Entenda as cadeias musculares de Madame Mézières

Entenda as cadeias musculares de Madame Mézières

O estudo de cadeias musculares passa por diversos estudiosos que aperfeiçoaram os conhecimentos para chegarmos ao nível que temos hoje. Um desses autores foi Madame Mézières, uma francesa cujo trabalho influenciou diversos outros cadeístas.

Quem foi Madame Mézières?

Mademoiselle Francoise Mézières criou sua primeira proposta em 1947 na França através da observação clínica. Muitas das teorias de madame Mézières nasceram de um insight durante seus atendimentos e o mesmo aconteceu com as cadeias musculares.

Mézières atendia uma paciente para tratar sua cifose dorsal, ela fazia uso frequente de um colete estabilizador. Mézières percebeu que ao tentar mobilizar a região dorsal gerou uma compensação nos ombros na forma de enrolamento, apesar dos mesmos não estarem sendo manipulados.

Para diminuir a lordose lombar da paciente, a terapeuta solicitou uma retroversão ativa. Como resultado, a lordose cervical sofreu um aumento.

A seguir, ela solicitou que a paciente corrigisse o posicionamento cervical através de um auto crescimento ativo, gerando um bloqueio inspiratório.

Percebendo essas compensações, Mézières concluiu que sua paciente possuía rigidez muscular excessiva, fazendo com que seus segmentos perdessem sua autonomia individual.

Assim, quando era solicitada a correção local de cada um o processo tornava-se impossível, comprometendo todo o sistema. Foi com essas constatações que surgiram as primeiras leis de cadeias musculares de Mézières.

Primeira Lei de Mézières

Na primeira lei Mézières determina que existem somente lordoses. Portanto, o crédito de comprimento ganhado nessa cadeia pode ser enganoso e é sempre recuperado em alguma extremidade.

Segunda Lei de Mézières

A cadeia posterior tem o comportamento de um único músculo e ordena os demais músculos a trabalharem de forma a seguir os seus mandatos. Outros cadeístas discordam da ideia de uma cadeia posterior única.

Terceira Lei de Mézières

A cadeia muscular posterior possui musculaturas sempre forte demais, curtas ou potentes demais. Para ela, essas seriam algumas das principais características da cadeia posterior:

  • Dominante;
  • Estruturalmente profunda e multiarticular;
  • Funcionalmente estática (tônica);
  • De controle neurológico central inconsciente;
  • Estruturada para um trabalho de sustentação antigravitacional.

Atualmente conhecemos uma contradição mecânica que existe nessa ideia. Um músculo curto é incapaz de ter potência e força por causa da curva de comprimento vs. tensão.

Quarta Lei de Mézières

O tratamento global da cadeia posterior só pode acontecer quando conseguimos conter todas as compensações. Particularmente acredito que se trabalharmos na liberação das tensões corporais o resultado motor será melhor do que contendo as compensações.

Quinta Lei de Mézières

As cadeias devem aceitar a postura excêntrica. Também existe um conjunto de cadeias sinérgicas à cadeia posterior, que madame Mézières acreditava não cruzar o corpo.

Sexta Lei Mézières

O esforço muscular pode gerar um bloqueio na respiração. Assim, madame Mézières afirmava que a questão não estava na fraqueza dos músculos posteriores, mas na sua força excessiva.

O tratamento deveria ser baseado na soltura de músculos posteriores para liberar as vértebras de seu arco côncavo. Aqui vale a pena lembrar que ela só acreditava na existência de lordoses.

Nova proposta de Mézières

Para elaborar sua proposta de trabalho Mézières baseava-se na sua primeira observação, de que cada vez que tentava diminuir uma curvatura do eixo vertebral a curva se deslocava para outro segmento. Assim surgiu o conceito da globalidade.

O tratamento da terapeuta baseava-se em posturas excêntricas mantidas por longo tempo e que eram corrigidas de maneira ativa.

Enquanto o paciente mantinha a postura a terapeuta solicitava uma sucessão de inspirações e expirações forçadas. Existiam expirações lentas e prolongadas, sem apneia e com a insuflação do ventre.

As respirações eram utilizadas como uma forma de alongar os pilares diafragmáticos.

Acreditava que assim devolveria a fluência dos músculos por dilaceração do tecido conjuntivo e estimularia o efeito de memória pelo prolongamento da postura. Sempre seria importante evitar a rotação interna dos membros.

Dois anos depois de suas descobertas, madame Mézières publicou “Revolução na Ginástica Ortopédica” na França. Sua publicação afirmava que as lordoses participam da origem de todas as deformações. Nelas existiriam compensações musculares causadas pelas lordoses.

Reeducação postural de Mézières

Madame Mezières criou um método de reeducação postural, que parte do princípio de que temos músculos posteriores mais potentes do que os anteriores. Ela também considerava que esses músculos trabalham de uma forma contínua. A esse cadeia deu o nome de Cadeia Muscular posterior.

Ela afirmava que só existem lordoses e que todos os desvios de postura seriam causados por essa cadeia. Sendo assim o alongamento dessa cadeia seria um tratamento eficaz, desde que se evite todas as compensações.

Além disso, propôs que o desequilíbrio de tensão dos músculos agonistas e antagonistas, nos membros inferiores, geraria um benefício para a rotação interna, mais acima cito a ação do músculo Psoas.

Nesse caso ele se torna um importante rotador interno. Hoje este conceito está comprovado por várias pesquisas, sendo o valgismo dinâmico um grande problema para nós, profissionais do movimento.

Como acontecia o tratamento

A base do tratamento de Mézières estava no alongamento dos músculos posteriores. O alongamento era realizado através de posturas, principalmente nas estruturas que causam lordoses e nos músculos rotadores internos dos membros inferiores. O objetivo era obter fluidez das massas musculares corporais.

Em alguns casos a terapeuta conseguia violentas relações ao tratamento e considerava uma indicação de estar indo no caminho certo.

Ela explicou que a base de seu tratamento agia principalmente sobre o sistema simpático e parassimpático, além dos sistemas de autodefesa do corpo.

Esses sistemas ficariam confusos pelas informações aferentes transmitidas a eles através dos músculos e seriam obrigados a abandonar velhos hábitos.

Hoje, no entanto, sabemos que essa ideia estava errada. Graças aos estudos mais evoluídos sobre o Sistema Nervoso Central sabemos que uma reação simpática é tudo que não devemos provocar em um paciente com dor.

As cadeias musculares de Mezières, não possuem uma definição específica sendo assim, um conjunto de observações clínicas propostas pela mesma.

Deixou poucos escritos, pois era puramente clínica, mas se calcula que formou mais de 1.500 profissionais só na França e influenciou mais tantos outros.

Quais eram as cadeias musculares de Madame Mézières

Baseando-se nos conceitos que descrevi acima, Mézières desenvolveu quatro cadeias musculares:

  • A cadeia posterior: composta por todos os músculos posteriores.
  • A cadeia braquial: formada músculos anteriores do braço, antebraço e mão.
  • A cadeia ântero-interna: onde constam os rotadores internos dos membros inferiores, músculos diafragma e iliopsoas.
  • A cadeia anterior cervical: compreende os músculos escalenos, peitoral menor, intercostais e diafragma.

Conclusão

Madame Mézières foi genial para seu tempo, sendo a primeira fisioterapeuta a observar a inter relação dos músculos, fáscias e ligamentos.

Hoje sua técnica foi melhor explicada, aprimorada e com suas contradições biomecânicas consertadas. No entanto, devemos lembrar de sua época e seu pioneirismo.

Foi ela e seu olhar clínico os responsáveis por ir contra uma corrente fisioterápica pela primeira vez, apesar da mesma ser ensinada em escolas de formação.

Mézières também foi a primeira fisioterapeuta com coragem para ir contra grandes instituições e divulgar suas próprias ideias. Como resultado, ela foi capaz de observar seus pacientes e desenvolver o conceito das cadeias musculares de Madame Mézières.

Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Importância das Curvaturas da Coluna nos tratamentos

Quando tratamos uma coluna com problemas de instabilidade ou falta de movimento precisamos nos atentar às curvaturas da coluna. Nosso corpo possui uma estrutura que precisa estar sempre em equilíbrio para possibilitar o movimento adequado.

No entanto, o estilo de vida moderno tem proporcionado o apagamento ou ênfase dessas curvaturas, causando os mais variados problemas.

Curvaturas da coluna vertebral

A coluna vertebral serve como um suporte para todos os movimentos do corpo. Por isso, suas curvaturas existem para aumentar a resistência aos esforços de compressão axial. Engenheiros demonstraram que a resistência de uma coluna com curvaturas é proporcional ao quadrado do número de curvaturas mais um.

Assim, uma coluna do tipo funcional estática, que é retificada e possui número de curvaturas igual a zero, sua resistência é o dobro da primeira. No entanto, uma coluna com duas curvaturas possui resistência cinco vezes maior que a retilínea.

Já no caso de uma coluna com três curvaturas móveis encontramos dez vezes mais resistência que a retificada. Essa seria a coluna com todas as curvaturas fisiológicas:

  • Lordose lombar;
  • Cifose dorsal;
  • Lordose cervical.

Índice raquidiano de Delmas

Utiliza-se o índice raquidiano de Delmas para medir a importância das curvaturas da coluna vertebral. Esse índice só é medido num modelo anatômico e consiste na relação entre:

  • Comprimento alcançado pela coluna vertebral do platô da primeira vértebra sacral até o atlas;
  • Altura entre o platô superior de S1 e o atlas.

Quando a estrutura possui curvaturas da coluna normal o índice é de 95%. O adequado é que esse índice permaneça entre 95% e 96% para termos um funcionamento fisiológico da coluna vertebral.

No entanto, colunas com curvaturas mais acentuadas, como nos casos de hiperlordose ou hipercifose, o índice de Delmas é inferior a 94%. Portanto, seu comprimento é nitidamente maior que sua altura.

Uma coluna com curvaturas normais tem um índice de 95%; os limites máximos da coluna adequado são 95 e 96%. Uma coluna vertebral com curvaturas acentuadas possui um índice de Delmas inferior a 94%. Isto significa que o seu comprimento é nitidamente maior do que a sua altura.

Colunas que possuem curvaturas pouco pronunciadas, como em casos de retificação, possuem índices superiores a 96%. Essa classificação anatômica é essencial já que existe uma relação entre ela e o tipo funcional da coluna.

De acordo com A. Delmas, colunas que possuem curvaturas pronunciadas são do tipo funcional dinâmico. Já colunas com curvaturas pouco acentuadas são consideradas do tipo funcional estático.

Curvaturas da coluna e falta de mobilidade torácica

Hoje em dia é muito comum encontrar pacientes que sofreram perda de mobilidade torácica. A região realmente é mais propensa à rigidez já que é uma região de inversão de curvas. Na coluna vertebral todas as regiões de trocas de linhas de força são mais vulneráveis.

Quando as curvaturas da coluna são mantidas em seu estado normal e fisiológico a coluna funciona de maneira equilibrado. Elas são responsáveis por distribuírem os vetores de força para fora da linha média.

No entanto, ainda existe fragilidade da coluna vertebral nas inversões dos vetores de força que ocorrem em espaços de troca de curvas, indo de cifoses para lordoses ou vice-versa.

Como a coluna vertebral não é um arco fixo existem elementos flexíveis com seus fulcros de rotação. Em T11 e T12 encontramos o maior fulcro de rotação em nossa coluna. As facetas articulares de T11 e T12 são orientadas no plano frontal para rotação. Elas também estão livres das costelas, sejam elas falsas ou verdadeiras.

Vértebras lombares

As vértebras lombares são um contraste quando comparadas com as torácicas. Elas possuem facetas articulares no plano sagital e são orientadas para trás. O centro geométrico do círculo que passa por essas facetas lombares é projetado em seus processos espinhosos.

Portanto, o fulcro de rotação das vértebras lombares encontra-se na espinhosa. Quando a lombar roda isso acontece através de um movimento de translação lateral dos discos.

Por isso, o movimento de rotação na lombar é um gerador de estresse mecânico. As vértebras lombares possuem pouca capacidade de rotação, chegando a 3 ou 4 graus de rotação no máximo em cada segmento lombar.

Facetas articulares

De acordo com Kapandji, a coluna lombar possui facetas articulares superiores orientadas para trás e para dentro. Nenhuma delas é plana. Na realidade, essas facetas articulares são côncavas transversalmente e retilíneas verticalmente.

Geometricamente as facetas lombares estão talhadas sobre a superfície de um mesmo cilindro. Seu centro está localizado atrás das facetas articulares, aproximadamente na base da apófise espinhosa.

Em vértebras lombares superiores o centro do cilindro encontra-se quase imediatamente atrás da linha que une a margem posterior das apófises articulares. Em vértebras inferiores, o cilindro têm um diâmetro maior e recua na mesma medida o seu centro em relação ao corpo vertebral.

Não devemos confundir o centro desse cilindro com o centro dos platôs vertebrais quando a vértebra superior gira sobre a vértebra inferior. O movimento de rotação acontece ao redor desse centro e deve acompanhar-se, obrigatoriamente de um deslizamento do corpo vertebral da vértebra superior em relação ao da vértebra subjacente.

Rotação lombar

Durante a torção axial o disco vertebral não é solicitado. Sua solicitação daria uma amplitude de movimento relativamente grande, mas causaria cisalhamento. Portanto, conseguimos entender que a rotação axial da coluna lombar é limitada tanto em cada altura quanto no seu conjunto.

De acordo com trabalhos de Grégersen e D.B. Lucas, a rotação total direita-esquerda da lombar seria de 10º. Supondo que a rotação segmentária estivesse repartida, isso seria dois graus para cada parte.

Portanto, um grau a cada lado em cada nível. Assim, podemos destacar que a lombar não está conformada para realizar a rotação axial e é limitada pelas orientações das facetas articulares.

Conclusão

Durante os tratamentos de patologias relacionadas à coluna precisamos entender que a coluna não é somente um arco. Na realidade, ela é composta por dois arcos quando pensamos somente nos segmentos torácicos e lombares.

Quando chegamos no segmento lombar esse arco se inverte sem que a tensão da corda se perca. Assim, existe a possibilidade dos segmentos torácicos e lombares inverterem-se sem perder a liberdade do movimento.

A tensão da corda à qual menciono aqui é gerada pelas tensões músculo tendíneas. O movimento só é possível se a tensão da corda passar exatamente pelo centro do fulcro. Caso essa tensão passar atrás ou à frente do fulcro, teremos uma das curvaturas da coluna aumentada ou diminuída.

Portanto, geramos dificuldades em nossas colunas para realizar rotações. Essas rotações só serão recuperadas no segmento lombar, sobretudo em L4-L5. Não é coincidência que esse segmento lombar possui grande tendência à instabilidade e surgimento de lesões.

 

 

Bibliografia

  • Liem, T. A. T. Still’s Osteopathic Lesion Theory and Evidence-Based Models Supporting the Emerged Concept of Somatic Dysfunction. JAOA 2016, 116 (10): 654-661.
  • Puntos gatillo y cadenas musculares funcionales en osteopatía y en terapia manual / Trigger Points and Muscle Chains in Osteopathy and Functional Manual Therapy (Espanhol) Capa Comum por Philipp Richter (Autor),‎ Eric Hebgen (Autor)

 

Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Pilates ajuda a Aliviar Ansiedade? Entenda os Benefícios do Método

Todos sentimos ansiedade em algum momento da vida. Antes de uma prova, por exemplo, o estudante sente aquele acelerar o coração e aumento da pressão arterial característicos da emoção. O mesmo acontece em momentos de estresse excessivo, como numa prova esportiva, ou momentos de perigo. É uma reação normal do corpo preparando-se para ativar o mecanismo de fuga ou luta.

No entanto, a vida moderna criou um estilo de vida tão cheio de ansiedade que ela pode tornar-se uma condição crônica. Algumas pessoas sofrem de ansiedade e medo extremo em situações simples do cotidiano, podendo apresentar sintomas físicos sérios.

Também é possível que aconteçam ataques de pânico, especialmente em pacientes que apresentam síndrome do pânico. Os sintomas, em casos mais graves, são bastante similares a um ataque cardíaco. Deu para perceber a gravidade do problema?

Mas o que nós, como profissionais do movimento podemos fazer? Sozinhos nada. A ansiedade é um problema que precisa de ajuda psicológica especializada para ser tratada. No entanto, praticar modalidades, como o Pilates, pode trazer benefícios interessantes para esses pacientes. Pelo menos quando eles também possuem um acompanhamento psicológico adequado.

Reação do corpo à ansiedade

Antes de começar a explicar os benefícios do Pilates ao corpo de um indivíduo com ansiedade, vale a pena entender um pouco mais seus sintomas. Durante um episódio ansioso o corpo libera hormônios que o permitem fugir ou lutar numa emergência. No entanto, a vida atual não permite simplesmente fugir ou brigar fisicamente com problemas.

Assim, o paciente passa por aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação dos brônquios, menor mobilidade do intestino, dilatação das pupilas e maior liberação de glicose no sangue. É o ideal para quem está se preparando para lutar um round de 4 minutos de boxe ou fugir de um leão na savana. Mas não é perfeito para um trabalhador de escritório que fica sentado 8 horas por dia.

A liberação constante do hormônio cortisol durante esses episódios também pode prejudicar o organismo, causando aumento da massa adiposa, diminuição da produção de muco gástrico e maior fadiga muscular e cerebral.

Como o Pilates pode ajudar a aliviar ansiedade?

Pessoas ansiosas possuem pior qualidade de vida, além de pior desempenho no trabalho e estudo. Portanto, encontrar forma de diminuir a ansiedade, seja ela em níveis patológicos ou controlados, porém maléficos, é importante. O Pilates é uma boa forma graças a sua aplicação dos princípios determinados por Joseph Pilates.

Os exercícios proporcionam melhor condicionamento físico, fortalecimento muscular, flexibilidade, entre muitos outros benefícios que já conhecemos. Como resultado, o indivíduo que pratica o Método de forma regular consegue melhorar sua energia corporal e resistência física.

Além disso, a prática proporciona melhorias no padrão de sono. Considerando que a falta de sono pode ser tanto sintoma quanto causadora da ansiedade, é um benefício importante.

Também considera-se que a forma de trabalhar a respiração no Pilates é uma forma de aliviar a ansiedade. Quando estamos sob estresse o corpo apresenta uma respiração mais forçada e que causa fadiga. Aprender a controlá-la também ajuda a diminuir a liberação de hormônios característicos do quadro.

Por fim, também temos o relaxamento muscular, que é tão importante em indivíduos ansiosos. Pessoas extremamente tensionadas tendem a sentir mais dores, algo que torna-se um ciclo que alimenta o quadro, ao invés de aliviar ansiedade.

Fatores que auxiliam a aliviar ansiedade

Praticar Pilates realmente ajuda a aliviar a ansiedade, estresse e até a melhorar quadros depressivos. No entanto, ele não é o suficiente para que nossos alunos ansiosos consigam melhora completa na sua qualidade de vida. Quando percebermos esse tipo de quadro é importante orientá-los para, primeiramente, buscar ajuda profissional especializada.

Além disso, indivíduos que sofrem com ansiedade extrema devem tentar adotar algumas mudanças simples no estilo de vida. Oriente seus alunos a começar uma dieta balanceada, com quantidade controlada de sal e muita ingestão de água, verduras e legumes. Outra ideia interessante é começar práticas que contribuam para o alívio da mente, como a meditação.

Medicina oriental também pode ter efeitos para aliviar a ansiedade, então podemos recomendar que busquem acupuntura ou massagem para complementar o tratamento. Devemos sempre lembrar que não somos profissionais da saúde mental. Se o aluno realmente precisa de ajuda ele deve buscar um psicólogo ou terapeuta para tratar seu quadro.

Pilates para aliviar ansiedade em estudos

Estudos mostram que Pilates realmente é bastante eficiente para o controle e alívio da ansiedade. Um experimento com 70 trabalhadores do setor bancário mostrou os efeitos que massoterapia e Pilates possuíram no bem-estar, estresse e ansiedade dos profissionais.

O estudo dividiu os indivíduos em três grupos: controle, massoterapia e Pilates. Enquanto o grupo controle só recebeu orientações verbais para aliviar a ansiedade e estresse, os outros dois passaram por tratamento com as respectivas modalidades. Tanto o grupo de massoterapia quanto o de Pilates conseguiram melhora significativa na escola HAD, usada para medir ansiedade e depressão.

Conclusão

A ansiedade é uma condição bastante comum no mundo atual e prejudica muito a vida do seu aluno. Quer proporcionar melhor qualidade de vida? Treino periódico de Pilates pode ajudar e muito na condição, aliviando sintomas e até diminuindo episódios de crises.

No entanto, lembre ao seu aluno que os benefícios proporcionados pela prática são temporários. Aliviar a ansiedade exige treinos semanais para manter os benefícios e relaxamento muscular. Quem treina de vez em quando sequer consegue aproveitar tudo que o Pilates proporciona.

 

 

Bibliografia
Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Quais são as principais Causas da Hérnia de Disco?

Conversando com uma pessoa da terceira idade, provavelmente acima dos 70 anos, é possível que ele mencione possuir alguma hérnia de disco. A patologia é muito comum e inúmeros pacientes acabam perdendo sua mobilidade por causa do problema.

Será que podemos ajudá-los? Tudo depende do nosso conhecimento a respeito da patologia. Por isso, proponho estudarmos nesse artigo, um pouco dos seus mecanismos de formação, para conseguir aprimorar nossa técnica de tratamento. Vamos começar? Então continue sua leitura!

Princípio de Pascal na formação da Hérnia de Disco

Sabemos que a coluna vertebral possui os discos intervertebrais entre suas estruturas. Eles são um corpo macio que diminui o atrito entre os corpos vertebrais. É esse disco que desloca-se nos casos de hérnias discais causando dor e compressão nervosa.

A Lei de Pascal nos ajuda a entender bastante as causas da hérnia de disco. De acordo com o físico e matemático francês Blaise Pascal, a alteração de pressão em um fluido que está em equilíbrio transmite-se integralmente à todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente.

Esse princípio pode ser aplicado ao corpo humano, contanto que algumas propriedades estejam sadias. Ele é extremamente útil quando aplicado à coluna vertebral.

Portanto, de acordo com o princípio de Pascal teremos:

  • Diferença de pressão: é a força aplicada sobre uma área. Caso a pressão seja muito acima da suportada pelo corpo, os sistemas de contenção do anel fibroso podem se romper;
  • Densidade do fluido: a densidade do fluido interfere na lei. Portanto, um núcleo pulposo que esteja desidratado ou rompido estará mais sensível à lei;
  • Gravidade: quanto maior a altitude maiores os riscos que sofremos;
  • Diferença em metros: a diferença entre as duas colunas do recipiente, ou seja, vértebra suprajacente e vértebra subjacente não podem estar com espaço intervertebral diminuído.

Quando os quatro princípios estão funcionando em plenitude, temos uma coluna mais sadia e com menor probabilidade de lesão. Também diminuem as chances do surgimento de uma hérnia causada pelo movimento.

Como mostra o princípio de Pascal o movimento entre as vértebras gera um aumento de força e pressão, mas ela fica distribuída de forma coesa.

Apesar do núcleo pulposo ser deslocado para um lado, a pressão não fica aumentada naquele lado. O próprio núcleo pulposo sofre mudança de pressão durante os movimentos, mas ela também é distribuída por todo o conjunto.

O que é Hérnia de Disco?

A hérnia de disco é uma patologia que surge com a projeção da parte central do disco intervertebral (o núcleo pulposo) para além dos seus limites normais. Ou seja, ele deixa o anel fibroso. É muito comum que a hérnia surja após traumatismos que lesam a cartilagem, como:

  • Quedas;
  • Acidentes automobilísticos;
  • Esforços ao levantar;
  • Encurtamentos musculares;
  • Outros.  

Esse tipo de lesão também pode comprimir raízes nervosas. Assim, o paciente sofre perda de sensibilidade com parestesia ou anestesia na altura correspondente ao dermátomo. Quem possui herniação também apresenta perda ou falta total de força muscular com alteração de trofismo muscular.

Tipos de hérnia de disco

Dividimos a hérnia de disco em alguns tipos para compreendê-las melhor. Elas são:

  • Hérnia de disco protrusa: é o tipo mais comum, quando o núcleo do disco permanece intacto, mas já há perda da forma oval;
  • Hérnia de disco extrusa: quando o núcleo do disco se encontra deformado, formando uma “gota”;
  • Hérnia de disco sequestrada: quando o núcleo está muito danificado e pode até mesmo se dividir em duas partes.

Falsas hérnias de disco

Nem toda hérnia de disco apresenta os sintomas que mencionei acima. Isso porque, nem sempre o que pensamos serem hérnias realmente são: também existem as falsas hérnias de disco. De acordo com Leopold Busquet, 85% das hérnias que diagnosticamos diariamente são do tipo falso. Podemos afirmar isso porque não apresentam esse quadro completo.

Só as 5% mais graves possuem os sintomas adequados para considerarmos verdadeiras. Quando falamos em hérnias verdadeiras o tratamento é sempre cirúrgico e só estaremos presentes na reabilitação do aluno durante o pós-operatório.

Sintomas de falsas Hérnias de Disco

A hérnia de disco é caracterizada pela dor intensa na altura da herniação. Ela também pode gerar outros sintomas de acordo com seu tipo:

  • Falsa hérnia cervical: dor na região da nuca e do pescoço, gerando dificuldade para fazer movimentos cervicais e de membros superiores. Também pode existir parestesia nos membros superiores;
  • Falsa hérnia lombar: causa dor lombar combinada com dificuldade de movimentos e parestesia no caminho do nervo ciático.

Hérnia também pode ter seus sintomas agravados por movimentos, como tosse, riso e evacuação. Elas são mais raras em curvas cifóticas da coluna, já que possuem menor mobilidade. Colunas muito retificadas, no entanto, podem sofrer com uma hérnia de disco torácica.

Causas da Hérnia de Disco

Apesar de muitas pessoas que possuem uma hérnia de disco estarem plenamente convencidas que a desenvolveram depois de algum movimento, afirmo o contrário. Quanto mais estudo o quadro, mais entendo que é a falta de movimento uma das principais causas da hérnia de disco.

É a falta de movimento que gera limitações articulares e fraquezas musculares. Assim, o sistema musculoesquelético é sobrecarregado por pressões para as quais não foi projetado.

Tudo começa com um episódio de dor lombar: primeiro sinal do problema que está afligindo o corpo. Isso acontece cerca de 10 anos antes do surgimento de uma hérnia lombar.

Esse sinal é um pedido de socorro, indicando que a pessoa precisa de movimento para prevenir uma hérnia. Se soubermos escutá-lo e corrigirmos os problemas atuais do corpo conseguimos prevenção. Mas nós sabemos que a maioria dos pacientes não busca ajuda para dor lombar.

A não ser que o problema seja crônico, o paciente simplesmente toma um relaxante muscular ou analgésico. Depois de algum tempo sofrendo com a dor ela passa e ele simplesmente esquece que ela esteve lá.

Surgimento da hérnia

Apesar dos medicamentos, a alteração mecânica permanece e pressiona ainda mais os discos. Assim, vemos que uma das causas da hérnia de disco começou há muito tempo, bem antes do paciente fazer aquele movimento que ele imaginar ser o culpado da dor.

Cerca de 10 anos depois do primeiro episódio de dor lombar o disco sucumbe às pressão, rompe-se e forma a hérnia. Tudo isso causado por uma coluna rígida e sem mobilidade que sofreu durante anos.

Conclusão

Sabendo das causas da hérnia de disco e como a falta de movimento é uma das principais, podemos começar a trabalhar com nossos alunos. É claro que eles terão medo de se movimentar, o próprio médico solicitou repouso e imobilidade.

No entanto devemos quebrar esse paradigma e mostrar para o paciente que só o movimento pode recuperá-lo. Devemos sim trabalhar a estabilidade do núcleo corporal, porém sem confundi-la com o conceito rigidez, lembrando sempre de um corpo viscerado e das consequências do aumento da PIA.

Porém devemos nos lembrar que um corpo saudável, deve ser também móvel e não somente estável, o que geraria desequilíbrios importantes e colocaria nosso processo de reabilitação muito suscetível ao fracasso.

 

 

Bibliografia
Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

Como a Hipopressiva aumenta a Pressão Arterial?

De acordo com o Ministério da Saúde, um em cada quatro brasileiros é hipertenso. Portanto, as chances de encontrar um aluno com pressão arterial aumentada em sua prática profissional é grande. Para evitar piorar os sintomas de sua condição precisamos conhecer muito bem as técnicas que são indicadas e contra indicadas para esse público.

Hoje venho explicar um pouco sobre o Método Abdominal Hipopressivo (MAH) e como ele influencia a pressão arterial. Já aviso que o método é completamente contraindicado para esses pacientes.

Como funciona a pressão arterial?

O corpo é percorrido por vasos sanguíneos que têm como função carregar sangue rico em oxigênio ou nutrientes, ou em gás carbônico e resíduos, para várias áreas. Esse sistema é bastante complexo e precisa estar em completa harmonia para funcionar.

O sistema arterial, em especial, é delicado. As artérias são vasos de maior calibre que possuem paredes mais espessas e resistentes para aguentar a pressão do sangue que é bombeado. Essa pressão que o sangue exerce sobre a parede arterial é a pressão arterial. Ela é dividida em dois tipos:

  • Pressão sistólica: força exercida pelo sangue dentro das artérias durante a sístole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue para as artérias). Seu valor normal em adultos costuma ser de 120mmHg;
  • Pressão diastólica: força exercida pelo sangue nas artérias durante a diástole ventricular (quando o coração se contrai para enviar sangue aos pulmões).

Quando os valores da pressão arterial estão dentro do normal, o corpo possui seu funcionamento fisiológico. No entanto, em alguns casos eles podem estar acima do esperado, causando hipertensão.

O que causa a hipertensão?

Pacientes com hipertensão arterial têm tanto a pressão sistólica quanto a diastólica aumentada. Pessoas com a condição estão no grupo de risco para sofrerem de problemas vasculares, como acidente vascular cerebral e ruptura de aneurisma e insuficiência cardíaca.

Em casos de hipertensão o coração precisa esforçar-se mais que o comum para distribuir o sangue pelo corpo. Assim, seu tecido muscular torna-se fadigado e suscetível aos problemas que mencionei acima.

Boa parte dos pacientes com histórico familiar de pressão arterial aumentada também desenvolverão o problema ao longo da vida. Por ser uma doença crônica, a hipertensão exige atenção especial do paciente, familiares e todos os profissionais envolvidos no seu tratamento. Isso inclui os profissionais do movimento, que devem tomar medidas para evitar o aumento da pressão durante as sessões de treinamento.

Quem trabalha com alunos hipertensos deve estar sempre atento a alguns sinais de que a pressão aumentou muito, como:

  • Dor de cabeça;
  • Dor no peito;
  • Zumbido no ouvido;
  • Fraqueza;
  • Visão embaçada.

Como o Método Abdominal Hipopressivo influencia na pressão?

Todos concordamos que é importantíssimo ter cuidado com nossos alunos e pacientes hipertensos, mas o que isso tem a ver com a hipopressiva? Ela é completamente contraindicada para pacientes hipertensos, como comentei em outro artigo.

Sua prática traz efeitos que consideramos benéficos quando realizada em alunos saudáveis, como a liberação de adrenalina. Em pessoas com a doença crônica, no entanto, esse hormônio causa aumento de frequência cardíaca e pressão arterial.

Um estudo apresentado no XXVI Congresso de Iniciação Científica da Unicamp com mulheres praticantes do MAH mostrou algumas alterações causadas pelo método. Durante o experimento, a pressão arterial das voluntárias foi medida 10 minutos antes da sessão (em repouso), ao final de cada série e 5, 10, 15 e 20 minutos após a sessão.

Durante a sessão a pressão sistólica e diastólica das mulheres em estudo aumentou significativamente. Após a sessão de hipopressiva não existiu efeito hipotensor.

Um outro agravante para o aumento da pressão arterial durante a hipopressiva são as posturas utilizadas. A maioria delas é em isometria, causando vasoconstrição e aumento da pressão arterial diastólica.

Por isso, precisamos sempre conhecer o histórico clínico de um aluno. Os resultados da hipopressiva em hipertensos são extremamente prejudiciais e raramente reversíveis.

Cuidados que devemos ter em aula com hipertensos

O público hipertenso precisa de atenção especial. A doença é bastante comum no Brasil, especialmente entre a terceira idade, mas também pode ser encontrada em pessoas mais jovens. Lembra que sempre falo sobre a importância da entrevista para os resultados de nossas aulas? Ela também ajuda a identificar condições crônicas, como a “pressão alta”, que poderiam colocar nosso aluno em risco.

Mesmo sendo incapazes de usar o Método Abdominal Hipopressivo em aula, ainda podemos ajudar esses alunos através do movimento. Uma forma excelente de auxiliar no controle da pressão arterial está em outra técnica sobre a qual falo bastante aqui no blog: o Pilates.

Durante uma aula direcionada a esse público precisamos tomar muito cuidado com a intensidade. Recomenda-se praticar atividades leves a moderadas. Intensidade em excesso pode ter o efeito contrário ao desejado e aumentar a pressão.

A respiração no Pilates não utiliza apneia, como acontece com o MAH, proporcionando relaxamento. O alívio do estresse também traz benefícios para o restante do dia do paciente hipertenso.

Conclusão

Para garantir que nosso paciente hipertenso mantém sua saúde não podemos utilizar o método abdominal hipopressivo em aula. Apesar de ser extremamente benéfico em diversas situações, ele é contraindicado no caso de “pressão alta”. A apneia gerada pela respiração e as posições isométricas levam ao aumento tanto da pressão sistólica quanto diastólica, podendo causar danos graves.

Ao invés de utilizar o MAH, podemos optar por técnicas que auxiliem no relaxamento do paciente e a melhorar sua respiração. Sempre tome cuidado com técnicas que envolvam respirações similares à manobra de valsalva, que de acordo com estudos, leva ao aumento da pressão arterial.

 

 

Bibliografia