[INFOGRÁFICO] Fases da capsulite adesiva: como fazer o tratamento para cada uma

[INFOGRÁFICO] Fases da capsulite adesiva: como fazer o tratamento para cada uma

Dor no ombro? Quer algo mais comum em um Studio de Pilates? Dores no ombro só perdem para dores na coluna no número de pacientes que encontramos. Esse é um problema bastante incapacitante para o aluno que limite seus movimentos e atividades diárias. Para te ajudar no tratamento desses pacientes separei algumas dicas sobre uma patologia importante: a capsulite adesiva.

O que é capsulite adesiva?

Essa é a uma patologia que começa com uma inflamação na cápsula articular do ombro. Os motivos para que essa inflamação comece são muitos, mas sempre com características autoimune que traz todas as complicações relacionadas.

Por ser autoimune você dificilmente conseguirá descobrir o que realmente a causou, limitando bastante as opções de tratamento. Além disso, ela é bastante limitante em todas suas fases, seja ela na dor ou na diminuição da amplitude de movimento. Como não conseguimos reverter a patologia precisaremos aprender a trabalhar de maneira limitada para garantir que o retorno às atividades diárias.

Fases da capsulite adesiva

A capsulite adesiva possui algumas fases que sempre devemos considerar durante o tratamento. A primeira delas é caracterizada pela inflamação da cápsula articular. Apesar de existir inflamação, é fácil diferir essa fase da capsulite adesiva de outras patologias como tendinites ou a síndrome do impacto. Sua maior característica é a dor em qualquer amplitude de movimento do ombro.

No início da fase inflamatória o aluno pode sentir uma dor suave e ignorar o problema. Mas não se engane, ela rapidamente vai evoluir para uma dor forte e limitante. A fase pode permanecer por 8 a 10 meses em nosso aluno. É comum encontrarmos ombros que, apesar da dor, ainda não têm seus movimentos limitados.

A limitação só começa a acontecer na segunda fase da patologia, a fase da rigidez ou congelamento. Sua principal característica é a perda progressiva da amplitude de movimento do ombro, porém a dor é bastante amenizada. Ela pode permanecer por 12 a 18 meses.

Por fim, chegamos à fase do descongalamento. Ela é caracterizada pela melhora progressiva dos movimentos do ombro e sua duração é inespecífica. É normal que um indivíduo que sofreu da patologia e chegou à fase final acabe com sequelas e perde entre 15% e 20% dos seus movimentos no ombro afetado.

Como tratar de acordo com as fases da capsulite adesiva

  • Fase inflamatória: durante essa fase a dor forte impedirá muitos exercícios e deixará o trabalho do profissional do movimento complicado. Portanto, nosso único objetivo estará na analgesia e alívio da dor, assim poderemos trabalhar de maneira mais livre com o ombro afetado.
  • Fase da rigidez ou congelamento: essa é a fase em que o ombro começa a perder sua amplitude de movimento. Mesmo que o profissional tente forçar alongamentos ou incentivar os movimentos não conseguiremos reverter a patologia. Nossa intensão nessa fase é evitar ou ganhar um pouco de amplitude de movimento para melhorar a qualidade de vida do aluno.
  • Fase do descongelamento: conforme o ombro retorna a sua amplitude de movimento anterior, precisaremos trabalhar para evitar que o aluno tenha sequelas, evite ao máximo a perda de funcionalidade do ombro acometido.

Conclusão

A capsulite adesiva é uma patologia extremamente limitante e que confunde também muitos profissionais do movimento. A única maneira de fazer uma boa reabilitação é considerar bem as fases da capsulite adesiva e respeitá-las. Teremos um objetivo diferente em cada uma delas para conseguir melhorar ao máximo a situação do aluno.

Câncer de mama: Pilates pode ajudar no tratamento!

Câncer de mama: Pilates pode ajudar no tratamento!

Pilates no câncer de mama

No outubro rosa não poderia deixar de escrever um artigo sobre o câncer da mama. Esta patologia atinge não só mulheres, mas também em menor escala homens.

O câncer de mama é o desenvolvimento de um tumor maligno nos seios, e como todo câncer tem por característica um crescimento rápido e desordenado de células.

É o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, só perdendo em sua etiologia para o câncer de pele, não melanoma, sendo responsável por cerca de 28% de novos casos a cada novo ano. O câncer de mama nos homens é raro, estando representado por 1% do total de casos da doença.

Sua incidência e relativamente rara até os 35 anos, porém acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, em especial após aos 50 anos de idade. Estatísticas apontam um aumento em sua incidência.

Existem vários tipos de carcinomas de mama. Alguns evoluem de forma rápida, outros, de forma menos agressiva. Em sua grande maioria de casos possui bom prognóstico, se diagnosticado precocemente. Portanto, se faz necessário ficar atento aos sintomas, realizar seu check-up anualmente, realizar o autoexame, pois quanto antes detectado maior as chances de cura.

Autoexame de mama

É muito importante que as mulheres, uma vez por mês, realizem o autoexame da sua mama. O autoexame é um cuidado imprescindível para identificar:

  • Nódulos;
  • Retração de pele ou do mamilo;
  • Edemas;
  • Assimetrias;
  • Vermelhidão;
  • Secreção com sangue;
  • Gânglios que podem surgir nas axilas.

Esse procedimento deve ser realizado todos os meses, logo após o período menstrual.

De frente para o espelho nua observe o tamanho, a forma e a cor de suas mamas, edemas (inchaços), retrações (abaixamentos da pele), saliências ou rugosidades, se há presença de secreção nos mamilos. É importante realizar o autoexame, primeiramente com os braços em posição normal, e depois com o braço apoiado acima da cabeça. Caso note alguma das alterações citadas anteriormente, consultar imediatamente um ginecologista, ou mastologista.

Cuidado, pois o autoexame não substitui sua visita anual de checkup ao seu ginecologista.

auto exame do câncer de mama

Diagnóstico

O diagnóstico preciso pode sempre começar na sua consulta de check-up anual, com exames de rotina, realizando dentre eles a mamografia. Contudo para saber-se com exatidão o tipo de carcinoma e estadiamento, por exemplo, a investigação seguinte será realizada através da biópsia do linfonodo sentinela. Porém, caso note alguma alteração em suas mamas, não aguarde sua consulta anual, consulte seu médico imediatamente.

Tratamento para o câncer de mama

  • O tratamento cirúrgico varia desde uma tumorectomia (retirada do tumor sempre com uma margem de tecido de segurança) até uma mastectomia. Nessa cirurgia retira-se completamente a mama afetada, podendo vir acompanhado do esvaziamento axilar. Nesse caso, também são retirados os linfonodos axilares. Os linfonodos são estruturas localizadas no caminho dos vasos linfáticos, são fundamentais ao nosso sistema imune e atuam como filtros da linfa. Têm a capacidade de reter, destruir, ou ainda, retardar, a difusão de bactérias, vírus, protozoários e cânceres pelo organismo.
  • Radioterapia e utilizada para destruir as células tumorosas, é um tratamento local. Os tecidos expostos a radioterapia podem sofrer fibrose, e juntamente com a cicatriz cirúrgica, que pode estar toxemiada, causarão dores e limitações na amplitude de movimento. A radioterapia, por mais precisa que seja, também atinge células saudáveis, o que afeta diretamente as AVDs da paciente, bem como a sua qualidade de vida.
  • A quimioterapia já é uma terapia que envolve todo o sistema e não faz distinção entre as células oncológicas e as saudáveis. É bastante agressiva gerando diversos efeitos colaterais por todo sistema corporal e incluem: falta de apetite, alteração no paladar, constipação intestinal, náuseas, vômitos, alterações sexuais e fadiga muscular.

A fadiga muscular está diretamente ligada a qualidade de vida. Estudos demonstram é possível notar uma diminuição nas capacidades funcionais da paciente em até 30%.

O tratamento curativo se aplica aos tumores que estão localizados na mama ou até mesmo com metástase axilar, onde se localizam os gânglios linfáticos, mas que não atingiram outros órgãos. O médico fara a utilização para o tratamento oncológico de: a cirurgia, a quimioterapia, a hormonioterapia e a radioterapia.

A cirurgia é um tratamento comum para o câncer de mama e seu objetivo principal é retirar o máximo possível do tumor com uma boa margem de segurança.

A maioria das mulheres com câncer de mama fará algum tipo de cirurgia como parte de seu tratamento, que dependendo da situação terá diferentes razões. Por exemplo, a cirurgia pode ser realizada para:

  • Remover o máximo possível do tumor.
  • Diagnosticar se a doença se disseminou para os linfonodos.
  • Remoção da mama e reconstrução da mesma após a cirurgia de remoção do câncer.

Existem dois tipos principais tipos de cirurgia para o câncer de mama: a Mastectomia e Quadrantectomia, que veremos a seguir:

  • Cirurgia Conservadora da Mama: conhecida também como tumorectomia, quadrantectomia, mastectomia parcial ou mastectomia segmentar, onde o cirurgião retirara o segmento ou o setor da mama que contém o tumor. O objetivo é retirar o tumor, com algum tecido normal adjacente, para que se tenha uma boa margem de segurança. O tanto da mama a ser removida depende do tamanho e localização do tumor.
  • Mastectomia: este procedimento cirúrgico, mais agressivo, toda a mama é retirada, incluindo todo o tecido mamário e às vezes outros tecidos próximos (como os linfonodos axilares, por exemplo). Às vezes, se faz necessário a retirada das duas mamas.

Muitas mulheres com câncer de mama estágio inicial tem a opção de escolher entre a cirurgia conservadora da mama ou a mastectomia. A principal vantagem da cirurgia conservadora é que uma mulher mantém a maior parte da mama com o tratamento auxiliar e combinado de radioterapia. Já as mulheres que optam pela mastectomia total (retirada da mama) em estágio inicial nem sempre têm indicação de radioterapia.

Para o cirurgião certificar-se se o câncer invadiu os linfonodos axilares, um ou mais gânglios são removidos e examinados via microscopicamente. Esta é uma parte importante do estadiamento da doença. Os linfonodos podem ser removidos durante a cirurgia para retirar o tumor da mama ou num procedimento separado.

A retirada ou não dos linfonodos axilares, para nós profissionais do movimento e de extrema importância, pois essa mulher, perdera sua rede de absorção linfática do lado correspondente a mama retirada, sendo fator preponderante para o surgimento de edemas.

Reconstrução Mamária

Quando se faz uma cirurgia, seja mastectomia, seja quadrantectomia, pode ser necessária uma cirurgia de reconstrução para que a mama mantenha o aspecto estético mais próximo possível do desejado pela paciente.
Existem vários tipos de reconstrução mamária, embora as opções de cada paciente dependam de sua situação clínica e de suas preferências pessoais.

Cada paciente pode escolher entre fazer a reconstrução mamária no momento da mastectomia (reconstrução imediata) ou num momento posterior (reconstrução tardia). Porém, em muitos a escolha do melhor método de reconstrução deve ser definido pelo cirurgião, devido as condições encontradas em cada paciente, levando em conta os fatores de risco, para cada reconstrução.

A mastectomia é um procedimento muito traumático para a mulher. A reconstrução mamaria é parte fundamental do tratamento para melhorar a autoestima, a vida psicossocial e a qualidade de vida destas pacientes. Muitas técnicas foram descritas e evoluíram até chegar à atual diversidade de procedimentos modernos associados ou não as próteses mamárias. Esta diversidade de técnicas possibilita a seleção adequada para cada caso, oferecendo melhores resultados.

Cirurgia de reconstrução mamária com retalho de abdome superior associado à prótese mamária

Retalho do Músculo Reto Abdominal (TRAM e TRAM livre)

Robbins descreveu esse retalho pela primeira vez em 1979. Ele utilizou o músculo reto abdominal com uma ilha de pele em posição vertical. Em 1982, Hartrampf descreveu seu uso com ilha de pele horizontal, permitindo o fechamento mais estético da área doadora. Tem como vantagem fornecer suficiente tecido para cobrir grandes defeitos. As desvantagens são devido à debilidade gerada na parede abdominal e o grande risco de gerar herniações.

Holmstrom (1979) foi o primeiro a descrever o retalho livre do músculo reto abdominal. Grotting, em 1989, publicou um estudo demostrando as vantagens desta técnica como a melhora do fornecimento sanguíneo, diminuindo o risco de necrose, e a melhora na perda funcional da parede abdominal.

Em 2009, Deós revisitou a abdominoplastia reversa e aplicou novos conceitos. Ele corrigiu as desvantagens da técnica original com planejamento estratégico desde a marcação, fixação do retalho e manutenção da cicatriz de forma estável. Chamou essa técnica de “abdominoplastia reversa tensionada”.

Embora tenha sido utilizado para muitas oportunidades cirúrgicas, o retalho da abdominoplastia reversa não tem sido apresentado como tecido adicional de espessura de subcutâneo para reconstrução de mama, com finalidade de proteção de prótese de silicone.

Em 1992 Berrino comparou diferentes técnicas reconstrutivas para algumas deformidades, sendo uma delas um retalho obtido da abdominoplastia reversa, mas sem apresentar grandes conclusões nem entrar em detalhes sobre a técnica. O retalho da abdominoplastia reversa pode ser uma opção prática para a reconstrução mamaria em pacientes cuidadosamente selecionadas.

Retalho de Grande Dorsal

O uso do músculo grande dorsal, para restaurar defeitos causados pela ausência do músculo peitoral maior, foi publicado pela primeira vez em 1939 por Hutchins, mas foi só em 1974 que Brantigan utilizou esta técnica para reconstrução pós-mastectomia radical, e depois por Olivari em 1976, popularizando e aperfeiçoando a técnica

Devido ao insuficiente volume, normalmente, precisa ser associado à colocação de implante, como descrito por Schneider em 1977.

Técnica cirúrgica

Demarca-se a incisão de abdominoplastia reversa, seguindo os sulcos mamários e encontrando-se na linha média à altura do apêndice xifóide. A área mamária D, que deve ser descolada dos planos profundos, é baseada no sulco e polo superior da mama contralateral.

Após incisão e descolamento reverso do abdome supraumbilical, o retalho abdominal é fixado com pontos de adesão, seguindo-se cinco linhas de tração, fixando-o à fáscia muscular, com finalidade de evitar o seu deslizamento para baixo.

O retalho dermogorduroso excedente do lado direito é decorticado na sua metade distal, tracionado em sentido cefálico e invaginado sob a pele da região mamária D, descolada previamente, servindo como coxim de proteção para o implante mamário. A porção inferior é mantida com pele para reconstrução do polo inferior da mama.

Recuperação

A maioria das mulheres pode voltar às suas atividades normais dentro de 6 a 8 semanas. Se os implantes forem realizados sem retalhos cutâneos, o tempo de recuperação pode ser menor. No entanto, algumas questões devem ser consideradas:

A reconstrução não restaura a sensibilidade da mama normal, mas alguma sensibilidade pode retornar como os anos.

  • Pode demorar até cerca de 8 semanas para que os hematomas e o inchaço desapareçam completamente.
  • Pode demorar de 1 a 2 anos para que os tecidos cicatrizem completamente e as cicatrizes sejam menos evidentes, embora as cicatrizes nunca desapareçam m completamente.
  • Pergunte ao seu médico quando você poderá voltar a usar sutiãs regularmente.
  • Siga as orientações do seu cirurgião sobre quando iniciar os exercícios de alongamento e atividades normais, que variam de paciente para paciente dependendo o tipo de reconstrução.
  • As mulheres que fazem a reconstrução, assim como aquelas que fizeram a mastectomia, podem precisar de um período de acompanhamento com psicólogo para aprenderem a lidar com problemas emocionais como a ansiedade e outros sentimentos.
  • Os implantes de silicone podem vazar ou se romper sem provocar sintomas. Os cirurgiões geralmente recomendam realizar ressonâncias magnéticas periódicas dos implantes para garantir que não estejam danificados.  Geralmente, a primeira ressonância magnética é realizada 1 a 3 anos após a cirurgia de implante e depois a cada 2 anos.

Anatomia e biomecânica dos músculos dos membros superiores

 Músculo Peitoral Maior

Tem sua origem na: Clavícula, manúbrio e corpo do externo; cartilagens costais da 2ª a 6ª e bainha do musculo reto abdominal e sua inserção no tubérculo maior do úmero, sendo responsável pela: rotação medial, flexão e adução do braço

Músculo Peitoral Menor

Faz sua origem da 2ª a 5ª costelas e sua inserção no processo coracóide da escápula, tem por ação a anteversão do membro superior, além de auxiliar na inspiração forçada

Músculo Subclávio

Origina-se na 1ªcostela para se inserir na extremidade acromial da clavícula para estabilizar e abaixar a clavícula

Músculo Subescapular

Está situado na fossa escapular, ele passa anteriormente a face anterior da articulação do ombro para se inserir no úmero, originando-se na face costal escapular e para rodar medialmente e aduzir o braço insere-se no tubérculo menor do úmero.

Músculo Deltóide

Possui três porções que se originam na: clavícula, acrômio e espinha da escapula para se inserir na tuberosidade deltoidea, realizando a: adução, abdução até 90º, rotação medial e rotação lateral do braço.

Como vimos, a retirada de parte do musculo peitoral maior pode interferir tanto na flexibilidade, como na força durante; a flexão, rotação medial e adução horizontal do braço homolateral. Na mastectomia, porém, conforme vimos anteriormente, temos músculos, que mesmo não sendo os motores primários para esses movimentos podem cumprir esse comprometimento desde que bem estimulados e trabalhados.

Lembremos que o ombro, será, num primeiro momento o ponto de maior fixação, dor e limitação para essas mulheres. Em muitos casos acompanhados de edema, pela extirpação dos gânglios subaxilares, portanto, num primeiro momento da reabilitação.

Nossa prioridade será a de devolver a amplitude de movimento perdida (através de cinesioterapia passiva, assistida e livre), controlar o edema (drenagem linfática), e só a partir desses objetivos alcançados, objetivar os ganhos de força e estabilizar os desarranjos escapulares. Eles são fundamentais para a devolução da qualidade de movimento perdida, sempre nos atentando antes, para as possíveis retrações cicatriciais.

Essa primeira fase de reabilitação deve ser relativamente rápida, pois não podemos nos esquecer que há muito tempo essa paciente, está sem movimento na região, podendo este ombro evoluir para um congelamento, porem respeitando sua tolerância de dor e fragilização.

Anatomia e Biomecânica dos músculos do Tronco

 Músculo Grande Dorsal

Tem sua origem na fáscia toracolombar, processos espinhosos de T2 a L5 e face dorsal do sacro e crista ilíaca e se insere no tubérculo maior do úmero, tem como funções: aduzir, estender e rodar medialmente o braço.

Músculo Reto do Abdômen

E um músculo recoberto pela bainha do reto do abdômen. Esta bainha mantém o músculo em sua posição e é formada pelas aponeuroses dos músculos:  oblíquo externo, oblíquo interno e transverso do abdômen. Tem sua origem da 5ª a 7ª cartilagens costais, processo xifóide e ligamento costoxifoide tendo seu ponto de inserção na sínfise púbica e no púbis, tendo como ação: a flexão do tronco, além de auxiliar na expiração forçada.

Com essa pequena análise, vimos que a principal sequela pós mastectomia com reconstrução, através dos músculos grande dorsal e reto do abdômen, será, de novo, o comprometimento da adução e rotação medial do braço homolateral a mastectomia.

E com relação a reconstrução realizada através do reto abdominal, o comprometimento da estabilidade do tronco poderá estar comprometida com uma possível facilidade para o aparecimento de herniações umbilicais e inguinais. Acontece devido a fragilização cirúrgica das aponeuroses que recobrem o músculo reto abdominal.

Além desse fator, a postura poderá sofrer alterações importantes, pois a ausência de uma das mamas, gera uma necessidade de readaptação corporal pelo corpo da mulher, que poderá a princípio ser traduzida, por uma elevação e rotação interna do ombro homolateral a mastectomia com abdução da escapula, gerando aumento da tensão muscular na região cervical, cintura escapular e do tórax superior, por vezes desencadeando dores.

Fisioterapia

Como vimos, o tratamento do câncer de mama é extremamente longo e desgastante fisicamente e emocionalmente para a mulher. Quando a mesma chega ao nosso serviço de reabilitação, já encontra-se exausta de sentir:

  • Desesperanças;
  • Dores;
  • Cansaço.

Por vezes , pouco se importam com as sequelas, visto que a alta médica já lhes deu a notícia de cura tão esperada. Porém para nós fisioterapeutas, nos resta ainda, um árduo trabalho:

  • Reestabelecer a ADM perdida;
  • Controlar o edema do membro superior, principalmente se houve esvaziamento de gânglios;
  • Ganhar de força;
  • Fazer a analgesia.

Partamos então da premissa de que estamos diante de uma paciente fragilizada, com algumas cicatrizes cirúrgicas espalhadas pelo dorso, sem parte de músculo peitoral, ou ainda totalmente sem ele, e com a reconstrução da mama feita através do enxerto do reto abdominal, que foi extirpado unilateralmente, ou, menos comum, sem parte do grande dorsal.

Encontraremos na fase inicial da fisioterapia:

  • Linfedema;
  • Cicatrizações tóxicas ou não;
  • Limitação da amplitude de movimento do ombro com dor, e por vezes, parestesia.

A principal preocupação da fisioterapia no pós-operatório imediato a mastectomia deve estar voltado para a prevenção e o tratamento do linfedema. Quando da realização do esvaziamento axilar, no programa de reabilitação a drenagem linfática, exercícios e enfaixamento compressivo são princípios obrigatórios para o sucesso da reabilitação. É através da drenagem linfática que estimularemos o organismo a recriar neoanastomoses linfáticas (designação dada a uma rede de canais que se bifurcam e se recombinam em vários pontos, tais como os vasos sanguíneos, afim de achar um novo caminho linfático).

A fisioterapia clássica consiste na manutenção, além do ganho da amplitude dos movimentos perdidos, seja por dor, ou por longo período de imobilização, através de mobilizações e alongamentos, ganho de força muscular. Devemos trabalhar sempre de forma a respeitar a tolerância álgica da paciente.

Além disso, teremos que lidar com as alterações posturais causadas pelas compensações que serão geridas por esse novo corpo. Deveremos ser minuciosos em nossas avaliações, a fim de mobilizar zonas de hipomobilidade, que surgirão no tronco, além de realizar um bom trabalho de conscientização corporal.

Pilates

Finalmente o Pilates, torna-se um excelente método para o fortalecimento, ganho de mobilidade e correção das assimetrias geradas pelo processo cirúrgico. Devemos trabalhar todos os exercícios em todos os planos, sentidos e direções, porém temos que nos atentar, principalmente, a fragilidade da bainha do reto do abdômen. Logo não podemos cometer o erro de aumentar mais a pressão intra-abdominal dessa paciente, logo nada de contração de powerhouse. Devemos, portanto, exercitar a estabilidade de tronco, através da especificidade de cada movimento.

O método gera benefícios físicos e mentais, assim como bem-estar e qualidade de vida para as mulheres mastectomizadas, prevenindo sequelas, geradas durante o processo de cura.

Bibliografia

American Cancer Society (18/08/2016)

Anatomia Online

The mity of stability of core Eyal Lederman.

Wikipedia

[INFOGRÁFICO]Câncer de mama: como ajudar com 4 passos

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Ao lidarmos com uma paciente que sofreu de câncer de mama precisamos sempre lidar que ela está fragilizada psicológica e fisicamente. Logo após a cirurgia para remoção do câncer ela também apresentará uma série de compensações biomecânicas devido à cirurgia e à reconstrução da mama.

Nós, como profissionais do movimento, podemos e devemos ajudar. Para isso teremos alguns objetivos no tratamento, dei ênfase aqui aos 4 principais objetivos que deveremos lembrar com essas pacientes. Conseguindo aplicá-los nas sessões conseguiremos devolver um pouco da autoestima e independência da paciente.

Consequências da cirurgia 

Como já mencionei, nossa aluno é uma pessoa fragilizada que possui no dorso algumas cicatrizes cirúrgicas. Ela também já passou por decepções, dores, falta de esperança e não se importa mais com as sequelas cirúrgicas.

Parte do músculo peitoral está removida, ou até todo ele. Sua mama foi reconstruída através do enxerto do reto abdominal, extirpado unilateralmente. Pode até estar sem parte do grande dorsal, usado para fazer a reconstrução.

Apesar de imprescindíveis para salvar a vida de muitas mulheres, essas cirurgias terão consequências no sistema musculoesquelético. Nós que trabalhamos com fisioterapia ou Pilates precisaremos trabalhar com essas consequências, ajudando a paciente a voltar a suas atividades.

[INFOGRÁFICO]Câncer de mama: como ajudar com 4 passos

CÂNCER DE MAMA

Teremos assim, quatro objetivos no tratamento usando o movimento. São eles:

  • Restabelecer a amplitude de movimento que foi perdida como sequela da cirurgia. Geralmente a paciente sentirá dificuldades para mover o membro do mesmo lado da cirurgia.
  • Controlar o edema do membro superior, especialmente importante em casos onde houve esvaziamento dos gânglios.
  • Fortalecer os membros afetados pela cirurgia, a paciente sentirá perda de força e precisará recuperá-la para conseguir voltar a suas atividades.
  • Realizar a analgesia da dor, um fator extremamente limitante para a paciente que também interfere no tratamento que realizamos com movimento.

Conclusão

O tratamento do câncer de mama deixará nossas alunos com diversas compensações pelo corpo. Por isso o tratamento posterior realizado pela fisioterapia e pelo Pilates será tão importante.

Conheça as cadeias musculares de Madame Godelieve Denys-Struyf

Conheça as cadeias musculares de Madame Godelieve Denys-Struyf

As primeiras cadeistas musculares que trouxeram para seus métodos as questões psico-comportamentais foram:

  • Madame Godelieve Denys-Struyf criadora do método que leva as iniciais de seu nome G.D.S.;
  • Madame Thérèse Bertherat discipula de Madame Mezieres que trouxe para as cadeias musculares de Mezieres as primeiras ligações comportamentais e corporais.

Neste artigo apresentarei a vocês um pouco do trabalho e da história desses dois grandes nomes da fisioterapia mundial.

Madame Godelieve Denys-Struyf G.D.S. (1960/1970)

Madame Godelieve Denys-Struyf é fisioterapeuta e osteopata. Nasceu no antigo Congo e lá viveu até seus 16 anos em uma fazenda de cacau. Sendo de família Belga, retornou à Bélgica e matriculou-se na Escola de Belas Artes de Bruxelas. Lá ela deveria refinar seu dom de retratista nata.

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Como desenhista sempre tentava passar aos seus alunos mais tarde que já como terapeuta aprender a ver.

Suas Cadeias são musculares e articulares. Denys-Struyf, fisioterapeuta e retratista, concebeu um conjunto de posturas designativas de estados:

  • Psicofísicos;
  • Personalísticos específicos;
  • Idiossincráticos.

Eles surgiram baseados em pressupostos teóricos de alguns métodos, como por exemplo:

  • A Facilitação Neuro Muscular Proprioceptiva;
  • A linha Mézièrista;
  • A percepção da coordenação motora.

Todos possuem como ponto em comum acreditar que o tecido muscular é um conjunto indissociável: o tecido fibroso.

Método de facilitação neuromuscular proprioceptiva

O Método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, foi desenvolvida por Kabat em meados de 1950. Foi o primeiro a considerar a solidariedade dos músculos como reestruturação do movimento. Criou vários exercícios combinados e com bases em espirais baseados em padrões primitivos.

Seu objetivo era através do reflexo de estiramento realizar a estimulação de mecanismos neuromusculares através da estimulação de seus proprioceptores. Assim, era possível reestruturar o movimento. O método trabalhava os grupos musculares de forma isolada, mas já no conceito de globalidade.

Cadeias musculares e articulares GDS

As Cadeias Musculares e Articulares GDS acreditam no conceito de que nossa atitude postural é a forma de nosso corpo derivada de uma multiplicidade de fatores: desde a genética até o psiquismo e o comportamento.

Há seis famílias de músculos que dão ao corpo a possibilidade de se expressar. A cada uma dessas famílias corresponde uma tipologia psico comportamental.

Entretanto, elas podem, em consequência de uma constância de tensão, aprisionar o corpo em uma determinada tipologia. Isso dificulta sua adaptabilidade mecânica e comportamental. Então, torna-se fonte de sofrimento. Neste momento, configuram-se no corpo cadeias de tensão musculares.

Em seu método considera que os problemas posturais podem não ser iniciados em músculos isolados. Agregou outros fatores negligenciados por muitos fisioterapeutas, como fatores ligados a totalidade psicomotora e vivência que é individual.

As causas de lesões no aparelho locomotor estão associadas a impulsão global do corpo na eretabilidade. Cada impulsão é o que determinam nossos gestos. Por sua vez, a repetição desses fixam nossa tipologia, que é única para cada indivíduo.

Cada um possui sua tipologia morfocomportamental, porém em quantidade e qualidade variáveis para cada um. Alguns músculos podem expressar um autêntico impulso interior para expressar um comportamento exigido pelas circunstâncias.

Godelieve, enxergava seu paciente como uma amálgama da tipologia basal com a tipologia adquirida, nesse amálgama estão:

  • O hereditário;
  • O genético;
  • O racial;
  • O cultural;
  • O familiar;
  • O profissional;
  • O social.

No centro desse quadro, o projeto pessoal da forma e do comportamento desenvolvidos ao longo da vida.

O método das cadeias osteoarticulares e músculos aponeuróticas e suas técnicas de correção foram desenvolvidos entre os anos de 1960 e 1970.

Abordagens de Godelieve

  • Método de leitura corporal, gestual e das formas para delimitar o psico fisiológico do indivíduo que proporciona a nós fisioterapeutas identificar seus pontos fortes e fracos.
  • É um método de conscientização visando a utilização harmoniosa do corpo para preservação de sua mecânica.
  • Godelieve falava em esculpir um corpo vivo.

Segundo Godelieve, o psiquismo deixa seu sinal num simples gesto. Nasce daí a forma corporal, e, por conseguinte, marcas no corpo.  Outro fator de influência seriam as vivências do indivíduo: trabalho, esporte, cirurgias, sedentarismo etc.

A biotipologia seria então o resultado entre as características genéticas e a vivência do indivíduo.

A falta de elasticidade encontrada em determinados músculos pode ser gerado por excesso de atividade em uma cadeia muscular. Caso apareçam daí movimentos descoordenados, a cadeia dominante fixa essas deformidades corporais.

As cinco estruturas psicocorporais

  • Cadeias Anteromedianas- AM

A atividade preferencial das cadeias anteriores e medianas AM está associadas à afetividade, ao sensorial, à necessidade de ser amado. As cadeias AM são responsáveis pelo bom posicionamento de D8 e da ancoragem do corpo. Estas, com a sua necessidade de toque, têm um papel fundamental na construção do ego e da consciência corporal.

A cadeia AM é constituída pelos seguintes músculos:

  • Períneo;
  • Reto abdominal;
  • Peitoral maior em suas porções inferior e média;
  • Triangular do estern;
  • Intercostais médios;
  • Subclavicular;
  • Escaleno anterior;
  • Porção esternal do esternocleidomastóideo;
  • Hióideos anteriores do pescoço;
  • Músculos da estrutura bucal.

Percebam que os músculos citados estão envolvidos com o enrolamento corporal. Eles são essenciais para poder manter o equilíbrio de um tronco que se encontra inclinado para trás e a cabeça em protrusão, além do apoio nos calcanhares.

Comportar-se em AM é viver em espera, limitando o imprevisível, se apoiando na experiência e no bom senso. Constrói seu futuro com base nas suas aquisições do passado.

AM é afetiva, sentimental e de natureza sensorial. Na postura AM de um indivíduo pode estar o resultado de sua escolha comportamental. Também pode estar em defesa, em situação de carência, sem, no entanto, favorecer seu bem-estar. A postura AM está ligada a busca pela mãe.

  • postura am de madame godelieve denys-struyf Cadeias Posteromedianas- PM

A atividade preferencial das cadeias posteriores e medianas PM está associadas à necessidade de ação, de realização e desempenho. Levam a uma atitude em propulsão. As cadeias PM têm um papel primordial na manutenção da verticalidade, freando a queda do corpo para frente.

A cadeia muscular PM tem como seus principais músculos:

  • Paravertebrais do segmento lombar e dorsal;
  • Grande dorsal;
  • Iliocostal.

A cadeia PM termina nas estruturas aponeuróticas, que se estendem do occípto até a região orbicular. Ao contrário da cadeia AM, o equilíbrio encontrado empurra o corpo para frente. Os apoios são no ante pé, a coluna lombar se posicionará em hiperlordose, ou pelo menos uma anteversão da pelve que flexionará o quadril em busca do centro gravitacional. Já a coluna cervical estará em extensão, o que pode leva-la ao longo prazo em grande sofrimento.

Comportar-se em PM é uma expressão de uma motivação e de uma escolha. Sentir-se realizada nessa expressão psicocorporal, sendo então projetado para o futuro, e com escolhas de agir nesse futuro. São pessoas orientadas para o progresso, o êxito de um projeto, a superação e a competição.

Essa personalidade gera, por outro lado, se o sucesso não for atingido, uma tendência a dispersar-se e se desconcentrar, desestabiliza-se, torna-se ansiosa, fisicamente frágil e se dilui psiquicamente.

O passo seguinte será de um corpo basculado para frente, quando a estrutura oposta AM está em carência. Ele coloca forças antagônicas em ação que não se coordenam mais.

Assim perante PM há AM, o indivíduo entrará em sofrimento. A proposta de Godelieve é muito honesta e é chamada de igualização das tensões e uma desescalada das forças que se opõem. Essa cadeia está ligada a busca pelo pai.

postura pm de madame godelieve denys-struyf3-Cadeias Posteroanteriores e Anteroposteriores- PA e AP

As três atitudes são subtensionadas muscularmente por uma mesma motivação: a necessidade de ser, da construção da individualidade e da busca do ideal em todos os níveis. Dois encadeamentos musculoaponeuróticos se subtensionam gerando essas três atitudes. No seu funcionamento fisiológico elas devem alternar suas respectivas atividades para manter:

  • Ritmo respiratório;
  • Equilíbrio das massas;
  • Eixo vertical;
  • Centro de gravidade.

As cadeias posteroanteriores PA entram em atividade na fase inspiratória e as cadeias anteroposteriores AP, na expiratória. Quando essas duas cadeias perdem a sua alternância fisiológica, é gerada a atitude PA-AP. Essa cadeia é responsável pela manutenção da postura estática dentro do polígono de sustentação.

  • Cadeia Principal

  1. O grupo das sentinelas do eixo vertical são PA (músculos profundos da coluna vertebral posteriores):
    1. Transversários profundos;
    2. Intertransversários;
    3. Interespinhosos;
    4. Pequenos músculos occipito-atlas e axiais.

Anteriores:

  • Pré-vertebrais;
  • Longo do pescoço;
  • Reto abdominal;
  • Pequeno reto abdominal.

Eles são responsáveis pela extensão axial.

  1. O grupo dos músculos respiradores pressores, são PA-AP.

São os músculos que participam diretamente da dinâmica respiratória, músculos que agem diretamente sob as diferenças de pressões entre as cavidades torácicas e abdominais:

  • Supracostais;
  • Intercostais externos;
  • Diafragma;
  • Transverso do abdômen;
  • Intercostais internos (PA AP-AL);
  • Intercostais médios (PA AP-AL-AM).
  1. São os músculos reguladores do centro gravitacional, são essencialmente AP:
    1. Esplênios;
    2. Quadrado lombar (no plano frontal).
    3. Escalenos médios e posteriores;
    4. Psoas (nos três planos).
  1. posturas de madame godelieve denys-struyfGrupo dos músculos de transição: pertencem a AP-PL-AL.
    São os músculos que ligam PA AP as cadeias musculares horizontais que se prolongam ao longo do tronco, formando um sistema de socorro respiratório.

PL:

Inspiração forcada

Estabilizam a escápula:

  • Angular;
  • Romboide;
  • Trapézio médio.

Inspiradores:

  • Serrátil anterior;
  • Pequeno serrátil posterior-superior

AL:

Expiração forçada:
  • Serrátil menor póstero-inferior;
  • Intercostais internos juntando-se a cadeia AM através dos intercostais médios.

Músculos que ligam a cadeia principal do tronco às cadeias secundárias do plano horizontal:

  • Ilíaco aos membros inferiores;
  • Peitoral menor aos membros superiores.

PA-AP: ereta na inspiração e relaxada na expiração.

Essa dupla de estrutura corporal oferece ritmo a estática humana com a respiração.

Em harmonia AP-PA ou PA-AP, conforme uma expressão corporal está unida. Quando separadas, sem oferecer esse ciclo oscilatório, estarão frágeis.

Por um lado, a aparência de fragilidade em PA-AP, e por outro, a energia da vida em AP-PA.

Essas cadeias obedecem a lei do mínimo esforço.

Comportar-se em PA isolada, se manifesta por rigidez psico comportamental.  Já uma AP isolada, é manifestada pela falta de energia, alguém à deriva.

  • Cadeias Anterolaterais

A atividade preferencial das cadeias anteriores e laterais AL está associada a um modo relacional preferencialmente introvertido. É caracterizado por uma seleção diante das trocas com o meio.

Essas cadeias favorecem a adução, a flexão e a rotação interna da raiz dos membros, gerando uma atitude de recolhimento e podendo, no excesso, chegar a achatar o corpo no próprio eixo.

postura al de madame godelieve denys-struyf5-Cadeias Posterolaterais

A atividade preferencial das cadeias posteriores e laterais PL estão associadas a um modo relacional preferencialmente extrovertido. É caracterizado pela necessidade de entrar em comunicação. Essas cadeias favorecem a abdução e a rotação externa das raízes dos membros, gerando uma atitude desdobrada.

postura pl de madame godelieve denys-struyfTratamento

Livrar o corpo dessas cadeias de tensão e padrões psicológicos, além de proporcionar ao paciente a consciência do seu eu corporal.

Madame Godelieve foi mais longe que Bertherat, também dirigiu seus estudos e toda sua vida clínica para as questões psicossomáticas, porém inovou completamente as cadeias de Mezières. Foi a primeira a propor que as cadeias se comportam como espirais e explicou suas ideias com toda interligação psicológica e psico comportamental. Também incluiu em seu método manipulações sutis de ossos e articulações.

Se você leitor gosta dessa abordagem, é a essa especialização que deve se entregar. É o que temos de mais coerente até hoje. Todos os métodos citam as questões psicológicas, mas nenhum consegue interferir ou mesmo interligar essas questões ao corpo, com exceção da Osteopatia, que segue por outra proposta, pois fala de sistemas (órgãos).

Madame Thérèse Bertherat

A grande sensibilidade pela fisioterapia é de uma sutileza aguçada. Os livros de Madame Thérèse Bertherat nos trazem deliciosos deleites, pois mais nos remete a leituras sobre contos do que propriamente um livro didático sobre fisioterapia.

Em suas valiosas observações, nos ensina, antes de mais nada, a sermos terapeutas no mais profundo sentimento de curar. Ela transmite em suas palavras, ensinamentos poéticos de nossa nobre profissão.

Bertherat se mudou para Paris e logo após a morte trágica de seu marido entrou em contato com a Sra. Ehrenfried, uma médica que refugiada do nazismo. Ela se instalou em Paris e trabalhava com uma certa ginástica, assim denominada por falta de um nome mais específico.

Sra. Ehrenfied sempre trabalhava um lado do corpo por vez. Ela defendia que quando um lado do corpo vive plenamente, o outro (lado patológico) não aguenta mais viver em inferioridade e sucumbe. Assim, ele buscando a simetria e torna-se disponível ao ensino que parte da metade mais perfeita.

Sua ginástica constava de movimentos suaves e precisos que ajudavam a soltar os músculos, liberando uma energia até então desconhecida. Não tocava em seus alunos, pois não queria que eles simplesmente a imitassem e nem que seus corpos seguissem à pressão de suas mãos. Acreditava que seus alunos teriam que chegar por si mesmos à descoberta sensorial do próprio corpo.

Defendia também que um esforço novo para o corpo, exigia o emprego de impulsos nervosos nunca empregados antes. Ela jamais permitia que sua ginástica fizesse seus alunos suarem. Caso isso acontecesse, ela acreditava que haviam deixado de ouvir o corpo, portanto seu trabalho era delicado e preciso.

Madame Bertherat completamente fascinada com os resultados obtidos em seu próprio corpo resolveu então se formar em fisioterapia. Ao fim do curso ficou completamente decepcionada com os métodos aplicados na época, como:

  • Mesas de tração;
  • Polias;
  • Coletes;
  • Outros.

Para ela eles mais soavam como uma tortura. Foi então apresentada ao trabalho de Madame Mézières.

A partir de então, começa a clinicar com o método de Mezières, sem perder de vista seus ensinamentos iniciais. Mais tarde criou seu próprio método que ficou conhecido como antiginástica, mas que foi concebido como Preliminares.

Método em que antes submetia seus pacientes a descobrir suas tensões conscientizando-os de que seu corpo é sua morada. Assim, por conseguinte, já com consciência e com seus músculos relaxados os submetia ao Método de Madame Mézières.

Não posso encerrar esse artigo sem citar algumas das palavras de Bertherat (2010) com sua sensibilidade sem igual:

“Nesse instante, esteja onde estiver, há uma casa com seu nome. Você é o único proprietário, mas faz tempo que perdeu as chaves. Por isso, fica de fora, só vendo a fachada. Não chega a morar nela. Essa casa, teto que abriga suas mais recônditas e reprimidas lembranças, é o seu corpo.

Se as paredes ouvissem: na casa que é o seu corpo, elas ouvem. As paredes que tudo ouviram e nada esqueceram são os músculos. Na rigidez, crispação, fraqueza, dores dos músculos e das costas, pescoço, diafragma, coração e também do rosto e do sexo está escrita toda a sua história desde o nascimento até hoje.”

Como diria Madame Thérese Bertherat (2010), sem perceber, desde os primeiros meses de vida, você reagiu a pressões familiares, sociais, morais. Ande assim. Não se mexa. Tire a mão daí. Fique quieto. Faça alguma coisa. Vá depressa. Aonde você vai com tanta pressa?

Atrapalhado, você se dobrou como pode. Para se conformar, você se deformou. Seu corpo de verdade-harmonioso, dinâmico e feliz por natureza foi sendo substituído por um corpo estranho que você aceita com dificuldade, mas que no fundo você rejeita. Nunca é tarde demais para se liberar da programação do seu passado, para assumir seu próprio corpo, para descobrir possibilidades até então inéditas.

Bertherat agregou aos ensinamentos de Mezières, a percepção corporal como base de início para qualquer trabalho postural. Ao longo de sua experiência clínica, foi se apoderando de algo que até então ninguém havia se atentado: que os fatores psicossomáticos também eram capazes de interferir drasticamente nos movimentos.

Conclusão

Sugiro a você leitor que gosta dessa abordagem psico somática que busque por essas formações que existem no Brasil.

Movimentos e palavras são e fazem corpo

Movimentos e palavras são e fazem corpo

Beatriz Franco

Psicóloga e psicanalista*

Depois de uma sessão de fisioterapia que tive com Janaína Cintas, ela me perguntou: “Como a psicanálise entende a formação da imagem corporal?” A nossa conversa se estendeu a um pedido dela para que eu escrevesse um texto para o seu blog. Então, aqui estou! O seu interesse em dialogar produziu efeitos imediatos em mim: palavras começaram a se movimentar em meu pensamento; fiz anotações, pensei sobre o tema e me lembrei de textos importantes de autores fundamentais à psicanálise – como Sigmund Freud e Jacques Lacan – que seguem nos ensinando, assim como a prática clínica, sobre a importância da experiência na elaboração de um saber. Por isso, escolho começar este texto falando um pouco de como chegamos, eu e Janaína, àquela conversa ao final de uma sessão. Efeito de encontros que acontecem há pelo menos quatro anos, com frequências variadas, espaços maiores ou menores, determinados por expressões advindas do meu próprio corpo. Sim, é o meu corpo que, de tempos em tempos, solicita uma nova intervenção da fisioterapia. Eu tinha uma “dorzinha crônica” que persistiu por mais ou menos dois anos. Apesar de alguns tratamentos, antes de iniciar  as sessões com a Janaina, poucos resultados haviam sido alcançados. Percurso “quase clássico” de qualquer um que busca ajuda para uma dor que vai e volta… Os fisioterapeutas sabem bem disso!

A dor era no quadril, porém, Janaína nunca tocou no meu quadril para trata-la, já que sua origem estava em outro lugar. Ao compreender isso, ela pôde, em algumas sessões, aliviar aquela dor e me dizer também uma frase que não esquecerei tão cedo – quando eu ainda duvidava da minha nova liberdade de movimento recém readquirida e desejava comprar uma bicicleta e sair pedalando por aí! Ela me disse: “Você pode fazer o movimento que quiser.” Em seguida a esta afirmação, escutei sobre o seu conceito de “doença e de saúde nos movimentos”. Do que me recordo daquela conversa, o que ficou de mais marcante, foi a sua ideia de que as dores musculares não indicam que alguém deva, necessariamente, parar de se movimentar ou de que sejam índices de alguma doença. “Dores musculares são efeitos das nossas histórias e podem melhorar, às vezes espontaneamente, às vezes com a ajuda de alguém, outras vezes não passarão completamente, mas, nada disso quer dizer que devemos ficar parados, ao contrário, o movimento é um caminho para mudanças”, me explicava Janaína. Todas essas ideias e o tratamento para a dor no meu quadril sem tocá-lo diretamente, diziam de uma compreensão e abordagem do corpo como um elemento que, em seu funcionamento, não esta separado em partes autônomas.

Se a psicanálise e a fisioterapia parecem tão distantes, já que uma trata do movimento e a outra da palavra, é justamente aí que as duas se encontram: no corpo! Uma toca o corpo com o movimento, a outra com a palavra. Por tanto, podemos pensar algumas aproximações entre essas duas práticas, como: as mudanças sutis que as duas promovem, a presença de repetições, o tempo de cada sujeito, o imprevisível dos seus efeitos, o papel das contingências, entre outas. Dito isto, voltemos à pergunta que inspirou esta conversa: como a imagem corporal se forma? O interessante do conceito da imagem corporal é que, como o próprio corpo, cada um tem a sua, mas não os fazemos sozinhos. É sempre um corpo (ao menos) que faz um novo corpo, seja biologicamente ou psiquicamente.

O primeiro laço que um bebê humano faz com outro humano acontece através do seu corpo e da condição de total dependência com a qual ele chega ao mundo. Mesmo não usando palavras, todo bebê se expressa através dos seu corpo e isso inclui os sons que eles produzem. Sons que são interpretados como pedidos por comida, avisos de dores, expressões de prazer e alegria e tantos outros significados que os adultos que cuidam de uma criança criam e oferecem ao novo humano em crescimento, até que se transformem também em palavras ditas pela própria criança. Assim, todos nós fizemos os nossos primeiros laços de amor, de desejos, de demandas. E os primeiros laços são também aqueles que nos constituem, que nos deixam marcas, modos de estar no mundo, indicam preferências, alguns desprazeres e até o que chamamos em psicanálise de sintomas. Isto tem toda relação com a pergunta que a Janaína me fez, cuja resposta poderia ser resumida da seguinte maneira: a nossa imagem corporal se constitui na relação com o corpo e com o inconsciente do outro; aquele primeiro outro que nos cuida e que atribui sentido aos movimentos e sons que fazemos mesmo antes de utilizarmos as palavras para nos expressarmos. Tantas vezes a mãe é aquele outro corpo que fala, deseja, sente, vê,…, ao menos um, um corpo que ocupa esse lugar de nutrir e cuidar. E isso não é pouco! E produz muitos efeitos em nossas vidas. Mas, é ali, naquele comecinho de vida, que a pessoa na função de cuidar de um bebê humano completamente dependente, que a ideia do outro como espelho tem um papel importantíssimo na constituição de um novo eu e da sua imagem corporal. Sobre isso, Jacques Lacan, psicanalista e teórico francês, tratou em 1949 no seu trabalho chamado O estádio do espelho como formador da função do eu tal como nos é revelada na experiência psicanalítica, ao dizer que: entre as idades de 6 meses e 18 meses os bebês estão formando o que a psicanálise chama de eu. Lacan sintetiza, numa passagem desse texto, o que ele chamou de função do estádio do espelho “(…) como um caso particular da função da imago, que é estabelecer uma relação do organismo com sua realidade – ou como se costuma dizer, do Innenwelt [mundo interno*1] com o Umwelt [mundo exterior*1].” (Pg. 100) O que evidencia a inseparabilidade constitucional entre psique e corpo, mundo interior e mundo exterior e derroga a ideia de separação dessas instâncias, apontando um novo modo de escuta e de inclusão da palavra e do seu som na dimensão do corpo, este que faz limite, litoral, lugar de toque, separação e encontro, simultaneamente, entre o eu e o outro.

Anteriormente, em 1914, Sigmund Freud já havia escrito um texto chamado Sobre o Narcisismo que norteou essa pesquisa no campo da psicanálise e, depois dele, os psicanalistas puderam trabalhar, escutar e desenvolver a teoria psicanalítica de como o eu se constitui na relação que o sujeito humano bebê tem com seu corpo e com o laço que este corpo produz com outro corpo humano. Assim podemos pensar, de modo simplificado, que, aquele que escuta, toca e vê um bebê e que simboliza seus primeiros “atos reflexos” está construindo, junto com ele, sua imagem corporal.

Muitas coisas acontecem no decorrer de uma vida, claro! Escolhas são feitas a todo momento. Muitas percepções mudam e, dizer que aquele momento inicial da relação de um bebê com o outro tem enorme importância no corpo e na mente daquele que se constitui, não é o mesmo que dizer que depois disso nada mais lhe afetará. Mas, é certo que, a partir da psicanálise, pensamos e verificamos, nas experiências de análises, a presença desse primeiro instante nas escolhas que se sucedem nas vidas de cada um de nós, no modo como estamos no mundo com nossos corpos e como nos relacionamos com os outros. No entanto, não podemos nos esquecer que, mesmo naquele instante tão inicial da vida de alguém, ainda bebê, algo da ordem da escolha de cada sujeito já se faz presente. E o que isso quer dizer? Isso quer dizer que: desde muito cedo escolhemos, mas nunca sem a presença do outro, do seu corpo, dos seus movimentos e das suas palavras.

(*) Beatriz Franco é psicóloga e psicanalista, graduada pela Universidade Federal da Bahia, atende em consultório particular na cidade de São Paulo e no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (IPQ-HCUSP), onde colabora com grupos de estudo e pesquisa teórico-clinicas, de transmissão da psicanálise entre os profissionais do Serviço de Psicoterapia, os alunos da graduação da medicina e da residência médica em Psiquiatria. Também é analista praticante da Rede Clínica do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.

Contato: [email protected]

(*1) Livre tradução da autora.

Referências bibliográficas:

– Freud, S., Introdução ao Narcisismo, São Paulo, Companhia das Letras, 2015

– Laca, J., O estádio do espelho como formador da função do eu tal como nos é revelada na experiência psicanalítica, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1998