Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

A avaliação postural é uma fase importante do tratamento. Podemos considerar que, se ela não for realizada corretamente, o indivíduo não terá o tratamento eficiente que merece. Podemos até acabar errando nos exercícios se não formos cuidadosos.

Portanto, é essencial relembrar alguns dos passos iniciais desse processo para conseguirmos melhorar nosso atendimento. Nesse artigo falo a respeito da avaliação: desde quando o aluno chega no seu espaço até a identificação de lesões ascendentes ou descendentes.

Como iniciar a avaliação?

Assim que o aluno chega ao studio ou consultório. Preste atenção na forma como ele se senta, seus gestos, modos de falar e expressões de dor. Tudo o que é importante deve ser anotado para você conseguir elaborar uma proposta de tratamento muito mais eficiente.

Uma dica importante aqui é: busque seu aluno na recepção ou sala de espera. Não peça para um colega ou secretária buscá-lo. Ao encontrar o aluno esperando por você, é possível encontrá-lo “despreparado”, ou seja, ele ainda não sabe que está sendo avaliado. É a oportunidade perfeita para descobrir seus problemas.

Por exemplo, como sabemos que a cadeia muscular de flexão ou antero mediana tem sua origem no assoalho bucal, segundo madame Godelieve Denys Struf e Leopold Busquet. Quando o aluno nos comprimenta podemos perceber alterações na fala.

Entre elas encontramos possível prognatismo, ankiloglossia (língua presa). Portanto, já temos uma pista importante para uma possível tensão nessa cadeia muscular, o que nos servirá para ao final da avaliação fecharmos nossos objetivos, diagnósticos e condutas diante do caso.

Caso utilize, ou já tenha utilizado, aparelho nos dentes é outro fator de extrema importância. A partir desse dado saberemos que estamos lidando com um corpo que já possui suas próprias tensões internas, externas e outra força que lhe está sendo imposta atuando em seus dentes e crânio.

Nada pode escapar aos nossos instintos nessa hora. Lembrando que as grandes descobertas, foram feitas em insights de conhecimentos através da observação atenta dos nossos grandes gênios antecessores, já que a tecnologia de avaliação não era algo desenvolvido há pouquíssimo tempo atrás.

Como realizar a entrevista?

Quero te avisar que, durante a entrevista, o profissional do movimento precisa ser persistente. O aluno muitas vezes deixa de mencionar informações que não considera relevantes ou que não lembra. Sabemos, por exemplo, que lidamos com um corpo viscerado. Portanto, precisamos coletar dados a seu respeito.

Quando perguntamos ao aluno como anda sua saúde no geral, ele dirá que está tudo bem. Quem concorda com a resposta e segue com a avaliação perde informações essenciais. Insista e fragmente sua pergunta para facilitar o trabalho do paciente.

Não somos médicos e não conseguimos diagnosticar doenças viscerais. Por isso, muitos profissionais podem ignorar essa parte da entrevista. No entanto, estamos em busca de tensões viscerais que possam influenciar no quadro do indivíduo. Além disso, mesmo identificando tensões viscerais nada prova que o paciente possui uma patologia no local.

Importância de realizar uma anamnese completa

Durante a anamnese devemos avaliar eventos que possam perturbar as leis que o corpo obedece. Elas são as leis do conforto, economia e equilíbrio. Uma patologia, mesmo que antiga, pode ser o começo para o corpo se reequilibrar e gerar desequilíbrios.

Quando temos uma pneumonia, por exemplo, o corpo está sujeito – durante determinado período – a uma força centrífuga. Os sinais flogísticos no caso são dor, calor, rubor e edema. De acordo com o dr. Andrew Taylor Still, criador da Osteopatia, o órgão sempre é prioridade.

Além disso, a estrutura determina a função. Portanto, percebemos que esse arcabouço costo vertebral foi obrigado a ceder espaço para o aumento da massa pulmonar causado pela doença. Um quadro asmático geraria ao contrário, um corpo que esteve ou está sob tensão centrípeta desde então.

De acordo com Madame Thérèse Bertherat, nossos músculos são como paredes de uma casa. Essas paredes tudo ouvem e tudo guardam, acumulando  memória de todo o ocorrido em nossa vida. Nessa bela frase, ela se refere brilhantemente a nossa memória corporal, que está ligada à imagem mental.

Problemas viscerais podem gerar desequilíbrios importantes, mesmo que não estejam aparentemente ligados a problemas musculoesqueléticos. Os problemas viscerais pulmonares, por exemplo, geram falta de mobilidade torácica. Como consequência, também temos enrijecimento dos tecidos circundantes osteomusculares.

O corpo fica privado de oxigênio localmente e tem como resposta a dor e retrações diafragmáticas importantes. Isso interfere diretamente na nossa relação respiratória. Os desequilíbrios gerados afetam a entrada do ar (forças centrípetas) ou eliminação de CO2 (forças centrífugas).

Também podemos aproveitar o momento da entrevista para avaliar como o indivíduo respira. Com o aumento de estresse gerado pela vida moderna muitas pessoas respiram mal simplesmente por ansiedade. Outro fator a avaliar é se a respiração ocorre em ins ou ex.

Realizando a avaliação postural estática

Após a entrevista damos início à avaliação postural estática. Nessa avaliação observamos somente os pontos anatômicos de forma estática. Mais tarde, juntamos todos os achados com aqueles da avaliação dinâmica, entrevista, testes específicos e outros.

Costumo brincar que a avaliação é um divertido jogo de quebra cabeça. Nele, as peças vão se juntando uma a uma para entender melhor o corpo que nos pediu ajuda. A avaliação postural estática precisa seguir os seguintes critérios para ter sucesso:

  • Posicione o indivíduo de forma que consiga dar a volta por seu corpo sem precisar mexê-lo. Movimentos, mesmo que pequenos, podem alterar suas influências tônicas;
  • Posicione-se exatamente a linha média do avaliado para não gerar interferências visuais.
  • Comece com o indivíduo em pé sempre da maneira mais confortável possível;
  • Comece a avaliação de baixo para cima;
  • Seja o mais rápido possível em sua análise;
  • Explique ao avaliado que todos temos assimetrias. Nosso objetivo é deixá-lo o menos constrangido possível;
  • Mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação e homens devem usar sunga. Não realize a avaliação postural de top (esconde parte dos processos espinhosos) ou bermuda (impede observar o joelho);
  • As mãos do avaliador devem estar aquecidas e serem firmes para passar segurança;
  • Sempre peça a permissão do avaliado para tocá-lo;
  • Fale tranquilamente, mas com firmeza.

Analisando as lesões descendentes e ascendentes

Durante a avaliação postural estática conseguimos começar a identificar as lesões do indivíduo. Trabalhamos com dois tipos de lesões bastante distintas: ascendentes e descendentes. Abaixo defino o que são cada uma delas para que você consiga identificá-las com mais facilidade.

Lesões Ascendentes

Originam-se sempre abaixo da dor relatada. Ou seja, caso estejamos diante de uma lesão ascendente, em uma possível lombalgia o esquema de compensação postural que se esgotou causando a dor surgiu de uma estrutura inferior, como por exemplo, pés, joelhos, ou ainda, quadril.

Lesões Descendentes

São o contrário, originam-se sempre acima da dor relatada. Na mesma lombalgia citada anteriormente, a lesão primária teve origem em uma estrutura superior, podemos citar aqui: a região torácica, cervical, ou importante, visceral.

Avaliando a lesão

Avaliarmos se a lesão é ascendente ou descendente é bem simples: Traçamos uma linha imaginária de um acrômio até o outro, e da mesma forma, traçamos também uma linha imaginária de uma crista ilíaca até a outra. Dados esses que já foram colhidos durante a avaliação postural estática.

Caso as linhas se encontrem em algum ponto estaremos diante de uma lesão ascendente, já se estivermos diante de um caso em que as linhas imaginárias nunca se encontram estaremos diante de uma lesão descendente.

Esse procedimento é importantíssimo para traçarmos nossa estratégia com esse indivíduo, para identificarmos, por onde começaremos a mobilizá-lo, fortalecê-lo, ou ainda relaxá-lo.

Concluindo…

O que mencionei aqui foi um breve resumo dos passos iniciais da avaliação postural que devemos realizar antes de qualquer tratamento. Cada um desses passos te ajuda a compreender melhor as compensações do corpo e dá insights para conseguirmos a melhora efetiva do indivíduo.

Vale a pena lembrar que nenhuma avaliação está completa sem a avaliação dinâmica e testes específicos da patologia. É através deles que conseguimos comprovar as hipóteses criadas durante a avaliação estática e determinar o tratamento mais eficiente.

Como Avaliar os Pontos do Quadril e o Assoalho Pélvico

Como Avaliar os Pontos do Quadril e o Assoalho Pélvico

O quadril é essencial para identificar as causas de uma patologia já que é nele que se anulam forças durante o movimento. Essa articulação é composta pelos dois ilíacos e o sacro, que forma  a articulação sacroilíaca. Vamos aprender a como avaliar pontos do quadril de seu paciente?

É essa articulação que realiza a transferência de carga e forças entre os membros inferiores e a parte superior do corpo, além de transferir forças para a sínfise púbica.

Pequenos desequilíbrios são o suficiente para influenciar a região e levar ao surgimento de patologias ou dores. Por isso, devemos prestar tanta atenção ao avaliar pontos do quadril.

No quadril existe uma estrutura chamada de acetábulo. Ela é uma parte óssea côncava formada pela fusão dos seguintes ossos:

  • Ilíaco;
  • Ísquio;
  • Púbis.

O acetábulo é aprofundado por um anel de fibrocartilagem que garante mais estabilidade, o lábio do acetábulo. Mesmo assim, existe uma ligeira mobilidade nos ossos que o formam. Apesar de ser pequena, a mobilidade na região pode levar a desequilíbrios, desarranjos musculares, desvios posturais e patologias.

A mobilidade ilíaca é especialmente importante em condicionar a estática e dinâmica dos membros inferiores. Que tal aprender a como avaliar pontos do quadril corretamente? Leia este texto!

Como avaliar os Pontos do Quadril

Como mencionei anteriormente, os ilíacos são alguns dos principais pontos do quadril no nossos diagnóstico. Devemos observar o posicionamento dos pontos abaixo para entender melhor os ilíacos e o próprio quadril num contexto geral:

  • Espinha ilíaca antero-superior (EIAS): devemos observar na análise postural estática qual está mais alta ou mais baixa, à direita ou à esquerda;
  • Crista ilíaca: também precisamos identificar qual das cristas ilíacas está mais alta ou mais baixa, á direita ou esquerda;
  • Espinha ilíaca postero-superior (EIPS): anotamos qual delas está mais alta ou baixa comparativamente ao lado esquerdo ou direito.

É através desses pontos que compreendemos o posicionamento da pelve e dos ilíacos.

Alteração postural dos ilíacos

Existem quatro esquemas de alteração postural possíveis para os ilíacos. Comecemos falando da anterioridade, que surge com a tensão do reto femoral. O músculo traciona o ilíaco anteriormente e para baixo. O quadro lombar também gera tração posterior e para cima.

ilíaco em anterioridade

O próximo esquema compensatório é a posterioridade. Ela é gerada pela tensão do isquiotibial que traciona o ilíaco posteriormente e para baixo. O reto abdominal tenciona esse ilíaco de maneira anterior e para cima, fazendo-o girar.

ilíaco em posterioridade

Também existe o fechamento ilíaco, que ocorre com a tensão do oblíquo abdominal e adutores que trazem a asa ilíaca para dentro em sua parte superior.

ilíaco em fechamento

Quando temos ilíacos em abertura a compensação é gerada pela tensão do glúteo médio e assoalho pélvico tracionando o ilíaco em sua asa superior para fora.

ilíaco em abertura

Percebeu que quase todos os músculos citados acima correspondem aos músculos do Power House? Portanto, isso é essencial para observar desequilíbrios tratados no atendimento, seja de Pilates ou Treinamento Funcional.

Quando temos dois ilíacos em anterioridade encontramos um caso de hiperlordose, lembrando que o sacro sempre acompanha o movimento do ilíaco, nesse caso fica horizontalizado.

Se tivermos dois ilíacos em posterioridade estamos diante de uma retificação ou apagamento da curvatura lombar. Nesse caso o sacro está em verticalização excessiva.

Avaliação do Assoalho Pélvico

Como vimos, a abertura dos ilíacos pode ser causada pela tensão excessiva do assoalho pélvico. Desde que assumimos a bipedestação há cerca de 120 mil anos, todo o peso do nosso saco visceral passou a repousar sobre o fraco assoalho pélvico. É assustador perceber o aumento no número de mulheres jovens incontinentes, especialmente entre as que praticam esportes de alto impacto.

Como o assoalho pélvico é composto de fibras do tipo II, fásicas, precisamos realizar o seguinte questionamento na avaliação: ele está tenso ou fraco?

Existe uma forma rápida e simples de identificar o tipo de alteração à qual o assoalho pélvico está submetido.

Avaliação da Tensão do Assoalho Pélvico

O avaliado deve estar deitado em decúbito ventral sobre uma maca. Começamos solicitando uma leve abdução dos seus membros inferiores. A partir de então posicionamos nossa mão sobre a prega glútea seguindo seu contorno anatômico. Seguimos com nosso polegar deslizando sobre o contorno de sua prega glútea a fim de posicioná-lo um pouco acima da origem dos adutores.

Nesse momento encontraremos os músculos do assoalho pélvico. Faremos então uma digito pressão nessa região. No entanto, peço que você explique antes a necessidade da avaliação que pode ser muito desagradável para o avaliado. Peça sua permissão para tal procedimento.

Quando o polegar estiver nos músculos do assoalho pélvico mantenha a digito pressão e avalie a tonicidade dos músculos do compartimento pélvico.

Quero lembrar aqui que temos três diafragmas: o craniano, o torácico e o pélvico. Logo, o ato da respiração deve percorrer esses 3 diafragmas. Com a percepção do nosso polegar conseguimos observar se a inspiração expande também o último diafragma, o pélvico.

Se isso não acontecer estamos diantes de músculos tensos. No entanto, vale a pena deixa claro que essa avaliação é subjetiva e superficial. Se permanecer com dúvida é preciso recomendar ao nosso avaliado procedimentos mais fidedignos que podem ser realizados por profissionais de uroginecologia.

Por que os ilíacos podem mexer-se separadamente?

Os ilíacos têm capacidade de mover-se separadamente para que o cíngulo pélvico não perca sua continuidade. Caso contrário, todas as forças atuantes na pelve paralisariam o corpo e fariam com que perdêssemos nossa autonomia.

Por isso, nosso corpo é separado por unidades funcionais que conseguem realizar as mais variadas compensações. Assim, o movimento permanece existindo, mesmo que alterado. Os ilíacos podem mexer-se separadamente por causa de uma tensão de um hemicorpo.

Diagnóstico diferencial para o quadril

Para realizar o diagnóstico diferencial ao avaliar os pontos do quadril utilizaremos o teste de flexão em pé (TFP).

Para realizá-lo, o indivíduo deve iniciar em pé e com os pés paralelos e com o segundo dedo do pé alinhado na linha média do joelho e EIAS. Estaremos posicionados através do avaliado com os polegares apoiados nas articulações EIPS, nosso polegar direito (D) sobre a EIPS direita (D), e o polegar esquerdo (E) sobre a EIPS esquerda (E).

Solicitamos que o aluno ou paciente realize uma flexão de tronco e acompanhamos as espinhas com nossos polegares. O polegar que subir indica o ilíaco que se movimentou, porque o sacro sempre acompanha o ilíaco que se move para manter a continuidade pélvica.

Considerando o esquema acima, se o polegar que se mover para cima for o direito, supomos que temos três pontos baixos. Ou seja, EIAS D mais baixa, crista ilíaca D mais baixa e EIPS D mais baixa, ou seja, um fechamento ilíaco à direita.

Se o polegar que subir for o esquerdo, teremos uma poterioridade à esquerda. Encontraremos EIAS E mais alta, crista ilíaca E mais alta e EIPS E mais baixa.

Se encontrarmos três pontos altos estaremos diante de uma abertura. Assim, o paciente também apresentará um varo no membro inferior que pode nos induzir ao diagnóstico de uma falsa perna longa.

Ao encontrarmos três pontos baixos estamos diante de um esquema de fechamento que gera um valgo, com possível falsa perna curta.

Conclusão

Certamente a avaliação não termina quando conseguimos avaliar os pontos do quadril e o assoalho pélvico. Essa é somente uma parte de uma avaliação realmente completa que consegue diagnosticar os desequilíbrios do seu aluno.

Ao prestar atenção nos pontos mencionados nesse artigo você consegue identificar não somente desequilíbrios do quadril, mas também de todo o esquema corporal. Portanto, estude com cuidado os ilíacos, mesmo que exija alguns testes a mais para seu paciente. Espero que tenha aprendido a avaliar pontos do quadril de um paciente!

Utilizando a Hipopressiva no Tratamento da Constipação Intestinal

Utilizando a Hipopressiva no Tratamento da Constipação Intestinal

A Constipação Intestinal é a queixa digestiva mais comum na população geral, sendo responsável por milhões de visitas médicas aos hospitais no Brasil e no Mundo (COLLETE 2007).

Consiste, portanto, em um distúrbio caracterizado pela diminuição da frequência das evacuações a intervalos maiores que 48 horas, o que permite um aumento da absorção de água pelas paredes do cólon, resultando em fezes duras, pesando menos de 200 gramas (ANDRÉ et al, 2000).

Existem vários fatores epidemiológicos de risco para o desenvolvimento de constipação como:

  • Idade;
  • Sexo Feminino;
  • Baixo nível socioeconômico;
  • Baixo consumo de fibras na dieta alimentar;
  • Mal estilo de vida, no que diz respeito aos países industrializados, bem como o excesso de alimentos industrializados.
  • Aumento crônico da Pressão intra-abdominal (PIA)

A modificação dos hábitos alimentares gerada pela tecnologia tem introduzido o consumo de alimentos refinados desprovidos de fibras vegetais, contidas em maior quantidade nas cascas das frutas e legumes.

Por esse motivo, existem nos países desenvolvidos uma alta incidência de doenças que eram pouco frequentes no passado como o a constipação intestinal, as chamadas doenças da civilização.

Doenças resultantes da Constipação

Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a constipação propriamente dita pode ser um sintoma inicial de doenças graves. Como por exemplo, o câncer colorretal, que é o quinto câncer mais frequente entre os homens e o quarto entre as mulheres no Brasil.

A cronicidade dos sintomas, a falta de orientação terapêutica adequada e o uso abusivo de laxantes podem ter como consequências o surgimento de outros problemas. Entre eles:

  • Doença diverticular do cólon;
  • Hemorroidas;
  • Fissuras Anais;
  • Fecalomas com impactação fecal (AMBROGINI 2001).

Funcionamento do Intestino

O intestino é um órgão de formato tubular que se estende desde o final do estômago até ao ânus, permitindo a passagem dos alimentos digeridos, facilitando a absorção dos nutrientes e a eliminação dos resíduos. Para fazer todo esse processo, o intestino tem cerca de 7 a 9 metros de comprimento.

O intestino é uma das partes mais importantes do sistema digestivo e pode ser dividido em 2 partes principais:

  • Intestino delgado: é a primeira porção do intestino, que liga o estômago ao intestino grosso. É a parte mais comprida do intestino, com cerca de 7 metros, onde ocorre uma parte da absorção de água e grande parte de absorção dos nutrientes como: açúcares e aminoácidos.
  • Intestino grosso: é a segunda porção do intestino, apresenta cerca de 2 metros de comprimento. É a menor parte do intestino, mas a mais importante na absorção de água. Mais de 60% da água que nosso corpo precisa é absorvida no intestino grosso.

Após as refeições podem ocorrer contrações colônicas de grande amplitude, denominadas reflexo gastrocólico, que se propagam a partir do sigmóide proximal em direção a sua porção terminal, empurrando a massa fecal para o interior do reto.

A continência fecal e as evacuações dependem do funcionamento perfeito da musculatura pélvica.

Movimentos pré-evacuatórios

Os esfíncteres interno e externo envolvem o ânus, sendo o primeiro um espessamento da musculatura lisa circular do intestino e o segundo de musculatura estriada sob controle voluntário.

Quando as fezes chegam ao reto, receptores sensíveis ao estiramento determinam o relaxamento reflexo do esfíncter interno do ânus, permitindo que o conteúdo retal, ao atingir a região anodérmica, seja percebido de modo discriminado para gases, líquidos ou fezes pastosas.

Neste momento, o indivíduo pode decidir pela eliminação de flatos ou pela contração voluntária do esfíncter externo até chegar ao local apropriado para ultimar a defecação.

O relaxamento do esfíncter interno do ânus em consequência da distensão retal é denominado reflexo retoanal que é transmitido através do plexo mioentérico. Este reflexo pode ser avaliado por meio da manometria anorretal.

Bactérias presentes no Intestino

Embora o tubo digestivo inteiro seja amplamente colonizado por bactérias, existe entre seus diversos segmentos uma grande variedade na concentração destas. (PINHO, 2008)

A presença de secreções ácidas e biliares no estômago e intestino delgado proximal, e a presença de um trânsito mais acelerado contribui para uma redução da quantidade de bactérias nestes segmentos. (PINHO, 2008)

A colonização bacteriana aumenta de forma exponencial no intestino delgado distal devido à ausência das referidas secreções e pelo retardo de trânsito pela ação da válvula ileocecal. No cólon iremos observar um aumento acentuado da flora bacteriana.

Portanto, ao longo de todo o intestino, existe uma flora de bactérias que ajudam no processo digestivo, assim como a manter o intestino saudável e livre de outras bactérias patogênicas que podem ser ingeridas com os alimentos.

Para manter uma flora intestinal saudável, deve-se apostar no consumo de probióticos, tanto através dos alimentos como de suplementação.

Qual a relação do MAH com a Constipação Intestinal?

As posturas propostas no Método Abdominal Hipopressivo (MAH) têm como objetivo trabalhar a mobilidade diafragmática.

O diafragma é o musculo primário da respiração e tem ligação intima com os intestinos. Ligações essas através de cadeias musculares, fáscias e biomecânica.

Quando esse músculo trabalha com menor esforço e com a pressão intra-abdominal normalizada ele potencializa a sua ação de massagear o mesocólon transverso e assim melhora a mobilidade visceral. Esse aumento da mobilidade facilitará o fluxo fecal prevenindo e/ou tratando da constipação intestinal.

Além disso a técnica (MAH) trabalha na reprogramação do córtex cerebral onde proporcionará um estimulo das cadeias miofasciais e das vias do sistema neurovegetativo. Onde acontecerá uma perfeita sincronia entre acetil colina (colinérgicos) e noradrenalina (adrenérgicos).

Essas substâncias irão fazer ajustes neurodinâmicos afim de melhorar o funcionamento intestinal. Um estudo recente mostra que cerca de 90% da serotonina existente no corpo humano é produzido no intestino (OLIVEIRA 2013).

A serotonina é um neurotransmissor que atua diretamente no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais e por isso, quando este hormônio se encontra numa baixa concentração, pode causar mau humor, dificuldade para dormir, ansiedade ou mesmo depressão.

O MAH como visto acima, ajudará no funcionamento dos intestinos. O mesmo estudo proposto por Oliveira 2013, mostra que: quando o intestino funciona bem, temos menores riscos de ocorrências de ansiedade e de depressão.

Conclusão

Uma das formas de aumentar a concentração de serotonina na corrente sanguínea é consumindo alimentos ricos em triptofano, praticar exercícios físicos com regularidade e em casos mais severos, tomar remédios.

Portanto, além da técnica MAH ser de extrema importância no tratamento da constipação intestinal é muito importante orientar o consumo de água.

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Escrito por Marlon Bluner

Fisioterapeuta com formação completa no Método Pilates, Pilates Avançado, Pilates aplicado ás Patologias da Coluna e Método Pilates em Suspensão. É palestrante recorrente dos eventos do Grupo VOLL, assim como treinador do Curso de Formação Completa em Pilates e Método Abdominal Hipopressivo.

 

 

Bibliografia
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  • André SB, Rodriguez TN, Filho SPPM, Constipação Intestinal, RBM, Dezembro 2000, V 57, N12
  • Collete VL; Araújo CL; Madruga SW. Prevalência e fatores associados à constipação intestinal: um estudo de base populacional em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 2007
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  • Mauro Batista de Morais1, Helga Verena L. Maffei, Constipação intestinal, Revisão, 0021-7557/00/76-Supl.2/S147 Jornal de Pediatria
  • Pinho, Mauro. Rev bras Coloproct, 2008;28(1): 119-123. A Biologia Molecular das Doenças Inflamatórias Intestinais, 120 Vol. 28 Nº 1 Rev bras Coloproct Janeiro/Março, 2008
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