Imperdível: Semana MIT está chegando!

Imperdível: Semana MIT está chegando!

Sempre falo que precisamos estudar para nos aperfeiçoarmos em nossa área e isso é verdade. Sem conhecimento dificilmente conseguiremos dar ao aluno as soluções mais eficientes que ele realmente precisa. Por isso, hoje venho fazer uma recomendação especial: a Semana MIT está chegando!

No dia 5 de novembro começa a Semana MIT, composta por 3 aulas que são completamente online e gratuitas. Tudo isso é organizado por meu grande colega Keyner Luiz. Se vocês ainda não o conhecem, recomendo dar uma olhadinha no blog, onde encontrarão muitos conteúdos interessantes.

Quem trabalha com Pilates ou Treinamento Funcional não pode perder essa oportunidade. Está na hora de se aperfeiçoar e aprender muito sem precisar sair de casa. As aulas ainda são gratuitas!

Falta pouco para o evento começar, então corre para fazer a inscrição no site oficial da Semana MIT 2018.

Todos que participarem do evento terão aulas 100% onlines, ao vivo e gratuitas que ainda te trazem um certificado de participação. Vou explicar um pouquinho mais sobre a Semana MIT para te convencer de vez a se inscrever.

O que é a Semana MIT – Movimento Inteligente?

Durante o evento você receberá uma explicação detalhada da Metodologia do Movimento Inteligente (MIT). Ela foi criada por Keyner Luiz após anos de prática na área do movimento e pesquisa, tentando resolver alguns dos principais problemas de profissionais da área.

As 3 aulas ao vivo terão como tema algumas dessas dificuldades, então vale muito a pena assistir e aprender mais. As aulas serão sobre:

  • Aula 1: Hérnia de Disco Lombar: Avaliação e Tratamento no Pilates e Funcional
  • Aula 2: Escoliose: utilizando o TF para trabalhar clientes com escoliose
  • Aula 3: Criação de Aulas e Sessões Dinâmicas aliando Pilates e Treinamento Funcional

Todas essas aulas foram preparadas especialmente para profissionais de Fisioterapia e Educação Física. Portanto se você atua na área ou está estudando para isso, aproveite! Durante esses 3 dias você conseguirá se tornar um profissional ainda mais capacitado para conseguir resultados com seus pacientes. ​

Durante cada uma delas você aprenderá mais sobre avaliação, repertório de exercício e evolução de alunos para proporcionar um tratamento mais eficiente. O Keyner ainda ensina sobre planejamento de aulas para ajudar profissionais que desejam criar sessões eficientes e com excelentes resultados. Tudo isso é baseado na metodologia MIT, sobre a qual você também vai aprender mais durante essas 3 aulas online e grátis.

Como faço para me inscrever?

Basicamente, a Semana MIT é uma oportunidade única que você tem para aprender e se aperfeiçoar no tratamento dos seus pacientes. Por isso, vale muito a pena se inscrever o quanto antes nesses 3 webinários gratuitos dados por um grande profissional que tem muito conhecimento a passar. Essa semana foi preparada especialmente para você que deseja aprender e crescer na sua profissão!

Falta pouco para começar as aulas. Elas acontecerão nos ais 5, 6 e 7 de novembro, às 22h. Gostou? Então inscreva-se! Para isso basta acessar o site oficial do evento e deixar seus dados. Depois é só esperar chegar a data certa para acessar cada uma das aulas.

Eu já decidi participar e acho que ninguém deveria perder. Inscreva-se já!

O que é Princípio da Estabilidade do Núcleo e como usar em Aula

O que é Princípio da Estabilidade do Núcleo e como usar em Aula

O que é princípio da estabilidade do núcleo?

Paul Hodges e Richardson foram os pioneiros no desenvolvimento do princípio da estabilidade do núcleo. Foram suas pesquisas que conseguiram demonstrar uma mudança no tempo inicial de contração de músculos do tronco em pacientes com dor lombar crônica.

A partir desse momento, as pesquisas a respeito do controle do tronco tomaram novo rumo. Pesquisadores queriam entender mais sobre a dor lombar crônica e, aos poucos, surgiu a ideia de que mudanças no controle motor de musculaturas do tronco estariam envolvidas. Em 1965, Freeman et al demonstrou tal fato em seus estudos.

Os achados e crenças gerais apontavam para a necessidade de músculos abdominais fortalecidos para garantir uma coluna saudável. Tais conhecimentos influenciaram muito o Pilates e o Treinamento Funcional. No Pilates, utilizou-se a ideia de treinamento do Power House, no Funcional, o treinamento de músculos do Core.

Como consequência desses estudos, inúmeros estúdios, ginásios, centros de treinamento e clínicas pelo mundo passaram a adotar exercícios para estabilidade de tronco. Eles deveriam ajudar a conseguir atletas prevenidos contra lesões de coluna e tratar dor lombar com maior eficiência.

Transverso abdominal, um dos estabilizadores

Considerando a estrutura da coluna vertebral e sua amplitude de movimentos, é fácil de considerá-la uma estrutura instável. Suas estruturas esqueléticas e estabilizadoras dinâmicas são incapazes de fornecer estabilização adequada, já sabemos disso.

Assim, os músculos tornam-se alguns dos principais mecanismos estabilizadores do tronco. No princípio de estabilidade do núcleo, os músculos geralmente são chamados de “Core”, assim como no funcional.

O transverso do abdômen ganhou destaque entre os músculos do Core. Acredita-se que ele é o principal componente da estabilização do tronco que mencionei acima. Ele possui diversas funções na postura vertical, sendo estabilidade apenas uma delas. Na verdade, sua função estabilizadora está em sinergia com os outros músculos que compõem a parede abdominal.

Essa musculatura também é responsável por controlar a pressão intracavitária para realizar:

  • Vocalização;
  • Respiração;
  • Defecação;
  • Vômito;

Para conseguir exercer todas suas funções, o TRA possui uma posição estratégica. Ele forma a parede posterior do canal inguinal, ali ele tem mais um papel: impedir a herniação das vísceras.

Papel de estabilização do transverso

Como já mencionei, no princípio da estabilidade do núcleo o transverso é essencial para estabilizar a coluna. Para conseguir confirmar se isso é verdadeiro, precisamos avaliar condições nas quais o músculo está danificado ou incapaz de realizar a estabilização.

Se ele realmente for um dos principais estabilizadores de coluna, sua falta de atividade fragilizaria a estrutura e levaria ao desenvolvimento de dor lombar.

A gravidez é um quadro interessante de analisar exatamente por esses motivos. Durante esse importante período, o Tra e outros músculos abdominais sofrem algumas alterações por causa do aumento do útero e outras alterações no corpo feminino.

Pesquisas com mulheres grávidas

O transverso sofre um alongamento que vai muito além de sua curva de comprimento x tensão. Por isso, ele perde força e deixa de estabilizar a pelve contra resistência. Para tentar comprovar a relação do Tra com a dor lombar, um estudo comparou mulheres grávidas.

De todas as 869 pessoas submetidas a estudo, mais da metade foi excluída. Boa parte delas deixou de fazer parte por conseguir recuperação espontânea da dor lombar sem intervenções após o parto.

Parece simples, elas estariam melhorando por recuperarem as funções estabilizadoras do transverso, certo? Na verdade não. Sua recuperação acontece num período no qual os músculos abdominais ainda não voltaram ao normal.

O estudo conclui que as evidências de mecânica musculoesquelética estejam relacionados ao desenvolvimento da dor lombar na gravidez.

Tempo de contração vs. força do núcleo

Se a força do músculo transverso abdominal e de outros músculos estabilizadores parece não ser tão essencial, surgiu outra hipótese: o tempo de contração. Nos estudos, indivíduos com dor lombar apresentaram um tempo de contração do Core cerca de 20ms mais lento. É uma diferença aparentemente pequena, mas que importa para os movimentos da coluna.

Perceba, a diferença em força não foi notada, mas sim no tempo de contração da musculatura. Ao contrário da força, o tempo está fora do controle consciente do paciente. Nós, terapeutas, também temos extrema dificuldade em alterá-lo através de comandos.

Durante as aulas focadas no princípio de estabilidade do núcleo, existe uma forte ênfase no fortalecimento de transverso abdominal. Utiliza-se exercícios em baixa velocidade feitos nas posições deitado, de joelhos ou de quatro apoios. A ideia seria normalizar o controle motor da musculatura, corrigindo, entre outros fatores, o problema de tempo.

Princípios das atividades físicas

Porém, não é provável que esse tipo de treinamento seja o suficiente para corrigir o problema de tempo de contração. Ele perde sua eficiência quando consideramos que esse tipo de treinamento de núcleo contradiz os princípios de aprendizado motor e de treinamento. Ou seja, eles não trabalham com similaridade, transferência ou especificidade.

De acordo com esses princípios utilizados nas atividades físicas, o corpo e seu sistema neuromuscular e esquelético seriam capazes de se adaptar a eventos motores específicos. Portanto, o que aprende-se numa situação específica pode não ser transferido para outro evento.

Com a intenção de melhorar o tempo de ativação, os proponentes do CS apresentaram uma solução: ensinar seus atletas, alunos ou pacientes a contrair continuamente o transverso do abdômen.

Com o músculo contraído a todos os momentos, seria possível deixar de se preocupar com o tempo de início da ativação. A proposta impõe um padrão de controle anormal e não funcional a esses pacientes. Seria possível utilizá-la para superar uma reorganização funcional do sistema muscular, como as lesões que encontramos com frequência.

O que é o controle motor?

O controle motor é o que precisamos desenvolver no aluno para conseguir boa ativação do transverso e outros músculos estabilizadores. Ele é composto de diversos fatores, que incluem:

  • Força;
  • Velocidade;
  • Alcance;
  • Resistência (grupo paramétrico de habilidades);
  • Co-contração;
  • Ativação recíproca.

Esses fatores representam o nível de controle sinérgico e para as habilidades motoras mais complexas, incluem ainda:

  • Coordenação;
  • Equilíbrio;
  • Tempo de transição entre diferentes atividades;
  • Relaxamento motor.

Todos esses fatores estão presentes durante um movimento. Caso um deles esteja alterado, todos os restantes terão alterações. Além disso, nenhum estudo até o momento demonstrou que o exercício de estabilidade de núcleo irá redefinir o tempo de início da contração do núcleo em pacientes com CLBP.

O núcleo precisa ser forte?

Quando falamos no princípio de estabilidade do núcleo, muitos pensam imediatamente em força. Realmente, existe muita confusão a respeito da força do tronco e como ela está relacionada a lesões e dores lombares. O controle muscular do tronco ao todo está prejudicado no caso de lombalgia, incluindo a força.

A co-contração muscular possui diversos papéis nos movimentos do tronco. Ela ajuda sim a estabilidade das articulações e a melhorar o movimento, mas não precisa ser exagerada. Os níveis de co-contração do tronco em pessoas saudáveis são mantidos em níveis baixos. Ou seja, eles precisam ser o suficiente para realizar atividades diárias.

Será que aumentar a força e, portanto a força de compressão no disco, seria ideal para nossas aulas? Não parece uma boa estratégia. Isso levaria o corpo a consumir mais energia e deixaria o tronco mais rígido. É uma maneira incompleta de tratar um corpo que também precisa de melhor amplitude de movimento e flexibilidade.

Isolando o transverso dos outros músculos abdominais

Um dos princípios dos treinamentos de estabilidade do núcleo é pedir para os alunos isolarem o transverso do restante dos músculos abdominais. O transverso seria um músculo central no tronco entre o restante de músculos globais. Isso é possível? Dificilmente, é duvidoso que existe um grupo de músculos capaz de operar de maneira independente do restante do tronco.

Para conseguir essa ativação o indivíduo precisaria substituir seu padrão natural de ativação muscular. Além de ser impraticável, seria perigoso para o paciente. Focar o treinamento em um único músculo é extremamente difícil porque a ativação por músculo simplesmente não existe.

Conclusão

O processo de controle muscular está distante do controle consciente. Ele é realizado na hierarquia dos processos motores dos centros espinhais. Mesmo os neurônios relacionados a músculos particulares estão misturados. Portanto, percebemos que a divisão muscular é puramente anatômica e não pode ser aplicada em pacientes na prática.

Ao contrário do que o princípio da estabilidade de núcleo propõe, não conseguimos contrair um músculo ou grupo específico. Nossos alunos conseguem isso ainda menos. Quando tentamos incentivar essa contração em aula, o paciente provavelmente acaba contraindo grandes grupos de músculos abdominais.

 

 

Bibliografia
Bouche, K., Stevens, V., Cambier, D., et al., 2006. Comparison of postural control in unilateral stance between healthy controls
and lumbar discectomy patients with and without pain. Eur. Spine J. 15 (4), 423e432.
Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

Como acontece a Estabilização da Sacroilíaca?

A sacroilíaca possui a localização ideal para dividir o corpo em duas partes: a superior e inferior. Por sua localização, ela também realiza transferência de cargas do tronco para o chão, do chão para o tronco e força igual e contrária devolvida pelo solo durante o apoio dos pés no chão.

Exposta a tantas forças, como a sacroilíaca permanece estável? É exatamente isso que aprenderemos ao longo desse artigo.

A estrutura da sacroilíaca

Os vetores de força que passam por essa articulação são paralelos, mas não na mesma direção e eixo. Eles descem através do peso do tronco e da cabeça, jogando-os de forma vertical até o sacro.

Através dessa atuação geramos também uma força descendente e outra ascendente que são responsáveis pelo cisalhamento da articulação sacroilíaca.

O sacro não é um elemento estável da articulação, por isso ele precisa da presença dos ligamentos sacroilíacos posteriores e anteriores. Para entendermos melhor, podemos ver o sacro como uma ponte suspensa. Os ligamentos seriam cabos de aço responsáveis por sua sustentação e estabilização que precisam ser muito fortes.

Além dos ligamentos sacroilíacos anteriores e posteriores também existem outras estruturas de estabilização do sacro, mais especificamente os ligamentos interósseos. Esse é um ligamento interno, o ligamento posterior mais profundo.

Em geral, danos causados ao ligamento interósseo não prejudica a estabilidade da sacroilíaca. Considerando o papel dos ligamentos na articulação, fica uma questão importante: como então acontece a estabilização considerando as forças na sacroilíaca?

Uma parte importante da estabilização da articulação acontece pela atividade muscular, em especial dos músculos transversais. Eles realizam uma compressão nessa articulação, auxiliando a estabilizá-la. Assim, devemos considerar o papel do transverso abdominal e do assoalho pélvico na articulação.

Como funciona a estabilização da sacroilíaca

Durante o apoio bipodal do corpo o peso é distribuído igualmente em cada perna. Assim, temos uma divisão de 50/50 para cada membro inferior. Ao realizar um apoio monopodálico, transferimos toda a carga para uma única perna.

Ou seja, temos o dobro da carga somente em uma das articulações sacroilíacas. Apesar disso, articulações em seu funcionamento fisiológico não perdem a estabilidade.

Para garantir que a estabilidade permaneça, mesmo com as mudanças de carga, acontece um ajuste postural antecipatório. É uma pré-contração muscular para realizar o aumento da pressão intra-abdominal para manter o ajuste postural.

Durante o apoio monopodal, o corpo realiza a mesma alteração postural para aumentar a pressão intra-abdominal. Essa ativação ocorre com o objetivo de diminuir o cisalhamento e melhorar a estabilização da sacroilíaca.

O aumento da pressão intra-abdominal para ativamento muscular é um tipo de círculo vicioso. Os músculos envolvidos na estabilização da sacroilíaca são ativados e ao mesmo tempo influenciam a pressão intracavitária, aumentando-a.

Esse aumento de pressão aumenta ainda mais a ativação muscular. Esse círculo vicioso é bastante importante para a estabilização.

Aumento da pressão intra abdominal

Calma, não saí completamente do assunto do artigo para falar de pressão intra-abdominal. Ela está completamente relacionada! Acontece uma relação dinâmica entre a contração muscular e o aumento da PIA.

A PIA faz com que as fibras musculares permaneçam estiradas criando um reflexo miotático nos fusos neuromusculares de estiramento, de forma a contrair ininterruptamente esses músculos que são tônicos.

Precisamos entender essa relação porque muitas vezes é a contração muscular que aumenta a pressão intracavitária. Ou seja, o aumento da PIA aumenta a contração que por sua vez aumenta a própria PIA.

Ok, entendemos que os músculos que realizam a estabilização da sacroilíaca se contraem aumentando a PIA. Essa pressão aumentada alimenta o mecanismo, criando uma contração transversal no transverso abdominal e no assoalho pélvico.

Ao comprimir-se, o assoalho pélvico previne o cisalhamento vertical da sacroilíaca, que aconteceria por causa da distribuição de forças nessa articulação. Nessa compressão do transverso e do períneo podemos incluir as seguintes musculaturas:

  • Obturador
  • Piriforme
  • Gêmeo
  • Quadrado Femural

Essas musculaturas também se contraem para coaptar a articulação. O transverso contribui para a estabilização da sacroilíaca com suas fibras transversais. Apesar de não ter fibras que são completamente transversais, o assoalho pélvico tem o mesmo efeito.

Como o transverso e o assoalho pélvico ajudam a regular as forças

Por causa da sua função e posicionamento, a articulação sacroilíaca deveria estar sujeita a importantes forças de cisalhamento. Porém, sabemos que isso não ocorre quando a articulação está em seu funcionamento fisiológico.

Um indivíduo de 70 kg, por exemplo, teria uma carga total de 530N aplicadas sobre a sacroilíaca. Acrescentando a presença do ligamento sacro espinhoso com seu componente transversal, conseguimos reduzir essa carga em 120N.

Considerando a atividade muscular do assoalho pélvico, transverso abdominal e ligamentos conseguimos reduzir a carga sobre a sacroilíaca em 240N. Ou seja, conseguir diminuir a carga em mais ou menos 50%.

Conclusão

Através dessa breve revisão da articulação sacroilíaca, conseguimos compreender quais são as estruturas envolvidas na sua estabilização. Existe um importante componente muscular que garante a estabilização da sacroilíaca.

É importante compreender que essa ação muscular ajuda a diminuir as forças de cisalhamento, mas aumenta a compressão em 4x. Ou seja, 400% da força compressiva é aplicada sobre a articulação sacroilíaca.

Ao mesmo tempo, temos uma diminuição em 50% do cisalhamento vertical. Em indivíduos com a articulação sem seu funcionamento fisiológico, isso seria um grande problema.

Mas para entender mais a respeito disso, você precisa ir para meu artigo sobre a disfunção sacroilíaca e suas causas.

 

Bibliografia
  • Sandy, S. P. Andre, W. V. Peter der, Disfunção Sacroilíaca, Acta Ortopédica Brasileira, 2003. Acesso em: http://www.redalyc.org/html/657/65711208/
  • Henrique, S. Egberto dos, O. Juliano de, L. F. Tiago, Disfunção da articulação sacroilíaca e a influência na flexão de tronco e no ângulo Q do joelho. Revista Interdisciplinar de Promoção de Saúde. Acesso em: https://online.unisc.br/seer/index.php/ripsunisc/article/view/11937
  • N. Marco Aurélio, F. Diego G. de, K. Karina T., M. Robroy L, F. Thiago Y., Strenghthening the Gluteus Maximus in Subjects with Sacroiliac Dysfunction. The International Journal of Sports Physical Therapy, February 2018
O que é Dor? Guia Definitivo com Conceitos atuais da Neurociência

O que é Dor? Guia Definitivo com Conceitos atuais da Neurociência

A definição mais atual que temos é a de que a dor é uma experiência, que reflete a sensação de ameaça à integridade da pessoa. Como ela é uma experiência, cada pessoa irá vivenciar o que é dor de forma diferente.

Isto quer dizer que cada um irá sentir, lidar e viver com a dor, de acordo com a sua forma de experimentar a vida e os fatos que ocorrem nela.

Se dor é uma experiência e está intimamente ligada à forma que alguém lida com ela. Então, nós já sabemos que não dá para separar dor de emoção.

Algumas pessoas dizem: “A dor vem do cérebro”, mas o processamento da dor é muito mais complexo do que isso. Não é “só coisa da sua cabeça” não! Quer saber o que é dor? Então continue lendo!

Primeiros estudos sobre a Dor

No início, na época de René Descartes, não se sabia o que é dor. Pensavam que ela pudesse surgir do coração, tamanha é a relação entre emoção e dor. E, como todos bem sabem, o coração é um órgão que correlaciona-se muito com emoções, devido seu envolvimento direto com o Sistema Nervoso Autônomo.

Descartes, em 1664, dizia que receptores de dor distribuídos pelas partes do corpo captavam informações, e as levavam a campainha da cabeça (glândula pineal), soando um alarme que gerava a sensação dolorosa. Esta foi a base para a ciência para responder o que é dor até 1970.

Por volta de 1900 foram descritos receptores térmicos, mecânicos e químicos espalhados pelo corpo. Estes receptores seriam os responsáveis por enviar sinais dolorosos ao cérebro.

No entanto, hoje sabemos que os estímulos capazes de acionar estes receptores, nem sempre são dolorosos. E mesmo quando eles são altamente dolorosos, a percepção da dor depende da interação com vários outros fatores.

Um exemplo é uma pessoa com lesão muito extensa e dolorosa, mas que precisa fugir de uma ameaça maior e consegue, relatando posteriormente que na hora que precisava fugir ela não sentiu dor.

Outro exemplo são os atletas, que muitas vezes sofrem lesões sérias durante competições, mas continuam até o final, e depois também relatam que no momento da lesão não estavam sentindo tanta dor porque “o corpo estava quente”.

Em contrapartida, um pequeno corte do dedo numa folha de papel pode ser extremamente doloroso.

Função social da dor

Há uma influência social e de contexto na sensibilidade da dor, pois ela está relacionada diretamente com a percepção de risco ou ameaça que a pessoa tem.

Muitas vezes os receptores de dor, denominados nociceptores, não estão captando sinal doloroso, pois não há lesão ocorrendo nos tecidos. No entanto, o paciente está sentindo muita dor! E isto é verdadeiro!

Existem quatro mecanismos geradores de dor:

  1. A dor nociceptiva: onde há algum dano no tecido estimulando os receptores de dor.
  2. A dor neuropática: onde há algum dano no tecido neural, estimulando a dor.
  3. A dor nociplastica: onde não há dano no tecido, e consequentemente não há ativação dos receptores de dor. O mecanismo envolvido aqui é a sensibilização central, que vou explicar mais adiante.
  4. A dor de origem desconhecida.

Além disso, a dor também pode ser classificada de acordo com o tempo de surgimento:

  • Aguda: quando apareceu há menos de três meses.
  • Crônica: quando apareceu há mais de três meses.
  • Recorrente: quando a dor some por um período e depois volta.

Quais são as causas da dor?

A causa da dor é multifatorial e envolve a qualidade dos tecidos corporais, hábitos de vida, estado emocional, crenças e outros fatores que podem afetar o indivíduo.

Um determinado fator pode estar influenciando fortemente para se descobrir o que é dor naquela pessoa. Em outra pessoa, outros fatores irão impactar mais ou menos.

Por isso, cada caso deve ser avaliado e tratado individualmente, e a resposta irá depender de cada paciente.

Por exemplo: Muitos se deparam com exames de ressonância magnética apresentando hérnia de disco. Isto geralmente é motivo de extrema preocupação.

No entanto, a hérnia representa um grande fator na causa da dor em apenas 2% dos casos. Não é porque apareceu um achado no exame de imagem que ele é a causa da dor. Muitas alterações encontradas em exames de imagem não tem relação com a dor que o paciente está sentindo!

Papel do profissional na avaliação da dor

A dor envolve muitos fatores e é preciso avaliar o quanto cada fator influencia em cada caso. Esta influência é diferente em cada pessoa e difícil de mensurar de forma exata.

Por isso, é muito importante que o profissional de saúde ouça o paciente. Ele precisa entender como este paciente experimenta o que é dor. Assim ele poderá avaliar e tratar o paciente de forma adequada, ou encaminha-lo para o profissional pertinente.

Não é possível avaliar um paciente de acordo com os conceitos o que é dor apenas olhando para o físico! Precisamos, no mínimo, olhar o contexto do momento em que ele vive.

Quando o paciente apresenta dor crônica, podem ocorrer modificações no cérebro, na medula e na transmissão do sinal pelos neurônios.

No cérebro, a dor é interpretada como um sinal saliente. Ou seja, tem a função de chamar a atenção para um determinado estímulo.

Processamento dos Estímulos Nervosos

A forma como o estímulo doloroso é processado é que determina a quantidade de dor que o paciente irá sentir, e não a extensão da lesão (se é que ela existe).

Existem áreas cerebrais específicas, onde o sinal de dor será detectado, interpretado e posteriormente acomodado. Estas áreas também recebem e interpretam emoções e cognição.

Da mesma forma, também existem regiões cerebrais que modulam o que é dor, ou seja, aumentam ou diminuem a intensidade da dor.

As áreas relacionadas à cognição e emoção também podem modular o que é dor:

  • Emoções agradáveis inibem dor.
  • Emoções desagradáveis potencializam dor.

Meditação, hipnose, relaxamento, exercícios respiratórios, exercícios físicos e educação em dor também podem gerar efeito regulatório.

Isto ocorre por estimularem uma região cerebral, denominada córtex pré-frontal, que é capaz de inibir a dor.

Na dor nociplastica o mecanismo gerador envolvido é a sensibilização central, onde ocorre uma hipersensibilidade medular e cerebral que, de forma repetida, será capaz de ativar células da glia pro inflamatórias, resultando em neuroinflamacao.

Ocorre também uma facilitação sináptica, onde há aumento do número de receptores de dor. Vale ressaltar que este é o mesmo mecanismo que ocorre na memória e aprendizagem.

Relações entre a o que é dor crônica e as emoções

Nem todo paciente com dor crônica irá apresentar sensibilização central. Para isso, precisa haver sintomas como:

  • Hiperalgesia;
  • Alodinia;
  • Dor difusa;
  • Experiência desproporcional em relação à dor;
  • Hipersensível a luz, sons, cheiros e até mesmo paladar;
  • Alterações do sono;
  • Fadiga;
  • Dificuldade de concentração.

Na fibromialgia, a sensibilização central, é o mecanismo gerador da doença.

Em um estudo, conduzido por Baliki, et al. e publicado na revista Nature Neuroscience em 2012, pacientes que se curaram e pacientes que permaneceram com dor crônica obtiveram mudanças nas suas ressonâncias magnéticas cerebrais.

Em ambos os grupos as áreas do cérebro responsáveis pela sensação corpórea (relacionada com o homúnculo de Peinfield), não estavam mais ativas. No entanto, no grupo que permaneceu com dor, caracterizando-a como crônica, a atividade cerebral migrou para áreas cognitivo emocionais.

Há vários fatores que correlacionam dor e emoção na prática clínica como:

  • Medo relacionado a dor, geralmente medo que o movimento piore a dor;
  • Catastrofizacao, onde o sofrimento do paciente em relação à sua dor é muito aumentado;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Stress crônico;
  • Síndrome de estresse pós traumático;
  • Sensação de injustiça, onde o paciente se sente injustiçado pela dor, como se alguém estivesse produzindo a dor nele.

A dor está relacionada com a necessidade de manutenção da integridade corporal. E a emoção está relacionada com detectar pistas nocivas, agradáveis ou neutras no ambiente para moldar o comportamento.

Geralmente, há três emoções básicas envolvidas na dor: raiva, medo e tristeza.

O medo de executar determinado movimento deve ser extinto, guiando o paciente na execução do mesmo. Para que ele perceba que aquela situação não é mais ameaçadora.

Relações entre a dor e o sentimento de medo

A reatividade emocional envolve o acionamento do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), gerando respostas de correr, lutar ou congelar.

Para esta situação é possível utilizar estratégias para a regulação emocional, resinificando as emoções estressoras e que pioram a dor.

Novamente, técnicas como o mindfulness, exercícios respiratórios e de relaxamento são indicados. Não se aprende a ter dor, mas podemos aprender a ter medo. O medo do movimento pode ser aprendido por:

  • Instrução verbal: como nos casos de profissionais da saúde que utilizam estratégias educacionais para com seus pacientes que geram neles medo de executar uma determinada atividade. Atualmente denominamos este efeito de “efeito nocebo”.
  • Observação: muitos já viram parentes ou amigos abaixarem para pegar algo no chão e travarem a coluna durante este movimento. Inconscientemente, o cérebro vai gravando que abaixar pode gerar dor nas costas.
  • Condicionamento: toda vez que o paciente faz determinado movimento sente dor. Com o tempo o cérebro vai condicionando aquele tipo de movimento à dor.

Isto ocorre porque o cérebro funciona por modelos preditores, para poupar energia. Uma estratégia para mudar isso é pedir para o paciente executar o movimento em uma amplitude de movimento menor, antes de começar a sentir a dor e realizar repetições na mesma amplitude.

Assim, estarei alterando o modelo preditor do cérebro, que estará sendo atualizado. Com isso vou ganhando em amplitude, dessensibilizando o cérebro, até que o paciente esteja executando o movimento completo sem dor.

Ensinando o paciente a direcionar sua atenção

O aprendizado do medo é rápido. Basta que o paciente sinta novamente a dor para que o medo volte. Por isso é importante que o profissional tranquilize o paciente, mostrando a ele que não há risco ou possibilidade de lesão com o movimento adequado.

Outra questão importante é que o nosso comportamento é extremamente relacionado ao sistema de recompensas do cérebro, fazendo-se necessário mostrar a ele quais as vantagens de voltar a realizar os movimentos que antes eram dolorosos.

Colocar atenção na melhora e não na dor, pois a atenção pode ser reguladora de emoções e elas pioram ou melhoram os sintomas.

Ensinar o paciente a direcionar a sua atenção para os prazeres que ele pode ter, apesar da dor, já pode afetar a intensidade da dor no sentido de diminuí-la.

Pessoas mais negativas não conseguem se deslocar da imagem emocional. Não conseguem focar em outra coisa e se desprender da dor, aumentando a sua intensidade.

Qualquer coisa que aumente a responsividade do sistema nervoso autônomo simpático, com reações de luta, fuga ou congelamento, poderá aumentar a intensidade da dor.

Como tratar um paciente com dor

Geralmente, pessoas com tendência à simpaticotonia tem dificuldade em lidar com situações adversas e maior chances de desenvolver dores crônicas. Já as pessoas com tendência maior a parassimpaticotonia, possuem mais habilidade para lidar com situações aversivas e menor tendência à cronificação.

Da mesma forma que o efeito nocebo pode ser nocivo ao paciente, o efeito placebo pode ser bastante benéfico e representa uma parte importante do tratamento.

Dizer para o paciente que ele vai melhorar, acalma-lo, fazê-lo sentir que está sendo atendido por um profissional competente e utilizar o maior número de estímulos que mostre ao paciente que ele está melhorando são formas de ampliar o efeito placebo e que beneficiam o paciente.

Explicar ao paciente de forma clara e não técnica o que está acontecendo com ele pode ser uma maneira de se evitar o efeito nocebo e ainda colocar o paciente na posição de protagonista no tratamento da sua dor.

Um estudo, realizado em 2003, mostrou que 40 a 80% de tudo o que o profissional de saúde diz para o paciente é esquecido e 50% do que é lembrado foi mal interpretado.

Por isso, escutar o paciente sem interromper, para:

  • Entender o que ele quer receber com o tratamento;
  • Observar como ele recebe as informações que são fornecidas;
  • Caso necessário esperar para passar novas informações;
  • Perguntar se as informações estão fazendo sentido para ele;
  • Ter empatia;
  • Respeitar as preferências do paciente quanto ao formato de tratamento são atitudes que fortalecem a aliança terapêutica.

Ela por si só não tem efeito de diminuir a dor, mas facilita todo o restante do processo.

Conclusão
fatores psicológicos na dor lombar

Realizar a educação em dor, explicando todo o mecanismo neurofisiológico de maneira simples e  desmistificando as falsas crenças, pode ser muito benéfico para a melhora dos sintomas.

É importante considerar que todo paciente está inserido num contexto biopsicosocial, sendo que alguns tem o fator biológico/físico mais proeminente, em outros é o fator psicológico que exacerba e, algumas vezes, o mesmo paciente irá alternar entre fatores biológicos, psicológicos ou sociais que evidenciam mais em determinado momento.


Esse texto foi co-escrito pela Dra. Thaysa Greve

Thaysa é Fisioterapeuta com Pós Graduação em Fisiologia Humana, assim como cursos nas áreas:

  • Certificação em Osteopatia Estrutural e Funcional- EBOM
  • Formação em Osteopatia Estrutural – EOM
  • Formação em Osteopatia Postural e Visceral- Instituto Docusse de Osteopatia e Terapia Manual (Idot)
  • Formação em Manipulação Visceral – Barral Institute (USA)
  • Formação em Cadeias Musculares -Método Busquet
  • Formação em Manipulação das Fáscias – Método Stecco
  • Formação em Terapia Crânio Sacral-TCSI- Upledger Institute.
  • Certificação em Pilates para Reabilitação
  • Curso de Pilates nas Patologias de Joelho, Tornozelo e Pé – Congresso Brasileiro de Pilates

 

Referência
  • Texto elaborado com base  no curso “Abordagem da dor com base nos conceitos atuais da neurociência “ do Professor Felipe Reis, PhD. 2018.