Por que você vai perder alunos sem biomecânica do Pilates?

Por que você vai perder alunos sem biomecânica do Pilates?

Há cerca de quatro anos falei que tudo iria mudar na área de movimento e que quem ficasse de fora iria perder mercado. Agora estamos começando a observar essas mudanças, seja na biomecânica do Pilates ou em outras áreas correlatas.

As pesquisas avançam diariamente e não existe mais opção. Ou começamos a estudar e nos atualizar ou nos preparamos para ficarmos obsoletos, ultrapassados por uma concorrência com cada vez mais conhecimento científico.

Eu prefiro estar no grupo de quem vê as novas pesquisas como uma oportunidade de crescimento, e você?

Hoje quero falar um pouco sobre a mudança de paradigmas que está ocorrente no Pilates e na área de movimento como um todo.

Tais alterações podem mudar drasticamente nosso atendimento e trazer muito mais eficiência para o que fazer. Quer entender mais sobre biomecânica do Pilates? Então continue lendo!

O que precisamos saber para ensinar biomecânica do Pilates?

Primeiramente, quero discutir o que precisamos para sermos reais instrutores de Pilates. Será que só a formação em uma área do movimento e um curso de especialização, como os da VOLL Pilates, são o suficiente?

Considero que a formação é o passo inicial na carreira do instrutor. Ela dá os conhecimentos básicos que você precisa para tratar seus pacientes. No entanto, ela não chega nem perto de ser o suficiente para sermos realmente bons. Vou explicar o motivo.

Quando criei meu curso de Biomecânica do Pilates, há mais ou menos cinco anos, ele era completamente diferente do atual. Simplesmente não existiam pesquisas o suficiente para que eu oferecesse informações de tanta qualidade.

Mas hoje, já existem pesquisas excelentes que nos mostram como o corpo funciona e reage a estímulos. Ou seja, consegui criar um curso muito mais completo e que te ajuda a trabalhar ainda melhor com seu aluno.

Essa revolução de informações também ocorreu com o Pilates. Novas e excelentes pesquisas são lançadas quase semanalmente.

Quem não conseguir entender e manter-se atualizado a respeito de anatomia, biomecânica e questões biopsicossociais vai ficar para trás.

Como a ciência está mudando as áreas do movimento?

Não adianta ficar parado em conceitos antigos e não acompanhar pesquisas e esperar manter-se no mercado. Precisamos compreender muito bem a biomecânica do Pilates para conseguir otimizar o método.

Por acaso você ainda se espanta quando eu falo que não podemos contrair o assoalho pélvico em nossas aulas? Ou que sentar não causa dor lombar?

Então talvez você esteja ultrapassado, mas ainda dá tempo de mudar isso com muito estudo.

Já sabemos que muitas ideias antigas consideradas eficientes nada mais são do que efeito placebo. Alongamento passivo? Já não é considerado eficaz há mais de 12 anos. O transverso abdominal? Não trabalha de forma simétrica como gostaríamos que trabalhasse.

A verdade é que pedimos por conhecimento durante muito tempo. Mas agora que ele está disponível, muita gente prefere ficar presa a ideias antiquadas e ultrapassadas.

A realidade é que conhecimento não deve ser obrigado. Só aprende quem quer, o restante continuará trabalhando com ideias antigas e sem resultados tão positivos.

Efeito placebo e técnicas de movimento

Quando falei a respeito de técnicas antigas ou ultrapassadas que profissionais continuam a usar, não quis dizer que não trazem resultados.

No entanto, hoje já sabemos como o efeito placebo atua na fisioterapia a ponto de ser um de nossos melhores amigos no tratamento.

As dores são multifatorias, ou seja, causadas por fatores biomecânicos, anatômicos e psicossociais. Gosto da teoria do balde que explica o surgimento de uma dor.

De acordo com ela, o corpo é como um balde vazio. Conforme surgem interferências esse balde se enche de água. Uma cicatriz tóxica pode colocar um pouco de água, alterações corticais mais um pouco, assim como um distúrbio mecânico.

O estresse e problemas emocionais também servem para encher esse balde de água.

Eventualmente a água transborda, mesmo que seja por causa de uma gota de água pouco significativa, e a dor surge. É nesse momento que recebemos o aluno cheio de dores na coluna, por exemplo.

Esse problema surgiu por causa de uma série de fatores, não por causa do desvio postural ou por uma disfunção biomecânica.

O que podemos fazer é utilizar técnicas que aos poucos eliminam esses fatores para conseguir o alívio da dor. O efeito placebo também pode ser uma ferramenta.

O que não podemos fazer como profissionais é acreditar que técnicas já provadas como falsas ou pouco eficazes pela ciência possuem efeitos reais no aluno.

Algumas vezes ele precisa daquele alongamento estático para se sentir bem, mas você, o fisioterapeuta, sabe que não ocorreu uma mudança biomecânica para corrigir o problema.

Cinesiofobia

Você tem algum aluno com medo de se mexer? Imagino que sim e isso é muito comum. A cinesiofobia é outro problema que vem sendo combatido através de informações.

Ela é gerada basicamente por falta de informação e mitos que nós, da comunidade médica e do movimento, continuamos espalhando.

O paciente com um abaulamento lombar pode procurar um médico para resolver sua situação. Nesse momento ele orienta que ele pare toda atividade física que está fazendo e fique de repouso por um mês.

Durante o período o paciente deve tomar alguns remédios e até evitar tarefas domésticas que envolvam abaixar ou levantar peso. Será que está certo?

De acordo com as guidelines mais recentes de dor lombar, esse tipo de padrão de atendimento é péssimo. Ele estimula o repouso e o medo de certos movimentos.

Ficar muito tempo parado pode fibrosas a região e criar um corpo rígido e sem movimentos multidirecionais. Portanto, o paciente fica ainda pior do que está.

Conclusão

Não posso recomendar algo fora muito estudo e dedicação à nossa profissão para continuarmos no mercado. Entender a biomecânica do Pilates e os processos biopsicossociais que formam a dor podem mudar muito sua forma de atendimento. Então, invista em você e em seu conhecimento.

Sabemos que muitos mitos do movimento surgem da própria comunidade médica. Basta olhar a quantidade de hérnias que você atende no seu Studio.

Não quer dizer que elas não existem, mas quer dizer que o paciente está sentindo dor e limitando seus movimentos por um problema que não é tão sério assim.

Mas como podemos discutir com alguém que está seguindo a orientação médica? Através do conhecimento e embasamento científico sobre biomecânica do Pilates.

Através deles conseguimos falar com o médico de igual para igual e conseguir a confiança do aluno.

Tudo que Nunca te contaram sobre Liberação do Diafragma

Tudo que Nunca te contaram sobre Liberação do Diafragma

Biomecânica do diafragma

O diafragma é um músculo essencial para as funções vitais do indivíduo, sendo responsável por 70% de sua capacidade vital. Ele precisa de contração contínua para vencer os componentes elásticos e resistivos do sistema respiratório. Tudo isso acontece para garantir uma boa ventilação pulmonar.

Esse músculo é dividido em dois segmentos, os pilares diafragmáticos e o centro tendíneo. Os pilares estão inseridos firmemente nas últimas vértebras torácicas (T11 e T12), assim como nas primeiras lombares (L1 e L3). Sua inserção também está localizada nas últimas costelas, sendo responsável por realizar o movimento de abertura das costelas que facilita a entrada de ar.

A parte ântero-central do diafragma é o centro tendíneo. Durante as excursões respiratórias ele é o único a realizar movimentos. Seu aspecto é semelhante a um trevo de três folhas, com o forame da veia cava inferior onde passa a veia de mesmo nome e o nervo frênico. A veia desemboca no coração e é responsável por drenar o sangue de toda a parte inferior do corpo.

O diafragma é inervado pelos nervos frênicos direito e esquerdo. Sua origem é nos ramos anteriores dos 3º, 4º e 5º segmentos cervicais (C3 e C5). Os nervos frênicos são responsáveis por enviar ramos aferentes e eferentes, dando ordens para o diafragma contrair-se. As informações dolorosas e proprioceptivas desse músculo também chegam ao sistema nervoso através desses nervos.

Durante sua contração o diafragma desloca o tendão central no sentido caudal, assim ele aumenta a pressão intra-abdominal (PIA). A pressão é transmitida ao tórax pela zona de aposição, expandindo a caixa torácica inferior.

Essa zona está diretamente relacionada ao grau de insuflação pulmonar. portanto, a contração diafragmática expande a caixa torácica, insufla os pulmões e força o abdômen para fora.

Diafragma e sua função postural

Além de atuar durante a respiração, o diafragma também trabalha na manutenção da postura. Ele é um estabilizador do tronco e atua em sinergia com outros músculos estabilizadores. Além disso, ele possui importante ligações, sejam elas diretas ou indiretas, através de cadeias miofasciais.

Durante nossa vida diária realizamos ativações do diafragma em diversas situações além da respiração. Ao carregar peso, por exemplo, toda a musculatura estabilizadora do tronco, incluindo músculos abdominais e profundos da coluna, se contraem para diminuir a sobrecarga sobre a lombar.

Quando o diafragma é exigido em demasia por uma frequência respiratória alta ou por estabilizar a coluna por tempo prolongado suas fibras tornam-se fadigadas. Como resultado, ele afeta a mecânica da coluna lombar, podendo causar lombalgia.

Estudos afirmam que a fadiga do diafragma é mais acentuada em pessoas que apresentavam lombalgia (Janssens et al, 2013). Por isso, também devemos avaliar cuidadosamente esse músculo em casos de pacientes com esse tipo de dor.

Por que devemos avaliar o diafragma antes de começar?

Como percebemos, o diafragma é um músculo essencial no corpo humano e pode estar sofrendo com compensações. Existem três padrões respiratórios em nossos alunos, o diafragmático, costal e misto. Quando o diafragma está sendo usado incorretamente para a respiração pode acabar com fadiga e prejudicar outros processos que exigem a atuação de suas fibras.

Atualmente é bastante comum encontrar indivíduos com padrões respiratórios alterados e com tensões ou desequilíbrios que afetam o diafragma. Através de uma boa avaliação você consegue identificá-los para conseguir aplicar o melhor tratamento ao seu paciente.

Durante uma sessão para um paciente que já possui o diafragma tensionado, por exemplo, devemos evitar aumentar ainda mais a PIA, que exige sua ativação. O ideal seria liberar as tensões do músculo e trabalhar o problema respiratório para conseguir normalizar a pressão intra-abdominal.

No momento da liberação encontramos um problema: as manobras tradicionais simplesmente são pouco eficientes.

Como é a manobra tradicional de liberação do diafragma

Até pouco tempo atrás eu utilizava essas manobras com meus pacientes e sequer chegava a pensar que existia algo de estranho nisso. Quero lembrar algumas características do diafragma que fazem a força que fazemos no abdômen ou nas costas do paciente seriam praticamente inúteis.

Primeiramente, esse músculo está espalhado pela região, tendo inserções que chegam até L2 e L3. Em segundo lugar, ele realiza uma excursão de 10cm na inspiração, que é bastante espaço. Para complementar o quadro, esse músculo é profundo, localizado abaixo mesmo do transverso abdominal.

Sabemos que não conseguimos palpar o transverso abdominal adequadamente por causa da sua profundidade. Agora pense bem, será que realmente conseguimos liberar o diafragma através de tensão no abdômen?

Na parte de trás do corpo, nas costas, isso também é impossível. Não importa a pressão que colocarmos em nossos dedos, não conseguiremos ultrapassar os fortes músculos paravertebrais e o quadrado lombar.

Ou seja, precisamos abolir essas manobras de nossas aulas, especialmente se buscamos eficiência nos tratamentos.

Maneiras modernas de fazer liberação do diafragma

Felizmente existem melhores formas de fazer liberação do diafragma. No meu curso sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) falo a respeito das questões pressóricas, inclusive as torácicas. Explico que não adianta trabalhar a faixa abdominal se o pulmão ainda não estiver normalizado.

Portanto, fazer a liberação do diafragma é importante, mas não deve acontecer da forma como estamos acostumados. Imagine um paciente que possui a respiração limitada e é hiperinsuflado.

Suas costelas são abertas, mas queremos usar o conceito de abertura das costelas empurrando as mãos na coxa para trabalhar sua faixa abdominal. Será uma manobra eficiente? Certamente não.

Primeiro precisamos normalizar a respiração para depois conseguir aplicar o método adequadamente. Lembre-se que cada vez que o assoalho pélvico entra em contração uma sinergia de músculos se ativa junto.

Eles incluem o assoalho pélvico, transverso do abdômen, diafragma, intercostais, escaleno, entre outros. Portanto, não devemos ativar a faixa abdominal sem primeiro tirar a programação dos músculos respiratórios. Caso contrário ela se retroalimentará cronicamente.

Uma das melhores formas de aplicar a liberação do diafragma é através da fáscia. O curso MAH é o primeiro que fala a respeito das liberações fasciais. Não trabalhamos nas linhas miofasciais, mas sim com a pura liberação fascial.

É ela que ajuda a liberar o músculo e tudo isso sem precisar realizar tensão excessiva sobre seu aluno. Quem tenta fazer liberação nos músculos abdominais pode ficar muito tempo liberando sempre conseguir um resultado efetivo. O mesmo não acontece com a liberação fascial, que é muito mais assertiva.

Também devemos utilizar a liberação do diafragma através do centro frênico. O diafragma precisa ser liberado em todas as suas porções para voltar ao seu funcionamento normal.

Conclusão

Espero que este artigo tenha clareado algumas dúvidas à respeito da Liberação do Diafragma! Até a próxima!

Pilates como aliado no Tratamento de Incontinência Urinária em Mulheres

Pilates como aliado no Tratamento de Incontinência Urinária em Mulheres

Incontinência urinária (IU) é uma perda involuntária da urina pela uretra. Conhecido como um dos distúrbios mais frequentes no sexo feminino, se manifesta na quinta ou na sexta década de vida, porém, também pode ter apresentação em mulheres mais jovens.

A sustentação dos órgãos pélvicos se dá através das estruturas musculares e produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária. Esses músculos do Assoalho Pélvico, quando com IU, tornam-se mais frágeis nas mulheres, provocando assim o escape involuntário. Que tal saber mais sobre a Incontinência Urinária em Mulheres? Vamos ler mais!

Causas da Incontinência Urinária em Mulheres

A incontinência pode ocorrer devido às anomalias de posição, como de fixação da uretra e colo vesical. A eliminação da urina é controlada pelo Sistema Nervoso Autônomo, podendo ser comprometida nas seguintes situações:

  • Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico;
  • Gravidez;
  • Parto;
  • Doenças que comprometem a bexiga;
  • Obesidade;
  • tosse crônica;
  • Aumento da pressão intra-abdominal;
  • Hiperatividade da bexiga.

Segundo REIS, pode-se classificar a IU de várias maneiras, entre os tipos mais comuns são:

  1. Incontinência urinária de esforço (IUE), perda de urina quando tosse, ri, movimenta-se e associada com atividades físicas que aumentam a pressão intra-abdominal.
  2. Incontinência urinária de urgência (IUU), mais grave que a de esforço, caracterizada pela vontade súbita de urinar, ocorrendo uma perda involuntária de urina associada a um forte desejo de urinar;
  3. Incontinência urinária mista (IUM), essa associa os dois tipos de incontinência a IUE e a IUU além da impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.

Para o tratamento das disfunções provocadas na musculatura do assoalho pélvico (MAP) se requer conhecimento. As formas de condicionamento dessa musculatura podem evitar a perda de função, seja por falta de exercícios ou por alterações decorrentes do processo do envelhecimento.

Sabe-se que a Incontinência Urinária em Mulheres, através do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) tem efeito positivo na melhora da função desse grupo muscular, no qual comumente é treinado isoladamente ( BARBOSA, 2014).

Avaliação do Assoalho Pélvico

Para que haja um tratamento adequado, é essencial a avaliação do assoalho pélvico conciliado com acompanhamento dos resultados. Atualmente, não existe uma ferramenta de avaliação que seja considerada padrão-ouro.

Entretanto, o Comitê Internacional de Continência (ICS) recomenda que avaliação da musculatura do assoalho pélvico (MAP) seja realizada por meio da palpação vaginal e perineometria, dentre outros, com profissionais capacitados em fisioterapia pélvica (KOSIBA, 2011).

Recentemente, como complemento de tratamento ao modelo padrão de tratamento da fisioterapia pélvica na Incontinência Urinária em Mulheres, inclui-se o Método Pilates (MP).

Relação entre o Pilates e a Incontinência Urinária em Mulheres

O Pilates, trás e faz uma abordagem do corpo e da mente, envolvendo movimentos lentos e controlados. Tem como foco a postura e respiração, e vem cada vez mais agregado nos programas de reabilitação na fisioterapia.

Sabe-se que, em geral, não se é realizada previamente uma avaliação funcional do assoalho pélvico para potencializar o treinamento com os exercícios do Método Pilates. O que seria fundamental, caso o objetivo do treinamento incluísse o fortalecimento da musculatura profunda da pelve (KOSIBA, 2011).

O Pilates é uma forma de exercício de baixo impacto, envolvendo uma gama de movimentos que tanto fortalece quanto aumentam a flexibilidade de todo o corpo. Os músculos trabalham em sinergia, em vez de trabalhar apenas um músculo específico (MAZZARINO M., 2017).

A sinergia nessa região são músculos profundos abdomino-pélvica, sabe-se que o sinergismo entre o assoalho pélvico e o Transverso Abdominal tem sido base para estudos recentes.

Fortalecimento do Assoalho Pélvico

Esses, apoiam a ideia de que as MAP são uma parte intrínseca do complexo fisiológico dos músculos abdominais, uma vez que esta sinergia pode ser alterada em mulheres com disfunções do assoalho pélvico (AP).

A associação da contração perineal ao fortalecimento abdominal, tem a função de potencializar e é explicado pelo efeito de fortalecimento entre a MAP e a ação do transverso abdominal. O resultado surge com o aumento da força perineal, em um aumento de força abdominal.

A contração da musculatura abdominal ocorre simultaneamente à contração do AP, demonstrando ação sinérgica abomino-pélvica de maneira voluntária ou não. A maioria das atividades físicas não envolve contração voluntária desses músculos durante a realização de exercícios que aumentem a pressão intra-abdominal (PIA) (FERLA L., 2016).

O transverso do abdômen é o principal músculo abdominal responsável por gerar a PIA. Graças à orientação horizontal de suas fibras, a contração desse músculo resulta em diminuição da circunferência abdominal, o que leva ao aumento da tensão da fáscia tóraco-lombar e, por fim, ao aumento da PIA.

No entanto, alguns autores contradizem esse achado e relatam parecer que uma contração do transverso abdominal pode não elevar o assoalho pélvico (para apoiar os órgãos) em todas as mulheres. Portanto, o papel dos músculos transversos abdominais em um protocolo de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico ainda não é bem compreendido.

O papel da Pressão-Intra-abdominal na Incontinência Urinária em Mulheres

Para JUNIOR e BRAUNS precede que a resposta mecânica dos músculos abdominais e a atividade dos MAP não é simplesmente uma resposta ou aumento da pressão intra-abdominal, pois antes do aumento da pressão do pavimento pélvico, indica que há uma resposta pré-programada.

Assim os autores acreditam que o treinamento dos músculos abdominais podem ser úteis no tratamento das disfunções dos MAP.

Apesar de ser comprovada a existência do sinergismo abdomino-pélvico, ainda não é possível afirmar como ele poderia ser trabalhado para gerar um melhor ganho de função dos MAP. Baseada em uma revisão sistemática, parece que a contração associada especificamente de transverso do abdômen e MAP possa ser útil para otimizar a função dos músculos do assoalho pélvico.

Há ainda a necessidade de revisões sistemáticas, pois ainda não está bem definida. Conhecer melhor o comportamento dessas musculaturas e do sinergismo abdomino-pélvico pode favorecer a elaboração de estratégias de prevenção e tratamento das disfunções dos MAP feminino.

Conclusão

De qualquer forma, conclui-se que a Incontinência Urinária em Mulheres não é um mal inevitável na vida das mulheres depois dos 50, 60 anos. E por menor que seja o envolvimento da paciente em alguns destes tratamentos mencionados, entende-se que vai haver um ganho com isso, já que muitas vezes a perda de urina nessa faixa de idade é mais um problema social do que físico.

E se o distúrbio for tratado como deve, incluindo exercícios que ajudam a reforçar a musculatura do assoalho pélvico, a qualidade de vida destas mulheres irá melhorar e muito.

 

 

Bibliografia
  • BARBOSA L. J. F; Função dos músculos do Assoalho Pélvico: Comparação entre Mulheres praticante do Método Pilates e sedentárias, 2014.
  • FERLA L., DARSKI C., PAIVA L. L., SBRUZZI G, VIEIRA A.;  SINERGISMO DA MUSCULATURA ABDOMINO-PÉLVICA EM MULHERES HÍGIDAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. Universidade Brazil, Fisioter. Mov., Curitiba, v. 29, n. 2, p. 399-410, Apr./June 2016.
  • JUNIOR L.G.A, BRAUNS I.S.D.; MODALIDADES TERAPÊUTICAS PARA RECUPERAÇÃO DA MUSCULATURA DO ASSOALHO PÉLVICO DA MULHER. Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 16, nº 90, Jan/Fev de 2013.
  • KOSIBA R. I.A. G., Kosiba C. R., GRECCO. L., MATOS R. A.; INFLUÊNCIA DO FORTALECIMENTO ABDOMINAL NA FUNÇÃO PERINEAL, ASSOCIADO OU NÃO À ORIENTAÇÃO DE CONTRAÇÃO DO ASSOALHO PÉLVICO, EM NULÍPARAS. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 24, n. 1, p. 75-85, jan./mar. 2011.
  • LAUSEN A., MARSLAND L., HEAD S., JACKSON J., LAUSEN B.; MODIFIED PILATES AS AN ADJUNCT TO STANDARD PHYSIOTHERAPY CARE FOR URINARY INCONTINENCE: A MIXED METHODS PILOT FOR A RANDOMISED CONTROLLED TRIAL. Lausen et al. BMC Women’s Health, 2018.
  • MAZZARINO M., KERR D., MORRIS M.; PILATES PROGRAM DESIGN AND HEALTH BENEFITS FOR PREGNANT WOMEN: A PRACTITIONERS’ SURVEY. Journal of Bodywork & Movement Therapies 2017.
  • REIS R.B.; COLOGNA A.J.; MARTINS A.C.P.; PASCHOALIN L., TUCCI S., SUAID H.J.; INCONTINÊNCIA URINÁRIA NO IDOSO. Acta Cirúrgica Brasileira – Vol 18 (Supl 5) 2003.

_______________________________________________________________________________

Este texto foi escrito por Manuele Pimentel Gomes

  • Bacharel em Fisioterapia -Universidade de Cruz Alta
  • Formação em Pilates Equipe Ivanna Henn
  • Formação em Neo Pilates Instituto Amanda Braz
  • Especialização Fase I e II CORE 360º
  • Curso de Pilates Avançado na Gestação
  • Curso de Pilates Avançado Modulo I e II
  • Curso de Formação Pilates Mamy Baby e Sling
  • Pós-Graduação Fisiologia do Exercício – UNINTER
  • Formação no Método Abdominal Hipopressivo – MAH
  • Curso Cadeias Musculares Janaina Cintas
  • Fisioterapia Aplicada á Saúde da Mulher Obstetrícia e Uroginecologia
  • Instrutora Master do MAH
  • Formação em MIT
Como realizar reabilitação após artrodese lombar?

Como realizar reabilitação após artrodese lombar?

A artrodese lombar é um procedimento cirúrgico realizado na fusão óssea de certos segmentos da coluna lombar. Ele pode ser realizado com acesso anterior ou posterior à coluna e a indicação do método cirúrgico depende muito do caso e da patologia.

Após a cirurgia o paciente adquire hipomobilidade ou imobilidade do segmento da coluna operado. O procedimento está tornando-se cada vez mais popular a cada ano que passa. Um revisão da literatura indicou que no período entre 2012 e 2013 foram 6.547 cirurgias realizadas só no Reino Unido.

No Brasil a mesma tendência é percebida. Por isso, profissionais do movimento precisam compreender as compensações geradas pelo procedimento para auxiliar nossos pacientes.

Quando a artrodese lombar é indicada?

A artrodese lombar é indicada principalmente para casos de:

  • Degeneração discal sintomática;
  • Instabilidade segmentar;
  • Espondilolistese;
  • Estenose do canal lombar;
  • Hérnia de disco.

Ela é conhecida como um método minimamente invasivo para consertar patologias da coluna. Por diminuir a mobilidade da coluna, o procedimento é indicada para casos de instabilidade da lombar.

O procedimento envolve a utilização de um enxerto ósseo para realizar a fusão, podendo também envolver o uso de parafusos, barras, pinos e outras ferramentas.

Consequências da artrodese lombar

Apesar da sua popularidade, a cirurgia de artrodese lombar nem sempre possui resultados tão positivos. Cerca de 20% dos operados não apresentam melhora nos sintomas e outros 40% estão insatisfeitos 2 anos após a operação.

Esses pacientes sofrem com o retorno dos sintomas e limitação funcional para as atividades da vida diária. O mesmo problema acontece para cirurgia de estenose do canal lombar.

Possivelmente, a falta de resultados da artrodese lombar é consequência de má reabilitação. Pacientes que passam pelo procedimento precisam recuperar seus movimentos e fortalecer a coluna operada. Portanto, a reabilitação com o profissional do movimento é essencial.

Importância da reabilitação após a operação

Após o procedimento o paciente perde parte de sua mobilidade lombar, mesmo que seja uma perda mínima. Além disso, muitos indivíduos operados ainda passam longos períodos em imobilidade para conseguir alívio da dor e incômodo pós-cirúrgico.

Portanto, ao lidarmos com pacientes que passaram pela operação estamos diante de uma coluna enfraquecida e que perdeu parte de sua mobilidade. Como sabemos, a coluna vertebral precisa de um delicado equilíbrio entre mobilidade e estabilidade para ter seu funcionamento normal.

Assim, nosso paciente deve passar por um processo de reabilitação que permita retorno à atividades diárias. O movimento parece ser uma das melhores soluções, contanto que seja aplicado de forma adequada e no momento correto para o indivíduo operado.

Proposta de reabilitação após artrodese

Sabendo que a reabilitação de pacientes que passaram por artrodese lombar trago para vocês uma proposta de reabilitação para pacientes com artrodese. A proposta foi feita para pacientes que realizariam cirurgia no complex Spine Team do Neurosurgical Department of the National Hospital for Neurology and Neurosurgery.

A proposta foi desenvolvida pelo departamento de fisioterapia da University College London Hospital. A intenção era otimizar a recuperação propondo um tratamento individualizado e progressivo.

Portanto, o paciente conseguiria seguir os princípios da terapia cognitiva comportamental (TCC) para melhorar os sintomas de dor e falta de mobilidade do segmento da coluna lombar.

De acordo com a proposta, os grupos de pacientes (grupo controle e experimental) permaneceriam no hospital por aproximadamente 5 dias para cuidados ambulatoriais.

Ambos também seriam encorajados a aumentar gradativamente seus níveis de atividade, mais especificamente uma caminhada regular diária.

Durante os três primeiros meses, todos os pacientes deveriam seguir o protocolo padrão de reabilitação. Depois desse período, um grupo de indivíduos seria acompanhado com a proposta de reabilitação.

Educação do paciente

O primeiro passo nessa proposta de reabilitação com movimento é a educação. O paciente deveria passar por 5 sessões de aconselhamento com palestras de no máximo 20 minutos.

O objetivo desses momentos era criar oportunidade para o paciente entender a importância de aumentar os níveis de atividade física e como controlar a dor.

Durante as palestras, o paciente ouviria sobre benefícios dos exercícios, atividade gradual e o mecanismo de dor. Além disso, ele também seria educado a respeito das mudanças de crença e atitudes para facilitar a reabilitação.

Após uma breve exposição do tópico, os participantes seriam estimulados a discutir sobre sua situação. Cada sessão seria iniciada com um pequeno resumo da anterior.

Atividade física

Cada paciente no grupo experimental também passaria por um tratamento com atividade física. O programa de reabilitação é constituído de sessões individuais realizadas por fisioterapeutas especialmente treinados para lidar com o protocolo proposto.

Da primeira à terceira semana o paciente passa por uma fase de familiarização. Nesse momento, ele deve familiarizar-se com o ambiente onde as atividades, o profissional, os exercícios e compartilhar suas experiências.

O exercício passa por evolução semanal de carga que deve ser individualmente ajustada de acordo com cada caso. Inicialmente, os exercícios precisam ser simples e de fácil execução para que o paciente possa realizá-los em casa.

Das quarta à décima semana os exercícios progridem gradualmente para conseguirem fortalecer membros inferiores e coluna.

Além disso, os exercícios ajudam a melhorar a amplitude de movimento e incluem exercícios cardiovasculares. O profissional responsável também recomenda exercícios domiciliares de acordo com cada paciente.

Reabilitação convencional

A reabilitação do outro grupo deveria ser mais convencional. Durante os três primeiros meses, ambos os grupos receberiam instruções para realizar uma caminhada diária e aumentar os níveis de atividade gradualmente.

Para controle de dor, esses pacientes receberiam sua auxílio da equipe médica com analgesia e gerenciamento da dor.

Conclusão

O que apresentei nesse artigo foi uma proposta de reabilitação ainda não testada. Como sempre falo, devemos ter sempre uma visão individualizada de cada paciente. Mesmo que todos tenham realizado uma artrodese lombar, eles não desenvolvem os mesmos desequilíbrios.

Evite seguir protocolos idênticos para todos os pacientes. A reabilitação é sempre um processo individualizado que exige uma excelente avaliação para determinar os melhores exercícios.

Quanto ao momento para realizar a reabilitação após artrodese, parte da literatura sugere que o início da fisioterapia deve acontecer 12 semanas depois do procedimento.

No entanto, ainda não existem respostas conclusivas. O melhor é sempre avaliar o paciente com cuidado e respeitar seus limites durante os exercícios.

 

 

Bibliografia
Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

Avaliação Postural: da Entrevista até Lesões Ascendentes/Descendentes

A avaliação postural é uma fase importante do tratamento. Podemos considerar que, se ela não for realizada corretamente, o indivíduo não terá o tratamento eficiente que merece. Podemos até acabar errando nos exercícios se não formos cuidadosos.

Portanto, é essencial relembrar alguns dos passos iniciais desse processo para conseguirmos melhorar nosso atendimento. Nesse artigo falo a respeito da avaliação: desde quando o aluno chega no seu espaço até a identificação de lesões ascendentes ou descendentes.

Como iniciar a avaliação?

Assim que o aluno chega ao studio ou consultório. Preste atenção na forma como ele se senta, seus gestos, modos de falar e expressões de dor. Tudo o que é importante deve ser anotado para você conseguir elaborar uma proposta de tratamento muito mais eficiente.

Uma dica importante aqui é: busque seu aluno na recepção ou sala de espera. Não peça para um colega ou secretária buscá-lo. Ao encontrar o aluno esperando por você, é possível encontrá-lo “despreparado”, ou seja, ele ainda não sabe que está sendo avaliado. É a oportunidade perfeita para descobrir seus problemas.

Por exemplo, como sabemos que a cadeia muscular de flexão ou antero mediana tem sua origem no assoalho bucal, segundo madame Godelieve Denys Struf e Leopold Busquet. Quando o aluno nos comprimenta podemos perceber alterações na fala.

Entre elas encontramos possível prognatismo, ankiloglossia (língua presa). Portanto, já temos uma pista importante para uma possível tensão nessa cadeia muscular, o que nos servirá para ao final da avaliação fecharmos nossos objetivos, diagnósticos e condutas diante do caso.

Caso utilize, ou já tenha utilizado, aparelho nos dentes é outro fator de extrema importância. A partir desse dado saberemos que estamos lidando com um corpo que já possui suas próprias tensões internas, externas e outra força que lhe está sendo imposta atuando em seus dentes e crânio.

Nada pode escapar aos nossos instintos nessa hora. Lembrando que as grandes descobertas, foram feitas em insights de conhecimentos através da observação atenta dos nossos grandes gênios antecessores, já que a tecnologia de avaliação não era algo desenvolvido há pouquíssimo tempo atrás.

Como realizar a entrevista?

Quero te avisar que, durante a entrevista, o profissional do movimento precisa ser persistente. O aluno muitas vezes deixa de mencionar informações que não considera relevantes ou que não lembra. Sabemos, por exemplo, que lidamos com um corpo viscerado. Portanto, precisamos coletar dados a seu respeito.

Quando perguntamos ao aluno como anda sua saúde no geral, ele dirá que está tudo bem. Quem concorda com a resposta e segue com a avaliação perde informações essenciais. Insista e fragmente sua pergunta para facilitar o trabalho do paciente.

Não somos médicos e não conseguimos diagnosticar doenças viscerais. Por isso, muitos profissionais podem ignorar essa parte da entrevista. No entanto, estamos em busca de tensões viscerais que possam influenciar no quadro do indivíduo. Além disso, mesmo identificando tensões viscerais nada prova que o paciente possui uma patologia no local.

Importância de realizar uma anamnese completa

Durante a anamnese devemos avaliar eventos que possam perturbar as leis que o corpo obedece. Elas são as leis do conforto, economia e equilíbrio. Uma patologia, mesmo que antiga, pode ser o começo para o corpo se reequilibrar e gerar desequilíbrios.

Quando temos uma pneumonia, por exemplo, o corpo está sujeito – durante determinado período – a uma força centrífuga. Os sinais flogísticos no caso são dor, calor, rubor e edema. De acordo com o dr. Andrew Taylor Still, criador da Osteopatia, o órgão sempre é prioridade.

Além disso, a estrutura determina a função. Portanto, percebemos que esse arcabouço costo vertebral foi obrigado a ceder espaço para o aumento da massa pulmonar causado pela doença. Um quadro asmático geraria ao contrário, um corpo que esteve ou está sob tensão centrípeta desde então.

De acordo com Madame Thérèse Bertherat, nossos músculos são como paredes de uma casa. Essas paredes tudo ouvem e tudo guardam, acumulando  memória de todo o ocorrido em nossa vida. Nessa bela frase, ela se refere brilhantemente a nossa memória corporal, que está ligada à imagem mental.

Problemas viscerais podem gerar desequilíbrios importantes, mesmo que não estejam aparentemente ligados a problemas musculoesqueléticos. Os problemas viscerais pulmonares, por exemplo, geram falta de mobilidade torácica. Como consequência, também temos enrijecimento dos tecidos circundantes osteomusculares.

O corpo fica privado de oxigênio localmente e tem como resposta a dor e retrações diafragmáticas importantes. Isso interfere diretamente na nossa relação respiratória. Os desequilíbrios gerados afetam a entrada do ar (forças centrípetas) ou eliminação de CO2 (forças centrífugas).

Também podemos aproveitar o momento da entrevista para avaliar como o indivíduo respira. Com o aumento de estresse gerado pela vida moderna muitas pessoas respiram mal simplesmente por ansiedade. Outro fator a avaliar é se a respiração ocorre em ins ou ex.

Realizando a avaliação postural estática

Após a entrevista damos início à avaliação postural estática. Nessa avaliação observamos somente os pontos anatômicos de forma estática. Mais tarde, juntamos todos os achados com aqueles da avaliação dinâmica, entrevista, testes específicos e outros.

Costumo brincar que a avaliação é um divertido jogo de quebra cabeça. Nele, as peças vão se juntando uma a uma para entender melhor o corpo que nos pediu ajuda. A avaliação postural estática precisa seguir os seguintes critérios para ter sucesso:

  • Posicione o indivíduo de forma que consiga dar a volta por seu corpo sem precisar mexê-lo. Movimentos, mesmo que pequenos, podem alterar suas influências tônicas;
  • Posicione-se exatamente a linha média do avaliado para não gerar interferências visuais.
  • Comece com o indivíduo em pé sempre da maneira mais confortável possível;
  • Comece a avaliação de baixo para cima;
  • Seja o mais rápido possível em sua análise;
  • Explique ao avaliado que todos temos assimetrias. Nosso objetivo é deixá-lo o menos constrangido possível;
  • Mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação e homens devem usar sunga. Não realize a avaliação postural de top (esconde parte dos processos espinhosos) ou bermuda (impede observar o joelho);
  • As mãos do avaliador devem estar aquecidas e serem firmes para passar segurança;
  • Sempre peça a permissão do avaliado para tocá-lo;
  • Fale tranquilamente, mas com firmeza.

Analisando as lesões descendentes e ascendentes

Durante a avaliação postural estática conseguimos começar a identificar as lesões do indivíduo. Trabalhamos com dois tipos de lesões bastante distintas: ascendentes e descendentes. Abaixo defino o que são cada uma delas para que você consiga identificá-las com mais facilidade.

Lesões Ascendentes

Originam-se sempre abaixo da dor relatada. Ou seja, caso estejamos diante de uma lesão ascendente, em uma possível lombalgia o esquema de compensação postural que se esgotou causando a dor surgiu de uma estrutura inferior, como por exemplo, pés, joelhos, ou ainda, quadril.

Lesões Descendentes

São o contrário, originam-se sempre acima da dor relatada. Na mesma lombalgia citada anteriormente, a lesão primária teve origem em uma estrutura superior, podemos citar aqui: a região torácica, cervical, ou importante, visceral.

Avaliando a lesão

Avaliarmos se a lesão é ascendente ou descendente é bem simples: Traçamos uma linha imaginária de um acrômio até o outro, e da mesma forma, traçamos também uma linha imaginária de uma crista ilíaca até a outra. Dados esses que já foram colhidos durante a avaliação postural estática.

Caso as linhas se encontrem em algum ponto estaremos diante de uma lesão ascendente, já se estivermos diante de um caso em que as linhas imaginárias nunca se encontram estaremos diante de uma lesão descendente.

Esse procedimento é importantíssimo para traçarmos nossa estratégia com esse indivíduo, para identificarmos, por onde começaremos a mobilizá-lo, fortalecê-lo, ou ainda relaxá-lo.

Concluindo…

O que mencionei aqui foi um breve resumo dos passos iniciais da avaliação postural que devemos realizar antes de qualquer tratamento. Cada um desses passos te ajuda a compreender melhor as compensações do corpo e dá insights para conseguirmos a melhora efetiva do indivíduo.

Vale a pena lembrar que nenhuma avaliação está completa sem a avaliação dinâmica e testes específicos da patologia. É através deles que conseguimos comprovar as hipóteses criadas durante a avaliação estática e determinar o tratamento mais eficiente.