Como tratar a pubalgia no futebol com Cadeias Musculares

Como tratar a pubalgia no futebol com Cadeias Musculares

Há muita confusão sobre a palavra “pubalgia” em relação à definição e suas causas etiológicas. Pubalgia gera dor incapacitante na região púbica em atletas. A pubalgia atinge cerca de 10% dos atletas e é particularmente prevalente nos jogadores de futebol.

A literatura indica que cerca de 40% dos casos da patologia ocorrem pelo uso em excesso da sínfise púbica. Isso gera lesões repetidas e progressivas que afetam os músculos:

  • Retor abdominal;
  • Adutores (síndrome do reto-adutor);
  • A própria sínfese (osteíte púbica e lesão articular).

Outros 40% dos casos de pubalgia são causados ​​por hérnia esportiva, definida como insuficiência da parede abdominal anteroinferior. Essas alterações só podem ser identificadas no exame dinâmico através do uso do ultrassom.

A hérnia esportiva pode ser resumida como um defeito musculoaponeurótico da parede abdominal que pode afetar várias estruturas. A anatomia da parede abdominal na região púbica pode explicar as possíveis causas da hérnia esportiva.

Em particular, a relação peculiar entre o feixe de músculo transversal e o músculo reto abdominal. Na presença de hipertrofia do músculo reto abdominal, que frequentemente ocorre em atletas, desenvolve-se uma depressão neste local anatômico cuja profundidade é delimitada apenas pelo feixe transversal. Uma fraqueza aqui pode permitir o estrangulamento de um laço intestinal entre o feixe transversal e o reto, causando dor.

E finalmente, cerca de 20% dos casos de pubalgia são causados ​​por desequilibrios das estruturas ou articulações vizinhas, como:

  • Quadril;
  • Iliopsoas;
  • Isquiotibiais;
  • Ilíacos.

A pubalgia ainda pode ser causada por doenças urogenitárias.

O que é pubalgia?

pubalgia em jogadores de futebol

A pubalgia é a presença de dor, na região baixa do abdômen e na virilha. Ou seja, expressa basicamente sintomas no púbis com irradiações dolorosas que podem se espalhar na direção dos adutores, abdominais e as arcadas crurais.

Foi descrita pela primeira vez em um atleta de esgrima. Mas só foi reconhecida em 1938, quando Willey a descreveu em um atleta de futebol pela primeira vez.

Desde então é cada vez mais frequentemente diagnosticada em atletas amadores e profissionais, sendo um desequilíbrio musculoesquelético causado basicamente pela sobrecarga do volume de treinos.

As pubalgias podem ser de origem traumática ou crônica. Por terem formações fisiopatológicas diferentes obviamente lançaremos mão de estratégias de tratamento diferentes.

Por questões didáticas, neste artigo discutiremos somente as pubalgias geradas pelas disfunções biomecânicas do sistema reto-adutor. As hérnias esportivas são cirúrgicas, e as causadas por questões viscerais tem como fator fisiopatológico questões medicas.

As pubalgias podem atingir com bastante frequência também a tenistas, golfistas e esquiadores, mas as mecânicas desses esportes também não serão discutidas nesse artigo.

Anatomia 

A pelve ou cíngulo inferior como também é conhecida é composta pelos seguintes ossos e suas divisões se dão da seguinte forma:

  • Osso púbico ou púbis andróide, é o mais anterior dos três principais ossos que formam a pelve. Forma o terço inferior e anterior do ilíaco.
  • Ilíacos ou osso do quadril, são dois, e é um osso grande, chato e irregular formado pela união de três ossos: o ílio, o ísquio e o púbis, que se unem na cavidade articular do acetábulo. A união dos dois ossos ilíacos (direito e esquerdo) com o sacro formam a pelve.
  • Ílio, é superior e constitui a maior parte do osso do quadril. É dividido em duas partes pela linha arqueada em asa e corpo. Já ísquio confere a parte inferior e posterior do quadril. Anatomicamente se divide em: corpo e ramo. O púbis é a menor porção do quadril e se localiza anteriormente. Está dividido em corpo e dois ramos: um inferior e outro superior.
  • Pelve, se liga aos fêmures através do acetábulo. E na parte inferior da coluna se situa a pelve, conforme já vimos, formada pelo sacro e os ilíacos, o que é comumente chamado de cíngulo inferior, pois é o elo dos membros inferiores com o tronco.

A característica desse conjunto de articulações é a de possuir muita estabilidade e um sistema de autobloqueio, extremamente importante. Contudo a pelve é capaz de realizar micro movimentos, porém jamais pode perder sua continuidade abaulada. Esse cíngulo se une ao tronco através da articulação lombossacral.

Biomecânica

Segundo Kapandji os movimentos fisiológicos do púbis levam em consideração a unidade funcional a qual pertencem, a cintura pélvica: sacro e os dois ilíacos.

biomecânica do pubis

É na pelve também que duas forças contrárias de grande importância se anulam: a força de peso normal e a força Solo. Sempre que observar alguma patologia musculoesquelética na coluna vertebral, seja ela qual for, deve-se antes pesquisar se há um bom posicionamento da pelve, por ser ela a grande distribuidora dessas forças.

Na estática as forcas descendentes chegam a pelve se propagando desde a coluna vertebral. Passam pelo sacro, articulações sacroilíacas e alcançam as articulações coxofemorais. Uma parte dessa força se encerra no púbis.

Inversamente, as forças que ascendem pelo apoio dos pés no solo, sobem pelos fêmures, e uma parte se encerra no púbis. A outra parte dessa força segue pelo caminho inverso. Na estática, a sínfese púbica tem a função de um disco para absorver as forcas: gravitacionais, solo e de peso normal.

Na articulação lombo sacral, o corpo e o disco de LV são mais altos na região anterior. A base do sacro possui uma discreta inclinação anterior quando na sua posição estática. A força gravitacional se divide em duas na quinta vértebra lombar.

Uma parte da força gravitacional descende pelo corpo vertebral em direção ao solo e a outra se aplica anteriormente sobre a base do sacro. Então quanto mais horizontalizado se encontrar o sacro essa força pode estar aumentada em muitas vezes, tracionando a lombar anteriormente.

pelve e desvios posturais

Na dinâmica da marcha, durante a fase de apoio do pé no solo, a forca reacional do solo, descrita por Newton gera uma forca ascendente que incide sobre a articulação coxofemoral, tornando-a um ponto fixo, onde a articulação sacro ilíaca interpreta essa forca realizando um movimento de posterioridade. Concomitantemente, o peso do tronco descende pelos discos de L5-S1 tendendo a horizontalizar o sacro.

O exposto anteriormente nos deixa bem claro que a sínfise púbica deve ser imóvel, por este motivo recebe um reforço importante de fibrocartilagem, ligamentos e fáscias para sua estabilização (de forma a absorver as forças que nela incidem), porem bem próximo a sínfise púbica também inserem-se numerosos tendões de potentes músculos (geradores de mais forças de energia potencial elástica) e ai iniciam-se os problemas, pois o púbis recebe forças dinâmicas descendentes dos músculos: reto do abdômen, oblíquos e transversos e ascendentes dos adutores dos membros inferiores.

Pubalgia e o futebol

jogadores de futebol com pubalgia

A pubalgia está extremamente presente em jogadores de futebol, sendo que isso pode ser justificado por alguns fatores:

  • Chutes repetidos;
  • Constante troca de direção em grande potência;
  • Alto nível de contato físico.

Em 80% dos casos os atletas referem dor na região dos adutores, porém a dor também pode aparecer na própria sínfise púbica, região baixa do abdômen, quadril, e na bolsa escrotal. Podendo, se não diagnosticada precocemente ser altamente incapacitante para o paciente impossibilitando-o ao retorno esportivo.

Proponho a vocês agora realizarmos uma análise biomecânica do futebol para tentarmos entender o fato desta patologia ser tão frequente aos praticantes deste esporte.

As descrições na literatura sobre a pubalgia são, quase de maneira unânime, muito simplistas. Geralmente seu aparecimento é atribuído à famosa tríade de:

  • Músculos abdominais fracos;
  • Aparecimento da hiperlordose;
  • Potência dos músculos adutores.

Vamos analisar essa tríade a partir de alguns questionamentos biomecânicos.

A tríade de causas da pubalgia

causas da pubalgia

Será mesmo que os jogadores de futebol apresentam músculos abdominais fracos?

Sabemos, hoje em dia, da importância concedida pelos clubes de futebol a trabalhos de fortalecimento do Core. Esse é um esporte de muito contato físico, como um zagueiro ficaria em pé durante qualquer jogada de desarme ou uma simples dividida de bola sem um potente sistema de estabilização?

Todavia os cirurgiões insistem em se referir em inserções musculares fracas quando realizam a cirurgia nesses atletas. Será que essas inserções musculares encontram-se mesmo fracas ou ineficazes por excesso de tensão?

Porque os bailarinos que também solicitam de forma exagerada o púbis raramente sofrem de pubalgia, senão pelo fato de trabalharem muito em alongamento, de forma a não apresentarem retrações em seus membros inferiores.

Em contraposição, os jogadores de futebol exercitam-se demais em semiflexão, numa tentativa de abaixarem seu centro gravitacional. Eles se aproximam do solo, a fim de aumentarem seu equilíbrio e estabilidade numa jogada. Assim geram um trabalho importante de quadríceps e isquiotibiais para suprirem a estabilização dos joelhos, que estará fragilizada pela constante flexão do mesmo.

Quando avaliamos um jogador de futebol profissional, e aqui afirmo para vocês que já tive a oportunidade de tratar alguns, observamos, quadríceps extremamente fortes. Os isquiotibiais estão igualmente desenvolvidos, potentes e curtos para gerarem a estabilização necessária para os seus joelhos durante essa semiflexão muito utilizada no esporte.

Os isquiotibiais tornam-se, portanto, ligamentos ativos tornando-se tensos demais, trabalhando sempre em excentricidade. Seguindo em nossa análise biomecânica, isquiotibiais tensos, normalizarão, a princípio, seu crédito de comprimento flexionando mais os joelhos ou abaixando a asa ilíaca. Eles geram a posteriorização dessa asa pelo excesso de tensão da dupla retos abdominais e isquiotibiais.

Além disso, essa rotação posterior da asa ilíaca em torno do eixo coxofemoral leva a um maior estiramento dos adutores. Eles se fragilizarão diante de qualquer programa de fortalecimento, pois estarão fora da curva de comprimento-tensão para manterem sua potência. Isso acontece seja durante um chute ou durante o apoio unipodal para o chute ser realizado, simulando um estado de fraqueza muscular. Ele tende a ser mais sobrecarregado por programas de fortalecimento.

Leopold Busquet realizou pesquisas em gestuais esportivos dos jogadores de futebol na fase do chute anos antes da pubalgia aparecer, através de arquivos fotográficos do jornal francês L’Equipe e seguem suas conclusões:

Para uma boa mecânica do quadril é imprescindível uma boa flexibilidade dos isquiotibiais. Na flexão do quadril, segundo Kapandji, o joelho descreve um círculo, onde o raio é descrito pelo fêmur e o ponto fixo está no quadril. Isso exige um bom alongamento dos isquiotibiais, já que no momento do chute, tanto a perna de apoio, quanto a perna do chute estarão em extensão. Com o acionamento das cadeias de flexão e cadeias musculares cruzadas do tronco para a potencialização do chute.

Compensações

  • Limitação do ângulo do chute: pouca flexibilidade dos músculos isquiotibiais.
  • Flexão do joelho: gerado também pela tensão dos músculos isquiotibiais.
  • Flexão do quadril, seguido da extensão do joelho para o chute, e ainda a flexão do joelho do pé de apoio, nessa compensação o atleta se utiliza da báscula para que o quadril promova a flexão que está limitada pela tensão dos isquiotibiais.
  • Acionamento dos retos abdominais: nesse momento, o jogador já estará limitado, com serias dificuldades para flexionar o quadril no momento do chute, logo ele solicitara a ação dos retos abdominais, mas para que esse esquema mecânico seja eficiente, os retos abdominais deverão ter seu ponto fixo em suas inserções superiores, para que consiga flexionar o quadril através da sua retroversão, logo a cintura escapular será o ponto fixo para que todas essas ações das cadeias musculares seja realizada, colocando os músculos: esternocleidomastoideos, peitorais, trapézio em tensão e de forma simétrica.

Tratamento conservador usando Cadeias Musculares

Normalmente, no momento que o atleta chega aos nossos serviços estaremos diante de pacientes altamente desestimulados e fragilizados. O motivo é a falta de resultado dos tratamentos conservadores a que já foram submetidos, e uma sombra o ronda insistentemente, o medo de uma cirurgia e da aposentadoria precoce.

A literatura é unânime em eleger o tratamento cirúrgico como o mais efetivo. Porém, afirmo que temos boas chances de trata-lo de forma conservadora com sucesso e promover o seu rápido retorno aos gramados, sem recidivas, através o Método das cadeias musculares.

Para tanto, faz-se necessário uma boa avaliação que deverá seguir dos seguintes testes. Lembrando que a formação fisiopatológica mecânica se instalou pelo desenvolvimento da forca excêntrica dos isquiotibiais a partir da falta de capacidade de alongamento dos músculos citados. Percebemos restrições funcionais importantes, seguidas de uma cascata de seguidas compensações da mecânica corporal.

Testes de mobilidade

  • Teste de Flexão em pé (TFP)

Durante o TFP buscaremos identificar algumas dessas compensações. O teste é considerado normal caso o atleta consiga alcançar os pés sem modificar a posição estática dos joelhos ou do arco plantar.

O teste estará comprometido se identificarmos as seguintes alterações estáticas durante o teste:

  • O atleta não consegue alcançar a ponta dos pés;
  • O atleta atinge a ponta dos pés flexionando o joelhos;
  • O atleta atinge os pés acrescentando um valgo ou varo dos joelhos, podendo até modificar os arcos plantares para realizar o movimento.

Em todas essas compensações citadas observaremos um encurtamento ou retração excessiva dos isquiotibiais.

O atleta poderá ainda apresentar uma retração no nível da altura lombar durante o TFP evidenciando a lordose lombar durante o teste e acrescentando uma hiperextensão dos joelhos. Nesse caso a tensão estará instalada nos músculos quadrados lombares.

Num possível outro esquema compensatório o TFP poderá evidenciar a tensão conjunta dos isquiotibiais e dos quadrados lombares, encontraremos então no TFP uma flexão dos joelhos com a manutenção da lordose lombar durante o teste.

  • Teste de flexão deitado (TFD)

Num TFD sem compensações encontraremos a flexão do quadril a 90 graus, sem flexão dos joelhos e com os pés na mesma altura. Contudo, poderemos observar durante o teste:

  • Flexão do quadril a 90 graus associado a flexão dos joelhos;
  • Elevação da pelve do solo durante o teste;
  • As duas compensações juntas: flexão dos joelhos com o descolamento da pelve da maca, evidenciando a retração dos isquiotibiais.

O atleta poderá ainda nos apresentar durante o teste a falta de flexibilidade dos isquiotibiais de forma assimétrica. Dessa maneira somente um dos lados da pelve descolara do chão, evidenciando o encurtamento desse lado.

No TFD também observaremos como os quadrados lombares se comportarão durante o teste. Caso o atleta realize o teste evidenciando a lordose lombar interpretaremos essa ação sendo evidenciada pela tensão dos quadrados lombares.

Se observarmos a lordose lombar com a flexão dos joelhos, esta adaptação nos remete a tensão dos isquiotibiais em conjunto aos quadrados lombares. Porém, também poderemos observar a tensão assimétrica do quadrado lombar onde ocorre o deslocamento da pelve para o lado retraído. Ou ainda, as duas tensões em conjunto de forma assimétrica.

  • Teste do Psoas

Como sabemos não podemos falar de pelve sem citar o músculo Psoas. Ele tem atuação importante junto a duas cadeias musculares, sendo ele um importante lordosante lombar caso trabalhe junto a cadeia muscular de extensão do tronco (quadrado lombar). Todavia, trabalhando junto a cadeia muscular de flexão do tronco (músculos do abdômen) será um importante cifosante, atuando no apagamento da curvatura lombar.

Para testá-lo, o atleta estará em decúbito dorsal na maca, com um dos membros inferiores abraçado junto ao tronco. Assim verificaremos, se há encurtamento do músculo Psoas contralateral, caso o atleta não consiga manter o membro inferior contralateral apoiado a maca.

Além disso, observaremos se o Psoas atua junto a cadeia muscular de flexão, caso o quadril gire posteriormente, apoiando a coluna lombar na maca. Ao contrário, caso a coluna consiga manter sua lordose o Psoas estará junto a cadeia muscular de extensão do tronco.

  • Teste dos Adutores

O atleta pode estar sentado ou em decúbito dorsal com os joelhos flexionados e os pés apoiados na maca caso ele esteja em decúbito dorsal, ou unidos através das plantas dos pés, caso ele esteja sentado.

Nesse teste solicitaremos para que ele traga os joelhos em direção a maca. Observaremos, a tensão dos adutores, para um teste normal os dois joelhos devem chegar a maca juntos e centralizados.

Conclusão

conclusões sobre pubalgia

Agora que avaliamos e compreendemos os grupamentos musculares capazes de colocar o complexo pélvico em tensão e gerarem uma pubalgia, somos capazes de entender também,que uma pubalgia é muito mais do que uma ineficiência do complexo reto-adutor. A vertente de estudo de Leopold Busquet questiona muito fortemente esta teoria, conforme citado acima, propondo um relaxamento e ganho de mobilidade para os grupos musculares que impedem que o gestual do chute dos jogadores de futebol ocorra dentro de uma boa mecânica.

Toda literatura e estudos selecionados e citados nesse artigo, elegem fortemente o tratamento cirúrgico como sendo o mais eficaz. Eu particularmente, acredito que na realidade o melhor tratamento para a pubalgia está na prevenção.

Devemos começar a prevenir assim que o padrão gestual do chute começar a se modificar ou que as lesões de estiramento dos adutores e isquiotibiais começarem a aparecer. Sendo nessa fase nossa melhor atuação, impedindo que as compensações comecem a se agravar.

Sabemos que muito antes da pubalgia ser diagnosticada por exames de ressonância nuclear magnética ou radiografias simples, as alterações mecânicas já estarão atuando modificando toda o sistema de forças circulantes pelo quadril, membros inferiores, tronco. Ela pode alterar toda mecânica funcional do atleta, de maneira que quando seja diagnosticada já tenhamos importantes alterações ósseas, abreviando assim a carreira do atleta de futebol.

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39As Cadeias Musculares Leopold Busquet A Pubalgia

40 Kapandji

Quebrando paradigmas sobre a hérnia de disco

Quebrando paradigmas sobre a hérnia de disco

Assim que o aluno recebe o diagnóstico de uma hérnia de disco ele já entra em desespero. Na hora que o médico fala sobre o assunto o paciente começa a lembrar de todo mundo que conhece e passou pelo problema, das cirurgias. Mas quem disse que a hérnia é algo tão desesperador assim?

Precisamos desconstruir diversos paradigmas sobre a hérnia de disco e seu tratamento, tanto para nosso bem como profissionais quanto para o dos alunos. Entenda melhor nesse artigo o processo de formação da hérnia de disco e os paradigmas que queremos quebrar.

Coluna Vertebral

coluna vertebralA coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si. Sete delas são cervicais, doze torácicas, cinco lombares, cinco sacrais fundidas e três a quatro coccígeas.

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/ clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

Originalmente imaginava-se que a estabilidade das vértebras era dada pelos ligamentos. Na verdade, ela está relacionada aos músculos.

O verdadeiro papel dos ligamentos é direcionar movimentos produzidos. Eles também protegem as vértebras de movimentos bruscos ou forças excessivas aplicadas na região.

Os músculos, sobretudo com suas fáscias, extremamente potentes, são os grandes responsáveis pela proteção do eixo raquidiano.

As vértebras, estruturas fixas, são justapostas e suas ligações se dão pelas articulações interapofisárias. Elas servem como guias para os movimentos.

Entre as vértebras existe o disco intervertebral e juntos (articulações e discos) são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. São eles os grandes responsáveis pela mobilidade articular e pelas distribuições de forças realizadas na coluna vertebral durante os movimentos.

Logo entendemos o porquê essas estruturas são tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral.

Vértebras

Existe uma vértebra padrão, mas elas sofrem pequenas modificações de acordo com o nível da coluna em que se encontram. As modificações correspondem e as especificidades de todos os segmentos da coluna vertebral, que são diferentes.

A coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas:

  • Escapular;
  • Pélvica.

Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Na estática (quando se tem forças sem movimento) uma coluna saudável tem seus ligamentos e tensores musculares equilibrados e relaxados. Eles só funcionam para manter o equilíbrio estático diante do movimento oscilatório quando estamos em pé. Contraindo-se e relaxando logo em seguida, por exemplo, o equilíbrio é reestabelecido. Se os músculos não conseguirem relaxar após a contração feita pelo reequilíbrio ele adoece

Exercendo sua função cinética qualquer movimento ocorrido entre as duas cinturas gerará uma regulação automática de tônus dos estabilizadores do tronco. Um complexo sistema de compensação postural acontece gerando deslocamentos gravitacionais importantes. Assim surge qualquer encurtamento, fraqueza muscular ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral sofre constantemente um dilema contraditório. Ela precisa ser rígida o suficiente para ter um eficiente suporte da compressão axial (exercida pela força gravitacional somada a força de peso normal) sem perder a mobilidade para produzir movimentos de forma organizada.

Para que isso ocorra a coluna tem que manter equilibrada suas três funções:

  • Estática, (exercida pelos corpos e discos vertebrais, principalmente pelas fáscias);
  • Cinética (feita pelos músculos);
  • De proteção (efetuada pelo canal vertebral.)

Nosso corpo precisa de uma manutenção equilibrada da postura estática e controle dinâmico adequado. Caso contrário terá dificuldade para responder de maneira eficiente às demandas impostas.

Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como a habilidade da articulação retornar ao eu estado original, após sofrer uma perturbação.

Subsistemas da coluna vertebral

Um estudo feito por Panjabi veio de encontro com as ideias abordadas nesse artigo. Ele mostra que a coluna vertebral é formada por três subsistemas:

  • Passivo;
  • Ativo;
  • Neural.

O subsistema passivo é composto pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentares. Ele contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, desenvolvendo forças reativas que resistem ao movimento. Porém ele não oferece suporte estabilizador significativo em torno da posição neutra da articulação.

Já o subsistema ativo é formado pelas estruturas musculares ao desempenharem suas funções contráteis. Ele atua na obtenção mecânica da estabilidade, mesmo na posição neutral. É capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento.

Por fim, temos o subsistema neural., que monitora e regula continuamente as forças ao redor da articulação.

Em torno da posição articular neutra encontra-se uma região de elevada frouxidão ou baixa rigidez. Isso acontece devido ao comportamento não linear as estruturas ligamentares nessa posição.

A zona neutra permite que os deslocamentos ocorram com o mínimo de resistência interna das estruturas passivas.

Lesões nos subsistemas passivo e/ou ativo levam a aumentos não fisiológicos na amplitude da zona neutral. A atividade muscular consegue minimizar essas zonas e até restaurar limites fisiológicos causados pela lesão ou degeneração das estruturas passivas.

Esse é o papel fundamental na busca por estabilidade. Para prevenir disfunções musculoesqueléticas na coluna, precisamos compreender os mecanismos fisiopatológicos que levam ao seu desenvolvimento.

Por isso buscamos entender as instabilidades articulares vistas como fator de risco para desenvolver lesões teciduais, processos degenerativos e álgicos.

Lordoses e cifoses da coluna

hérnia de disco e lordoses da coluna

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). Por este motivo entendemos o porquê das frentes das lordoses sempre possuírem músculos longos e potentes, como é o caso dos flexores do pescoço e do reto abdominal.

Enquanto que a frente das cifoses possuímos músculos chatos e profundos, como exemplo o Serrátil Anterior, que é ligado a função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital observamos:

  • Lordose cervical (protegendo o cérebro);
  • Cifose torácica (protegendo os pulmões e coração);
  • Lordose lombar;
  • Curvatura sacral côncava (protegendo os órgãos da pelve menor).

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano a partir do momento que estamos expostos a força gravitacional (descendente) e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna, mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Classificação da coluna quanto as curvaturas vertebrais

Quanto mais retificadas (retilíneas) forem as curvaturas da coluna definiremos como uma coluna do tipo funcional estático. Já curvaturas vertebrais maiores indicam uma coluna do tipo funcional dinâmico.

Quanto maior for a acentuação das curvas mais mobilidade terá essa coluna. Ao mesmo tempo, curvaturas menos acentuadas indicam maior rigidez.

Em um recém-nascido encontraremos somente uma curvatura corporal, que existe para adequar-se ao útero materno. Após o nascimento ele é submetido a ação da força gravitacional, o que o obriga a realizar uma inversão de partes dessa curva. Conforme seus reflexos inatos vão sendo sobrepostos pelo controle de movimento essas curvaturas começam a se formar.

A primeira é a lordose cervical. Nada mais lógico que o segmento cervical ser o primeiro que o bebê é capaz de controlar. O desenvolvimento neuro-psico-motor é céfalo-caudal e próximo-distal. O recém-nascido inverte a lordose para uma curvatura chama de primeira curva secundária.

A segunda curva secundária é formada quando a criança passa da posição de quadrúpede para bípede. Essa é a lordose lombar.

As curvaturas secundárias são mais flexíveis e frágeis.

O mesmo mecanismo de inversão das curvaturas vertebrais ocorreu durante a filogênese, quando assumimos a postura bípede. Quando o ser humano assumiu a bipedestação, houve uma retificação da coluna lombar seguida de uma inversão da curvatura (lordose lombar).

Isso ocorreu para que houvesse uma extensão do tronco, gerando a manutenção da horizontalidade do olhar e dos ouvidos internos (para que o labirinto ligado à orientação espacial realizasse seu importante papel junto ao equilíbrio).

Essa mudança na curvatura lombar provocou toda uma nova distribuição da força gravitacional. Esse papel foi assumido pela pelve, que de acordo com sua retroversão ou ante versão, anterioriza ou posterioriza o Centro Gravitacional do ser humano, permitindo assim a eretabilidade.

Biomecânica dos movimentos da coluna vertebral

movimentos da coluna vertebral

Os movimentos articulares em cada segmento vertebral são bastante limitados. O que realmente garante a ampla mobilidade da coluna é a somatória da pequena mobilidade de cada um desses segmentos.

Na flexão, a vértebra subjacente se inclina anteriormente, diminuindo assim, o espaço articular na parte anterior do espaço articular, tendendo a pinçar o anel fibroso e empurrando o núcleo pulposo posteriormente. Os processos articulares e espinhosos se afastam e todo sistema ligamentar posterior se encontra tenso. Já durante a extensão a mecânica ocorrida é exatamente oposta.

Nas inclinações laterais, a vértebra superior báscula lateralmente sobre a vértebra inferior. Assim acontece há diminuição do espaço do lado côncavo e o núcleo pulposo se desloca para o lado convexo. Também acontece um aumento dos espaços articulares e tensionamento dos ligamentos.

As rotações geram uma torção sobre o disco que produzem uma tensão (força de cisalhamento) das fibras com a diminuição de todo espaço articular e tensão no sistema ligamentar. Por esse fato as rotações são mais susceptíveis a lesões caso o movimento não esteja em boa organização.

É importante ressaltarmos que, segundo Leopold Busquet (2010) apenas 5% das hérnias são verdadeiras, e essas são cirúrgicas.

Consideremos a segunda Lei de Pascal. Ela diz que uma força empregada em um sistema hermeticamente fechado, no caso dado pelo anel fibroso, gerará uma força e pressão distribuída de forma coesa. Logo, o núcleo pulposo é deslocado para um determinado lado dependendo do movimento. Porém aquela visão antiga que tínhamos de que a pressão também estará aumentada daquele lado é errônea.

Toda essa mecânica estrutural só terá eficácia se a musculatura funcionar de forma coesa, funcional e estruturada. Caso contrário, nosso organismo é inteligente o suficiente para gerar mecanismos compensatórios importantes que a princípio só funcionarão para a produção do movimento. As compensações acontecem mesmo que produzam uma carga excessiva sobre determinada estrutura ou algum enfraquecimento ou encurtamento de músculos.

Ao longo prazo esse mecanismo, aparentemente efetivo, gerará as mais diversificadas lesões. Caso o ajuste mecânico não seja realizado, serão estruturas que em médio prazo já apresentarão algum nível de desgaste articular.

Princípio de Pascal ou Lei de Pascal

O que seria a Lei de Pascal que citei anteriormente?

Foi comprovado pelo físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662), que a alteração de pressão produzida em um fluído, em equilíbrio, transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido e as paredes do recipiente.

É claro que quando aplicamos esse princípio ao corpo humano, devemos observar alguns fatores, como o princípio só funcionará se algumas propriedades estiverem sadias. Abaixo segue um exemplo da Lei aplicada à Coluna Vertebral.

  1. A diferença de pressão: força aplicada sobre uma área, logo sabemos, que se a pressão for muito acima do suportado pelo corpo, os sistemas de contenção do anel fibroso poderão se romper.
  2. A densidade do fluído: logo um núcleo pulposo, desidratado ou rompido, estará, no mínimo mais sensível a Lei de Pascal.
  3. A gravidade: quanto mais alto, em altitude estivermos maiores riscos sofremos.
  4. A diferença em metros: entre as duas colunas do recipiente, vértebra suprajacente e vertebra subjacente, não podem estar com seu espaço intervertebral diminuído.

O conjunto, desses quatro princípios funcionando em plenitude, nos darão uma coluna mais sadia para trabalharmos. Consequentemente diminuímos os riscos de causarmos com algum movimento uma hérnia.

Pascal provou que o movimento produzido entre as vértebras (através de seu estudo em recipientes hermeticamente fechados, como uma bexiga) gerará um aumento de força e pressão, mas estará distribuída de forma coesa.

Logo o núcleo pulposo é deslocado para um determinado lado dependendo do movimento. Mas a pressão não ficará aumentada naquele lado. A pressão no núcleo pulposo se altera durante os movimentos, porém essa pressão está distribuída por todo o conjunto.

Hérnia de disco

hérnia de disco

Hérnia de disco é a projeção da parte central do disco intervertebral (o núcleo pulposo) para além de seus limites normais (a parte externa do disco, o anel fibroso).

O disco intervertebral é uma placa cartilaginosa que forma um amortecedor entre os corpos vertebrais. Após traumatismos a cartilagem pode ser lesada, alguns exemplos de traumatismos são:

  • Quedas;
  • Acidentes automobilísticos;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamentos musculares;
  • Outros.

A lesão comprime raízes nervosas, gerando perda da sensibilidade (parestesia ou anestesia) na altura correspondente ao dermátomo. Também encontramos perda ou falta total de força muscular com alteração, inclusive, do trofismo muscular correspondente à altura da herniação.

Tipos de hérnia de disco

  • Hérnia de disco protrusaé o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusaquando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma ‘gota’;
  • Hérnia de disco sequestradaquando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Se os sintomas não corresponderem fidedignamente a descrição acima, essas hérnias são o que chamamos de falsas hérnias de disco. Segundo Leopold Busquet 95% das hérnias diagnosticadas diariamente nos consultórios médicos são falsas, pois não apresentam esse quadro completo. Somente 5%, as mais graves, geram os sinais para diagnosticarmos uma verdadeira hérnia discal, sendo estas cirúrgicas.

Sintomas de falsas hérnias de disco

O principal sintoma de uma hérnia de disco é a intensa dor no local onde ela se encontra, mas ela também pode gerar os seguintes sintomas:

  • Caso seja uma falsa hérnia cervical: dor na região nucal e pescoço, dificuldade para realizar os movimentos da região cervical e dos membros superiores, pode haver ainda parestesia nos membros superiores.
  • Caso estejamos falando de uma falsa herniacao lombar: dor na região lombar, dificuldade em se movimentar, parestesias geradas pela compressão do nervo ciático.

A dor de uma hérnia discal, pode ser agravada pela tosse, pelo riso e pode piorar durante a evacuação.

Nas curvaturas cifóticas as hérnias são muito mais raras, pois como vimos são aéreas de menor mobilidade. Mas colunas muito retificadas podem sofrer com hérnias de disco torácicas.

Causas

Quanto mais estudo o movimento, mais percebo que a falta de movimento está entre as principais causas da hérnia de disco.

Sim, você leu muito bem. A falta de movimento que temos nessa vida moderna fácil acaba com os padrões normais de movimento e pode causar uma hérnia.

Essa falta de movimento gera:

  • Limitações articulares;
  • Fraquezas musculares;
  • Sobrecarrego do sistema musculoesquelético por pressões para as quais ele não foi projetado.

O primeiro sinal que o corpo manda é um episódio de dor lombar. O episódio ocorre aproximadamente 10 anos antes da falsa hérnia aparecer.  É como se o corpo estivesse te dizendo:

Socorro! Me ajude, me movimente, se exercite, corrija essa disfunção mecânica, por favor!

Quando o pedido de socorro é ouvido e a correção é executada corretamente os sintomas desaparecerão. Porém, normalmente o que se segue é a automedicação com um relaxante muscular ou analgésico.

A alteração mecânica continua a pressionar os discos, sem descanso. Mesmo durante a noite, quando o estado de hidrofilia deveria repor a água perdida pelos discos durante o dia as cadeias musculares não se relaxam.

Mais ou menos 10 anos após esse episódio o disco não resiste e sucumbe formando a hérnia. Some a esse fator colunas que foram projetadas para o movimento, mas que se tornaram rígidas e desequilibradas. Lembram-se do início do texto? E como tratamos?

Devolvendo a mobilidade perdida.

Logo percam o medo de mobilizarem seus alunos herniados. Eles temerão, claro. O próprio médico solicitou que ele ficasse imóvel após o diagnóstico.

Mas é nosso papel orientá-los e mobilizar-se quebrando mais esse paradigma onde a biomecânica não se encaixa ou consegue compreender.

Core e hérnia de disco

core e hérnia de disco

Eyal Lederman diz que o princípio da estabilidade do núcleo ganhou ampla aceitação como reabilitação e prevenção de lesões e condições músculo-esqueléticas.

O autor percebeu que surpreendentemente existem poucas críticas dessa abordagem atualizada. Lederman já indagava sobre a importância de não tornarmos as colunas rígidas demais por excesso de ativação do Core.

Durante muito tempo acreditou-se que um Core forte seria a solução para dores lombares independente da origem. Lederman segue dizendo que o transverso do abdômen tem várias funções na manutenção da postura ereta.

Ele atua no controle da pressão da cavidade abdominal para as funções de fonação, respiração defecação, vômito, etc. Ele também forma a parede posterior do canal inguinal atuando como válvula e impedindo a herniação das vísceras por esse canal.

Na gravidez esse músculo é excessivamente alongado e devido a curva comprimento-tensão perde força. Sua capacidade de estabilização fica dissipada durante esse período.

Mas nem todas as mulheres grávidas apresentam dores lombares, apesar de perder a ação do principal músculo estabilizador. Lederman também faz esse questionamento.

O próprio Paul Hodges, criador do Powerhouse baseado nos estudos de Panjabi, admite em suas pesquisas atuais os efeitos do excesso de contração do Powerhouse. Ele gera um alto custo para o nosso corpo, que não possui somente um músculo estabilizador.

O que existe é um conjunto de músculos que devem trabalhar em sintonia, contraindo-se o músculo certo, na hora certa e com a força certa. No caso de uma sintonia ruim poderemos gerar um aumento importante na pressão intracavitária (PIA).

Outro estudo diz que o treinamento de estabilidade leva a um melhor equilíbrio e controle neuromuscular. Com ele é possível prevenir lesões nas articulações do joelho e do tornozelo, além de servir para tratar dor lombar.

Porém, esse trabalho de estabilidade de núcleo jamais pode deixar nossas colunas vertebrais rígidas demais. Sabemos que as colunas do tipo funcional estático são menos móveis e com um equilíbrio mais precário.

Conclusão

Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado, e das consequências do aumento da PIA, porem devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.

Bibliografia

História natural das hérnias do disco lombar : o aprimoramento do gadolínio tem algum valor prognóstico? [Artigo em espanhol]

Ramos Amador Um 1 , Alcaraz Mexía H , González Preciado JL , Fernández Zapardiel S , Salgado R , Paez .

 

Princípios básicos em termos de força, flexibilidade e exercícios de estabilidade .

Micheo W 1 , Baerga G , Miranda L .

LEDERMEN, Eyal. The Myth of Core Stability. Journal of Bodywork & Movement, 14 edicao, 2010.

Biomecânica dos desvios posturais e como corrigi-los

Biomecânica dos desvios posturais e como corrigi-los

Existe um primeiro passo a ser tomado antes de conseguirmos entender os desvios posturais. Antes de tudo, o profissional do movimento deve compreender e dominar plenamente as disciplinas de Anatomia e Biomecânica.

Digo isso porque o estudo dos dados anatômicos e biomecânicos é essencial para que os profissionais possam traçar suas condutas e suas lógicas ao entender as três leis que regem o corpo.

Isto visto, nesse texto abordarei somente os desvios posturais no plano sagital, sendo esses principais desvios:

Importância da biomecânica

biomecânica dos desvios posturais

A anatomia humana é a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. Ela tornou-se a disciplina base para os cursos da área do movimento, contendo muitas vezes sua história confundida com o próprio surgimento da medicina.

A Biomecânica é um estudo de forças que atuam pelo corpo humano, e ela pode ser considerada como uma parte inerente ao movimento, pois todo movimento é um efeito mecânico (físico).

Sempre que uma força diretamente ou indiretamente atua sobre o corpo humano, esses princípios físicos estarão envolvidos. Logo, este estudo é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou são.

Por razões didáticas, primeiro discutiremos a anatomia e biomecânica, visto que muitos profissionais preferem estudar protocolos de atendimentos prontos. Aqui quero convencê-los a serem críticos, a terem boas bases de discussão e análise diante de um caso. Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e a biomecânica.

Costumo dizer que a fisioterapia é feita de detalhes, e a resposta para o caso de que está diante com certeza estará nos conceitos anatômicos e/ou biomecânicos.

É necessário que se compreenda todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que o nosso corpo obedeça a três leis responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo:

Lei do Equilíbrio

Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico) é sempre prioridade e as soluções.

Lei do Conforto

O funcionamento de um corpo são e fisiológico é sempre confortável. Já o comportamento de um corpo não fisiológico estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.

Necessitamos ver o indivíduo através de seu corpo fisiológico ou adoecido, descobrindo o que ele acoberta e quais compensações esconde. Isso só será possível através de muita dedicação e de estudos.

Lei da Economia

Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Entendendo essas três leis, os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo tornam-se lógicos, e principalmente nos atentarmos para a retroalimentação dessas três leis.

Coluna Vertebral

A coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si, sendo:

  • Sete cervicais;
  • Doze torácicas;
  • Cinco lombares;
  • Cinco sacrais fundidas
  • Três a quatro coccígeas.

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/ clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

anatomia da coluna vertebral
A estabilidade das vértebras é dada pelos músculos, ao contrário do que pensávamos que eram os ligamentos responsáveis pelas estabilidades das vértebras. Eles somente direcionam os movimentos produzidos e protegem as vértebras de movimentos bruscos ou de forças excessivas aplicadas a coluna.

Os músculos, sobretudo com suas fáscias extremamente potentes, são os grandes responsáveis pela proteção do eixo raquidiano. As vértebras, estruturas fixas, são justapostas e suas ligações se dão pelas articulações interapofisárias, que servem como guias para os movimentos.

Entre as vértebras existe o disco intervertebral. Juntos articulações e discos são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. São eles, em conjunto, os grandes responsáveis pela mobilidade articular, e principalmente pelas distribuições de forças realizadas na coluna vertebral durante os movimentos.

Logo entendemos o porquê dessas estruturas serem tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral.

Existe uma vértebra padrão, mas elas sofrem pequenas modificações de acordo com o nível da coluna em que se encontram e as especificidades de todos os segmentos da coluna vertebral, que são diferentes.

Funções da coluna

funções da coluna vertebral

A coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas: a escapular e a pélvica. Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Ainda na estática, o qual se tem forças sem movimento, uma coluna saudável terá seus ligamentos e tensores musculares equilibrados, relaxados, só funcionando para manter o equilíbrio estático diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé.

Como exemplo, contraindo-se, e logo em seguida relaxando, imediatamente o equilíbrio será reestabelecido. Se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio, ele adoecerá.

Já exercendo sua função cinética, qualquer movimento ocorrido entre as duas cinturas gerará uma regulação automática de tônus dos músculos estabilizadores do tronco e um complexo sistema de compensação postural. Isso gera deslocamentos gravitacionais importantes, surgindo assim qualquer encurtamento, fraqueza muscular ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral sofre constantemente um dilema contraditório que é o de ser rígida o suficiente para ter um eficiente suporte da compressão axial (exercida pela força gravitacional), sem perder a mobilidade para que os movimentos sejam produzidos de forma organizada.

Para que isso ocorra a coluna tem que manter equilibrada suas três funções: a estática, (exercida pelos corpos e discos vertebrais, principalmente pelas fáscias) musculares, a cinética (feita pelos músculos) e a de proteção (efetuada pelo canal vertebral.)

A manutenção equilibrada da postura estática e um controle dinâmico adequado são condições fundamentais para nosso corpo responder de maneira eficiente às demandas impostas. Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como a habilidade da articulação retornar ao eu estado original, após sofrer uma perturbação. Ou ainda, fisicamente é a rigidez X a mobilidade desse corpo físico.

Estabilidade da coluna

estabilidade da coluna e desvios posturais

A estabilidade articular da coluna vertebral, diz que o sistema de estabilização da mesma incorpora três subsistemas: passivo, ativo e neural. O subsistema passivo, composto pelas estruturas ósseas, articulares e ligamentares, contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, onde desenvolve forças reativas que resistem ao movimento.

Entretanto, em torno da posição neutra da articulação, ele não oferece nenhum suporte estabilizador significativo. O subsistema ativo contempla as estruturas musculares quando desempenhando suas funções contráteis.

Este, diferentemente do primeiro, atua na obtenção mecânica da estabilidade mesmo a partir da posição neutra, pois é capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento. O terceiro subsistema, o neural, é aquele que monitora e regula de forma contínua as forças ao redor da articulação.

Devido ao comportamento não linear das estruturas ligamentares, em torno da posição articular neutra, encontra-se uma região de elevada frouxidão, ou baixa rigidez. Essa região, a zona neutra, permite que os deslocamentos ocorram com o mínimo de resistência interna das estruturas passivas.

Lesões nos subsistemas passivo e/ou ativo levam a aumentos não fisiológicos na amplitude da zona neutra. Por outro lado, a atividade muscular é capaz de minimizá-las e mesmo restaurar os limites fisiológicos após lesão ou degeneração das estruturas passivas, o que representa papel fundamental na busca da estabilidade.

Estabilidade da coluna e desvios posturais

desvios posturais e coluna

A compreensão dos mecanismos cinesiopatológicos, que envolvem o desenvolvimento das disfunções musculoesqueléticas, é fundamental para a definição de estratégias para sua prevenção e tratamento.

Por esse motivo, busca-se o entendimento das instabilidades articulares apontada como risco para potenciais lesões teciduais, e componente básico de inúmeros processos degenerativos e álgicos.

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). Por este motivo entendemos o porquê das frentes das lordoses sempre possuírem músculos longos e potentes, como é o caso dos flexores do pescoço e do reto abdominal. Enquanto que a frente das cifoses encontrarmos músculos chatos e profundos, como exemplo o Serrátil Anterior, que é ligado a função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital, observamos a cifose cervical (protegendo o cérebro), a cifose torácica (protegendo os pulmões e coração), e uma curvatura sacral côncava (protegendo os órgãos da pelve menor).

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano a partir do momento que estamos expostos a força gravitacional (descendente), a forca do peso normal e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna, mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Classifica-se quanto às curvaturas vertebrais

Quanto mais retificada (retilínea) forem as curvaturas, define-se como uma coluna do tipo funcional estática. Já colunas com maiores curvaturas vertebrais são classificadas como do tipo funcional dinâmica. Além disso, quanto mais acentuadas forem as curvaturas mais mobilidade e quanto menos acentuada maior rigidez.

O recém-nascido apresenta somente uma curvatura corporal que é realizada por um padrão de flexão global (adequação ao útero materno). Logo após o nascimento, a força gravitacional sempre contínua, obriga o bebê a realizar uma inversão de algumas dessas curvaturas para se movimentar. À medida que seus reflexos inatos vão sendo sobrepostos pelo controle de movimento essas curvaturas começam a se formar.

A primeira delas é a lordose cervical, já que o desenvolvimento neuro-psico motor é céfalo-caudal e próximo distal, nada mais lógico que o primeiro segmento corporal que o bebê consiga controlar é o segmento cervical, suportando e regulando os movimentos da cabeça, invertendo assim a curvatura cervical para uma lordose chamada de primeira curva secundária.

A segunda curva secundária é formada quando a criança passa da posição de quadrúpede para bípede e é chamada de lordose lombar. As curvaturas secundárias são mais flexíveis, em contrapartida mais frágeis.

curvaturas vertebrais

O mesmo mecanismo de inversão das curvaturas vertebrais ocorreu durante a filogênese, quando assumimos a postura bípede. Quando o ser humano assumiu a bipedestação, houve uma retificação da coluna lombar seguida de uma inversão da curvatura (lordose lombar).

Isso ocorreu para que houvesse uma extensão do tronco, gerando a manutenção da horizontalidade do olhar e das orelhas internas (para que o labirinto ligado à orientação espacial realizasse seu importante papel junto ao equilíbrio).

Essa mudança na curvatura lombar provocou toda uma nova distribuição da força gravitacional. Esse papel foi assumido pela pelve, que de acordo com sua retroversão ou ante versão, anterioriza ou posterioriza o Centro Gravitacional do ser humano, permitindo assim a eretabilidade.

Por consequência, a pelve foi submetida a adaptações ao estresse promovido pelo aumento da pressão intra-abdominal e pela força da gravidade que passaram a incidir sobre o seu eixo vertical.

Isso resultou em uma mudança significativa do arco pélvico ósseo, com aumento da resistência dos ossos ilíacos e púbico. Ocorrendo, concomitantemente, o espessamento dos ligamentos que servem de suporte à inserção dos músculos mais desenvolvidos.

Na parte inferior da coluna se situa a pelve, formada pelo sacro e os ilíacos, o que é comumente chamado de cíngulo inferior, pois é o elo dos membros inferiores com o tronco.

A pelve

A característica desse conjunto de articulações é a de possuir muita estabilidade e um sistema de autobloqueio, extremamente importante. A pelve é capaz de realizar micro movimentos, porém jamais pode perder sua continuidade abaulada. Esse cíngulo se une ao tronco através da articulação lombossacral.

É na pelve também que duas forças contrárias de grande importância se anulam: a força do Peso Normal que é a nossa massa corporal e a força Solo. Sempre que observar alguma patologia musculoesquelética na coluna vertebral deve-se antes pesquisar se há um bom posicionamento da pelve, por ser ela a grande distribuidora dessas forças.

Na articulação lombo sacral, o corpo e o disco de LV são mais altos na região anterior. A base do sacro possui uma discreta inclinação anterior, quando na sua posição estática, a força gravitacional se divide em duas na quinta vértebra lombar.

Uma delas descendente pelo corpo vertebral em direção ao solo e a outra se aplica anteriormente sobre a base do sacro, então quanto mais horizontalizado se encontrar o sacro essa força pode estar aumentada em muitas vezes, tracionando a lombar anteriormente.

pelve e desvios posturais

Na coluna torácica é possível a realização de todos os movimentos, porém numa menor amplitude de movimento, a limitação é dada pela caixa torácica, a qual é diminuída entre TI e T VII, onde estão fixadas as escápulas e costelas, formando um arco costal junto ao esterno anteriormente. Entre TXI e TXII não existe ligação com o esterno, pois nessa região a mobilidade é significativa.

O papel da respiração

Pela respiração responsável pelo aporte de oxigênio necessário, para que o músculo exerça seu trabalho, não podemos deixar de citar o importante papel exercido pela respiração correta na manutenção da postura.

O músculo diafragma é responsável pelo aumento e diminuição da pressão intratorácica durante o processo respiratório, isso nada teria a ver com a coluna senão pelo fato do diafragma cortar o tronco logo abaixo das costelas e ter seus pilares inseridos nas vértebras lombares.

Pode-se afirmar então que numa respiração limitada, que impede o diafragma de imprimir todo seu curso de contração, teremos o encurtamento dos pilares inseridos na coluna lombar. Essa limitação do diafragma tem como efeito uma tração anterior das vértebras lombares.

Tal tração favorece o aumento da lordose lombar, além de provocar um aumento de tônus e da tensão de toda musculatura inspiratória acessória como:

  • Escalenos;
  • ECOM;
  • Elevador da escápula;
  • Trapézio superior.

Aumentando, por exemplo, a propensão já existente no ser humano da elevação dos ombros.

Não teremos também uma diferença de pressão para a entrada e saída do ar eficaz para o bom funcionamento do estômago, intestinos, entre outros órgãos, pois perdemos a eficácia da massagem efetuada sobre esses órgãos.

Quando solicitamos o diafragma durante o tratamento e em todo trabalho muscular a ênfase na expiração é a fase mais difícil do exercício. É preciso fazê-lo sem colocar o reto abdominal e demais músculos superficiais do abdômen em contração excessiva para que não haja retificação da pelve.

Ou seja, devemos tentar ao máximo manter o quadril em posição neutra, sem retificação da pelve, mas também sem permitir que a lombar trabalhe em relaxamento favorecendo a hiperlordose.

A todo momento essa respiração deve se dar na forma de sucção, trazendo a parede abdominal em direção a lombar, mas também em direção cefálica (respiração aspirativa). Seja a respiração feita predominantemente pelo ápice ou pela base pulmonar. Posteriormente discutiremos mais profundamente o Diafragma.

Como acontecem os movimentos da coluna

movimentos da coluna

Todo esse conjunto mecânico citado anteriormente é mantido por um complexo sistema muscular e para começarmos a discutir os movimentos, não podemos deixar de citar que os mesmos acontecem do centro para as extremidades.

Hoje sabemos que antes de iniciarmos qualquer movimento, seja ele dos membros superiores ou dos inferiores, os músculos estabilizadores de tronco se contraem de 3 a 5 milisegundos antes. A contração acontece para garantir a qualidade e a estabilidade do movimento que ocorrerá nas extremidades.

Então, nada mais indiscutível que darmos suma importância ao Powerhouse do Pilates, ao Core do Treinamento Funcional, ou simplesmente aos músculos responsáveis pela manutenção postural. Serão eles os grandes responsáveis pela eficiência de toda nossa mobilidade.

Musculaturas envolvidas

Porém, temos uma tarefa inglória se seguirmos essa linha de pensamento, pois dando ênfase ao Powerhouse aumentamos a pressão intra-abdominal, enquanto no caso de negligenciarmos esses músculos estaremos sem estabilidade e proteção suficiente na coluna para as tarefas mais cotidianas.

O transverso do abdômen é o grande responsável pela manutenção tônica da coluna e talvez o músculo mais estudado hoje em dia pela disposição de suas fibras. Pelo fato da coluna lombar não possuir nenhum músculo eretor, o transverso abdômen, junto com o diafragma, o multifídeo e os músculos do assoalho pélvico se tornam os grandes responsáveis pela manutenção tônica postural sendo também responsáveis pelo aumento da pressão intracavitária (PIA).

Como os músculos abdominais possuem relevância na estabilização da região lombo pélvica, a diminuição da atividade desses músculos faz com que a flexão do quadril seja realizada sem a estabilidade necessária.

O movimento realizado sem tal estabilidade permite que o músculo Psoas exerça tração sobre o aspecto anterior das vértebras lombares, levando assim a uma anteversão pélvica e um aumento da lordose lombar.

O multifídeo é o grande responsável pela proteção das vértebras durante todos os movimentos realizados pela coluna. Aquela dor referida sentida pelo indivíduo portador de lombalgia nos processos espinhosos é invariavelmente confundida com o multifídeo, que estará álgico e hipotrofiado no primeiro episódio de dor lombar.

O multifídeo se encontra abaixo do semi espinhal e do eretor da espinha na goteira, entre os processos espinhosos e transversos das vértebras. Em todos os níveis, sua ação é produzir rotação, bem como extensão e flexão lateral da coluna em todos os níveis possuindo também um importante papel de estabilizador vertebral.

O assoalho pélvico é definido como o conjunto de estruturas que fornece suporte as vísceras pélvicas e abdominais, fechando a pelve inferiormente. Os músculos do assoalho pélvico são responsáveis pela sustentação das vísceras e fecham o quadrado de sustentação da coluna, tendo como sua principal função manter a pelve em fechamento, ou seja, não permitir a horizontalização do sacro.

Os músculos pélvicos são compostos por fibras tônicas (tipo I) e fásicas (tipo II). Com uma maior proporção de tônicas, o tipo de fibra muscular é determinado pela fibra nervosa responsável por sua inervação.

As fibras tipo I, de oxidação lenta, exercem a atividade muscular sustentada, enquanto as fásicas e glicolíticas estão envolvidas em atividades de disparo rápido. Uma contração errônea feita por esses músculos podem ser causas de lesões.

O músculo do Assoalho Pélvico é constituído por três camadas musculares. A camada superficial é composta pelos músculos bulboesponjoso, isquiocavernoso, transverso superficial do períneo e esfíncter anal externo.

A intermediária é composta pelo transverso profundo do períneo, compressor da uretra e esfíncter uretrovaginal. Essas duas camadas compõem o diafragma urogenital.

A camada profunda, conhecida como diafragma pélvico, é formada pelos músculos levantadores ou elevadores do ânus: pubococcígeo ou pubovisceral, que compreende o pubovaginal, o puboperineal, o puboanal puborretal e ileococcígeo. Além destes, compondo ainda a camada profunda, existe o isquiococcígeo ou coccígeo.

A contração dessa musculatura tem que estar corretamente ativada para que a região lombar fique estabilizada, porém como é uma musculatura tônica, sua contração tem que ser intermediária e contínua sem realizar movimentos rápidos e fortes para que ela não fadigue.

A ativação dessa musculatura gera uma co-contração do transverso do abdômen, através do Reflexo de Guardião. A contração dos músculos do Assoalho Pélvico gera uma “tendência” à abertura discreta dos ilíacos.

Já a contração incorreta desses músculos deixaria a coluna lombar baixa e a coluna sacral sem nenhuma proteção muscular no momento do exercício porque resulta na contração da musculatura superficial e na falta de estabilização da lombar, juntamente com a protrusão abdominal.

Todo esse conjunto favorece o aparecimento de incontinência urinária, conhecida como fugas, hemorroidas, refluxos, hérnias abdominais e vertebrais pelo excessivo aumento da pressão abdominal.

Hiperlordose Lombar

desvios posturais hiperlordose lombar

Caracterizada pelo aumento excessivo da curvatura lombar, a ante versão da pelve é feita pela ação dos músculos: quadrado lombar, reto femoral e iliopsoas.

  • Quadrado Lombar: aproximam a pelve das últimas arcadas costais, lordosando a lombar em L3, tendo como base de seu centro.

A lordose alta que encontramos acima de L3 resulta na elevação do tórax em sua parte anterior, levando ao seu recuo em extensão. Já a tensão excessiva do quadrado lombar abaixo de L3 leva a ante versão pélvica horizontalizando o sacro.

  • Reto femoral: provocam a ante versão pélvica pela rotação anterior dos ilíacos. Em ação conjunta com os quadrados lombares acionam de forma mais severa a patela, empurrando-a de encontro aos ossos do joelho, obrigando os joelhos ao recurvatum.

Logo, fica fácil concluir que um problema mecânico no joelho, pode ter origem no excesso de tensão dos retos femorais trabalhando erroneamente em dupla com o quadrado lombar.

  • Iliopsoas: têm sua origem em T12 e seguem em sua linha de tração até L5, possuem dois feixes: um que se encerra nos bordos sacrais superiores e o outro feixe segue internamente pelas fossas ilíacas.

O aumento da Lordose causada pelo Iliopsoas será notada e encontrada na articulação lombo sacra, portanto encontraremos no Teste de Flexão em Pé (TFP) uma depressão lombo sacra, mais comum do que imaginamos.

Retificação Lombar

desvios posturais retificação lombar

Caracterizada pelo apagamento da curvatura lombar, a retroversão da pelve é realizada pelos: retos do abdômen, músculos do períneo, isquiotibiais e Psoas.

  • Retos do abdômen: realizam a aproximação do esterno ao púbis.
  • Músculos perineais: são responsáveis pela aproximação do sacro ao púbis.
  • Isquiotibiais: em ação conjunta com os retos do abdômen geram uma posteriorização ilíaca.
  • Psoas: caso estejam contraturados serão músculos cifosantes.

Hipercifose Torácica

desvios posturais hipercifose torácica

Observada atrás do aumento da curvatura torácica sendo gerada por esquemas corporais adaptativos extremamente inteligentes, envolvendo músculos, padrão respiratório, além de fatores comportamentais.

  • Os fatores comportamentais são gerados pela timidez e introspecção na adolescência.
  • O problema respiratório se dá quando o diafragma, por algum motivo se posiciona e fixa-se em padrões altos de funcionamento expiratório.

Seu posicionamento coloca o reto abdominal e os intercostais médios em ação máxima de tensão, gerando o afundamento do esterno, e o abaulamento da curva torácica posteriormente, pela aproximação feita do esterno ao púbis.

A ação do peitoral menor trará os ombros em enrolamento, e num esquema máximo de compensação, os músculos romboides, subescapulares, e trapézio não terão condições de resistir a essa forca anterior. Sendo assim, a escápula sucumbirá se alando, tornando-se a partir daí impossível o endireitamento da curvatura torácica, pois as escapulas estarão descoladas do gradil costal.

Retificação Torácica

desvios posturais retificação torácica

Caracteriza-se pelo apagamento, ou por vezes, até a inversão da curvatura torácica, isto porque as técnicas vigentes até o momento são extremamente retificadoras, e até pelo mito gerado por nossas mães e avós de que devemos manter a coluna ereta.

A retificação torácica se dá por uma lógica contrária à hipercifose torácica, com o fechamento do tórax trabalhando em inspiração, posição baixa do diafragma, tracionado o tórax para o alto e para frente em um movimento de rotação das vértebras torácicas em extensão, devido aos pilares de inserção diafragmática baixa, tornando os músculos romboides, trapézio e subescapulares tensos, para manter esse padrão de compensação.

Hiperlordose cervical

desvios posturais hiperlordose cervical

A hiperlordose cervical, aumento da curvatura lordótica cervical, está intimamente ligada à alteração cifótica da coluna torácica, pois continuando a coerência do aumento da curvatura torácica, a coluna cervical pode sofrer lordose sob a ação dos escalenos que estarão sendo tracionados em seu ponto fixo anterior para baixo. A cabeça, por sua vez, colocar-se-á em extensão e anteriorizada, pela tensão excessiva dos músculos esternocleidomastoideos.

Retificação Cervical

É onde encontraremos o apagamento da curvatura lordótica da coluna cervical, e por mais incrível que essa compensação possa lhe parecer, está intimamente ligada à pelve.

A compensação está gerada pela retração do iliopsoas, neste caso a pelve não pode mais se retroverter colocando em inclinação anterior a coluna lombar. A lordose diafragmática colocará as colunas dorsais e cervicais em retificação para manter o ortostatismo do indivíduo.

Conclusão

Por todo conteúdo descrito neste texto, coloco mais uma vez, a necessidade do entendimento do corpo como um todo, único e indissociável.

Com o conhecimento da biomecânica da coluna vertebral e como o corpo cria seus desvios, conseguimos melhorar nosso atendimento ao paciente. Você deverá sempre lembrar que esses desvios surgiram para responder às três leis do conforto, equilíbrio e da economia.

O que você achou dessas informações? Se quiser continuar aprendendo e melhorar ainda mais o tratamento dos seus pacientes, recomendo meu artigo sobre avaliações posturais. É só clicar no link.

Por que o Pilates para idosos ajuda a tratar a osteoporose

Por que o Pilates para idosos ajuda a tratar a osteoporose

O Pilates para idosos é uma ferramenta importante para fornecer qualidade de vida dessa faixa etária. Mas antes de falar disso, existe um assunto mais urgente a discutir.

Para trabalhar bem com idosos, você deve conhecer como acontece o processo fisiológico de envelhecimento. Essa transformação, com pessoas vivendo cada vez mais, também causa diversas consequências para o país.

Como gerontóloga descrevo e chamo a atenção dos leitores para a importância das consequências causadas pelo envelhecimento da população brasileira. Esse fator traz grande responsabilidade para os profissionais do movimento.

Costumo dizer que com o incremento de novos exames e medicamentos a medicina acrescentou vários anos de vida às pessoas. Porém, cabe a nós, profissionais do movimento agregar qualidade a essa quantidade de vida.

No Brasil, esse fenômeno é novo. Ele aconteceu devido a melhores condições sanitárias que surgiram nas últimas décadas e criaram melhores condições de vida para os brasileiros. Assim a expectativa de vida subiu, o que levou a um aumento na população idosa. Em contrapartida, os números de nascimentos caíram, o que propôs ao Brasil um envelhecimento de sua população.

Pirâmide etária do Brasil, segundo o IBGE (dados do Censo 2010)

pirâmide demográfica IBGE

O que é terceira idade?

o que é a terceira idade

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), essa é a fase da vida que começa entre 60 e 65 anos. A Constituição Federal brasileira considera 65 anos como o início da terceira idade. O Código Penal Brasileiro adota uma idade diferente, 70 anos. Por fim, a Política Nacional do Idoso também adota os 60 anos como início para a terceira idade.

Na geriatria, levando em consideração o ponto de vista biológico, essa idade começa aos 50 anos.

Controvérsias a parte, é fato que a terceira idade não coincide com envelhecimento. Cito aqui a célebre frase do Sr. Joseph Pilates:

“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem.”

Nada poderia ser mais moderno que essa frase. Vemos que a população de 60 anos de idade, ou mais, lotam nossos Studios de Pilates. Às vezes eles até buscam melhor condicionamento físico para correr uma maratona com o auxílio do Pilates para idosos.

Claro que esse condicionamento depende da classe social a qual o indivíduo pertence. Porém existem muitos “idosos” que são idosos só na idade, não no corpo.

O processo de envelhecimento sob a ótica biológica

processo de envelhecimento

Sabemos que o processo de envelhecimento é inerente, involuntário, fisiológico e inevitável. Ela causa:

  • Perda da estrutura e função do organismo;
  • Perda de massa muscular;
  • Perda de força muscular (sarcopenia);
  • Diminuição da massa óssea (osteoporose);
  • Queda na produção hormonal;
  • Lentidão no tempo de reação muscular frente aos desequilíbrios posturais;
  • Aumento do risco de queda.

A queda é a principal causa de morte do idoso no Brasil. Levando em conta o risco maior de quedas em idosos, essa é uma característica nada desejável.

Apesar de existirem múltiplas alterações fisiológicas que se processam no organismo, vamos discutir dois desses processos. Considero que esses são os mais importantes para o profissional do movimento: a Sarcopenia e a Osteoporose.

Sarcopenia

A Sarcopenia é parte do processo de envelhecimento fisiológico. Ela é caracterizada pela diminuição dos tecidos conjuntivos, gerando um desequilíbrio no processo de formação e reposição muscular. O músculo produzido também diminui de qualidade.

A Sarcopenia aumenta de forma significativa a partir da quarta década da vida. Ela é um resultado multifatorial, como por exemplo:

  • Deficiência hormonal;
  • Falta de atividade física;
  • Deficiência alimentar.

Ela ainda pode ser exacerbada se associada a doenças da Tireoide ou do metabolismo em geral.

Acredita-se que a perda muscular aconteça progressivamente de 1 a 2% ao ano. Portanto, um idoso de 80 anos tem aproximadamente só 50% do total da sua massa muscular quando jovem.

A diminuição da massa muscular, força e função acontece de maneira progressiva com o funcionamento.

Recentemente, a determinação genética tem sido associada à massa muscular e força muscular em idosos. Esses 2 fenótipos de risco são os mais reconhecidos e estudados para a sarcopenia. Sua herdabilidade varia entre 30 a 85% para força muscular e 45 a 90% para massa muscular.

O desenvolvimento e manutenção da massa muscular no início da idade adulta reduz o risco de desenvolver sarcopenia. Assim, podemos ter um envelhecimento saudável.

Por isso, é importante identificar quais fatores genéticos interagem com o envelhecimento. Em particular, precisamos saber qual a resposta e história pregressa musculoesquelética desse indivíduo ao exercício.

Osteoporose

osteoporose e pilates para idosos

A Osteoporose é uma doença metabólica do tecido ósseo gerada por:

  • Perda gradual de massa óssea;
  • Enfraquecimento das trabéculas ósseas por deterioração na microarquitetura tecidual;
  • Falta de qualidade do tecido depositado;
  • Perda de plasticidade e homogeneidade do tecido;
  • Diminuição da quantidade de mineralização óssea.

Devido a todos esses fatores, os ossos tornam-se frágeis e susceptíveis às fraturas.

A formação óssea acontece por células específicas para isso, então afaste aquela ideia de que o osso é uma estrutura morta.

Essa renovação é continua e realizada por três tipos de células responsáveis pela formação, regulação e reabsorção da estrutura óssea enfraquecida (envelhecida). Essas células são:

  • Osteoblastos: formam a estrutura óssea;
  • Osteócitos: células mantenedoras da quantidade de minerais existentes no osso (cálcio);
  • Osteoclastos: reabsorção das células envelhecidas.

A osteopenia é, portanto, a diminuição de massa óssea, gerada pela perda de cálcio (osteócitos débeis). Muitas vezes quando não tratada ela leva a osteoporose.

Existem múltiplas funções para nosso arcabouço esquelético. Nesse estudo, falaremos principalmente sobre a capacidade do osso de suportar nossa carga axial. Ou seja, quantidade de massa corporal medida em quilogramas. Ele distribui essa carga de forma a absorver os impactos gerados pelo corpo.

Vários fatores podem influenciar gerando um desequilíbrio por todo o sistema.

Vamos ver o exemplo da osteoporose pós-menopausa. Ela é particularmente preocupante porque leva a um risco aumentado de fraturas. Seus impactos são ruins na saúde de mulheres mais velhas.

No Brasil, a prevalência de osteoporose em mulheres pós-menopáusicas varia entre 15% e 33%. Um diagnóstico de osteoporose pode ser feito com base em fraturas sem trauma significativo ou na baixa densidade mineral óssea (DMO), medida por absorciometria de raios-X.

Existem critérios pré-estabelecidos pela OMS para diagnóstico da osteoporose baseado na DMO, conforme indica a tabela abaixo:

osteoporose infográfico

Citei anteriormente como o processo de envelhecimento está ligado ao desequilíbrio ou falência na formação de tecidos conjuntivos. Nessa categoria incluímos:

  • Ligamentos;
  • Tendões;
  • Pele;
  • Fáscia.

O envelhecimento das fáscias me despertou interesse em especial nesse artigo. Infelizmente existe pouco material de pesquisa específica para falar sobre o assunto.

Nada mais óbvio que imaginar que esse tecido também se encontra debilitado por deficiência de Colágeno. Considerando a falta de pesquisas a respeito paro por aqui, prometendo trazer um texto específico.

Relação Mecânica com o Processo de Remodelagem Óssea

Nenhum estudo sério foi capaz de comprovar a resposta das células ósseas a aspectos mecânicos de tensão. A capacidade do fluxo de fluido e a deformação com os estímulos podem teoricamente aumentar a capacidade de remodelagem óssea nas células já residentes.

Isso nos faz acreditar que as multiplicidades de estímulos mecânicos podem estar relacionadas a este processo.

As cargas mecânicas de flexão no osso cortical irão gerir pressões mais elevadas no córtex ósseo se comparado a uma única trabécula. Quanto maior for a área teremos maior pressão.

Sendo assim, a tensão mecânica gera, segundo a teoria de Harold Frost, um feedback para que a massa e a remodelagem óssea possam ser estimuladas pelo que o pesquisador chamou de mecanossistema.

O processo de remodelagem óssea parece objetivar a manutenção de ossos fortes para a diminuição dos riscos a fratura. Porém, esse processo de remodelagem pode levar anos e pode ser inativo no caso de sedentarismo, onde essas tensões não são geradas.

A teoria do mecanossitema explicaria porque dentro de um laboratório de anatomia, dois ossos de mesmo nome, de dois indivíduos diferentes, com a causa da morte ter a exclusão de doenças do sistema musculoesquelético, possuem suas próprias insurgências, declínios e conformações por vezes, bem diferentes.

Exercício Físico e a Osteoporose

exercício físico para osteoporose

Na população feminina a prevalência de osteoporose na coluna lombar varia de 15,8% em mulheres na faixa de 50 a 59 anos a 54,5% em mulheres com mais de 80 anos. A prevalência de fraturas varia entre 20% e 82%, nas mesmas faixas etárias, concomitantemente.

Segundo a Sociedade Americana de Menopausa, o principal objetivo clínico na condução da osteoporose é reduzir o risco de fratura.

A osteoporose pode ter um impacto forte na autoestima e no humor da paciente. Os principais motivos são:

  • Dor resultante da mudança na imagem corporal;
  • Perda de mobilidade;
  • Perda de independência.

Portanto a prevenção de quedas é o ponto principal na prevenção de fraturas. Mulheres que se encontram em período pós‐menopáusico e que possuem osteoporose são um grupo de risco. Elas apresentam prevalência de queda de 51,1% contra 29,3% de mulheres sem osteoporose.

É importante estudar essa doença por causa da maior expectativa de vida da população e os custos gerados pelas fraturas. As fraturas de quadril devem receber atenção em especial por atribuírem maior morbidade e mortalidade.

O exercício físico tem papel fundamental no tratamento da osteoporose, principalmente pela redução da reabsorção óssea. Ele promove em pacientes com osteoporose:

  • Aumento de força muscular;
  • Estabilidade;
  • Equilíbrio;
  • Mobilidade;
  • Melhora da qualidade de vida;
  • Redução da dor;
  • Prevenção de quedas.

Por isso precisamos discutir o Pilates para idosos. Nesse estudo procurei estudar a associação entre exercício físico e qualidade de vida para mulheres portadoras de osteoporose na pós-menopausa. Quando falamos em qualidade de vida queremos dizer tanto no sentido físico quanto psicológico.

Pilates para idosos com osteoporose

pilates para idosos na osteoporose

Após revisar estudos sobre o assunto foi possível identificar que eles foram:

  • Compostos principalmente por amostras do sexo feminino ou ambos os sexos;
  • Não houve estudo de amostragem realizados isoladamente em um único sexo.

A revisão tenta se redimir correlacionando o Pilates a um método mais praticado por mulheres.

Praticamente todos os estudos que compuseram esta revisão científica mostraram que a prática do Método Pilates teve implicância direta na qualidade de vida dos pesquisados. Os efeitos mais positivos do Pilates para idosos foram gerados no ganho de flexibilidade nos indivíduos ou prevenção para a perda da flexibilidade muscular.

Outros estudos demostraram, como resultados da prática do Pilates para idosos ganhos em:

  • Equilíbrio estático e dinâmico;
  • Autonomia pessoal, melhorando as atividades de vida diária (AVDs) dos indivíduos em questão.

Em se tratando de composição corporal outro estudo relatou que o método Pilates mostrou-se eficaz no equilíbrio. Em alguns casos encontramos até:

  • Reversão em perda de massa magra;
  • Redução da gordura corporal;
  • Estabilização ou reverter quadros relacionados à obesidade, como a hipertensão e diabetes.

Também foram relacionados resultados positivos da prática do Pilates para idosos no tocante ao aumento da força muscular. Somado ao já exposto, ocorreram diminuições substanciais no número de quedas entre os idosos.

E que se combinado com exercícios aeróbicos apresentou como resultado diminuição nas dobras cutâneas. Ele também evita a perda de massa magra.

Apesar de os resultados excepcionalmente promissores, esse estudo foi o que apresentou a menor pontuação na escala de avaliação da qualidade metodológica entre todos os estudos avaliados (12 pontos). O que anula a credibilidade da pesquisa.

Outro estudo voltado para questões posturais no envelhecimento não saudável encontrou o Pilates como uma maneira eficiente de diminuir as cifoses sagitais. Porém, nesse estudo não houve a descrição das distribuições dos principais fatores de confusão de cada grupo, bem como não fez o cegamento deles para a intervenção, tão pouco randomização, além de não apresentar cálculo de amostragem.

Um único estudo buscou correlacionar o método Pilates a variáveis cardíacas e metabólicas. Propôs um acompanhamento de oito semanas de prática do método para os sujeitos avaliados, o que demonstrou redução da pressão arterial diastólica.

Mas, o estudo acaba por ser invalidado pelo fato de os autores não descreverem:

  • Características da amostra e das perdas do estudo;
  • Distribuições dos principais fatores de confusão em cada grupo de sujeitos;
  • Possíveis efeitos adversos da intervenção;
  • Cegamento dos indivíduos;
  • Se houve cálculo de tamanho amostral.

O estudo que apresentou maior pontuação em sua metodologia concluiu que o método Pilates acrescentou mudanças em:

  • Funcionalidade;
  • Estabilidade;
  • Mobilidade;
  • Equilíbrio;
  • Força;
  • Flexibilidade muscular;
  • Devolução aos indivíduos de autoconfiança com relação a sua independência corporal;
  • Redução de quedas.

Porém esse estudo não apresentou randomização e tão pouco, cálculo de sua amostragem

Nenhum dos artigos conseguiu comprovar cientificamente a eficiência do método Pilates para melhora física e motora nos idosos. O motivo foi a baixa qualidade da metodologia apresentada em todos os principais estudos correlacionados a esse texto.

Os principais problemas metodológicos identificados foram:

  • Ausência de controle para fatores de confusão;
  • Falta de identificação dos possíveis efeitos adversos da intervenção;
  • Falta de cegamento de quem aplicou ou recebeu a intervenção;
  • Falta de representatividade das amostras;
  • Ausência de cálculo de tamanho amostral.

Conclusão

Porém sugiro que não desanimemos perante a falta de critérios metodológicos dos artigos científicos realizados até hoje. Uma vez que em nossos Studios os resultados encontrados sugerem sim uma melhora e bastante significativa de nossos alunos. Visualizamos isso diariamente em nossos estúdios.

Tenhamos bom senso nos critérios escolhidos para nossas aulas respeitando sempre os limites de cada indivíduo idoso. Lembrando aqui que nossos idosos possuem mais fragilidade em seu sistema musculoesquelético. Logo devemos respeitar os limites nos impostos pelo corpo de cada um individualmente.

Esse limite será muito diferente lembrando da história muscular individual de cada um, mesmo que ambos tenham a mesma idade. Lembrem-se de que estar na terceira idade não é mais sinônimo de envelhecimento.

Trabalhemos visando ganho de qualidade de vida, na melhora das AVDs, e sobretudo, sobre o equilíbrio do seu aluno.

Não nos esqueçamos de um músculo chamado Tibial Anterior, que em sua função tem a capacidade de dorsi flexionar os pés sem a ajuda dos extensores dos dedos. Esse musculo durante o processo de Sarcopenia sofrerá como em qualquer outra perda funcional, diminuindo consideravelmente a qualidade da marcha de nossos alunos, o expondo mais as quedas. Tudo que precisamos evitar!

Por conseguinte, o estudo ainda sugere que novos estudos continuem sendo realizados, em especial ensaios clínicos randomizados. Precisamos de amostras mais amplas, maior tempo de intervenção e com indivíduos de ambos os sexos.

Além disso, a suma importância de um maior controle metodológico, uma vez que a pontuação obtida na avaliação da qualidade dos estudos incluídos na presente revisão sistemática foi baixa.

A metodologia falha em especial ao que se refere à inclusão de grupo controle, ao ajuste a fatores de confusão, à informação sobre os eventos adversos importantes, ao cálculo de tamanho amostral e ao poder e relato sobre perdas.

Também indica‐se a realização de estudos que comparem o método Pilates com outros tipos de exercício físico. Outra ideia são pesquisas que confrontem os exercícios do método feitos no solo com os que usam acessórios e/ou aparelhos.

No que diz respeito ao Treinamento Funcional não encontrei sequer um artigo que o correlacionasse ao público idoso. Mais uma vez, destaco a necessidade de mais estudos para que possamos lidar com essa população, cada vez mais crescente no Brasil, de forma segura e eficaz, otimizando nossos resultados práticos.

Destacando sempre que a prevenção é muito mais interessante e eficaz do que o tratamento pós queda. Além do tratamento ser mais custoso, o resultado cirúrgico nem sempre apresentam os resultados esperados, gerando um alto impacto emocional sobre o idoso e sua família.

É preciso lembrar também que uma anestesia geral nessa faixa etária é algo sempre delicado, levando em conta os problemas associados que essa população pode muitas vezes já apresentar como:

  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Resquícios de sequelas gerados por anos de tabagismo, prática comum, quando falamos das décadas de 60 e 70 sobretudo.

Essa população merece estudos mais específicos e bem direcionados metodologicamente. Também vemos a necessidade de profissionais cada vez mais especializados conhecedores de todos processos emocionais que envolvem o envelhecimento, como:

  • Diminuição da visão;
  • Esquecimentos;
  • Diminuição da independência;
  • Incontinência urinaria;
  • Fatores do envelhecimento do principal órgão de sua organização espacial, os labirintos.

Levando em conta todos os fatores citados nesse texto, nosso programa de exercícios físicos elege-se como a estrela do tratamento em geral, sem descartar a reposição hormonal, e a melhora da ingestão alimentar.

“ Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem.” Joseph Pilates.

Referências

A epidemiologia e o manejo da osteoporose pós-menopáusica: um ponto de vista do Brasil

Luiz Francisco Baccaro , Délio Marques Conde ,  Lúcia Costa-Paiva  e Aarão Mendes Pinto-Neto 

The effects of the Pilates method in the elderly: a systematic review

Revista Brasileira de Reumatologia (English Edition), Volume 56, Issue 4, July–August 2016, Pages 352-365

Reabilitação de distúrbios ortopédicos e reumatológicos. 1. Avaliação , tratamento e reabilitação da osteoporose.

Kaplan RJ 1 , Vo AN , Stitik TP , Kamen LB , Bitar AA , Shih VC .

Postmenopausal osteoporosis as a failure of bone’s adaptation to functional loading: a hypothesis.

Lanyon L1Skerry T.

Os efeitos do método Pilates em idosos: uma revisão sistemática.

[Artigo em inglês, português]

Engers PB 1 , Rombaldi AJ 1 , Portella EG 1 , Silva MC 2

Rev Bras Reumatol. 2014 Nov-Dec;54(6):467-73. doi: 10.1016/j.rbr.2014.02.008. Epub 2014 Sep 28.

[Influence of physical activity on quality of life in postmenopausal women with osteoporosis].

[Article in Portuguese]

Caputo EL1Costa MZ2.

Como a Ginástica Hipopressiva pode deixar sua aula perfeita

Como a Ginástica Hipopressiva pode deixar sua aula perfeita

A ginástica hipopressiva começou a aparecer na mídia há pouco tempo entre as modinhas fitness do momento.  Os blogs anunciavam que era um novo método para perder peso e diminuir a cintura. Claro que muitas das informações divulgadas eram mitos ou confusas, mas de qualquer maneira a hipopressiva virou moda. O que ninguém mencionava é que a hipopressiva é um método importante para resolvermos diversos problemas inclusive trabalhando com o movimento.

Quero desmistificar um pouco a hipopressiva nesse artigo. Aqui explicarei principalmente:

  • Como funciona a ginástica hipopressiva;
  • De onde ela veio;
  • Benefícios;
  • Como praticar e usar nas aulas.

Também desmistificaremos alguns mitos sobre esse método extremamente importante. Quer aprender tudo que precisa saber sobre a hipopressiva? É só continuar lendo.

Antes de começarmos o texto, eu recomendo para que você CLIQUE AQUI e participe do meu grupo exclusivo do WhatsApp, onde eu envio conteúdos, como vídeos e textos, todos os dias. PS: Grupo exclusivo para profissionais e estudantes de Fisio e Ed. Física.

Surgimento da ginástica hipopressiva

A Ginástica Hipopressiva foi criada pelo Professor Doutor Marcel Caufriez. Ele foi um fisioterapeuta belga, doutorado em Ciências da Motricidade e especializado em Reabilitação. O que chamamos de técnicas hipopressivas nada mais são que posturas e movimentos. Seu principal objetivo é alcançar a diminuição nas cavidades torácica, abdominal e pélvica.

Durante os seus estudos Marcel verificou que os exercícios hipopressivos proporcionavam alguns benefícios:

  • Diminuição da pressão abdominal. A hipopressiva cria um efeito de vácuo, aspirando as vísceras para cima, não as empurrando contra o assoalho pélvico. Esse último caso seria a causa de uma série de patologias.
  • Tonificação da parede abdominal, por ativar a musculatura mais profunda desta região.

Caufriez foi um profissional apaixonado pela reeducação uroginecológica. Através da sua dedicação a reabilitação no pós-parto ele foi responsável por criar a primeira técnica de hipopressiva. Na época a chamou de aspiração diafragmática.

A técnica surgiu como uma alternativa para conseguir a tonificação dos músculos abdominais de mulheres no pós-parto. As técnicas de fortalecimento utilizadas até aquele momento implicavam um enorme risco de causar alterações na estática pélvica. Portanto, a hipopressiva tornou-se uma alternativa importante (Caufriez, Fernandez, Fanzel e Snoeck, 2006).

Caufriez pode verificar nas pacientes que durante a palpação e exame vaginal elas realizavam um movimento reflexo de expansão torácica. A partir deste episódio verificou que ao se enrijecer (ativar) o músculo serrátil anterior ocorreria uma abertura da caixa torácica. Consequente relaxamento do diafragma e elevação dos órgãos internos.

Caufriez experimentou diferentes exercícios, posições e ações que teriam por objetivo melhorar este efeito.

A partir desse momento desenvolveram-se vários estudos no Laboratory for Experimental and Applied Human Ecofisiology. O objetivo inicial era criar uma técnica de tonificação muscular benéfica para a faixa abdominal sem prejuízo para o assoalho pélvico. Neste contexto surge o conceito da Ginástica Abdominal Hipopressiva (GAH) ou método abdominal hipopressivo (MAH).

O que é a Ginástica Hipopressiva?

As técnicas de GAH são descritas como:

Sequências cronológicas rítmicas de exercícios posturais que provocam a diminuição da pressão intra-abdominal (PIA) e intra-torácica. Elas levam a:

  • Uma série de ativação automática de neurodivergências dos músculos do períneo e da faixa abdominal;
  • Normalização das tensões dos músculos respiratórios;
  • Relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertónicos;
  • Estimulação do sistema neurovegetativo simpático.

Vantagens da ginástica hipopressiva

Assim, a pressão intra-abdominal é reduzida e os músculos internos do abdômen são fortalecidos. Além do mais, o períneo também fica mais forte e a compressão dos discos intervertebrais da região lombar é diminuída. Como resultado, teremos uma melhora nas dores na coluna.

A musculatura do períneo fica fortalecida. Essa musculatura é responsável pela contração vaginal, aumentando a sensação de prazer na hora do sexo. O aumento da circulação sanguínea local aumenta a sensibilidade e melhora ainda mais esse resultado.

A repetição diária destes exercícios gera, em longo prazo:

  • Circuitos neuronais autoexcitadores em situação postural;
  • Uma importante ação respiratória por estimulação dos centros expiratórios do tronco cerebral (pneumotáxico e bulbar ventral);
  • Inibição dos centros inspiratórios (apneustico e bulbar dorsal).

Esta estimulação postural e respiratória induz uma tonificação por via reflexa do:

  • Assoalho pélvico (aumento em 85%)
  • Faixa abdominal (Caufriez, Fernanández, Deman e Wary-Thys, 2007)

A tonificação se deve à manutenção da apneia expiratória durante a execução dos exercícios, provocando um estado próximo à hipercapnia (Hodges, Forster, Papanek, Dwinell e Hogan, 2002).

A ativação ou inibição dos centros respiratórios supraespinais permite modular a tensão postural do conjunto de músculos que com estes se relacionam (Rial e Villanueva, 2011).

Ginástica hipopressiva vs. Exercícios abdominais

Existem diversos estudos demonstrando o efeito negativo de exercícios abdominais clássicos (fásicos). Eles influenciam negativamente o tônus do assoalho pélvico das mulheres e o impacto nas patologias de prolapsos pelvianos.

O exercício abdominal geralmente utilizado par fortalecer a região favorece o aumento da pressão intra-abdominal. Com isso, acontece sobrecarga no períneo e na coluna. Ao usar a ginástica hipopressiva conseguimos auxiliar no maior controle dos diferentes músculos abdominais.

A ginástica hipopressiva, por sua vez, auxilia no maior controle dos diferentes músculos abdominais, uma vez que estimula maior percepção da região abdominal e de seus órgãos.

Em contrapartida, existe cada vez mais comprovação científica da implicação terapêutica positiva da GAH em muitas patologias funcionais, em particular, aquelas relacionadas com o “Síndrome de Deficiência Postural” (Martines da Cunha – Lisboa 1979). Exemplos são as artralgias crónicas, dorsalgias, lombalgias, cervicalgias, ciatalgias, escolioses idiopáticas, fadiga crónica, etc.

O assoalho pélvico

assoalho pélvico e ginástica hipopressivaO assoalho pélvico é um conjunto de partes moles que fecham a pelve, sendo formado por músculos, ligamentos e fáscias. Suas funções são de sustentar e suspender os órgãos pélvicos e abdominais, mantendo as continências urinária e fecal. Os músculos do assoalho pélvico também participam da função sexual e distendem-se em sua porção máxima na passagem do produto conceptual (OLIVEIRA & LOPES, 2006).

Músculos do assoalho pélvico

Os músculos do assoalho pélvico são constituídos de 70% de fibras do tipo I (fibras de contração lenta) e 30% de fibras do tipo II (fibras de contração rápida).

Assim as fibras do tipo I são responsáveis pela ação antigravitacional dos músculos do assoalho pélvico, mantendo o tônus constante e também na manutenção da continência no repouso.

As do tipo II são recrutadas durante aumento súbito da pressão abdominal contribuindo assim para o aumento da pressão de fechamento uretral (CAMARRÃO et al., 2003; ZANATTA & FRARE, 2003; OLIVEIRA & LOPES, 2006).

A musculatura do assoalho pélvico (MAP), também chamada de diafragma pélvico, é composta de diversos músculos que funcionam como um grupo, com os objetivos de manutenção da continência urinária e fecal e do posicionamento dos órgãos pélvicos na localização correta. Estes músculos atuam em conjunto com diversas estruturas, como as fáscias, os ligamentos e os nervos, e sua ação é coordenada por um sistema neuromuscular integrado.

Além das estruturas estáticas do tecido conjuntivo, outras estruturas também contribuem para o funcionamento da MAP. Os músculos da parede abdominal e o diafragma respiratório atuam em sinergismo ao assoalho pélvico e formam uma espécie de cápsula denominada “core abdominal”.

Estes músculos funcionam promovendo estabilidade e continência durante mudanças de pressão intra-abdominal, que ocorrem, por exemplo, durante a respiração, a tosse, as mudanças posturais e a movimentação dos membros. Desta forma, a respiração, a continência e o controle postural funcionam de forma integrada: se um deles está deficiente, acarretará sobrecarga em outro.

Desde que o homem evoluiu para a postura ereta, a musculatura perineal se tornou responsável pelo suporte dos órgãos pélvicos, das variações de pressão e da pressão intra-abdominal (PIA).

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Disfunções urinárias e assoalho pélvico

disfunções urinárias e ginástica hipopressiva

Como resultado de sua localização anatômica e das características de suas fibras, o músculo levantador do ânus (LA) foi funcionalmente adaptado para suportar longos períodos de contração tônica.

Concomitante com este papel, a função esfincteriana é exercida por ele, sempre que há aumento da demanda pressórica durante a micção, evacuação e parturição. Numa mulher ereta, os músculos do LA se posicionam paralelamente ao assoalho, podendo resistir à força da gravidade; sua atividade aumenta reflexamente em resposta a manobras que aumentem a pressão intra-abdominal.

Além disso, com o aumento da população idosa, sintomas de frouxidão muscular do assoalho pélvico (AP) sofreram acréscimo significativo. Geralmente essa frouxidão é acompanhada do desenvolvimento de disfunções urogenitais, necessitando de abordagem clínica e científica.

A disfunção do assoalho pélvico feminino é condição clínica que acomete número crescente de mulheres a cada ano, tendo como consequência a incontinência urinária e fecal, distopias genitais, anormalidades do trato urinário inferior, procidências retais, disfunções sexuais, dor pélvica crônica e problemas menstruais, dentre outras. (Rev Bras Ginecol Obstet. 2005; 27(4): 210-5)

O tipo mais frequente é a incontinência urinária de esforço, conceituada pela perda involuntária de urina sem a contração do músculo detrusor. Ela ocorre quando a pressão intravesical ultrapassa a pressão na luz da uretra, através de uma falha do seu mecanismo de oclusão.

Ela acontece quando há um aumento da pressão intra-abdominal, como no exercício físico, tosse ou espirro, que pode predispor à fraqueza perineal. Dessa forma, a musculatura do assoalho pélvico assume papel relevante no mecanismo da continência urinária, pois é fundamental na manutenção do suporte anatômico e da pressão intra-uretral.

Tratamento de disfunções urinárias

A Fisioterapia, atualmente, é considerada um tratamento de primeira linha para a IU. Os resultados encontrados com esse método de reabilitação são vantajosos em relação à cirurgia, por ser conservadora, pouco invasiva, com baixo índice de efeitos colaterais e custo reduzido.

Técnicas cada vez menos invasivas vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos, dentre elas encontra-se a Ginástica Abdominal Hipopressiva (GAH). A ginástica hipopressiva é um conjunto de posturas associadas a movimentos respiratórios que provocam uma queda na pressão intra-abdominal, ativação sinérgica de músculos do pavimento pélvico e músculos abdominais, especialmente o transverso abdominal.

A ativação desse músculo pode coativar a musculatura perineal. Em longo prazo, leva ao aumento no tônus do assoalho pélvico e músculos abdominais, diminuindo significativamente o risco de perda urinária.

Além disso, a GAH pode ser definida como uma técnica postural, pois realiza uma ativação dos diferentes grupos musculoesqueléticos, que são antagonistas do diafragma do ponto de vista postural.

(1.Efeitos da ginástica abdominal hipopressiva sobre a musculatura pélvica em mulheres incontinentes Effects of abdominal hipopressive gymnastics on the pelvic muscle in incontinent women Maiara Guerra Valente,1 Ariane Bôlla Freire,1 Amanda Albiero Real,1 Nathália Mezadri Pozzebon, Melissa Medeiros Braz,1 Patricia Xavier Hommerding1 1 Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.)

Biomecânica respiratória

A mecânica respiratória compreende as várias etapas que vão desde o condicionamento do ar, os movimentos da caixa torácica, a contração do diafragma até a ação da prensa abdominal.

A ventilação pulmonar, ou respiração, é realizada atrás da mudança de volume da caixa torácica. Ela consiste em duas fases: a inspiração e a expiração.

Na inspiração, há a inalação do ar devido à expansão da cavidade torácica e, consequentemente, pela pressão do ar no interior dos pulmões ser mais baixa do que a pressão atmosférica.

biomecânica respiratóriabiomecânica respiratória 2

Os músculos mais importantes nessa fase são o diafragma, os músculos intercostais externos e a porção intercondral (literalmente, que fica entre as cartilagens) dos músculos intercostais externos. A contração das cúpulas do diafragma causa seu achatamento e aumento a cavidade torácica verticalmente, enquanto uma contração dos músculos intercostais envolvidos aumenta o diâmetro do tórax.

Quando a inspiração é profunda ou forçada, a contração dos músculos escalenos e esternocleidomastóideo elevam as costelas.

Já na expiração, o ar é exalado, devido à pressão do ar no interior dos pulmões ser maior do que a pressão atmosférica. Quando os estímulos nervosos para os músculos do sistema respiratório cessam e os músculos relaxam, a caixa torácica e os pulmões retornam a sua posição inicial.

Os músculos abdominais também podem ajudar na expiração, uma vez que, quando contraídos, forçam os órgãos abdominais contra o diafragma e diminuem o volume do tórax.

O diafragma

O diafragma é o principal músculo da respiração e é quem separa o abdômen do tórax. Seu formato é de cúpula, sendo composto por um centro tendíneo e uma parte periférica, que se prendem as seis últimas costelas, ao osso esterno e à coluna vertebral. (pilares diafragmáticos)

Os pilares diafragmáticos estão firmemente inseridos nas últimas vértebras torácicas (T11 e T12) e nas primeiras lombares (L1-L3). Também se inserem nas últimas costelas. São responsáveis por fazer o movimento de aberturas das costelas facilitando a entrada de ar.

O centro tendíneo localiza-se na parte ântero-central do diafragma e é apenas ele quem se move nas excursões respiratórias. Assemelha-se a um trevo de 3 folhas e nele há o forame da veia cava inferior por onde passa a veia de mesmo nome (além do nervo frênico, discutido mais adiante) que desemboca no coração e é responsável por drenar todo o sangue da porção inferior do corpo.

Além dessa abertura, há outras passagens no diafragma conhecidas como hiatos esofágico e aórtico.

O diafragma ainda tem um importante papel na função das vísceras pois grande parte delas está conectada por meio de fáscias.

Citando alguns exemplos:

  • O fígado se fixa ao diafragma através de alguns ligamentos chamados: triangulares direito e esquerdo, coronários direito e esquerdo e falciforme.
  • O baço se conecta ao diafragma através do ligamento freno-esplênico e o coração pelo forte ligamento frênico-pericárdico.

Qualquer alteração do tônus diafragmático pode repercutir nestas e em outras vísceras.

Sinergismo abdomino-pelvico

Os músculos da parede abdominal, o diafragma respiratório e o assoalho pélvico atuam em sinergismo, e contribuem para o funcionamento fisiológico da pelve. Baseado nesta interação, a mecânica respiratória é utilizada em algumas técnicas fisioterapêuticas da atualidade, com a intenção de proporcionar ativação conjunta do diafragma pélvico.  (Efeitos das Técnicas Fisioterapêuticas utilizando a Mecânica Respiratória no Assoalho Pélvico: Revisão Sistemática Nathália Lopes Metring , Fernanda Corradini de Almeida Cruz , Mayara Ronzini Takaki , Ébe dos Santos Monteiro Carbone)

A resposta sinérgica entre os MA e os MAP podem ser desencadeadas tanto por atividades específicas da musculatura abdominal (JUNGINGER et al.,2010; MADILL; McLEAN, 2006; SAPSFORD et al., 2001; SAPSFORD;HODGES, 2001) quanto dos MAP (JUNGINGER et al., 2010; MADILL;McLEAN, 2006; MADILL; McLEAN, 2008; NEUMANN; GILL, 2002; SAPSFORDet al., 2001).

Esse sinergismo também é observado durante a realização de manobras respiratórias, como:

  • Expiração forçada (NEUMANN; GILL, 2002);
  • Manobras de pressão inspiratória máxima (PImáx), expiratória máxima (PEmáx) e Valsalva (JUNGINGER et al., 2010; NAGIB et al., 2005);
  • Manobra de esvaziamento abdominal (CHANTHAPETCH et al., 2009).

Nessas atividades, o alto nível de ativação dos músculos TrA e OI pode indicar que esses músculos estão mais intimamente relacionados com a atividade dos MAP que o OE e o RA (MADILL;McLEAN, 2008; NEUMANN; GILL, 2002).

Estudos mostram que o aumento da pressão nas regiões vaginal e anal precede o aumento da PIA. Tal resultado indica que a resposta mecânica dos músculos do assoalho pélvico não é simplesmente uma resposta ao aumento da pressão intra-abdominal, mas uma atividade antecipatória pré-programada do sistema nervoso como preparação para esse aumento (SAPSFORD; HODGES, 2001).

Isso implica a presença de um mecanismo neurofisiológico de “feedforward” (antecipação e ação) que deve ser sempre ponderado e considerado nas propostas de reabilitação da musculatura do assoalho pélvico.

Verifica-se diante do exposto que os MA e os MAP apresentam atividades sinérgicas durante a realização de diversos exercícios e que o nível de ativação entre os músculos pode variar com a atividade realizada ainda com controvérsias quanto à postura adotada.

A PIA também apresenta íntima ligação com a atividade desses músculos, tanto na sua geração quanto no seu efeito na promoção da atividade desses músculos. Portanto, entender esse sinergismo em novas propostas terapêuticas de exercícios que surgem, como a ginástica hipopressiva, torna-se fundamental.

Princípios dos exercícios hipopressivos

Eles são eminentemente exercícios posturais associados com um ritmo respiratório e trabalho proprioceptivo pois todos eles são feitos tomando posições diferentes com base em determinadas orientações técnicas caracterizada pelos seguintes pontos:

  • Anteriorização do eixo de gravidade – variação do eixo de gravidade para frente
  • Autocrescimento axial: estiramento axial da coluna para provocar uma tensão dos espinhias profundos e extensores da coluna
  • Decoaptacão da articulação do ombro: abdução das escápulas
  • Respiração costal: respiração diafragmática com uma fase inspiratória e expiratoria lenta e monitorada pelo terapeuta.
  • apneia expiratória: fase de expiração total do ar e apneia mantida
  • Entre 10´´ a 25´´ para praticantes já com experiência. Na fase de apneia  solicita-se uma abertura costal como simulando a respiração costal mas sem inspirar. É provocado um fechamento da glotes, contração voluntária do serrátil e dos músculos elevadores da caixa torácica. ( intercostais, escalenos,esternocleidomastoídeo)
  • O diafragma durante a fase de apneia expiratória se relaxa e é sugado como consequência da abertura costal e elevação da caixa torácica. O relaxamento tônico do diafragma (Hodges, Heijnen, y Gandevia, 2001) promove a diminuição da pressão torácica e abdominal ( Caufriez, Fernández, Guignel, Heimann,2007)

Cuidados ao realizar a ginástica hipopressiva

Alguns cuidados importantes que se deve ter ao realizar a ginástica hipopressiva são:

  • Não fazer estes exercícios após comer;
  • Sempre contrair os músculos pélvicos quando encolher a barriga ao máximo;
  • Fazer estes exercícios de 3 a 5 vezes por semana;
  • Iniciar o programa de exercícios de forma leve, com poucas contrações e ir aumentando o número de contrações aos poucos, respeitando os limites do corpo.

Abdominal hipopressivo emagrece?

Para emagrecer com este exercício é preciso adequar a alimentação, reduzindo o consumo de alimentos ricos em gordura, açúcar e calorias e também gastar mais energia realizando também outros exercícios que queimam gordura como caminhada, corrida, bicicleta ou andar de patins, por exemplo.

Isso porque a ginástica hipopressiva não tem um alto gasto calórico e por isso não é eficaz na queima de gordura e por isso só emagrece quando estas outras estratégias são adotadas. No entanto, estes abdominais são excelentes para definir e tonificar o abdômen, deixando a barriga durinha.

Benefícios do método

  • Diminuição das sequelas normais de um período pós-parto.
  • Redução do perímetro da cintura.
  • Melhoria postural em nível do tônus abdominal e estabilização lombar, evitando a pressão sobre a parte visceral.
  • Ajuda a controlar problemas de incontinência e a flacidez dos órgãos (vagina, bexiga, ânus e reto).
  • Aumento do tônus do assoalho pélvico e da faixa abdominal.
  • Aumento da força contrátil de períneo.
  • Melhoria da vascularização por descongestionamento pélvico e a nível linfático (pernas inchadas/pesadas).
  • Melhoria das funções sexuais e diminuição das dores menstruais.

Os resultados, é claro, ficam restritos à capacidade do praticante em realizar corretamente as séries, uma vez que estas exigem maior concentração e consciência corporal.  Algumas pessoas não evoluem com facilidade, então é necessário um maior tempo para se atingir os objetivos. No entanto, se o indivíduo conseguir realizar os exercícios hipopressivos de maneira correta, é possível perceber a melhora da silhueta na primeira semana de terapia.

Quem pratica estes exercícios regularmente pode observar seus benefícios em 4 semanas.

Segundo os especialistas, o paciente começa a perceber a mudança na região como se fosse uma cinta que envolve a área abdominal anterior e lateral. Esta “cinta” trabalha ativamente durante os movimentos do corpo sem que a pessoa precise pensar durante suas atividades para contrair a musculatura do abdômen.

Contraindicações

  • Hipertensão: há que destacar que no caso de indivíduos com patologia cardíaca, há necessidade de supervisão por um terapeuta qualificado, para garantir um aconselhamento adequado do tipo de exercícios a desenvolver.
  • Durante a gravidez, este tipo de exercício deverá ser utilizado unicamente 3 semanas antes da data prevista para o nascimento da criança,  sob a orientação de técnicos especializados com licenciatura universitária, e até 2-3 dias pós-parto.
  • Deverá haver um cuidado extra no caso das doenças inflamatórias intestinais

Conclusão

Percebemos que a ginástica hipopressiva é um método com diversos benefícios. Ela pode ser utilizada para melhorar o tônus da musculatura do assoalho pélvico, auxiliar na correção postural e até a melhorar quadros de incontinência.

Claro que tudo só funciona caso a hipopressiva seja realizada da maneira correta. Você quer aprender ainda mais sobre essa técnica e realizá-la corretamente? Confira nesse link meu vídeo sobre como fazer ginástica hipopressiva.

 

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