.

Para finalizar realizamos um Teste de Flexão Lateral (TFL) levamos nosso aluno para a flexão lateral, A fim de avaliar as cadeias musculares de flexão e extensão do mesmo lado. Caso o TFL encontre-se facilitado para a esquerda estaremos diante de duas cadeias musculares sob tensão: a de extensão e flexão à esquerda.

Na avaliação da Unidade Pescoço, avaliamos com 4 movimentos realizados de forma dinâmica pelo individuo

  • Solicitamos que o aluno olhe um suposto avião passando à sua direita: cadeia de flexão mais cadeia cruzada posterior direita em tensão, evitando que o movimento de rotação e extensão cervical aconteça pelo lado direito.
  • Solicitamos para que ele olhe um suposto avião passando à sua esquerda: a possível limitação ou dor neste movimento indicará tensão na cadeia de flexão mais a tensão da cadeia cruzada posterior esquerda limitando o movimento de rotação e extensão do pescoço à esquerda.
  • Pedimos que o indivíduo olhe para a posição do Jesus crucificado (imagine o pescoço de Jesus Cristo após a crucificação) à direita. Em possíveis tensões ou dores geradas nesse movimento trata-se das cadeias de extensão e cadeia cruzada anterior esquerda que limitará o movimento de rotação e flexão do pescoço à direita com sua tensão.
  • Solicitamos que o indivíduo olhe para a posição de Jesus crucificado à esquerda, onde testaremos as cadeias de extensão e cruzada anterior direita que com suas possíveis tensões prejudicarão o movimento de rotação e flexão do pescoço a esquerda.

Zona primária da lesão

lei do conforto

A zona primária da lesão é o ponto onde as compensações começaram a ser geradas. Elas surgiram para que o corpo obedeça as três leis que o regem:

  • Lei do conforto;
  • Lei do equilíbrio;
  • Lei da economia.

Toda essa mecânica estrutural só terá eficácia e respeitará as três leis se a musculatura, seja ela estabilizadora ou produtora de movimento, funcionar de forma coesa, funcional e estruturada.

Caso contrário, nosso organismo é inteligente o suficiente para gerar mecanismos compensatórios importantes que a princípio só funcionarão para a produção do movimento. Isso acontece mesmo que ele produza uma carga excessiva sobre determinada estrutura. Também pode surgir algum enfraquecimento ou encurtamento de músculos.

A longo prazo esse mecanismo, aparentemente efetivo, gerará as mais diversificadas lesões. Algumas pesquisas (tem algum link?)Não perdi, pode tirar afirmam que aos 30 anos de idade grande parte da população apresenta zonas de hiperpressão óssea nas radiografias.

O que quer dizer que existem estruturas que começam a apresentar os primeiros sinais de desgaste mecânico. Caso o ajuste mecânico não seja realizado em tempo, serão estruturas que a médio prazo já apresentarão algum nível de desgaste articular.

Para evitarmos esse desgaste mecânico excessivo, devemos exercer o papel de investigadores para descobrirmos onde foi gerada a primeira zona de lesão. Esse é o primeiro ponto de nossa estrutura corporal que desobedeceu algumas das três leis citadas por algum motivo, seja ele muscular, visceral ou articular, a Osteopatia dá às alterações o nome de microlesões.

Identificando a zona primária da lesão

Para que encontremos a zona primária da lesão e muito simples, já aprendemos como identificar qual cadeia muscular cruzada anterior ou de fechamento encontra-se tensa, isto identificado.

Levaremos o indivíduo para o Teste de Flexão Lateral (TFL) e o lado que encontrar-se mais facilitado nos indicará que as Cadeias Musculares de Flexão e Extensão daquele mesmo lado encontram-se em maior tensão.

A partir daí traçamos duas linhas imaginárias corporais: uma no trajeto das Cadeias Musculares de Extensão e Flexão do lado tenso e outra na Cadeia Muscular Cruzada Anterior que se encontra tensa.

A partir de então conseguimos definir onde as linhas imaginárias se encontrarão: se a lesão imaginária está na unidade tronco superior, ou seja, caixa torácica, ou na unidade tronco inferior, lombar.

Conclusão

Já sabemos onde se encontra a dor, se a lesão começou abaixo da dor sendo uma lesão ascendente. Ao contrário, se começou acima da dor sendo uma lesão descendente.

Sabemos também onde a lesão se iniciou, quais cadeias musculares da unidade Tronco, Unidade Pescoço, Unidade Membros Inferiores e Unidade Quadril estão tensas, e o posicionamento do ilíaco como estará, ficando assim muito fácil, montar nosso quebra cabeça do esquema corporal que estamos diante, logo mãos à obra.

A avaliação postural é um fator essencial para descobrir onde estão as compensações do aluno. Mas também devemos saber quais musculaturas podem ser causadoras do seu problema. Por isso recomendo que continue sua leitura e dê uma olhadinha no meu texto sobre amnésia glútea. Lá você vai descobrir por que o glúteo talvez esteja por trás da dor lombar do seu aluno.

Entenda a biomecânica do enrolamento do tronco no Pilates

Entenda a biomecânica do enrolamento do tronco no Pilates

Nesse texto tentarei explicitar o enrolamento do tronco sob a ótica da biomecânica. Por ser um movimento muito comum no Pilates, é importante o conhecermos melhor para bem aplicá-lo.

O rolamento foi descrito por Madame Bezieres e Madame Piret, também chamado de movimento fundamental do tronco. Falaremos dos movimentos de:

  • Flexão;
  • Extensão;
  • Inclinação lateral.

Como acontece o enrolamento do tronco

ações musculares no enrolamento do tronco

Para o enrolamento do tronco devemos lembrar que este é realizado entre duas esferas: a cabeça e a pelve, portanto o movimento consiste em aproximá-las.

Durante o enrolamento do tronco vemos as seguintes ações:

  • Retos abdominais elevam o púbis;
  • Retos abdominais abaixam o esterno em direção ao umbigo;
  • Cadeia flexora enrola o tronco, que se flexiona sobre si mesmo e concentra todo o volume visceral;
  • Cadeia de extensão (ou posterior) encontra o equilíbrio e direciona movimento;
  • Cadeia de extensão armazena energia cinética para o posterior endireitamento do tronco.

Podemos ver que as cadeias musculares de flexão e extensão trabalham em conjunto durante o enrolamento. Uma delas trabalha em concentricidade e outra em excentricidade.

 

Na unidade cervical o enrolamento da cabeça acontece pela contração dos músculos supra e infra hioideos. Eles realizam a ação de aproximação do queixo com o esterno.

A base da cabeça é esfenoideana, portanto se prolonga para trás da coluna vertebral e a frente pelos ossos da face.

Já a pelve também é uma abóbada invertida. Para o movimento de enrolamento as duas esferas se aproximam, formando o eixo anterior: osso hioideo, esterno e púbis sendo intercalados por extensas massas musculares. Formando o pilar: hio-esterno-abdominal.

A esfera pélvica possui a seguinte ação durante o enrolamento da unidade cervical:

  • Direciona o sacro e todo o eixo vertebral posterior em direção ao processo odontoide.

Durante o enrolamento o disco intervertebral, do sacro até a segunda vértebra cervical, se transforma numa haste flexível. Ela é formada pela contração da cadeia muscular de flexão e controlada pelos músculos da cadeia de extensão.

Os músculos da cadeia de extensão são responsáveis por direcionar e coordenar o movimento. Quando o eixo anterior se encurta durante o enrolamento, aproximando a cabeça da pelve as duas cinturas laterais devem ser simétricas sendo vistas de frente.

No enrolamento a cabeça bascula-se a frente. Com as forças musculares que se centram no hioideo, a flexão cervical ocorre juntamente à báscula da cabeça. Assim, a cabeça se aproxima do esterno.

O movimento segue a partir de todas vértebras cervicais até a sexta vértebra dorsal. As primeiras costelas são deslocadas para trás e se posicionam de forma oblíqua para o alargamento do tórax, enquanto o esterno desliza-se para baixo em direção a pelve.

Já na pelve observamos uma mecânica parecida na articulação sacro ilíaca. Quando a pelve se enrola em direção a cabeça, o sacro também se move de forma anterior e superior. Essa contranutação se difunde até a sexta vértebra dorsal.

Ao passar por T12 (décima segunda vértebra torácica), as três últimas costelas serão tracionadas para trás e para baixo. Desta forma, o tórax aumenta seu volume, aproximando o esterno e a pelve em direção ao umbigo.

Ações musculares

musculaturas no enrolamento do tronco

Mas, sem músculos não há movimento, logo começaremos a discutir agora as ações musculares.

Todos os músculos acima do osso hioideo participam dos enrolamentos da unidade cabeça. Portanto, os músculos da face, mastigação, deglutição e músculos pre-vertebrais estão presentes.

Por exemplo, ao movermos a cabeça em flexão na intenção de começarmos um enrolamento, acionamos os hioideos. Porém, se o masseter não estiver em contração, nada acontecerá além da boca se abrir.

A ação de enrolamento se iniciara pelos músculos infra hioideos que tem como principal função fixar o osso hioideo. O osso hioideo é o principal dissipador das forças que partem da cabeça ou que sobem do esterno.

Quando o movimento de enrolamento da cabeça se inicia através do atlas-axis os infra hioideos e os músculos pré-vertebrais se contraem. Entre esses músculos são:

  • Constritor da faringe;
  • Estilofaringeo;
  • Constritor médio da faringe;
  • Constritor inferior da faringe.

Dessa maneira podemos concluir que o enrolamento da cabeça acontece da seguinte maneira:

  • Começa pelos músculos supra-hioideos;
  • Segue com a contração dos infra-hioideos, que gera o movimento de enrolamento da coluna cervical e torácica.

A ação desses músculos sobre a unidade da coluna cervical é muito importante. Por isso deve ser muito bem coordenada, evitando a ação do esternocleidomastoideo. Esse músculo faz parte das cadeias cruzadas e pode gerar um padrão rotacional no enrolamento.

Os músculos seguem gerando uma grande alavanca, esse movimento é gerado pela ação dos:

  • Pequenos e grandes retos da cabeça;
  • Longuíssimo do pescoço;
  • Escalenos, que tracionam as primeiras costelas para trás e para cima;
  • Esterno;
  • Músculos abdominais, que tracionam o esterno para baixo de forma que todo o vetor anterior esteja tensionado.

Esse movimento das duas primeiras costelas somado ao do esterno é responsável por todo enrolamento torácico.

Os intercostais profundos agem por solidariedade até as últimas costelas, porém só as costelas externais (até a terceira costela) serão movidas lateralmente. A partir da quarta costela serão direcionadas para trás, para baixo e para fora, movimentos esses realizados pelo obliquo externo.

Já na orientação de enrolamento na unidade pélvica, os músculos responsáveis por essa ação são os músculos perineais. Em suas fibras longitudinais tornam-se prolongamento dos retos abdominais aproximando o ísquio do púbis. Em suas fibras transversas aproximam os ísquios, promovendo uma discreta abertura das asas ilíacas para o conforto da massa visceral.

A ação do períneo empurra a plataforma do sacro para trás até aproximadamente a quinta vertebra lombar. Assim acontece o enrolamento do púbis para cima e para dentro acionando os músculos retos abdominais, que se contraem em direção ao umbigo, aproximando simultaneamente o púbis e o esterno.

Esse enrolamento deve ser respeitado e muito bem organizado durante a prática do Pilates e do Treinamento Funcional. A seguir darei algumas dicas de como ele deve ser instruído para nossos alunos. Também aprenderemos como identificar possíveis compensações e desorganizações comumente observados em nossos alunos.

Fatores de um enrolamento bem coordenado

c profundo no enrolamento do tronco

Para que o movimento ocorra de forma bem coordenada devemos observar um C profundo na coluna vertebral. Ele deve percorrer toda sua extensão sem nenhum tipo de linha de quebra.

Uma articulação, qualquer uma delas, com falta de movimento levará ao aumento de mobilidade das articulações subsequentes. A esse aumento de mobilidade compensatório damos o nome de linha de quebra.

Seu nome vem da quebra que acontece no C profundo, arredondado e perfeito gerado durante o enrolamento.

Esse fenômeno se dá para qualquer movimento da coluna:

  • Flexão;
  • Extensão;
  • Flexões laterais.

Como no Pilates a grande gama de exercícios explora esses enrolamentos é de vital importância que estejamos atentos. Devemos ativar a mobilização das vértebras em rigidez.

Segue-se então alguns exercícios e os comandos a serem dados para que orientemos de forma clara e satisfatória esses enrolamentos.

Para que o movimento fundamental do tronco seja respeitado devemos antes flexibilizar os músculos opositores para onde desejamos que o movimento seja realizado: se nosso exercício for solicitar o enrolamento do tronco, devemos flexibilizar os músculos da cadeia muscular de extensão da unidade tronco.

Spine Strech Forward

enrolamento do tronco e spine strecht forward

Esse é um exercício comum no Pilates realizado objetivando a mobilidade da Coluna Vertebral.

Quando feito corretamente, o comando verbal solicita o enrolamento de toda coluna vertebral, com alguns detalhes:

  • Os primeiros 35 graus de flexão de cabeça acontecem sem a atuação da cervical.
  • Durante os 35 primeiros graus de flexão solicita-se somente a flexão da cabeça realizada com os infra-hióideos;
  • Também utiliza-se uma leve contração do masseter para manter a boca fechada.
  • A partir dos 35º o enrolamento será favorecido pela ação gravitacional, a mobilização segue vértebra por vértebra. Isso acontece com o objetivo de alongar toda a coluna vertebral;
  • O enrolamento se dá sentido caudal, gerando leve inclinação da pelve em direção do umbigo;
  • O enrolamento deve ser realizado na expiração o que permitirá que as vísceras e/ou órgãos não sejam privados de sua irrigação. O motivo é a posição do diafragma, que encontra-se-a relaxado.
  • Deve ser observado na coluna um C perfeito e profundo;
  • Durante a expiração solicitamos a descida do esterno e das costelas;
  • Caso seu paciente possua frouxidão ligamentar de cotovelos, solicita-se o acionamento do conjunto bíceps/tríceps para não sobrecarregar as articulações epicondilianas;
  • O mesmo é solicitado nos joelhos: a ativação do conjunto isquiotibiais/quadríceps com o objetivo de não sobrecarregar os ligamentos posteriores dos joelhos;
  • Já mandando uma informação aferente ao Sistema Nervoso Central da propriocepção correta dessas duas articulações, solicita-se ainda o afastamento das costelas inferiores das asas ilíacas, promovendo um alongamento excêntrico dos quadrados lombares e multifideos;
  • Muita observação para não haver linhas de quebra no movimento fundamental do tronco;
  • Esse é um bom comando para ser dado ao aluno:
    • Imagine que entre sua lombar e sua coluna torácica exista uma barra. Você deve ultrapassar essa barra com sua coluna torácica sem retificar a lombar, nem tão pouco flexionar a articulação coxo femoral.

Nesse exercício não podemos deixar que exista uma aproximação entre membros inferiores e abdômen. Por fim, os pés flexionados e a solicitação do deslocamento dos calcanhares para frente fecha a cadeia. Com acréscimo da abdução dos membros inferiores, alongando também os opositores adutores: magno, médio e pequeno.

Cuidados com um corredor amador após sua corrida matinal: tirar a dorsiflexão com o objetivo de poupar os isquiotibiais e o Tibial anterior.

O aluno não poderá de forma alguma sentir o alongamento nos isquiotibiais, e aí segue uma dica minha de orientação aos instrutores:

Devemos sempre nos orientar pelo nome do exercício em si. Ele tem muito a nos dizer. O Spine Strech é um alongamento da coluna e não um alongamento dos isquiotibiais.

Cuidado para não realizar o imprint lombar durante a execução do exercício. Durante o exercício temos que descomprimir ativamente ao máximo as vértebras lombares, como se estivéssemos ultrapassando uma barra.

Lembre-se que a cadeia de extensão gera alongamentos enganosos, e possíveis encurtamentos poderão ser encontrados durante a execução desse exercício.

Compensações observadas durante a pratica do exercício:

  • Encurtamento do quadrado lombar, não permitirá que o aluno se sente sobre seus ísquios
  • Encurtamento do tríceps, solicitara uma hiperextensão dos joelhos
  • Encurtamento dos isquiotibiais, solicitara a flexão dos joelhos.
  • Encurtamento do grande dorsal, gerara uma retificação lombar durante a execução do exercício.
  • Encurtamento do piramidal do esterno, peitorais e rotadores internos dos ombros, gerara um aumento da cifose torácica.
  • Encurtamento do longuíssimo do pescoço, retificara a cervical.

Quando alongar

O alongamento evita que alguma dessas compensações apareçam ao praticar o exercício.

Um aluno que costuma apresentar alguma dessas compensações precisa alongar a relaxar esses mesmos músculos isoladamente. Tudo deve ser feito antes da prática do exercício.

Qualquer uma das compensações que mostrei acima desorganizam a forma do C profundo e perfeito que deveria caracterizar o movimento. Assim o aluno fica impedido de realizar o movimento funcional do tronco.

Swan Dive

swan dive maneira certa de fazer

Para que o movimento fundamental do tronco aconteça durante o Swan Dive, devemos flexibilizar a musculatura da cadeia flexora. Ele é um exercício que trabalha muito a cadeia extensora do tronco e os extensores de quadril.

Esse é um exercício desafiador que requer alta capacidade de recrutar o Power House para reduzir a tensão na lombar, não sobrecarregando-a. Também é muito importante construir o movimento fundamental do tronco e não fazer uma hiperextensão na lombar.

Como realizar

  • Posição inicial: decúbito ventral com mãos à frente, paralelas e próximas à cabeça.
  • O Power House deve ser ativado antes do início do exercício, aplanando o abdômen e afinando a cintura.
  • O aluno se apoia nos antebraços com o cotovelo flexionado. Deve acontecer a ativação da musculatura acessória dos membros superiores.
  • Membros inferiores ficam no chão unidos e ativam adutores. Mantenha os pés em flexão plantar.
  • O aluno deve imaginar alguém puxando os membros inferiores para longe do quadril.
  • Comece com um movimento pequeno pela cervical.
  • Continue com a ativação dos multifideos e eretores da coluna torácica.
  • Imagine que o peito vai se abrir para o chão como e fosse um farol iluminando abaixo.
  • Em cada ciclo expiratório esse farol deve iluminar mais acima.
  • Assim trabalhamos mobilidade e extensão torácica da maneira adequada.
  • Suba o tronco esticando os cotovelos e se apoiando nas mãos.
  • Solte os braços à frente com um movimento de balanceio do corpo.
  • Acione os glúteos para tirar as pernas do chão numa extensão de quadril.
  • Balanceie o corpo para frente e para trás sempre buscando fluidez.

Antes do exercício

Por trabalhar toda a cadeia extensora, precisamos flexibilizar a coluna num movimento posterior de tronco. Assim conseguimos muito mais fluidez durante o Swan Dive.

Para isso podemos utilizar uma bola ou o Bosu, posicionando o aluno sobre o acessório em decúbito dorsal. Flexibilize toda a região anterior do tronco.

Alunos que sentem medo de exercícios de extensão aproveitarão muito essa prática. É uma boa maneira de convencê-los que eles não correm o risco de “travar” como esperam.

Com a cadeia muscular anterior relaxada conseguimos um movimento livre de tensões, e, portanto, mais efetivo e sem riscos.

Uma ressalva: precisamos mostrar aos alunos que temem a extensão de tronco que, a falta de movimento se cura com movimento.

Músculos que realizam o exercício

  • Eretores da espinha (espinhal, longuíssimo, ilioscostal);
  • Semiespinhal enquanto extensores da coluna;
  • Glúteo Máximo;
  • Isquiotibiais como extensores de quadril;
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador do tronco;
  • Gastrocnêmico e soleo como flexores plantares;
  • Tríceps braquial;
  • Fibras anteriores de deltóide para a estabilização e extensão dos ombros.

As linhas de quebra para o movimento de extensão do tronco normalmente partirão da falta de mobilidade torácica, gerando uma mobilização excessiva na coluna lombar que não poderá ser permitida.

Mermaid no Reformer

mermaid no reformer

O Mermaid pode ser usado para as flexões laterais de tronco. Observando-o entendemos a boa mecânica de flexão lateral do tronco.

O aluno deverá sempre estar sentado sobre os ísquios e de frente para o instrutor (que fica ao lado do Reformer). Portanto, deixaremos o aluno sentado sobre o carrinho de lado.

O ombro que está do lado da barra fica em abdução com o punho em posição neutra e mão apoiada na barra.

Preste muita atenção nas mãos. Quando ela se encontrar apoiada deve estar com os dedos em extensão, nunca flexionados. Eles também devem estar livres de compensações, ficando paralelos e organizados.

Posicionamos o membro inferior do lado da barra da seguinte maneira:

  • Em abdução de quadril;
  • Com rotação externa;
  • Com 90º de flexão de joelho;
  • Pé apoiado na coxa contralateral em rotação externa.

Este posicionamento deve permitir que seu aluno mantenha os ísquios apoiados no carrinho para o início do exercício.

Como realizar o exercício:

  • Empurre o carrinho a frente com uma ligeira força que deve partir dos seus ombros decoaptando-o.
  • Volte o olecrano interno do cotovelo internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos. Todo o conjunto de ações organizadoras partem do ombro, e nosso aluno ainda deve ser capaz de manter uma contração efetiva nas axilas. Essa força é parecida com aquela que fazemos para segurar um termômetro.
  • Evite a qualquer custo a hiperextensão dos cotovelos, pedindo a contração do conjunto bíceps e tríceps para que o cotovelo não se encontre relaxado afim de não sobrecarregar as articulações epicondilianas.
  • Abduza a mão contralateral com o cotovelo levemente flexionado desenvolvendo um semiarco no ar.
  • Este braço deverá fazer uma força direcionada a partir do ombro decoaptando-o e realizando um movimento de pistão, afim da mão manter uma força em direção ao horizonte e para cima em direção ao lado da barra.
  • Realize uma inclinação do tronco em direção a barra. É importante não levar o tronco em direção a pelve.
  • Afaste as costelas das cristas ilíacas para evitar isso.
  • Ative as cadeias musculares de flexão e extensão de ambos os lados. Assim evitamos a alteração do posicionamento da perna.
  • Sinta a força dos dois lados do tronco.
  • Mantenha a cintura escapular afastada da cintura pélvica durante todo o exercício. Isso impedira o fechamento do C que deve ser aberto e profundo.
  • Solicite uma abertura da cintura escapular, com arredondamento da coluna, afundamento do esterno e fechamento das costelas.
  • Para alunos hipercifóticos o ar deve ser inalado em direção ao peito, fazendo uma força de arredondamento sem a aproximação dos ombros.
  • Em alunos retificados o ar inalado deve ser conduzido em direção ás costas sem perder o arredondamento torácico.
  • Também solicite o arredondamento torácico no plano frontal.

Durante um movimento do tronco não podemos realizar uma pressão das vísceras para o assoalho pélvico. Assim aumentaríamos a PIA (pressão intra-abdominal).

Ao invés disso, solicite uma contração da musculatura na concavidade da mobilização do exercício. Dessa forma o ligamento Poupart será tracionado para cima e para fora. A contração é realizada pelo músculo transverso do abdômen de forma sutil, afinando a cintura.

Sabemos que fisicamente pressão é igual a força dividida pela área. O movimento de inclinação lateral diminui a área, sendo inevitável aumentar a PIA. Por isso é importante realizar uma flexibilização da musculatura que participa dos movimentos. Dessa maneira conseguimos retirar a tensão gerada nesses músculos.

Em seguida realize a ginástica hipopressiva para normalizar a PIA.

Conclusão

Durante qualquer movimento de tronco devemos respeitar seu movimento fundamental. Para isso, lembre-se do C profundo e perfeito que madame Bezieres e madame Piret descreveram no início do artigo.

Para um bom movimento fundamental precisamos de:

  • Flexibilização;
  • Alongamento;
  • Relaxamento.

Tudo isso nos músculos das cadeias musculares antagonistas. Faça isso antes de realizar o exercício para melhorar a mobilidade, além da qualidade do movimento e após para normalizar as tensões.

Também precisamos normalizar a PIA, o que possivelmente pode ser efetivado com o uso da ginástica hipopressiva após o exercício.

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