Resistência no MAH: Entenda os conceitos Respiratórios e Físicos

Resistência no MAH: Entenda os conceitos Respiratórios e Físicos

O Método Abdominal Hipopressivo (MAH) é um método que reúne vários exercícios para trabalhar com posturas e ativações específicas. Estas ativações podem ser tanto dinâmicas quanto estáticas – ou, até mesmo, as duas combinadas -, e são otimizadas por uma sequência respiratória pré-determinada.

Através das neurodivergências (posturas do MAH, das respirações e das apneias, por exemplo) conseguimos a ativação do Sistema Nervoso Somático (SNS). Que tal saber mais sobre Resistência no MAH? Basta continuar lendo este texto incrível sobre o tema!

Resistência no MAH
hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

No Método Abdominal Hipopressivo, trabalhamos durante todo tempo com respirações (que vão ser organizadas em dois tempos de inspiração e quatro tempos de expiração) predominando a expiração associando, ainda, períodos de apneias respiratórias.

O MAH é fundamentado nos princípios da Yoga, que utiliza a respiração com pausas respiratórias cada vez maiores. A Resistência no MAH tem objetivo de melhorar as trocas gasosas, a resistência respiratória e a concentração (domínio e consciência de si mesmo).

Os autores MIYAMURA et al.(2002) analisaram as respostas químicas de um indivíduo altamente treinado em Yoga que realizava um ciclo respiratório por minuto e manteve assim durante uma hora!

Concluindo que este sujeito é capaz de suportar condições de baixa pO2 arterial, alta pCO2 arterial e baixo pH arterial, sugerindo uma reduzida quimossensorialidade a hipercapnia.

Conclusão
qual é a origem da hipopressiva

Sendo assim, conclui-se que pessoas saudáveis treinadas na realização de respirações profundas e lentas (yoguicas) estão mais aptas a tolerar as condições como hipóxia e hipercapnia, melhorando seu condicionamento físico e a resistência respiratória.

Essa condição auxilia muito profissionais como mergulhadores, atletas que precisam de grande resistência física e respiratória assim como não atletas que precisam iniciar atividades físicas e melhorar sua resistência.

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Este texto foi escrito por Maria Lima 

3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

3 Erros na Avaliação Postural que você não pode cometer!

Erros na avaliação postural são extremamente problemáticos para você e seu aluno. Quer garantir um trabalho com qualidade e resultados? Então continue lendo para entender esses erros e conseguir preveni-los ao avaliar seu aluno.

Por que não podemos cometer erros na avaliação postural?

Só existe um motivo para seu aluno estar trabalhando com você: ele quer resultados. Pode ser para a recuperação de alguma lesão ou dor, retorno às atividades físicas ou melhorar a qualidade de vida, por exemplo. Para conseguir isso, você precisa entender exatamente o que está acontecendo no seu corpo.

Sem esse conhecimento torna-se impossível realizar um tratamento realmente eficiente. Então por que muitos profissionais tratam a avaliação como parte de um protocolo que precisam fazer rapidamente?

Erros na avaliação postural são extremamente prejudiciais para seu aluno ou paciente. Todo o resultado do tratamento pode ser perdido porque você esqueceu de observar alguns detalhes durante esse processo! Quer evitar isso? Separei alguns erros que ninguém pode cometer durante a avaliação.

1. Não avaliar cadeias musculares do movimento

Se você acompanha meu trabalho sabe a importância que dou para as cadeias musculares no atendimento. Inclusive tenho um curso inteiro sobre esse tema, se você quer detalhes mais aprofundados recomendo conferir.

Um dos erros na avaliação postural que não pode acontecer é deixar de lado a avaliação das cadeias musculares. As cadeias cruzadas são as cadeias do movimento. Portanto, solicitamos que o indivíduo, que está em pé, leve seus membros superiores a noventa graus de flexão em adução complementar. Portanto, as duas mãos ficam na linha média corporal do aluno.

Nesse momento, observe qual mão está à frente. É ela que indica uma tensão na cadeia cruzada anterior do lado oposto. Ela segue do quadril oposto da mão à frente e segue até o ombro do mesmo lado.

Outra possibilidade é que exista uma tensão na cadeia cruzada posterior do mesmo lado. Essa cadeia sai do ombro oposto até o ilíaco do mesmo lado. Ela gera a rotação do tronco para o lado da cadeia muscular cruzada anterior do tronco, movimento de rotação complementado pela cadeia muscular de abertura na unidade tronco.

2. Esquecer o teste renal

Sabemos que questões viscerais regulam o corpo. Toda a estrutura se adapta para corrigir um problema causado pelas vísceras. Por isso, precisamos realizar uma avaliação completa que considere as vísceras, entre elas os rins.

Para evitar os erros na avaliação postural, realize testes específicos. O avaliado deve estar em pé, nós nos posicionamos atrás dele e apoiamos nosso polegar abaixo das últimas costelas flutuantes de um lado, paralelo a coluna vertebral e fora dos processos transversos. É aí que se encontram os rins.

Exercemos uma leve pressão na região, realizando passivamente uma flexão lateral do tronco do aluno para o mesmo lado do polegar. Caso o paciente reclame de dor no local onde o polegar está posicionado, estaremos diante de uma tensão renal que se reflete para os quadrados lombares.

O teste deve ser realizado de ambos os lados, testando assim os dois possíveis pontos de tensão renal. O teste provoca tensão na cadeia muscular de extensão. É importante lembrar que testes viscerais não são um diagnóstico para doenças, mas sim possíveis tensões geradas por questões viscerais de um corpo que guarda tudo em sua memória. O aluno também precisa estar ciente disso para evitar preocupações desnecessárias.

3. Não avaliar a pressão intra cavitária (PIA)

A pressão intra cavitária pode alterar diversos processos no organismo. Muitos alunos possuem problemas relacionados a ela e o profissional não consegue resolvê-los por problemas de avaliação.

Durante a avaliação das cadeias musculares, seguimos o conceito de um corpo viscerado. Portanto, proponho a vocês uma avaliação da pressão intra cavitária (PIA) para identificarmos um possível aumento de pressão interna nas vísceras e órgãos internos.

Para isso, começamos posicionando o avaliado em decúbito dorsal na maca com os membros superiores ao longo do corpo. Os membros inferiores ficam relaxados e, a partir desse posicionamento, apoiamos uma de nossas mãos sobre a região infra umbilical da região abdominal do paciente ou aluno e exercermos uma pressão em direção a maca.

Quando o resultado do teste é normal, a mão penetra sem tensões ou qualquer tipo de restrição bloqueando-a. O paciente também não pode sentir dor para um exame normal.

Também devemos testar a região supra umbilical do avaliado. O resultado normal é caracterizado por um resultado idêntico ao anterior, sem restrição ou dor durante o exame. Se observarmos algum tipo de resistência ou dor na região supra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade peritoneal. Caso o teste se apresente positivo para a região infra umbilical, estamos diante de tensões dos órgãos da cavidade pélvica.

Se, durante a avaliação estática, observarmos pregas cutâneas indicativas de um aumento de tensão na cadeia muscular de flexão e o teste de avaliação da PIA for positivo, teremos um pouco de trabalho à frente. Nesse caso, estamos lidando com retrações dos órgãos por causa de forças centrípetas.

Também é possível que as pregas cutâneas não sejam observadas durante a avaliação estática. Nesse caso, se o teste de avaliação da PIA estiver positivo, temos uma tensão de cadeia de extensão. Ela acontece pela congestão abdominal.

Na cadeia de extensão podemos ainda encontrar um ponto de retração visceral, gerado pela tensão dos rins, caso o avaliado tome muitos medicamentos, suplementação protéica, ou simplesmente pelo fato de beber pouca água.

Conclusão

Percebeu como nunca podemos cometer erros na avaliação postural? Eles podem alterar completamente nossa visão sobre o aluno, fazendo com que deixemos de identificar causas musculares ou viscerais para problemas de movimento.

Quer evitar possíveis erros na avaliação postural? Recomendo que você continue estudando a respeito do assunto. Conhecimento nunca é demais e só pode nos tornar profissionais mais completos. Por isso, recomendo meu artigo com mais 4 erros que você talvez esteja cometendo sem perceber.

Como encontrar a zona primária da lesão?

Como encontrar a zona primária da lesão?

Um problema de joelho ou quadril pode surgir por causa de falta de mobilidade de tornozelo. Da mesma forma, lesões que identificamos em membros superiores podem estar relacionadas a uma tensão em outra região da cadeia muscular. É isso que chamamos de zona primária da lesão.

O corpo humano possui um interessante esquema de compensações. Ele possui dois objetivos: garantir o movimento necessário para a vida e o conforto visceral, assim como economizar energia preciosa. Por isso, quando algo atrapalha um desses objetivos, o organismo realizará alterações para continuar se movendo e com as vísceras acomodadas.

Inicialmente essas alterações não costumam causar dor. Mas conforme elas acumulam encontraremos os problemas de movimento tão comuns em nossos espaços de trabalho. Para conseguir desvendá-los de forma a tratar o problema sem chances de retorno, precisamos encontrar a zona primária da lesão.

Conseguimos encontrá-la ainda durante a avaliação estática do paciente na maioria dos casos. Quer entender uma receita excelente para isso? Continue a leitura desse artigo e te darei todas as orientações necessárias.

O que é a zona primária da lesão?

Toda compensação começa a ser gerada num ponto que não é necessariamente o lugar onde ela se manifesta. Isso é o que chamamos de zona primária da lesão. Elas surgem como resultado das três leis que regem o corpo e sempre são obedecidas, não importa o problema:

  • Lei do conforto;
  • Lei do equilíbrio;
  • Lei da economia.

Em um corpo que mantém seu funcionamento fisiológico toda a estrutura consegue obedecer essas leis sem problemas. Ou seja, para isso a musculatura estabilizadora ou produtora de movimento deve funcionar de forma coesa, funcional e estruturada.

Sem esse funcionamento adequado, o organismo cria formas inteligentes para continuar movimentando-se. É o suficiente para gerar mecanismos compensatórios importantes, mas que a princípio são quase imperceptíveis.

No início, elas só servem para que o movimento continue, mas aos poucos exerce carga demais em certas estruturas corporais. Assim, surgem enfraquecimentos ou encurtamentos nos músculos.

Esse mecanismo é prejudicial para o corpo a longo prazo, mesmo que consiga suprir suas necessidades inicialmente. Com o tempo esse corpo desenvolverá diversificadas lesões.

Algumas estruturas começam a apresentar os primeiros sinais de desgaste mecânico. Caso o ajuste mecânico não seja realizado em tempo, essas serão estruturas que a médio prazo apresentarão algum tipo de desgaste articular.

O desgaste articular é inevitável?

Algumas doenças caracterizadas pelo desgaste articular são consideradas como fruto do envelhecimento. Realmente, o processo de envelhecer pelo qual o corpo humano passa causa problemas para o organismo e perda de habilidades, no entanto o desgaste doloroso das patologias e lesões articulares não precisa ser obrigatório.

Conseguimos evitar o desgaste mecânico excessivo e imagino que você já começou a imaginar a resposta: movimento. No entanto, para conseguir resultados, precisamos começar com uma investigação profunda da lesão. Precisamos descobrir onde está localizada a zona primária da lesão.

Como esse é o primeiro ponto de nossa estrutura corporal que desobedeceu algumas das três leites que citei acima. O motivo varia, podendo ser muscular, visceral ou articular. Trabalhando nos princípios da Osteopatia, daremos às alterações o nome de microlesões.

Como identificar a zona primária da lesão?

Encontrar a zona primária da lesão não é um processo tão complexo, especialmente para quem já aprendeu a identificar qual cadeia muscular está tensionada. Para saber mais sobre isso, recomendo consultar outros artigos aqui no blog a respeito de avaliação postural, onde falo mais a respeito.

Para começar a avaliação da zona primária da lesão, o indivíduo deve realizar o teste de flexão lateral (TFL). O lado que encontrar-se mais facilitado nos indica que as cadeias musculares de flexão e extensão do mesmo lado estão mais tensionadas.

A partir desse conhecimento, duas linhas imaginárias corporais: uma no trajeto das cadeias musculares de extensão e flexão do lado tenso e outra na cadeia muscular cruzada anterior que se encontra tensa. É usando essas linhas imaginárias que conseguimos encontrar o local onde iniciou-se o problema.

Avalie o lugar onde as linhas imaginárias se encontram. Se for no tronco superior, ou seja, caixa torácica, na unidade tronco inferior ou lombar, é aí que está localizada a zona primária da lesão.

A zona primária de lesão indica para o profissional onde a lesão teve início. Ela também indica os músculos que começaram a desorganização postural que, mais tarde, evoluiu para dor.

Caso a zona primária da lesão encontra-se no tórax, fazendo exames específicos para identificar quais os músculos que estão encurtados ou fracos. Para conseguir isso, precisamos compreender primeiro o funcionamento dos complexos articulares envolvidos na lesão. Ou seja, mais estudo para conseguir fornecer o melhor tratamento para seu aluno.

Conclusão

Através da avaliação postural conseguimos determinar os primeiros passos para o tratamento. Para isso, precisamos também encontrar a zona primária da lesão, que ajuda a determinar os músculos tensionados e tipos de compensação adotada por esse corpo.

Vale a pena lembrar que, apesar dessa investigação trazer insights importantes sobre o quadro do paciente, ela não é o suficiente sozinha. Invista numa avaliação completa para conseguir os melhores resultados possíveis. Quer saber mais sobre avaliação postural? Recomendo meu curso completo de avaliação postural.

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Avaliação dos pés: o erro que você não pode cometer no Pilates

Durante a avaliação estamos tão concentrados na coluna e postura do nosso aluno que podemos esquecer os pés. Na realidade, eles são essenciais para movimento e precisam de atenção, especialmente no Pilates.

Joseph Pilates sabia disso quando criou seu método. Por isso, possuímos tantos exercícios que ajudam a organizar a mecânica dos pés e proporcionar uma melhor organização corporal. No entanto, só saberemos usá-los se soubermos avaliar o paciente.

Hoje falarei um pouco sobre a biomecânica dos pés e como ela influencia na prática do Pilates. Assim, você terá uma melhor base para sua avaliação durante as aulas.

Por que os pés são tão importantes?

Todos os corpo físicos, inclusive o humano, são regidos por leis gravitacionais. De acordo com essas lei, um corpo só está em equilíbrio quando a vertical traçada partindo de seu centro gravitacional cai em sua base de sustentação. Essa é a base da fisiologia estática.

É fácil de entender isso em corpos mais simples, mas como funciona no corpo humano? Somos complexos e nosso centro de gravidade geral é resultado de diversos fatores. Posições variadas e sequenciais no espaço formam os centros de gravidade de cada unidade funcional do corpo.

A lei da estática nos direciona para compreender a lei das compensações, tão importante na prática do Pilates. Quando estamos em posição ortostática não acontece desequilíbrio segmentar de uma unidade corporal sem que existe compensação sequencial. Ou seja, uma área desequilibrada no corpo causa compensações em outras.

A postura humana pode ser considerada como um desequilíbrio permanente que se corrige e se compensa com complexos mecanismos. Quando estamos em bipedestação o corpo nunca está parado. Ele oscila sobre sua base, alterando postura e posição.

Como ocorre o equilíbrio do corpo

Antes de explicar mais sobre o equilíbrio, precisamos relembrar as três unidades funcionais do corpo humano. Os membros inferiores consistem na base de todo o movimento, por isso dediquei esse texto à avaliação dos pés.

Também existe a unidade tronco, que é responsável pelo desequilíbrio. Por último, temos a unidade cabeça e pescoço, que possui órgãos de orientação espacial e coordena o conjunto.

Sabendo que os membros inferiores são a base do corpo, podemos entender que o apoio dos pés no solo resulta numa boa estática. Para isso, os pés utilizam seus próprios mecanismos, como a articulação do tornozelo.

Tornozelo

O tornozelo é composto por dois ossos:

  • Tíbia;
  • Fíbula.

Esses ossos estão ligados a uma polia que conhecemos como tálus. É esse encaixe em forma de polia que é responsável por formar os maléolos interno e externo. Eles permitem ao tornozelo dois movimentos, a flexão dorsal (anterior) e flexão plantar (posterior.

O tornozelo precisa ser uma articulação bastante estável, por isso possui sua flexão plantar naturalmente diminuída. Na prática conseguimos perceber isso muito bem, já que diminuímos substancialmente nossa base de equilíbrio.

Existe outra estrutura, o sub tornozelo, que permite os movimentos laterais. Ele é formado pelo tálus e ossos do metatarso. É a articulação que realiza os movimentos de inversão e eversão do pé.

Além disso, os pés também possuem uma região anterior, o ante-pé, que possui a articulação tarsometatarsial com cinco metatarsos. São eles que permitem os movimentos anteriores, apesar de terem mobilidade diminuta.

Física do movimento nos pés

Durante o movimento os pés recebem a descarga da nossa massa corporal a todo momento. Nessa etapa, eles têm a importante função de amortecimento. Quando estamos em bipedestação, existem trações musculares partindo do pé que transformam a força gravitacional em energia cinética.

Os músculos dos pés possuem a ação de uma mola. Portanto, realizam o armazenamento da energia cinética em sua fibra e a liberam quando a contração muscular na região for solicitada.

Para a física, a energia é a capacidade de realizar trabalho. Nesse escopo, a energia cinética é aquilo que um corpo adquire quando está na dinâmica, em movimento. Ela é dependente de duas grandezas matemáticas que o corpo em movimento possui: massa e velocidade.

Por isso é tão importante respeitar a sincronia muscular que nos rege. Os pés servem como molas propulsoras para o restante do corpo. Quando organizamos os arcos plantares conseguimos melhorar a utilização de forças físicas e mecânicas que nos regem, melhorando o movimento.

Como a avaliação dos pés influencia no Pilates

Realizar uma boa avaliação dos pés pode mudar completamente sua aula de Pilates. Joseph Pilates sabia dessa sincronia muscular, portanto criou métodos de trabalhar os pés muito eficientes. Na série dos Footworks ele exigiu de forma inteligente um bom trabalho dos pés. Assim, seria possível evitar a desorganização dessas bases do corpo nas aulas.

Os Footworks também possuem aplicabilidade física. Eles utilizam a extensão e flexão de quadris e joelhos para auxiliar a organizar e até tratar os pés. Essa série é fundamental para sua aula e você, profissional, precisa saber quando usá-la.

Existem muitas lesões corporais músculoesqueléticas ascendentes que surgem por causa de má organização plantar. Em idosos esse trabalho também auxilia a prevenir quedas, mas falarei mais a respeito disso em outro artigo.

Como o Reformar trabalha a biomecânica dos pés

Depois de realizar uma avaliação dos pés é preciso encontrar formas de trabalhá-los em aula. Felizmente, temos tudo que precisamos no Pilates, mesmo que exista uma tendência a negligenciar os pés nas aulas diárias. Como uma boa organização corporal depende do seu alinhamento, não podemos esquecê-los.

Muitos exercícios de Pilates expõem a fragilidade dos tornozelos e exigem atenção especial. Eles incluem:

  • Footwork;
  • Running;
  • Stomach massage;
  • Longo stretch;
  • Up stretch;
  • Arabesque;
  • Frontsplits;
  • Semicircle;
  • Leg pull front;
  • Push up series.

Todos esses exercícios são realizados no Reformer e existe um motivo simples para isso. Esse equipamento foi desenvolvido por Joseph Pilates especificamente para melhorar a organização dos pés. Para Joseph, exercícios na posição horizontal eram imprescindíveis em nossas aulas.

De acordo com ele, esses movimentos ajudavam a aliviar o estresse e tensão articular, assim como melhorar o alinhamento corporal. Esses benefícios são ainda melhor aplicados aos pés, já que boa parte dos exercícios no Reformer exigem sua boa organização.

Quando realizar um exercício no Reformer com seu aluno nunca deixe que se movimente com compensações iniciando pela base de sustentação.

Devemos corrigir as compensações, inclusive as que surgem acima. De acordo com Joseph Pilates, as aulas deveriam sempre começar deitado. Era uma forma de seguir a lógica de movimentos que o aluno realiza durante o dia, começando com o acordar.

Conclusão

A avaliação dos pés tem um papel especial no Pilates, mesmo que muita gente esqueça. Existem mais de 100 movimentos que foram criados por Joseph Pilates especialmente para o Reformer e que exigem uma boa organização dos pés.

Para Pilates, treinar com a carga externa das molas do Reformer tornaria o corpo humano e seu movimento mais eficiente. Assim, conseguimos preparar o corpo para a retirada da carga na sua condição habitual, longe da aula de Pilates.

A resistência oferecida para os pés pelas molas incentiva uma adaptação mais rápida do sistema neuromuscular. Em outros casos, ele pode facilitar os exercícios para que seu aluno consiga corrigir sua mecânica corporal e obter melhores resultados.

Como faço Avaliação Respiratória em meu aluno?

Como faço Avaliação Respiratória em meu aluno?

Sabemos que os hábitos modernos causam diversas alterações em nosso padrão de vida. Desde a postura até o movimento, tudo sofre por causa dos hábitos sedentários, inclusive a respiração. Os padrões respiratórios de nossos pacientes estão alterados com frequência.

No momento da avaliação postural também precisamos analisar o padrão respiratório do indivíduo. Neste momento, é primordial a realização da Avaliação Respiratória.

Assim, conseguimos saber se o diafragma está livre de suas tensões, se a respiração é torácica ou abdominal e se o diafragma trabalha em inspiração ou expiração.

Considerando que o diafragma tem suas inserções fixas na lombar, sempre precisamos desse músculos inspiratórios com boa mecânica de funcionamento.

Como acontece a respiração?

O ato respiratório acontece com a ação de diversas estruturas. Elas proporcionam a entrada e saída de ar das vias áereas no conjunto que chamamos de sistema respiratório. Ele é dividido em duas partes:

  • Parede torácica: funciona como uma bomba, cuja função é movimentar gás para dentro e para fora dos pulmões;
  • Pulmões: tem por função trocar oxigênio (O2) e gás carbônico (CO2) entre o organismo e o meio ambiente.

Assim como ocorre em qualquer outro músculo do corpo, os respiratórios possuem dois tipos de fibra.

Podem ser de tipo I, fibras vermelhas para trabalho tônico e de baixa intensidade. Ou podem ser de tipo II, brancas ou fásicas, que são fibras de contração rápida.

A caixa torácica também é parte essencial desse sistema e está diretamente ligada aos pulmões. Portanto, precisamos de sincronismo entre pulmão e musculatura respiratória para garantir um bom ciclo.

Padrão respiratório

No início desse artigo mencionei como o padrão respiratório de nossos alunos pode estar alterado. Basicamente, um indivíduo com padrão normal tem os movimentos torácico e/ou abdominal com presença ou ausência de musculatura acessória. Também existem algumas variáveis, como:

  • Volume Corrente (Vt);
  • Frequência Respiratória( Fr);
  • Volume Minuto (Ve);
  • Relação Inspiração/ Expiração (I:E).

Durante um ciclo respiratório satisfatório, o centro respiratório dorsal do bulbo envia estímulos inspiratórios através da via parassimpática. Assim, os músculos inspiratórios se contraem da seguinte maneira:

  • 60% a 70% da inspiração: diafragma. Ele abaixa sua cúpula e dá início ao movimento de “alça de balde” das costelas inferiores, que aumenta o diâmetro látero-lateral da caixa torácica;
  • Músculos intercostais externos: são responsáveis por atuar sobre as costelas superiores e realizar o movimento de “alça de bomba”. Com isso, o diâmetro ântero-posterior da caixa torácica aumenta. O movimento inspiratório desse músculo diminui a pressão pleural (Ppl) e altera o gradiente transpulmonar;
  • Alvéolos: se expandem e diminuem a pressão alveolar (Palv – lei de Boyle), o que altera o gradiente transrespiratório. O ar é deslocado da atmosfera, onde existe maior pressão, para os alvéolos, com menor pressão. Para isso, ele precisa primeiro passar pelas vias aéreas superiores, onde é umidificado, aquecido e filtrado.

No fim do ciclo de inspiração a energia elástica armazenada é usada para que a expiração ocorra. Ele é um evento passivo.

Ao final da expiração a retração elástica dos pulmões atua desinsuflando-os no volume pulmonar (capacidade residual funcional – CRF). Ela é compensada pela retração elástica do tórax, que age para fora.

Esse é o ponto de equilíbrio do sistema respiratório. Para conseguir vencer a retração elástica dos pulmões e a resistência ao atrito ao fluxo de ar, é preciso a contração muscular inspiratória.

Assim, inicia-se um novo ciclo respiratório. A respiração torna-se ativa quando realizamos algum esforço, como no exercício físico, ou se a saída de ar dos pulmões estiver dificultada.

Passo a Passo da Avaliação Respiratória

Para conseguir realizar a avaliação respiratória, começamos pela posição inicial adequada. O paciente deve estar em decúbito dorsal com os joelhos fletidos e com a cabeça em leve flexão.

Então posicionamos nossos polegares abaixo do apêndice xifóide e pedimos para o paciente realizar uma inspiração e expiração profunda.

Quando o teste é normal e o diafragma está livre de tensões nossos polegares sobem no momento da inspiração e desce na expiração. Isso acontece em sincronia na mesma excursão, tanto na inspiração quanto na expiração.

Podemos encontrar as seguintes alterações durante esse teste:

  • No momento da inspiração os polegares são muito elevados e não abaixam durante a expiração. Isso nos mostra um diafragma que trabalha em baixa, gerando uma respiração torácica. Estaremos diante de um diafragma hipertônico. Ele pode inclusive alterar a conformação óssea do manúbrio, observamos então um peito escavatum.
  • No momento da inspiração os polegares não sobem, porém quando na expiração os polegares descem muito. Assim percebemos que esse diafragma trabalha em alta, funcionando em expiração. Estamos de um diafragma hipotônico e possivelmente diante de de um peito de pombo.

Em alguns casos as alterações são muito discretas para perceber com o teste mencionado acima. Nesse caso, podemos ainda realizar um teste de cinesiologia aplicada.

Durante a avaliação respiratória o indivíduo permanece em decúbito dorsal e com os membros inferiores e a cabeça relaxados e apoiados na maca.

Escolhemos qualquer músculo no corpo para testar sua força. Vou usar o bíceps como um exemplo para poder explicar o teste para a avaliação respiratória.

Mantenha um dos membros superiores em flexão de cotovelo e solicite ao avaliado que não deixe que seu cotovelo estique. Assim, ele mantém uma contração isométrica.

Depois, pedimos ao avaliado sua respiração. Se ele for capaz de manter a força isométrica do bíceps na inspiração e na expiração o teste está normal.

Em alguns casos, o avaliado perde sua força na inspiração, portanto estamos diante de um diafragma hipotônico que trabalha em alta.

Em outros, ele perde sua força na expiração e estamos diante de um diafragma hipertônico que trabalha em baixa.

Conclusão

Assim como outros tipos de avaliação sobre os quais falei aqui no blog, os dados da avaliação respiratória devem coincidir com o histórico clínico do nosso aluno.

Quando percebemos um diafragma hipertônico que trabalha em baixa podemos perguntar sobre possíveis doenças pulmonares.

Elas geram uma força centrípeta nos pulmões e solicitam maior entrada de ar. Alguns exemplos são atelectasias e quadros asmáticos.

Ao contrário, quando estamos diante de um diafragma hipotônico é possível que o corpo tenha passado por um quadro patológico.

Isso pode ter acontecido há algum tempo e, mesmo durante um curto período, pode gerar compensações importantes.

Uma pericardite, um quadro infeccioso pulmonar ou até um quadro bacteriano hepático podem prejudicar o sistema respiratório.

A patologia pode exigir que o diafragma se contraia menos durante a inspiração. Assim, o músculo diafragmático diminui sua contração inspiratória para que o corpo não sofra ainda mais.

Até estresse, angústia, ansiedade e depressão e outras alterações somáticas podem causar um ato respiratório mais superficial ou ainda mais profundo.

Nunca devemos ignorar a avaliação de patologias psiquiátricas ou alterações somáticas. Elas alteram completamente nosso diagnóstico.