Coluna Cervical: Diferentes Causas das Patologias

Coluna Cervical: Diferentes Causas das Patologias

O conhecimento da coluna cervical e suas patologias, são importantíssimas, uma vez que estas podem ser desde queixas inespecíficas como cefaléias e mialgias difusas, até quadros nítidos de miolorradiculopatias, com impotências importantes.

Devemos ter em mente as inúmeras patologias que podem acometer a coluna cervical, como traumatismos, processos inflamatórios, degenerativos e neoplásicos, além da gama de diagnósticos diferenciais com outras condições internas (endócrinas, metabólicas, hematológicas, etc.) que se podem apresentar com dor cervical.

Além de sabermos que a cervicalgia, lombalgia, doenças relacionadas à coluna cervical tem fatores multifatorial. Vários estudos vem sendo publicados recentemente constatando que as doenças relacionadas à coluna em geral tem fundo emocional.

Anatomia e Biomecânica da Coluna Cervical

A coluna cervical está envolvida com o processo de sustentação e movimentação da cabeça, proteção das estruturas neurais e vasculares. Estima-se que a mobilização da coluna cervical ocorra 600 vezes por hora ou a cada 6 segundos.

É constituída por 7 vértebras, sendo que as duas primeiras (atlas e axis) apresentam propriedades distintas das restantes.

O atlas tem a forma de anel, não possui corpo vertebral e se articula com a base do crânio através da articulação occípito-axial, sendo responsável por grande parte do movimento sagital da coluna cervical.

O axis, a segunda vértebra, possui proeminência que emerge de seu corpo vertebral, chamada processo odontóide, o qual se projeta para o interiorC do atlas formando um pivô sobre o qual a articulação atlanto-axial consegue efetuar a rotação do crânio.

Entre estas duas vértebras não existe disco intervertebral, sendo que são separadas e sustentadas por diversos ligamentos internos.

As demais vértebras cervicais, de C3 à C7, são mais homogêneas, possuem corpo vertebral anterior e arco neural posterior, sendo que se diferenciam das vértebras torácicas e lombares por apresentarem o forame transverso, através do qual passa a artéria vertebral.

Os corpos vertebrais são separados pelos discos intervertebrais, que são compostos por duas porções:

  1. Uma central – chamada de núcleo pulposo, o qual é constituído em 90% água e proteoglicanos, e
  2. Outra periférica – denominada ânulo fibroso, formada por fibras resistentes dispostas em lamelas concêntricas.

Tais estruturas são responsáveis por absorção de impacto e dispersão de energia mecânica, sendo importantes alvos de processos degenerativos. A biomecânica da coluna cervical envolve a distribuição de forças sobre o disco intervertebral, sendo que a região do ânulo fibroso é a responsável pela recepção de carga, distribuindo posteriormente para o núcleo pulposo.

Durante o processo de envelhecimento, ocorre uma redução da quantidade de água do núcleo pulposo e uma diminuição na capacidade de embebição do disco, associado a um aumento do número de fibras colágenas, determinando uma menor elasticidade e compressibilidade.

Tais alterações tornam o ânulo fibroso suscetível a rupturas, podendo, através destes pontos, produzir herniações discais com compressões radiculares. O processo degenerativo se caracteriza ainda por formações osteofitárias, diminuição da altura do disco intervertebral e esclerose subcondral.

Movimentos da Coluna Cervical

A coluna cervical realiza os movimentos de :

  • Flexão e Extensão
  • Inclinação Lateral à Esquerda e à Direita
  • Rotação à Esquerda e à Direita

Flexão ou Flexão Anterior

Movimento no plano sagital, em que o mento se aproxima da parede anterior do tórax. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideos Direito e Esquerdo

Crédito na Imagem

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Pré-Vertebrais (longo da cabeça, longo do pescoço, reto anterior da cabeça e reto lateral da cabeça) de ambos os lados. A amplitude articular normal varia de 60º  a 90º.

Extensão

Movimento, no plano sagital, em que a nuca se aproxima do dorso.

Os músculos motores primários são:

  1. Trapézio (Fibras Superiores)
  2. Esplênio da Cabeça
  3. Esplênio do Pescoço
  4. Semi-Espinhal da Cabeça – de ambos os lados

Os motores secundários são:

  1. Extensões Cervicais e Craniais do Eretor da Espinha (iliocostal cervical, longuíssimo da cabeça, longuíssimo do pescoço, espinhal da cabeça, espinhal do pescoço).
  2. Reto Posterior Maior da Cabeça
  3. Reto Posterior Menor da Cabeça – de ambos os lados. A amplitude de movimento articular normal varia entre 50º a 70º .

Flexão ou Inclinação Lateral

Movimento no plano frontal em que a cabeça e o pescoço se aproximam do ombro direito ou esquerdo. Os músculos motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do Lado do Movimento.

Os motores secundários são:

  1. Escalenos
  2. Esplênios da Cabeça e do Pescoço
  3. Oblíquos Superior e Inferior da Cabeça – do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 20 e 40º.

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Rotação

Movimento no qual o pescoço e a cabeça giram para direita ou para esquerda em torno de um eixo vertical (50% do movimento ocorre na articulação atlantoaxial). Os motores primários são:

  1. Esternocleidomastóideo do lado oposto ao movimento;
  2. Escalenos e Esplênios do lado do movimento. A amplitude de movimento articular normal varia entre 60 e 90º.

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O exame físico da coluna cervical compreende a inspeção, a palpação, a mobilização ativa e passiva, além de manobras especiais. Durante a inspeção devemos observar se existem deformidades, alterações da lordose cervical, posições antálgicas, anormalidades posturais e sinais traumáticos.

Durante a palpação devemos verificar a presença de pontos dolorosos, contratura da musculatura paravertebral, além de detectarmos adenomegalias ou massas cervicais. Deve ser realizada como rotina no exame, a palpação da tireóide e dos pulsos carotídeos.
A mobilização ativa e passiva fornece a amplitude de movimento e o possível segmento cervical acometido.

No eixo sagital:

  • Flexão e a Extensão atingem uma amplitude de aproximadamente 70 graus
  • Rotação compreende 90 graus e a lateralização 45 graus, sendo que estas amplitudes são reduzidas com a idade e na vigência de processos inflamatórios.

Durante o exame físico, a presença de dor irradiada para ombro, escápula e membro superior denota a necessidade de avaliação neurológica cuidadosa, com ênfase nas alterações de reflexos, presença de paresias ou parestesias e sua distribuição dermatomérica.

Testes Especiais

1) Teste de Compressão: Realizado com compressão progressiva da cabeça. Ocasiona um aumento da dor cervical, devido ao estreitamento foraminal, aumento da pressão na raiz acometida, sobrecarga nas facetas articulares e sensibilização muscular.

2) Teste de Tração: Promove um alívio da sintomatologia dolorosa, por consequente aumento do diâmetro foraminal, diminuição da compressão radicular e da tensão nas estruturas acometidas.

3) Teste de Valsalva: Ocasiona um aumento da pressão intratecal, auxílio diagnóstico nas lesões expansivas.

4) Manobra de Spurling: Extensão e rotação conjuntas da cabeça, com reprodução da dor radicular.

5) Sinal de Lhermitte: Presença de parestesias em mãos e/ou pernas, durante a flexão cervical forçada, sugestivo de mielopatia.

6) Teste de Adson: Palpação do pulso radial durante a abdução, extensão e rotação externa, com rotação homolateral do pescoço. A diminuição do pulso caracteriza um teste positivo, sugestivo de síndrome do desfiladeiro torácico.

Diagnóstico Diferencial das Cervicalgias

Os pacientes apresentando queixas de dor cervical devem ser avaliados no sentido de descartarmos possibilidades de condições orgânicas subjacentes que podem ser responsáveis pelo seu quadro clínico, seja por meio de propedêutica clínica ou armada.

São inúmeros os sinais que têm como origem a patologia cervical, podendo estes, muitas vezes, serem inespecíficos, dificultando seu diagnóstico e ampliando o espectro de diagnóstico diferencial.

A presença de rigidez matinal prolongada fala a favor das espondiloartropatias.

Dor cervical localizada pode ocorrer de forma secundária a doenças sistêmicas que aumentam a remodelação óssea, por exemplo, a doença de Paget ou a uma tumoração óssea localizada (osteoblastoma).

Pacientes com dor viscerogênica (angina pectoris, síndrome do desfiladeiro torácico, doenças esofagianas) apresentam sintomas que afetam outras estruturas, além da coluna cervical e apresentam recorrência de maneira regular.

Pacientes com cervicalgias agudas com menos de 15 anos ou mais de 60 anos devem ser avaliados de maneira mais criteriosa.

Causas de Cervicalgias

Cervicalgias Mecânicas

As desordens mecânicas são as causas mais comuns de cervicalgias.

A dor cervical mecânica pode ser definida como dor secundária à utilização excessiva de uma estrutura anatômica normal (em geral, a musculatura paravertebral) ou como dor secundária a dano ou deformidade em uma estrutura anatômica (hérnia discal).

São caracteristicamente exacerbadas por certas atividades e aliviadas por outras. Os fatores de melhora e de piora são úteis na localização do sítio acometido, como por exemplo, a flexão cervical levando a uma piora dos sintomas relacionados à doença discal e promovendo um alívio nas síndromes dolorosas interfacetárias.

Na maioria das vezes tem curso autolimitado, com a grande maioria dos pacientes apresentando melhora completa.

Distensão Cervical

Pode ser definida como uma dor cervical não irradiada, associada a sobrecargas mecânicas ou posturas anormais prolongadas da coluna cervical. Caracteriza-se por dor em região cervical posterior e em área do trapézio, com restrições a mobilização ativa e passiva, além de áreas dolorosas à palpação.

O número exato de pacientes com distensão cervical é de difícil determinação, sendo uma condição clínica extremamente comum e apresentando-se com um espectro doloroso variável. As condições ocupacionais devem ser enfatizadas no desencadeamento desta síndrome.

Sua etiologia ainda não está totalmente definida, porém pode estar relacionada com acometimento músculo-ligamentar secundário a um evento traumático específico ou a uma sobrecarga mecânica repetitiva.

O torcicolo está associado a uma contratura severa da musculatura do pescoço. A cabeça assume uma atitude de flexão lateral, com o queixo estando rodado para o lado oposto da dor. O torcicolo pode ser congênito ou adquirido.

O congênito está associado a anormalidades anatômicas e neurológicas, incluindo a Síndrome de Klippel-Feil, subluxação atlanto-axial, ausência congênita de músculos cervicais, mal formação de Arnold-Chiari e siringomielia.

A forma adquirida pode ocorrer na vigência de traumas, dano muscular, fratura ou subluxação atlanto-axial. Nos quadros infecciosos, como, por exemplo, das vias aéreas superiores, adenites cervicais, osteomielite e fasciítes; pós-infecciosos (difteria, gripe), anormalidades vasculares com compressão, doenças neurológicas e síndromes radiculares (hérnias discais).

Hérnias Discais

Um disco herniado pode ser definido como uma protrusão do núcleo pulposo através de soluções de continuidade das fibras do ânulo fibroso. A maioria das hérnias discais ocorrem em situação póstero-lateral, com maior incidência na quarta década de vida, quando o núcleo pulposo ainda é gelatinoso. As áreas mais frequentes de herniação são C6-C7 e C5-C6.

As hérnias C7-T1 e C3-C4 são raras.

Ao contrário das hérnias lombares, o disco herniado cervical pode causar mielopatia, devido ao menor diâmetro do canal medular nesta localização.

Nem toda hérnia discal é sintomática. A presença de sintomas depende da capacidade de reserva do canal medular, da presença e do grau de inflamação, do tamanho da hérnia, bem como da presença de doenças concomitantes, como por exemplo, formações osteofitárias.

As radiculopatias cervicais são divididas em duas categorias, de acordo com a consistência do disco vertebral. Indivíduos abaixo dos 45 anos têm hérnias de disco “moles”, associadas com extrusão do núcleo pulposo, resultando em compressão radicular ou medular.

Pacientes mais idosos apresentam hérnias “duras”, produzidas por calcificações discais e por osteófitos. As primeiras se resolvem mais frequentemente, sendo que as últimas podem estar associadas com compressão medular mais prolongada.

Clinicamente, a principal queixa do paciente é de dor no braço, não no pescoço.

A dor, geralmente, é descrita como iniciando-se no pescoço e, posteriormente irradiando-se para o ombro, braço e antebraço, em caráter segmentar até a mão. O início dos sintomas geralmente é gradual.

Com a evolução do quadro, a magnitude da dor no braço ultrapassa a do pescoço e ombro, podendo ser variável na intensidade, sendo severa o bastante para despertar o paciente durante a noite. Sintomas associados de dor lombar, dor ou fraqueza nas pernas, distúrbios da marcha e incontinência vesical ou anal sugerem compressão medular importante.

Síndrome do Chicote (Whiplash)

São ocasionadas por impactos indiretos, geralmente por colisões automobilísticas traseiras em baixas velocidades. Ocorre um mecanismo de energia de aceleração-desaceleração com transferência de força para região cervical.

Também pode ser ocasionada por colisões laterais, mergulhos ou outros acidentes. O impacto pode resultar em lesões ósseas ou de partes moles que, por sua vez, podem levar a uma variedade de manifestações clínicas. Em cerca de 50% dos pacientes que apresentam queixas de dor cervical crônica após tais eventos, a dor tem origem nas articulações interfacetárias.

Os sintomas persistem por mais de seis semanas em cerca de 50% dos pacientes e por mais de seis meses em 30%.

Casos com dor cervical importante, localizada e com evolução mais protraída ou na presença de sintomas radiculares, devem ser estudados com radiografias em extensão e flexão e com ressonância magnética, visando a detecção de alterações passíveis de correção cirúrgica.

Causas Reumáticas

Osteoartrose da Coluna Cervical

A artrose cervical é um processo crônico, caracterizado pelo desenvolvimento osteofitário e outros sinais degenerativos, como consequência de doença discal também relacionada à idade.

Pode produzir uma grande variedade de sintomas, no entanto, alguns pacientes com alterações osteoartrósicas severas na coluna cervical podem cursar completamente assintomáticos.

A artrose cervical envolve predominantemente os segmentos de C4 até T1. Inicialmente, ocorre uma desidratação do núcleo pulposo, com consequente redução de seu volume, provocando alterações estruturais no ânulo fibroso, o qual se distende lateralmente, sendo submetido a uma sobrecarga mecânica pelo peso da cabeça.

Os movimentos se tornam irregulares, com a unidade funcional vertebral tornando-se suscetível a danos adicionais nos ligamentos de sustentação e nas articulações interapofisárias posteriores.

Como ocorre uma diminuição da distância entre os corpos vertebrais, secundárias aos fenômenos discais degenerativos citados, aumenta o estresse mecânico nas facetas e articulações uncovertebrais, levando a ruptura, desorganização cartilaginosa e formação osteofitária.

Na dependência da magnitude destas alterações a artrose pode apresentar-se de maneira isolada, ou com radiculopatia, mielopatia ou radiculomielopatia associada, secundárias aos fenômenos compressivos ocasionados pelas múltiplas estruturas acometidas.

Acomete pacientes acima dos 40 anos, sendo um achado quase universal em estudos radiológicos em pessoas acima dos 70 anos, porém nem sempre sintomática. Os casos sintomáticos apresentam com dor cervical episódica associada a restrições dos movimentos do pescoço ao exame físico. A dor é referida nas regiões posterior e lateral do pescoço, com eventuais irradiações para a área escapular, ombro homolateral e membro superior.

A irradiação da dor na artrose cervical pode ser do tipo somática profunda ou dermatomérica.

O acometimento dos segmentos C6 e C7, e menos frequentemente  C5 apresenta-se como uma dor profunda e incômoda no antebraço, lateral da mão, região lateral do ombro e do braço, respectivamente. A dor radicular ocorre quando osteófitos ou discos intervertebrais prolapsados estreitam o forame de conjugação.

A compressão das raízes cervicais resulta em dor, adormecimento, parestesias, fraqueza muscular e alterações de reflexos. As raízes mais acometidas são C6 e C7.

Ao exame físico existe dor e restrição aos movimentos de lateralização e extensão. A compressão prolongada da cabeça em flexão lateral ou em extensão pode reproduzir ou aumentar os sintomas radiculares (manobra de Spurling), de maneira idêntica às hérnias discais cervicais.

A complicação mais séria da artrose cervical é a mielopatia. Menos que 5% dos pacientes com artrose desenvolvem tal condição.

Ocorre quando existe formação de osteófitos posteriores e outras alterações osteodegenerativas no canal vertebral, condicionando uma estenose de canal, com posterior compressão gradual e progressiva da medula e de seu suprimento vascular.

São descritas duas formas de estenose de canal vertebral:

  1. Estenose Estática – Condicionada por um estreitamento do canal em localização anatômica definida.
  2. Estenose Dinâmica – Devido à instabilidade segmentar, causando compressão de diferentes porções da medula espinhal com a flexão ou extensão da coluna cervical.

O quadro clínico é caracterizado por cefaléia, distúrbios progressivos da marcha e fraqueza de membros superiores e inferiores.

Artrite Reumatoide

A coluna cervical é a região mais acometida do esqueleto axial na artrite reumatóide, principalmente no segmento C1-C2, condicionando a subluxação atlanto-axial.

As alterações inflamatórias crônicas ocorrem nas articulações atlanto-occipital, atlanto-axial, zigo-apofisárias e uncovertebrais, em conjunção com discos intervertebrais, ligamentos e bursas.

Na articulação atlanto-axial, o processo inflamatório na membrana sinovial e nos ligamentos promove um enfraquecimento e frouxidão do ligamento transverso, condicionando um aumento da distância entre o arco anterior do atlas e o processo odontóide maior do que 3 mm, observadas em radiografias cervicais obtidas em perfil, com flexão ou extensão da cabeça.

Alguns fatores relacionados à própria evolução da artrite reumatóide podem condicionar um maior risco de desenvolvimento de doença cervical, tais como o uso prolongado de corticosteróides, doença com altos títulos de fator reumatóide, destruição articular periférica, acometimento de nervos cervicais, presença de nódulos reumatóides e longo tempo de evolução da doença.

A frequência de queixas cervicais é elevada em pacientes reumatóides, podendo chegar a 80% durante a evolução da doença.

A dor na região posterior do pescoço é a queixa mais comum, seguindo-se a rigidez e limitação de movimentos, principalmente da flexo-extensão. O envolvimento cervical na artrite reumatóide pode levar a uma instabilidade significativa, com potencial de compressão sobre estruturas medulares e radiculares.

Torna-se importante para o médico assistente obter radiografias da coluna cervical antes de procedimentos cirúrgicos que necessitem intubação orotraqueal. Os principais tipos de subluxação são os seguintes:

1) Subluxação Atlanto-Axial:

Anterior: Ocorre em 25% dos pacientes, sendo a mais frequente das subluxações.

Ocorre pelo comprometimento do ligamento transverso, principal elemento de sustentação do processo odontóide. O diagnóstico é feito pelos raios X obtidos em perfil e em flexão máxima, em que a distância atlanto-axial se mostra maior que 3 mm.

Vertical: Ocorre em 5% dos pacientes com artrite reumatóide, sendo que a metade destes apresenta sintomatologia neurológica.

Frequentemente associada a subluxação atlanto-axial anterior, ocorre pela destruição das articulações interfacetárias, com migração e impactação vertical do odontóide, só não apresentando maior gravidade devido à frequente erosão com diminuição do tamanho do odontóide.

Os sintomas associados com estas formas de subluxação incluem cefaléias suboccipitais de moderada ou forte intensidade, episódios de perda da consciência ou síncope, incontinência esfincteriana, disfagia, nistagmo e sintomas relacionados a insuficiência vertebrobasilar.

Lateral: Ocorre em cerca de 20% das subluxações, secundária ao comprometimento das articulações interfacetárias. Pode estar associada a mielopatias.

O diagnóstico desta forma de subluxação é obtido através dos raios X transorais (boca aberta), em que a distância entre os corpos de C1 e C2 é maior que 2 mm lateralmente.

Posterior: Ocorre em 6% dos pacientes. Existe uma anteriorização do processo odontóide sobre o arco anterior do atlas, geralmente por erosões, microfraturas ostoporóticas do odontóide, ou menos frequentemente por má formação do atlas.

2) Subluxação Atlanto-Occipital: É a forma mais rara e de maior gravidade das subluxações cervicais. Ocorre pela destruição das articulações interfacetárias entre o atlas e o occipício, também geralmente em associação com as formas anterior e vertical. Acomete pacientes com doença estabelecida de longa evolução.

3) Subluxação Subaxial: Ocorre em cerca de 9% dos pacientes com artrite reumatóide, por acometimento generalizado das estruturas de sustentação da coluna cervical, condicionando o aspecto de “coluna em degrau“.

Síndromes Espondilíticas

Neste grupo de patologias reumáticas estão incluídas a espondilite anquilosante, a síndrome de Reiter, a artrite psoriásica e as artropatias enteropáticas.

O envolvimento cervical nestas condições é menos frequente que o lombar, com as estatísticas mostrando incidência de 1,0% a 53,9% dos casos, acometendo igualmente ambos os sexos. As queixas cervicais, quando presentes, mostram um início mais tardio que as queixas lombares, geralmente num período de cinco a oito anos após o início dos sintomas.

Clinicamente, a dor cervical apresenta caráter inflamatório, caracterizando-se por presença de rigidez progressiva de movimentos, chegando em algumas ocasiões a limitação completa destes em todos os planos. A dor cervical tem localização alta, apresentando irradiação para a região do occipício e dos mastóides.

Como no acometimento cervical da artrite reumatóide, os pacientes com doença articular periférica mais agressiva apresentam maior risco de desenvolverem subluxação atlanto-axial.

A rigidez progressiva, a formação de sindesmófitos e a calcificação ligamentar difusa, que ocorre principalmente na espondilite anquilosante, tornam a coluna cervical mais suscetível a fratura, mesmo após traumatismos mínimos, sendo que o maior local de ocorrência se situa no segmento C6-C7.

Hiperostose Esquelética Idiopática Difusa (DISH)

A hiperostose esquelética idiopática difusa, também denominada doença de Forestier, é uma condição não inflamatória, que ocorre principalmente em pacientes do sexo masculino, acima dos 50 anos de idade, com estatísticas mostrando um acometimento de até 12% da população acima dos 75 anos.

É caracterizada por neoformação óssea, calcificação do ligamento longitudinal anterior de no mínimo 4 corpos vertebrais contíguos, além da presença de entesopatias não erosivas. A doença não está associada com sacroileíte, anquilose interapofisária ou al HLA-B27.

O acometimento cervical é observado em cerca de 50% dos pacientes acometidos, sendo menos frequente que o envolvimento dorsolombar.

Devido à ossificação exuberante das estruturas espinais, pode ocorrer disfagia pela formação osteofitária anterior, com compressão da laringe e terço proximal do esôfago, sendo mais frequente no segmento C5 e C6. Torna-se importante uma avaliação radiológica da coluna cervical destes pacientes antes de procedimentos de endoscopia ou intubação orotraqueal, visando evitar riscos de perfuração ou laceração esofágica.

Diante de tantas patologias que acomete a cervical, após uma boa avaliação a escolha pelo tratamento parte de uma boa explicação e decisão das duas partes, terapeuta e paciente.

Necessitamos ver o paciente através de seu corpo fisiológico ou adoecido, descobrindo o que ele acoberta e quais compensações esconde, e isso só será possível através de muita dedicação e de estudos.

Sempre sobre a análise da anatomia e da Biomecânica, de forças que atuam pelo corpo humano, é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou não.

Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e a biomecânica. A fisioterapia é feita de detalhes, e a resposta para o caso do seu paciente com certeza estará no anatômico e/ou biomecânico.

É necessário que se compreenda todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que o nosso corpo obedeça a três leis responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo:

  1. Lei do Equilíbrio
  2. Lei do Conforto 
  3. Lei da Economia

Portanto, nosso corpo obedecerá essas três leis, deve ser confortável, sem dor, equilibrado e de uma maneira econômica.

Entendendo essas três leis, fica lógico os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo, e principalmente nos atentarmos para a retroalimentação desses fundamentos.

Usando os princípios de cadeias musculares para a avaliação da unidade pescoço, podemos usar para tratar as tensões encontradas. As Cadeias Musculares Cruzadas Flexoras do Tronco cruzam na unidade pescoço e a cadeia cruzada flexora direita na unidade tronco torna-se a cadeia cruzada de extensão esquerda na unidade pescoço.

A cadeia cruzada de flexão esquerda na unidade tronco cruza na altura da unidade pescoço e torna-se a cadeia cruzada de extensão direita, a cadeia de extensão cruzada extensora direita na unidade tronco torna-se a cadeia de flexão cruzada esquerda na unidade pescoço e a cadeia cruzada de extensão esquerda na unidade tronco também cruzar-se-á tornando-se a cadeia de flexão cruzada a direita na unidade pescoço.

O ponto de referência para direita e esquerda é ombro.

Logo, as Cadeias de Flexão direita e esquerda juntas são responsáveis pela flexão do pescoço, as cadeias direita e esquerda de extensão do pescoço são responsáveis pela extensão do pescoço.

As cadeias de flexão e extensão a direita são responsáveis pela inclinação do pescoço a direita, e em contrapartida as cadeias de flexão e extensão a esquerda são as responsáveis pela inclinação do pescoço a esquerda.

A cadeia de flexão cruzada direita e a cadeia cruzada de extensão a direita são responsáveis pela translação do pescoço a direita, as mesmas cadeias cruzadas a esquerda são responsáveis pela translação do pescoço a esquerda.

Já a cadeia cruzada de flexão a direita e a cadeia cruzada de extensão esquerda são responsáveis pela rotação do pescoço a direita e a cadeia cruzada de flexão esquerda e a cadeia cruzada de extensão a direita realizam o movimento de rotação do pescoço a esquerda.

Existem muitas conexões musculares, nervosas e fasciais entre o pescoço e o ombro, de modo que a dor em um pode facilmente levar à dor no outro. Além disso, os exercícios de Pilates tendem a se concentrar na mobilidade, no condicionamento e no alinhamento de ambos, pois, em termos anatômicos, é muito difícil fazer uma mudança em uma parte sem influenciar a outra.

A medula espinhal atravessa o meio e o nervo se ramifica para suprir os ombros e braços e também afeta a cabeça.

Há também uma artéria subindo em cada lado da coluna vertebral no pescoço que fornece sangue ao cérebro. Problemas nas articulações, causados ​​por desgaste, postura, posições estáticas prolongadas ou desequilíbrios musculares, podem causar dor ao redor da área do pescoço, mas também remeter a dor para outras partes do corpo.

Isto é geralmente devido à distribuição dos nervos como a corrida do pescoço.

Assim, a dor que surge no pescoço pode se manifestar em diferentes lugares, problemas na região cervical inferior e médio podem causar dor nas mãos e ombros, enquanto dor no pescoço superior pode causar dor na mandíbula e também dores de cabeça.

Isso pode ser difícil de entender, mas podemos obter ótimos resultados quando identificamos que o problema surgiu do pescoço e tratamos a causa.

Conclusão

Mais uma vez, venho destacar a importância de uma boa avaliação para se obter sucesso em seu resultado no tratamento da coluna cervical.

Uma vez, que nós, profissionais do movimento, não tratamos nenhuma das patologias citadas anteriormente, mas devemos conhecê-las profundamente, pois nossa função é corrigir – quando possível – os desequilíbrios biomecânicos provocados por estas patologias, ou causa das mesmas.

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Movimentos do Quadril e da Pelve no Parto

Movimentos do Quadril e da Pelve no Parto

Como já vimos em outros artigos sobre o assunto, a cintura pélvica é o local onde existe a anulação de forças de peso normal e solo. Ela é feita pela junção dos ilíacos e do sacro, formando a articulação sacroilíaca.

A sacroilíaca é responsável por transferir cargas dos membros inferiores para a parte superior do corpo e para a sínfise púbica. Também gostaria de lembrar que a sínfise púbica é a região onde o púbis de um lado se articula com o púbis do lado oposto.

Na região medial do forame obturado o púbis se junta ao ísquio e na parte lateral ele fica voltado para os membros inferiores. Nessa região temos a inserção de diversos músculos da coxa.

Na face póstero inferior do ísquio também temos fortes inserções ligamentares e musculaturas. Essa é a região do tubérculo isquiático. Outra estrutura óssea importante é o acetábulo, formado pela fusão dos seguintes ossos:

  • Ilíaco
  • Ísquio
  • Púbis

O acetábulo é aprofundado por um anel de fibrocartilagem para melhorar a estabilidade nos movimentos e diminuir o impacto nas estruturas ósseas.

Diferenças entre Pelve Feminina e Masculina

Ao falar de parto é impossível tocar no assunto das diferenças entre a pelve masculina e feminina. As duas pelves são similares, mas existem ligeiras diferenças entre elas que são bastante importantes.

A pelve menor masculina é mais profunda que a feminina. A abertura superior da pelve masculina é mais estreita e a inferior menor. A feminina é mais larga e tem um tamanho maior, já que ela será necessária para a gravidez e o parto.

Papel do Assoalho Pélvico na Gravidez

O assoalho pélvico é uma estrutura formada por músculos, ligamentos e fáscias que encerram a pelve. Esses músculos podem pertencer à camada superficial e profunda do assoalho pélvico.

A camada superficial é conhecida como períneo e é feita pelos órgãos genitais externos e o ânus. Aí está mais uma diferença entre as estruturas masculinas e femininas, no homem ela tem início na bolsa escrotal e segue até o ânus. Na mulher, tem início na vulva e segue até o ânus.

Os seguintes músculos se encontram na camada superficial:

  • Bulboesponjoso
  • Isquicavernoso
  • Transverso Superficial
  • Profundo Períneo
  • Esfíncter Uretral Externo
  • Esfíncter Anal Externo

Suas principais funções incluem manter o fluxo urinário. Eles também são responsáveis por permitir o ato sexual, promover a ereção do pênis e do clitóris, ejaculação e contrações da vulva durante os orgamos. Existe mais uma função essencial das musculaturas do assoalho pélvico na gravidez: participar do trabalho de parto.

A camada profunda do assoalho pélvica é formada pelos músculos:

  • Isquioscoccígeos
  • Levantadores do Anus (Puborretal e Pubococcígeo)
  • Levantador da Próstata e Pubovaginal
  • Iliococcígeo

Ao juntar esses músculos temos o diafragma pélvico. Uma de suas funções é sustentar os órgãos internos, por isso eles permanecem contraídos constantemente.

Quando existe um aumento de pressão intra-abdominal, como na tosse ou espirro, também acontece uma contração rápida e um aumento de tensão nos músculos. O objetivo desse reflexo é manter os órgãos em suas posições normais.

Esses músculos também possuem esfíncteres que devem permanecer fechados. Eles só se abrem com o relaxamento dessa musculatura para permitir a urinação e defecação.

Ilíacos no Parto e Pós-Parto

Ao explicar todas essas relações do corpo feminino e suas musculaturas com a gravidez e o parto, queria realmente era chegar aqui. Existe uma relação muito importante dos ilíacos e seus movimentos com o ciclo reprodutivo da mulher. Seus movimentos são extremamente importantes, especialmente no período pós-parto.

Após o parto, o corpo feminino precisa realizar uma série de adaptações por causa do vazio deixado na região abdominal depois do nascimento do bebê. Essa parte da cavidade abdominal precisa reduzir-se para se ajustar ao novo volume e restabelecer as pressões internas.

Assim, os ilíacos dão início ao seu processo de fechamento.

O que muitas vezes esquecemos de considerar é a relação que o estado emocional e psicológico da mulher tem com o fechamento ilíaco. O método GDS de Cadeias Musculares e Articulares nos dá uma importante visão sobre o assunto. O método global da fisioterapeuta belga Godelieve Denys Struyf ajuda a integrar o funcionamento do corpo e o comportamento psicológico.

Considerando isso, conseguimos perceber que durante certo tempo as mulheres darão prioridade ao ciclo materno, casa e filhos. Esse tempo varia e pode levar até alguns anos, tendo iniciado no período de fechamento dos ilíacos no pós-parto.

Durante esse período, o corpo feminino terá suas cadeias musculares de flexão evidenciadas e num comportamento de enrolamento. Ele acontece para abraçar seu mundo afetivo.

Ao fim desse tempo, a mulher volta-se para seu mundo exterior, incluindo atividades profissionais e físicas. Com seu novo estado de espírito ela passa pela ação das cadeias de abertura ou cadeias PM de madame Godelieve. Essa atitude mostra um desejo de relacionar-se além da vida materna que é refletido pelo seu corpo.

Em mulheres nessa fase vemos modificações da pelve que se reestrutura em abertura. Isso também implica na provável postura de abertura dos ilíacos.

Problemas relacionados às Cadeias de Abertura e Fechamento

Algumas mulheres procuram equilibrar as duas facetas, o ciclo materno e o mundo exterior.

Existe a possibilidade de ela ser bem-sucedida, mas provavelmente existirão problemas. Se a mulher tiver pontos de tensão ou de fixação, cicatrizes e aderências no corpo, ela terá dificuldades. Esses problemas estruturais puxam o corpo para valorizar as cadeias de fechamento.

Por causa das suas tensões internas, a mulher passa por períodos de grande fadiga. Ela precisa despender muita energia já que seu corpo está com as cadeias tensionadas.

Essa tensão também se espalha para os músculos do assoalho pélvico e existe o fechamento inferior dos ilíacos para piorar o quadro.

Conclusão

A pelve e o assoalho pélvico possuem funções essenciais durante a gestação e o parto.

Quem trabalha com esse público deve manter-se atento a alterações posturais ou das cadeias musculares, especialmente relacionadas ao estado emocional da mulher.

Como vimos, no período após o parto o fechamento dos ilíacos também proporciona uma tendência para vantagem das cadeias musculares de fechamento. Algumas mulheres podem sofrer com tensões, lesões e patologias por essa forte tendência para a tensão das cadeias de fechamento.

Bibliografia
  • CONTRIBUIÇÃO À ANATOMIA – ESTUDO MORFOLÓGICO DO ASSOALHO PÉLVICO
  • EM MULHERES ASSINTOMÁTICAS: USO DA IMAGEM POR RMN.
  • CONTRIBUCIÓN AL ESTUDIO ANATOMO-MORFOLÓGICO DEL SUELO PÉLVICO EN LA MUJER ASINTOMÁTICA: UTILIZACIÓN DE LA IMAGEN POR RMN.
  • Marcel Caufriez1, 2, 3, 4, Juan Carlos Fernández Domínguez5, Benjamin Bouchant4, Marc Lemort6 y Thyl Snoeck1, 4, 7.
  • Université Libre de Bruxelles1. Bruxelles. Belgique. Universidad Castilla-la-Mancha2. Toledo. España. Universitat Gimbernat3. Barcelona. España. Laboratoire de Physiologie environnementale et occupationnelle4. Bruxelles. Belgique. Universitat Illes Balears5. Palma de Mallorca. España. Institut Jules Bordet6. Bruxelles. Belgique. Vrije Universiteit Brussel7. Bruxelles. Belgique.
Como Tratar Disfunção Sacroilíaca da Forma Correta?

Como Tratar Disfunção Sacroilíaca da Forma Correta?

Muita gente pergunta quais exercícios podemos usar para tratar Disfunção Sacroilíaca. Certamente, os exercícios são o que ajudará seu aluno a levar uma vida sem dor.

Mas não adianta pegar um protocolo de aula pronto e seguir exatamente o que tem ali. Tratar Disfunção Sacroilíaca significa entender as complexas compensações e encontrar maneiras eficientes para trabalhar o corpo disfuncional.

Vou te dar uma dica: a ativação de glúteo tem papel fundamental durante o tratamento.

Meu objetivo nesse artigo não é te dar um protocolo de exercícios para seguir como uma receita de bolo. Na verdade, vou explicar o funcionamento da disfunção e quais são os músculos chave para tratá-la.

Depois disso você será capaz de ter uma visão mais analítica do problema para elaborar soluções adequadas para cada aluno. Então nesse artigo vamos entender como Tratar Disfunção Sacroilíaca de uma vez. Vamos lá?

Dores causadas pela Disfunção Sacroilíaca

A articulação sacroilíaca está localizada na pelve e é essencial para um movimento fisiológico e sem dor. Apesar de ser bastante estável graças a um grande número de ligamentos, ainda pode existir certa mobilidade de suas estruturas. É essa mobilidade que, quando disfuncional, causa a dor que é tão comum.

Geralmente temos alguns problemas para identificar a disfunção. O principal sintoma é a dor lombar, que muitas vezes se torna crônica e é confundida com dor lombar inespecífica.

Alguns casos também podem ser similares a inflamação no ciático e outras patologias que referem dor na região lombar. Porém, a dor lombar que existe no paciente não é causada por uma disfunção que afete diretamente a lombar. Na verdade, sua origem está na articulação sacroilíaca.

O paciente com o problema pode sentir incômodo em atividades diárias como caminhar, correr, agachar e se inclinar para a frente. A dor é geralmente na região lombar com raros casos de dor no quadril.

As articulações também são muito afetadas pela compensação da sacroilíaca. Alunos com a disfunção geralmente apresentam desvios nos membros inferiores, incluindo quadril, joelho e tornozelo.

Como devemos Tratar Disfunção Sacroilíaca?

Considerando o enorme número de compensações causados pela disfunção, fica difícil designar uma forma de Tratar Disfunção Sacroilíaca de maneira realmente eficiente.

Para corrigir o movimento errado da articulação precisamos primeiro identificar fraquezas musculares que impedem a boa estabilização. É aí que entra o trabalho de glúteos.

Fortalecimento de Glúteos para Tratamento da Dor Sacroilíaca

Sem a ação dinâmica dos músculos glúteos a articulação sacroilíaca fica instável. A superfície articular da sacroilíaca é plana e orientada no plano vertical. Portanto, ela tem o formato ideal para sua função de transferência de forças.

Porém, seu posicionamento também a deixa mais vulnerável ao desenvolvimento de lesões por forças de cisalhamento vertical.

Também precisamos lembrar da natureza dos ligamentos que realizam a articulação estática da ligação. Eles são bastante fortes, mas possuem natureza viscoelástica e são capazes de se moldar à situação. O grande problema é quando existe uma pressão anormal sobre a articulação. Nesse caso eles podem se deformar e deixar de oferecer suporte adequado à articulação.

Para evitar essa deformação dos ligamentos e que as forças de cisalhamento do movimento prejudiquem a sacroilíaca, precisamos fornecer uma combinação de estabilização muscular e da fáscia do complexo lombopélvico. O glúteo máximo é capaz de anular um pouco das forças compressivas na articulação e ajuda a realizar a transferência de forças entre o membro inferior e superior.

Fraqueza e falta de ativação de glúteo máximo leva a uma tensão e ativação excessiva de isquiotibiais.

Os músculos isquiotibiais possuem o posicionamento ideal para realizar as funções de movimentar o quadril que deveria ser feitas pelo glúteo. Porém, essa solução não é perfeita e deixa a sacroilíaca ainda mais exposta à forças de cisalhamento. Já mencionei em outro artigo como essa relação entre glúteo máximo e isquiotibiais influencia na dor lombar.

Também existem compensações importantes a nível do glúteo médio. Essa musculatura controla movimentos do fêmur, ajudando na estabilização e posicionamento do mesmo. Ele também é um estabilizador da pelve no plano frontal e transversal.

Outros Músculos no Tratamento

Apesar de grande parte do tratamento ser focado nos glúteos, especialmente glúteo máximo, também existem outros estabilizadores.

A sacroilíaca precisa de uma boa atuação de transverso do abdômen, assoalho pélvico e bons ligamentos para manter-se estável. Um corpo com ativação adequada dessas estruturas consegue diminuir a força de cisalhamento sobre a sacroilíaca em quase 50%.

Toda a cadeia posterior encontra-se prejudicada em um aluno com disfunção sacroilíaca. É importante compreendermos a cadeia muscular como uma corrente. Cada elo é interligado e quando um se rompe os restantes não são capazes de exercer sua função.

Por isso, a fraqueza de glúteos também leva ao tensionamento e encurtamento de outros músculos da cadeia. Isso inclui perda de flexibilidade e de movimentos fisiológicos do quadril e membros inferiores.

Eficiência do Tratamento com Fortalecimento de Glúteo Máximo

Um estudo publicado no International Journal of Sports Physical Therapy contava com 8 indivíduos diagnosticados com disfunção sacroilíaca. Todos os indivíduos tinham dor lombopélvica unilateral que havia surgido há pelo menos 12 semanas e permanecido sem tratamento.

O tratamento conservador consistiu em 10 sessões de fisioterapia durante 5 semanas. Durante essas sessões os pacientes realizam exercícios de fortalecimento de glúteos como pontes e suas variações.

Ao fim dos testes todos mostraram sinais claros de melhora, diminuição da dor e melhores padrões de movimento funcionais.

O estudo é um entre vários que mostra a relação entre disfunção sacroilíaca e enfraquecimento de glúteo, especialmente glúteo máximo. Os exercícios de fortalecimento são essenciais para conseguir a melhora e, até cura, do indivíduo com a disfunção.

Podemos iniciar o tratamento com exercícios de forçamento sem carga, como a ponte. Aos poucos evoluímos esse aluno para que ele consiga realizar exercícios com resistência, podendo incluir exercícios com faixa elástica e até equipamentos.

Espera-se que um protocolo de reabilitação dando ênfase no fortalecimento de glúteos ajude a diminuir muito a dor e melhorar a função. Os exercícios também devem condicionar o aluno para uma ativação de glúteos correta durante o movimento.

Assim, é possível aliviar também a carga imposta sobre eretores do tronco e diminuir os sintomas de dor lombar.

Para complementar o tratamento é possível inserir exercícios para outros estabilizadores da sacroilíaca e musculaturas envolvidas no movimento. Uma boa ativação de transverso do abdômen, por exemplo, também consegue influenciar nos sintomas da disfunção e função das articulações.

Conclusão

Estudos e evidências biomecânicas nos mostram que a articulação sacroilíaca precisa de uma boa ativação de glúteo máximo. Sem ele as forças compressivas exercidas sobre as estruturas articulares podem ter efeitos graves.

Portanto, devemos começar a introduzir esses exercícios para tratar Disfunção Sacroilíaca em nossos pacientes.

Através deles conseguimos também melhorar a dor e evoluir o tratamento de maneira mais eficiente. Também devemos utilizar exercícios para outras estruturas relacionadas à pelve e estabilização do centro do corpo.

Uma reabilitação completa te garante melhor retorno às atividades diárias e ao esporte.

 

Referências Bibliográficas
Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Como recuperar a Mobilidade de Coluna com Pilates?

Sua avaliação de um aluno mostrou que a coluna estava bastante instável. Quero que você responda agora: qual seria sua primeira atitude no tratamento desse paciente?

Guarde sua resposta porque ao longo desse artigo veremos se ela estava correta ou não.

Precisamos tratar de um assunto importante aqui, a mobilidade de coluna! Essa é uma característica fundamental da coluna vertebral que muitos alunos simplesmente não têm. Por isso precisamos aprender como trabalhá-la da maneira mais eficiente no Pilates.

Continue lendo para aprender mais sobre as compensações do corpo relacionados à falta de mobilidade e como realizar um bom tratamento do problema.

Importância das Curvaturas Fisiológicas da Coluna

Nossas mães sempre diziam: “Deixa essa coluna reta, coluna curvada não é jeito de manter a postura!”

Na verdade, elas tinham um pequeno erro do que realmente é uma coluna com movimentos fisiológicos. Apesar de muita gente ainda acreditar que manter a coluna retilínea seria a melhor postura, a verdade é bem diferente.

A coluna vertebral possui algumas curvaturas fisiológicas que devem ser mantidas para seu bom funcionamento.

As curvaturas começam a se formar quando ainda somos bebês e definem todo nosso movimento. No corpo existem as cifoses, que têm função de proteção, e as lordoses, que têm função de mobilidade.

Por causa de suas funções, sempre encontramos músculos longos e potentes à frente das lordoses. Alguns exemplos são os flexores do pescoço (presente à frente da lordose cervical) e reto abdominal (à frente da lordose lombar).

Já as cifoses sempre possuem músculos chatos e profundos. Um bom exemplo é o serrátil anterior, que realiza a manutenção postural.

As cifoses são naturalmente menos móveis, portanto são pontos fixos no movimento das cadeias musculares lordóticas. No plano sagital encontramos as seguintes curvaturas da coluna vertebral:

  • Lordose Cervical
  • Cifose Torácica
  • Lordose Lombar

A presença das curvaturas fisiológicas é essencial durante os movimentos. O corpo é exposto à força gravitacional descendente e à força solo ascendente. Sem suas curvaturas da coluna, o eixo raquidiano sofreria muito mais com as pressões axiais gerados por essas forças.

Portanto, percebemos que as curvaturas da coluna precisam existir de maneira fisiológica. Qualquer tipo de desvio ou diferenças nessas curvas é considerado um desvio postural, que deve ser tratado.

Tipos Funcionais de Coluna

A coluna pode possuir um excesso de mobilidade nas suas estruturas ou um excesso de estabilidade. Dependendo da característica predominante ela desenvolve lesões e problemas característicos.

Chamamos as colunas com curvaturas mais apagadas (retificadas) e falta de movimento de tipo funcional estático. Também existem as do tipo funcional dinâmico, que têm suas curvaturas mais acentuadas e móveis.

A coluna do tipo funcional estático possui um equilíbrio bastante prejudicado. Ela pode até aumentar a quantidade de quedas em indivíduos mais propensos a isso, como idosos. Sabendo que as quedas em idosos são uma causa comum de morte nessa população, podemos entender a importância de trabalhar com mobilidade.

Como Tratar Colunas do Tipo Funcional Estático

No início desse texto perguntei como você trabalha quando encontra uma coluna com falta de estabilidade. Apesar de não ter te dado uma informação essencial, o tipo de coluna, já consigo imaginar a resposta.

A maioria do profissionais decide logo começar a trabalhar com mais estabilidade quando vê uma coluna instável. Parece uma decisão completamente lógica, mas no caso das colunas do tipo funcional estático ela está errada.

A falta de estabilidade dessas colunas vem da falta de movimento. Ou seja, trabalhando só com estabilidade você desenvolve resultados insatisfatórios e não consegue prevenir ou tratar lesões e dores.

Quando encontramos esse tipo de coluna, devemos nos preocupar em recuperar os movimentos perdidos em todos os eixos, sentidos e direções. A coluna realiza movimentos articulares em torno dos eixos ântero-posterior, látero-lateral e longitudinal. Também existem movimentos nos planos coronal, sagital e horizontal.

Sabe o que isso quer dizer? Precisamos desenvolver movimentos em todos esses eixos e planos.

Outra informação importante: apesar da coluna ter um movimento bastante amplo, cada vértebra individual possui um mobilidade pequena e limitada. A mobilidade geral da coluna acontece com a soma das mobilidades de cada parte individual.

Quando essa soma gera movimentos abaixo dos graus de normalidade, o corpo tem dificuldade de se equilibrar dentro do polígono de sustentação.

A longo prazo essa falta de equilíbrio é responsável pelo surgimento de dores e perda de funcionalidade do eixo vertebral. Portanto, comece a trabalhar com a melhora do movimento do aluno assim que ele chegar no seu Studio de Pilates.

Cuidados para Trabalhar a Mobilidade de Coluna

Quero afirmar algo aqui que você e seu aluno precisam entender: o movimento não é seu inimigo. Pelo contrário, ele é a solução para todos seus problemas. Não faz sentido querer melhorar uma coluna do tipo funcional estático através da estabilidade e limitar ainda mais seus movimentos.

Apesar de alguns profissionais terem medo de trabalhar mobilidade de coluna, nenhum movimento é lesivo. Só devemos tomar cuidado com alguns deles como a rotação. Não se engane, a rotação também não é lesiva, mas deve ser feita com a devida preparação e cuidado.

Nesse movimento existe a presença de forças de cisalhamento. Essa é uma força gerada pelo deslizamento em rotação da vértebra contra seu disco. Para evitá-lo é preciso realizar o movimento com o afastamento correto das últimas costelas do ilíaco.

Como Usar Mobilidade de Coluna no Pilates

O primeiro passo para começar a desenvolver a mobilidade de coluna na sua aula de Pilates é trabalhar de maneira gradual.

Ok, eu entendo que o aluno chegou todo travado na aula e nem consegue fazer um bom enrolamento de coluna, mas tenha calma. Mesmo que você tenha vontade de realizar manipulações ousadas e liberar essa coluna de vez, isso é imprudente.

O desenvolvimento de mobilidade deve ser gradual e suave. Você precisa da permissão de todo o sistema conjuntivo relacionado à rigidez para recuperar os movimentos dessa coluna. Portanto comece se livrando de tensões que possam impedir o movimento.

O mais importante de tudo é não fazer alongamentos sofridos que gerem dor. Mantenha a soltura dentro dos limites do corpo.

Nas primeiras aulas devemos usar principalmente movimentos que estejam dentro do plano coronário e no eixo ântero-posterior. Sabe o que isso quer dizer? Que as flexões de tronco são essenciais no início desse processo, assim como o enrolamento de tronco.

Seu aluno certamente terá dificuldade nesses movimentos inicialmente. Se quiser dicas para fazer o enrolamento perfeito, confira meu outro artigo sobre o assunto.

No Pilates temos uma grande variedade de movimentos para trabalhar mobilidade de coluna. Sugiro que você aproveite todos eles, dando preferência aos que são mais funcional. Sempre realize os movimentos de enrolamento respeitando a curvatura fundamental do tronco com um C profundo.

Conclusão

Uma coluna do tipo estático exige movimento, mesmo que sua estabilidade esteja perdida.

Na verdade, a falta de estabilidade vem da falta de movimento e sem recuperá-lo o corpo permanece propenso a lesões, dores e até quedas.

Quer realmente ajudar seu aluno a encontrar movimentos fisiológicos da coluna, tratar suas patologias e aliviar dores? Invista no desenvolvimento da mobilidade de coluna vertebral. Aproveite porque o Pilates é a ferramenta ideal para isso!

Como surgiram as Leis de Mézières e qual sua importância?

Como surgiram as Leis de Mézières e qual sua importância?

Antes mesmo do conceito de cadeias musculares estar presente na literatura, a osteopatia estudava o corpo como uma unidade. Porém, estamos aqui para falar da pessoa que consideramos como uma das principais precursoras das cadeias musculares: Françoise Mézières, ou Madame Mézières.

Madame Mézières é de naturalidade vietnamita, nascendo em Henói em 1909. Quase 30 anos depois ela se diplomou em fisioterapia na França e começou seus estudos para desenvolver o próprio método. Após desenvolvido, ele só foi ensinado para fisioterapeutas.

Em 1947, Madame Méziéres lançou um postulado de Revolução da Ginástica Ortopédica. Essa foi uma obra especialmente importante para o desenvolvimento da fisioterapia na época.

Uma de suas discípulas afirmava que Madame Mézières tinha dons de observação especiais. Veremos mais à frente como essa sua observação diferente ajudou a desenvolver o método que influenciou diversos estudiosos. Entre eles temos nomes importantes nos estudos das cadeias musculares como Philippe Souchard e Marcel Bienfait. Já falei sobre todos esses nomes em artigos anteriores.

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Como Surgiram as Cadeias Musculares de Madame Mezières?

A técnica de Mademoiselle Françoise Mézières surgiu na França em 1947. Ela a desenvolveu através de diversas observações clínicas que culminaram no método das cadeias musculares.

O insight que levou Madame Mézières a desenvolver o método aconteceu durante um atendimento. Ela estava realizando o tratamento da cifose dorsal de uma paciente que utilizava colete estabilizador. Na tentativa de mobilizar a região problemática, Madame Mézières gerou um enrolamento dos ombros como compensação. Porém, os ombros não eram parte da manipulação.

Para diminuir a lordose lombar, a terapeuta solicitou uma retroversão ativa por parte da paciente. Apesar de ter o resultado desejado, ela também acabou aumentando a lordose cervical.

Como correção do posicionamento cervical, Mézières pediu um auto crescimento ativo. Essa última atitude levou a um bloqueio inspiratório na paciente.

Através das compensações geradas no atendimento, Madame Mézières percebeu que existia uma rigidez muscular excessiva nos seus segmentos. Por causa dessa rigidez cada parte perdeu sua autonomia individual. Por isso, quando solicitava-se a correção louca, isso acontecia com o comprometimento do restante do sistema. Assim, as lordoses aumentavam por causa do encurtamento.

A partir dessas observações Madame Mézières desenvolveu suas leis, conhecida como Leis de Mézières.

1ª Lei de Mézières

Nas leis de Mézières só existem lordoses. Por isso, o crédito de comprimento que ganhamos na cadeia pode ser enganoso. O sistema sempre encontra um meio de recuperá-lo em alguma extremidade.

2ª Lei de Mézières

A cadeia posterior é uma unidade que se comporta como somente um músculo. Ela ordena os demais músculos para que trabalhem de maneira a seguir seus comandos. Essa ideia é discutida por outros cadeístas que discordam que exista uma cadeia posterior única.

3ª Lei de Mézières

A cadeia posterior sempre possui musculaturas muito fortes, curtas e potentes. Por isso a cadeia posterior teria características:

  • Dominantes
  • Estruturalmente Profundas e Multiarticulares
  • Funcionalmente Estáticas (Tônica)
  • De Controle Neurológico Central Inconsciente
  • Estruturadas para um Trabalho de Sustentação Antigravitacional

Atualmente podemos entender a contradição mecânica que a terceira das Leis de Mézières cria. Quando um músculo está encurtado ele é incapaz de desenvolver potência e força. Existe uma curva de comprimento X tensão que impede isso.

4ª Lei de Mézières

Para realizar o tratamento da cadeia posterior é preciso conter todas as compensações que existem nela. Porém, considero que a liberação das tensões da cadeia posterior é um tratamento mais eficiente que a contenção das compensações.

5ª Lei de Mézières

Madame Mézières acreditava que a cadeia posterior não se cruzava no corpo, portanto toda cadeia deveria aceitar a postura excêntrica. Ela também acreditava na existência de um conjunto de cadeias sinérgicas à cadeia posterior.

6ª Lei Mézières

Esforços musculares são capazes de levar a um bloqueio na respiração. Com essas observações, Madame Mézières afirmava que os problemas não estavam na fraqueza de musculatura posterior.

Na verdade, existia uma força excessiva nessa cadeia. Portanto, seus tratamentos tinham ênfase em soltar os músculos posteriores. Isso ajudava a libertar as vértebras de seu arco côncavo. Lembrando que esse tratamento fazia sentido para Madame Mézières, que só aceitava as lordoses.

Proposta de Tratamento de Acordo com as Leis de Mézières

Madame Mézières desenvolveu sua proposta de método a partir da observação que sempre que tentava diminuir uma curvatura vertebral, ela migrava para outro segmento. Assim, ela determinou que existia a globalidade entre os eixos vertebrais e cadeias musculares.

Para conseguir tratar pacientes usando as Leis de Mézières e método, ela utilizava posturas excêntricas que precisam ser mantidas por longo tempo. As posturas eram corrigidas de maneira ativa pelo terapeuta.

O paciente realizava a postura e ao mesmo tempo tinha de fazer uma sucessão de inspirações e expirações forçadas. Isso incluía inspirações prolongadas e lentas, sem acontecer apneia ou aumento do ventre.

As expirações aconteciam para alongar os pilares diafragmáticos. De acordo com Madame Mézières, assim ela conseguiria devolver a fluência dos músculos ao dilacerar o tecido conjuntivo e estimular a memória muscular pelo prolongamento da postura.

Durante as posturas, era importante evitar ou impedir que os membros fizessem rotação interna. De acordo com a publicação Revolução na Ginástica Ortopédica, as lordoses tinham papel na origem de todas as deformações do corpo e compensações musculares.

Cadeia Muscular Posterior

As leis de Mézières que citei acima serviram de base para a criação de um método de reeducação postural. O método partia do princípio de que os músculos posteriores são muito mais potentes que os anteriores. Esses músculos trabalham continuamente.

Madame Mézières chamou essa cadeia de cadeia muscular posterior. De acordo com ela, também só existiam lordoses e que desvios posturais seriam todos culpa da cadeia muscular posterior. Assim, o tratamento mais eficaz consistia no alongamento dessa importante cadeia. Para garantir a eficiência do tratamento é preciso evitar as compensações.

Ela também fez a proposta de que desequilíbrios e tensões dos músculos agonistas e antagonistas dos membros inferiores geram rotação interna. Nesses casos, o músculo Psoas seria um importante rotador interno.

Hoje, sabemos que isso realmente acontece. O valgismo dinâmico é um dos grandes problemas que enfrentamos em nossas aulas.

Cadeias Musculares de Madame Mézières

Baseando-se em seus conceitos e pesquisas, Madame Mézières desenvolveu quatro cadeias musculares. Mencionamos nesse artigo a cadeia posterior, mas ela também trabalhava com outras. Essas eram:

  • Cadeia Posterior: Composta por todos os músculos posteriores.
  • Cadeia Braquial: Formada músculos anteriores do braço, antebraço e mão.
  • Cadeia Ântero-Interna: Onde constam os rotadores internos dos membros inferiores, músculos diafragma e iliopsoas.
  • Cadeia Anterior Cervical: Compreende os músculos escalenos, peitoral menor, intercostais e diafragma.

Conclusão

Apesar de pesquisas mais modernas e outros cadeístas terem contestado seus conceitos, Madame Mézières foi genial em suas colocações. Ela foi a primeira fisioterapeuta que conseguiu perceber a relação de músculos, fáscias e ligamentos.

Hoje em dia, sua técnica foi aprimorada e até teve suas contradições biomecânicas reveladas, mas isso não tira seu mérito. Madame Mézières e seu excelente olhar clínico foram os responsáveis por criar uma nova corrente fisioterápica.

Ela teve coragem de ir contra as grandes instituições da época e divulgou as próprias ideias. Em parte, foi graças a ela que hoje conseguimos estudar e aplicar e estudar o conceito de cadeias musculares.

 

Referências Bibliográficas

Janaína Cintas, Livro Cadeias Musculares do Tronco.