Aprenda como fazer Avaliação de Composição Corporal em seu aluno

Aprenda como fazer Avaliação de Composição Corporal em seu aluno

Um fator primordial para se alcançar o sucesso nos treinamentos ou tratamento do nosso cliente, é uma boa Avaliação de Composição Corporal. Estes dados somente são adquiridos seguindo protocolos e procedimentos adequados.

Para realizarmos uma boa Avaliação de Composição Corporal, é necessária uma anamnese completa utilizando dados como o IMC (Índice de Massa Corporal), RCQ (Relação Cintura-Quadril) e Antropometria.

De maneira concreta, ao mostrar os resultados para nossos alunos, entra em cena a Avaliação de Composição Corporal. Com ela, é possível traçar um trabalho de qualidade e segurança, com objetivos claros – seja ele estético, desportivo ou de reabilitação.

A composição corporal é definida como proporção entre gordura e tecido isento de gordura no corpo. Vamos entender melhor o que isso significa? Continue lendo texto!

Influência da Composição Corporal

A determinação da composição corporal tem grande importância na prática clínica e na avaliação de populações. Isso se deve, principalmente, à associação da gordura corporal com diversas alterações metabólicas.

Vários estudos mostram que a quantidade de tecido adiposo e sua distribuição pelo corpo estão associadas a elevados valores de:

  • Pressão Arterial;
  • Dislipidemias – com concentrações elevadas de triglicerídeos e reduzidas de colesterol de alta densidade (HDL);
  • Intolerância à glicose e resistência insulínica – os quais contribuem para a elevação do risco cardiovascular.

Diante da influência da quantidade de gordura corporal no estado de saúde dos indivíduos, são necessários métodos capazes de avaliar – de forma precisa e confiável -, a quantidade de gordura corporal em relação à massa corporal total.

6 razões que justificam uma avaliação de composição corporal:

  1. Determinar o ponto de partida para o início de programa de treinamento;
  2. Traçar a melhor maneira de conseguir um equilíbrio ideal entre gordura corporal e os compartimentos de gordura;
  3. Relaciona-se com o estado de saúde geral e desempenha um papel importante nos objetivos relacionados a saúde e aptidão física;
  4. Monitorar as mudanças nos componentes adiposos e magros durante os esquemas de exercícios com diferentes durações e intensidades;
  5. Melhor interação dos profissionais com os indivíduos e melhor informação relacionada com nutrição, controle de peso e exercício;
  6. Obter informações objetivas para os profissionais, correlacionando a composição corporal com o desempenho de esportes ou atividades do cliente.

Como realizar uma ótima Avaliação de Composição Corporal

Existem várias técnicas para realizar a avaliação de composição corporal:

  • Pesagem hidrostática;
  • Raio-X;
  • Condutividade elétrica corporal ou Bioimpedância;
  • Ultrassom;
  • Tomografia computadorizada;
  • Plestimografia com ar;
  • Entre outros.

Porém, a técnica de menor custo, maior facilidade de execução, melhor aplicabilidade no dia-dia e sem ser um procedimento invasivo é a ANTROPOMETRIA.

Antropometria

A palavra “antropometria” deriva do grego, é a mensuração do corpo humano.

ANTHROPOS – homem, METRON – equivale a medida.

Entre os métodos antropométricos, as dobras cutâneas são habitualmente utilizadas para determinação do percentual de gordura corporal – devido ao baixo custo operacional e à relativa simplicidade de utilização.

Existem, na literatura, mais de 100 equações que utilizam as medidas de dobras cutâneas e outras medidas antropométricas, como circunferências, para determinação da composição corporal.

Entretanto, a validade de equações que utilizam medidas de dobras cutâneas para predizer a composição corporal é restrita para a população da qual essas equações foram derivadas.

Portanto, a validade e acurácia dessas equações precisam ser cuidadosamente avaliadas no momento da sua escolha. Para selecionar o método e a equação mais adequados, fatores como, idade, sexo, etnia, nível de atividade física e quantidade de gordura corporal, precisam ser levados em consideração.

Cada profissional pode escolher que equação usar, porém, atentando-se a sempre se ater a mesma equação nas reavaliações e comparações de resultados

Dentre as principais equações existentes, podemos tratar como os principais sendo: McArdle, Guedes, Faulkner, Pollock, Yuhasz, Lohman.

Para ser útil, a avaliação depende completamente da habilidade do avaliador. As medidas devem ser realizadas de maneira cuidadosa, padronizada e reprodutível. Portanto, o avaliador deve ser bem treinado.

Onde encaixar a Antropometria?

O maior cuidado que deve ser tomado ao avaliar é a demarcação para as medidas. A demarcação é um ponto importantíssimo.

Se o profissional utiliza o adipômetro de forma correta, conhece os protocolos, mas no momento da demarcação comete um erro, mesmo que depois faça tudo correto (perimetria, dobras cutâneas), as medidas que serão tomadas serão inválidas pois não corresponderão com o posicionamento correto dos equipamentos.

Conclusão

A avaliação da composição corporal é um importante aspecto na determinação da condição física, em qualquer programa de emagrecimento ou na prevenção e tratamento de diversas doenças crônicas como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias e cardiopatias, nefropatias…

Ou seja, é extremamente importante pela sua relação com o estado de saúde, dado ser indiscutível que tanto o excesso de gordura corporal, como o défice de massa magra apresentam relação direta com uma série de fatores de risco para o aparecimento ou o agravamento de condições desfavoráveis para a saúde.

Analisando os dados encontrados na literatura, e diante da importância da composição corporal sobre os aspectos de saúde dos indivíduos, é fundamental que o profissional tenha pleno conhecimento das técnicas, protocolos e equipamentos para, assim, gerar dados de alta qualidade e confiabilidade  para realizar a avaliação de composição corporal.

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Este artigo foi escrito por Patricia Mazzer

Profissional de Educação Física, especialista em Nutrição, Saúde e Qualidade de Vida pela Unicamp. Além disso, Patricia também é instrutora do Curso Suspension, da Espaço Vida Pilates e também do Método Abdominal Hipopressivo.

Utilização do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) para tratar Túnel do Carpo

Utilização do Plasma Rico em Plaquetas (PRP) para tratar Túnel do Carpo

A compressão do nervo mediano é responsável pelo surgimento de diversas patologias do membro superior, como a síndrome do túnel do carpo (SNC). A síndrome é a neuropatia de maior incidência no membro inferior e ocorre quando existe lesão ou compressão do nervo a nível do punho.

Os sintomas são variados e podem incluir impossibilidade de opor e abduzir o polegar, dor e alterações de sensibilidade. A síndrome é bastante comum, mas seu diagnóstico e tratamento não são tão simples. Os sintomas, por exemplo, são extremamente similares a outras patologias relacionadas ao nervo mediano.

As manifestações iniciais são:

  • Dor;
  • Queimação;
  • Formigamento;
  • Dormência na mão.

Os sintomas geralmente evoluem lentamente e acometem as áreas inervadas pelo nervo mediano. Nos casos clássicos, os sintomas da compressão do nervo acentuam-se no período noturno. Em algumas vezes são tão intensos que despertam o paciente.

Alguns autores consideram que esse é um dos sinais sugestivos para o diagnóstico da doença. Alguns movimentos repetitivos também podem exacerbar os sintomas, como:

  • Costurar;
  • Tricotar;
  • Escrever;
  • Digitar.

Conforme a síndrome do túnel do carpo progride a sensibilidade na distribuição do nervo mediano e diminuição de força do punho. Nesses casos, podem utilizar o exame de sensibilidade para identificar hipoestesia nos três primeiros dedos da mão. No entanto, raramente identificamos hiperestesia por causa da síndrome.

É comum que a disfunção motora causadora da síndrome esteja relacionada aos músculos oponentes e abdutores curtos dos polegares. Quando a doença tem evolução longa, ela é associada a compressão severa do nervo. Nesses casos, pode acontecer a atrofia da eminência tênar, geralmente relacionada à atrofia do músculo abdutor curto do polegar.

Que tal saber mais sobre a utilização do Plasma Rico em Plaquetas no tratamento túnel do carpo? Continue lendo!

Tratamentos possíveis para a síndrome

A síndrome do túnel do carpo pode ser tratada de diversas maneiras, variando de acordo com a causa e o caso individual do paciente. As técnicas de mobilização do sistema nervoso (MSN), são muito utilizadas para melhorar o movimento e a elasticidade perdida do sistema nervoso. O método é usado para auxiliar o paciente a recuperar suas funções normais.

A técnica segue o princípio de que a existência do comprometimento do sistema nervoso leva à disfunções próprias do mesmo ou de estruturas musculoesqueléticas que são inervadas pelos nervos comprometidos. Por isso, síndromes que causam compressão ou tensão neural acontecem.

Na tentativa de tratar e restabelecer a biomecânica ou fisiologia adequada do nervo seria preciso usar a técnica com movimento ou tensão. Assim, o profissional conseguiria recuperar a extensibilidade e função do SN e estruturas comprometidas.

No entanto, o nervo está sofrendo por ser comprimido, algo que pode surgir por causa das próprias fáscias ou tensões musculares. Então, a mobilização do sistema nervoso pode ser um bom método, inclusive para diagnóstico. No entanto, devemos utilizá-las com cuidado para conseguir cumprir sua função de reduzir a tensão neural e contribuir para resolver o quadro de dor e sintomas.

Imobilização do membro afetado

A imobilização é indicada como tratamento de acordo com o grau de comprometimento funcional causado pela compressão. Ela pode ser classificada como leve, moderada e grave.

Em casos mais leves é indicado utilizar uma órtese para imobilizar o segmento afetado, mantendo o punho em extensão. Muitos ortopedistas também recomendam o uso de anti-inflamatório associado ao uso da órtese.

A imobilização deve ser mantida por tempo o suficiente para aliviar os sintomas e proporcionar o retorno do paciente às atividades do dia a dia. Durante o retorno, é importante ter o acompanhamento de um fisioterapeuta. Precisamos identificar as tensões e desequilíbrios que causaram a compressão do nervo mediano para ter um tratamento realmente eficaz.

O período de imobilização costuma ser ao redor de 1 mês. Em casos nos quais a imobilização não é eficiente para aliviar a dor é possível utilizar anti-inflamatórios e analgésicos.

No entanto, o uso de medicamentos deve ser feito somente com indicação médica e pelo período indicado. Alguns pacientes tendem a se automedicar, mas devemos aconselhá-los a não fazer isso, já que o hábito pode até atrapalhar o tratamento.

O que é Plasma Rico em Plaquetas (PRP)?

O Plasma Rico em Plaquetas (PRP) é um método de tratamento que vem sendo usado para diversas condições de saúde. Ele é um produto biológico antólogo de plaquetas concentradas.

Sua constituição é de produtos de degradação que incluem múltiplos fatores de crescimento. Essas substâncias são conhecidas por serem eficazes no combate à inflamação e por auxiliar na cicatrização de feridas.

Alguns estudos sugerem que o PRP seria um método eficaz de tratamento para problemas, como a síndrome do túnel do carpo. Um dos motivos seria seus efeitos positivos na regeneração de axônios e recuperação neurológica. No entanto, não podemos indicar um tratamento para nossos pacientes sem antes comprová-lo.

Eficiência do tratamento com PRP

Para ajudá-los a identificar quais tratamentos devem ou não ser indicados para nossos pacientes com a síndrome, trouxe aqui a análise de um estudo feito com 41 mulheres. Todas foram diagnosticadas com os sintomas da STC. Elas também apresentaram perda sensorial e dormência na área da mão inervada pelo nervo mediano durante o exame físico.

As pacientes foram divididas em 2 grupos, o primeiro (grupo 1) receberam aplicação de PRP e a imobilização com órtese. O segundo (grupo 2), era o grupo de controle que recebeu somente a imobilização. As mulheres em ambos os grupos receberam uma órtese de punho pré-fabricada na extensão de 5 graus de punho e foram instruídos a utilizá-la da mesma maneira.

O grupo 1 também recebeu a aplicação de uma injeção local de leukocyte-poor Plasma Rico em Plaquetas com concentração de 1ml de PRP. Após a aplicação de PRP os pacientes foram questionados sobre a intensidade da dor em uma escala de 0 a 10. Também foram observados por 30 minutos antes da alta.

Os pacientes também foram educados a respeito das restrições de atividade, efeitos colaterais e o método de congelamento no local da injeção.

As variáveis medidas foram avaliadas para os dois grupos depois de 10 semanas de tratamento.

Efeitos colaterais durante o tratamento

Somente 6 pacientes que receberam a injeção de Plasma Rico em Plaquetas apresentaram efeitos colaterais. 4 delas relataram plurido, 1 sentiu dor nos dedos e 1 sentiu sensação de queimação.

Resultados do tratamento

Após o fim do tratamento de 10 semanas, os resultados obtidos nos dois grupos foram bastante similares. Portanto, a aplicação da técnica não proporcionou resultados clínicos significativos levando à sua indicação.

Os autores do estudo mencionado (que vou deixa na bibliografia desse artigo), afirmaram que os resultados ainda não são conclusivos. Outros estudos encontraram resultados mais positivos, mas com doses diferentes de Plasma Rico em Plaquetas e com avaliação por mais tempo.

Assim, ainda é possível que o Plasma Rico em Plaquetas apresente bons resultados, mas a ciência ainda deve comprová-los.

Conclusão

Antes de iniciar qualquer tratamento precisamos avaliar cuidadosamente o caso. A avaliação do paciente nos ajuda a determinar as causas da compressão nervosa e qual seria o melhor método aplicado.

É importante estarmos sempre atentos à novidades na nossa área e pesquisar cuidadosamente as pesquisas científicas a seu respeito, por isso escrevi sobre Plasma Rico em Plaqueta.

 

 

Bibliografia
Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Como fazer uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Avaliar é o primeiro passo dentro do planejamento de um atendimento, seja para reabilitação ou treinamento. Avaliar as condições inicias do seu aluno pode ser o diferencial entre em um trabalho bem-sucedido com resultados consistentes e meses de esforço sem progresso.

Atualmente encontramos inúmeros protocolos de avaliação – muitos deles bastante consistentes -, que nos oferecem os mais diferentes scores para componentes da aptidão física.

Ou seja, se você está planejando um treinamento de força é possível avaliar exatamente qual a carga correspondente aos percentuais de uma repetição máxima e, então, prescrever seu treinamento.

Ter como base bons parâmetros garante que você não subestime seu cliente, levando para treinamentos sem resultados significativos, ou que você superestime, ocasionando em práticas com alto risco de lesão. Entendido isso fica a dúvida: como avaliar as habilidades do meu aluno de Pilates?

Continue comigo e você vai entender tudo sobre a importância de uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates especifica para os seus alunos de Pilates e como isso pode mudar para melhor a qualidade e segurança do seu trabalho com os alunos.

Como funciona uma Avaliação com Exercícios de MAT Pilates?

Um dos mais importantes princípios do treinamento físico é a especificidade. Se quero desenvolver as capacidades físicas de um corredor, treinamentos que envolvam o gesto da corrida são essenciais e as transferências dos ganhos de treinamentos específicos são sempre mais efetivas.

Além disso, em outro exemplo, se eu procuro avaliar a velocidade de um nadador não adianta analisar o tempo de uma prova de 2 mil metros, que reflete muito mais a capacidade de resistência aeróbica. Dito isso, a especificidade da Avaliação com Exercícios de MAT Pilates também é essencial. Para tanto é necessário utilizarmos o Método Pilates como ferramenta de avaliação do próprio método.

Normalmente na nossa prática nos Studios de Pilates temos como costume realizar avaliações posturais, funcionais e antropométricas em busca das abordagens principais que teremos em relação aos objetivos dos nossos alunos. Você já parou para pensar que essas avaliações deveriam ser, na realidade, uma prática em qualquer modalidade?

Elas não são específicas para o método e não levam em consideração qual modalidade iremos utilizar a seguir – elas não embasam o planejamento de forma especifica!

E quais parâmetros você usa como base para escolher qual o nível de dificuldade dos exercícios que você vai prescrever para seu aluno? Começar pelo mais fácil e ir progredindo parece a resposta lógica, certo? Até pode ser a abordagem mais segura, mas certamente não é a mais eficiente.

Essa parece a melhor opção, mas você já parou pensar que seu aluno pode ser subestimado e que você vai perder tempo utilizando exercícios que não irão gerar adaptação? Ou pior, escolhendo exercícios abaixo da necessidade do seu aluno pode até mesmo levá-lo ao destreino.

Protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates

Outro ponto, os exercícios do Método Pilates são, na sua maioria, globais. Considerando isso, e se o seu aluno tem flexibilidade para realizar um exercício avançado, mas não possui estabilidade lombo-pélvica para sustentar aquela posição? Você estaria aceitando colocá-lo em uma posição que pode representar risco de lesão? Quando é a hora certa de progredir nos exercícios?

Para responder essas e outras perguntas criei, com base na literatura científica disponível, um protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates que utiliza exercícios do próprio Método Pilates para dar essas respostas e indicar em qual nível de habilidade seu aluno se encontra.

Levando em consideração diferentes aspectos como força de membros superiores, força de membros inferiores, mobilidade, flexibilidade da coluna, flexibilidade de extensores do quadril, força e funcionalidade abdominal, força de extensores da coluna e estabilidade lombo-pélvica.

Cada componente da avaliação exige a análise de mais de um exercício gerando scores que poderão ser acompanhados para garantir a evolução do seu aluno e o ganho de resultados consistes em menos tempo do que um treinamento sem a utilização de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates.

Estamos falando de eficiência, melhores resultados em menos tempo o que levará a maior fidelização dos seus clientes e a entrega do resultado final prometido agregando muito mais valor ao seu trabalho. A comparação da evolução do seu aluno através de uma boa avaliação é primordial quando falamos em retenção de clientes e potencial de indicação.

Além de ver o retorno do seu trabalho de uma forma gratificante, você apresenta os resultados de tal maneira gerando vínculos e confiança. Só existe benefícios em incorporar um bom protocolo de Avaliação com Exercícios de MAT Pilates na sua metodologia de atendimento.

O que se deve observar durante a avaliação?

A Avaliação com Exercícios de MAT Pilates baseia-se na observação das habilidades do avaliado ao realizar uma série de exercícios de MAT Pilates. Para cada exercício estaremos observando aspectos específicos que representam uma ou mais das categorias avaliadas.

Cada exercício possui um número máximo de pontos possíveis e, ao final da avaliação, poderemos calcular se seu aluno é classificado como nível básico, intermediário ou avançado. Isso de forma geral e de maneira específica, entre as categorias citadas anteriormente.

As categorias são compostas pelos scores de um conjunto específico de exercícios e traz um olhar importante. Nossos alunos podem ter diferentes níveis entre as habilidades: muitas vezes um aluno com força pode não ser flexível e classificá-los somente de forma global pode acarretar em erros na hora de prescrever.

Esses resultados vão ajudar a planejar e escolher o nível de dificuldade apropriado dos exercícios, garantindo um trabalho individualizado e prescrito de forma adequada.

Além disso – tendo essa ferramenta em mãos -, será possível planejar os aumentos de dificuldade de forma periódica, períodos de regeneração e reavaliar para realizar os ajustes e apresentar os resultados.

Entre os aspectos observados estão:

  • Capacidade de mobilização da coluna;
  • Capacidade de controlar o movimento em fases excêntricas;
  • Capacidade de manter a organização da cintura escapular;
  • Capacidade de manter a sinergia na contração dos flexores e estabilizadores da coluna.

Conclusão

Avaliar é o primeiro passo de um trabalho responsável, de qualidade e eficiente. Entregar os resultados prometidos no menor tempo possível é o que representa um bom profissional que sabe exatamente o que está fazendo. Existem muitas prescrições realizadas sem planejamento, resultados que vem de forma lenta e muitas vezes por acaso.

Para ter base em um trabalho de sucesso que irá conquistar seus clientes de forma gratificante, tanto para você avaliar e quanto reavaliar seus alunos de forma específica é essencial. A palavra chave que uma boa Avaliação com Exercícios de MAT Pilates pode lhe trazer é EFICIÊNCIA.

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Este artigo foi escrito por Paula Finatto

É atualmente aluna de Doutorado Acadêmico no Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) realizando o programa Doutorado Sanduíche na Sacramento State University nos Estados Unidos. Mestre em Ciências do Movimento Humano (UFRGS) com ênfase em biomecânica e fisiologia da locomoção humana e Método Pilates. Também é Especialista no Método Pilates (UFRGS) e Bacharel em Educação Física (UFRGS) no ano de 2015/01. Formou-se em 2011/2 em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), integrante do Grupo de Pesquisa Locomotion e do Grupo de Pesquisas em Atividades Aquáticas e Terrestres da UFRGS e do Grupo GPCine (UFRGS). Certificada no Método Pilates pela Espaço Vida Pilates e possui formação no Método Pilates Original pela Associação Brasileira de Pilates atuando como instrutora há 8 anos.

Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

Uma das etapas da avaliação postural que utilizamos é a estática. Quero começar avisando: esse tipo de avaliação não é o suficiente para compreender nosso aluno por completo.

Depois de avaliarmos todos os pontos anatômicos estaticamente, conseguimos juntar nossos achados para a avaliação dinâmica. Também conseguimos aplicar os conhecimentos obtidos nessa fase na entrevista e nos testes específicos.

Gosto de comparar a avaliação com um jogo de queda cabeça. Nele, as peças se juntam uma a uma para compreendermos melhor o corpo que precisamos melhorar. Para conseguir realizar a avaliação estática com resultados positivos precisamos seguir os seguintes critérios:

  1. Posicionamento do avaliado: o indivíduo deve estar posicionado de forma a conseguirmos dar a volta no seu corpo sem movê-lo. Um movimento sequer pode alterar suas influências tônicas e o resultado da avaliação;
  2. Posicionamento do avaliador: o profissional deve ficar exatamente na linha média do avaliado. Caso contrário, corremos o risco de sofrer com algum tipo de inferência visual;
  3. Início: a avaliação estática começa com o indivíduo em pé e na posição mais confortável possível. Sempre começamos a avaliar de baixo para cima;
  4. Tempo: a avaliação deve ser o mais rápida possível. O profissional também deve explicar ao indivíduo que todos possuímos assimetrias para deixá-lo menos constrangido;
  5. Vestimenta: mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação. Homens devem usar sunga. É impossível avaliar bem um aluno de top, já que ele esconde parte dos processos espinhosos, ou bermuda, que impede a observação dos joelhos;
  6. Mãos: durante a avaliação precisamos tocar o avaliado. Portanto, elas devem estar aquecidas para evitar desconforto e serem firmes. Assim, conseguirmos passar mais segurança. Sempre peça permissão ao avaliado antes de tocá-lo;
  7. Forma de falar: devemos falar tranquilamente, mas com firmeza, ao avaliado. Cada manobra deve ser explicada com seu devido objetivo.

Unidades corporais avaliadas

Antes de começar a falar sobre a avaliação estática em si, preciso relembrar um pouco das unidades corporais que iremos analisar. Começamos sempre pelo membro inferior, que é formado pelas seguintes unidades, como explicaram Béziers e Piret:

  • Pé: responsável por dirigir o movimento;
  • Unidade ilíaca: possui papel de apoio ligado ao tronco e papel dinâmico do membro. Faz o membro inferior participar do tronco, utilizando a perna para transmitir a tensão e movimento ao pé;

As unidades que citei acima compõem a única unidade de membro inferior. A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril.

Os ilíacos (esquerdo e direito) são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. A pelve óssea é formada pelo cíngulo do membro inferior e sacro.

Podemos dividir os ossos do membro inferior nos seguintes segmentos:

  • Cintura pélvica: ilíacos direito e esquerdo;
  • Coxa: fêmur e patela;
  • Perna: tíbia e fíbula;
  • : ossos do pé.

Avaliação estática do joelho

O membro inferior é responsável por sustentar o peso corporal e auxiliar na locomoção e manutenção do equilíbrio. Além disso, ele realiza a transferência estável de peso durante uma marcha ou corrida.

Quando falamos mais especificamente dos joelhos, estamos considerando a articulação mais complexa do corpo humano, anatômica e funcionalmente. Ela é formada pela articulação tibiofemoral e patelofemoral.

A extremidade distal do fêmur, na articulação tibiofemoral, possui os côndilos. Eles articulam-se com a tíbia e dividem-se por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Esses côndilos são cobertos de cartilagem hialina espessa. Ela suporta forças extremas sobre as superfícies articulares durante o movimento.

A porção proximal da tíbia é conhecida como platô tibial. Nela encontram-se duas conchas achatadas niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. A superfície está alinhada com a cartilagem hialina, onde acomodam-se os côndilos femorais. A região intercondilar encontra-se na divisão entre platôs medial e lateral.

O joelho também possui a articulação patelofemoral, formada pela:

  • Cavidade troclear;
  • Facetas posteriores da patela (maior osso sesamóide).

É nessa articulação que se interpõe o quadríceps. O tendão patelar também está nessa região e vai do vértice inferior da patela até a tuberosidade da tíbia.

Encontramos inúmeras lesões e patologias no joelho durante a prática clínica. Isso é facilmente compreensível, especialmente quando consideramos que a articulação está situada entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo. Eles são o fêmur e a tíbia, que tornam o joelho tão suscetível a lesões.

Lesões do joelho

Quando o joelho encontra-se em flexão ele está no seu movimento de maior instabilidade. É nessa posição que ocorrem lesões de ligamentos e meniscos.

Em extensão de joelho, sendo esta a posição de movimento onde há maior estabilidade, torna esta articulação mais sujeita, mais vulnerável a fraturas e rupturas ligamentares.

Quando alguém realiza um agachamento acontece a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps. Em pequenos ângulos, essa cocontração é responsável por diminuir a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps.

Em ângulos acima de 60º a cocontração muscular leva a tíbia a se deslocar posteriormente e a realizar uma rotação externa. Esse movimento aumenta a pressão exercida sobre a patela. A força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

Powers et. al analisou onde existiria maior estresse da articulação femoropatelar. Em seu estudo, mostrou que durante exercícios de agachamento as angulações que produziam mais força de estresse na articulação foram 90º, 75º e 60º de flexão de joelhos.

Portanto, para diminuir o estresse femoropatelar o sugerido é realizar agachamento de 45º a 0º. Não devemos chegar a flexão de 90º, onde existe grande compressão articular.

Alterações do membro inferior

Podemos considerar o membro inferior como uma cadeia cinética. Assim, é possível pressupor que qualquer alteração biomecânica em um dos seus complexos articulares consegue influenciar a biomecânica e função do restante.

O alinhamento do joelho no plano frontal é bastante pesquisado por conta de sua importância clínica. Quando existe incongruência de membros inferiores, especialmente do joelho, é possível existirem dores articulares e instabilidade relacionadas.

Desordens nessas estruturas ainda podem trazer problemas, como:

  • Dificuldade de sustentação muscular;
  • Problemas sobre os tendões;
  • Problemas em ligamentos e retináculos.

Isso ocorre principalmente quando existe alternância de alinhamento do joelho em varo ou valgo. Assim, a função dos joelhos fica alterada e gera sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação, dependente de qual desalinhamento apresentar.

Um moderado desalinhamento frontal de joelho, por exemplo, pode piorar o prognóstico de doenças degenerativas, como osteoartrite.

Dependendo da orientação, que pode estar em varo ou valgo, as forças articulares estáticas e dinâmicas deixam de estar homogeneamente distribuídas. Assim, elas favorecem o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patologias na articulação e articulações próximas.

Como sabemos, o corpo funciona em cadeias musculares que separamos para o bem da didática, mas que são complementares na realidade corporal. Caso ocorra um desarranjo, seja fascial, muscular ou de tecidos moles, todo o sistema fica comprometido.

Conclusão

Durante a avaliação estática conseguimos começar a identificar alguns desequilíbrios do corpo. Para entendê-los bem, precisamos avaliar cuidadosamente os membros inferiores, dando destaque aos joelhos. Seu posicionamento pode afetar toda a cadeia dos membros inferiores e gerar lesões, patologias e aumentar as chances de doenças degenerativas.

No entanto, volto a lembrar que somente a avaliação estática não é o suficiente para conseguir uma análise completa do aluno. Para entender mais sobre esse assunto sugiro conferir meu artigo sobre os dois tipos de avaliação, estática e dinâmica. Se quiser saber mais sobre avaliações do membro inferior, confira meu guia completo sobre a avaliação estática.

Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

Como realizar a Avaliação das Cicatrizes no paciente

O corpo humano é marcado por diversas experiências que passamos ao longo da vida e, em alguns casos, podemos ver essas marcas claramente. As cicatrizes são expressões daquilo pelo qual o corpo passou e podem influenciar muito na organização corporal.

Por acaso você observa as cicatrizes do seu paciente ou aluno quando está realizando a avaliação estática? Espero que a resposta tenha sido sim, porque elas são importantíssimas para entender as compensações realizadas por esse corpo, como você pode conferir abaixo.

Importância de fazer a avaliação das cicatrizes

Enquanto realizamos a avaliação das cicatrizes na estática, precisamos ter os olhos atentos para todas as pequenas alterações no corpo do avaliado. Comece procurando por toda a extensão do seu corpo por cicatrizes. Barral foi o primeiro a mostrar que essas marcas podem ter consequência.

A má formação na teia de matriz cicatricial pode alterar o funcionamento mecânico do corpo. Portanto, devemos buscar essas marcas com atenção, já que elas podem ser algumas das causas que estão intoxicando o sistema musculoesquelético.

Cicatrizes tóxicas

Esse tipo de cicatriz é aquele que altera o funcionamento mecânico corporal. Elas são formadas após um ferimento ou intervenção cirúrgica, assim como boa parte das cicatrizes. No entanto, elas permanecem em reação com estímulos internos e externos depois de sua formação.

A cicatriz tóxica é capaz de causar uma contração muscular do músculo em questão. Ela também consegue modificar o tecido conjuntivo e o líquido extracelular que o circunda. Portanto, transforma-se numa área reativa, que chamamos de campo perturbador. Algumas das áreas onde essas marcas aparecem são:

  • Face;
  • Laterais do tronco;
  • Medianas da parede anterior do abdômen.

Preste muita atenção a cicatrizes horizontais, já que elas são mais nocivas para o desarranjo biomecânico. Só não se engane, não é o tamanho da cicatriz que define se ela é tóxica ou não.

Em alguns casos, marcas grandes não representam disfunções corporais, enquanto uma pequena cicatriz pode causar modificações teciduais no tecido conjuntivo e desregulação exteroceptiva. Ela implica em obstáculos para a correção postural durante o tratamento que elaboramos mais tarde.

Por que cicatrizes são tão importantes?

Para entender a desorganização corporal causada pelas cicatrizes basta observar o papel da pele. Ela é o maior órgão do corpo humano e é dotada de inúmeras terminações nervosas livres. Entre elas encontramos também grande qualidade de exteroceptores, como órgãos de Ruffini e Discos de Merkel. Essas células atuam como mecanorreceptores e são extremamente sensíveis.

Uma cicatrizes anterior de tronco pode, por exemplo, provocar uma projeção anterior do corpo. Isso acontece na tentativa de relaxar o estiramento do exteroceptor para conseguir um ajustamento no tônus muscular.

A pele também é um dos maiores órgãos do corpo que está exposto diretamente a estímulos do meio ambiente. Assim, ela realiza uma troca contínua de informações. O sistema de entrada pode ser perturbado em algumas ocasiões, como é o caso de uma cicatriz. Quando isso ocorre sua capacidade de interação com o ambiente interno e externo fica prejudicada.

Como saber se estamos diante de uma cicatriz tóxica?

Como mencionei, algumas cicatrizes são tóxicas independente do tamanho dela. Se o tamanho não é o suficiente, como podemos identificá-las durante nossa avaliação das cicatrizes? Confira alguns aspectos que você pode utilizar para identificar os tipos de cicatriz.

Aspectos de uma cicatriz normotrófica (que não causa distúrbios):

  • Cor próxima ao tom da pele;
  • Textura fina.

Agora, veja os aspectos de uma cicatriz tóxica, aos quais você deve estar muito atento durante a avaliação das cicatrizes:

  • Cor em tons de vermelho, variando entre tons claros, escuros e acastanhados;
  • Retrações;
  • Quelóides;
  • Alto relevo;
  • Trofismo, atrófica ou hipertrófica.

No entanto, não basta ver o aspecto da cicatriz para conseguir ter certeza se estamos diante de uma cicatriz tóxica. Ainda precisamos realizar testes adequados para ver se aquela marca consegue tornar-se um bloqueio para a correção postural ou não.

Testes para avaliação das cicatrizes

Os testes abaixo podem ser utilizados para avaliar a toxicidade de suas cicatrizes.

1. Baseado na cinesiologia aplicada

Para realizar esse teste podemos eleger qualquer músculo do corpo. Aqui exemplificarei usando o músculo bíceps braquial. O aluno deve manter o cotovelo em flexão enquanto o avaliador mantém as mãos na face anterior do antebraço avaliado.

Resista ao movimento em direção à função do músculo escolhido para teste e solicite que o avaliado faça uma força em sentido da flexão de cotovelo enquanto resistimos.

Durante a resistência, o avaliador deve tocar suavemente com a outra mão a cicatriz do avaliado. Caso a pessoa perca a força e permita que seu cotovelo seja levado à extensão o teste é considerado positivo. Ou seja, estamos lidando com uma cicatriz tóxica. Se não acontecerem alterações na resistência aplicada ao músculo temos uma cicatriz normotrófica.

2. Baseado no teste de pulsologia de nogier (teste da reação autonômica circulatória)

Esse é o teste de pulso radial. Nele, o avaliador toca o pulso radial do avaliado suavemente com o dedo indicador e médio. Ele percebe por alguns segundos a pulsação e, depois, toca a cicatriz em toda sua extensão com a outra mão.

Quando a cicatriz é tóxica o pulso diminui ou desaparece no momento do toque. Caso isso não aconteça é uma cicatriz normotrófica. A diminuição do pulso acontece por causa de uma desregulação humoral através da secreção do hormônio adrenalina que se liga ao receptor Beta 2 nos vasos das artérias musculoesqueléticas, que provoca vasodilatação e consequente redução da amplitude da onda do pulso.

Conclusão

Todos os aspectos do corpo do avaliado podem indicar motivos de um desequilíbrio postural. Por isso, o avaliador deve ter olhos atentos a qualquer alteração. As cicatrizes são problemas comuns que muitas vezes esquecemos de observar por estarmos muito atentos ao movimento.

Minha dica é aproveitar o momento da avaliação postural estática para realizar uma avaliação das cicatrizes mais detalhadas. Tente identificar se são tóxicas ou não.

Caso o resultado dos testes seja positivo e você esteja diante de uma cicatriz tóxica precisará trabalhar antes para melhorar sua matriz cicatricial. Se não fizer isso, o aluno será incapaz de manter os ganhos posturais que conseguirmos com o tratamento.

 

Bibliografia
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