Dor lombar e suas possíveis origens viscerais

Dor lombar e suas possíveis origens viscerais

Já falamos na nossa série de artigos sobre dor lombar a respeito de cesáreas e tratamento da dor lombar. Agora chegou a hora de falar sobre as dores de origens viscerais.

Andrew Taylor Still, criador da osteopatia, acreditava que todos os sistemas do corpo estavam interligados. Portanto, a doença de um sistema afetaria os outros. Usaremos essa visão da osteopatia para discutir a dor lombar visceral.

Como sabemos, segundo Andrew Taylor Still criador da Osteopatia acreditava que todos os sistemas do corpo estavam interligados, sendo assim a doença de um sistema afetaria todos os outros.

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Osteopatia

A Osteopatia foi criada em 1864 pelo médico americano Andrew Taylor Still. Inicialmente ela foi considerada uma prática de medicina alternativa que abordava, mobilizava e manipulava os sistemas articulares e tecidos moles. Acreditava-se que assim o corpo se curaria sozinho e buscaria a homeostasia. A Osteopatia também acreditava que os remédios comprometiam ainda mais esses sistemas.

A Osteopatia é uma técnica realizada somente com as mãos e que atua sobre desordens e disfunções do nosso corpo. Ela se divide em estrutural, craniana e visceral.

A Osteopatia Estrutural visa trabalhar articulações da coluna vertebral e articulações periféricas (ombro, cotovelo, punho, mão, joelho, tornozelo e pé). A Osteopatia Craniana trabalha disfunções do crânio e a Visceral trabalha disfunções das vísceras (gastrites, intestino preso, problemas no útero). Neste artigo discutiremos como os sistemas viscerais podem afetar o sistema musculoesquelético, em especial para a causa da dor lombar.

Microlesões

As articulações do nosso esqueleto são justas e firmes graças a ligamentos, tendões e cápsulas que as cruzam. Porém, existem consequências graves caso essas estruturas sofram um acidente ou façam um movimento incorreto, mesmo que simples. Isso pode ser gerador do desequilíbrio de sua funcionalidade causando o que, dentro da Osteopatia, chama-se de microlesão.

Para tratar essas micro lesões, Still realizava manipulações. Não se sabe exatamente a origem delas, mas acredita-se que entre os anos 60 e 80 a.c. já eram utilizadas. Hipócrates deixou alguns manuscritos descrevendo combinações de trações para tratamento dos males de coluna.

Durante a guerra civil americana, Still não se conformava com a perda de tantos pacientes e resolveu estudar profundamente fisiologia e anatomia para entender melhor o corpo humano. Durante uma epidemia de meningite em 1864, Still perdeu vários pacientes. Dentre eles estavam três de seus filhos. Notou também que todos antes da morte queixavam-se de fortes dores dorsais.

Mais tarde, enquanto tratava uma disenteria hemorrágica notou que o abdômen do paciente estava frio, enquanto que a parte inferior de suas costas quentes. Neste momento percebeu uma possível ligação entre o intestino e a coluna. Ele resolveu então imobilizar a coluna do paciente e no dia seguinte teve a grata surpresa do seu paciente estar curado.

Sua fama espalhou-se rapidamente e seus ensinos e inter-relações também.

Still morreu em 1917, deixando sua própria escola a American School of Osteopathy e várias outras correntes Osteopáticas, Dentre elas a Escola Osteopática de Madri, a British School of Osteophaty e a Escola de Sutherland (pai da Osteopatia Craniana), porém quem mais profundamente estuda as relações viscerais é o instituto Barral.

Princípios da Osteopatia

  1. A estrutura determina a função

O Ser Humano é um todo indivisível. Suas estruturas são as diferentes partes de seu corpo (ossos, músculos, pele, glândulas etc.) e a função é a atividade de cada uma das partes (respiratória, cardíaca, digestória e etc.). Todas as partes do corpo têm uma relação entre estrutura e função.

Para Still, se a estrutura está em harmonia, não pode haver doença. Toda doença se origina de um distúrbio na harmonia da estrutura. Parece obvio, porem Still entendeu que uma estrutura em desarmonia desequilibrara o sistema musculoesquelético.

  1. A unidade do corpo

O corpo humano tem a capacidade de se autorregular, reencontrando a harmonia e o equilíbrio em suas estruturas. Para se referir a essa capacidade, Still usa o termo homeostasia, situando-a no que ele chama de sistema miofascioesquelético. Tal sistema teria a capacidade de guardar “na memória” qualquer trauma sofrido.

  1. A Autocura

Still afirmava que o corpo tem em si mesmo tudo o que é necessário para se curar e evitar as doenças, porém é necessário que não haja obstruções nos canais nervosos, linfáticos, vasculares, além da nutrição celular e eliminação de dejetos estar em perfeita harmonia.

  1. A regra da artéria é absoluta.

Segundo Still, sendo o mecanismo de envio de nutrientes para as células, a função arterial é primordial. Se as artérias não funcionarem corretamente, o sistema venoso será mais lento, o que acumulará toxinas, gerando doenças.

Como vimos a Osteopatia a princípio era de domínio médico e somente agora é uma prática eleita também pelos fisioterapeutas. Legalizada e com comprovações científicas. A osteopatia pode ser: estrutural, visceral e craniana. Hoje discutiremos as ligações viscerais as dores lombar.

Como vimos a Osteopatia defende e acredita que qualquer alteração num sistema afetara um outro sistema, ou seja, como estamos discutindo a dor lombar gerada por alterações do sistema visceral esta interligação torna-se muito óbvia.

Com a evolução cientifica a osteopatia evoluiu muito com dados cada vez mais comprobatórios de sua eficiência para que entendamos muito claramente a proposta osteopatica, e importante destacarmos que as vísceras possuem seus próprios movimentos.

Não tem como discutirmos as dores lombares de origens viscerais sem antes conhecermos a anatomia.

Peritônio

O peritônio é um grande saco que reveste todos os órgãos abdominais. Esse revestimento (peritônio visceral) é um saco hermeticamente fechado. Tem como função a defesa das vísceras e lacrar a cavidade abdominal. Isto, porém não acontece no corpo da mulher. As trompas permitem a ligação da cavidade abdominal com o exterior, através do útero e vagina.

O peritônio, portanto, impede as infecções de um modo geral. Ele também segrega um “lubrificante” especial que facilita o deslizamento dos órgãos, uns sobre outros, durante suas movimentações normais. O líquido produzido por essa membrana deve-se manter sempre no mesmo volume, pois é continuamente vertido e absorvido. Caso algum problema aconteça temos o risco de aumentar a pressão intra-abdominal (PIA).

Na porção anterior do abdômen o peritônio está diretamente ligado à camada dos músculos retos do abdômen que estão imediatamente acima do estômago e descem até a parte superior da pelve. Ficam mais na parte posterior do tronco os chamados órgãos retroperitoneais: rins e pâncreas.

O fígado, o baço e o útero, são quase integralmente envolvidos, portanto chamados de intraperitoneais. A vesícula, o jejuno e o íleo também são intraperitoneais, porém, completamente envolvidos pelo peritônio. O abdômen é dividido por quadrantes de 1 a 6, conforme ilustra a figura abaixo

causas da dor lombar de origem visceral

E em cada quadrante ficam dispostas as vísceras:

vísceras na causa da dor lombarNum primeiro plano de uma vista anterior

causas da dor lombar visceral

Segundo plano da mesma vista anterior, os órgãos retroperitoneais.

Fígado

fígado é a maior glândula do corpo humano e pode executar mais de 500 funções. Encontra-se na região abdominal, do lado direito, logo abaixo da hemicupula diafragmática, e logo acima do mesocólon transverso.

Ele pode ter uma massa de até 1,5 kg. É um órgão extremamente sensível. Quando estamos diante de um aumento do fígado (hepatomegalia), o sistema músculo esquelético se adapta. A intenção é aliviar a tensão sobre a glândula. O sistema visceral sempre será prioridade e, nesse caso, alterações pressóricas importantes ocorrerão no tronco.

A hemicupula diafragmática direita se levanta para ceder mais espaço para o fígado, que não aceita pressão. Assim, gera-se uma interferência direta no padrão respiratório a ser adotado.

Além, do relaxamento dos músculos: reto do abdômen do lado direito, oblíquos internos e externos e transverso do abdômen. Esta medida levará à elevação do hemitorax direito que será realizada na região torácica baixa, gerando uma lordose nesse segmento vertebral.

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Outras compensações

A lordose estará associada a uma inclinação à esquerda pelo relaxamento dos músculos abdominais a direita. A concavidade gerada à esquerda, elevará mais ainda o hemitorax direito e o afastará para a direita levando-o para longe das costelas inferiores. Também acontecerá um giro do tórax para a direita criando uma gibosidade posteriormente à esquerda.

Os pontos fixos para este esquema adaptativo serão: a escápula que é um dos pontos fixos através do processo coracóide que colocará em ação o peitoral menor para ajudar a elevar o hemitorax direito.

Pode ser afetado nesse esquema o ombro, pois a musculatura suspensória do ombro direito estará em sofrimento para toda essa adaptação.

Além disso o serrátil anterior que perdeu sua continuidade de força dos abdominais à direita poderá gerar nas escápulas a asa de Sigaud, uma vez que a escápula perdeu sua fixação anterior;

O outro ponto de fixação para todo esse esquema adaptativo será a base do occipto direito, gerando o aumento da tensão do trapézio direito até a base do occipto.

Uma hepatomegalia gera uma lordose diafragmática levando o tronco em extensão com uma inclinação à esquerda e uma rotação de tronco à direita. Pode gerar curvas adaptativas inferiores a fim de reequilibrar o corpo.

Após resolvido o problema hepático, as adaptações musculares continuam presentes sendo necessária a intervenção de um profissional do movimento, para reativar todos esses músculos citados.

Baço

baço é uma glândula que se encontra localizada na parte superior e esquerda do abdômen, obliquamente por detrás do estômago, em ligação íntima ao diafragma. Possui em média, 13 centímetros de comprimento, 8 de largura, 3 de espessura e 200g de peso.

Existe grande discordância sobre as reais funções do baço. Acredita-se que o baço seja um reservatório de hemácias. É uma glândula extremamente frágil a traumas. Os principais problemas musculoesqueléticos estão ligados a falta do baço, retirados cirurgicamente por uma teia de cicatrização ruim. Mas essa glândula pouco gera alterações importantes musculoesqueléticas.

Estômago

O estômago é a extensão do tubo digestivo situado entre o esôfago e o intestino delgado. É um órgão que se localiza centralmente e do lado esquerdo do abdômen.

A parede do estômago possui uma camada oblíqua extra de músculo liso por dentro de uma camada de musculatura estriada para auxiliar nos movimentos da digestão. Na parte interna do estômago, existem glândulas que liberam secreções responsáveis pelo processo digestório.

Quando numa patologia de origem inflamatória o estômago gera uma força centrífuga, empurrando o tronco para trás o rodando para a esquerda. Já num processo de cicatrização ulcerosa, gera uma forca centrípeta tracionando o tronco para frente rodando o tronco para a direita.

Intestinos

Os intestinos fazem parte do sistema digestório e sua função principal é a absorção dos nutrientes.

Sua anatomia o divide em dois: o intestino grosso (onde ocorre a absorção maior dos nutrientes) e o intestino delgado (responsável pela absorção de agua utilizada para formar o bolo fecal durante o processo digestório).

A porção do intestino grosso é o cólon. Ele parte do ceco e segue até o reto. Em sua primeira porção o cólon parte da pelve menor subindo verticalmente através do lado direito do abdômen até o ilíaco direito. Essa região chama-se hipocôndrio direito.

A partir do ilíaco direito recebe a nomenclatura de cólon ascendente. Inserindo-se na parte inferior das últimas costelas do lado direito aonde faz uma curva de 90 graus para se ligar as últimas costelas do lado esquerdo cruzando o abdômen.

Nesse trecho recebe o nome de mesocolón transverso ou avental mesocólico. Está nesse ponto, portanto intimamente ligado ao músculo diafragmático. O diafragma deve ter sua excursão respiratória preservada, pois durante a respiração, o diafragma, ao contrair-se também tem por objetivo abaixar-se sobre o mesocolón transverso realizando uma pompage no mesmo. Isso acontece a fim de auxiliar nos movimentos de peristaltismo.

A partir das últimas costelas esquerdas, chega até a região denominada hipocôndrio esquerdo onde novamente realiza uma curva abrupta de 90 graus seguindo para o ilíaco esquerdo. Ali forma-se o colón descendente, que penetra na pelve menor, no ilíaco esquerdo. Essa região é denominada de cólon sigmoide, novamente se interligando ao músculo Psoas a esquerda.

Pesquisas recentes atribuem ao intestino a função da excreção das fezes, mas também ao controle das nossas emoções. Isso porque o intestino só perde para o cérebro em quantidade de neurônios, aproximadamente 100 milhões. Além disso o intestino produz e armazena 98% de toda nossa serotonina, e ainda produz aproximadamente mais de 30 neurotransmissores.

Além desse fator, caso não eliminemos nossas fezes que são nosso lixo metabólico, nossa PIA (pressão intra-abdominal) estará aumentada. Já sabemos que isso influencia na contração efetiva do Power House, que poderá nesses casos ser um agente importante do aumento da PIA. Assim os movimentos peristálticos intestinais pioram consideravelmente dentro de um saco visceral que estará mais apertado (com maior pressão).

Por este fator sempre incluo no final de minhas aulas a ginástica hipopressiva, com a finalidade de não permitir que esse aumento da PIA aconteça.

Além disso se nosso sistema digestório não funciona, não produz serotonina, gera mais dores e indisposição corporal com a implicância do aumento da PIA (Pressão Intra Abdominal). Lembremos que indivíduos constipados possuem sua aérea diminuída, logo sua PIA aumentada.

Por isso é de extrema relevância não sermos o agente que promove um maior aumento da PIA, solicitando a contração errônea do core ou do powerhouse. Isso diminui mais ainda a área do saco visceral através da forte tensão gerada no músculo Transverso do Abdômen. Caso o comando dado ao seu aluno seja o de extrema ativação do powerhouse gerando, além do aumento da PIA, corpos cada vez mais rígidos.

Aumento da PIA

Com esse aumento da PIA, e aqui chamo mais uma vez a atenção de vocês leitores, a pressão intra-abdominal. Dentre vários outros problemas correlacionados ao aumento da PIA durante a prática do Pilates e ou Treinamento Funcional podemos, caso não nos atentemos, para o fato de estarmos diante de um corpo único e viscerado.

Nestes casos de alunos com a PIA aumentada, conforme já vimos, formam um número significativo da maioria dos nossos alunos. Em casos como esses recorro a ginástica hipopressiva. Através de sua aspiração visceral, em apneia expiatória, afim de promover um alongamento excêntrico do diafragma.

Abrir as costelas através da ativação do músculo Serrátil, aumentado a aérea. Por conseguinte, diminuindo a pressão sobre as vísceras, e sobretudo sobre os frágeis músculos do assoalho pélvico. Pelo fato do intestino ocupar no saco visceral praticamente toda a região da metade inferior do tronco, devemos estar muito atentos a ele. Ele também é a maior causa da dor lombar de origem visceral.

Caso ele gere um aumento da PIA, ele favorece um aumento da lordose lombar, relaxando os músculos do abdômen que projetam a pelve anteriormente alterando os vetores importantes que transitam por ela. Também aumenta a pressão nos discos intervertebrais.

Teremos também uma maior ativação os isquiotibiais para que o equilíbrio postural seja reencontrado, síndrome descrita por Vladimir Janda como síndrome cruzada. Os isquiotibiais, por sua vez, aumentarão a tensão dos quadrados lombares, aumentando o cisalhamento na articulação sacro ilíaca, a lordose lombar e a pressão nos discos intervertebrais.

Já numa forca centrípeta as alças intestinais tracionarão as vertebras lombares em direção ao seu ponto de fixação, que pode ser gerado, por uma aderência entre as alças intestinais, muito comum em mulheres com endometriose, podendo promover uma antero-listese em casos mais graves.

Rins

Os rins (normalmente dois) estão localizados na porção posterior do abdômen e suas extremidades superiores estão localizadas na altura dos arcos costais mais inferiores (10ª a 12ª costelas torácicas).

O rim direito quase sempre é menor e está situado um pouco abaixo do rim esquerdo. Os rins se movimentam (para baixo e para cima) de acordo como ato da respiração.

Cada rim tem a forma de um grande grão de feijão, medindo em um adulto de 10 a 13 cm, com peso aproximado de 120 a 180g.

Anomalias renais não reconhecidas podem estar presentes entre 25% e 33% dos doentes e incluem:

  • Rim em ferradura;
  • Agenesia renal;
  • Duplicação renal ou dos ureteres;
  • Hipospádias.

Os rins localizados imediatamente abaixo dos músculos quadrados lombares

Quando não temos um órgão, seja porque nascemos sem ele ou porque tivemos que o retirar, nosso organismo gerará um tecido cicatricial para suprir esse espaço vago. Esse tecido cicatricial terá uma formatação confusa gerando fibrose, que transmitirão essa tensão aos músculos quadrados lombares. Essa tensão renal poderá ser também gerada por pouca ingestão de água, uso frequente de anabolizantes, cálculos renais dentre outros.

As medidas compensatórias músculo esqueléticas descritas a seguir são adotadas para uma tensão renal do lado direito.

Compensações relacionadas aos rins

Primeiro criaremos uma lordose na altura do rim direito com aumento da tensão dos paravertebrais à direita. Percebam que aqui o esquema adaptativo se faz diante de uma força centrípeta cicatricial, e não para o conforto do órgão.

A partir daí nosso tronco inclinar-se-á também à direita, gerando a concavidade à direita pela tensão dos paravertebrais direitos.

Toda a força está sendo direcionada para o quadril esquerdo, que será o ponto fixo nesse esquema adaptativo. O músculo quadrado lombar do lado esquerdo encontrar-se-á em máxima tensão podendo trazer a asa ilíaca esquerda para cima, acionando dessa maneira o reto femoral que também se tensionará. É possível que a patela seja direcionada para o alto e ser a causa de várias patologias musculoesqueléticas no joelho esquerdo.

A tensão excessiva do quadrado lombar também atraíra as últimas costelas do hemicorpo esquerdo para baixo, aumentando inúmeras vezes a força de cisalhamento nessa região.

A hemicupula do diafragma direito estará em posição baixa, ou em inspiração, gerando uma tensão excessiva em seus músculos acessórios. Com esse aumento de tensão e aumento de força inspiratória no hemicorpo direito gerando dores na região cervical, sobretudo nos músculos: esternocleidomastoideo (ECOM), escalenos, infrahioideos e trapézio ao lado direito. A giba nesse tipo de esquema biomecânico corporal aparecerá à direita na parte posterior do tronco.

Útero

O útero está situado entre a bexiga e o reto. A principal patologia que se refere ao útero podendo ser fonte direta da origem da dor lombar é a endometriose. Nessa condição o endométrio, mucosa da parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo.

Essa formação de tecido ectópico normalmente ocorre na região pélvica, fora do útero, nos ovários, no intestino, no reto, na bexiga e no peritônio, delicada membrana que reveste a pélvis. Entretanto, esse tecido também pode crescer em outras partes do corpo.

Durante o ciclo menstrual o endométrio torna-se mais espesso para a fertilização, porém se as células endometriais crescerem para fora do útero, caracteriza-se um quadro endometriótico. O primeiro sintoma da endometriose é a dor pélvica. Ela quase sempre está associada ao ciclo menstrual, mas a dor também pode estar relacionada a fase ovulatória.

Esse aumento de volume no útero fisiológico durante o ciclo menstrual e não fisiológico com focos de endométrio  na cavidade visceral geram adaptações posturais. O corpo precisa acomodar esse aumento de volume dentro da pelve menor, ou uma força centrípeta gerada pelas aderências dos focos endometrioticos.

Quando temos um aumento fisiológico do útero durante a fase hormonal de ovulação, teremos um aumento da PIA. E pelo fato do útero ser posicionado na pelve menor, as adaptações para acomodar esse aumento de volume dentro da pelve menor poderá gerar um fechamento dos ilíacos. Isso gera um aumento de tensão dos músculos oblíquos do abdômen e adutores.

Esse é o mecanismo fisiopatológico de formação de muitos casos de dor lombar pré-menstrual. Corroborada pela tensão renal gerada pela retenção de líquidos que acompanha esse período. Retenção esta que se dá por fatores hormonais, sabemos que a tensão renal ativa os músculos quadrados lombares. Portanto, esses fatores podem estar ligados à causa da dor lombar.

Caso, estejamos diante de um foco endometriótico a força gerada será centrípeta. Logo poderemos estar diante de uma abertura ilíaca, colocando em tensão os músculos glúteo máximo e assoalho pélvico.

Porém se o foco da endometriose estiver aderido em algum ponto visceral fora da pelve menor, somente uma boa avaliação poderá direcionar nosso tratamento para solucionar essa dor lombar, que haverá. Mulheres endometrióticas são portadoras de dor lombar.

Além, desta questão um dos tratamentos para a endometriose consta da colocação do dispositivo intra uterino (DIU). Ele soluciona o espalhamento dos focos endometrióticos, porém para nós, profissionais do movimento, nos gera um ponto fixo interno, de força centrípeta no útero.

Conclusão

Minha intenção nesse artigo, não é transforma-los em visceralistas. Só quero lembrá-los que muitas vezes questões viscerais estão muito ligadas a questões musculoesqueléticas. Elas podem, inclusive, ser a causa da dor lombar em alguns casos.

É necessário nesses casos normalizar as questões pressóricas abdominais, além de relaxar músculos correspondentes que citei em cada alteração. Se a causa da dor lombar for de origem visceral os alongamentos e fortalecimentos musculares não serão suficientes. Esses casos se tratam de dores geradas por aumentos pressóricos. Por isso sempre finalizo minhas aulas de Pilates com a ginastica hipopressiva Assim consigo promover a normalização das pressões.

Como trabalhar mobilidade de coluna no Pilates

Como trabalhar mobilidade de coluna no Pilates

Seja sincero, quantos dos seus alunos tem uma coluna sem mobilidade? Aposto que são muitos, isso porque o estilo de vida moderno é propício para desenvolver uma coluna pouco funcional.

Como estamos diante de uma coluna com pouca mobilidade trata-se de uma coluna do tipo funcional estática. Temos como exemplos:

  • Colunas extremamente retificadas, ou seja, com suas curvaturas funcionais apagadas;
  • Colunas hipercifóticas. Como a cifose dorsal e outras cifoses são, de maneira geral, menos móveis, essa característica fica aumentada. Isso é diferente das hiperlordoses, por se tratarem de curvas lordóticas, com a função mecânica de mobilidade.

Entendendo a funcionalidade das curvaturas vertebrais

A coluna vertebral é formada por trinta e três vértebras que se articulam entre si, sendo:

  • 7 cervicais;
  • 12 torácicas;
  • 5 lombares;
  • 5 sacrais fundidas;
  • 3 a 4 coccígeas.

A coluna vertebral também se articula com a base do crânio, das costelas e dos ilíacos. As costelas, por sua vez se articulam com a escápula posteriormente e com o esterno/ clavícula anteriormente. Já a coluna lombar se articula com a pelve inferiormente.

mobilidade de coluna e curvas fisiológicasOriginalmente, pensávamos que eram os ligamentos responsáveis pela estabilidade das vértebras. Porém, atualmente já entendemos que são os músculos que realmente dá a estabilidade.

A real função dos ligamentos é:

  • Direcionar movimentos produzidos;
  • Proteger as vértebras de movimentos bruscos e forças excessivas.

Já os músculos extremamente potentes e suas fáscias são os verdadeiros protetores do eixo raquidiano.

Vértebras

As vértebras, estruturas fixas, são justapostas e suas ligações se dão pelas articulações interapofisárias. Essas articulações servem como guias para os movimentos.

Entre as vértebras existe o disco intervertebral e juntos (articulações e discos) são as estruturas responsáveis pela mobilidade da coluna. São eles, em conjunto, os grandes responsáveis pela mobilidade articular. Mas sua principal função é a distribuição de forças realizadas na coluna vertebral durante os movimentos. Logo entendemos o porquê essas estruturas são tão agredidas em nossas colunas. Mais adiante detalharemos melhor o disco intervertebral.

Apesar de existir uma vértebra padrão, elas sofrem pequenas modificações de acordo com o nível da coluna. Isso porque cada segmento da coluna possui suas próprias especificações.

A coluna é o eixo corporal e constitui um complexo importante de ligação entre as duas cinturas:

  • Escapular;
  • Pélvica.

Função estática e cinética da coluna

Durante sua função estática a coluna é simétrica e perpendicular às duas cinturas.

Enquanto na estática, o qual se tem forças sem movimento, uma coluna saudável terá seus ligamentos e tensores musculares equilibrados e relaxados. Eles só devem funcionar para manter o equilíbrio estático, diante do movimento oscilatório do tronco quando estamos em pé.

Como exemplo, contraindo-se, e logo em seguida relaxando, imediatamente o equilíbrio será reestabelecido. Se os músculos não puderem relaxar após a contração exercida para o reequilíbrio, ele adoecerá.

Agora falemos um pouco sobre sua função cinética. Qualquer movimento ocorrido entre as duas cinturas gerará uma regulação automática de tônus dos músculos estabilizadores do tronco. Assim, existe um complexo sistema de compensação postural que gera deslocamentos gravitacionais importantes. É assim que surgem encurtamentos, fraquezas musculares ou alterações posturais significativas.

A coluna vertebral está constantemente sob um dilema contraditório. Ela precisa ser rígida o suficiente para ter suporte da compressão axial. Compressão esta que é exercida pela força gravitacional.

Porém, a coluna não poder perder sua mobilidade para manter movimentos produzidos de forma organizada. Para isso, ela precisará ter suas três funções:

  • Estática: exercida pelos corpos e discos vertebrais e, principalmente, pelas fáscias musculares.
  • Cinética: feita pelos músculos.
  • De proteção: feita pelo canal vertebral.

Nosso corpo só conseguirá responder às demandas impostas se tiver:

  • Manutenção equilibrada da postura estática;
  • Controle dinâmico adequado.

Estabilização da coluna

Conceitualmente, estabilidade pode ser definida como a habilidade da articulação retornar ao eu estado original, após sofrer uma perturbação.

Um artigo estudado veio de encontro com as ideias desse artigo. Ele mostrou que o sistema de estabilização da coluna incorpora três subsistemas:

  • Passivo;
  • Ativo;
  • Neural.

O subsistema passivo é composto pelas estruturas:

  • Ósseas;
  • Articulares;
  • Ligamentares.

Esse sistema contribui para o controle próximo ao final da amplitude articular, onde desenvolve forças reativas que resistem ao movimento. Entretanto, em torno da posição neutra da articulação, ele não oferece nenhum suporte estabilizador significativo.

O subsistema ativo contempla as estruturas musculares quando desempenhando suas funções contráteis. Este, diferentemente do primeiro, atua na obtenção mecânica da estabilidade mesmo a partir da posição neutra. Ele é capaz de modular sua resistência ao longo de toda amplitude de movimento.

O terceiro subsistema, o neural, é aquele que monitora e regula de forma contínua as forças ao redor da articulação.

A posição articular neutra é aquela com elevada frouxidão ou baixa rigidez. Nela acontece o comportamento não linear das estruturas ligamentares.

Assim, a zona neutra permite deslocamentos com o mínimo de resistência interna das estruturas passivas. Uma lesão no subsistema passivo e/ou ativo leva a aumentos não fisiológicos na amplitude da zona neutra.

A atividade muscular é capaz de minimizá-las e mesmo restaurar os limites fisiológicos após lesão ou degeneração das estruturas passivas. Esse representa papel fundamental na busca da estabilidade.

Se queremos desenvolver estratégias para prevenir e tratar mecanismos cinesiopatológicos, existe um pré-requisito. Primeiro precisamos compreender esses mecanismos para conseguir preveni-los.

Por esse motivo, busca-se o entendimento das instabilidades articulares apontada como risco para potenciais lesões teciduais, e componente básico de inúmeros processos degenerativos e álgicos.

disco intervertebral e mobilidade de colunaCifoses e lordoses

Entre as vértebras existe uma alternância entre cifoses (ligadas à proteção) e lordoses (ligadas à mobilidade). Por este motivo entendemos o porquê das frentes das lordoses sempre possuírem músculos longos e potentes. É o caso dos flexores do pescoço e do reto abdominal.

Enquanto isso, a frente das cifoses possui músculos chatos e profundos. Como exemplo temos o Serrátil Anterior, que é ligado a função de manutenção postural. Logo as cifoses com sua pouca mobilidade se tornam pontos fixos para os movimentos realizados pelas cadeias musculares lordóticas.

Num plano sagital, observamos:

  • Lordose cervical protegendo o cérebro;
  • Cifose torácica protegendo os pulmões e coração;
  • Lordose lombar e uma curvatura sacral côncava protegendo os órgãos da pelve menor.

A presença dessas curvaturas aumenta de forma considerável a capacidade de resistência às pressões axiais sofridas pelo eixo raquidiano a partir do momento que estamos expostos a força gravitacional (descendente) e a força solo (ascendente). Quanto mais retificada uma coluna, mais precário será o equilíbrio desse indivíduo.

Classifica-se quanto às curvaturas vertebrais

Quanto mais retificada (retilínea) forem as curvaturas, define-se como uma coluna do tipo funcional estática, ao contrário do que quanto maior forem as curvaturas vertebrais indicativo de uma coluna do tipo funcional dinâmica. Além disso, quanto mais acentuadas forem as curvaturas mais mobilidade e quanto menos acentuada maior rigidez. Porém, como nesse artigo discutiremos as colunas do tipo funcional estática, deve lembrar aqui que movimento é vida, sem movimento, nossa mobilidade fica comprometida e perdemos a funcionalidade para as atividades mais simples do nosso cotidiano.

Uma pesquisa brasileira realizada por Rachel W. Pata, Katrina Senhor e Jamie Lamb, definem uma coluna do tipo funcional estática da seguinte maneira:

“Este tipo de coluna tem seu equilíbrio muito precário, este indivíduo está muito mais suscetível a quedas, pois quanto menor a mobilidade, menor a estabilidade, menor equilíbrio, e como resultante mais quedas”.

Logo, como gerontóloga, não posso deixar de citar minha preocupação diante da conclusão desta pesquisa. Sabemos que as quedas em idosos vem sendo a principal causa morte nessa população. Além disso, nós como profissionais do movimento temos uma resposta padrão ao encontrar uma coluna do tipo funcional estática. Geralmente, ao afirmar que a estabilidade está comprometida, criamos condições de aumentar sua estabilidade.

Com isso, estaremos fadados ao insucesso. Dessa maneira geramos menos mobilidade de coluna, e, portanto, mais rigidez. Logo o caminho a seguir diante desses tipos de colunas funcionais estáticas é permitirmos sua liberdade através dos movimentos em todos os planos, eixos, sentidos e direções.

Planos e eixos de movimento

O movimento articular verdadeiro é gerado nas articulações sinoviais.
Os movimentos articulares ocorrerão em torno de um eixo de movimento:

  • Eixo ântero-posterior,
  • Eixo látero-lateral
  • Eixo longitudinal

E também através dos planos de movimento que podem ser:

  • Plano coronal
  • Plano sagital
  • Plano horizontal

planos e eixos de movimento

Movimentos articulares

Para a biomecânica toda analise de um movimento é guiada pelo plano e eixo em que o movimento articular é executado, a direção do eixo de movimento deve sempre estar perpendicular ao seu plano, ou seja, qualquer movimento articular é realizado em um certo plano, de forma que seu eixo deverá ser perpendicular, estar a 90 graus daquele plano. Os movimentos articulares:

  1. Flexão e extensão: ocorrem dentro do plano sagital num eixo latero-lateral, na flexão e extensão de qualquer articulação do corpo, com exceção aos movimentos de flexão plantar e dorsal do pe. Ocorre durante a movimentação angular aonde, na flexão gera-se uma diminuição do ângulo articular (ponto fixo do movimento) tornando esse ângulo mais agudo; porém, quando ocorre o aumento angular do movimento, foi gerada
  2. Adução e abdução são movimentos gerados em direção ao plano mediano ou em direção oposta, ou seja, afastando-se ou aproximando-se da linha media corporal. Para os dedos, prevalece o plano mediano do membro. Nos movimentos articulares gerados em plano coronal onde seu eixo de movimento é ântero-posterior, damos o nome a de adução e abdução.
  3. A rotação é gerada quando o movimento de um segmento gira em torno de um eixo longitudinal (vertical), ou seja, gira em torno de seu próprio eixo. A rotação é realizada em um plano horizontal onde seu eixo de movimento é perpendicular a este plano, sendo, portanto, vertical.
  4. Já na circundução temos um resultado do movimento combinado onde estará inclusa a: adução, extensão, abdução, flexão e rotação. Neste movimento, a extremidade distal do segmento descrevera um círculo imaginário sendo o corpo do segmento, um cone, onde o vértice é dado pela articulação que se movimenta.
Em resumo para qualquer movimento sempre haverá um plano e um eixo de movimentação:
  • Flexão e extensão ocorrera no plano sagital e no eixo látero-lateral
  • Abdução e adução, ocorrera no plano coronal e no eixo anteroposterior, já na adução e abdução horizontal o plano de movimento será horizontal dentro do eixo longitudinal.

A coluna vertebral é capaz de realizar os seguintes movimentos dentro dos seguintes planos e eixos de movimentação articular que são:

  • Flexão lateral, movimento gerado pelas cadeias musculares de flexão e extensão retas homolaterais do tronco, movimento este gerado no plano no plano sagital e dentro do eixo látero-lateral.
  • A flexão sendo um movimento gerado pelas cadeias musculares retas de flexão do tronco direita e esquerda dentro do plano coronal num eixo anteroposterior.
  • A extensão movimento gerado pelas cadeias musculares retas de extensão do tronco direita e esquerda dentro do plano sagital num eixo latero-lateral.
  • E a rotação onde as vértebras giram em torno de seu próprio eixo longitudinal dentro do plano coronal, sendo este movimento gerado pelas cadeias musculares cruzadas do tronco: uma de flexão e outra de extensão contralateral.

Mobilidade da coluna

Como sabemos, os movimentos realizados por cada vértebra da coluna é pequeno. Portanto a mobilidade geral dos movimentos gerados pela coluna vertebral é dado pela somatória das mobilidades de cada vértebra isoladamente. Isso nos permite movimentos dentro dos graus de normalidade.

Caso isso não aconteça teremos menos movimento gerado, e por conseguinte, menor capacidade de nos equilibramos dentro de nosso polígono de sustentação. Também surgem desequilíbrios, além da perda da mobilidade já citada, dor a longo prazo e perda da funcionalidade do eixo vertebral. E quando falamos de uma coluna do tipo funcional estática, isso não ocorre.

Não faria sentido então, darmos mais estabilidade para este tipo funcional de coluna. Devemos então, devolvermos a mobilidade de coluna perdida em todos os planos e eixos de movimento. Para tanto, faz-se necessário entendermos que nenhum movimento é lesivo para a coluna vertebral. Faz-se necessário também, rompermos esse paradigma junto ao nosso aluno, pois essa coluna precisa de movimento.

No entanto, devemos ter mais cuidado e atenção aos movimentos gerados durante as rotações, por conta da forca de cisalhamento. Esta força que é criada pelo deslizamento em rotação de uma vértebra contra seu disco correspondente. Pode ser gerada quando durante os movimentos rotacionais são realizados sem o devido afastamento das últimas costelas das cristas ilíacas.

Devolvendo a mobilidade de coluna perdida

devolvendo a mobilidade da coluna

Começaremos a devolver os movimentos de forma sutil e suave, sem gerarmos sofrimento ao nosso aluno. A “soltura” das vértebras devem ser permitidas por todo sistema conjuntivo que as criou, seja esse sistema muscular, fascial, aponeurótico ou mesmo articular.

Ou seja, jamais devemos realizar alongamentos severos, sofridos, gerados com dor. Mas sim, verdadeiras solturas articulares construídas dentro da permissão do corpo do nosso aluno. Sob o risco de gerarmos lesões, nosso corpo é inteligente o suficiente para se liberar diante dos estímulos a ele apresentados. O profissional do movimento deve possuir essa conexão com o corpo de seu aluno de forma a esperar que a mobilidade de coluna retorne, como forma de resposta aos estímulos gerados pelo profissional que o conduz.

Durante nossa aula de Pilates podemos começar com essa devolução da mobilidade de coluna através dos movimentos mais funcionais. Ou seja, aqueles que nossos alunos mais realizam durante suas atividades de vida diária. As flexões surgem portanto, como os primeiros movimentos a serem trabalhados.

Logo em nossas primeiras aulas estaremos trabalhando dentro do plano coronal no eixo anteroposterior, através das:

  • Flexões de tronco;
  • Enrolamentos de coluna.

Esses movimentos são realmente ricos dentro do método Pilates. Podemos aqui executar esses enrolamentos de forma a respeitar a curvatura fundamental do tronco, formando um C profundo durante a flexão. Cito a seguir um ótimo exercício do repertorio clássico de Joseph Pilates e sua descrição biomecânica para que ele possa ser executado com perfeição.

  1. Monkey

Posição Inicial: aluno em decúbito dorsal voltado para a barra torre com o quadril e joelhos em flexão com os ante-pés apoiados na barra torre, mãos também apoiadas na barra torre, mantendo os punhos neutros.

O exercício consiste em realizarmos a extensão do quadril com os isquiotibiais e joelhos com os quadríceps. As mãos não podem soltar a barra torre, e nem tão pouco perder sua organização escapular da seguinte forma: ombros decoaptados, e com os olecranos internos dos cotovelos voltados internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos. Todo o conjunto de ações organizadoras partem do ombro, e nosso aluno ainda deve ser capaz de  manter uma contração efetiva nas axilas, parecida com aquela forca que fazemos para segurar um termômetro quando estamos mensurando nossa temperatura corporal.

Começamos essa ativação através do Serrátil para alunos retificados com o ar da inspiração sendo levado até as costas. Já para os alunos hipercifoticos, também possuidores de uma rigidez na altura de sua coluna dorsal, solicitamos que o ar da inspiração seja direcionado ao peito. Com a mesma posição dos cotovelos solicitamos que as escápulas sejam guardadas nos bolsos das calças.

Solicitamos então o enrolamento da coluna vertebral, sendo um excelente exercício para flexibilização da coluna, além de alongamento dos isquiotibiais, tríceps sural, tibial posterior, fibulares longo e curto dos dedos, além dos flexores longo do halux e dos dedos. Podendo ser um excelente exercício de preparação para os enrolamentos de tronco, e a conexão entre os músculos profundos do pescoço com os músculos do abdômen através do afundamento do esterno acionando, assim o musculo piramidal do esterno. Toda mobilidade do Monkey, assim como em todo exercício de flexão da coluna vertebral é realizado dentro do plano coronal num eixo anteroposterior.

  1. Mermaid (Sereia)

Posição inicial do aluno: Sentado sobre os ísquios, de frente para o instrutor, que estará ao lado do reformer, logo o aluno encontrar-se-á sentado sobre o carrinho de lado, o ombro que estará posicionado sobre a barra em abdução de ombro com punho em posição neutra e mão apoiada na barra. A mão em perfeito alinhamento com a linha do ombro.

A mão em nenhum dos exercícios dos quais ela se encontrara apoiada na barra, segundo o Pilates Clássico poderá estar com os dedos flexionados, os dedos devem permanecer em extensão, e sem nenhum tipo de compensação, os dedos devem estar paralelos e organizados. O membro inferior posicionado ao lado da barra estará posicionado da seguinte forma: em abdução de quadril, rotação externa e noventa graus de flexão de joelhos com o pé apoiado na coxa contralateral que estará em rotação externa e 90 graus de flexão de joelho, este posicionamento deve permitir que seu aluno mantenha os ísquios apoiados no carrinho para o início do exercício.

Solicitamos que o aluno empurre o carrinho a frente com uma ligeira força que deve partir dos seus ombros decoaptando-os. Em seguida solicitamos que o olecrano interno do cotovelo deva estar voltado internamente, sem que ocorra o desalinhamento das mãos. Todo o conjunto de ações organizadoras partem do ombro, e nosso aluno ainda deve ser capaz de  manter uma contração efetiva nas axilas, parecida com aquela forca que fazemos para segurar um termômetro quando estamos mensurando nossa temperatura corporal.

Evitamos a qualquer custo a hiperextensão dos cotovelos, pedindo a contração do conjunto bíceps e tríceps para que o cotovelo não se encontre relaxado afim de não sobrecarregar as articulações epicondilianas . A mão contralateral estará abduzida a 180 graus, com o cotovelo levemente flexionado desenvolvendo um semiarco no ar. Este braço deverá fazer uma forca direcionada a partir do ombro decoaptando-o e realizando um movimento de pistão, afim da mão manter uma forca em direção ao horizonte e para cima em direção a barra.

Solicitamos então que o aluno realize uma leve inclinação do tronco em direção a barra também. É de suma importância que o aluno não leve o tronco em direção a pelve. Isso pode ser evitado com o afastamento das costelas das cristas ilíacas. Logo estaremos ativando as cadeias musculares de flexão e extensão do mesmo lado, o posicionamento da perna poderá ser alterado caso seu aluno não tenha comprimento muscular suficiente para sentar-se da forma proposta sem retirar os ísquios do carrinho.Neste caso podemos permitir que ele se sente com os membros inferiores em forma de índio.

A força deve ser sentida dos dois lados do tronco. Da mesma forma que solicitaremos uma forca de abertura na cintura escapular para alunos hipercifóticos com o ar inalado direcionado para o peito, e uma força de arredondamento com a aproximação dos ombros para alunos retificados (o sorriso das clavículas de Klauss Vianna), de forma que o ar inalado seja conduzido para as costas.

A Mermaid realiza uma ligeira flexão lateral da coluna vertebral, movimento este realizado no plano no plano sagital e dentro do eixo látero-lateral.

  1. Rocking

 Este exercício se torna perfeito quando precisamos flexibillizar a cadeia anterior, trabalhar fortalecimento de paravertebrais, glúteos, abertura de ombros (peitorais) e mobilizar a coluna vertebral em extensão a fim de construir um movimento fundamental de tronco em um perfeito “C” também na visão da extensão de coluna.

Posição inicial: decúbito ventral, joelhos flexionados e unidos, com cada uma das mãos segurando o pé do mesmo lado. Estenda a cabeça em um crescimento axial, também serão elevados o tórax e os joelhos do solo.

Construa o movimento fundamental do tronco de forma que abra o peito em direção ao chão, como se o peito de seu aluno fossem faróis iluminando ao longe a acima. Inspire e ao expirar balance o corpo para frente e para trás. A cabeça mantém-se elevada numa ligeira extensão da cervical, porem esta não se movimenta durante o balanço.

Para facilitar o exercício, quando se quer somente flexibilizar a cadeia flexora ou anterior do tronco, evite o balanceio do corpo. Solicite somente a construção do movimento fundamental de tronco em extensão.  Ação principal dos eretores da coluna (espinhal, longuíssimo, iliocostal), semiespinhal, multifideos estenderam a coluna vertebral. Enquanto o glúteo máximo, isquiotibiais estendem o quadril.

Os: retos abdominais, obliquo interno e obliquo externo do abdômen, transverso do abdômen atuaram como estabilizadores do movimento, os isquiotibiais são os responsáveis pela flexão dos joelhos. Grande dorsal, redondo maior, fibras posteriores de deltóide faram a extensão dos ombros, e toda musculatura acessória dos membros superiores serão flexibilizadas no exercício.  Como é um exercício de extensão é realizado dentro do plano sagital num eixo latero-lateral.

Após os ajustes necessários realizados dentro de cada plano e eixo de movimento proposto para que o movimento fundamental do tronco seja realizado dentro da mobilidade permitida pelo corpo de seu aluno da forma mais limpa, ou seja, dentro da funcionalidade, e repito, dentro do método Pilates temos uma gama enorme de variações para mobilizarmos a coluna de nossos alunos dentro dos planos e eixos citados é que introduziremos em nosso repertorio os movimentos de rotação realizados dentro do próprio eixo da coluna, com o devido afastamento das últimas costelas com  as cristas ilíacas, de forma a não criarmos a forca de cisalhamento, como por exemplo:

4- Saw

Posição inicial: Sentar-se no solo sob os ísquios, com as pernas esticadas e afastadas na linha do quadril, alinhando assim o segundo dedo do pé com a linha média da patela e a espinha ilíaca antero superior. Sentar-se sobre os ísquios, mantendo as curvas fisiológicas da coluna, tentando levar a lombar para a lordose fisiológica. A menos que o aluno sinta desconforto, vá retornando aos poucos ainda dentro da busca da curva fisiológica, até um ponto em que ele se sinta confortável.

Buscando a cifose torácica, pedindo ao aluno que afunde um pouco seu esterno para baixo e para trás, os pés em dorsiflexão, atentando-se para que não use os extensores dos dedos e sim o tibial anterior. Afaste as costelas das cristas ilíacas. Abduza os braços a 90º promovendo uma força de decoaptação, como se os braços fossem ser alongados para longe do centro do corpo, cotovelos estendidos e as palmas das mãos voltadas para baixo.

Afaste um ombro do outro, cuidado com a hiperextensão dos cotovelos, acione o conjunto bíceps e tríceps para evita-la. Vá flexionando a coluna, construindo o movimento fundamental do tronco e rotacione-a para um lado levando uma mão para a parte externa do pé oposto e gire o outro braço para trás, em um movimento de rotação interna, palma da mão voltada para cima. Olhe para a mão que estará indo para trás. Afastando sempre as cristas ilíacas e buscando um movimento da coluna em forma de um ‘C’ bem redondo e profundo, sem causar uma anteriorização pélvica e sem fechar o lado convexo da coluna durante o exercício. Volte ao posicionamento inicial e repita o movimento para o outro lado.

Conclusão

Como vimos colunas do tipo funcional estáticas merecem movimento, realizados em todos planos, sentidos, direções, eixos e planos de movimento.

É correto contrair o assoalho pélvico  no Pilates?

É correto contrair o assoalho pélvico no Pilates?

Contrair ou não o assoalho pélvico durante nossas aulas de Pilates? Vou dar uma resposta rápida e com embasamento científico: não. Nesse artigo veremos o motivo e como isso influencia em nossas aulas de Pilates, vamos lá?

O que é sinergia abdomino-pélvica?

Diversos estudos discutem a sinergia abdomino-pélvica. Alguns autores identificaram um aumento da atividade eletromiográfica dos músculos abdominais durante a contração do assoalho pélvico. Porém isso aconteceu sem que fosse observado qualquer contração da musculatura abdominal.

Existe entre eles uma ação de sincronia. O que quer dizer que a contração do músculo abdominal (tosse, espirro) leva a uma contração recíproca do músculo pubococcígeo. Assim o colo vesical fica estabilizado e na posição retropúbica. Isso facilita a igualdade das pressões transmitidas da cavidade abdominal ao colo vesical e uretra proximal. Tudo isso serve para manter a continência urinária.

Existe um motivo para existir a atividade sinérgica entre os músculos do assoalho pélvico e dos abdominais. Eles possibilitam o desenvolvimento de uma pressão de fechamento adequada e importante para manter a continência urinária e fecal. Isso é feito de forma coordenada para aumentar a pressão do abdômen e fornecer suporte aos órgãos pélvicos.

Alguns estudos demonstram que durante a contração voluntária dos músculos do Assoalho Pélvico, ocorre uma coativação dos músculos:

  • Transversos abdominais;
  • Oblíquo interno;
  • Oblíquo externo;
  • Reto abdominal.

Como resultado, temos um aumento da pressão esfincteriana. Aumento este que não queremos em nossas aulas de Pilates.

Como funciona a sinergia abdomino-pélvica

ativação do assoalho pélvicoUm estudo nos indica o que acontece quando ocorre um aumento repentino na pressão intra-abdominal. O aumento leva a uma rápida atividade reflexa dos músculos do assoalho pélvico (reflexo guardião).

Considera-se o aumento repentino da pressão intra-abdominal causado por uma manobra intrínseca como a tosse. Eles incluem a ativação via retroalimentação da musculatura do assoalho pélvico como parte de um complexo padrão de ativação muscular.

Acredita-se que a tosse e o espirro são gerados por um padrão individual dentro do tronco cerebral. Assim, a ativação dos músculos do Assoalho Pélvico é uma coativação prévia. O que quer dizer que não é primariamente uma reação “reflexa” ao aumento da pressão intra-abdominal.

Porém, além disso, pode haver uma resposta reflexa adicional dos músculos do Assoalho Pélvico em relação ao aumento da pressão abdominal devido à distensão dos fusos musculares dentro dessa musculatura.

Outros autores também afirmaram que o aumento da pressão de fechamento da uretra e do ânus ocorre imediatamente antes do aumento da pressão intra-abdominal. Nos eventos de tossir e espirrar, o diafragma, os músculos abdominais e o assoalho pélvico são ativados de forma pré-programada pelo sistema nervoso central.

Este fato parece sugerir que a ativação dos músculos do períneo não acontece em resposta ao aumento da pressão intra-abdominal. Eles seriam antes produzidos por mecanismos nervosos centrais que podem ser eventualmente regulados pela vontade, afim de manterem a continência urinaria e fecal.

Contração do Assoalho Pélvico em incontinentes

Algumas investigações demonstraram que a contração automática dos músculos do Assoalho Pélvico nas mulheres continentes é precedida ao aumento da pressão intra-abdominal. A contração prévia desses músculos, antes do aumento intra-abdominal, indica que essa resposta é pré-programada. A atividade antecipada não pode ser de uma resposta reflexa a uma entrada aferente, resultante de um aumento da pressão abdominal.

Vários artigos abordaram sobre o comportamento dos músculos do Assoalho num esforço de tosse, tanto em mulheres continentes quanto em mulheres incontinentes. Os resultados sugerem que nas incontinentes o padrão de recrutamento sinérgico se processa de forma diferente em relação à intensidade de ativação dos músculos.

A ativação dos músculos Perineais é essencial para manter a continência quando a pressão intra-abdominal aumenta devido à contração dos músculos abdominais.

Os músculos do Períneo são essenciais para a continência urinária. Eles atuam através do incremento da pressão de fechamento uretral e da manutenção da posição do colo vesical.

Um estudo verificou as contrações feitas sem nenhum movimento da coluna lombar, pelve ou caixa torácica. Os autores observaram que existe um recrutamento dos músculos abdominais quando se realizava uma contração do assoalho pélvico.

Incontinência urinária no Brasil

Em estudo epidemiológico no Brasil, foi encontrado a prevalência de 35% de queixa de perda urinária aos esforços, em mulheres entre 45 e 60 anos de idade. A queixa em mulheres atletas é de 22% a 47%, sofrendo variação de acordo com a atividade. As causas ainda não estão completamente elucidadas e algumas ainda são pouco discutidas.

A incontinência urinária de esforço atinge com mais frequência mulheres entre 25 e 49 anos de idade. A atividade física de alto impacto é um fator de risco para desenvolvê-la. Ela só é percebida apenas a partir da realização de atividades que predisponham a perda de urina.

Outros fatores de risco incluem:

  • Constipação;
  • Tosse crônica do fumante;
  • Doença pulmonar;
  • Obesidade;
  • Ocupações que exigem levantamento excessivo de peso.

Causas da incontinência

De uma forma geral, a incontinência urinária de esforço é atribuída à incapacidade dos músculos do períneo em assegurar níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão intravesical.

A fraqueza dos músculos perineais é entendida como um fenômeno associado a alguns processos, como:

  • Envelhecimento;
  • Gravidez;
  • Parto vaginal;
  • Número de gravidezes e partos;
  • Redução no número de fibras do tipo I.

Pouco se sabe acerca do funcionamento dos músculos do períneo durante a prática de exercícios físicos. Os exercícios abdominais aumentam a pressão intra-abdominal. Com esse aumento as vísceras ficam comprimidas e a carga para o aparelho locomotor é distribuída.  Os aumentos na pressão intra-abdominal afetam indiretamente a pressão sobre a bexiga urinária.

Percebemos que esse aumento favorece a perda involuntária de urina em algumas ocasiões. O motivo seriam respostas alteradas do assoalho pélvico.

Os achados determinam que a maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária do Assoalho Pélvico. Isso pode acarretar em deficiência funcional por perda ou ausência da consciência e coordenação das estruturas neuromusculares do aparelho locomotor. Como consequência podemos ter hipotrofia por desuso.

O assoalho pélvico perde sua eficiência mecânica e também tem a composição de alguns músculos causados por:

  • Descondicionamento;
  • Carga excessiva.

Portanto, mulheres que fazem exercícios físicos não possuem necessariamente músculos perineais mais fortes do que as que não fazem.

Condição física geral e força da musculatura perineal

Neste contexto, outra ideia muito divulgada se refere à relação entre condição física geral e desenvolvimento dos músculos do períneo. De fato, está genericamente aceito que se uma mulher possuir uma boa condição física geral, isso significa uma musculatura perineal igualmente forte.

Porém os músculos do pavimento pélvico possuem uma característica diferente. Segundo Nichols & Milley, na ausência de trabalho específico para essas musculaturas, a carga repetida e aumentos frequentes da pressão intra-abdominal terão um efeito adverso. Elas causariam redução na eficiência mecânica do ligamento cardinal. Jozwik afirma que também pode produzir alterações na composição de alguns músculos. É possível que leve a uma diminuição no número de fibras do tipo I observada no músculo elevador do ânus.

Analisando essas evidências chegamos a uma conclusão alarmante. O exercício físico intenso pode ser considerado um fator precipitante da incontinência urinária de esforço para algumas mulheres.

Contração correta dos músculos do assoalho pélvico

Chegou a hora de discutir a percepção da contração correta dos músculos do assoalho pélvico. A The American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda uma maneira correta de ensinar a contrair essa musculatura. O certo é solicitar ao paciente parar o fluxo urinário no meio da micção sem contrair os membros inferiores ou os abdominais.

Bump e colaboradores (1991) analisaram uma amostra de 47 mulheres.  25% delas não realizavam uma contração efetiva dos músculos perineais, capaz de aumentar a pressão de encerramento uretral com uma instrução verbal. Se existe uma diminuição da força do Assoalho Pélvico e alteração da posição anatómica das estruturas, não é uma simples instrução verbal que é suficiente para curar ou melhorar esta condição.

Será que instruções verbais ou escritas são uma preparação adequada para a mulher iniciar o treinamento? A sociedade de continência (2001) concluiu que não.

Contração errada da musculatura do assoalho pélvico

O estudo de Parkkinem (2004) demonstrou que 73% das mulheres não conseguiam contrair corretamente os músculos do Assoalho Pélvico na primeira tentativa. Isso porque algumas mulheres não são capazes de contrair corretamente os músculos porque efetuam a manobra de valsalva, inversão do comando perineal ou contração perineal paradoxal.

Essa prática é corrente. Ela não deve ser negligenciada porque representa um percentual expressivo de 11% a 30% de mulheres incapazes de efetuar uma contração correta. Essas mulheres contraem os glúteos e adutores exclusivamente ou em combinação com a contração dos músculos perineais.

Sampselle e colaboradores (2005) concluíram que 68% das mulheres contraíam o Assoalho Pélvico com uma instrução verbal. No entanto, constatou que só 29% contraíam corretamente após uma instrução adicional e 3% eram incapazes de contraí-los.

O biofeedback e palpação digital são os instrumentos adicionais na identificação dos músculos e na aprendizagem de uma correta contração. Essa observação de uma correta contração dos músculos Perineais foi demonstrada clinicamente através de uma ressonância magnética.

Kari Bø (1990) verificou que durante a contração voluntária desses músculos, o cóccix descrevia um movimento cranial em direção à sínfise púbica. Essa contração voluntária é simultaneamente uma contração de todos os músculos do Assoalho Pélvico e descreve um movimento de elevação, na direção cefálica. Ele encerra as aberturas pélvicas, sugerindo um enrolamento da pelve.

Essa contração correta não pode envolver nenhum movimento da pélvis nem a contração de outros grupos musculares relativamente aos músculos fracos e destreinados do Assoalho Perineal.

Quando se atinge o limiar de esforço, os músculos fadigados perdem sua capacidade, principalmente se não estiverem condicionados. Somos unanimes em dizer que a participação do glúteo máximo, no sinergismo, com os músculos do Assoalho Pélvico e abdominais, não deve ser estimulada. É considerada inapropriada. Esses resultados parecem demonstrar a importância do treino da musculatura perineal no tratamento da incontinência urinária de esforço.

E se estivermos trabalhando com mulheres com elevada probabilidade de incontinência (pós-parto, idosas, etc.?) Nelas o treino da musculatura Perineal deverá anteceder o trabalho abdominal.

Músculos abdominais na respiração

Os músculos abdominais têm papel significativo na atividade respiratória, principalmente durante a fase expiratória. Isso pode ser observado por meio da eletroneuromiografia, em que se obteve aumento da atividade elétrica desses músculos durante a expiração e declínio enquanto ocorria a inspiração.

Diante dos resultados obtidos sobre a resposta sinérgica abdomino-pélvica, observa-se que tanto a atividade perineal quanto a abdominal, são influenciáveis pelo padrão respiratório imposto. Assim sendo, a manobra que demonstrou melhor estimulação a ação sinérgica foi a execução da expiração. Aquela que mostrou praticamente nenhuma resposta sinérgica entre os grupos musculares estudados foi a inspiração.

Ativação do assoalho-pélvico e do Transverso

Já sabemos que ativação dessa musculatura gera uma co-contração do transverso do abdômen. Sendo assim, nunca podemos ativar esses dois músculos ao mesmo tempo.

Podemos concluir que a melhor forma de trabalho é se contrair os músculos do aparelho locomotor isoladamente, sem outros músculos associados. Existem estudos que não encontraram diferenças significativas nas duas contrações. Uma estava associada (transverso e assoalho pélvico) e outra somente no assoalho pélvico, poupando assim a fadiga da musculatura do assoalho pélvico.

Biomecanicamente falando, a contração dos músculos do assoalho pélvico gera uma “tendência” à abertura discreta dos ilíacos. Já a contração do transverso gera uma tendência ao fechamento dos ilíacos. Isso resulta em forças que se anulariam, e a coluna estaria sem nenhuma proteção muscular no momento do exercício.

Em contrapartida, Leopold Busquet contrário a qualquer trabalho de fortalecimento. O autor acredita que as fugas são causadas pelo excesso de contração muscular do quadrado de sustentação.

Uma consequência seria a fadiga de todo sistema, gerando um aumento da pressão intra-abdominal. Como consequência teríamos um aumento da tensão. Isso significa que ele segue na contramão, propondo o relaxamento de toda musculatura que envolve os peritônios.

Funções do transverso

O artigo The myth of core stability (O mito da estabilização do tronco), publicado na 14º edição do Journal of Bodywork & Movement Therapies, em 2010, nos dá informações interessantes. O autor, Eyal Lederman, relata que o transverso do abdômen tem várias funções na postura ereta.

A estabilidade é uma, mas está em sinergia com os outros músculos da parede abdominal. Ele atua no controle da pressão da cavidade abdominal para as funções de fonação, respiração, defecação, vômito etc. Ele também forma a parede posterior do canal inguinal atuando como válvula e impedindo a herniação das vísceras por este canal.

Na gravidez este músculo é excessivamente alongado e devido a curva comprimento-tensão tem uma grande perda de força, dissipando sua capacidade de estabilização.

Um estudo de Faste et al. (1990) analisou 318 mulheres grávidas. Foi elaborado através da avaliação da capacidade dessas mulheres realizarem um sit up (sentar-levantar). Os resultados mostram que 16,6% das grávidas não conseguiam realizar um único movimento. Porém, sem o aparecimento de dores lombares, logo, a força abdominal não foi relacionada com o aparecimento de dores na coluna.

Conforme Orvieto et al. (1990) outros fatores foram associados ao caso, dentre eles:

  • Índice de massa corporal;
  • Peso do feto;
  • Dores lombares anteriores ao período de gravidez;
  • Histórico de hipermobilidade;
  • Amenorreia;
  • Constipação;
  • Outros.

O estudo continuou no pós-parto. Ele analisou que os músculos abdominais levam de quatro a seis semanas para se recuperarem das alterações sofridas na gestação (força, comprimento, controle motor etc). E oito semanas para recuperar a estabilidade da pelve.

Ou seja, é de se esperar que neste período ocorra uma mínima estabilização espinhal devida a “folga” dos músculos abdominais e suas fáscias. Será que isto aumenta a probabilidade de disfunções na coluna vertebral?

Músculos abdominais e dor lombar

Em um estudo de Bastiaenen et al (2006), foram comparados os efeitos de uma terapia cognitivo-comportamental aos efeitos da fisioterapia na dor pélvica e lombar no período pós-parto. Das 869 grávidas que tiveram dores na coluna durante a gravidez, 635 foram excluídas da pesquisa devido sua recuperação espontânea uma semana após o parto.

Como pode ter ocorrido a melhora da dor em um período que a musculatura abdominal está ineficiente? Por que a dor lombar imediatamente desapareceu?

Pressão intra-abdominal no Pilates

Ainda existem muitos questionamentos a serem feitos sobre as propostas de estabilização do tronco. Um fator extremamente importante que não é considerado, é a avaliação da pressão abdominal.

Solicitar contrações mantidas à pacientes que já possuam pressão intracavitária elevada, pode ser muito perigoso. Essa elevação acentuada da pressão intra-abdominal, pode gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos, prejudicando o funcionamento de todo sistema visceral. O excesso de pressão também se dá sobre o assoalho pélvico. A longo prazo, pode facilitar a instalação de mecanismos de fuga.

Alguns questionamentos quase nunca são feitos. Por quê esta musculatura está fraca? Existe um motivo lógico para isso? Essa musculatura está fraca por desuso ou por excesso de uso?  A osteopatia, talvez seja a única linha que se atenta ao aumento da pressão intracavitária e aos prejuízos que ela, uma vez aumentada, podem trazer ao corpo.

Em alguns casos encontramos músculos abdominais fracos, com seu funcionamento inibido. Porém, isso não ocorre simplesmente pela falta de uso desses músculos e sim devido a uma estratégia inteligente de proteção do corpo frente a um amento da pressão intra-abdominal.

Um indivíduo que possui hábitos alimentares errôneos, por exemplo, pode gerar um excesso de gases. O transverso do abdômen vai ficar relaxado, pois o corpo precisa abrir espaço nesta cavidade. Qualquer pressão exercida nesta região seria antifisiológica e provocaria dor. Algumas vísceras não suportariam pressão e iriam contra o mecanismo de conforto do corpo.

Um músculo também pode perder sua função, pode estar fraco por excesso de trabalho (fadigado). Quando se mantém em estado de contração constante, diminui o seu aporte sanguíneo levando ao aumento do depósito de colágeno. Suas fibras sofrem um processo de toxemia e são substituídas por estruturas fibrosas.

Dessa maneira, o músculo perde sua capacidade elástica de contrair e relaxar, modifica seu coeficiente de comprimento-tensão, comprometendo sua função. Este músculo terá sua ação parasitada, pois está fadigado e será interpretado como “fraco”. Mas, será que realizar exercícios de fortalecimento, solicitando ainda, mais contração é a melhor estratégia? Sem dúvidas que não.

Portanto uma contração errada do assoalho pélvico pode resultar em:

  • Fadiga muscular;
  • Perda fibras do tipo I;
  • Perda da capacidade funcional.

Já uma contração errada do transverso do abdômen resulta em:

  • Contração da musculatura superficial;
  • Falta de estabilização da lombar;
  • Protrusão abdominal.

Tudo isso favorece o aparecimento de incontinência urinária, conhecida como:

  • Fugas;
  • Hemorroidas;
  • Refluxos;
  • Hérnias abdominais e vertebrais.

Tudo causado pelo excessivo aumento da pressão abdominal.

Caso se tenha intenção de fortalecer os músculos do quadrado de sustentação, sem a clareza necessária, estaremos aumentando a pressão intra-abdominal, gerando também dor lombar.

E a resposta?

Atualmente alguns artigos relacionados a fisioterapia, com dados de eletromiografia, levantam a hipótese da solução estar na contração da musculatura do assoalho pélvico mais a contração do transverso, o que geraria uma forca sinérgica, cuja estabilização seria realizada de forma correta. Seria essa a solução para a questão abordada acima? A resposta está na origem da técnica do Pilates, através da bibliografia de Joseph Pilates.

Joseph nunca preconizou em seus exercícios a contração do assoalho pélvico ou do transverso do abdômen. Já o método da ginastica hipopressiva, desenvolvido pelo belga Dr Marcel Caufriez pesquisando profundamente as questões pressóricas, seu método explodiu mundialmente com uma proposta muito interessante, cuja orientação é de realizar a ginastica hipopressiva com o objetivo de retirar o aumento de pressão sobre os frágeis músculos do assoalho pélvico realizada em apneia expiratória de modo aspirativo, no qual o tronco estará estabilizado com o Serrátil (afim de aumentar a área do saco visceral), como sabemos a física define pressão como forca dividida pela área, desta maneira, numa apneia expiratória o diafragma estará em alta, as costelas abertas, promovendo uma aumento da área, com a aspiração das vísceras diminuiremos a pressão intra-abdominal e evitando a fadiga do assoalho pélvico. O método da ginastica hipopressiva tem fundamentos terapêuticos.

Atualmente o método do Dr Caufriez, já possui várias vertentes. O HTTP método desenvolvido com bases semelhantes, ministrado pelo Dr Jorge Vieira, e a LPF, ou técnica da barriga negativa. É importante ressaltar que os fins estéticos que a LPF promove e um efeito físico, de novo, pressão e a forca dividida pela área, logo. Se aumentamos a área e diminuímos a pressão interna, isso promovera instantaneamente uma diminuição da circunferência abdominal. Porém, não é um método emagrecedor, mas sim um método de harmonização pressórica e seus benefícios vão muito além. Não menos importante citar, que a ginastica hipopressiva possui diversas contraindicações, e, portanto, a escolha da sua formação se faz fundamental.

Conclusão

Qual seria a solução para todas questões abordadas acima? Talvez na proposta original do Joseph e na origem da técnica do Pilates, através da bibliografia de Joseph Pilates.

Joseph nunca preconizou em seus exercícios a contração do assoalho pélvico ou do transverso do abdômen.  Essa proposta de estabilização partiu dos estudos de Panjabi, concluídos por Paul Hodges, que já assume em suas pesquisas recentes que sua proposta foi mal interpretada, o que gerou um aumento perigoso na PIA. Já a LPF, ginastica hipopressiva, tem orientação de retirar o aumento dessa pressão sobre os frágeis músculos do assoalho pélvico. Ela é realizada em apneia expiratória de modo aspirativo, estabilizando o tronco com o Serrátil. Assim não aumentamos a pressão intra-abdominal e evitamos a fadiga do assoalho pélvico.

Seguem alguns exercícios hipopressivos:

  • Sente-se no mat com os membros superiores rodados internamente em flexão de 90 graus, flexione os membros inferiores sutilmente para colocar os ísquios em contato com solo, de forma bem posicionada, incline seu tronco levemente a frente com a manutenção da coluna neutra, o queixo deverá estar em contato com o osso hioideo, inspire, e no final da expiração realize uma apneia, além de empurrar os membros superiores a frente, objetivando a abertura das costelas, e por fim sugue as vísceras em direção cefálica. Tente manter essa apneia por até 30 segundos, caso não consiga, faca três repetições em intervalos menores de apneia.
  • Posicione-se em pé, com o segundo dedo do pé alinhado a linha media da patela que também deverá estar alinhada com as espinhas ilíacas antero superiores, joelhos flexionados com as mãos apoiadas ao solo, em rotação interna, inspire e na expiração em apneia, empurre o chão com as mãos, e comece a estender o joelho, as mãos nunca podem perder o contato com o solo, e sugue as vísceras, tentando manter a apneia até 30 segundos, caso não consiga siga treinando seu aluno, com mais repetições até o objetivo final ser alcançado.

Esses exercícios terão como efeito:

  • Retirar a pressão interna;
  • Aumentar o espaço visceral internamente;
  • Melhorar a mobilidade e a irrigação das vísceras;
  • Diminuir a circunferência do abdômen, que não estará mais sendo empurrado para a fora pelo excesso de pressão interna.
  • Alongar excentricamente o diafragma

Portanto o resultado estético também será positivo. Pelo fato do Pilates possuir muitos exercícios com alavanca em flexão de tronco, acaba gerando um aumento da PIA, que poderá associado ao método da ginastica hipopressiva a normalização dessas pressões. Por isso sempre finalizo minhas aulas de Pilates com posturas de ginástica hipopressiva.

 

Aprenda como tratar a síndrome compartimental crônica

Aprenda como tratar a síndrome compartimental crônica

O que é síndrome compartimental

A síndrome compartimental é o aumento da pressão dentro de um espaço anatômico. Pode ser um compartimento fascial ou loja anatômica. A síndrome é caracterizada pela queda da perfusão sanguínea dos músculos e órgãos nele contido.

A Síndrome do compartimento caracteriza-se por:

  • Algia crônica hipoestesia;
  • Diminuição ou ausência de pulsação local;
  • Edema;
  • Enrijecimento da região acometida.

As causas principais podem ser:

  • Aumento da pressão intra-abdominal (PIA)
  • Constrição de membros por aparelho com a pressão aumentada dentro da loja anatômica;
  • Curativos compressivos;
  • Uso inadequado de braçadeiras/manguitos para aferição não invasiva de pressão arterial;
  • Uso de Kinesio tapping sem o conhecimento adequado;
  • Um possível aumento de substâncias no compartimento muscular causado por edema ou hemorragia (inflamações de alguma estrutura). Tornando-a uma urgência medica.

O tecido conjuntivo encerra as lojas anatômicas dos membros, portanto tem um limite de elasticidade. O edema dos músculos, por exemplo, pode aumentar a pressão dentro dos mesmos.

Processos patológicos ou iatrogênicos que aumente o conteúdo dentro do espaço anatômico delimitado por tecido conjuntivo pode gerar a síndrome.

Isso acontece porque o aumento da pressão dentro do compartimento/loja anatômica impede a entrada de mais sangue. Com a falta de oxigenação local acontece a diminuição do fluxo sanguíneo. Consequentemente, ocorre a isquemia dos músculos, nervos ou demais órgãos.

Síndrome compartimental aguda

síndrome compartimental agudaA síndrome ocorre normalmente pós uma lesão importante. Em casos raros, pode também se desenvolver após uma lesão de menor importância. As pessoas podem desenvolver a síndrome compartimental aguda após:

  • Uma fratura
  • Uma lesão que esmaga um braço ou perna
  • Um grave hematoma muscular
  • Uso de gesso ou uso de uma atadura apertada
  • Ao ficarem alcoolizadas ou drogadas (um dos vasos sanguíneos pode ficar bloqueado enquanto a pessoa dorme ou permanece deitada após um desmaio)

Síndrome compartimental crônica (de esforço)

síndrome compartimental crônicaA síndrome compartimental crônica pode ser causada por exercícios. Os exercícios que envolvem movimentos repetitivos são um risco em especial.

Esse tipo de síndrome compartimental atinge com mais frequência pessoas com menos de 40 anos. O que não quer dizer que ela esteja restrita a essa faixa etária, pode ocorre em qualquer idade.

Alguns determinados esportes, como natação, tênis ou corrida, têm risco maior de desenvolver a síndrome compartimental crônica. Exercícios físicos intensos ou muito frequentes, como o Crossfit, também aumentam o risco.

A associação entre exercícios físicos e a síndrome do compartimento não é bem compreendida. Entretanto, as possíveis causas incluem:

  • A mecânica individual de cada indivíduo a algumas atividades físicas;
  • Um sistema fáscial mais espesso que o normal;
  • Músculos hipertrofiados;
  • Hipertensão arterial.

Como o exercício causa síndrome compartimental?

exercício causa a síndrome compartimental crônicaNeste artigo explicitarei a síndrome compartimental que pode ser gerada pela atividade física. Todos sabemos que a atividade física, ou qualquer exercício físico, gera quebra de fibras musculares para remodelagem muscular.

Esse processo causa um efeito semelhante a um processo inflamatório. Ele delibera um excesso de líquido dentro dos compartimentos musculares semelhante aos processos inflamatórios. Alguns exemplos de músculos acometidos com frequência são:

  • Bíceps;
  • Quadríceps;
  • Tríceps sural.

O líquido gerado pelo excesso de quebras das fibras musculares pode também ser devido a:

  • Hemorragia local;
  • Excesso de edema;
  • Ambas as causas.

Sabemos que a fáscia tem pouquíssima extensibilidade e envolve todo sistema muscular. Essa diminuição da área do compartimento anatômico, eleva a pressão local, gerando a síndrome do compartimento.

Agora imaginem comigo um aluno que tenha uma tensão na cadeia muscular de extensão dos membros inferiores. Seu quadríceps estará mais tenso e toxemiado.

Se ao longo de uma aula ele exercitar demais seu quadríceps talvez quebre muitas fibras musculares na região. Portanto, ele correrá sério risco de desenvolver uma síndrome compartimental crônica. Um exemplo de aula que colocaria esse aluno em risco seria uma aula só de agachamento.

Também é possível que aconteça uma síndrome compartimental por excesso de esforço. Ela é definida, segundo Garret 1995, como uma condição patológica do músculo esquelético. É caracterizada pela pressão intersticial aumentada dentro do compartimento muscular anatomicamente confinado. A pressão interfere na circulação e na função dos componentes neuromusculares deste compartimento.

Síndrome compartimental crônica vista pela biomecânica

Da perspectiva biomecânica, as síndromes compartimentais são consequências de desequilíbrios entre:

  • Massa;
  • Volume;
  • Pressão.

Ou seja, um aumento de massa dentro de um volume fixo, elevando assim, a pressão interna.

Sintomas da síndrome compartimental

Como já mencionei, qualquer um pode desenvolver a síndrome compartimental crônica. Porém, ela é mais frequente em quem pratica esportes de impacto repetido, como corredores.

Em sua forma crônica, a síndrome começa a se manifestar com sensação de dor após o esforço muscular repetido. Esta dor cessa quando o indivíduo se encontra em repouso, porque as pressões estão normalizadas.

No entanto, conforme o indivíduo inicia sua prática atlética, a pressão sobe, diminuindo o fluxo sanguíneo para os nervos e músculos. Eles entrarão em sofrimento pelo aumento da pressão gerando:

  • Dor;
  • Queimação;
  • Ardência;
  • Parestesia do compartimento afetado;
  • Sensação de aperto;
  • Parestesia;
  • Fraqueza;
  • Edema;
  • Herniação muscular.

Síndrome compartimental crônica nos membros inferiores

Nos membros inferiores, qualquer dos compartimentos podem ser acometidos:

  • Anterior;
  • Lateral;
  • Posterior superficial;
  • Posterior profundo.

Segundo Schepsis et al., 2005, o compartimento mais comumente afetado é o compartimento anterior. Ele é composto pelos músculos:

  • Tibial anterior;
  • Extensor longo do halux;
  • Extensor longo dos dedos;
  • Fibular terceiro.

Normalmente quando um compartimento é afetado todos os músculos relacionados estarão comprometidos. Somente em raras condições um único musculo do compartimento pode estar sofrendo isoladamente.

Fazem parte do compartimento lateral os seguintes músculos:

  • Fibular longo;
  • Fibular curto.

Do compartimento posterior superficial:

  • Gastrocnêmico;
  • Sóleo;
  • Músculo plantar.

Compartimento posterior profundo:

  • Poplíteo;
  • Flexor longo do hálux e dos dedos;
  • Tibial posterior.

Como funciona a síndrome compartimental crônica

A pressão de um dos compartimentos citados elevada compromete a função vascular e neural. Isso gera isquemia e um ciclo de retroalimentação para o acúmulo de líquidos, restringindo o fluxo sanguíneo.

Esse quadro tem sua situação por vezes piorada pela função mecânica da fáscia. Ela se mostra capaz de aumentar sua espessura e rigidez como resposta ao aumento de pressão gerado pela síndrome compartimental de esforço (Hurschler et al. 1994).

Pressões compartimentais aumentadas geram a diminuição dos vasos sanguíneos que entram em colapso venoso. Assim, a congestão capilar aumenta, além de reduzir a perfusão tecidual, gerando mais toxemia local. Essas pressões, em repouso, variam de 0 a 20 mmHg segundo Dayton e Bouche, 1994.

Durante o esforço físico, as pressões chegam a ultrapassar os 70 mmHg. Porém em indivíduos saudáveis, voltam aos níveis de repouso, imediatamente após a parada da atividade física.

Já em indivíduos portadores da síndrome do compartimento do esforço a pressão pode ultrapassar os 100 mmHg. E além desse fator, esses individuos demoram para atingir os níveis pressóricos após a pratica esportiva.

Tratamento da síndrome compartimental crônica

tratamento da síndrome compartimental crônicaEm muitos casos o principal tratamento é a cirurgia, e também o mais eficaz. Ela consiste em abrir a fáscia, tecido inelástico encerrando cada compartimento muscular (fasciotomia).

Casos mais graves, onde a inervação do membro afetado é muito comprimida, podem sofrer perda de movimento. Existe um desencontro na literatura de quando a fasciotomia está indicada.

Os valores pressóricos variam de 30 a 45 mmHg, quando em repouso. Se a síndrome não for tratada rapidamente, trata-se de emergência médica. Os músculos e os nervos afetados podem ser lesionados gravemente, e, de forma irreversível. Sem tratamento, pode ser necessário recorrer até a uma amputação.

Normalmente, a síndrome se inicia com um desconforto logo após o início da atividade física. O desconforto segue piorando progressivamente ao longo da atividade física. Só melhora após 30 minutos de repouso.  Paulatinamente, a dor começa a persistir por mais tempo, podendo durar até 2 ou 3 dias.

Algumas pesquisas indicam que o gestual esportivo, pode ser fator preponderante para o desenvolvimento da síndrome. Obviamente, se corrermos, ou nos exercitarmos, de forma errônea, haverá sobrecarga de alguns grupos musculares. Isso pode aumentar consideravelmente as chances para o desenvolvimento da síndrome compartimental. O overtraining também é uma possível causa, gerado pelo aumento súbito do volume e intensidade do treino.

Tratamento não cirúrgico

A estratégia de tratamento não cirúrgico sugere alongamento e fortalecimento especifico de músculos inibidos, pausa nos exercícios de impacto. Mas o principal é o trabalho de correção biomecânica para o gestual esportivo.

Síndrome compartimental Abdominal

O diafragma tem suas duas porções: costal e crural e é o músculo principal da respiração. Porém possui funções distintas. O diafragma costal participa da função respiratória que se dá através de sua contração. Ele aumenta a PIA pelo abaixamento do seu centro frênico, gerando um aumento da pressão da parede diafragmática em direção as costelas.

Já o diafragma crural somente participa do ritmo respiratório. Ao ser distendido durante a respiração movimenta o saco pericárdico, favorecendo assim, o retorno venoso. Analisando a biomecânica respiratória as duas porções do diafragma trabalham em série para a estabilização da coluna vertebral.

O diafragma crural através de suas inserções em L1, L2 e L3, e o diafragma costal pelo aumento da PIA realizada em sinergismo a outros músculos inspiratórios. Ele cria uma alavanca de flexão no tronco que será compensada para o reequilíbrio postural por uma alavanca de extensão também no tronco. Portanto, a compressão da coluna vertebral gera a estabilização da coluna favorecendo também o retorno venoso.

Isso é fisiológico, porém existe a possibilidade de um aumento permanente e crônico da PIA por interferências disfuncionais:

  • Corticais;
  • Subcorticais;
  • Vestibulares;
  • Oclusão dentária;
  • Mecanoceptoras;
  • Viscerais;
  • Visuais para a manutenção da horizontalidade do olhar.

Porém, no caso dessas disfunções, o custo mantido da PIA aumentada cronicamente será muito alto. Gerando um aumento da compressão vertebral, e da articulação sacro ilíaca, um aumento na atividade muscular dos oblíquos internos, os escalenos deixarão de agir em ativação fásica para uma ativação tônica. O aumento da PIA gera uma estratégia importante e inteligente corporal de reforço de estabilização. Isto porque o diafragma perde sua funcionalidade, sendo empurrado pelo aumento da PIA em sentido craniano.

Assim vemos a ativação dos músculos acessórios de forma tônica, sendo muito comum indivíduos portadores de dor lombar crônica, a longo prazo também terem dor cervical.

A World Society of the abdominal Compartment Syndrome (ACS) preconizou como consenso mundial que indivíduos com 12 mmhg já são portadores de hipertensão abdominal. Estabeleceu ainda, que a pressão abdominal pode ser medida em mmHg ou cmH20 e que a pressão abdominal normal se encontra de 0 a 5 mmHg, de 10 a 15 mmHg PIA crônica,

Síndrome Compartimental Abdominal

Grau I de 12 a 15 mmHg

Grau II de 16 a 20 mmHg (risco de morte)

Grau III de 20 a 25 mmHg (com disfunção ou falência de órgãos)

Grau IV acima de 25 mm Hg

Porém, o dr. Marcel Caufriez estabeleceu em suas pesquisas que até 30 mmHg é normal. Contudo, atento que suas pesquisas de medidas da pressão abdominal são realizadas através da manometria retal. Esse método de pesquisa é questionado por vários pesquisadores. Inclusive pela World Society of the abdominal Compartment Syndrome, elegendo como o melhor método para se avaliar a pressão abdominal a manometria intravesical. O que não desvaloriza o método da ginástica hipopressiva, que propõe uma normalização da pressão intra-abdominal.

Síndrome compartimental em corredores

 

Como a síndrome em questão acomete muitos corredores cabe a nós corrigirmos a biomecânica da corrida de nossos alunos corredores. Às vezes, é necessário acompanhar seu treino fora de nossos Studios. Para tanto, se faz necessário um bom conhecimento biomecânico da corrida.

A corrida compõe-se das seguintes fases:

1 – Contato Inicial (Footstrike)
2 – Médio Apoio (midsupport)
3 – Desprendimento (Toe-off)
4 – Oscilação (Swing)
5 – Desaceleração (Desaceleration)

Dentre as principais disfunções biomecânicas encontradas nos corredores, a predominância é grande para o Valgo Dinâmico dos joelhos.

O valgismo dinâmico se traduz pela rotação interna dos joelhos, não só durante a corrida. O valgismo acontece em qualquer atividade do dia-a-dia, é o principal vilão para o aumento do impacto durante a corrida.

Se correlacionado as cadeias musculares, trata-se de um excesso de tensão na musculatura adutora. Ela é participante da cadeia muscular de fechamento dos membros inferiores.

Uma boa orientação, bem como exercícios bem dirigidos para o fortalecimento dos glúteos, e relaxamento dos adutores podem gerir resultados rápidos para a melhora do desalinhamento.

Correções em corredores

Alguns exemplos são exercícios de pliometria que ensinam seu aluno como aterrissar de um salto e se beneficiar da energia cinética na troca da passada. Eles diminuem consideravelmente o impacto durante a prática da corrida, correr o mais leve possível. Se lançando para o alto e para a frente, sem exageros diminuirão consideravelmente o impacto dos pés na aterrisagem.

Lembrando aqui que não estamos andando, logo a aterrisagem durante a corrida é gerida por todo o pé. Mais especificamente através do médio pé, e nunca através do retro pé. Além disso, a princípio, a aterrisagem deve ser realizada próximo ao corpo.

O posicionamento do tronco também deve ser analisado e corrigido de forma cautelosa. Durante a corrida a força solo estará aumentada inúmeras vezes. Essa força ascendente será absorvida pela unidade dos membros inferiores e transmitidas para a unidade tronco imediatamente.

Além desse fator mecânico, o tronco estará realizando uma inclinação lateral para o mesmo lado do membro inferior que toca o solo. Ou seja, a musculatura lombar serve para restringir o movimento pelo controle da flexão lateral e para a flexão do tronco.

A musculatura cervical serve para manter a cabeça na posição ereta sobre o tronco e manter a horizontalidade do olhar. Ela não é tão ativada como outras na coluna durante a corrida.

Logo, não podemos esquecer da dissociação das cinturas, de extrema importância para uma boa corrida. Assim, teremos menos chances de lesão.

Outro músculo que deverá ser treinado para uma boa corrida é o Psoas que deverá estar relaxado. Para que, deixamos o quadríceps assumir o papel de principal flexor do quadril.

Seguem alguns dados alarmantes de uma recente pesquisa

A amostra do estudo foi de 77 corredores de rua. Eles responderam um questionário composto por 27 perguntas para identificar a rotina dos treinamentos elaborado e validado por Almeida et. al. (2011).

[GIZELE: fazer tabela]

Os resultados apontam que 37 (48,1%) realizam de três a quatro vezes por semana, 62 (80,5%) com uma sessão ao dia, 56 (72,7%) treinam até 120 minutos ao dia, 27 (35,1%) com tempo estimado em minutos para 10 km e apenas 17 (22,1%) possuem treinador. Entretanto 32,5% (25) dos participantes tiveram lesões no último ano. A região do corpo mais afetada por elas foi o joelho 14,3% (11). Traduzindo esses números, como vemos vários equívocos foram detectados no estudo.

O primeiro deles, aproximadamente 72% da amostragem treinam até 120 minutos por dia, volume de treino preocupante para corredores amadores. 32% se lesionaram no último ano, e somente 22% seguem uma planilha de treinos preparada por um educador físico. Preocupante, sem nenhum tipo de orientação sobre a mecânica de seu treino, sem nenhum tipo de controle sobre o terreno onde os treinos são realizados, sem tão pouco, controle algum sobre o volume de seus treinos. Fator preocupante, se voltarmos a falar da síndrome do compartimento crônico.

Atletas amadores, despreparados, sem nenhum tipo de orientação profissional, me faz pensar que as lesões nos joelhos são as menos preocupantes nesses atletas.

Pensando em ganho de performance existe outro problema. Provavelmente alguns desses corredores amadores acabam usando suplementações sem amparo nutricional. Eles podem utilizar-se de esteroides anabolizantes ou suplementos de creatina que podem aumentar o risco para o desenvolvimento da patologia (além de alterar o funcionamento dos rins).

O papel dos rins

Já que sabemos as causas da síndrome compartimental. Logo, supomos que o bom funcionamento dos rins tem papel fundamental para não ser mais um agente complicatório para o desenvolvimento da mesma.

São 3 as funções renais:

  • Eliminar toxinas e dejetos que resultam do metabolismo corporal
  • Promover o constante equilíbrio hídrico do corpo
  • Produzir hormônios, como a renina que age na regulação da pressão arterial.

Em síntese, os rins exercem papel fundamental para a regulação hídrica do organismo. Uma vez em desequilíbrio, pode aumentar inúmeras vezes as chances da geração da síndrome.

Conclusão

Movimentar-se e exercitar-se para mim, sem dúvida, são os melhores medicamentos para vários tipos de patologias. Porém, ainda que poucas, as restrições existem.

Mova-se! Mas cheque antes como está sua saúde. Contrate um bom educador físico para melhor orienta-lo em sua pratica. Principalmente lembrem-se que sua atividade física deverá agregar qualidade a sua vida, e não problemas ou riscos.

Dentre estes, a tão perigosa e silenciosa síndrome compartimental crônica ou do esforço. Síndrome, ainda pouco conhecida, como tudo ligado ao sistema fascial.

Bibliografia

PREVALÊNCIA DE LESÕES E TIPO DE TREINAMENTO DE ATLETAS AMADORES DE CORRIDA DE RUA

Diogo Gonçalves de Oliveira, Giannina do Espírito-Santo, Ivanildo Silva Souza, Monique Floret

Biomecanica Funcional

William Whiting

Ronald Zernicke

A V Jornada Sul-Americana de Pilates chegou e está imperdível

A V Jornada Sul-Americana de Pilates chegou e está imperdível

Gente, vamos falar de coisa boa hoje. Nós temos um encontro marcado em Canela e eu já vou explicar para vocês o motivo. É a V Jornada Sul-Americana de Pilates! Só para vocês entenderem um pouquinho melhor segue uma explicação sobre o evento.

A V Jornada Sul-Americana de Pilates é um evento anual realizado em Canela, no Rio Grande do Sul. Mas por que vocês precisam comparece à Jornada? Calma que vou explicar todos os motivos, tenho certeza que vai dar vontade de ir.

Para começar, a V Jornada Sul-Americana de Pilates acontece em Canela, uma das cidades mais maravilhosas que você pode visitar. Quer mais coisa boa? O evento terá 20 workshops dados por profissionais renomados de todo o mundo. Por último, você ainda ganha a oportunidade de desfrutar do Hotel Resort Laje de Pedra, e eu te garanto que ele é tudo de bom.

Durante os três dias de evento você estará imerso no mundo do Método Pilates junto de outros 350 congressistas. Então é a oportunidade ideal para fazer networking com colegas que têm interesses similares.

O que acontecerá na V Jornada Sul-Americana de Pilates?

Seguindo a tradição de Jornadas anteriores, a VOLL Pilates Group trará um grande nome do Pilates internacional como convidada especial. Dessa vez teremos a honra de conhecer Kathy Corey, conhecida como mestre dos mestres.

Também teremos os 20 workshops realizados por diversos profissionais de destaque da área. E olha que tem um workshop imperdível que eu dou em conjunto com o Keyner Luiz! Quero ver todos vocês lá!

Workshops do evento

Quer saber mais sobre os workshops da V Jornada? Dá uma olhadinha aí embaixo que resumi cada um deles para você.

  • Sandro Alves: criando aulas incríveis com a meia lua e o step barrel (spine corrector).
  • Sandro Alves: as inúmeras possibilidades do rolo de espuma – níveis intermediário e avançado.
  • Janaína Cintas: a biomecânica do método Pilates – teoria e prática.
  • Janaína Cintas: avaliação postural e cadeias musculares.
  • Erika Fehler: Reformer intermediário e avançado – construindo movimentos com perfeição.
  • Erika Fehler: prancha de salto no Reformer.
  • Glaucia Adriana: desvendando a escoliose através do método Pilates.
  • Glaucia Adriana: modificações e assistência no Reformer para clientes com dor crônica na coluna.
  • Glaucia Adriana: abordagem dinâmica do método Pilates.
  • Kathy Corey: coreografia e Reformer.
  • Kathy Corey: Reformer, Cadillac, Wunda Chair – adaptando exercícios para todos os níveis.
  • Kathy Corey: o método Pilates: ontem e hoje.
  • Kathy Corey: Reformer: do clássico ao contemporâneo.
  • Keyner Luiz: Planejamento e protocolo das aulas: como elaborar aulas mais criativas e eficazes sem perder o propósito.
  • Keyner Luiz: utilizando o mat Pilates e o Treinamento Funcional nas patologias do quadril.
  • Nany Sevilla: New Intense Pilates – fitness e emagrecimento.
  • Nany Sevilla: Flow Wheel – o novo acessório de Pilates e Funcional.
  • Sandro Alves e Nany Sevilla: Pilates criativo com Fitball, sliding disc, faixa elástica e overball.

E um workshop especial para vocês:

  • Keyner Luiz e Janaína Cintas: como incorporar Pilates, Funcional, terapia manual e cadeias musculares na mesma aula.

Prêmio Contrology

Essa edição da Jornada também contará com o Prêmio Contrology em sua 2ª edição. Ele dará premiações para os melhores profissionais da área de Pilates do ano. E ainda: só os participantes da V Jornada Sul-Americana de Pilates terão acesso a esse super acontecimento!

Agora que você já conheceu um pouco sobre a Jornada Sul-Americana, é só comprar e me encontrar lá! Estarei esperando por você com conteúdos e workshops maravilhosos.

Se você se interessou pela Jornada é só clicar nesse link. Nos vemos lá!