Infográfico: principais causas das diástases e como isso muda o tratamento

Infográfico: principais causas das diástases e como isso muda o tratamento

Tratar diástases abdominais parece fácil para muitos profissionais. Eles imaginam que por se tratar de uma frouxidão excessiva na linha alba basta trabalhar com as musculaturas abdominais. O que esquecemos quando temos esse tipo de visão é dos motivos que levaram à formação da diastase abdominal.

Preparei um infográfico especialmente para você que precisa de ajuda para tratar seus pacientes com diástases. Sabemos que podem existir diversas causas, listei aqui as 4 principais delas. Através desse conhecimento conseguimos trabalhar de maneira completa com o aluno e proporcionar maiores resultados, vamos entender isso melhor?

Principais causas das diástases 

1. Alterações da gravidez

Durante a gravidez o corpo da mulher aproveita o crédito de frouxidão da linha alba para garantir espaço para as vísceras e para o crescimento do bebê. Durante esse período será necessário utilizar as cadeias musculares cruzadas ou de extensão para manter a postura correta e sem dores.

Por causa de tais adaptações na estática da gestante ela terá seu ponto de apoio localizado na região torácica. Diástases que surgem após a gravidez acontecem porque o corpo ainda não eliminou essas necessidades gestacionais. Será necessário tratá-la através da região torácica e flexibilizar os músculos largos do abdômen para evitar a tração da linha alba.

2. Conforto das vísceras

Todas as adaptações do corpo têm como foco garantir o conforto das vísceras. Caso exista necessidade o corpo aproveita da maior frouxidão da linha alba para acomodar as vísceras de maneira mais confortável. Para realizar o tratamento desses casos precisaremos descobrir o que ocasionou o problema e corrigi-lo. Um aumento de gases causado por uma alimentação incorreta pode ser uma das causas, por exemplo.

3. Contração excessiva dos músculos do abdômen

A musculatura abdominal possui diversas funções. Muitas vezes a pessoa realiza uma contração excessiva dessas musculaturas até na prática atividade física, levando a um aumento da PIA e comprimindo as vísceras. Como falei antes, o corpo sempre buscará o conforto das vísceras, fazendo com que ocorra a distensão da linha alba.

4. Aumento da pressão intra-abdominal

Boa parte dos pacientes que encontramos com diástases abdominais apresentam uma pressão intra-abdominal aumentada. Por isso é tão perigoso trabalhar com a contração do Power House nesses alunos. Ela pode aumentar ainda mais uma pressão que já está aumentada. O método hipopressivo é uma boa opção para quem precisa realizar um tratamento seguro e diminuir a pressão intra-abdominal do seu aluno.

Conclusão

Perceba que o tratamento das diástases abdominais não é tão simples e exige somente fortalecimento de musculatura abdominal. Na verdade, dependendo das causas das diástases requisitar a contração dessa musculatura torna-se perigoso. É necessário compreender bem o que causou a diástase em primeiro lugar para conseguir tratá-las.

Tratamento da diástase abdominal: como a hipopressiva ajuda

Tratamento da diástase abdominal: como a hipopressiva ajuda

Nas principais musculaturas do abdômen encontramos seis aponeuroses no total, três para cada músculo. Elas saem unidas e são redistribuídas em seguida. As aponeuroses envolvem o reto do abdômen se unindo novamente na linha alba. É uma distribuição bastante complexa.

Nos dois terços superiores do abdômen as aponeuroses que passam a frente do reto são:

  • Aponeuroses do oblíquo externo;
  • Aponeurose superficial do oblíquo interno.

E as aponeuroses que passam posteriormente ao reto o abdômen são:

  • Aponeuroses do transverso;
  • Aponeurose profunda do oblíquo interno.

Já no terço inferior do abdômen todas as aponeuroses dos músculos largos estão situadas a frente do reto do abdômen.

A disposição das aponeuroses não acontece por acaso. Encontramos na parte infra umbilical, que está no terço inferior do abdômen, influência de uma importante convergência de forças. Isso acontece devido a forças de contração do diafragma (para baixo e para frente).

A contração desse órgão é responsável por tracionar os órgãos da pelve menor para a frente. As aponeuroses então fazem a proteção desses órgãos dessa variação que acontece junto da respiração.

Por isso é fácil entender esse reforço aponeurótico dos retos do abdômen na região. Ele também é o ponto de encontro de todas as cadeias musculares do tronco. Outro dos meios de proteção dos órgãos da pelve menor [e a lordose lombar.

Nos dois terços superiores (região supra umbilical) não existe reforço aponeurótico. Portanto nessa região a linha alba é mais frouxa e propensa ao aparecimento de diástases. A frouxidão também é um fator importante para o conforto das vísceras. Vimos que a região infra umbilical é reforça para proteger as vísceras da pressão intra-abdominal que as empurra para baixo. Devido a esse reforço a frouxidão na parte superior dá conforto às vísceras de acordo com suas necessidades.

Podemos perceber assim que, ao contrário do que diz o senso comum, as diástases não são fraquezas dos músculos da parede abdominal. Na verdade, elas são uma adaptação corporal entre a estática e as vísceras (Traité d ostéopathie viscérale, Ed. Maloine).

Funções das diástases

O crédito de largura encontrado na região supra umbilical tem a função de amortecer as importantes e constantes variações de pressão intra-abdominal para:

  • Fenômenos hemodinâmicos;
  • Fenômenos digestórios;
  • Permitir o aumento de pressão gerado na gravidez.

Isso explica porque o Transverso do abdômen passa a frente na linha infra umbilical e atrás na linha supra umbilical. Ele deve proteger sua principal ação que é a fonação. Caso o transverso passasse a frente da linha alba ele perderia sua função de fonação durante a gravidez.

É através dessa folga que o bebê será gerado na gravidez. Isso exige o recrutamento das cadeias musculares cruzadas posteriores ou de extensão para manter a postura.

Durante a gravidez o diafragma diminui sua excursão na respiração. O útero aumenta para o crescimento do bebê e isso é necessário para evitar um aumento ainda maior da pressão intra-abdominal.

Com o aumento do útero o diafragma desce cada vez mais e recruta as cadeias cruzadas de extensão. Assim a diástase abdominal fisiológica aumenta gradualmente.

Papel da linha alba nas diástases

A partir das informações mostradas aqui é possível perceber que a linha alba é a grande transmutadora de forças entre as cadeias musculares cruzadas de fechamento do tronco e as cadeias de flexão. Ela e os retos abdominais são quem permite a distribuição de forças pressóricas durante a gestação.

Durante a gestação a mulher terá sua estática com um importante ponto de apoio na região torácica. Compreendendo a inteligência corporal também é possível compreender o corpo como um todo. Não existe como realizar o tratamento da diástase usando somente os músculos abdominais. É necessário desfazer a necessidade corporal gestacional de realizar seu apoio estático na região dorsal.

Ginástica Hipopressiva como aliada no tratamento da diástase

hipopressiva no tratamento de diástase abdominalPara realizar um tratamento eficiente das diástases precisaremos trabalhar com a torácica. Isso inclui flexibilização dos músculos largos e contrações alternadas para evitar tração sobre a linha alba. Quem pensa que solicitar a contração mais forte do Powerhouse é eficiente está enganado. Sua contração ativará a contração dos músculos largos do abdômen distendendo mais a linha alba.

Devemo solicitar a os músculos largos de maneira variada e seguida de flexibilização dos mesmos. Assim conseguiremos um melhor relaxamento. Dessa maneira conseguimos retirar a tração da linha alba e deixar os retos abdominais menos tracionados.

O método abdominal hipopressivo será um importante aliado durante o tratamento da diástase abdominal. As posturas realizadas no método englobam posturas e movimentos que visam a diminuição da pressão nas cavidades torácica, abdominal e pélvica. Eles auxiliam na diminuição da PIA.

Os exercícios abdominais hipopressivos contribuem para a tonificação da parede abdominal e ativação da musculatura profunda da região. Para esse fim o praticante realiza uma série de ativação automática de neurodivergências dos músculos do períneo e da faixa abdominal. Também acontece:

  • Normalização das tensões dos músculos respiratórios;
  • Relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertônicos;
  • Estimulação do sistema neurovegetativo simpático.

Assim podemos considerar a hipopressiva como a aliada perfeita para o tratamento da diástase.

As diástases não fisiológicas 

Os músculos abdominais possuem um papel importante na atividade respiratória. Podemos observar isso especialmente na fase expiratória por meio da eletroneuromiografia. Esse é um teste que mostra o aumento da atividade elétrica dos músculos durante a expiração e declínio durante a inspiração e expiração. Nos resultados observa-se que a atividade do períneo e musculatura abdominal pelo padrão respiratório.

Em alguns casos encontramos músculo abdominais fracos, com seu funcionamento inibido. Mas, isto não ocorre simplesmente pela falta de uso destes músculos. Na verdade, isso é uma estratégia inteligente de proteção do corpo frente a um amento da pressão intra-abdominal.

Um indivíduo que possui hábitos alimentares errôneos, por exemplo, pode gerar um excesso de gases. Os motivos podem ser o excesso de fermentação dos alimentos, ou ainda pelo fato da fermentação estar sendo feita no local errado.

Tal indivíduo gerará um abdômen globoso (distendido) que prejudicará o sistema musculoesquelético perante o movimento. Os músculos estarão distendidos, fora de sua curva normal de comprimento e tensão, se relaxando.

Lembrando aqui que as vísceras têm prioridade. Logo, o transverso do abdômen vai encontrar-se distendido pois, o corpo precisa abrir espaço nesta cavidade tracionando a linha alba, podendo afastar os músculos retos do abdômen.

Qualquer pressão exercida nesta região seria antifisiológica, aumentaria a dor, algumas vísceras não suportam pressão. Se os músculos não sacrificarem seu funcionamento a favor das vísceras vão contra o mecanismo de conforto do corpo.

Conclusão

Quando trabalhamos com pacientes que apresentam diástase abdominal precisamos lembrar que ela já está com pressão intra-cavitária elevada. Solicitar contrações mantidas a essa paciente pode ser algo perigoso e pouco eficiente para seu tratamento. Podemos ter efeitos como:

  • Gerar um efeito compressivo sobre os feixes vásculo-nervosos;
  • Prejudicar o funcionamento de todo sistema visceral.

Esse excesso de pressão também afeta negativamente o assoalho pélvico. Assim temos a longo prazo uma facilidade de instalação de mecanismos de fuga. Se solicitarmos a respiração de maneira errada durante o tratamento de diástase o aluno pode empurrar as vísceras para baixo quando contrair o abdômen.

A recomendação é solicitar a realização do exercício na fase inspiratória sem o fechamento das costelas.

Essas ações tentam não sobrecarregar as vísceras. Além disso, ele preconiza que os exercícios sejam realizados na fase inspiratória evitando assim o aumento da pressão intra-abdominal durante os enrolamentos no Pilates.

Em contrapartida, ao realizarmos os exercícios na inspiração o diafragma encontrar-se-á em posição baixa, diminuindo a área abdominal, e quanto a essa nova proposta ainda não temos estudos científicos comprobatórios.

Como vimos, vários autores e pesquisadores contemporâneos já se atentaram para as questões das variações pressóricas e vem buscando novas propostas para o conforto de um corpo viscerado, sem desrespeitar as três leis corporais: conforto, equilíbrio e economia.

4 exercícios para trabalhar os pés no Pilates

4 exercícios para trabalhar os pés no Pilates

Quando trabalhamos com um aluno de Pilates devemos lembrar de que as leis gravitacionais também regem seu corpo. De acordo com elas um corpo só está em equilíbrio quando a vertical traçada a partir do seu centro gravitacional cai em sua base de sustentação. Aí encontramos toda a base da fisiologia estática.

O corpo humano é articulado e complexo com um centro de gravidade resultante de:

  • Posições variadas e sequenciais no espaço dos centros de gravidade específicos de cada unidade funcional do corpo.

Através dessa lei da estática conseguimos também a lei das compensações. Ou seja, em posição ortostática não há desequilíbrio segmentar (de uma única unidade corporal) sem uma compensação sequencial.

Conseguimos considerar então que as posturas humanas são, na verdade, desequilíbrios permanentes que se corrigem ou se compensam. O corpo humano em bipedestação oscila constantemente sobre sua base.

Chegamos a um ponto importante agora: os pés. Durante as aulas de Pilates esquecemos que uma boa organização corporal depende do alinhamento dos pés. Com eles, eliminas principalmente lesões ascendentes e as compensações citadas no início desse texto.

Segue segundo Blandine os principais exercícios onde devemos prestar atenção, já que expõem a fragilidade dos tornozelos:

  • Footwork;
  • Running;
  • Stomach massage;
  • Long stretch;
  • Up stretch;
  • Arabesque;
  • Frontsplits;
  • Semicircle;
  • Leg pull front;
  • Push up series.

Perceba que todos esses são exercícios realizados no Reformer. O Reformer foi um aparelho desenvolvido por Joseph Pilates com um dos objetivos principais sendo a organização dos pés.

Joseph Pilates acreditava que realizar exercícios na posição horizontal eram úteis para:

  • Alívio do estresse e tensão das articulações;
  • Alinhamento do corpo;
  • Mudança das forças gravitacionais nas várias posições.

Os benefícios do uso do Reformer se aplicam especialmente aos pés. Não podemos permitir que o aluno realize compensações iniciadas pela base durante os exercícios.

O ideal é que o instrutor de Pilates consiga corrigir as compensações apresentadas nos pés. Você pode dar uma olhada em alguns exemplos de compensações no meu texto completo sobre a importância dos pés no Pilates.

Tradicionalmente, existem mais de 100 movimentos criados para o Reformer.

O Reformer é a peça central e primeiro aparelho desenvolvido por Joseph Pilates.

Segundo Pilates, ao treinar com uma carga externa (molas do Reformer), o movimento humano tornar-se-ia mais eficiente e harmonioso. Preparamos assim o corpo para quando retirarmos a carga, ou seja, na sua condição habitual.

Além disso, a resistência oferecida incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Lembrando sempre que os aparelhos podem facilitar ou dificultar os exercícios.

Originalmente, Pilates chamou a máquina Universal Reformer. Reformer porque “reformava” todo o corpo e “universal” pois poderiam ser feitos movimentos em todos os planos de movimento.

A história também conta que a inspiração para o equipamento foi uma cama. Essa cama especial tinha recebido molas com o intuito de reabilitar soldados feridos na guerra.

Footwork toes

Posição inicial do aluno:

  • Em decúbito dorsal deitado sobre o carrinho com os antepés apoiados na barra;
  • Pernas em tabletop (noventa graus de flexão de joelhos e quadris);
  • Membros superiores ao longo do corpo;
  • Coluna neutra ideal;
  • Calota craniana apoiada sobre o encosto de cabeça.

Instruções

  • Contrair o Power House;
  • Empurrar o carrinho com a ativação dos glúteos, isquiotibiais e extensores plantares (tríceps sural) com controle. Cuidado para não permitir a hiperextensão dos joelhos.
  • Voltar a posição inicial com o quadríceps.

É muito importante o princípio da concentração para a utilização dos músculos corretos. As patelas devem ser trabalhadas nas linhas de padrão rotacional, ou seja, patelas rodadas em rotação interna. Com acionamento constante de glúteo que deverá partir da cabeça do fêmur até o alinhamento das patelas com a linha média.

Já as patelas posicionadas em rotação externa, solicitaremos a ação dos músculos adutores. Também é realizado a partir da cabeça do fêmur. Os pés não rodam em nenhuma das situações anteriores, somente o fêmur.

Footwork toes V Position

Posição inicial do aluno:

  • Em decúbito dorsal;
  • Deitado no carrinho;
  • Pernas em tabletop;
  • Pés Pilates apoiados na barra;
  • Membros superiores ao longo do corpo.

Lembrando aqui que pés Pilates ou V Position saem da cabeça do fêmur com ativação glútea. A rotação externa dos MMII que gera a V Position não pode passar de um punho de distância.

Instruções:

  • Estender o quadril e joelhos com glúteos e isquiotibiais em flexão plantar com tibial posterior e fibulares (curto e longo), flexores do halux e dos dedos.
  • Voltar o carrinho com quadríceps, tibial anterior e extensores do halux e dos dedos.

Estamos aqui colocando em ênfase o controle do trabalho do arco plantar. Evitar compensações em pés, tornozelos e joelhos para não desorganizar o movimento. O corpo se alonga através do afastamento das cristas ilíacas das últimas costelas.

Faz-se muito importante o princípio da concentração para a utilização dos músculos corretos. As patelas devem ser trabalhadas nas linhas de padrão rotacional, ou seja, patelas rodadas em rotação interna.

Para o movimento teremos acionamento constante de glúteo. Acionamento este que deverá partir da cabeça do fêmur até o alinhamento das patelas com a linha média.

Já nas patelas posicionadas em rotação externa solicitaremos a ação dos músculos adutores. A ação também parte da cabeça do fêmur. Quer dizer que os pés não rodam em nenhuma das situações anteriores, somente o fêmur.

Footwork Tendon Strech

Posição inicial:

  • Em decúbito dorsal com quadril e joelhos em extensão;
  • Antepé apoiado na barra;
  • Com membros superiores ao longo do corpo.

Instruções:

  • Realizar a flexão plantar para flexibilização do sóleo e gastrocnêmio, fibulares curto e longo, flexor do halux e dos dedos.
  • Evitar a hiperextensão dos joelhos para não sobrecarregar os ligamentos e a cartilagem dos joelhos.
  • Fazer uma leve contração do conjunto muscular quadríceps e isquiotibiais para evitar essa extensão extrema dos joelhos.

Não podemos nos esquecer de nenhum conceito citado nos exercícios anteriores. Um exemplo são as linhas rotacionais dos joelhos ativadas, para a utilização dos músculos corretos.

As patelas devem ser trabalhadas nas linhas de padrão rotacional. Ou seja, patelas rodadas em rotação interna, acionamento constante de glúteo. Acionamento este que deverá partir da cabeça do fêmur até o alinhamento das patelas com a linha média.

Já com as patelas posicionadas em rotação externa solicitaremos a ação dos músculos adutores, também a partir da cabeça do fêmur.

Os pés não rodam em nenhuma das situações anteriores, somente o fêmur,  decoaptação da cabeça do fêmur, afastamento das cristas ilíacas das últimas costelas. Também solicitamos ativação do Power House.

No Teste de Flexão em Pé (TFP) se o seu aluno apresentar alteração do ângulo tíbio társico durante o TFP os músculos encontram-se encurtados, sendo o tríceps sural o responsável pela alteração deste ângulo e justamente a flexibilização dele que é realizada neste exercício.

One Leg

Posição inicial:

  • Em decúbito dorsal com os pés apoiados na barra em meia ponta;
  • Pernas em tabletop;
  • Braços ao longo do corpo;
  • Calota craniana apoiada no encosto de cabeça.

Instruções:

  • Retirar um dos pés da barra estendendo o joelho com ação do quadríceps e o tornozelo com a ação dos fibulares e extensores dos dedos. Com a decoaptação da cabeça do fêmur, além da patela e pé alinhado.
  • Empurrar o carrinho com os glúteos e isquiotibiais estendendo o joelho e retornar o carrinho com a contração excêntrica do quadríceps.
  • Solicitar o acionamento dos músculos corretos para a execução do exercício.

Não podemos nos esquecer de nenhum conceito citado nos exercícios anteriores:

  • As linhas rotacionais dos joelhos devem estar ativadas, para a utilização dos músculos corretos;
  • As patelas devem ser trabalhadas nas linhas de padrão rotacional, ou seja, patelas rodadas em rotação interna;
  • Com acionamento constante de glúteo, acionamento este que deverá partir da cabeça do fêmur até o alinhamento das patelas com a linha média.
  • Já com as patelas posicionadas em rotação externa solicitaremos a ação dos músculos adutores, também a partir da cabeça do fêmur.

Os pés não rodam em nenhuma das situações anteriores, somente o fêmur.

O membro inferior que está em extensão de joelho e flexão de quadril ficará sob a ação dos flexores de quadril em isometria de modo que a pelve continue em posição neutra e o joelho não hiperextenda.

Lembrando que segundo Lolita de San Miguel, a série dos footworks são especificamente para o trabalho da nossa base. Portanto, nenhuma compensação com os pés poderá ser permitida.

Colunas de pressão: o conceito que explica o método hipopressivo

Colunas de pressão: o conceito que explica o método hipopressivo

Autor: Massimo Lombardozzi Osteopata D.O. MROI, MRO Br,  membro do Finet e Williame Teaching team

As colunas de pressão são um fenômeno fisio-patológico que ocorre no corpo humano e que os profissionais da saúde precisam conhecer.

Diversas funções do corpo dependem desse mecanismo, como:

  • Respiração;
  • Postura;
  • Mobilidade visceral;
  • Circulação dos flúidos;
  • Fala;
  • Riso;
  • Choro;
  • Defecação;
  • Micção;
  • Parto;
  • Barreira gastro esofágica;
  • Outras.

Conhecer as colunas de pressão em seus aspectos funcionais e disfuncionais é uma ferramenta indispensável para o profissional da saúde.

O que são as colunas de pressão?

Imagine seu corpo representado em forma de balões. Cada balão seria uma das cavidades internas que interage com as outras (figura 1). O abdômen, o tórax e o crânio são as três principais cavidades do nosso corpo e funcionam em conjunto como um sistema de vasos comunicantes.

Se a pressão interna de uma destas cavidades muda, as outras também mudam isto e devido a um bom gerenciamento das pressões de cada cavidade, mas também pode estar relacionado com muitas patologias.

Mas quem controla estas pressões e como elas funcionam? É isto que vamos ver neste artigo, de uma forma sintética, mas cientificamente embasada.

Como funcionam as colunas de pressão?

Pesquisas científicas demonstraram que, no nosso corpo, sempre que executamos algum gesto ou movimento que desafia o equilíbrio da coluna vertebral, se ativa um reflexo chamado de “ajuste postural antecipatório”, Hodges, Gandevia, Butler evidenciaram isto em 1997.

Ao ativar este reflexo antecipatório (cerca de 20 milisegundos antes de qualquer movimento), a pressão intra-abdominal é aumentada e isto contribui à estabilidade da coluna vertebral.

O mecanismo é, por certo lado, muito simples: uma série de músculos que trabalham em conjunto, pre-ativados ao nível do cortex cerebral, se contraem gerando uma alavanca flexora na coluna vertebral. Estes músculos, segundo as pesquisas de Hodges e outros, são o diafragma torácico, o transverso abdominal e o períneo . Mas outras pesquisas demonstraram que junto com estes músculos acima citados, outros músculos também se contraem, tanto na respiração quanto na postura ,  a este fenômeno damos o nome de ativação da série muscular, de maneira que, nenhum músculo da série é totalmente independente, e a contração de um músculos ativara por sinergia à contração dos outros músculos da série  (figura 2).

Todavia esta atividade postural antecipada, que produz uma flexão na coluna vertebral, é por sua vez pré-compensada por uma alavanca extensora, gerada pela contração dos músculos paravertebrais e extensores do tronco, com um reflexo que podemos definir pré-pré antecipatório, ou seja que opera ainda antes do outro . Esta combinação de ações flexoras e extensoras, na coluna vertebral, é o que contribui à sua estabilidade.

Segundo as pesquisas de Hodges e outros, a pressão intra-abdominal é um elemento fundamental para a ação postural, pois ela é aumentada pela contração destes músculos.

Todavia existe uma relação bilateral da pressão abdominal com a contração muscular: se a contração dos músculos aumenta a pressão abdominal, é verdade também o contrário, ou seja, o aumento da pressão intra-abdominal tambem provoca a contração dos músculos .

Além da coluna pressória posturo-respiratória muscular, também existe uma coluna pressória visceral , representada pela ação do diafragma respiratório sobre as vísceras abdominais.

Com a sua descida e o consequente aumento de pressão intra-abdominal, o diafrâgma torácico cria um pistão que produz um movimento visceral sistemático e repetitivo, que serviria para dissipar as pressões, proteger as vísceras de serem esmagadas pela pressão e favorecer o retorno venoso e linfático .

Qual é a função das colunas de pressão? 

As colunas de pressão, conforme citado acima, servem para contribuir ao controle postural.

Mas os músculos da série são ativados também durante a respiração e em toda e qualquer atividade em que o aumento da pressão abdominal se torna necessário: fala, riso, choro, micção, defecação, parto, inclusive para acionar no mecanismo da barreira anti refluxo.

Na inspiração diafragmática, se faz necessário um aumento pressórico para a contração do diafragma poder acontecer corretamente, a pressão intra-abdominal, aumentada pela descida do diafragma, mantêm o centro frénico em posição alta e faz aderir as fibras externas do músculo à caixa do tórax, gerando a assim chamada área de aposição (figura 3). Este contato das fibras musculares com as costelas permite o mecanismo de alavanca que levanta as mesmas no movimento em alça de balde; sem o aumento da pressão intra-abdominal, este mecanismo seria impossível e o ato respiratório poderia acontecer apenas pela contração dos músculos intercostais, passando de uma respiração diafragmática para uma respiração torácica.

O pistão diafragmático, durante a respiração, também é responsável pela mobilidade das vísceras abdominais, que a cada ato respiratório, se adaptam modificando sua forma e se deslocando dentro do abdomen, dissipando a pressão e protegendo desta forma os elementos nobres nela contidos (vasos e estruturas nervosas).

Além da mobilidade visceral, a pressão abdominal contribui também para o mecanismo anti refluxo: o diafragma crural em particular, com o aumento da pressão abdominal, entra em contração e, com suas fibras que cercam o hiatus esofágico, contribui ao fechamento na cárdia para impedir o refluxo do conteúdo gástrico no esófago .

Uma outra função da pressão abdominal é a de regular o fluxo do sangue venoso no abdômen para o tórax, pois o movimento rítmico operado pelo diafragma na cavidade abdominal, alterna momentos em que a pressão bloqueia o fluxo do sangue, a momentos em que o favorece, como se realizando um bombeamento . A mesma ação é operada sobre o fluxo do sangue venoso dos membros inferiores em direção ao abdômen .

Tudo isto se faz por intemédio do aumento da pressão abdominal, que permite o desenvolvimento das diversas funções, sem ela muitas destas seriam impossíveis ou parcialmente comprometidas.

Todavia a pressão abdominal deve se manter dentro de valores fisiológicos e seu aumento, quando necessário, para o desenvolvimento das funções acima descritas, deve ser transitório.

Se a pressão abdominal aumenta de forma crônica e permanente, isto pode levar a patologias que vão de leves transtornos funcionais até à falha de órgãos, podendo até ser fatal, como no caso da síndrome compartimental abdominal.

Valores normais e alterações das colunas de pressão

A pressão intra-abdominal, medida por via intra bexigal, em posição deitada com os abdominais relaxados, se considera patológica a partir de 12mm de hg. Acima deste valor se falasse já em hipertensão abdominal e, acima de 20mm Hg, estamos numa condição de sindrome compartimental abdominal. Para os urgentistas, am caso de hipertensão abdominal e/ou síndrome compartimental, medidas urgentes de descompressão devem ser adotadas.

Todavia, segundo alguns autores, o abdômen funciona como um sistema hidráulico, cuja pressão interna normal varia de 5 a 7 mm Hg.

Segundo Cernea, acima de 10 mmHg, a pressão já pode provocar danos aos órgãos intra, extra-abdominais, e também, ao sistema nervoso central.

Estes dados nos dizem, em primeiro lugar, que não existe um consenso sobre os valores normais e patológicos da pressão intra-abdominal e que, de qualquer forma, pequenas variações, já podem ser suficientes para determinar uma condição patológica.

O que parece ser determinante a respeito do efeito danoso da hiper pressão intra-abdominal sobre a saúde, é principalmente o seu caráter temporal, ou seja: mais que os valores maximais, que em caso de esforço transitório podem aumentar, e muito, mesmo sem provocar danos, o que mais pode comprometer a homeostasia, é o caráter permanente, do aumento.

O tempo durante o qual a pressão intra-abdominal permanece aumentado é o que mais impacta sobre a saúde, pois, quanto maior for o tempo do aumento, quanto piores serão os danos ao organismo .

Segundo estas pesquisas, mesmo pequenas variações da pressão abdominal, quando prolongadas no tempo, podem determinar efeitos danosos, entre eles: o atraso de cicatrização de feridas, danos e insuficiência dos rins, do sistema digestório, respiratório, cardio vascular e no sistema nervoso central, assim como aumento de endo toxinas bacterianas no sangue e transmigração bacteriana através das membranas celulares, que estarão mais permeáveis ao aumento da pressão.

De fato, o que deveria ser um mecanismo favorecedor da respiração e do controle postural e que deveria permitir a normal circulação do sangue e da linfa, se torna uma bomba armada e pronta a explodir, tendo como fator determinante o tempo de duração do aumento da pressão intra-abdominal dentro do nosso corpo.

Como acontece o aumento crônico da pressão abdominal

No inicio deste artigo falamos sobre os músculos que controlam a pressão abdominal, ela depende da contração destes músculos.

Eles agem em sinergia, de forma pre-programada ao nível do cortex cerebral, para se contrairem em conjunto, durante o desenvolvimento de tarefas posturais, no mecanismo do Ajuste Postural Antecipatório e em todas as outras situações em que o aumento pressórico se faz necessário.

Um aumento crónico da pressão abdominal depende, portanto, de uma contração crónica destes músculos.

Existem inumeras situações que podem provocar uma ativação permanente desta série de músculos pois ela é ativada por muitas variáves.

Ela depende da atividade postural , mas também pode estar relacionada com a atividade dos mecanoceptores do aparelho músculo esquelético, com o sistéma vestibular , com a formação reticular , com áreas corticais e sub corticais e assim por diante.

Portanto cada uma destas áreas ou funções, caso se encontre alterada, pode por sua vez ativar os músculos da série e provocar um aumento crónico da pressão abdominal, que irá permanecer até que tais mecanismos não forem normalizados.

A normalização destes mecanismos necessita de competência, para investigar qual ou quais estruturas estão à base da ativação crônica da série, para determinar o tipo de disfunção em que estas estruturas se encontram e saber normalizá-las através de técnicas apropriadas, sejam estas técnicas manuais ou outros recursos da medicina tradicional ou das medinicas complementares.

O que o profissional deve saber para ajudar seu paciente ou não prejudicá-lo

O profissional da saúde deve, pelo menos, estar a parte dos efeitos danosos da pressão abdominal e não ignorar sua periculosidade e deve possuir ferramentas para saber avaliar o paciente e perceber se o mesmo se encontra numa condição de ativação crônica dos músculos posturo respiratórios.

Também deve possuir alguns recursos de base para saber normalizar ou reduzir as pressões intra cavitárias ou encaminhar o paciente para ser tratado por outro profissional caso não tenha esta competência.

Patologias do joelho: como realizar o tratamento usando cadeias musculares

Patologias do joelho: como realizar o tratamento usando cadeias musculares

Você, que trabalha com reabilitação, sente dificuldade em trabalhar com patologias do joelho?

Os membros inferiores sofrem com diversas patologias, muitas delas comuns nos nossos Studios de Pilates e outros centros de reabilitação. Sei que muitos também sentem alguma dificuldade em prescrever exercícios adequados para essas patologias, mas não é esse meu propósito aqui.

Ao invés de passar diversos exercícios para patologias do joelho, quero desenvolver raciocínio crítico. Isso quer dizer saber realizar uma boa avaliação do aluno e compreender seu problema. Assim conseguimos nos livrar daquela péssima mania de depender de protocolos de aula prontos que raramente realmente correspondem às necessidades do aluno. Nesse artigo você aprenderá:

  • As cadeias do membro inferiores;
  • Alterações causadas por tensão nessas cadeias;
  • Principais patologias do joelho;
  • Como entender o tratamento.

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As cadeias do membro inferior

Sabemos que as cadeias musculares têm extrema importância no tratamento de qualquer lesão ou patologia. Elas estão relacionadas ao mecanismo da lesão e com diversas compensações que deveremos corrigir. Se você quer realmente compreender as patologias do joelho deve entender primeiro a atuação das cadeias musculares do membro inferior.

Cadeia de Flexão dos membros inferiores

  • Iliopsoas;
  • Psoas menor;
  • Obturadores;
  • Gêmeos;
  • Semimembranoso;
  • Poplíteo;
  • Extensor longo dos dedos;
  • Lumbricais;
  • Quadrado plantar;
  • Flexor curto do halux;
  • Flexor curto do dedo mínimo.

Quando temos um pacientes com a cadeia de flexão dos membros inferiores encontraremos também:

  • Posterioridade ilíaca;
  • Flexão de quadril;
  • Flexão de joelhos (flexo de joelho);
  • Flexão do arco plantar (pé cavo);
  • Flexão dorsal dos tornozelos;
  • Flexão dos dedos (dedos em martelo);
  • Famoso esporão de calcâneo.

Em alguns pacientes o pé cavo não se manifesta durante a marcha. Mesmo assim, as tensões que atingem a musculatura plantar favorecem a retração da aponeurose plantar. Essas forças podem levar ao aparecimento de um outro problema: o esporão do calcâneo.

Cadeia de Extensão dos membros inferiores

  • Glúteo Maximo;
  • Quadrado femoral;
  • Reto femoral;
  • Vasto intermediário;
  • Sóleo;
  • Flexor curto dos dedos;
  • Interosseos;
  • Extensor curto dos dedos;
  • Extensor curto do halux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Anterioridade ilíaca;
  • Extensão de quadril;
  • Hiperextensão de joelho (genum recurvatum);
  • Extensão do tornozelo;
  • Extensão do arco plantar (com arco pouco evidente – pé plano);

Cadeia de abertura dos membros inferiores

  • Sartório;
  • Tensor da fáscia lata;
  • Glúteo Máximo;
  • Glúteo médio;
  • Glúteo Mínimo;
  • Piriforme;
  • Cabeça longa do bíceps femoral;
  • Cabeça curta do bíceps femoral;
  • Tibial anterior;
  • Extensor longo do hálux;
  • Vasto lateral;
  • Gastrocnêmio medial;
  • Tibial posterior;
  • Flexor longo dos dedos;
  • Adutor do hálux;
  • Oponente do dedo mínimo.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Abertura do ilíaco;
  • Rotação externa;
  • Abdução do fêmur;
  • Varo de joelho;
  • Varo de calcâneo;
  • Supinação do pé (pé virado externamente);
  • Hálux valgo sendo este um grande marco evidenciando a cadeia de abertura.

Com o estilo de vida moderno não podemos ver um hálux valgo e afirmar com certeza estarmos diante de uma cadeia de abertura. Em mulheres isso é extremamente importante já que esse grupo costuma utilizar calçados desapropriados a arquitetura plantar.

O indivíduo tende a ter entorses em eversão. Ele também apresenta projeção do espaço que o membro inferior ocupa. Portanto, o membro inferior acaba expandido, criando um resultante alongamento da perna. Esse fenômeno gera uma falsa perna longa.

Cadeia de fechamento dos membros inferiores

  • Pectíneo;
  • Adutor magno;
  • Adutor curto;
  • Adutor longo;
  • Grácil;
  • Semitendinoso;
  • Vasto medial;
  • Gastrocnemio lateral;
  • Fibular longo;
  • Fibular curto;
  • Fibular anterior;
  • Abdutor do dedo mínimo;
  • Abdutor do hálux.

Esta cadeia em tensão levará a:

  • Fechamento do ilíaco;
  • Rotação interna do fêmur e adução;
  • Joelho valgo;
  • Valgo de calcâneo;
  • Pronação do pé (pé virado internamente);
  • Hálux valgo.

A retração do membro inferior no fechamento leva a uma resultante de encurtamento da perna, diminuindo sua projeção no espaço.

Principais patologias do joelho

Agora que conhecemos as cadeias musculares dos membros inferiores podemos estudar algumas das principais patologias do joelho.

Artrose de Joelho

Os joelhos são submetidos a sobrecarga diariamente. Devido a isso, é normal que, com o passo dos anos, o processo fisiológico de envelhecimento desgaste a cartilagem. Muitas vezes esse desgaste é assintomático.

É nessa fase que nós, profissionais do movimento atuamos mais efetivamente. Devemos reconhecer as tensões de desequilíbrio mecânico e corrigi-las. Essa é uma maneira de evitar que o desgaste evolua.

Também devemos ganhar força nos músculos que recobrem o joelho para mantermos o espaço articular. Com esse trabalho evitamos nos quadros mais severos dor e edema. Nesses   já estarão instalados desgastes da cartilagem hialina e, por vezes, desgastes ósseos irreversíveis.

Lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

O LCA liga a tíbia ao fêmur tornando-o um importante estabilizador do joelho. Ele não permite que ocorra o movimento de translação anterior da tíbia sobre o fêmur. Isso é algo que ocorre mais frequentemente nos movimentos onde há de mudança brusca de direção ou traumas.

Uma vez o LCA rompido, o indivíduo sente instabilidade e dificuldade para realizar movimentos que envolvam a rotação de joelho.

O mecanismo fisiopatológico de ruptura do LCA ocorre com mais frequência, no momento onde o joelho encontra-se em posição de menor coaptação. Ou seja, maior instabilidade, durante as semiflexões da articulação.

Lesão Meniscal

O menisco é a estrutura localizada entre o fêmur e a tíbia. Sua principal função é absorver o impacto recebido na articulação, agindo como verdadeiro ”amortecedor” para os joelhos. O mecanismo de ruptura meniscal ocorre com maior frequência quando o joelho estiver em semiflexão. Essa é a posição de maior instabilidade articular.

Condromalácia Patelar

A condromalacia ocorre quando tivermos um excesso de tensão nos músculos retos femorais. Assim, a patela é obrigada a trabalhar em posição alta, trazendo-a de encontro aos côndilos femorais. Para tratarmos a condromalacia, basta relaxarmos os retos femorais.

Desenvolvendo o raciocínio clínico

Muita gente vai me perguntar ao fim desse artigo: mas como eu trato as patologias do joelho?

Quero pedir aqui nesse artigo que vocês entendam a importância de desenvolvermos um raciocínio clínico. Nesse raciocínio devemos entender a formação de cada patologia, visto que todas são consequências de disfunções biomecânicas.

A tensão das cadeias musculares gera uma disposição que não podemos negligenciar. Para cada uma dessas alterações diante de uma mesma patologia temos mecanismos fisiopatológicos distintos de formação.

Em um aluno com um falso varo, sabemos que estamos diante de uma cadeia de extensão e fechamento do membro inferior. Logo, o joelho apresentará uma hiperextensão e uma rotação interna da patela. Isso aumenta o contato ósseo anteriormente e internamente nos côndilos femorais. Portanto, essa é uma das formações  fisiopatológicas para uma artrose de joelho nas regiões de maior contato ósseo.

Para essa mesma alteração do joelho também encontraremos uma sobrecarga ligamentar no ligamento cruzado posterior (LCP) e no ligamento colateral externo (LCE). Ela pode fragiliza-los, dando início a uma possível laceração nesses ligamentos.

Também encontraremos uma maior tensão na cápsula articular em sua região posterior e lateral. Também surge uma zona de hiperpressão no menisco em sua porção interna e em sua porção anterior. Esse aumento de pressão, caso não seja corrigido, pode gerar perda na capacidade funcional desse menisco favorecendo a lesões meniscais.

E o tratamento para todas essas alterações biomecânicas citadas será relaxar os músculos das cadeias musculares de extensão e fechamento em sua totalidade.