Passo a passo para usar atividade física na fibromialgia

Passo a passo para usar atividade física na fibromialgia

Assim que acontece o diagnóstico do paciente com fibromialgia ele precisa receber um tratamento multidisciplinar para aumentar a qualidade de vida. Ela não possui cura, mas um bom tratamento consegue fornecer ao paciente a possibilidade de uma vida praticamente normal.

Durante esse processo o profissional da educação física e da fisioterapia são essenciais. A atividade física na fibromialgia é parte importante do alívio da dor e do retorno a atividades cotidianas. Por isso, como profissionais do movimento, devemos compreender e aprender a aplicar o tratamento para nossos pacientes.

Perceberemos ao longo desse artigo que o Pilates é uma excelente modalidade para quem sofre de fibromialgia, especialmente se você trabalhar com a doença da forma correta.

Como acontece o tratamento

Para compreender melhor a fibromialgia, realizei uma busca com o tempo e atividade física, exercício, fisioterapia e tratamento. Encontrei 2.531 resultados e selecionei 33 que eram relevantes para essa revisão.

Entre os estudos analisados encontrei diversas atividades aplicadas no tratamento da fibromialgia, como:

Com a aplicação do programa de intervenção, 10% a 44,2% dos pacientes dos estudos apresentaram diminuição da dor. Portanto, podemos perceber a importância de aplicar a atividade física na fibromialgia.

Nos estudos, a doença teve seu impacto reduzido entre 5,3% e 17,9%. O programa de tratamento multidisciplinar realmente é essencial para os pacientes afetados por esse mal. A atividade física é essencial e deve ser aplicar da forma mais eficiente possível para conseguirmos atingir resultados satisfatórios.

Recomendações de atividade física na fibromialgia

Um dos estudos escolhidos avaliou o treinamento de força para pacientes fibromiálgicos. De acordo com seus resultados, era sugerido que pacientes com a condição realizassem treinamento de resistência moderada ou de moderada a alta para conseguir melhora em:

Esse são resultados importantes que podem ajudar o indivíduo afetado a retornar a suas atividades. O estudo também mostrou que após oito semanas de exercícios aeróbicos, as pacientes conseguiram melhores resultados que com o treinamento de resistência em intensidade moderada.

Importância da atividade física no tratamento

Como acontece com diversos tipos de patologias e lesões, o paciente com fibromialgia pode buscar a imobilidade para escapar da dor. No entanto, devemos orientá-los para que saibam os riscos aos quais estão se submetendo para conseguir um alívio a curto prazo. Eles incluem:

  • Piora da condição física;
  • Redução de força e flexibilidade muscular;
  • Menor produção de neurotransmissores;
  • Aumento da debilidade e do cansaço.

É exatamente por esse motivo que a prática de atividades físicas regulares precisa ser incluída no tratamento de pacientes fibromiálgicos. Ela ajuda a reduzir a intensidade da dor e fadiga, dois os sintomas mais incapacitantes da doença.

Ao aplicar a atividade física na fibromialgia conseguimos resultados, como:

  • Diminuição da tensão muscular;
  • Diminuição do estresse e ansiedade;
  • Maior facilidade do sono;
  • Melhor coordenação motora para atividade do dia a dia;
  • Melhor postura;
  • Controle do peso e melhora na autoestima;
  • Melhor qualidade de vida no geral.

Qual é o melhor programa de treinamento?

Pacientes com fibromialgia precisam de um programa de treinamento completamente individualizado. As atividades utilizadas variam de acordo com a condição física e psicológica do indivíduo. Também é importante levar em consideração suas habilidades e preferências por atividades físicas para evitar a desistência durante o programa.

O paciente nunca poderá deixar de praticar a atividade física na fibromialgia para manter seus benefícios. Por isso, é importante que ele escolha algo que seja capaz de realizar com prazer.

Inicialmente os exercícios devem ser feitos com nenhuma ou mínima carga. A progressão desses pacientes é lenta e em pequena quantidade, mas deve ser realizada diariamente. Crie uma sequência programada para conseguir evoluir o aluno de forma planejada.

Movimentos extenuantes devem ser evitados nesse tipo de tratamento. Avise ao seu paciente que, a curto prazo, talvez ele sinta piora na intensidade das dores. Porém esse estado é passageiro e os benefícios mais tarde são grandes. Passando os primeiros dois meses de atividade as dores regridem e seu aluno começará a perceber o bem-estar.

Como dito anteriormente, o ciclo de dor musculoesquelética gerada por imobilidade, só poderá ser quebrado se exercitando. Isso deve estar bem claro, caso contrário será um forte fator desmotivador para nosso paciente.

Passo 1: Correção postural do aluno

Começamos nosso primeiro passo como aconteceria em qualquer tratamento: com uma excelente avaliação. Precisamos descobrir as compensações mecânicas que o corpo em postura antálgica criou e eliminá-los. Para isso usamos técnicas, como terapia manual e fisioterapia clássica.

Utilize a técnica que preferir para conseguir alcançar o alinhamento corporal do paciente. Quanto menos alterações posturais ele tiver, menores as chances de desenvolver dores mecânicas com o início do treinamento.

Nessa fase as dores mecânicas já começaram a aparecer e podemos aproveitar para eliminá-las em parte e melhorar o quadro do indivíduo. Antes mesmo de terminar as correções posturais, podemos começar a introduzir também a atividade física na fibromialgia, mas de forma gradual.

Passo 2: Início da atividade física

O paciente é sempre quem deve escolher a modalidade de atividade física que deseja praticar. Ele também precisa passar por uma reeducação de hábitos para conseguir inseri-la na rotina. Se o exercício não o agradar existem grandes chances do paciente desistir da prática com o tempo.

Os exercícios podem começar com uma frequência de 3 vezes por semana. No entanto, as sessões de treinamento são especiais, precisando ser mais curtas e com poucas repetições.

Ao contrário do que ocorre em treinamentos convencionais, não queremos fadigar grupos musculares específicos. Ou seja, não devemos separar aulas específicas para certos grupos musculares. O ideal é que todas as aulas sejam globais para facilitar o movimento fisiológico.

Podemos começar a trabalhar mobilidade articular, por exemplo. É uma forma de treinamento que não fadiga os músculos e ajuda o paciente a melhorar sua movimentação.

Fases da aula inicial

Sugiro que quem está trabalhando com pacientes em fase inicial de tratamento escolha aulas com uma primeira parte de meia hora. O restante da aula pode ser usada para aliviar as dores mecânicas trazidas pelo treinamento. Lembrando que isso só é aplicável para os casos de fibromialgia.

Você pode realizar, por exemplo, meia hora de Pilates seguido de meia hora de fisioterapia. A segunda parte da aula não seria “relaxamento”, mas sim a aplicação de técnicas para o alívio da dor. Esse aluno precisa de um trabalho mais delicado e minucioso para evitarmos piorar seu quadro. Por isso considero essa divisão da aula ideal.

No início do tratamento o paciente também precisa começar as atividade aeróbicas. Vimos no estudo citado anteriormente que o aeróbico é o que mais traz benefícios para o indivíduo com fibromialgia. No entanto, na primeira fase do tratamento o paciente pode experimentar um pouco de dor causada pelo treinamento. Ele precisa ser muito bem educado para ter a disciplina de perseverar e colher os benefícios da atividade física.

O exercício aeróbico deve ser escolhido pelo paciente e ser praticado pelo menos 3 vezes por semana. Observem que nesse momento, nosso paciente terá 6 sessões semanais de treino, com somente um dia de descanso semanal.

Passo 3: Diminuindo a fisioterapia

Passada a primeira fase de treinamento e atividade física na fibromialgia nosso aluno está com um condicionamento muito melhor. Nesse momento ele já observa os resultados através de melhor em:

  • Circulação;
  • Sono;
  • Estresse;
  • Capacidade de oxigenação.

Através dessa melhora o aluno torna-se capaz de realizar mais exercícios de força e com um desempenho muito melhor. Ele também começa a retornar às atividades da vida diária.

A próxima fase do treinamento começa depois de 8 semanas de tratamento inicial. Lembra que dividimos a aula em duas partes, uma com treinamento e outra com fisioterapia para aliviar a dor? Agora precisamos realizar um tipo de “desmame” no paciente diminuindo gradualmente a fisioterapia.

Depois da oitava semana de tratamento começamos a aumentar a cada sessão o tempo dedicado a exercícios de força, flexibilidade e mobilidade. O tempo dedicado a manipulações, terapia manual e fisioterapia diminui.

Passo 4: Transição no tratamento

No fim de doze semanas conseguimos finalmente evoluir o tratamento para treinamento. Nesse momento a fisioterapia já não deve mais fazer parte das aulas e realmente temos um aluno de Pilates, funcional ou qualquer outra modalidade.

É nessa fase do tratamento que podemos começar a alterar seu programa. Sugiro o seguinte protocolo (que deve ser alterado de acordo com as especificidades do seu paciente):

  • Exercícios aeróbicos 3 vezes por semana
  • Trabalho de força 2 vezes por semana
  • Sessão fisioterápica 1 vez por semana

Conclusão

O mais importante para os profissionais que assumirão o caso é não se desmotivarem diante das recaídas de dor ou quadros de depressão do doente. Devemos quebrar esse ciclo de retroalimentação devido à falta de neurotransmissores ligados ao prazer.  Para isso, temos que estar atentos a essas recaídas e sabermos que farão parte de nosso trajeto.

 

 

Bibliografia
Introdução à fáscia para melhorar seus tratamentos

Introdução à fáscia para melhorar seus tratamentos

A fáscia é uma parte do tecido conjuntivo do corpo que influencia, e muito, nos resultados de nossos tratamentos e treinamentos. Apesar de ser tão importante, as pesquisas a seu respeito ainda estão em desenvolvimento e são um pouco obscuras no meio profissional. Porém, é importante acompanhá-las e saber tudo que é possível sobre o tecido fascial.

Para te ajudar a entender o que é a fáscia e sua importância no tratamento. Separei alguns conceitos básicos que devem te ajudar muito na compreensão antes de entrar em estudos mais aprofundados a respeito do tema.

Relação entre fáscia e colágeno

A fáscia é formada por proteínas, em especial o colágeno, e faz parte do tecido conjuntivo do corpo humano. Apesar do termo fáscia ainda ser discutido, como mostrei no meu artigo sobre as novidades científicas relacionadas à fáscia, podemos podemos considerá-la como: “tecidos conectivos fibrosos, moles, colágenos, soltos e densos que permeiam (ou seja, são espalhados por todo o corpo)”.

O colágeno, que forma boa parte dessa estrutura, é uma proteína produzida pelo corpo desde o nosso nascimento. Ele também é uma das proteínas mais importantes na manutenção do sistema conjuntivo, sendo responsável por manter sua estrutura matricial e força. No entanto, essa substância não é produzido pelo corpo até o fim da vida. Sua produção começa a diminuir mais ou menos aos 28 anos de idade, começando a cair cerca de 1% ao ano após os 35 anos.

Quando alguém chega aos 50 anos já deve estar produzindo cerca de 35% do colágeno que seu corpo precisaria para executar suas funções corporais. Nesse momento, o corpo começa a utilizar o estoque de colágeno que foi produzido até os 28 anos de idade, que não é o suficiente. É por isso que o processo de envelhecimento envolve a perda de elasticidade e firmeza do tecido conjuntivo.

Essa proteína é tão importante para o corpo que constitui diversas estruturas corporais que são afetadas conforme envelhecemos. Entre elas temos:

  • Ossos;
  • Unhas;
  • Músculos;
  • Cartilagens;

Cerca de 25% da proteína do corpo é colágeno, então não podemos ignorar seu papel. Sua principal função é sustentar as células, fazendo com que elas fiquem juntas e firmes. Isso também acontece no tecido da fáscia, fazendo com que essa proteína seja essencial para o funcionamento do conjunto fascial.

Funções da Fáscia

Autores relevantes já definiram a fáscia de forma bem ampla, deixando-a mais simples de compreender. O sistema fascial envolve os músculos, ossos e fibras nervosas e realiza diversas funções no corpo. Isso inclui funções:

  • Arquitetônicas/estruturais;
  • Neurológicas;
  • Transmissão de força biomecânica;
  • Morfogênese;
  • Transmissão de sinal celular.

Para conseguirmos utilizar esse artigo na nossa prática clínica, focarei na fáscia sob uma perspectiva funcional. Precisamos compreender o tecido conjuntivo e como ele realiza a ligação entre diversas estruturas do sistema musculoesquelético.

Treinamento da Fáscia

Durante nossos atendimentos precisamos considerar o conceito de treinamento da fáscia. Ele é necessário em qualquer paciente, seja ele um atleta de alto rendimento que deseja melhorar seu desempenho, um indivíduo lesionado ou uma pessoa que só quer praticar atividade física.

Quando um atleta sofre lesões por overtraining, por exemplo, a lesão acontece nos elementos da rede fascial do corpo. Os tecidos que devemos desenvolver no treinamento fascial são:

  • Envelopes musculares;
  • Aponeuroses;
  • Adaptações locais específicas (ligamentos ou tendões).

No corpo, existem estruturas que são responsáveis por adaptar os tecidos conjuntivos dos sistema fascial aos estímulos. Eles são os fibroblastos. Por isso, devemos adotar um treinamento orientado para a fáscia. Em atletas, esse treinamento precisa ser ainda mais específico para evitar sobrecarga, mas já falei a  respeito disso em outro artigo.

Nos treinamentos podemos adotar alguns recursos que ajudam a trabalhar a fáscia, mas nunca em excesso. Recomenda-se que esse tipo de treinamento aconteça entre uma e duas vezes por semana. Conseguimos melhorar o condicionamento fascial em 6 a 24 meses, dependendo do caso específico do aluno.

Muitas das lesões que encontramos na prática clínica envolvem tendões, ligamentos e outras estruturas do tecido conjuntivo. Muitas vezes, somente o tratamento do sistema musculoesquelético pode ser insuficiente. Mesmo que consigamos um resultado, o paciente pode voltar a ter o mesmo tipo de lesão.

Características da Fáscia

A fáscia é um tipo de rede de tensão que recobre todo o corpo. Ela é parte do que conecta diversas estruturas corporais, transmitindo tensões entre todo o sistema. Ela consiste de todos os tecidos conectivos, incluindo os:

  • Moles;
  • Colágenos;

A fáscia não é moldada por compressão, mas sim por tensões. Esse sistema envolve todos os músculos e órgãos. Podemos considerar alguns elementos que fazem parte da rede fascial, incluindo:

  • Envelopes musculares;
  • Cápsulas articulares;
  • Septos;
  • Tecidos conectivos intramusculares;
  • Retináculos;
  • Aponeuroses;
  • Ligamentos;
  • Tendões.

A rede fascial ao longo do corpo é formada por diversos tipos de tecidos conjuntivos, assim como algumas áreas de transição. Essas áreas ficam localizadas principalmente próximo a articulações. A rede recobre todo o corpo e é responsável por transmitir deformações tensionais multi-articulares. Por isso, cada região do corpo possui uma arquitetura local adaptada às demandas de carga de deformação impostas.

As deformações impostas sobre o sistema fascial o moldam e podem influenciar em lesões futuras. Por acaso você já conferiu um pouco do meu conteúdo sobre avaliação postural? Sempre falo a respeito de conhecer o histórico do paciente. Ele pode te dar insights importantes nas deformações que afetam o sistema fascial atualmente, mas que surgiram no passado.

Tipos de Colágeno no Mercado

No início do artigo falei um pouco da relação entre colágeno e fáscia e como nosso corpo deixa de produzir a quantidade necessária da proteína ao longo do tempo. Para suprir essa demanda, existem diversas opções de colágeno no mercado. Porém, ainda não existem estudos comprovando claramente sua eficiência no tratamento de patologias relacionadas ao tecido conjuntivo.

Os colágenos mais comuns no mercado são:

  1. Colágeno Hidrolisado – Passa por um processo de hidrólise, ou seja, é quebrado em partículas menores para ser absorvido mais facilmente e ter melhor aproveitamento pelo organismo.
  2. Colágeno Tipo 2 É o mais abundante nas cartilagens.
  3. Pepto Colágeno – É um colágeno altamente hidrolisado, que chega aos peptídeos de colágeno (conjunto de aminoácidos). Ou seja, moléculas ainda menores e de mais fácil absorção. Diversos estudos apontam que o colágeno na forma de peptídeos possui benefícios potencializados.

Conclusão

A fáscia é parte do tecido conjuntivo que nos ajuda a entender como o corpo sofre com deformações e tensões que levam ao surgimento de patologias. Através do estudo dessa estrutura, podemos desenvolver um treinamento mais completo e eficiente para nossos alunos. Por enquanto, quero dar uma dica: estude mais sobre a fáscia para conseguir utilizá-la nas suas avaliações e tratamentos. No meu blog tenho bastante conteúdo a respeito.

 

 

Bibliografia
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  • Research: Basic Science and Implications for Conventional and Complementary
Resultados a longo prazo do tratamento conservador para dor subacromial

Resultados a longo prazo do tratamento conservador para dor subacromial

A dor no ombro é algo extremamente comum na prática de quem trabalha com fisioterapia e ortopedia. Entre as causas, podemos encontrar lesões e disfunções do manguito rotador (MR), um complexo estabilizador do ombro. Os problemas do manguito, por sua vez, são causados com frequência pela síndrome do impacto ou da dor subacromial.

Essa síndrome é multifatorial e pode combinar problemas de:

  • Vascularização;
  • Degeneração;
  • Trauma;
  • Anatomia do ombro.

Pacientes com o problema sofrem de inflamação, irritação e degeneração do tendão supraespinhal. Existe um importante aspecto de degeneração nos casos de dor subacromial que pode levar à ruptura do tendão e necessidade de intervenção cirúrgica.

Porém, o tratamento conservador permanece sendo a primeira opção de tratamento para os pacientes com a patologia.

Causas da síndrome da dor subacromial

Atualmente, estudos indicam que a morfologia do acrômio pode estar envolvida na causa da síndrome da dor subacromial. Um estudo associou a morfologia do acrômio e a alteração da biomecânica gerada por uma fisiopatologia causada por choques mecânicos do manguito rotador no comportamento subacromial.

Outros estudos posteriores associaram a forma do acrômio e as lesões do manguito.

Nossos pacientes podem ter diversas formas de acrômio. Bigliani et al, propuseram um sistema de classificação para acrômios após um estudo com 140 ombros de cadáveres humanos. Essa classificação é em:

  • Acrômio reto – tipo I;
  • Acrômio curvo – tipo II;
  • Acrômio enganchado – tipo III.

Quando o acrômio for mais curvo, existe maior probabilidade de diminuição do espaço subacromial e desenvolvimento da dor subacromial. Porém precisamos entender que essa classificação é bastante subjetiva. Dependendo do avaliador, a distinção entre acrômios do tipo II e III é variável.

De qualquer forma, a dor subacromial está bastante relacionada ao grau de inclinação do acrômio.Os acrômios de tipo curvo e enganchado, em especial o último, são mais relacionados com a síndrome do impacto subacromial.

Quais são as opções de tratamento mais utilizadas?

Apesar de existirem alterações anatômicas cuja única solução é cirurgia, a primeira indicação de tratamento para esses pacientes é clínico. Recomenda-se o tratamento conservador mesmo para pacientes com dor subacromial que apresentam esporão subacromial ou acrômio de tipo III. A maior parte da literatura recomenda tratamento conservador por 6 meses antes de recomendar a cirurgia.

Inicialmente, aplicamos o tratamento conservador para controlar a dor no ombro do paciente. Com o tempo podemos aplicar exercícios para recuperar a amplitude de movimento do indivíduo. Caso o paciente permaneça realizando os protocolos por meses sem resultados, a cirurgia é recomendada. Ela deve ser realizada para evitar a maior degeneração do tendão afetado.

O tratamento conservador é eficiente?

A literatura a respeito do tema ainda não atingiu um consenso a respeito do resultado de tratamento conservador e cirúrgico da dor subacromial. Alguns acreditam que o paciente deve permanecer no protocolo fisioterápico por até 9 meses antes de optar pela cirurgia, enquanto outros prescrevem cirurgia mais rapidamente para evitar degeneração do tendão.

Alguns estudos mostram que programas de exercícios têm sido bastante efetivos no tratamento da dor subacromial, podendo até reduzir o número de cirurgias. Para comprovar essa afirmação, trago os resultados de um estudo que acompanhou 91 pacientes com o problema durante 5 anos.

No estudo, os indivíduos foram diagnosticados com dor crônica subacromial sem sinais clínicos de disfunção no manguito rotador. Eles também não tinham fraqueza significativa nos rotadores internos e externos. Todos os indivíduos realizam fisioterapia na atenção primária, mas tiveram resultados insatisfatórios.

Os pacientes foram divididos em um grupo que realizou exercícios focados no ombro. O protocolo incluía exercícios excêntricos e concêntricos para estabilizadores de escápula e manguito rotador. O grupo de controle não realizou exercícios focados, mas sim gerais. Entre eles incluiu-se movimentos exercícios sem progressão para ganhar mobilidade de cervical e ombro.

Após 3 meses de tratamento cirúrgico foi realizada uma reavaliação na qual o cirurgião oferecia a possibilidade de cirurgia de descompressão. O cirurgião não era informado sobre qual paciente estava em qual grupo.

Após a reavaliação de 3 meses, os pacientes foram divididos em 4 grupos:

  • Exercícios específicos sem cirugia;
  • Exercícios específicos com cirurgia;
  • Grupo controle não operado;
  • Grupo controle operado.

Resultados do tratamento conservador vs. cirúrgico

Os pacientes foram acompanhados durante 5 anos após o início do estudo. A quantidade de pacientes que não desejavam cirurgia e estavam satisfeitos com o tratamento conservador era maior após 5 anos de acompanhamento para os pacientes no grupo de exercícios específicos.

Depois de 5 anos, 7 dos 49 indivíduos não operados tiveram que continuar com tratamento. 5 pacientes utilizaram injeção de corticosteroide subacromial e 2 receberam instruções adicionais de fisioterapia.

No grupo operado 4 dos 42 pacientes receberam tratamento adicional. 3 foram reoperados e 1 continuou na fisioterapia após o procedimento. Os pacientes reoperados obtiveram resultados semelhantes quando comparados aos que não realizaram um novo procedimento.

No grupo operado 31 pacientes relataram não observar qualquer disfunção no ombro, contra 44 no grupo não operado. Em exame de imagem 16 pacientes do grupo operado tiveram progressão de lesão no tendão afetado ou nova lesão, no grupo não operado foram 9 pacientes.

Exercícios específicos vs. exercícios generalizados

Durante o estudo, os indivíduos que utilizaram exercícios específicos para ombro tiveram menor necessidade de realizar cirurgia quando comparados aos indivíduos do grupo de exercícios não-específico.

No primeiro grupo, o protocolo de tratamento incluiu exercícios excêntricos e concêntricos para o manguito rotador e estabilizadores da escápula. Portanto, observou-se certa vantagem na aplicação de movimentos específicos para os pacientes com dor subacromial.

Conclusão

Apesar de ainda não existir consenso sobre o tratamento da dor subacromial, podemos considerar que os exercícios são uma boa solução. Quando realizados com um protocolo de movimentos específicos para o caso podemos conseguir resultados ainda mais satisfatórios.

O mais recomendado é realizar um tratamento focado na melhora da amplitude de movimento, força e endurance muscular. Assim, o paciente consegue recuperar a cinemática escapuloumeral no movimento. Também devemos observar com cuidado a dor e utilizá-la como métrica para avaliar quando evoluir o tratamento.

 

 

Bibliografia
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O que a ciência diz sobre o tratamento de tendinopatia patelar?

O que a ciência diz sobre o tratamento de tendinopatia patelar?

A tendinopatia patelar é uma patologia de joelho bastante comum em consultórios de fisioterapeutas, studios de Pilates e para qualquer um que trabalhe com movimento. O problema é caracterizado pela dor na parte anterior do joelho.

Um paciente com a patologia sente dor à palpação e déficit funcional, sendo bastante comum em atletas. Boa parte dos indivíduos com o problema são praticantes de atividades físicas com saltos, como basquete e vôlei. Por isso, ele também é conhecido como joelho de saltador ou jumper’s knees.

A parte do tendão mais afetada é a profunda e posterior. Apesar de ser mais comum em atletas, ela não é exclusiva à eles. Ela também pode ocorrer em indivíduos sedentários.

Considerando que essa patologia é bastante comum em todo tipo de público, chegou a hora de entender como tratá-la. Como sempre, não quero te passar um protocolo pronto de tratamento, até porque, ainda não existe consenso científico a respeito da patologia.

Por isso, vamos revisar algumas das teorias científicas a respeito da tendinopatia patelar para entender melhor como dar o melhor tratamento para cada paciente.

Possíveis causas da patologia

Ainda não existe consenso sobre a causa da patologia, porém diversas teorias tentam explicar de onde vem a dor anterior nos pacientes. Antes de começar a falar do que realmente causa o estresse no tendão patelar, é importante perceber os fatores de risco para o surgimento da doença.

Fatores de risco

Alguns grupos de pessoas têm maior tendência para desenvolver a tendinopatia. O primeiro grupo você já sabe, são atletas que praticam atividades com saltos. Além deles, quem realiza esportes com paradas bruscas no movimento, como corredores e jogadores de futebol, também tendem a ter a patologia.

Outros fatores que podem aumentar o risco de ter tendinopatia patelar incluem:

  • IMC (índice de massa corporal) alto;
  • Relação cintura-quadril;
  • Diferença no comprimento de membros;
  • Força de quadríceps;
  • Flexibilidade dos isquiotibiais;
  • Desempenho no salto vertical.

Pessoas com esses fatores têm um estresse mais alto exercido sobre o tendão patelar. Com o tempo, isso leva microlesões no tecido e seu enfraquecimento.

Causas mais aceitas

Um dos motivos mais aceitos atualmente para o surgimento da tendinopatia patelar é a sobrecarga repetida crônica sobre o tendão patelar. Seria por causa dessa sobrecarga que atletas de basquete, vôlei e corrida desenvolvem a patologia com tanta frequência.

Esse aumento de tensão acontece principalmente na porção posterior do tendão e na região inferior da patela. Ele acontece especialmente na aterrissagem do salto com o aumento da flexão no joelho. É o impacto que causa microtraumas que alteram o tendão patelar a nível celular.

Alguns estudos in vitro também mostraram que podem existir causas vasculares. A neovascularização aumenta a quantidade de proteínas e enzimas que podem contribuir para a degeneração do tendão.

Como acontece a dor?

A principal característica da tendinopatia patelar é a dor aguda que o paciente enfrenta. Portanto, é o primeiro sintoma que tentamos combater com o tratamento. Certamente, compreender como essa dor surge nos ajudaria a tornar o tratamento mais eficiente.

Certas teorias afirmam que a inflamação é a principal causadora da dor, mas essa ideia está sendo bastante criticada. Estudos mostram que após cerca de três semanas já não existem células inflamatórias na região afetada. Apesar disso, os pacientes continuam sentindo dor, desconforto e problemas com a funcionalidade do membro.

Em estágios avançados de tendinopatia patelar o tendão apresenta característica degenerativas. Ele tem hipercelularidade com fibroblastos atípicos e proliferação de células endoteliais e neovascularização. Além disso, acontece a alteração na quantidade de colágeno.

Outra teoria indica que i excesso de estresse e cargas aplicados de forma cíclica sobre o tendão causa alterações vasculares e lesões de fibras de colágeno. Conforme essas fibras se rompem elas causam dor. Ela também é questionada porque a maioria dos atletas diagnosticados com a patologia não apresentou alterações das fibras de colágeno em estudos.

Também é possível que aconteça o pinçamento tecidual do tecido. As teorias que suportam essa causa indicam que a flexão do joelho faz com que a face posterior da região proximal do tendão patelar seja comprimida pela patela. Observações clínicas contradizem tal modelo porque a dor costuma ter início após a queda de um salto. Nesse movimento o joelho encontra-se em leve flexão.

Finalmente, chegamos às teorias mais aceitas a respeito da dor na tendinopatia patelar. É possível que exista hipóxia regional, ou seja, falta de células fagocitárias para eliminar substâncias nocivas da atividade celular. A dor causada por fatores químicos pode combinar-se com fatores mecânicos, como a compressão do tendão.

Tratamento da tendinopatia patelar

Considerando que não existe uma causa completamente aceita para o surgimento da patologia ou da dor, só tenho uma dica para dar. Analise cada caso com cuidado para saber qual foi a provável causa e para conseguir resolvê-lo. O tratamento da tendinopatia patelar também é bastante discutido sem chegar a conclusões claras.

Inicialmente, recomenda-se que o tratamento conservador seja aplicado. A cirurgia só deve ser indicada quando o paciente não conseguiu resultados satisfatórios.

O tratamento de tendinopatia patelar conservador sempre foca inicialmente no alívio da dor. Para isso, podemos usar diversas técnicas, como:

  • Crioterapia;
  • Ultrassom terapêutico;
  • Laserterapia.

Apesar dos anti-inflamatórios ainda serem parte comum dos tratamentos conservadores, eles já têm seu uso questionado. Como mencionei anteriormente, alguns estudos mostram que a presença de inflamação nos estágios avançados é muito pequena. Porém, eles não devem ser completamente abolidos.

Parte da bibliografia encontrou benefícios no uso de anti-inflamatórios a curto prazo. Assim, eles podem auxiliar o profissional do movimento a conseguir alívio da dor no início do tratamento para conseguirmos realizar movimentos de forma mais livre.

Alívio de dor

O uso do gelo é bastante indicado, especialmente na fase inflamatória da patologia. A curto prazo, a crioterapia é excelente para aliviar a dor, diminuir o edema e diminuir os leucócitos nas membranas. Em pacientes com a tendinite patelar, a aplicação por 10 minutos de gelo já é o suficiente para conseguir alívio e benefícios significativos.

O ultrassom terapêutico e alguns tipos de massagem também podem e devem ser usados nessa fase de tratamento. Esses tratamentos podem acelerar a cicatrização do tendão afetado e deixam o aluno pronto para movimentar-se posteriormente.

Exercícios excêntricos no tratamento

O tratamento conservador com exercícios vem trazendo alívio e reabilitação para muitos pacientes com tendinopatia patelar. Porém, ainda existe o debate sobre o uso de exercícios excêntricos (em cadeia fechada) ou concêntricos (cadeia aberta) aplicados ao problema.

Durante o tratamento de tendinopatia patelar, os exercícios excêntricos parecem trazer melhora mais significativa. Exercícios, como o agachamento, agachamento unipodal e similares trazem bons resultados tanto no alívio da dor quanto na recuperação de habilidades funcionais.

Portanto, pode apostar nesses movimentos para complementar melhor seu tratamento de tendinopatia patelar. Para quem trabalha com Pilates essa é uma excelente notícia. Existem diversos exercícios do tipo no Método que devem te ajudar a trazer melhora para eu paciente.

Conclusão

A tendinopatia patelar continua sendo uma patologia que causa incapacidade em diversos de nossos alunos. Os atletas são especialmente afetados, precisando parar os treinos competitivos enquanto permanecem assintomáticos.

Para conseguir tratar esses pacientes precisamos de uma excelente avaliação e bom programa de exercícios. A tendência é que o indivíduo busque o repouso já que, a curto prazo, ele realmente alivia a dor. No entanto, precisamos incentivá-los ao movimento, que ajuda na recuperação do tendão afetado quando feito da maneira correta.

Em nossos tratamentos precisamos incluir exercícios excêntricos que também recuperem os movimentos funcionais do joelho. Por isso, muitos profissionais tendem a escolher movimentos como o agachamento. Minha recomendação é avaliar seu aluno e aplicar os exercícios necessários para seu caso específico.

 

 

Bibliografia
Testes para síndrome do desfiladeiro torácico: como diagnosticar

Testes para síndrome do desfiladeiro torácico: como diagnosticar

A síndrome do desfiladeiro torácico é uma patologia bastante frequente. Ela afeta a cintura escapular e causa sintomas limitantes no aluno. Ela acontece quando o paciente apresenta compressão de estruturas que passam pelo desfiladeiro cervicotoracobraquial.

Os principais sintomas da síndrome são:

  • Dor;
  • Parestesia principalmente no nível do 4º ou 5º dedo, podendo acontecer também no 2º ou 3º dedo;
  • Alteração da coordenação motora fina;
  • Fraqueza muscular distribuída por toda a mão, especialmente em movimentos de adução/abdução dos dedos;
  • Incapacidade para realizar atividades da vida diária;
  • Isquemia;
  • Palidez;
  • Cianose;
  • Sintomas vasomotores (fenómeno de Raynaud) que acontece por hiperatividade simpática em reação à isquemia;
  • Sensação de peso;
  • Aumento da temperatura e edema;

Muitos pacientes desenvolvem esses sintomas de maneira espontânea, mas eles também podem surgir por causa de algum movimento. Também existe a forma venosa de SDT. Nesse caso, o indivíduo ainda pode desenvolver uma trombose venosa que acontece pelo edema formado na região da compressão.

A síndrome do tipo arterial é bem mais rara e tem sintomas que incluem:

  • Vertigem;
  • Alteração do equilíbrio;
  • Diminuição da pressão do membro afetado.

Para conseguir compreender melhor o caso de síndrome com o qual estamos lidando precisamos realizar um bom diagnóstico. Por isso, durante a avaliação, o profissional do movimento precisa aplicar testes para síndrome do desfiladeiro torácico.

Por ser uma patologia de difícil diagnóstico, separei os principais testes e algumas dicas a respeito de exames complementares. Continue lendo para aprender mais sobre a síndrome e como identificá-la no seu paciente.

Teste de Adson
síndrome do desfiladeiro torácico e teste de adson

Posição: O paciente fica sente ou em pé de frente para o examinador.

Durante o teste de Adson, o terapeuta palpa o pulso radial do paciente e depois realiza cada uam das etapas.

1ª etapa: o paciente realiza uma abdução de 30º e hiperextensão do membro superior. Ainda nessa posição, é preciso verificar o pulso do paciente. Se ele estiver ordiminuído, provavelmente possui um músculo peitoral menor encurtado.

2ª etapa: o terapeuta instrui o paciente a realizar uma inspiração forçada e rodar a cabeça para o lado sendo testado. Nessa posição ele deve verificar o pulso do indivíduo. Caso esteja diminuído podemos estar de frente de um estreitamento por encurtamento ou hipertrofia dos escalenos. O feixe neuromuscular passa entre os músculos escalenos anterior e médio, mais ou menos na altura do pescoço. A inspiração máxima faz com que a pessoa eleve a primeira costela, estreitando ainda mais a passagem do feixe.

Sinais: durante o teste o paciente pode apresentar sensação de formigamento e fraqueza em todo o membro superior. Ele ainda pode ter reações, como sudorese e sensação de peso no membro avaliado.

Teste de Roos
síndrome do desfiladeiro torácico e teste de roos

Posição: o paciente fica em pé, com o s braços abduzidos a 90º e com o cotovelo fletido a 90º .

Para realizar o teste, o terapeuta instrui o indivíduo a realizar um movimento rápido de abrir e fechar os dedos. Ele deve repetir esse movimento por pelo menos 30 segundos.

Sinais: pacientes com a síndrome do desfiladeiro torácico começam o movimento, mas não conseguem continuar por muito tempo. Observe a queda do membro ou a falta de capacidade de continuar realizando a ação. Esse teste demonstra que o feixe neurovascular é comprimido no desfiladeiro torácico.

Teste de Hiperabdução
teste de hiperabdução para síndrome do desfiladeiro torácico

Posição: o paciente precisa estar sentado ou em pé e de costas para o terapeuta. Seus braços ficam em abdução em torno de 30º ou 40º.

Para realizar o teste, o terapeuta palpa os pulsos radiais do paciente e leva seus braços para abdução horizontal máxima.

Sinais: o paciente pode apresentar alterações no pulso radial do lado afetado pela síndrome. Nesse caso, a suspeita de síndrome do desfiladeiro torácico é confirmada e geralmente acontece pela contratura do músculo peitoral menor ou por causa da presença de costela cervical.

Teste dos três minutos de estresse com o braço elevado:

Entre os testes para síndrome do desfiladeiro torácico esse é o mais indicado para confirmar o caso.

Durante o processo, o paciente deve realizar a abdução de ambos os braços com rotação externa e flexão de 90º dos cotovelos. Depois de adotar a posição, ele deve abrir e fechar as mãos por três minutos.

Sinais: o paciente pode apresentar sintomas, como entorpecimento, parestesia e incapacidade de continuar o testes. Todas essas são respostas positivas à síndrome. Pessoas normais podem apresentar fadiga no membro superior, mas raramente têm parestesia ou mesmo dor.

Exames complementares aos testes para síndrome do desfiladeiro torácico

A síndrome do desfiladeiro torácico tem um grande número de sinais e sintomas neurológicos e vasculares característicos. Por isso, seu diagnóstico é essencialmente clínico, porém difícil, o que leva ao subdiagnóstico dessa patologia.

Para auxiliar na identificação do problema do paciente podemos utilizar exames auxiliares de diagnóstico (EAD). Eles são especialmente úteis para excluir outras patologias, como:

  • Radiograma simples (RX) torácico e cervical (sinal radiológico: primeira costela com aspeto em foice ou boomerang);
  • Tomografia computorizada (TC) cervical (permite visualizar com maior acuidade estruturas ósseas, envolvidas por exemplo em radiculopatia cervical, calo ósseo em contexto póstraumático);
  • Ressonância magnética nuclear (RM) cervical e de plexo braquial para averiguar a existência de hipertrofia dos músculos escalenos e subclávio ou a existência de bandas musculofibróticas. Também pode ser usado para efetuar medições, seja de distâncias mínimas de lugares típicos de compressão como os espaços interescalenos e retropeitoral, como de distâncias desde as estruturas neurovasculares ao músculo peitoral menor (que, a serem inferiores a determinados valores, traduzem compromisso do feixe vasculonervoso.

Considerando as técnicas de imagem, precisamos realizar os testes com cuidado. Durante a ressonância magnética em especial, é importante realizar o teste junto de manobras que provocam os sintomas da patologia. Para isso, o terapeuta pode combinar testes para síndrome de desfiladeiro torácico, como o teste de Adson. É uma forma de diminuir os falsos negativos do exame.

Estudos eletrofisiológicos não são muito recomendados para esse tipo de caso por serem inespecíficos. Seus resultados apenas demonstram lesão nervosa de longa data e derivada da compressão intensa.

Pacientes que têm uma manobra positiva nem sempre chegam a desenvolver a síndrome do desfiladeiro torácico. Porém, acredita-se que para que a síndrome aconteça o paciente precisa, primeiro, ter estreitamento anatômico e algum grau de trauma repetitivo. São esses fatores que permitem o surgimento da doença.

Os sinais e sintomas característicos da doença podem ocorrer de forma espontânea ou serem provocados por movimentos que diminuem as dimensões dos espaços anatômicos.

Conclusão

A síndrome do desfiladeiro é uma patologia de difícil diagnóstico que causa sérias consequências para nossos pacientes. Como sempre, a avaliação é o ponto inicial do tratamento e, se não for bem realizada, pode acabar com as chances de reabilitação.

Por isso, trouxe aqui alguns testes para síndrome do desfiladeiro torácico que são bastante úteis para sua prática clínica. Aprendendo mais sobre a patologia você consegue melhorar seu tratamento do problema e oferecer resultados mais eficientes ao paciente.

Mas calma, não terminamos de analisar a síndrome ainda! Você pode conferir meu artigo completo sobre o tratamento dessa patologia clicando nesse link.

 

 

Bibliografia
  • Classificação neurofisiológica da Síndrome do Túnel do Carpo Neurophysiological classification of the Carpal Tunnel Syndrome Fabrício Nunes Carvalho; Armando Pereira Carneiro; Régis Resende Paulinelli; Tanise Nunes Carvalho
  • LIGAMENTO DE STRUTHERS E PROCESSO SUPRACONDILAR DO ÚMERO: ESTUDO ANATÔMICO E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS Edie Benedito Caetano, João José Sabongi Neto, Luiz Angelo Vieira, Maurício Ferreira Caetano, José Eduardo de Bona, Thais Mayor Simonatto 3 – MOBILIZAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO: avaliação e tratamento Herculano Franco de Oliverira Junior, Áktor Hugo Teixeira
  •  https://www.auladeanatomia.com/novosite/generalidades/eponimos-anatomicos/
  • Upper limb tension tests as tools in the diagnosis of nerve and plexus lesions. Anatomical and biomechanical aspects. Kleinrensink GJ1, Stoeckart R, Mulder PG, Hoek G, Broek T, Vleeming A, Snijders CJ.
  • Mobilization nervous system: assessment and treatment Herculano Franco de Oliverira Junior Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury – Áktor Hugo Teixeira Especialista em Traumato-ortopedia com ênfase em Terapias Manuais pela Faculdade Cambury