Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Como os Desvios Posturais causam Dores Músculo-Esqueléticas

Boa parte das pessoas já sentiu dor na coluna e nunca foi buscar ajuda médica. Imagino que até você, mesmo sendo profissional do movimento, acabe ignorando uma dor de vez em quando. Estamos condicionados a ignorar dores que ocorrem de vez em quando sem pensar duas vezes. Se a dor for de intensidade moderada a média então, dificilmente alguém buscará tratamento.

Existe um problema sério de subnotificação dos desvios posturais. A maioria das pessoas que sofre com eles (que é muita gente) não percebe que existe um problema. A dor lombar no fim do dia é atribuída ao cansaço. “Talvez seja culpa de algum esforço físico diferente, de um jeito de abaixar errado. Daqui a pouco vai passar”, pensam.

Depois de ignorar a dor como algo pequeno, a pessoa toma um medicamento para a dor, geralmente analgésicos ou relaxantes musculares, e descansa um pouco. Realmente, o desconforto passa por causa do descanso e do efeito medicamentoso.

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Porém, os desvios posturais que foram a causa não desapareceram.

Desvios da postura são mais comuns do que a maioria imagina. Estima-se que cerca de 93% da população mundial possua algum tipo, mesmo que seja bastante moderado. O mesmo se pode dizer das dores da coluna vertebral. A dor lombar é a mais comum e quase todo mundo experimenta um episódio pelo menos uma vez na vida.

Sabendo de tudo isso, quero te fazer uma pergunta: quantos alunos ou pacientes te procuram para corrigir desvios posturais buscando a prevenção ou cura de dores musculares moderadas? Não muitos, certo?

A maioria dos pacientes só percebem que precisam de ajuda quando a dor é constante ou forte demais para ser resolvida com um relaxante muscular. Entenderemos nesse artigo como os desvios musculares podem causar dor e porque devemos identificá-los e tratar antes mesmo da dor surgir.

Causas dos Desvios Posturais

Existem diversos motivos que levam ao surgimento de um desvio postural, mas a maior parte dos casos está relacionado a hábitos modernos. O corpo, criado para o movimento e a ação, está tornando-se cada vez mais sedentário.

Longos períodos em uma única posição fazem com que algumas musculaturas fiquem tensas enquanto outras se encurtam. Um caso bastante comum, por exemplo, é o da amnésia glútea, uma causa frequente da dor lombar inespecífica.

Usando o exemplo da amnésia glútea, é possível entender por que a dor surge em um corpo que deixa de se mover. Os músculos glúteos possuem uma função de suporte que permitem a bipedestação. Ou seja, eles nos ajudam a ficar em pé enquanto realizamos outras tarefas.

Mas a vida moderna incentiva pouco movimento com muito tempo sentado ou em repouso. Mesmo nos momentos de lazer as pessoas optam por ficarem sentados em frente a uma televisão ou computador. Com o tempo, a falta de uso do glúteo máximo gera perda de tônus muscular e força.

Além disso, o quadril perde sua função e passa a realizar compensações para manter o movimento. Como resultado, vemos também uma alteração na posição lombar que surge com o maior uso de musculaturas acessórias do quadril. É uma série de compensações que leva a desvios posturais e mais tarde dor, tudo causado pela falta de movimento.

O sedentarismo é parte importante das causas de desvios posturais. Também encontramos outros motivos, como:

Algumas vezes também vemos diversos fatores se combinando para gerar o desvio que mais tarde se torna uma patologia. Para compreender bem o problema do corpo, você precisará trabalhar com uma boa avaliação postural para identificar os principais motivos.

Como surge a Dor?

Entendemos como os desvios posturais aparecem, mas não significa que isso necessariamente leva à dor. Lembra que boa parte das pessoas não busca tratamento do desvio até surgir uma lesão ou dor aguda? Isso acontece porque muitas vezes os resultados demoram a aparecer.

Precisamos lembrar nesse momento que o corpo está sempre em busca de equilíbrio e conforto. A intenção é se movimentar gastando a menor quantidade de energia, garantindo conforto às vísceras e protegendo estruturas vitais.

Nem sempre isso é possível, especialmente quando existe um desvio postural. Quando a postura está comprometida, o corpo perde sua mobilidade e estabilidade. Mas ainda existe necessidade de continuar se movendo. Assim, surge algo que já conhecemos bem: desequilíbrios e compensações musculares.

Voltarei ao exemplo da amnésia glútea aqui. O glúteo está incapaz de realizar suas ações corretamente. Só para lembrar: a amnésia glútea não é um desvio postural em si, mas causa desvios do quadril e da coluna lombar.

Para que os movimentos continuem, os isquiotibiais entram em ação. É a ação desse extensor de quadril que faz com que os principais desvios posturais apareçam e se mantenham.

A dor lombar em casos de um glúteo disfuncional surge por causa da compressão de estruturas da coluna. Isso acontece pela perda de estabilidade e sustentação da coluna, além de exagero da curvatura lombar.

Teremos nos casos de desvio postural tensões musculares que com frequência causam pontos-gatilho, uma das fontes de dor. Também existem fraquezas que levam ao desequilíbrio articular e compressão de outras estruturas.

Tudo é uma série de compensações que o corpo faz para conseguir voltar ao estado de equilíbrio e continuar se movendo.

Tratamento de Desvios Posturais

Na verdade, não existe um protocolo padrão para tratamento de desvios posturais que eu possa te oferecer. De nada adianta você querer pegar uma sequência de exercícios, aplicar em aula e esperar um resultado igual para todos os pacientes.

Já passou da hora de entender que cada corpo é único e que precisamos tratá-los dessa maneira. Portanto, o tratamento ideal começa com uma avaliação postural detalhada. Precisamos saber por que aquele desvio surgiu e quais compensações ele gerou.

A escoliose é um bom exemplo. Você precisa analisar se existem fatores externos que geraram o desvio da coluna.

Será que o paciente possui algum aparelho corretivo dentário causando tensões e um esquema de forças alterado? Ou uma hérnia de disco que faz com que o corpo se altere para evitar a dor? Tudo precisa ser considerado!

Depois de identificar as causas, chega a hora de corrigi-las. Vá aos poucos e comece a dar mobilidade à coluna. Ela também precisa de estabilidade, mas nada que comprometa seus movimentos.

É importante tomar cuidado com a tendência de só estabilizar e tirar os movimentos da coluna vertebral.

Para isso você pode utilizar os inúmeros exercícios do Método Pilates. Cada um deles possui sua maneira única de flexibilizar, mobilizar e estabilizar a coluna vertebral. Só lembre-se de adaptá-los para cada tipo de coluna trabalhada.

Conclusão

Não dei uma visão detalhada sobre cada desvio postural porque esse não era o objetivo desse artigo. Mas tenho boas notícias: já falei em detalhes sobre alguns problemas da coluna bastante importantes no blog.

Quer aprender mais sobre os principais desvios posturais? Então vou deixar uma lista de sugestões de leitura abaixo para você continuar estudando.

Bibliografia
https://portalseer.ufba.br/index.php/cmbio/article/view/4150
Lafond D, Normand MC e Gosselin G, Rapport force, Journal of Canadian Chiropractor Association 42 (2), 90-100, 1998.
Vakos JP, Nitz AJ, Threlkeld AJ, Shapiro R e Horn T (1994): atividade eletromiográfica de músculos selecionados do tronco e quadril durante um elevador agachado. Spine 19 (6), 687-695.
Noe DA, Mostardi RA, Jackson, ME, Porterfield JA e Askew MJ (1992): Actividade miioeléctrica e sequenciação de músculos de tronco seleccionados durante levantamento isocinético. Spine 17 (2), 225-229.
Saiba mais sobre a Complexidade da Fibromialgia e do seu Tratamento

Saiba mais sobre a Complexidade da Fibromialgia e do seu Tratamento

A COPCORD (Community Oriented Program for Control of Rheumatic) classifica a fibromialgia como uma doença músculo-esquelética. Sua natureza é generalizada e difusa, com dores migratórias e aumento da sensibilidade a vários estímulos.

Estima-se que a doença afeta 2-4% dos adultos, sendo que as mulheres são mais atingidas pela patologia. Um paciente com fibromialgia possui períodos muito calmos alternados com tempos exacerbados. A dor e o desconforto também são instáveis.

Apesar dos estudos, as causas da fibromialgia ainda não são completamente conhecidas. O imaginado é que a sensibilidade à dor aumenta por causa de alterações nos neurotransmissores e no seu processamento.

Tanto o sistema nervoso periférico quanto o central sofrem alterações, e juntos são responsáveis por gerar hipersensibilidade a estímulos experimentada na fibromialgia.

O stress psicológico (preocupação, ansiedade) favorece este mecanismo, aumentando a tensão que se transmite aos músculos e a dor. Quanto à dor, ela pode ser acompanhada por:

  • Queimações
  • Sensação de Parestesia
  • Tremor
  • Sudação
  • Sensação de Rigidez de Articulações e Músculos

A dor agrava com o frio, com alterações do sono, e em períodos de maior stress, preocupações ou angústia. Encontramos também outros sintomas, como:

  • Alterações do Padrão do Sono
  • Insônia Inicial (Dificuldade em Adormecer)
  • Despertares Noturnos Frequentes (Sono Fragmentado)
  • Sono Não-Reparador – Pois o Indivíduo não consegue atingir a Fase REM do Sono (Fase Reparadora Muscular)
  • Fadiga e Cansaço Matinal
  • Falta de Força de Vontade para Realizar as Tarefas Diárias
  • Cansaço Intenso e Sensação de Esgotamento Físico – Mais ao final de um dia de trabalho ou Exercício Físico Intenso
  • Diminuição da Concentração
  • Déficit de Memória e Distração Fácil

Outras manifestações que podem estar associadas:

  • Intolerância ao Frio e/ou ao Calor
  • Síndrome Cólon Irritável
  • Enxaqueca ou Cefaleia de Tensão
  • Dores Menstruais
  • Disfunção da Articulação Temporomandibular
  • Bexiga Hiperativa
  • Depressão

A fibromialgia está intimamente ligada aos tecidos fibrosos (ligamentos e tendões) tecidos conjuntivos do corpo. A fibromialgia é uma síndrome complexa caracterizada pelo aumento da dor e sintomas sistêmicos.

Como dito anteriormente, se estabeleceu que a fibromialgia está ligada a disfunções do sistema nervoso, sendo o responsável primário, por essa amplificação da via da dor. Assim como os pontos-gatilho miofasciais, a dor também tem origem no tecido conjuntivo.

E, da mesma forma, a fibromialgia não atinge as articulações. Tornando ambas as condições de difícil diagnóstico, entretanto, são condições distintas, e a fibromialgia pode estar relacionada à depressão psicológica. Diferentemente da manifestação dos pontos-gatilho, o que nos faz acreditar que a fibromialgia tenha origem sistêmica.

Em contraste com os pontos-gatilho, que causam um padrão específico e reproduzível de dor referida, os pacientes com fibromialgia relatam uma dor generalizada (embora alguns se refiram a pontos dolorosos localizados), e, que sentem como se os seus músculos estivessem estirados ou que tivessem sido exercitados além do limite.

Algumas vezes os músculos se contraem involuntariamente ou apresentam uma sensação de ardência. Diferentemente do que ocorre com a fibromialgia, os pontos-gatilho podem ser fotografados com êxito utilizando-se a técnica de microscopia eletrônica.

Portanto, na fibromialgia, a dor é mediada pelo sistema nervoso central (SNC) e, nos pontos-gatilho, a dor será mediada de modo local (placa motora), pelo sistema nervoso periférico (SNP).

Diagnóstico da Fibromialgia

Para diagnosticar a fibromialgia utiliza-se da exclusão. Esse processo é caracterizado por falta de alterações nos exames físicos, laboratoriais e de imagem. Utiliza-se também a história clínica, onde o médico deve colocar em evidência entre 12 e 18 pontos dolorosos.

Um diagnóstico eficiente relaciona a dor aos outros sintomas da fibromialgia como alterações no sono, fadiga e instabilidade emocional.

Tenha cuidado para não confundir fibromialgia com síndrome da fadiga crônica, descrita acima. Essa última não apresenta os pontos dolorosos e é muito mais aleatória. Ao tratar a doença procuramos:

  • Aliviar a Dor
  • Diminuir a Ansiedade
  • Obter Melhoras no Sono
  • Recuperar a Qualidade de Vida

Queremos que nosso paciente se torne apto novamente a participar de suas atividades rotineiras, sociais e familiares.

A fibromialgia não deforma as articulações, não compromete órgãos internos, não necessita de intervenções cirúrgicas e não retira um dia de vida ao doente, mas afeta consideravelmente a qualidade de vida do indivíduo.

Histórico e Incidência da Fibromialgia

Em 1972, Smythe descreveu a dor generalizada e a sensibilidade na palpação em pontos específicos. 4 anos mais tarde, o termo fibromialgia foi introduzido para denominar a síndrome da doença.

A etiologia e a patogênese da fibromialgia ainda são desconhecidas. A Síndrome é multifatorial. Considera-se que os seguintes fatores contribuem para o desenvolvimento da síndrome:

  • Mudanças na Atividade Neuronal no Sistema Nervoso Central
  • Metabolismo Anormal de Aminas Biogênicas
  • Distúrbios Imunológicos

As queixas não são características e altamente subjetivas. Isso torna substancialmente difícil diferenciar entre fibromialgia e síndrome de fadiga crônica das doenças psicossomáticas.

O tratamento da fibromialgia é complexo e de longo prazo. Os antidepressivos e psicoterapia são de vital importância. A fibromialgia tornou-se um grave problema social nos países bem desenvolvidos nos últimos anos.

Logo, segue esta revisão da literatura que mostra um aumento significativo nos estudos de prevalência de Fibromialgia no mundo. Os novos critérios do American College of Rheumatology de 2010 ainda não foram amplamente utilizados e a metodologia COPCORD (Programa de Controle de Doenças Reumáticas) tem aumentado a qualidade dos estudos sobre a prevalência das doenças reumáticas em geral.

A literatura mostra valores de prevalência de Fibromialgia na população geral:

  • Entre 0,2 e 6,6%, nas Mulheres
    • Entre 2,4 e 6,8%, nas Áreas Urbanas
    • Entre 0,7 e 11,4%, nas Áreas Rurais
    • Entre 0,1 e 5,2% e Valores Populacionais Especiais entre 0,6 e 15%

Portanto, é de extrema importância os esforços para diagnosticar adequadamente a fibromialgia. Esse é o fator preponderante e mais difícil para implementar um plano de tratamento adequado.

Mapas de Pontos Diagnósticos

Nesta imagem é possível observar os principais pontos de dor da fibromialgia. Para o diagnóstico o indivíduo deverá apresentar dor a pressão em pelo menos onze dos seguintes pontos de forma simétrica:

  1. Ponto Occipital
    Bilateral, nas inserções do músculo sub-occipital.
  2. Ponto Cervical Inferior
    Bilateral, na face anterior dos espaços intertransversários de C5 e C7.
  3. Ponto Trapézio
    Bilateral, no ponto médio do bordo superior do músculo.
  4. Ponto Supra Espinhoso
    Bilateral, na origem do músculo acima da espinha da escápula, junto do bordo interno.
  5. Ponto 2ª Costela
    Bilateral, na junção costo-condral da 2ª costela, para fora da junção e na face superior.
  6. Ponto Epicôndilo
    Bilateral, 2cm aproximadamente externamente ao epicôndilo.
  7. Ponto Glúteo
    Bilateral, no quadrante superior externo da nádega, no folheto anterior do músculo.
  8. Ponto Grande Trocânter
    Bilateral, posterior à proeminência trocantérica.
  9. Ponto Joelho
    Bilateral, acima da interlinha articular.

Tratamento da Fibromialgia

Uma vez diagnosticado, o paciente precisa de uma equipe multidisciplinar para melhorar sua qualidade de vida. Como citado acima, a fibromialgia é uma Síndrome Multifatorial e não tem cura.

Discutiremos adiante como devemos abordar, tratar e melhorar a qualidade de vida desse paciente. Com o tratamento, ele pode progredir e se tornar um aluno de Pilates.

Para tanto, fisioterapeutas e educadores físicos devem estar de mãos dadas para tal finalidade.

No que diz as dores musculoesqueléticas, pesquisas afirmam a melhora significativa do quadro com exercícios físicos. Mas qual seriam os melhores exercícios a serem prescritos?

Sucesso do Tratamento

Usei a palavra “fibromialgia” como critério de busca combinada com atividade física, exercício, fisioterapia e treinamento. Dos 2.531 resultados iniciais encontrados, 33 trabalhos foram selecionados para revisão.

Os estudos analisados concentram-se principalmente em atividades de dança, atividades aquáticas, fitness e alongamento. Após a aplicação do programa de intervenção, o nível de dor foi reduzido entre 10 e 44,2% dos pacientes.

O impacto da doença foi reduzido entre 5,3 e 17,9%, de forma a melhorar os sintomas desses pacientes. Em conclusão, um programa multidisciplinar (no qual a atividade física está incluída) pode ter efeitos positivos sobre a qualidade de vida das pessoas com fibromialgia.

Em outro estudo onde foi avaliado o treinamento de força, sugeriu que o treinamento de resistência moderada e de moderada a alta intensidade melhora em mulheres:

  • Função Multidimensional
  • Dor
  • Humor
  • Força Muscular

O estudo também sugeriu que oito semanas de exercícios aeróbicos foi superior ao treinamento de resistência de intensidade moderada para melhorar a dor em mulheres com fibromialgia.

Eliminar os pontos-gatilho, e de também, fundamental necessidade, nos portadores de fibromialgia.

O que é um Ponto Gatilho?

“Ponto localizado de alta irritabilidade na forma de nódulo em uma área rígida de um músculo estriado esquelético sensível à palpação” (Travell A Simons. 1993).

Estudos e pesquisas realizados em populações de pacientes selecionadas com base em diversas regiões do corpo confirmam uma alta prevalência de dor nos pontos-gatilho.

Em 1957, a Dra. Janet Travell descobriu que os pontos-gatilho “geravam e recebiam” minúsculas correntes elétricas. Ela determinou por meio de experiências que a atividade dos pontos-gatilho poderia ser quantificada com precisão mensurando-se esses sinais com o auxílio de um eletromiograma (EMC).

Ela então continuou demonstrando que os pontos-gatilho poderiam ser localizados com precisão e fidedignidade por meio do mesmo exame. Isso se deve ao fato de que, em estado de repouso, a atividade elétrica dos músculos é “silenciosa”.

Quando uma pequena parte do músculo inicia a contração, no caso da existência de um ponto-gatilho, é gerado um pequeno pico localizado na atividade elétrica. O que, no caso de uma fibromialgia, pode estar começando uma irritabilidade em todo tecido conjuntivo.

O paciente fibromiálgico deve estar ciente dos malefícios da imobilização a que se submete para não desencadear as dores, pode gerar menos oxigenação nos pontos de dor, exacerbando a mesma. Portanto, a prática regular de exercício físico é essencial, uma vez que reduz a intensidade da dor e da fadiga.

Esses são, inclusive, sintomas que os portadores de fibromialgia elegem como mais incapacitantes. Os exercícios também contribuem para:

  • Diminuir a Tensão Muscular
  • Diminuir o Estresse e Ansiedade
  • Facilitar o Sono
  • Favorecer a Coordenação Motora para as Atividades Diárias
  • Promover uma Postura Adequada
  • Ajudar no Controle do Peso – Melhorando assim sua Auto Estima
  • Melhorar a Qualidade de Vida

O programa de exercício deve ser sempre individualizado para cada fibromiálgico. Ele varia dependendo da sua condição física e psicológica. Também devemos levar em consideração suas principais habilidades e preferências por atividades físicas específicas.

Como o paciente nunca poderá deixar de praticá-las, deve ser feito com um mínimo de prazer.

Os exercícios, no início, devem ser leves, com pouca carga, progressivos e em pequena quantidade, mas fielmente realizados diariamente. A progressão deve obedecer a uma sequência programada.

Os movimentos não devem ser extenuantes. Deve-se alertar o doente que pode sentir um agravamento da intensidade das suas dores em curtos períodos. Os primeiros dois meses de atividade são os mais críticos, mas as dores regridem.

Como já dito anteriormente, o ciclo de dor musculoesquelética gerada por imobilidade, só poderá ser quebrado se exercitando. Isso deve estar bem claro, caso contrário será um forte fator desmotivador para nosso paciente.

Sugiro que o programa de exercícios físicos seja feito, em conjunto, pelo fisioterapeuta e pelo educador físico.

Correção Postural do Aluno

Antes do início da prática de exercícios, o então paciente deve ser bem avaliado. Suas compensações mecânicas geradas para a criação de uma postura antálgica devem ser eliminadas através de:

  • Terapia Manual
  • Fisioterapia Clássica

O fisioterapeuta pode aplicar qualquer técnica para atingir esse alinhamento corporal. Quanto menos alterações posturais nosso paciente fibromiálgico tiver, menos chance de dores mecânicas se sobreporem a seu quadro.

Logo, é nesta fase que eliminamos as dores mecânicas que com certeza já estarão presentes nesse corpo já tão sofrido. Esta fase, já deve ser realizada junto ao início dos exercícios físicos de fortalecimento, conforme já visto de quantidade moderada e com pouca carga através do:

  • Pilates
  • Treinamento Funcional
  • Musculação

Início da Atividade Física

Quem deve escolher sua modalidade predileta de atividade física é o paciente. Lembrem-se que deve ser feito através de uma reeducação de hábitos, portanto obrigatoriamente deve ser uma atividade que o agrade.

Esses exercícios podem começar a serem feitos 3x por semana, em sessões de treinos que sejam inicialmente:

  • Mais Curtas
  • Com Poucas Repetições

Não queremos fadigar grupos musculares específicos. Portanto, não podemos trabalhar em uma única aula somente força de núcleo, ou por exemplo, membros inferiores. Em todas as aulas o trabalho deve ser do corpo como um todo, sem sobrecarga de nenhum grupo muscular.

Uma boa alternativa para começarmos a despertar esse corpo da inatividade seria o trabalho de mobilidade articular.

Também sugiro que nessa fase inicial sua aula dure meia hora e usemos a meia hora restante para alivio das dores mecânicas. Esse alívio é para dores mecânicas geradas durante a prática da atividade física. Só faremos isso no caso especial da fibromialgia.

Seria mais ou menos, meia hora de Pilates e meia hora de fisioterapia. O que propus nada tem a ver com o famoso relaxamento feito em nosso país ao final das aulas de Pilates. Todos sabem que sou contra essa prática.

Este é um aluno com uma patologia específica, e que, portanto, precisa de um trabalho mais delicado e minucioso. Desta forma, meia hora de Pilates e meia hora de fisioterapia (não relaxamento) estaria bem indicado para o caso. Pelo menos esse é o caso a princípio.

Nessa fase, o paciente também deve começar suas atividades aeróbicas.

Vimos no estudo citado anteriormente que o aeróbico será o que mais lhe traz benefícios. No início ele pode tornar-se extremamente extenuante, e por vezes aumentar a dor. O paciente precisa de muita disciplina para perseverar e melhorar.

Esse exercício aeróbico deve ser iniciado, no mínimo três vezes por semana. A modalidade também deve ser eleita pelo paciente. Alguns exemplos são:

  • Caminhada
  • Natação
  • Bicicleta
  • Outras Atividades que lhe agradem

Observem que nesse momento, nosso paciente terá 6 sessões semanais de treino, com somente um dia de descanso semanal.

Importância do Educador Físico

Será de vital importância a presença do educador físico. Ele também realizará sua avaliação específica, traçando suas metas, objetivos e condutas, e principalmente, regulando a intensidade do treino. Tudo isso é feito com base na avaliação, de forma a não extenuar o doente.

Não devemos esquecer, que neste momento o objetivo é propositarmos a quebra do quadro álgico. Queremos impedir que o aluno desista do programa geral de recuperação.

Esses treinos de Pilates-fisioterapia poderão ser redimensionados conforme a dor de nosso paciente. O importante é nunca permitir que ele vá embora de nosso serviço sem um trabalho de força ou mobilidade (qualquer trabalho de movimento ativo). O trabalho deve ter no mínimo 20 minutos.

A cada nova semana, tentaremos em nosso programa de reabilitação inverter essa matemática, da seguinte maneira:

  • O que era mais Fisioterapia virará mais Pilates, caso seja essa modalidade eleita por nosso paciente

Fique preparado para recaídas! Encontraremos várias delas no percurso. Mas ao final de oito semanas, nosso paciente estará muito próximo de se tornar um aluno de Pilates.

O educador físico e o fisioterapeuta discutirão a cada semana, ou até mesmo a cada novo dia, quais são os parâmetros de cansaço e motivação do doente em questão. Nesse caso o fisioterapeuta ouvirá e seguirá as orientações do educador físico.

O educador físico é, afinal, o melhor profissional para traçar metas de condicionamento físico. Como por exemplo:

  • Intensidade de Treino
  • Recuperação Muscular
  • Outras Questões Fisiológicas

E lembre-se, a atividade aeróbica é a mais importante no alívio da dor. Durante esse período do treinamento o objetivo é o condicionamento aeróbico do paciente ou aluno, aumentando a sua resistência. Com um condicionamento melhor, o fibromiálgico terá melhora em:

  • Circulação
  • Sono
  • Estresse
  • Capacidade de Oxigenação

Função Essencial dos Intestinos

O intestino do fibromiálgico funcionar bem é de vital importância para a melhora do quadro e explicarei o porquê. Do bom funcionamento intestinal depende a saúde de nosso cérebro. Parece loucura, mas o intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões e perde apenas para o cérebro em número de neurônios.

O intestino fabrica mais serotonina que o cérebro. Isso é real e científico, precisamente 95% da serotonina é fabricada e armazenada no intestino.

A serotonina é um neurotransmissor, uma substância química fabricada pelos neurônios. Ela possui papel vital na transmissão e processamento das informações e estímulos sensoriais através dos neurônios.

O equilíbrio da serotonina determina, o fundo emocional de nossos pensamentos. Logo, diante de um mesmo pensamento, se a serotonina estiver em equilíbrio, ele pode ser interpretado como alegre, triste, engraçada, neutra, relaxante ou assustador.

O intestino também fabrica e utiliza mais de 30 neurotransmissores. Essas são substâncias envolvidas na transmissão e processamento das informações pelos neurônios. Informações essas do intestino e do cérebro.

Todos esses neurônios e neurotransmissores são necessários para uma boa digestão. O processo de digestão envolve, entre outras coisas, o monitoramento da:

E todo esse processo é efetuado sem a ajuda do cérebro.

Ao mesmo tempo, esses mesmos neurônios e neurotransmissores, em conjunto com os do cérebro, fazem parte da rede neural responsável pela conexão entre o bem-estar emocional e o bem-estar físico. Ou vice-versa.

Sugiro a vocês profissionais do movimento a leitura do livro Intestino nosso segundo Cérebro, para que consigamos entender a importância real do bom funcionamento da nossa eliminação de dejetos para o controle das dores musculoesqueléticas.

Caso nosso doente fibromiálgico possua um mau funcionamento intestinal, deveremos incluir em seu tratamento um profissional que será de extrema importância para a melhora do quadro geral: o nutricionista. Ele será o responsável pelo reequilíbrio da flora intestinal possibilitando assim, a produção dos tão importantes neurotransmissores.

Conclusão

Percebam a complexidade da fibromialgia e a necessidade de uma equipe multidisciplinar que se converse durante todo processo de reabilitação do doente.

E também da necessidade do doente entender essa complexidade e estar disposto a se submeter a mudanças de hábitos que podem alterar toda sua rotina.

Por fim, a nossa importância como profissionais do movimento para a melhora da qualidade de vida do indivíduo portador de fibromialgia.

 

Bibliografia
Você sabe a Importância da Biomecânica da Vértebra?

Você sabe a Importância da Biomecânica da Vértebra?

A coluna vertebral é constituída da vértebra, que são pequenos segmentos. Cada um deles é formado por um anel oco posteriormente, que é o arco neural ou vertebral, além de processos ósseos. O suporte do peso da coluna é realizado pelo corpo vertebral.

Essa porção é mais volumosa e é feita de tecido esponjoso e também uma camada de osso compacto. A região anterior da vértebra possui um segmento cilíndrico irregular e suas faces superiores e inferiores são aplanadas. Elas também têm um contorno saliente que auxilia na implantação do disco intervertebral.

A face anterior da vértebra é limitada pelos lábios superiores e inferiores. Eles também fornecem inserção para o ligamento longitudinal anterior. A face posterior é uma estrutura côncava no sentido transverso com um orifício que limita o forame vertebral. Ela é utilizada para fixar o ligamento longitudinal posterior.

Por último, a face posterior é côncava no sentido transverso. Também tem orifício para limitar o forame vertebral e fixa o ligamento longitudinal posterior. Outra estrutura da vértebra é o arco vertebral, que possui:

  • 2 Pedículos
  • 4 Processos Articulares
  • 2 Processos Transversos
  • 1 Processo Espinhoso

Como funcionam as Unidades Funcionais?

A vértebra em si possui pouca mobilidade.

Além dela existem as unidades funcionais, que é o conjunto de duas vértebras separadas pelo disco intervertebral. O disco é responsável por suportar o peso da coluna e do corpo. É graças a ele que a estrutura vertebral pode realizar movimentos de inclinação, rotação e balanceio.

O tecido contido dentro da coluna vertebral é sensível. Quando ocorrem lesões, estresse ou irritação ele gera dor no paciente. Imagino que você já sabe como dores na coluna são um caso comum nos Studios de Pilates e consultórios de fisioterapia.

As vértebras que formam a unidade funcional são separadas por um disco intervertebral. Essas são articulações do tipo sínfise, que possuem discos fibrocartilaginosos intercalando. Eles são projetados para suportar peso e resistência que ocorrem com o movimento.

São os discos intervertebrais que absorvem os choques que o corpo realiza.

Quando o tronco está ereto são as diferenças de espessura das partes anterior e posterior do disco que geram as curvaturas fisiológicas da coluna. Portanto, é graças a seu bom funcionamento que existem a curvatura lombar, torácica e cervical.

A composição do disco intervertebral é:

  1. Uma parte fibrosa externa – composta de lamelas concêntricas de fibrocartilagem, denominada de anel fibroso.
  2. Uma massa central e gelatinosa – o núcleo pulposo.

O anel fibroso é uma estrutura composta por ao redor de 90 faixas de tecido de colágeno que são ligadas entre si. Essas fibras do anel são dispostas em camadas, elas aparecem de maneira parecida ao que existe numa cebola. As camadas envolvem o núcleo do disco intervertebral.

Quando observadas lateralmente, as fibras estão dispostas fazendo com que a primeira camada vá em direção oblíqua da vértebra. Na mesma vista, a segunda camada vai de uma vértebra a outra em direção oposta. Assim, as camadas se cruzam e entrelaçam para fortalecer o anel do disco e permitir o movimento em qualquer direção.

Quase todo o núcleo do disco intervertebral é composto de 90% de água, pelo menos enquanto ele ainda é jovem e saudável. Todo o resto é feito de colágeno e proteoglicanos, que são materiais especializados para atrair água quimicamente.

Observando o aspecto mecânico do anel fibroso percebe-se que ele atua como uma mola em espiral. Sua tensão mantém os corpos vertebrais unidos contra a resistência do núcleo pulposo. O núcleo pulposo possui uma função diferente, servindo como um gel incompressível.

Diferentes Tipos de Vértebra

A estrutura que observamos até agora é conhecida como vértebra padrão. Ela sofre alterações de acordo com o segmento da coluna no qual está localizada para se adaptarem melhor a suas funções.

A coluna cervical e lombar, por exemplo, possuem mais mobilidade. Suas vértebras são adaptadas para isso. Para entender como essas alterações funcionam é preciso falar de cada segmento da coluna vertebral.

Coluna Cervical

Já sabemos que o corpo vertebral normalmente possui uma forma cilíndrica com todas as estruturas que mencionei anteriormente.

A região cervical é um pouco diferente e possui uma forma retangular. Suas extremidades laterais se prolongam para cima e formam um unco, as formas inferiores são incisadas para conseguirem um ajuste articular perfeito.

A forma das vértebras cervicais é responsável por fornecer estabilidade para a região. Isso é importante já que a região cervical possui naturalmente mais mobilidade. Os processos espinhosos da vértebra são maiores na parte inferior da coluna cervical.

Essa alteração limita os movimentos de extensão do pescoço. A C7 possui o maior processo espinhoso da coluna cervical.

Existem duas vértebras atípicas que são responsáveis pela mobilidade da coluna cervical. Elas são o atlas e o áxis da cervical. Elas não possuem disco intervertebral, produzem movimentos de:

  • Rotação
  • Flexo-Extensão
  • Lateralização

Isso é comprovado pela possibilidade de flexionar a cabeça em 35º sem precisar da participação do pescoço. Em pacientes que realizam cirurgias cervicais os estabilizadores são retirados, inserindo hastes em algumas vértebras. Por isso a amplitude de movimento total fica prejudicada, mas ainda é possível fazer movimentos.

Os discos que estão localizados entre C2 e C7 são responsáveis pelos movimentos de flexo-extensão e lateralização, também podem realizar um pouco de rotação.

Coluna Torácica

Apesar de poder realizar todos os movimentos, a coluna torácica possui menor amplitude de movimento e mobilidade.

Isso acontece por causa da conexão com a caixa torácica, que é diminuída entre TI e TVII. É nessa região que encontra-se a fixação com escápulas e costelas. As estruturas formam um arco costal junto ao esterno, que está localizado anteriormente.

A mobilidade é maior entre TXI e TXII porque não existe conexão com o esterno.

Coluna Lombar

As vértebras lombares possuem corpos vertebrais um pouco maiores. O tamanho é necessário para possibilitar maior suporte para a carga axial de toda a coluna. Seus movimentos incluem a flexo-extensão, inclinação e um pouco de rotação.

Mas a mobilidade para rotação é bastante diminuída. Esses movimentos são essenciais para a anatomia e biomecânica da coluna vertebral.

A transição entre TXII e L1 também possui essa rotação. Tome cuidado com movimentos de rotação nessas regiões para seus alunos. Eles podem ser realizados, mas precisamos nos certificar de que as cadeias musculares estão completamente livres.

Conclusão

A coluna vertebral é composta por estruturas chamadas de vértebras que possuem a função de garantir mobilidade, estabilidade e proteção. Entre elas encontramos os discos intervertebrais, que absorvem o impacto gerado pelo movimento.

Quando existem compensações nas cadeias musculares, essas são as primeiras estruturas a sofrer com isso.

Compreender perfeitamente a biomecânica da coluna vertebral é parte do trabalho de qualquer profissional do movimento. Quer continuar aprendendo? Confira meu artigo completo sobre a biomecânica da coluna vertebral.

 

Bibliografia
● Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
● Kapandji
● Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)
● Cadeias Musculares do Tronco Janaina Cintas
● LIZIER, D. T.; PEREZ, M. V.; SAKATA, R. K. Ejercicios para el Tratamiento de la Lumbalgia Inespecífica. Rev. Bras Anestesiol, v. 62, n. 6, nov./dez. 2012. MACHADO, G. F.; BIGOLIN, S. E. Estudo comparativo de casos entre a mobilização neural e um programa de alongamento muscular em lombálgicos crônicos. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 23, n. 4, p. 545-554, out./dez. 2010.
● MOREIRA, M. R. et al. Estudo da estabilização lombar através da utilização stabilizer como instrumento de biofeedback de treinamento muscular. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 9; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE PÓS-GRADUAÇÃO, 5., 2011. Paraíba. Anais eletrônicos… Paraíba, 2011.
Como a Hipopressiva ajuda Pacientes com Constipação Intestinal

Como a Hipopressiva ajuda Pacientes com Constipação Intestinal

Logo que você leu o título desse artigo deve ter pensado: “Eu não trabalho com o sistema gastrointestinal, o que a constipação intestinal tem a ver com minha área?” Para ser sincera, tem tudo a ver.

Antes de falar exatamente da relação da constipação intestinal com o movimento e, mais especificamente, com a hipopressiva, precisamos entender mais sobre o problema.

A constipação atinge cerca de 35 milhões de pessoas só no Brasil. No mundo todo estima-se que de 15% a 35% da população sofra com o problema. Ou seja, existem grandes probabilidades que um dos seus pacientes está nessas estatísticas. E se não está, eventualmente pode ser afetado pela condição.

O que é Constipação Intestinal? (e porque você precisa saber disso)

Existem diversos motivos que levam ao desenvolvimento da constipação intestinal. Eles incluem:

  • Fatores Psicológicos
  • Aspectos Nutricionais e da Dieta
  • Doenças Gastrointestinais como Síndrome do Intestino Irritável
  • Problemas do Assoalho Pélvico

Viu o assoalho pélvico na lista? Logo voltaremos à ele, agora o nosso foco é na constipação intestinal em si.

Esse problema é caracterizado por uma dificuldade nos movimentos intestinais. Isso gera uma série de sintomas e muito desconforto para o paciente que vão bem além daqueles expressados pelo intestino.

O indivíduo constipado tem dificuldade na excreção das fezes, sente dores abdominais e inchaço na região. Além disso, a constipação intestinal prejudica as funções hormonais do intestino, como você verá a seguir.

Outras Funções do Intestino

Apesar de ser conhecido pela função de excretar as fezes, o intestino está muito relacionado com as emoções. Ele é rico em neurônios e possui cerca de 100 milhões deles. Para você entender sua importância, a única região com mais neurônios no corpo é o próprio cérebro.

Cerca de 98% da serotonina é produzida e armazenada no intestino além de mais outros 30 neurotransmissores. Essas substâncias são produzidas nos neurônios e são responsáveis por transmitir informações.

A serotonina é essencial e, como vimos, está muito relacionada ao intestino. É ela que produz a sensação de felicidade. Portanto, ela controla ou influencia sentimentos como:

  • Depressão
  • Felicidade
  • Ansiedade
  • Tranquilidade
  • Agressividade
  • Raiva
  • Irritabilidade

Ela também auxilia no controle da dor. É por isso que existem tantos medicamentos para sua reposição. Eles são usados para tratar variadas doenças relacionadas à dor crônica. Até boa parte dos antidepressivos usados atualmente possuem serotonina na fórmula.

Agora imagine o impacto que o mau funcionamento do intestino, mais especificamente a constipação intestinal, tem no indivíduo e suas emoções. Pesquisas já comprovaram essa relação. Na verdade, o termo enfezado que é usado para falar de alguém mal humorado está relacionado a isso.

Boa parte dos indivíduos com mau funcionamento do intestino sofre de problemas emocionais. Além disso, a eliminação pouco eficiente das fezes levam a um aumento da pressão intra-abdominal (PIA) e todas suas consequências.

Exercício Físico é Essencial para os Intestinos

Uma das melhores maneiras de prevenir a constipação intestinal e outros problemas dos intestinos é praticar exercícios físicos. Parece que eles nada têm a ver? Então você está bastante enganado. Só preste atenção: esses exercícios não devem aumentar a PIA.

Muitas vezes a contração errônea do Power House tem o efeito contrário do desejado. Ele pode ajudar a aumentar a pressão intra-abdominal, perdendo todos os benefícios da prática do Pilates e outras atividades físicas.

Quando a PIA está aumentada a área do saco visceral é diminuída e tensão no transverso do abdômen aumenta. A hipopressiva auxilia a prevenir esse aumento patológico de pressões intracavitárias. Além disso, ela se mostra como uma aliada eficiente no tratamento da constipação intestinal.

Hipopressiva no Tratamento de Constipação Intestinal

As posturas sistêmicas utilizadas no método abdominal hipopressivo são ótimas para nossos alunos constipados. Ela leva a uma ativação de diversos grupos musculares, incluindo antagonistas do diafragma.

Além disso, sua prática diminui a pressão abdominal, que está relacionada ao mau funcionamento do intestino.

Precisamos lembrar que a hipopressiva é um método eficiente não só para tonificação, mas também reeducação de musculaturas do assoalho pélvico.

Como vimos no início desse texto, disfunções do mesmo são importantes origens de constipação. Em pacientes com pouco controle muscular sobre o assoalho pélvico, a hipopressiva ajuda a tratar problemas como a constipação. Ela também deve ser realizada como método preventivo tanto para problemas intestinais como outros, que incluem a incontinência urinária de esforço.

O aumento da PIA consequente da constipação vem principalmente da ação evacuatória do indivíduo. Uma pessoa com dificuldade para excretar as fezes contrai o diafragma para fazer força, comprime as vísceras e gera um aumento da PIA. Ao invés de ajudar no caso, isso só prejudica os movimentos intestinais.

Para ajudar nosso paciente precisamos aliviar essa pressão sobre as vísceras através da diminuição da PIA. O método hipopressivo é uma ótima opção. Também podemos utilizá-lo ao fim da aula para evitar as consequências de contrair o Power House de maneira errada.

Conclusão

A constipação intestinal é um problema comum que está relacionado a dificuldades do sistema gastrointestinal e até emocionais. Precisamos sempre lembrar que o intestino é o nosso segundo cérebro. Ele é rico em neurônios e realiza a produção de neurotransmissores importantes, como a serotonina.

Por isso, devemos sempre encontrar maneiras de trabalhar o corpo do paciente sem prejudicar o funcionamento dos intestinos. Isso significa evitar um aumento da pressão intra-abdominal. A hipopressiva é ideal tanto para a prevenção como tratamento de pacientes constipados.

Também é importante lembrar que somente as alterações na prática de atividade física não são o suficiente para solucionar o caso. O paciente que quer realmente se “curar” das dificuldades do intestino precisa realizar mudanças de hábitos de vida. Portanto, ele também deve buscar o acompanhamento de um profissional da nutrição.

Aliando os aspectos nutricionais e esportivos da sua rotina, é possível encontrar um melhor estado de bem-estar. Mesmo profissionais que não estão trabalhando com pacientes constipados, podem utilizar a hipopressiva como meio de prevenção.

Ela nos ajuda a impedir que o aumento acidental da PIA numa aula de Pilates, por exemplo, evitando que passe do estágio acidental para o crônico levando assim ao prejuízo a saúde dos intestinos de nosso aluno.

 

Bibliografia
Tudo o que você precisa saber sobre a Espondilite Anquilosante

Tudo o que você precisa saber sobre a Espondilite Anquilosante

A espondilite anquilosante é um tipo de inflamação que afeta os tecidos conjuntivos, caracterizando-se pela inflamação das articulações da coluna e das grandes articulações, como quadris, ombros e outras regiões.

Embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas – inflamação e dor – estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

A Espondilite Anquilosante foi provavelmente reconhecida inicialmente como uma doença diferente da artrite reumatoide e foi reconhecida por Galeno no segundo século (d.C.).

Evidências sobre Espondilite Anquilosante

De qualquer forma, evidências esqueléticas da doença, ossificação das articulações, êntesis, envolvendo primariamente o esqueleto axial, conhecido como coluna em bambu, foram vistas no esqueleto de um homem, com mais de 5000 anos encontrado em escavações arqueológicas egípcias.

O anatomista e cirurgião Realdo Colombo descreveu o que pode ter sido um caso de espondilite anquilosante em 1559, mas a primeira descrição de alterações patológicas do esqueleto, provavelmente associada a espondilite anquilosante, foi publicada em 1691, por Bernard Connor.

Em 1818, Benjamin Brodie se tornou o primeiro médico a documentar um paciente com espondilite anquilosante associada à uveíte.

Em 1858, David Tucker publicou um publicou um pequeno livro, que descrevia um paciente de nome Leonard Trask, sofrendo de dor lombar e deformidade, o qual parece ter sido a primeira publicação de um caso típico de espondilite anquilosante.

Em 1833, Trask caiu de um cavalo e exacerbou sua condição clinica dolorosa, resultando em severa deformidade.

Em 1893, o neurofisiologista Wladimir Bechterev, Adolph Strumpell na Alemanha em 1897 e Pierre Marie da França em 1898, foram os primeiros a fornecerem adequadas descrições clinicas. Essas permitiram uma melhor acurácia de diagnóstico de EA, antes que as deformidades da coluna pudessem ser evidentes nos pacientes.

Por esta razão a EA é conhecida também como doença de Bechterew, ou doença de Marie-Strumpel.

A ligação da Espondilite Anquilosante com o antígeno HLA – B27, foi descrita em 1973, por Brewerton, e o termo espondilartrites foi estabelecida em 1974, por Moll e Wright, dois pesquisadores ingleses. Atualmente o termo espondilartropatias foi substituído de forma mais adequada por espondilastrites.

Exemplo de Radiografia de Paciente com Espondilite Anquilosante

  • Homem
  • 36 anos
  • Branco
  • Auxiliar de Serviços Gerais

HMA: AGO/11 – Há 5 anos, dor lombar de ritmo inflamatório, evolução ascendente.

História Familiar: Negativa

HLA: B27 Positivo

BASDAI = 3,8

ASDAS – VHS 2,3

ASDAS – PCR 3,2

O que causa a Espondilite Anquilosante?

A causa da Espondilite Anquilosante é desconhecida.

Os especialistas sabem que a doença é cerca de 300 vezes mais frequente em pessoas que herdam um determinado grupo sanguíneo dos glóbulos brancos, quando comparadas com aquelas que não possuem esse marcador genético, denominado HLA-B27.

Cerca de 90% dos pacientes brancos com espondilite anquilosante são HLA-B27 positivos.

A teoria mais aceita é a de que a doença possa ser desencadeada por uma infecção intestinal naquelas pessoas geneticamente predispostas a desenvolvê-las, ou seja, portadoras do HLA-B27. A espondilite anquilosante não é transmitida por contágio ou por transfusão sanguínea.

Ela tende a ocorrer em famílias, afeta 3x mais os homens do que as mulheres e surge normalmente entre os 20 e 40 anos. Cerca de 20% dos indivíduos com HLA-B27 terão espondilite anquilosante, embora a maioria nunca será diagnosticada como tendo a doença, pois ela se apresentará de forma branda.

Como o HLA-B27 está presente em 7% a 10% da população, pouco mais de um em cem indivíduos apresentará a doença.

A manifestação inicial é dor lombar, que persiste por mais de três meses (normalmente abranda com o movimento, e aumenta com o repouso). Esta dor pode irradiar para as pernas e estar associada a uma rigidez matinal, assim como pode desaparecer espontaneamente e voltar depois de algum tempo.

Outros sintomas são o comprometimento progressivo da mobilidade da coluna (perda de mobilidade\rigidez da articulação), da expansão dos pulmões e aumento da curvatura da coluna na região dorsal.

Com a evolução da doença, a tendência é a dor tornar-se mais intensa, especialmente à noite. Apesar da evolução ser variável, muitas vezes origina, para além das dores, deformidades fixas e irreversíveis da coluna vertebral e das articulações coxofemorais, causando incapacidade funcional grave e limitativa precocemente.

O diagnóstico leva em conta os sinais e sintomas, os resultados de exames laboratoriais de sangue e os achados radiográficos nas articulações da região sacro-ilíaca.

O diagnóstico precoce é de extrema importância para evitar a progressão da doença e suas complicações, e para tal existem métodos complementares que auxiliam no diagnóstico:

  • Hemograma
  • VS
  • PCR
  • ANA
  • Fatores Reumatóides (HLA-B27)
  • RX
  • IG’s
  • Entre Outros

Além da dor, a espondilite às vezes vem acompanhada de outros sintomas. A pessoa pode ter inflamações em outros lugares, como nos olhos, que ficam constantemente vermelhos, uma situação chamada de uveíte, ou manifestar a colite, quando há alterações no intestino que provocam diarreia, constipação e flatulências.

Outra manifestação que frequentemente anda junto com essa enfermidade é a psoríase, um problema de pele por trás de placas que descascam e coçam. Se esses indícios se acumulam, um reumatologista, que é o médico mais indicado para tratar a espondilite anquilosante.

Manifestações da Espondilite Anquilosante

Outras Articulações

Inflamação das articulações dos quadris, ombros, joelhos e tornozelos são as partes afetadas com maior frequência. O efeito nessas articulações é similar àquele na coluna. Pode haver um período de dor, talvez até com a ocorrência de algum inchaço, porém o tratamento alivia os sintomas.

Ossos

Algumas vezes, ocorrem locais sensíveis ou dolorosos em ossos que não fazem parte da coluna, como o osso do calcanhar, tornando- -se desconfortável ficar em pé em chão duro, e o osso ísquio, tornando o quadril rígido muito desagradável.

Olhos

Uveíte ou irite – inflamação da região colorida do olho (íris) ocorre em um a cada sete pacientes.

Os pacientes apresentam olhos avermelhados e doloridos, o que deve ser reportado ao médico o mais rapidamente possível, pois pode ocorrer um dano permanente. Se não houver um médico à disposição, deve-se ir diretamente para um hospital que possua um pronto socorro ou um departamento de oftalmologia.

Coração, Pulmão e Sistema Nervoso Central

São complicações raras, afetando menos de um entre 100 pacientes.

A inflamação pode afetar as válvulas do coração, as articulações ou os discos entre as vértebras, podendo assim comprimir um nervo ou a medula óssea, causando dormências, fraqueza muscular ou dores.

O pulmão raramente é diretamente afetado por uma fibrose na sua parte superior. Ele pode ser indiretamente comprometido pela diminuição da expansibilidade da caixa torácica causada pela espondilite anquilosante. Portanto, o paciente espondilítico nunca deverá fumar.

Pele

Psoríase, uma condição inflamatória comum da pele, caracterizada por episódios frequentes de vermelhidão, coceira e presença de escamas prateadas, secas e espessas, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

Intestino

A colite, ou inflamação do intestino, pode estar associada à espondilite anquilosante em alguns pacientes.

Para a confirmação diagnóstica da EA, os critérios mais utilizados são os que combinam critérios clínicos e radiográficos. Assim, para o diagnóstico de EA é necessária a presença de um critério clínico e um critério radiográfico.

Os critérios clínicos são:

  1. Dor lombar de mais de três meses de duração que melhora com o exercício e não é aliviada pelo repouso;
  2. Limitação da coluna lombar nos planos frontal e sagital;
  3. Expansibilidade torácica diminuída (corrigida para idade e sexo).

Os critérios radiográficos são:

  1. Sacroiliíte bilateral, grau 2, 3 ou 4;
  2. Sacroiliíte unilateral, grau 3 ou 4.

Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia (2012), embora não exista cura para a doença, o tratamento precoce e adequado consegue tratar os sintomas (inflamação e dor), estacionar a progressão da doença, manter a mobilidade das articulações acometidas e manter uma postura ereta.

Os pacientes com espondilite anquilosante costumam relatar problemas de dor, rigidez, fadiga, perda de movimentos e função, sintomas esses, que são tratados usualmente pela fisioterapia, que dispões de vários recursos para isso.

Novo Medicamento apresentado em Congresso Europeu

No EULAR Congresso Europeu de Reumatologia 2018 (Holanda), foi apresentado o Bimekizumabe mostrando melhorias clínicas de 12 semanas em estudos com espondilite anquilosante

Espondilite Novo Medicamento apresentado em Congresso Europeu

A dupla neutralização da interleucina (IL) -17A e IL-17F pelo anticorpo monoclonal humanizado bimekizumab forneceu melhorias clinicamente significativas nas medidas de desfecho da doença entre pacientes com espondilite anquilosante ativa (EA), de acordo com dados apresentados na Liga Europeia contra o Reumatismo (EULAR). Congresso realizado em Amsterdã, de 13 a 16 de junho de 2018.

Conclusão

Na fisioterapia buscamos a todo momento a mobilidade, pois sua perda pode ser uma das causas de dor.

Mobilizaremos e exercitaremos todas as articulações acometidas em todos planos, sentidos e direções e não permitimos a perda da mobilidade. Porém, como vimos é uma doença progressiva, e o nosso paciente perderá a mobilidade.

Nossa função com o movimento será somente de retardar essa perda, não podemos em momento nenhum, forçar essa mobilidade. A todo momento o limite do paciente deve ser respeitado, sob o risco de gerarmos uma fissura ou ate uma fratura óssea.

Mova-o, porém sem forçar, respeite seus limites e entenda que a perda, de qualquer forma ocorrerá!

 

Referências
1 – Up-regulation of fatty acid oxidation in the ligament as a contributing factor of ankylosing spondylitis: A comparative proteomic study
Wei-Dong Xub;  Xin-Yu Yangc;  Da-He Lib,; Kai-Di Zhenga;  Peng-Cheng Qiua;  Wei Zhanga; , Chun-Yang Lia;  Kang-Fu Leia;  Guo-Quan Yane;  Sheng-Wei Jind;  Jian-Guang Wanga
http://dx.doi.org/10.1016/j.jprot.2014.09.014 1874-3919/© 2014 Elsevier B.V. All rights reserved
2 – https://www.reumatologia.org.br
3 – Búsqueda de nuevas dianas terapéuticas en psoriasis. Papel de la terapia biológica
Morón Romero, Rocío; Olivares Castiñeira, Ivette; Ventura Royo, Carles;
Universitat Oberta de Catalunya; 10-gen-2018; Universitat Oberta de Catalunya
4 – TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM ESPONDILITE ANQUILOSANTE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA; v. 12, n. 29, out./dez. 2015 ISSN 2318-2083