Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Qual é o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Quem trabalha com alunos com dor no joelho certamente já encontrou um caso de tratamento de dor patelofemoral. Ela é tão comum, mas mesmo assim continuamos confusos a respeito do seu tratamento.

Alguns sugerem que a dor seja causada principalmente por um desequilíbrio de quadríceps. Por isso, seu tratamento deveria ser feito focando nesse grupo muscular. Outros, afirmam que uma fraqueza e falta de ativação de Core e músculos do quadril também está envolvida e eles devem fazer parte do tratamento.

Mas como será que realmente podemos fazer o tratamento da dor patelofemoral? Continue lendo para aprender.

O que é dor patelofemoral?

A dor patelofemoral é uma das causas mais comuns de dor no joelho. Sua principal característica é dor na região anterior do joelho que piora durante as atividades físicas. Pacientes com a patologia frequentemente reclamam da dor ao agachar, subir escadas, pular e correr. Alguns também sentem o sintoma depois de muitas horas sentados.

Estima-se que 20% dos casos de dor no joelho em clínicas de ortopedia correspondam a essa síndrome. Ela também está presente em ao redor de 30% a 33% dos casos nas clínicas de reabilitação esportiva. Ou seja, é fundamental entendermos as melhores opções de tratamento para nossos pacientes.

Os mais afetados pela síndrome da dor patelofemoral são as pessoas ativas. Por isso, corredores, militares e atletas estão entre nossos principais pacientes com o problema.

Fatores de Risco

Os fatores etiológicos da patologia não são completamente conhecidos. O que podemos observar são alguns fatores de risco, que incluem:

  • Diferenças estruturais na pelve feminina;
  • Anterversão femoral;
  • Ângulo Q aumentado;
  • Torção tibial;
  • Fraqueza do quadríceps;
  • Frouxidão ligamentar do joelho.

Tais fatores geram alterações anatômicas e biomecânicas a nível de membros inferiores. Como resultado, o paciente desenvolve a síndrome da dor patelofemoral e toda a limitação de movimentos que a acompanha. Considerando os fatores de risco, podemos destacar aqui dois grupos mais suscetíveis à patologia: mulheres e atletas.

Tratamento tradicional

Tradicionalmente, o tratamento da dor patelofemoral está relacionado ao desequilíbrio entre os músculos vasto medial e vasto lateral. Como resultado desse desequilíbrio, a articulação patelofemoral acabaria sobrecarregada. Portanto, o tratamento mais indicado seria fortalecimento de quadríceps.

Estudos mostram que realmente, indivíduos com síndrome da dor patelofemoral possui padrões de ativação dos vastos diferente daqueles de pessoas saudáveis. Mas isso não significa que o único tratamento possível para a síndrome estaria no quadríceps.

Relação entre dor e fraqueza muscular

Como sabemos, o corpo possui compensações que não ficam contidas somente na região lesionada ou com dor. Portanto, algumas teorias também estimam que exista uma conexão entre fraqueza de musculaturas do quadril e do Core a dor patelofemoral.

No tratamento da dor patelofemoral mais usado, a maioria dos exercícios seriam atividades em cadeia cinética fechada para fortalecer estabilizadores do joelho. Esses movimentos teriam como objetivo proporcionar alívio da dor e retorno às atividades diárias. Por isso, também existe um foco nos exercícios que simulam atividades como corrida e agachamento.

Mas, considerando a possibilidade de também existir fraqueza de quadril e Core, será que devemos complementar esse protocolo de tratamento?

Proposta de tratamento com Core e quadril

Algumas teorias consideram que existe mais que fraqueza muscular de quadríceps por trás dos casos de dor patelofemoral. É possível que desequilíbrio, déficit ou fraqueza dos estabilizadores do quadril e Core também estejam entre as causas.

Portanto, podemos utilizar uma nova proposta de orçamento que envolva essas musculaturas de maneira global. Na tentativa de entender qual seria a melhor maneira de tratar nossos pacientes com a síndrome, um estudo comparou as duas opções de tratamento.

Protocolo de tratamento da dor

No estudo, utilizou-se um protocolo de tratamento da dor patelofemoral focado no fortalecimento de músculos do joelho para um grupo. O segundo grupo recebeu exercícios para fortalecimento de músculos estabilizadores do quadril e Core.

Ambos os protocolos do estudo aconteceram por 6 semanas, avaliando 146 pacientes ao total no fim do experimento. Como esperado, o tratamento para fortalecimento de joelho obteve resultados para alívio da dor e retorno da função nos pacientes com a síndrome. Porém, ele não foi o único. O tratamento utilizando exercícios para Core e quadril conseguiu resultados bastante similares.

Portanto, é possível que realmente exista uma conexão entre fraqueza dessas estruturas e a síndrome da dor patelofemoral. Conforme percebido no estudo, trabalhar com fortalecimento dessas musculaturas é interessante para quem busca o alívio da dor do aluno.

Qual tratamento é mais eficiente?

Ok, deu para entender que o quadril e Core têm alguma relevância no tratamento da dor femoropatelar. Mas existe um deles que é mais eficiente que o outro?

O estudo que mencionei também tentou responder essa pergunta. Para compreendermos melhor, vale a pena conferir os resultados. 80% dos pacientes tratados com protocolo para quadril conseguiram melhora. No grupo de fortalecimento de joelho, 77% conseguiu melhora. A diferença é praticamente insignificante entre os dois grupos.

Quando a questão é dor, os pacientes no grupo de quadril conseguiram alívio dentro de 3 semanas de tratamento. Quem estava se tratando com fortalecimento de joelho teve alívio em 4 semanas de tratamento.

Resultados

Assim, percebemos que o tratamento incluindo músculos do quadril e Core foi um pouco mais eficiente no alívio da dor. Isso não significa que a outra opção não tenha resultados, mas pacientes conseguiram esse resultado com 1 semana de diferença.

Com o avançar do tratamento, os resultados tornaram-se bastante similares. Em 6 semanas os dois programas conseguiram a reabilitação dos pacientes, apesar da porcentagem levemente menor do grupo de joelho.

Considerando a semelhança de resultados, sobre uma dúvida: qual seria o melhor tratamento da dor patelofemoral?

Conclusão

Quem segue meu blog sabe que falo muito em avaliação. Na verdade, tenho até um curso direcionado especificamente para avaliação postural. Existe um motivo simples para isso: sem avaliação, nosso aluno não conseguirá o tratamento que merece.

Antes de dizer para você usar esse ou outro protocolo de tratamento, quero que você avalie seu aluno. O melhor tratamento da dor patelofemoral é aquele que está melhor adaptado para suas circunstâncias únicas.

Sabendo que trabalhar fortalecimento de quadril e Core nos trazem resultados similares ao fortalecimento de joelho, podemos misturar as propostas para conseguir melhores tratamentos.

 

 

Bibliografia
  • Atividade eletromiográfca do vasto medial oblíquo e vasto lateral durante atividades Funcionais em sujeitos com síndrome da dor patelofemural. São Carlos: [s.n.], 2008. Disponível em: <http://www.redalyc.org/html/2350/235016539009/>. Acesso em: 12 nov. 2018.
Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Cirurgia ou exercícios, qual é o melhor para lesão de menisco?

Já conheceu alguém com lesão de menisco? Então esse paciente talvez estivesse em um dilema importante na sua vida: tentar o tratamento conservador da patologia ou optar pela cirurgia. Muitos que chegam nessa escolha temem a cirurgia, mas também não querem gastar meses de fisioterapia para continuar com a dor.

Será que existe uma opção mais acertada para esses pacientes que nos permite ajudá-los? Queremos entender isso nesse artigo com a ajuda de evidências científicas. Continue lendo para entender qual é a verdadeira eficiência do tratamento conservador e cirúrgico da lesão de menisco.

Anatomia e biomecânica do menisco

Os meniscos são feitos de tecido fibrocartilaginoso que reveste boa parte da superfície articular femorotibial. Eles ficam localizados entre o platô tibial e os côndilos femorais. Cerca de 75% de água constitui essas estruturas. O restante é feito de colágeno tipo 1, além de fibras nervosas localizadas na periferia.

A borda periférica do menisco fica aderida à cápsula articular, já a porção central é livre, dando a essa estrutura um aspecto triangular no corte frontal. Suas principais funções são:

  • Absorção de choque;
  • Transmissão de força.
  • Estabilização articular;
  • Nutrição da cartilagem;
  • Lubrificação da articulação.

Quando o joelho realiza um movimento de extensão, o menisco realiza transmissão de cerca de 50% das forças de sustentação do peso e 85% das forças no movimento de flexão. Ele também absorve o choque durante o movimento através da deformação viscoelástica.

Graças ao formato dos meniscos, o líquido sinovial consegue ser distribuído pela articulação do joelho com maior eficiência. Assim, ele também contribui para a lubrificação e nutrição da cartilagem.

O menisco mais propenso a lesões é o menisco medial. Ele é bem menos móvel e desloca-se poucos milímetros para dentro da articulação. Esse menisco cobre cerca de 64% do platô tibial. Seu principal papel está na estabilização articular.

O lateral é mais móvel, movendo-se entre 9 e 11 mm dentro do joelho. Ele também é mais uniforme e cobre cerca de 84% do platô tibial. Por causa da sua mobilidade e formato, ele é menos agredido nos traumas e com menor chance de lesão.

Os meniscos são inervados de maneira paralela à distribuição vascular periférica, acontecendo principalmente no corno anterior e no posterior do menisco. Sua fixação também acontece principalmente nessas regiões, além de ser feita pelo ligamento transverso ou intermeniscal e ligamentos meniscofemorais.

Como acontece a lesão de menisco

Lesões do menisco são tão comuns, mas como elas acontecem? É normal encontrarmos pacientes que sofreram o problema quando o joelho estava flexionado ou semiflexionado.

Nessa posição, ele foi submetido a uma força rotacional de grande magnitude e o menisco foi comprimido entre as estruturas esqueléticas. Dependendo da pressão exercida sobre ele nessa posição ele pode ser lesionado.

Boa parte dos casos de lesão de menisco que encontramos estão relacionados a um trauma. Jovens que praticam esportes, por exemplo, sofrem com o problema frequentemente. Pacientes mais velhos também podem exibir essas lesões por causa de movimentos torcionais relativamente pequenos que são feitos durante a vida diária.

Para compreender melhor o quadro, podemos classificar a lesão de acordo com sua localização. Elas são divididas por causa de vascularização do menisco e qual foi o padrão lesivo. Encontramos lesões nas regiões:

  • Vermelha-vermelha;
  • Vermelha-branca;
  • Branca-branca.

Os mecanismos de lesão podem ser verticais, horizontais e complexos.

É claro que, para determinar exatamente a classificação do problema, ainda precisamos realizar testes. No teste clínico conseguimos avaliar o joelho através do teste de palpação da interlinha do joelho. Também é possível utilizar exames de imagem, dando preferência àqueles que permitem ver sua vascularização.

Tratamento cirúrgico vs. tratamento conservador

Quando um paciente é diagnosticado com lesão de menisco ele tem duas opções: o tratamento cirúrgico e conservador. A opção cirúrgica é a cirurgia de meniscectomia, um evento tão comum que estima-se que a cada 100.000 pessoas, cerca de 300 passam pelo procedimento no mundo ocidental.

A cirurgia de meniscectomia é mais recomendada para indivíduos que não possuem sinais de osteoartrite de joelho. Portanto, nesse artigo discutiremos o uso de procedimentos conservadores e da operação nessas pessoas.

Dependendo da sua fonte, autores relatam pequeno efeito da artroscopia nos pacientes operados. Outros, mostram que existem resultados satisfatórios a curto e longo prazo em quem possui lesão degenerativa de menisco usando o tratamento com exercícios. Portanto, continuamos com a dúvida: qual seria a melhor maneira de tratar o paciente?

Um estudo com 140 pacientes tentou responder essa pergunta. Os indivíduos estudados foram divididos em dois grupos de 70 participantes, o primeiro realizou a cirurgia e o segundo tratou-se de maneira conservadora.

Os pacientes de ambos os grupos possuíam baixa qualidade de vida por causa da lesão de joelho. Como sabemos, dores nos membros inferiores são bastante limitantes, impedindo a prática de atividades físicas e atrapalhando diversas atividades diárias.

Os indivíduos foram avaliados imediatamente após os tratamentos e continuaram sob análise 2 anos após o procedimento. No grupo de exercícios, 61% dos indivíduos foram capazes de completar o programa de maneira satisfatória.

Em geral, os resultados dos dois tratamentos foram satisfatórios, sem grandes diferenças entre eles. A média de melhora foi de 25 pontos no grupo de exercícios e de 24,4 pontos no grupo operatório.

Existiram complicações relacionadas à cirurgia e ao tratamento?

Um dos grandes medos de quem precisa realizar cirurgia é o risco de complicações. Esses risco existe no tratamento de lesão de menisco, mas é bastante pequeno. No estudo analisado, não foram observadas complicações após a cirurgia, mesmo depois de 2 anos.

Qual é o melhor tratamento de lesão de menisco?

Os pacientes pertencentes aos dois grupos apresentaram melhora clínica. 80% dos indivíduos no grupo de exercícios e 81% daqueles no grupo de meniscectomia conseguiram melhorar por mais de 10.1 pontos na escala utilizada para medir a incapacidade.

A única diferença encontrada entre os tratamentos para lesão de menisco foi no quesito força muscular no grupo de exercícios. Esses indivíduos conseguiram ganhos maiores após 3 a 12 meses seguindo o protocolo.

Além disso, é importante perceber que 19% dos indivíduos no grupo de exercícios ainda precisou passar por cirurgia no período de 2 anos. 23% dos integrantes de cada grupo também apresentaram dor, edema, instabilidade, rigidez e diminuição de amplitude de movimento no período estudado. 21% dos pacientes no grupo de exercícios e 14% daqueles no grupo de cirurgia tiveram tais sintomas no joelho contralateral.

No geral, os resultados foram positivos para os dois procedimentos estudados.

Conclusão

Na verdade, não é papel do fisioterapeuta optar pelo tratamento cirúrgico. Só podemos recomendar que nosso paciente busque um ortopedista que possa ajudá-lo nessa opção. No caso da lesão de menisco, vemos que tanto o tratamento com meniscectomia quanto os exercícios são bastante úteis na melhora.

A fisioterapia pode ser considerada como uma primeira opção de tratamento. Caso os resultados não auxiliem o paciente dentro de certo tempo, a cirurgia pode ajudar esse indivíduo a retomar sua qualidade de vida.

Muitos profissionais da saúde já atuam dessa maneira, sugerindo primeiro o tratamento fisioterapêutico para depois tentar a opção cirúrgica. É importante lembrar que a artroscopia do joelho, técnica utilizada no tratamento, é considerada de baixo risco. Ela também consegue resultados positivos sem grandes diferenças da sua contraparte conservadora.

 

Bibliografia
  • KISE, Nina Jullum et al. Exercise therapy versus arthroscopic partial meniscectomy for degenerative meniscal tear in middle aged patients: randomised controlled trial with two year follow-up. 2016. Disponível em: <https://www.bmj.com/content/354/bmj.i3740>. Acesso em: 29 out. 2018.
Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Qual é o Melhor Posicionamento da Coluna no Pilates?

Sabemos que o Pilates não é uma receita pronta, com comandos mágicos que consertam o problema de qualquer aluno. Então, o que será que eu quero tentar atingir nesse texto falando do melhor posicionamento da coluna nas aulas?

Quero mudar ideias já ultrapassadas sobre a coluna ideal sendo ereta, algo que pode proporcionar apagamento de suas curvas fisiológicas. Quem trabalha com Pilates precisa aprender a trabalhar a coluna do aluno para conseguir equilibrar sua mobilidade e equilíbrio. Quer aprender melhor? Continue lendo esse artigo.

Estabilidade da coluna

Antes de qualquer coisa, precisamos entender a estabilidade da coluna, já que ela é fundamental nos nossos atendimentos. Joseph Pilates foi genial na criação de seu método com a estabilização segmentar.

De acordo com Pilates, precisamos fortalecer o Power House para ter efeitos positivos no Método. Quanto mais forte for esse núcleo, mais estável estará a coluna vertebral. Apesar de não estar exatamente errado pela física, esse conceito é bastante mal entendido no meio das atividades físicas.

Atualmente, muitos confundem a estabilidade com rigidez. Mas a rigidez é um problema que pode gerar diversas patologias e desvios, precisando ser corrigido com mobilidade. Infelizmente, a mobilidade vem sendo bastante ignorada.

De acordo com a física, a estabilidade é a energia potencial de um corpo que pode ser armazenada nele. Um corpo equilibrado consegue transformar a energia potencial em energia cinética. Em geral, transformamos energia potencial gravitacional em cinética usando nossos tendões, que também geram estabilidade para manter o corpo em movimento.

Mas o que exatamente é a estabilidade?

A estabilidade é o mesmo que rigidez vezes mobilidade. Portanto, ao fortalecer o Power House em excesso conseguiremos muita rigidez e a mobilidade ficará prejudicada. Dessa maneira, o corpo perde a energia potencial elástica que poderiam ser geradas nos músculos.

Só tome cuidado: muita mobilidade também é problemática. Com um excesso dessa característica perdemos a estabilidade e a energia potencial elástica.

Caso o corpo estiver em equilíbrio ele consegue utilizar sua energia potencial de forma econômica, seja na rigidez ou mobilidade. Tudo isso sem qualquer risco de lesão.

Portanto, se quisermos considerar o Pilates um exercício completo, ele precisa proporcionar tanto mobilidade quanto rigidez para o corpo. Uma rápida dica: o Pilates é extremamente completo, basta saber utilizar o posicionamento da coluna e outros fatores corretamente.

Precisamos aplicar alguns ajustes para usar menos força na ideia de estabilização segmentar para continuar proporcionando seus benefícios à coluna vertebral sem prejudicar o restante dos sistemas.

Posição da coluna para diferentes tipos de pacientes

Acredite ou não, a respiração é um ponto essencial na nossa estratégia para garantir mobilidade e estabilidade à coluna. De acordo com Joseph Pilates, precisamos de respiração profunda durante os exercícios do seu Método. Ainda segundo ele, a respiração ajuda a oxigenar todos os átomos do corpo. Quero acrescentar que precisamos de tipos diferentes de respiração de acordo com a necessidade do seu aluno.

Nos tempos de Joseph, a ideia de uma coluna ereta era o mais aceito como saudável. Mas atualmente já sabemos que existem curvaturas que são fisiológicas e precisam ser respeitadas. Por isso, devemos utilizar comandos respiratórios que ajudem nosso aluno a manter suas curvaturas fisiológicas ao mesmo tempo que corrigem os desvios posturais.

Quero destacar aqui os hipercifóticos e retificados. No primeiro caso eles precisam levar o ar inalado para o peito, facilitando o movimento da curvatura prejudicada da coluna. Os alunos retificados possuem um apagamento das curvas fisiológicas e precisam respirar levando o ar inalado para as costas.

A respiração continua sendo um dos fundamentos do Pilates e uma parte essencial dos tratamentos feitos com ele. Mas ela é realizada de maneira mais sutil, respeitando o ritmo, fluência e sequência dos exercícios. Adaptando o processo respiratório de acordo com a necessidade do aluno conseguimos melhoria significativa na sua postura, estabilidade e mobilidade.

Posicionamento da Coluna no Pilates

Pilates buscava a coluna ereta através do seu método, algo que ainda é aplicado por quem pratica o Pilates original. Novas pesquisas indicam que a retroversão é ainda mais prejudicial, aumentando muito a pressão sobre os discos intervertebrais. Por isso, o conceito aceito atualmente é que devemos sempre buscar a coluna neutra.

O que muitos profissionais fazem é ficar de olho no posicionamento da pelve, como indicativo da posição do restante da coluna. Assim, em alguns exercícios o aluno mantém a pelve neutra, mas a dorsal e cervical em sofrimento.

Durante as aulas, começamos levando o aluno para a pelve ideal para ele. Ou seja, não é o que nossa visão profissional dita, mas sim a posição mais confortável para seu corpo. Aos poucos podemos realizar adaptações na sua pelve e postura para deixá-lo mais perto da nossa própria ideia de neutro ideal.

Para conseguir chegar ao posicionamento correto da coluna precisamos de uma boa progressão de exercícios. O aluno não deixará de ser retificado e hipercifótico da noite para o dia, portanto, tenha paciência e avance com passos pequenos.

O que chamo de neutro ideal aqui nesse artigo pode ser resumido em:

  • Cervical lordótica neutra;
  • Dorsal cifótica neutra;
  • Lombar lordótica neutra.

Quando alguém está em decúbito dorsal é preciso manter a base do crânio, da coluna dorsal, as costelas flutuantes e a base do sacro no solo.

Conclusão

Joseph Pilates realmente foi genial ao criar seu método. Seus equipamentos, por exemplo, não foram criados de maneira aleatória. Na verdade, cada um foi criado como um verdadeiro emaranhado físico, com seus vetores de forças e forças elásticas capazes de moldar o corpo de um indivíduo.

Mas para conseguir obter o maior benefício desses equipamentos, ainda precisamos de uma coluna em ordem, que possui sua mobilidade e estabilidade garantidas. Tente ensinar ao seu aluno maneiras de adotar a coluna neutra ideal, nem que ele demore a desenvolver essa postura. Através disso conseguimos prevenir lesões e até tratá-las.

Reabilitação do Assoalho Pélvico: Tudo o que você Precisa saber!

Reabilitação do Assoalho Pélvico: Tudo o que você Precisa saber!

Na Reabilitação do Assoalho Pélvico (AP), tratamos desordens ou disfunções do pavimento pélvico melhorando as suas funções, exercendo influência direta na melhora da qualidade de vida de mulheres e homens. É indicado para o tratamento das disfunções do AP como:

  • Incontinência Urinária (primeira linha de tratamento);
  • Incontinência Fecal;
  • Bexiga Hiperativa;
  • Bexiga Neurogênica.

A fisioterapia pélvica também atua no pré e pós-parto e nas diversas disfunções sexuais, ajuda os pacientes que sofrem de constipação e nos pós-operatórios de cirurgias pélvicas com redução de complicações e acelerando a recuperação. Quer entender tudo sobre a Reabilitação do Assoalho Pélvico? Continue lendo esse texto!

Anatomia da Pelve

Vamos começar falando sobre a Anatomia da Pelve que compreende: os ossos do quadril, ilíaco e sacro/cóccix, ossos do tipo plano. Conhecer a anatomia ajuda, e muito, durante a Reabilitação do Assoalho Pélvico. Os ilíacos se unem a sínfise púbica anteriormente e ao sacro posteriormente que se articula com os ilíacos, com poucos movimentos existentes entre eles.

É importante entendermos como funcionam, pois, estão intimamente ligados com os movimentos da coluna vertebral. O sacro articula-se superiormente com a 5ª vértebra lombar e inferiormente com o cóccix, influenciando na postura. Funcionam como uma unidade e o peso corporal é transmitido para os membros inferiores através da pelve.

Como grandes forças atuam em diversos sentidos, é comum o aparecimento de dores e desconfortos. Como exemplo, a dor pélvica que atinge uma grande maioria das mulheres, não é bem definida e refere-se a dor situada na região abaixo do umbigo e acima das pernas, podendo ter diversas causas, entre elas as musculares, as ósseas, as do sistema reprodutor ou as viscerais.

O quadril é formado por três ossos: ílio, ísquio e púbis. O ponto onde se unem as três peças de uma asa do ilíaco, é o acetábulo (fossa que recebe a cabeça do fêmur). Ele faz o suporte de peso acima da linha do quadril e distribui o peso para os membros inferiores, devendo estar devidamente balanceada para a manutenção da capacidade de equilíbrio e de locomoção.

O posicionamento da região lombo pélvica pode influenciar na coordenação com os músculos do tronco, na contração do AP e no controle urinário, fundamental para o esvaziamento da bexiga. Vamos entender mais sobre a Reabilitação do Assoalho Pélvico?

Subdivisões da Pelve

A anatomia da pelve é subdividida em pelve maior (protege as vísceras abdominais) e menor (ossos da cavidade pélvica e períneo). Em formato de losango, o períneo contém os órgãos genitais e o ânus, tanto nos homens como nas mulheres, localizado entre as coxas e nádegas.

O centro tendíneo é onde os músculos que fazem parte do períneo se inserem, sendo este um local de maior resistência. Ainda temos a fáscia endopélvica que envolve as estruturas e mantém as vísceras em posições normais.

O AP é formado por um complexo conjunto de músculos, ligamentos e fáscias, formando uma rede de sustentação que deve interagir entre si para o funcionamento adequado do sistema de continência de urina e fezes e ainda sustentar os nossos órgãos abdominais.

Quando em funcionamento normal, estes músculos devem ter a capacidade de se contrair e relaxar tanto reflexamente como voluntariamente. A Reabilitação do Assoalho Pélvico, a partir dos músculos, quando realizada pelo fisioterapeuta, auxilia nos casos em que esta rede esteja com problemas, seja em resistência, fortalecimento ou relaxamento da musculatura.

A perda urinária ocorre quando há uma deficiência no suporte vesical e uretral que é feito pelos músculos do AP e/ou por uma fraqueza ou lesão.

Precisamos entender também como funciona a bexiga, sendo esta comandada por um sistema de nervos que se concentram no trígono: sistema nervoso central, sistema nervoso periférico e estruturas do trato urinário. A interação equilibrada deste conjunto que institui a continência urinária. A uretra é um canal membranoso por onde passa a urina da bexiga para o meio externo.

Músculos trabalhados na Reabilitação do Assoalho Pélvico

Os músculos que compõem o AP são: esfíncter anal, perineais superficiais, diafragma urogenital (bulbocavernoso, transverso superficial do períneo, isquiocavernoso) e pélvico (músculo coccígeo e elevadores do ânus).

Os músculos elevadores do ânus se dividem em pubococcígeo, ileococcígeo e puborretal. Estes músculos resistem a elevações súbitas da pressão-intra-abdominal e são os responsáveis pelo fechamento do hiato urogenital, quando se contraem.

O AP é constituído por dois tipos de fibras: 70% de contração lenta (tipo 1) e 30% de contração rápida (tipo 2). As fibras do tipo 1 são de resistência, suportando a contração por períodos mais longos, mantendo o tônus muscular até mesmo em repouso, já as do tipo 2 respondem ao aumento súbito da pressão intra-abdominal, realizando o fechamento uretral, sendo assim, fatigáveis.

Incontinência Urinária

A incontinência urinária (IU) é uma condição que pode trazer sérias implicações na vida social, psicológica e econômica das pessoas pelo medo da perda urinária, pela higiene, pela troca mais frequente de roupas e a necessidade de utilizar protetores favorecendo com o passar do tempo o isolamento e consequentemente a depressão.

A presença de noctúria (aumento da frequência urinária durante a noite) atrapalha o sono, levando a quadros de cansaço. Como não coloca diretamente a vida das pessoas em risco, muitas permanecem com o problema por anos acreditando que é normal perder urina, o que muitas vezes acaba prejudicando também a vida sexual das mulheres.

A Sociedade Internacional de Continência (ICS) define a IU como toda perda involuntária de urina. É um problema muito comum entre as mulheres e pode ocorrer em qualquer idade.

Encontram-se diferenças na prevalência conforme as características da população e faixa etária. Uma característica em comum entre elas é que geralmente não procuram amparo profissional. Muitas atletas também apresentam incontinência urinária de esforço (IUE), devido ao desequilíbrio entre as forças do AP e do abdômen.

Fatores de risco da IU

A prevalência e os fatores de risco associados vem sendo bastante estudados. Muitos fatores podem estar correlacionados com o aparecimento de IU ao longo do tempo como:

  • Idade Avançada;
  • Parto Vaginal;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Fraqueza do Tecido Conectivo;
  • Trabalho Fatigante com sustentação de carga;
  • Entre Outros.

Muitas vezes os estudos encontram-se conflitantes em relação aos fatores de risco, mas é essencial que sejam compreendidos, por isso se faz necessário uma boa avaliação para que seja possível traçar um plano de tratamento apropriado para cada paciente.

Tipos de incontinência

Dentre os tipos de IU, a IUE é definida como a perda involuntária de urina que ocorre durante o esforço físico, durante a tosse ou espirro, ou seja, quando existe aumento da pressão intra-abdominal.

A Incontinência Urinária de Urgência (IUU) é caracterizada pela vontade súbita de urinar e a pessoa acaba perdendo urina antes de chegar até o banheiro. Estes são os tipos mais comuns de incontinência entre as mulheres, com maior prevalência a IUE, sendo que os sintomas podem aparecer associados, classificado como Incontinência Urinária Mista (IUM).

Diagnóstico da incontinência

O tratamento fisioterapêutico é determinante para que os sintomas da IU desapareçam o quanto antes. O diagnóstico precoce e a prevenção são cruciais na Reabilitação do Assoalho Pélvico!

A informação a respeito do uso adequado da musculatura do AP e da função miccional, fazem parte da educação acerca do AP. A fisioterapia realiza um tratamento conservador, muitas vezes solucionando o problema sem precisar realizar um procedimento cirúrgico.

A avaliação da fisioterapia pélvica é primordial para saber o que realmente está acontecendo com cada paciente, isto envolve a habilidade de elevar os músculos do AP, a manutenção da força e a coordenação desta contração.

Não é possível fazer um tratamento somente com indicações de exercícios pré-definidos e são necessárias sucessivas reavaliações para acompanhar a evolução do quadro clínico e determinar se precisará de mudanças na conduta durante o tratamento.

O fisioterapeuta deve estar preparado para investigar detalhadamente a história clínica do paciente. Questionar o motivo da procura para começar a entender qual o problema e por quanto tempo está instalado a disfunção.

Se há hábitos que pioram, traumas pélvicos, dor e cirurgias. Utilização de medicamentos, hábitos de vida diária e atividade sexual também são importantes. Após a compreensão dos diversos fatores que podem interferir no tratamento, passamos para a avaliação física.

Inspeção da região pélvica

Primeiramente é realizada a inspeção da região pélvica de forma objetiva e deve ser explicado ao paciente os procedimentos da avaliação. Somente após o consentimento, dá-se seguimento a avaliação. Existem várias maneiras de avaliar a função do AP e as técnicas tem sido cada vez mais aperfeiçoadas.

Atualmente é muito utilizado na avaliação do AP a escala Perfect, proposta por Bo e Larsen em 1990, que consiste na palpação bidigital no canal vaginal, permitindo uma avaliação funcional do AP onde conseguimos quantificar o número de contrações rápidas e lentas, intensidade e o tempo de contração.

A importância do biofeedback

Arnold Kegel, ginecologista, foi o pioneiro no uso do treinamento da musculatura do AP para tratamento da IU, por volta dos anos 50. No seu estudo, 84% das mulheres com IU obtiveram melhora do quadro.

No seu protocolo de Reabilitação do Assoalho Pélvico incluía observação da contração voluntária dos músculos do AP, palpação vaginal e o uso do biofeedback para mensurar a pressão durante a realização dos exercícios vaginais.

O tratamento realizado em consultório é auxiliado pelo uso de equipamentos que ajudam na demonstração da contração do AP. O biofeedback é um aparelho que demonstra através da eletromiografia na tela de um computador o que está acontecendo com a musculatura perineal.

É utilizado na prática clínica para o treinamento do tônus da musculatura pélvica, fazendo com que aja mais precisão, conscientização e controle nos movimentos com intensidade e duração desejados favorecendo também o relaxamento.

Tratamento da Incontinência Urinária
hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

Mudanças comportamentais, eletroestimulação neuromuscular e cinesioterapia (exercícios para a normalização do tônus muscular) são utilizados no tratamento clínico.

Outros instrumentos podem ser utilizados para o treinamento, como os cones vaginais (pequenas cápsulas de peso diferente) que se introduz na vagina para fortalecimento muscular proporcionando um feedback tátil e cinestésico e até mesmo o uso da bola suíça com exercícios funcionais.

Diversas técnicas melhoram a eficiência, controle e qualidade dos componentes anatômicos, devolvendo a autoestima e a autoconfiança a estas pacientes que tem o convívio social comprometido na maioria das vezes.

O treinamento baseado nas contrações voluntárias repetidas, favorece o mecanismo de continência, resultando do fechamento uretral ocasionado a elevação e aproximação dos músculos do AP. Este processo também é influenciado pelo fechamento esfincteriano, dependente dos músculos estriado e liso uretral.

Ainda dentre tantas particularidades do tratamento, a maioria das mulheres se mostram incapazes de realizar uma contração dos músculos do AP somente com um comando verbal, por isso o tratamento deve ser acompanhado por um fisioterapeuta especializado. Também é interessante a discussão do caso com os demais profissionais que atendem este paciente.

Exercícios para a Reabilitação do Assoalho Pélvico

Alguns estudos também demonstram que um abdominal hipotônico altera as pressões no AP, ocorrendo o aumento da pressão anterior favorecendo a descida dos órgãos pélvicos e a IU.

Exercícios, posturas e manobras com enfoque no abdominal hipopressivo são benéficos na tonificação da musculatura do AP, normalizando as tensões das estruturas músculo-aponeuróticas antagonistas, realizando a proteção dos órgãos pélvicos.

A Reabilitação do Assoalho Pélvico consiste principalmente na conscientização das partes anatômicas do AP tão pouco conhecido e a forma de controlar os movimentos de maneira consciente, como se trabalha estes músculos e que muitas vezes não depende somente do fortalecimento.

Deve-se entender também que a utilização de musculaturas acessórias como glúteos, abdominais e adutores não trabalham o AP, que são musculaturas distintas.

A fisioterapia pélvica apresenta vantagens pelo baixo custo, ser minimamente invasiva, sem efeitos colaterais e morbidades, melhorando significativamente os sintomas com uma elevada taxa de cura, sendo reconhecida e valorizada cada vez mais. A paciente precisa ter um bom relacionamento com o profissional, respeitável, para que se sinta segura e confiante para obter resultados clínicos positivos.

Conclusão

Condescender ao tratamento significa aceitar e seguir as orientações do fisioterapeuta, incorporando e comprometendo-se a realizar os exercícios junto ao seu cotidiano.

Fatores como baixa aderência, desmotivação, indisciplina, gravidade do quadro clínico e falta de compreensão da importância do seguimento da terapia podem ser limitantes ao tratamento conservador. Além de que se faz necessário um acompanhamento nutricional e psicológico muitas vezes, pois o comportamento do paciente interfere diretamente nos resultados.

Em resumo, a Reabilitação do Assoalho Pélvico engloba além da IU e seus diferentes tipos, uma variedade de disfunções, sintomas e ocorrências, que devem ser investigados e esclarecidos para que o tratamento combinado com exercícios e eletroterapia, possa ser adequado à rotina do paciente.

 


Esse texto foi co-escrito pela Dra. Larissa Ribeiro

Larissa é Fisioterapeuta com Pós Graduação em Fisioterapia Pélvica e Mestranda em Ginecologia e Obstetrícia. Assim como possui formação em:

  • Pilates
  • Water Pilates
  • Hidroterapia
  • MIT – Movimento Inteligente
  • Treinamento Funcional
  • Método Abdominal Hipopressivo (MAH)
  • Treinadora do Grupo VOLL
  • Ministra cursos no Espaço Vida Pilates e Pilates avançado

 

Referências
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3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

3 Leis Ergonômicas aplicadas à Biomecânica do Pilates

As leis ergonômicas são aplicadas em diversos ramos de atividade para conseguir melhoras. Na indústria, por exemplo, elas ajudam a diminuir a incidência de acidentes de trabalho e lesões por atividades laborais, além de gerar um aumento da produtividade. No escritório, servem para manter trabalhadores focados e confortáveis. Então, por que não podemos utilizá-las no Pilates?

Continue lendo esse artigo para aprender 3 leis ergonômicas e como elas têm tudo a ver com o Pilates. Uma dica rápida: Joseph Pilates, o criador do Método, já sabia disse, então não existe motivo para ignorar esse conhecimento.

O que Joseph Pilates tem a ver com Ergonomia?
joseph pilates 2

Sabemos que Joseph Pilates teve uma visão inovadora para sua época que permanece relevante até os dias de hoje. Considerando esse seu imenso conhecimento, ele não poderia ter ignorado fatores tão importantes como as leis ergonômicas. Realmente, Joseph aplicou tais princípios em especial na criação de seus equipamentos.

Encontramos um exemplo claro no Universal Reformer. O equipamento foi criado com a intenção de reformar todo o corpo e possibilitar a realização de todos os movimentos. Por isso, Pilates precisou considerar a anatomia e biomecânica do corpo humano. Ele precisava de um equipamento que, além de deixar o indivíduo realizar uma variedade de movimentos, também o ajudasse a melhorá-los.

Na sua concepção, a carga era um elemento essencial. Movimentos feitos com carga externa seriam um tipo de preparação para o corpo. Assim que a carga fosse retirada, esse corpo teria movimentos mais eficientes e harmoniosos, ou seja, com menos incidência de lesão.

A Eficiência das Molas

Ao contrário de outras atividades físicas, Pilates foi genial a ponto de desenvolver uma nova maneira de aplicar carga: as molas. As encontramos em diversos dos seus equipamentos, como o Cadillac, mas especialmente no Reformer. O conceito de molas é muito valioso para o Pilates por conta de sua eficiência.

Se Joseph Pilates precisou das leis ergonômicas para desenvolver seus equipamentos, por que podemos ignorá-las para aplicar uma aula de Pilates? Agora entenderemos como essas leis se relacionam ao Pilates e como melhorar as sessões com seu uso.

Tríade Básica da Ergonomia

As principais leis ergonômicas são conhecidas como tríade básica da ergonomia. Elas são: segurança, conforto e eficiência. Considere que a ergonomia surgiu do desejo do ser humano de diminuir o esforço físico e mental para a realização de certas tarefas. Portanto, esses princípios ergonômicos são utilizados em objetos e ferramentas do dia a dia para proporcionar maior bem-estar ao indivíduo.

Para entender melhor como essa tríade é importante para o Pilates, podemos ver outros exemplos da sua utilização. Nas duas Guerras Mundiais, a ergonomia ganhou importância para a fabricação de equipamentos de guerra. Existia uma grande dificuldade de fabricar equipamentos, veículos, armas e outros produtos bélicos adaptados às necessidades dos soldados.

Foi necessário aplicar essas Leis Ergonômicas para conseguir adaptá-los aos variados tipos de corpo de soldados de cada país. Ainda hoje utiliza-se a ergonomia para fabricar-se cadeiras, veículos e móveis capazes de garantir conforto e qualidade de trabalho para os indivíduos.

Leis Corporais do Pilates

No Pilates, a ergonomia é essencial na adaptação dos equipamentos e exercícios aos variados tipos de corpo, lesão e patologias encontradas na prática. Além disso, conseguimos relacionar a Tríade Básica da Ergonomia às Três Leis Corporais que usamos no Pilates.

  • Lei do conforto = conforto: A presença de um desconforto (dor) demonstra sempre um desequilíbrio do corpo ou da atividade, que deve ser investigado e tratado, para que este corpo volte a trabalhar no equilíbrio, logo no seu conforto.
  • Lei do equilíbrio = segurança: Um corpo em equilíbrio gera segurança para realização de uma atividade, enquanto uma atividade segura mantém o equilíbrio corporal.
  • Lei da economia = eficiência: Um trabalho corporal eficiente utilizará de toda sua energia potencial para gerar energia cinética, evitando sobrecargas em áreas e/ou regiões específicas.

Ou seja, as leis ergonômicas estão de acordo com princípios utilizados na prática do Pilates. Precisamos aproveitar isso a nosso favor.

Como as Leis Ergonômicas são aplicadas ao Pilates?

Além de relacionar a tríade básica da ergonomia às leis que regem o corpo, também conseguimos aplicar outras leis ergonômicas ao Pilates.

De acordo com a ergonomia, o corpo humano deve trabalhar numa posição neutra que forneça menor tensão muscular em geral, além de garantir o melhor ponto de equilíbrio. Consideramos essa lei ao adequar o posicionamento de nosso aluno em todos os exercícios de Pilates. Sempre ouvimos falar em coluna neutra durante a execução de exercícios de Pilates. A ergonomia apoia e fundamenta isso através dessa lei.

As leis ergonômicas também falam a respeito da postura ideal que o indivíduo deve adotar durante sua atividade de trabalho ou lazer. Elas enfatizam a necessidade de existir flexibilidade no corpo para evitar sobrecarga durante a realização de diversas atividades.

Os princípios ergonômicos procuram uma adaptação do ambiente e do corpo para manter a qualidade de vida do trabalhador. Isso não se desvia do Pilates, pelo contrário, encontramos grande apoio neles para nossa aula. Os corpos que encontramos são sempre diferentes e precisam de adaptações únicas, seja nos exercícios ou no próprio uso de equipamentos.

Lembre-se que, quando os criou, Joseph Pilates já levou as leis ergonômicas em consideração. Portanto, seus equipamentos podem ser adaptados para qualquer porte físico de acordo com a necessidade.

Aplicação dos tipos de ergonomia em nossa aula

A ergonomia é dividida em alguns tipos, que são:

  • Ergonomia Física: estuda as reações do corpo humano as cargas físicas. Exemplos: a manipulação de materiais, o arranjo físico de estações de trabalho, as demandas do trabalho como repetição, vibração, força e postura estática.
  • Ergonomia Cognitiva: se preocupa com os processos mentais, tais como: percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, incluindo carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, e o erro humano.
  • Ergonomia Organizacional: esta analisa a estrutura organizacional, as políticas e os processos do trabalho. Neste item estão inclusos o trabalho em turnos, a hierarquia organizacional, o trabalho em equipe, a teoria motivacional, a ética profissional e o trabalho a distância.

Sabe como deixar sua aula de Pilates muito mais completa e eficiente? Basta utilizar esses três tipos de ergonomia no planejamento. Conseguimos aplicá-los em todas as áreas da aula, incluindo:

  • A designação da carga de cada exercício;
  • Posicionamento correto das molas para cada biótipo (ergonomia física);
  • Sequência de execução e metodologia do método (ergonomia organizacional);
  • Orientação do aluno para manter-se concentrado durante o exercício (ergonomia cognitiva).

Conclusão

Percebeu o quanto as Leis Ergonômicas contribuem para o bem-estar da população? Unindo elas ao Método Pilates, podemos proporcionar resultados incríveis aos nossos alunos!