Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Uma das etapas da avaliação postural que utilizamos é a estática. Quero começar avisando: esse tipo de avaliação não é o suficiente para compreender nosso aluno por completo.

Depois de avaliarmos todos os pontos anatômicos estaticamente, conseguimos juntar nossos achados para a avaliação dinâmica. Também conseguimos aplicar os conhecimentos obtidos nessa fase na entrevista e nos testes específicos.

Gosto de comparar a avaliação com um jogo de queda cabeça. Nele, as peças se juntam uma a uma para compreendermos melhor o corpo que precisamos melhorar. Para conseguir realizar a avaliação estática com resultados positivos precisamos seguir os seguintes critérios:

  1. Posicionamento do avaliado: o indivíduo deve estar posicionado de forma a conseguirmos dar a volta no seu corpo sem movê-lo. Um movimento sequer pode alterar suas influências tônicas e o resultado da avaliação;
  2. Posicionamento do avaliador: o profissional deve ficar exatamente na linha média do avaliado. Caso contrário, corremos o risco de sofrer com algum tipo de inferência visual;
  3. Início: a avaliação estática começa com o indivíduo em pé e na posição mais confortável possível. Sempre começamos a avaliar de baixo para cima;
  4. Tempo: a avaliação deve ser o mais rápida possível. O profissional também deve explicar ao indivíduo que todos possuímos assimetrias para deixá-lo menos constrangido;
  5. Vestimenta: mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação. Homens devem usar sunga. É impossível avaliar bem um aluno de top, já que ele esconde parte dos processos espinhosos, ou bermuda, que impede a observação dos joelhos;
  6. Mãos: durante a avaliação precisamos tocar o avaliado. Portanto, elas devem estar aquecidas para evitar desconforto e serem firmes. Assim, conseguirmos passar mais segurança. Sempre peça permissão ao avaliado antes de tocá-lo;
  7. Forma de falar: devemos falar tranquilamente, mas com firmeza, ao avaliado. Cada manobra deve ser explicada com seu devido objetivo.

Unidades corporais avaliadas

Antes de começar a falar sobre a avaliação estática em si, preciso relembrar um pouco das unidades corporais que iremos analisar. Começamos sempre pelo membro inferior, que é formado pelas seguintes unidades, como explicaram Béziers e Piret:

  • Pé: responsável por dirigir o movimento;
  • Unidade ilíaca: possui papel de apoio ligado ao tronco e papel dinâmico do membro. Faz o membro inferior participar do tronco, utilizando a perna para transmitir a tensão e movimento ao pé;

As unidades que citei acima compõem a única unidade de membro inferior. A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril.

Os ilíacos (esquerdo e direito) são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. A pelve óssea é formada pelo cíngulo do membro inferior e sacro.

Podemos dividir os ossos do membro inferior nos seguintes segmentos:

  • Cintura pélvica: ilíacos direito e esquerdo;
  • Coxa: fêmur e patela;
  • Perna: tíbia e fíbula;
  • : ossos do pé.

Avaliação estática do joelho

O membro inferior é responsável por sustentar o peso corporal e auxiliar na locomoção e manutenção do equilíbrio. Além disso, ele realiza a transferência estável de peso durante uma marcha ou corrida.

Quando falamos mais especificamente dos joelhos, estamos considerando a articulação mais complexa do corpo humano, anatômica e funcionalmente. Ela é formada pela articulação tibiofemoral e patelofemoral.

A extremidade distal do fêmur, na articulação tibiofemoral, possui os côndilos. Eles articulam-se com a tíbia e dividem-se por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Esses côndilos são cobertos de cartilagem hialina espessa. Ela suporta forças extremas sobre as superfícies articulares durante o movimento.

A porção proximal da tíbia é conhecida como platô tibial. Nela encontram-se duas conchas achatadas niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. A superfície está alinhada com a cartilagem hialina, onde acomodam-se os côndilos femorais. A região intercondilar encontra-se na divisão entre platôs medial e lateral.

O joelho também possui a articulação patelofemoral, formada pela:

  • Cavidade troclear;
  • Facetas posteriores da patela (maior osso sesamóide).

É nessa articulação que se interpõe o quadríceps. O tendão patelar também está nessa região e vai do vértice inferior da patela até a tuberosidade da tíbia.

Encontramos inúmeras lesões e patologias no joelho durante a prática clínica. Isso é facilmente compreensível, especialmente quando consideramos que a articulação está situada entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo. Eles são o fêmur e a tíbia, que tornam o joelho tão suscetível a lesões.

Lesões do joelho

Quando o joelho encontra-se em flexão ele está no seu movimento de maior instabilidade. É nessa posição que ocorrem lesões de ligamentos e meniscos.

Em extensão de joelho, sendo esta a posição de movimento onde há maior estabilidade, torna esta articulação mais sujeita, mais vulnerável a fraturas e rupturas ligamentares.

Quando alguém realiza um agachamento acontece a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps. Em pequenos ângulos, essa cocontração é responsável por diminuir a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps.

Em ângulos acima de 60º a cocontração muscular leva a tíbia a se deslocar posteriormente e a realizar uma rotação externa. Esse movimento aumenta a pressão exercida sobre a patela. A força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

Powers et. al analisou onde existiria maior estresse da articulação femoropatelar. Em seu estudo, mostrou que durante exercícios de agachamento as angulações que produziam mais força de estresse na articulação foram 90º, 75º e 60º de flexão de joelhos.

Portanto, para diminuir o estresse femoropatelar o sugerido é realizar agachamento de 45º a 0º. Não devemos chegar a flexão de 90º, onde existe grande compressão articular.

Alterações do membro inferior

Podemos considerar o membro inferior como uma cadeia cinética. Assim, é possível pressupor que qualquer alteração biomecânica em um dos seus complexos articulares consegue influenciar a biomecânica e função do restante.

O alinhamento do joelho no plano frontal é bastante pesquisado por conta de sua importância clínica. Quando existe incongruência de membros inferiores, especialmente do joelho, é possível existirem dores articulares e instabilidade relacionadas.

Desordens nessas estruturas ainda podem trazer problemas, como:

  • Dificuldade de sustentação muscular;
  • Problemas sobre os tendões;
  • Problemas em ligamentos e retináculos.

Isso ocorre principalmente quando existe alternância de alinhamento do joelho em varo ou valgo. Assim, a função dos joelhos fica alterada e gera sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação, dependente de qual desalinhamento apresentar.

Um moderado desalinhamento frontal de joelho, por exemplo, pode piorar o prognóstico de doenças degenerativas, como osteoartrite.

Dependendo da orientação, que pode estar em varo ou valgo, as forças articulares estáticas e dinâmicas deixam de estar homogeneamente distribuídas. Assim, elas favorecem o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patologias na articulação e articulações próximas.

Como sabemos, o corpo funciona em cadeias musculares que separamos para o bem da didática, mas que são complementares na realidade corporal. Caso ocorra um desarranjo, seja fascial, muscular ou de tecidos moles, todo o sistema fica comprometido.

Conclusão

Durante a avaliação estática conseguimos começar a identificar alguns desequilíbrios do corpo. Para entendê-los bem, precisamos avaliar cuidadosamente os membros inferiores, dando destaque aos joelhos. Seu posicionamento pode afetar toda a cadeia dos membros inferiores e gerar lesões, patologias e aumentar as chances de doenças degenerativas.

No entanto, volto a lembrar que somente a avaliação estática não é o suficiente para conseguir uma análise completa do aluno. Para entender mais sobre esse assunto sugiro conferir meu artigo sobre os dois tipos de avaliação, estática e dinâmica. Se quiser saber mais sobre avaliações do membro inferior, confira meu guia completo sobre a avaliação estática.

Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

O corpo humano é marcado por diversas experiências que passamos ao longo da vida e, em alguns casos, podemos ver essas marcas claramente. As cicatrizes são expressões daquilo pelo qual o corpo passou e podem influenciar muito na organização corporal.

Por acaso você observa as cicatrizes do seu paciente ou aluno quando está realizando a avaliação estática? Espero que a resposta tenha sido sim, porque elas são importantíssimas para entender as compensações realizadas por esse corpo, como você pode conferir abaixo.

Importância de fazer a avaliação das cicatrizes

Enquanto realizamos a avaliação das cicatrizes na estática, precisamos ter os olhos atentos para todas as pequenas alterações no corpo do avaliado. Comece procurando por toda a extensão do seu corpo por cicatrizes. Barral foi o primeiro a mostrar que essas marcas podem ter consequência.

A má formação na teia de matriz cicatricial pode alterar o funcionamento mecânico do corpo. Portanto, devemos buscar essas marcas com atenção, já que elas podem ser algumas das causas que estão intoxicando o sistema musculoesquelético.

Cicatrizes tóxicas

Esse tipo de cicatriz é aquele que altera o funcionamento mecânico corporal. Elas são formadas após um ferimento ou intervenção cirúrgica, assim como boa parte das cicatrizes. No entanto, elas permanecem em reação com estímulos internos e externos depois de sua formação.

A cicatriz tóxica é capaz de causar uma contração muscular do músculo em questão. Ela também consegue modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda. Portanto, transforma-se numa área reativa, que chamamos de campo perturbador. Algumas das áreas onde essas marcas aparecem são:

  • Face;
  • Laterais do tronco;
  • Medianas da parede anterior do abdômen.

Preste muita atenção a cicatrizes horizontais, já que elas são mais nocivas para o desarranjo biomecânico. Só não se engane, não é o tamanho da cicatriz que define se ela é tóxica ou não.

Em alguns casos, marcas grandes não representam disfunções corporais, enquanto uma pequena cicatriz pode causar modificações teciduais no tecido conjuntivo e desregulação exteroceptiva. Ela implica em obstáculos para a correção postural durante o tratamento que elaboramos mais tarde.

Por que cicatrizes são tão importantes?

Para entender a desorganização corporal causada pelas cicatrizes basta observar o papel da pele. Ela é o maior órgão do corpo humano e é dotada de inúmeras terminações nervosas livres. Entre elas encontramos também grande qualidade de exteroceptores, como órgãos de Ruffini e Discos de Merkel. Essas células atuam como mecanorreceptores e são extremamente sensíveis.

Uma cicatrizes anterior de tronco pode, por exemplo, provocar uma projeção anterior do corpo. Isso acontece na tentativa de relaxar o estiramento do exteroceptor para conseguir um ajustamento no tônus muscular.

A pele também é um dos maiores órgãos do corpo que está exposto diretamente a estímulos do meio ambiente. Assim, ela realiza uma troca contínua de informações. O sistema de entrada pode ser perturbado em algumas ocasiões, como é o caso de uma cicatriz. Quando isso ocorre sua capacidade de interação com o ambiente interno e externo fica prejudicada.

Como saber se estamos diante de uma cicatriz tóxica?

Como mencionei, algumas cicatrizes são tóxicas independente do tamanho dela. Se o tamanho não é o suficiente, como podemos identificá-las durante nossa avaliação das cicatrizes? Confira alguns aspectos que você pode utilizar para identificar os tipos de cicatriz.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica (que não causa distúrbios):

  • Cor próxima ao tom da pele;
  • Textura fina.

Agora, veja os aspectos de uma cicatriz tóxica, aos quais você deve estar muito atento durante a avaliação das cicatrizes:

  • Cor em tons de vermelho, variando entre tons claros, escuros e acastanhados;
  • Retrações;
  • Quelóides;
  • Alto relevo;
  • Trofismo, atrófica ou hipertrófica.

No entanto, não basta ver o aspecto da cicatriz para conseguir ter certeza se estamos diante de uma cicatriz tóxica. Ainda precisamos realizar testes adequados para ver se aquela marca consegue tornar-se um bloqueio para a correção postural ou não.

Testes para avaliação das cicatrizes

Os testes abaixo podem ser utilizados para avaliar a toxicidade de suas cicatrizes.

1. Baseado na cinesiologia aplicada

Para realizar esse teste podemos eleger qualquer músculo do corpo. Aqui exemplificarei usando o músculo bíceps braquial. O aluno deve manter o cotovelo em flexão enquanto o avaliador mantém as mãos na face anterior do antebraço avaliado.

Resista ao movimento em direção à função do músculo escolhido para teste e solicite que o avaliado faça uma força em sentido da flexão de cotovelo enquanto resistimos.

Durante a resistência, o avaliador deve tocar suavemente com a outra mão a cicatriz do avaliado. Caso a pessoa perca a força e permita que seu cotovelo seja levado à extensão o teste é considerado positivo. Ou seja, estamos lidando com uma cicatriz tóxica. Se não acontecerem alterações na resistência aplicada ao músculo temos uma cicatriz normotrófica.

2. Baseado no teste de pulsologia de nogier (teste da reação autonômica circulatória)

Esse é o teste de pulso radial. Nele, o avaliador toca o pulso radial do avaliado suavemente com o dedo indicador e médio. Ele percebe por alguns segundos a pulsação e, depois, toca a cicatriz em toda sua extensão com a outra mão.

Quando a cicatriz é tóxica o pulso diminui ou desaparece no momento do toque. Caso isso não aconteça é uma cicatriz normotrófica. A diminuição do pulso acontece por causa de uma desregulação humoral através da secreção do hormônio adrenalina que se liga ao receptor Beta 2 nos vasos das artérias musculoesqueléticas, que provoca vasodilatação e consequente redução da amplitude da onda do pulso.

Conclusão

Todos os aspectos do corpo do avaliado podem indicar motivos de um desequilíbrio postural. Por isso, o avaliador deve ter olhos atentos a qualquer alteração. As cicatrizes são problemas comuns que muitas vezes esquecemos de observar por estarmos muito atentos ao movimento.

Minha dica é aproveitar o momento da avaliação postural estática para realizar uma avaliação das cicatrizes mais detalhadas. Tente identificar se são tóxicas ou não.

Caso o resultado dos testes seja positivo e você esteja diante de uma cicatriz tóxica precisará trabalhar antes para melhorar sua matriz cicatricial. Se não fizer isso, o aluno será incapaz de manter os ganhos posturais que conseguirmos com o tratamento.

 

Bibliografia
  • Cadernos de Saúde Pública
  • On-line version ISSN 1678-4464
  • Cad. Saúde Pública vol.7 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 1991
  • http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1991000200003
  • ANÁLISE/ANALYSIS
  • AbcMed  –  Exames e Procedimentos
  • Atalho: 70NEWKL
  • Raquianestesia: o que é? Quais os preparos necessários? Como é feita? Quais são as vantagens e as desvantagens?
  • Livro Cadeias Musculares do Tronco, Janaina Cintas
  • Nogier, Raphael, Boucinhas, J.C. – Prática Fácil de Auriculoterapia e Auriculomedicina, Editora: Ícone, 3ª edição, 2006
Prevenção de Quedas em Idosos: Como a fisioterapia pode ajudar

Prevenção de Quedas em Idosos: Como a fisioterapia pode ajudar

De acordo com os dados da ONU (Organização das Nações Unidas), a terceira idade é a fase da vida iniciando entre 60 e 65 anos. Para a Constituição Federal Brasileira, essa época começa aos 65 anos, já o Código Penal Brasileiro considera 70 anos como marco inicial.

A Política Nacional do Idoso adota 60 anos. No entanto, para a geriatria, que considera o ponto de vista biológico, a terceira idade realmente começa aos 50 anos.

Mas não confunda terceira idade com envelhecimento! O próprio Joseph Pilates mostra que, mesmo na terceira idade, ninguém precisa ser “velho”, como disse na seguinte frase:

“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem.”

Realmente, é possível chegar aos 60 anos de idade sem sofrer tanto com os efeitos de envelhecimento. Por isso, muitas pessoas mais velhas buscam o Pilates e a fisioterapia como alternativas para envelhecer com saúde sem perder seu condicionamento físico ou independência.

Como acontece o envelhecimento

Envelhecer é inevitável. Esse é um processo fisiológico, inerente e involuntário que causa:

  • Perda da estrutura e função do organismo;
  • Perda de massa muscular;
  • Perda de força muscular (sarcopenia);
  • Diminuição de massa óssea (osteoporose);
  • Queda na produção hormonal;
  • Lentidão no tempo de reação muscular frente aos desequilíbrios posturais;
  • Aumento do risco de queda.

Preste atenção nesse último item: aumento no risco de queda. As quedas são uma das principais causas de morte de idosos no Brasil. Por isso é bom pensar na prevenção de quedas em idosos. Considerando que essa população têm maior risco a queda, é essencial conseguirmos realizar uma boa prevenção.

Para conseguir entender melhor por que prevenir idosos estão mais sujeitos a esses acontecimentos, precisamos primeiro discutir a sarcopenia.

Sarcopenia

A sarcopenia faz parte do processo de envelhecimento biológico e caracteriza-se pela diminuição dos tecidos conjuntivos. Como resultado, o idoso sofre um desequilíbrio no processo de formação e reposição muscular. Mesmo que seu corpo continue produzindo massa muscular, sua qualidade diminui.

Esse processo aumenta bastante a partir dos 40 anos e é um resultado multifatorial. Entre os fatores que podem influenciar no seu desenvolvimento mais ou menos rápido encontramos:

  • Deficiência hormonais;
  • Falta de atividade física;
  • Deficiência alimentar.

Quando associada a doenças da Tireoide ou doenças do metabolismo em geral a sarcopenia é exacerbada.

Em geral, a perda muscular acontece progressivamente, entre 1 a 2% ao ano. Dessa forma, ao atingir os 80 anos, um idoso tem cerca de 50% do total da massa muscular que tinha quando jovem. A perda de massa muscular, força e função acontece de forma progressiva.

Recentemente, outro fator surgiu para influenciar nesse processo: a determinação genética. Existem 2 fenótipos de risco que são os mais estudados e reconhecidos para a sarcopenia. A herdabilidade esses fenótipos pode variar de 30% a 85% para força muscular e de 45% a 90% para massa muscular.

Mas nem tudo está perdido, mesmo para pessoas com histórico familiar de maior risco. Desenvolver massa muscular no início da idade adulta ajuda a diminuir muito o risco de desenvolver sarcopenia e ter um envelhecimento mais saudável.

Como acontecem as quedas?

As quedas são consideradas como uma síndrome geriátrica que pode ser causada por fatores extrínsecos e intrínsecos. Os extrínsecos estão relacionados ao ambiente e situações que podem provocar a queda e muitas vezes podem ser evitados pelo indivíduo ou pela família. Entre eles encontramos:

  • Ambiente;
  • Tapetes;
  • Escadas;
  • Pouca iluminação;
  • Irregularidades no pavimento;
  • Piso escorregadio ou molhado;
  • Obstáculos.

Já os fatores intrínsecos são aqueles relacionados às mudanças causadas pela idade e que estão fora do controle do idoso. Entre eles podemos citar:

  • Mudanças de força muscular;
  • Problemas na marcha e equilíbrio;
  • Diminuição da flexibilidade;
  • Déficits cognitivos;
  • Déficits vestibulares;
  • Déficits visuais;
  • Depressão.

As alterações, como a sarcopenia, fazem com que o idoso perca boa parte da sua força muscular e capacidade de equilíbrio e estabilização postural. Como resultado, situações que não seriam problema para uma pessoa mais jovem tornam-se um verdadeiro desafio para a pessoa na terceira idade.

Um tapete na sala, por exemplo, pode provocar um pequeno tropeção. O idoso, sem o mesmo tempo de reação e incapaz de equilibrar-se, não consegue encontrar apoio e cai. O mesmo acontece em muitas outras situações, como subindo escadas e andando em lugares com obstáculos no chão.

Consequências da queda

Em algumas situações, a queda causa danos graves, fraturas ou lesões que diminuem consideravelmente a mobilidade do idoso. Mesmo depois que esses problemas são curados, algo que demora a acontecer, a pessoa ainda pode manter o trauma da queda, que a impede de andar livremente. Assim, o idoso que sofreu queda perde parte da independência, deixa de socializar e perde muita qualidade de vida.

Portanto, a prevenção de quedas nessa população pode reduzir a mortalidade e ainda melhorar a qualidade do envelhecimento. Mas para conseguir isso precisamos de atividades adequadas. Entre elas, a fisioterapia se destaca.

A fisioterapia pode ajudar na prevenção de quedas?

Uma revisão bibliográfica avaliou a possibilidade de usar fisioterapia na prevenção de quedas em idosos. Os estudos avaliados totalizaram 645 participantes e mostraram resultados favoráveis para os métodos fisioterapêuticos.

De acordo com a revisão bibliográfica, os protocolos fisioterapêuticos utilizados foram eficientes na prevenção de quedas. Eles ainda conseguiram ajudar na melhora do equilíbrio, recuperação de movimentos fisiológicos e da independência do indivíduo.

Para conseguir a prevenção adequada, o fisioterapeuta precisa controlar fatores intrínsecos e extrínsecos. Quanto aos intrínsecos, devemos utilizar exercícios de fortalecimento de membros inferiores, treino de marcha e equilíbrio, assim como movimentos funcionais. Eles são capazes de melhorar os movimentos e até ajudar o idoso a superar seu medo de cair e melhorar a independência.

Além dos exercícios, é essencial realizar uma investigação a respeito dos fatores intrínsecos. É importante educar o idoso e sua família para melhorar seu ambiente e evitar situações de perigo, especialmente em casos de que já sofreram quedas e têm mobilidade limitada.

Conclusão

A população idosa do país está aumentando, mas isso não significa que sua qualidade de vida ficou melhor. Por isso, precisamos trabalhar para conseguir fornecer melhor qualidade de vida para esses indivíduos e independência. A fisioterapia é uma excelente ferramenta para isso e pode ser auxiliada em muitas ocasiões pelo Pilates.

Exercícios de fortalecimento e melhora de equilíbrio são o foco durante o tratamento de um paciente idoso. Ele precisa também recuperar mobilidade e flexibilidade para conseguir realizar os movimentos adequadamente. Quanto mais móvel for seu corpo, menor será a chance de sofrer uma queda e melhor sua habilidade para estabilizar-se.

Aconselho trabalhar de forma paciente e cuidadosa com idosos. Tudo isso para que a prevenção de quedas em idosos seja efetiva. Eles podem já ter traumas anteriores que os impedem de realizar muitos movimentos, em especial nos equipamentos ou acessórios. Apoiar-se na Fitball, por exemplo, talvez seja um grande desafio.

Para evitar acidentes em aulas e passar mais confiança para o aluno, sempre ajude-o a subir e descer de acessórios e equipamentos. Quem trabalha com equipamentos de Pilates precisa de ainda mais atenção, já que uma queda do Cadillac, por exemplo, seria bastante danosa.

Além disso, faça uma avaliação cuidadosa do seu aluno para entender qual é o problema que realmente afeta seu equilíbrio e corrigi-lo. Muitas vezes esquecemos de fatores importantes que influenciam a marcha do aluno e aumentam as chances de queda, como a mobilidade de tornozelo.

Falando em mobilidade, deixo uma recomendação de um exercício bastante interessante abaixo. Ele pode ser realizado em qualquer ambiente, inclusive em atendimentos a domicílio e ajuda a recuperar a mobilidade de tornozelo.

Bibliografia
Pilates para saúde mental? Entenda o que a ciência diz!

Pilates para saúde mental? Entenda o que a ciência diz!

Conhecemos o Pilates por seus vários benefícios físicos, assim como outros exercícios e esportes. No entanto, muitas vezes esquecemos que eles também são importantíssimos para o psicológico de nosso aluno. Felizmente, o Pilates para saúde mental pode ser uma ferramenta poderosa. Quer entender mais sobre? Então continue a leitura!

Separei algumas evidências científicas que mostram o potencial do Pilates para saúde mental. Aproveite para entender melhor como conseguir oferecer bem-estar como parte dos benefícios de suas aulas. Seus alunos certamente vão adorar conseguir melhorar a autoestima e diminuir as chances de desenvolver doenças, como ansiedade e depressão.

Importância da atividade física para saúde mental

Imagino que você e seus alunos já cansaram de ouvir falar a respeito da importância da atividade física para a vida diária. Temos um corpo que foi feito para o movimento, mas que tende a mover-se cada vez menos por causa de hábitos modernos.

Por isso, existem muitos profissionais do movimento – como eu e você – que trabalham diariamente para proporcionar melhor qualidade de vida para alunos e pacientes.

Quando falamos em qualidade de vida relacionada a atividades físicas, geralmente pensamos em fatores físicos. Entre eles, os principais incluem perda de peso, melhora nas dores, aumento da funcionalidade do corpo. Mas a prática de exercícios vai muito além desses benefícios e entra na esfera da saúde mental.

Tudo começa com a importância da atividade física para a liberação de hormônios. As atividades aeróbicas fazem com que o corpo libere endorfina, o hormônio responsável pela sensação de bem-estar.

É a mesma substância liberada quando comemos chocolate ou durante a atividade sexual. Ou seja, nosso aluno consegue melhorar seu humor significativamente depois de uma sessão de treino.

Além disso, a prática de exercícios consegue influenciar fatores importantes, como a autoestima e percepção corporal. Eles são essenciais para a qualidade de vida e recebem cada vez mais foco atualmente. Exercícios também são excelentes para controlar o estresse e prevenir males comuns, como depressão e ansiedade.

Pilates e outras atividades físicas são realmente eficientes?

Deu para entender como o exercício físico é benéfico para a saúde mental, certo? Mas será que eles são realmente tão eficientes assim? Não precisa acreditar somente na minha palavra, estudos indicam que isso é realidade.

Como exemplo, quero citar um estudo realizado na Espanha com 212 participantes. Os integrantes do estudo tinham idade média de 41 anos para as mulheres e 43 anos para os homens e todos trabalhavam no setor terciário ou de serviços. Eles foram divididos em quatro grupos:

  • Praticantes de Pilates, com 57 indivíduos;
  • Praticantes de Pilates e outras atividades físicas, com 68 indivíduos;
  • Praticantes de outras atividades físicas, com 43 indivíduos;
  • Sedentários, com 44 indivíduos.

A intenção do estudo era confirmar os benefícios das atividades físicas para os fatores psicológicos e se o Pilates para saúde mental era comparável a outras atividades. Os resultados foram bastante positivos.

Como foi o estudo?

A pesquisa utilizou um questionário sociodemográfico e outras ferramentas, como índice de autoeficiência geral, autoestima, escalas psicológicas do questionário de personalidade situacional e revised life orientation test. Eles serviram para medir fatores psicológicos e laborais de cada indivíduo no teste.

Os sedentários tiveram notas mais baixas em todos os itens dos questionários e ferramentas. O grupo de Pilates combinado com outras atividades físicas foi o contrário, com notas mais altas para saúde psicológica, com exceção da autoestima, em relação ao restante.

As diferenças entre notas para os 3 grupos de exercícios físicos não foram significativas. Portanto, o Pilates pode ser comparado a outras atividades quanto ao quesito saúde mental e ajuda a trazer mais bem-estar para a vida de nossos pacientes.

Como o Pilates pode ajudar?

Outro estudo avaliou as diferenças entre pessoas que realizaram um protocolo de Pilates e pessoas que mantiveram seu estilo de vida sedentário. Ele trouxe insights importantes para nós, profissionais que queremos usar o Pilates para saúde mental.

O estudo foi realizado com mulheres voluntárias entre 18 e 25 anos. Ao todo, foram 25 participantes para o grupo de Pilates e 26 participantes para o grupo controle. O grupo de Pilates realizou um protocolo de treinamento de 6 semanas, enquanto o controle manteve seu estilo de vida sedentária durante o período.

Todos os participantes passaram por avaliação física e fatores psicológicos – em especial ansiedade, depressão, fadiga e qualidade de vida. Inicialmente, não existiam diferenças em qualquer um dos fatores nos dois grupos avaliados.

O grupo de Pilates realizou um protocolo de 6 semanas de MAT Pilates com 2 sessões semanais de mais ou menos 40 a 50 minutos. As atividades eram em grupo, algo feito intencionalmente considerando os possíveis benefícios da socialização para a motivação das alunas.

Ao fim do estudo, o grupo de Pilates experimentou redução significativa dos níveis de ansiedade, fadiga e outros fatores psicológicos. O mesmo não aconteceu com o grupo de controle, que não apresentou mudanças nas variáveis de qualidade de vida.

Por que o Pilates para saúde mental é tão eficiente?

Os efeitos de estudos relacionam o Pilates para saúde mental como uma excelente ferramenta. O motivo pode estar nos seus benefícios para vários fatores da vida cotidiana que geram estresse e ansiedade no indivíduo. Alguns deles são a melhora na:

  • Energia;
  • Qualidade do sono;
  • Atenção, concentração;
  • Circulação sanguínea;
  • Oxigenação do cérebro;
  • Relaxamento muscular;
  • Respiração.

Com o organismo funcionando adequadamente, incluindo sono em dia, a pessoa consegue passar por suas atividades diárias mais relaxada e tranquila. Além disso, a prática do Pilates aumenta os níveis de serotonina no corpo.

Esse hormônio é relacionado ao desenvolvimento de depressão quando está em quantidades baixas, portanto seu aumento também ajuda na prevenção da doença.

Quanto tempo de prática o aluno precisa para começar a perceber os efeitos?

No estudo que mencionei mais cedo nesse artigo, realizou na Espanha, os praticantes de Pilates foram divididos em dois grupos: quem praticava o método há 5 anos ou mais e quem praticava há menos que 5 anos. O resultado foi que os praticantes mais antigos do Pilates conseguiram notas maiores para variáveis de saúde mental.

Portanto, é possível imaginar que, quanto mais tempo alguém praticar Pilates, melhores serão os efeitos de bem-estar e isso é verdade. No entanto, existe mais uma variável que precisamos considerar: a regularidade.

Os efeitos que mencionei no tópico anterior são passageiros. Seu aluno consegue melhorar o sono, conseguir mais relaxamento muscular e ter melhor circulação sanguínea. Mas, assim que ficar alguns dias sem praticar esses fatores voltam a ser como eram anteriormente.

Por isso, se quisermos realmente oferecer melhor qualidade de vida para alunos e pacientes, precisamos incentivar a prática regular. Isso não se consegue somente avisando o aluno que ele precisa treinar sempre ou vai perder os benefícios que ganhou. Devemos encontrar formas de desenvolver aulas interessantes e motivadoras, feitas especialmente para nosso aluno.

Assim, o desenvolvimento de uma avaliação eficiente e o conhecimento a respeito do próprio Método são essenciais. Só assim você consegue oferecer uma experiência única e motivadora, que faz a pessoa continuar treinando por anos para conseguir ainda melhores benefícios.

Conclusão

Podemos e devemos aproveitar os efeitos do Pilates para saúde mental. O Método não só faz com que o corpo fique equilibrado, mas também a mente. Isso é importantíssimo, especialmente numa sociedade que é cada vez mais afetada por doenças vindas de fatores psicológicos.

A depressão é um bom exemplo disso. De acordo com a OMS, ela afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros. Isso faz com que o Brasil torne-se o campeão em depressão em toda a América Latina. Não podemos substituir o profissional especializado em saúde mental, mas podemos ajudar na prevenção e tratamento.

Como vimos, através da prática regular é possível conseguir melhora em diversos aspectos da qualidade de vida de um aluno. Então motive seus alunos e pacientes, mostre para eles tudo que o Pilates tem a oferecer.

Bibliografia
Dicas para trabalhar corretamente a Fáscia durante Reabilitação

Dicas para trabalhar corretamente a Fáscia durante Reabilitação

Sabemos que a fáscia é uma parte do tecido conjuntivo que realiza a conexão entre diversas partes do corpo. É ela a responsável por transferir tensões musculares e desequilíbrios através das cadeias musculares e, portanto, está bastante relacionada com nossos pacientes em reabilitação.

Trabalhar a Fáscia durante Reabilitação o nem sempre é tão intuitivo quanto parece. Por isso, selecionei 3 dicas essenciais que te ajudarão nesse trabalho. Veja abaixo!

Conclusão

Trabalhar com a Fáscia durante Reabilitação te dá diversas vantagens. A primeira é uma melhora nos resultados obtidos com o aluno ou paciente. Muitas vezes a liberação de tensões fasciais e o uso de alongamentos apropriados também auxilia a melhorar os movimentos e aliviar parcialmente a dor.

Também conseguimos livrar alguns dos esquemas adaptativos adotados pelo corpo por causa do problema musculoesquelético.