Pilates na Obesidade: Saiba quais os benefícios para alunos acima do peso

Pilates na Obesidade: Saiba quais os benefícios para alunos acima do peso

Já é de conhecimento público que o Método Pilates faz bem para a mente e o corpo, que é uma ótima alternativa no quesito atividade física regular ou reabilitação.

Mas o que poucas pessoas sabem é que o Pilates também pode agir de forma significativa, colaborando com a redução de peso e vários benefícios físicos e mentais.

É por esse motivo que, muitas vezes, utilizar o Método Pilates na Obesidade pode garantir ao seu aluno uma ótima evolução corporal! Que tal saber como isso é possível? Continue lendo o texto!

Características da Obesidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta amenizar o maior mal de todos os tempos, a obesidade. Um problema que afeta adultos e crianças que só vem crescendo devido aos maus hábitos como:

  • Sedentarismo;
  • Consumo de alimentos inadequados;
  • Poucas horas de sono;
  • Estresse gerado pela excitação emocional das rotinas;
  • Falta de exercícios regulares.

Que levam o organismo a um processo devastador aumentando a gula e por consequência a obesidade, que nada mais é que uma doença grave que precisa ser tratada.

Nos países mais desenvolvidos cerca de 60% da população está acima do peso ou obesa, fazendo com que a administração pública e hospitalar fique em alerta. Podemos dizer que é o mal do século XXI e mais uma vez o analfabetismo motor se faz presente.

Não podemos ficar reféns de pequenos botões para se conectar com o mundo exterior, temos que ir além!

Precisamos colocar o corpo em movimento para aumentar o gasto calórico, somente desta forma evitaremos o excesso de peso e gozaremos de uma vida mais saudável.

Meu corpo minha casa

Pessoas informadas já sabem que a obesidade é doença e influencia vários tipos de câncer, problemas ortopédicos, diabetes tipo 2, doença do coração, pedra na vesícula, varizes de membros inferiores, artrite, derrame, apneia, refluxo esofágico, tumores de intestino e pressão alta (70% dos obesos possuem pressão alta).

A principal causa desta doença está relacionada a ingestão em excesso de grandes quantidades calóricas. Mais do que é recomendado diariamente para cada indivíduo.

A obesidade nada mais é do que o acumulo de gordura corporal ingerida ao longo de meses/anos sem nenhum tipo de controle ou cuidado com a saúde.

Pessoas que dormem tarde tem a tendência de comer até o horário de deitar. Neste caso é recomendado dormir mais cedo para não ficar assaltando a geladeira a cada 15 ou 30 segundos, comendo coisas com alta concentração calórica e baixa qualidade nutritiva.

Consequências da Obesidade

Com a obesidade o cansaço é mais presente, o metabolismo fica mais lento, o indivíduo perde a vontade de viver a vida e fica refém da comida, do sofá e do sedentarismo. Todos nós precisamos de uma pratica regular de exercícios físicos, principalmente as pessoas obesas.

A pratica do Pilates na Obesidade, como exercício físico nessas condições, é mega recomendado juntamente com uma dieta bem balanceada. Somente desta forma que sua gordura reduzira afastando o fantasma da obesidade.

O ponto crucial para esta pratica regular é tirar o indivíduo da sua zona de conforto e mantê-lo incentivado.

Tipos de Gordura do Corpo Humano

Encontramos 6 tipos de gorduras em nosso corpo, sendo elas:

Gordura essencial

Ela regula a temperatura corporal, faz absorção de vitaminas e ajuda na produção de hormônios, entre outras coisas.

Gordura branca

Transforma calorias em células adiposas. São aqueles pneuzinhos que ficam caindo para fora das nossas calça.

Gordura marrom

Sua principal função é estimular o corpo a usar energia, ela queima calorias para gerar calor, ao contrário da gordura branca. Uma descoberta recente prova que em ambientes mais frios, acelera a atividade da gordura marrom queimando o excesso das gorduras brancas mais rapidamente.

Gordura bege

É bem parecido com a gordura marrom que queima calorias para manter a temperatura corporal. A gordura bege tem a sua origem na gordura branca quando o organismo sofre um estresse saudável com a pratica regular de atividade física.

Gordura subcutânea

Fica localizada sob a pele e não é tão prejudicial como as outras, a atividade física aliada a uma alimentação saudável com baixa caloria, faz com que você mantenha bons níveis dessa gordura.

Gorduras viscerais

É a mais prejudicial para o organismo, fica depositada entre as vísceras (órgãos), está relacionada ao aumento da diabetes, colesterol, infarto, derrame e hipertensão.

O que mais pode levar um indivíduo a obesidade?

  1. Genética – Está relacionada a família;
  2. Costumes – Pais e mães que comem demasiadamente e transfere para seus filhos este vicio de gula;
  3. Ansiedade – Quando a pessoa tem problemas e não consegue resolvê-los, tem mal estar e aflição. Ficam impacientes e acabam descontando na comida;
  4. Depressão – Persiste na perda de interesse por algo, é o mais comum dos transtornos mentais, deixa o indivíduo triste e pessimista. É uma doença tratável;
  5. Síndrome de Cushing – É o aumento de grandes quantidades de cortisol no corpo;
  6. Hipotireoidismo – A glândula não produz quantidade de hormônio suficiente da tireoide (T3 e T4) podendo ganhar peso.

Vantagens de praticar o Pilates na Obesidade

  • Melhora a respiração;
  • Diminui o excesso de gordura;
  • Aumenta a autoestima;
  • Melhora a postura;
  • Melhora o equilíbrio;
  • Força;
  • Flexibilidade;
  • Aumenta o gasto energético;
  • Desenvolve o gosto pela sua pratica regular.

Índice de Massa Corporal (IMC)

Temos um bom parâmetro para diagnosticar a obesidade, o Índice de Massa Corporal (IMC), a Organização Mundial da Saúde (OMS) utiliza uma tabela como referência. Lembrete: esta tabela não é aplicada em crianças. Confira:

  • < 18,5: abaixo do peso
  • 18,5 – 24,9: normal
  • 25 – 29,9: excesso de peso
  • – 34,9: obesidade leve (grau I)
  • 35 – 39,9: obesidade severa (grau II)
  • > 40: obesidade mórbida (grau III).

É uma forma simples de verificar se tem ou não obesidade corporal.

Conclusão

A obesidade é uma doença que precisa ser tratada de forma sistemática. O indivíduo com sobre peso ou obeso, na maioria das vezes precisa de um profissional da saúde para auxiliar nesta tarefa. Acredite, é difícil seguir todos os protocolos para ter uma vida mais saudável, mas é possível.

Pilates é um método de condicionamento físico que visa integrar o corpo de forma eficiente, apresentando grande variedade nos exercícios que podem ser realizados de inúmeras formas:

Deitado, sentado, ajoelhado, de lado, cócoras e em pé que devem sempre ser passados e acompanhados de forma individual, respeitando os limites de cada um, somente desta forma vamos respeitar as dificuldades motoras relacionadas a mobilidade e as articulações.

O praticante do Método Pilates na Obesidade nem sempre chega a exaustão, mas as vezes é preciso.

Pessoas praticando Pilates na Obesidade terão melhores resultados no emagrecimento, qualidade de vida, melhora na mobilidade, descarga de peso, dissociação dos membros superiores e inferiores, melhor ativação do Power House e muito mais.

Antiginástica: Guia Completo sobre a Modalidade

Antiginástica: Guia Completo sobre a Modalidade

Você sabe o que é a Antiginástica?

A antiginástica ou antigym como também é conhecida, é um trabalho corporal feito com movimentos simples, que permitem ao praticante o autoconhecimento do seu corpo.

Fazendo-o entender que todas as partes desse corpo se conectam, buscando então, ativar áreas e estruturas que ao longo do tempo perderam sua mobilidade, sensibilidade ou função.

Quem criou a Antiginástica?

A antiginástica foi criada na década de 70 pela fisioterapeuta francesa Madame Thérèse Bertherat, autora dos livros “O Corpo tem suas Razões” e “O Correio do Corpo”, obras que ficaram mundialmente conhecidas por trazerem em seus capítulos a experiência pessoal e profissional da autora.

Na busca por conhecer ainda mais o funcionamento dessa complexa estrutura que é o nosso corpo, Madame Bertherat passou a enxergá-lo como uma totalidade no qual cada elemento depende do outro.

Seu trabalho com cadeias musculares foi inspirado no trabalho de Madame Françoise Meziérès. Estudou e analisou outras terapias corporais que complementaram seus conhecimentos, contribuindo assim para seus atendimentos e a criação do seu método, a antiginástica.

Madame Thérèse Bertherat, não aceitava que o corpo fosse tratado como uma máquina, para ela não era importante esculpir o corpo, mas sim resgatar a forma natural desse corpo.

No que baseia-se a Antiginástica?

A antiginástica baseia-se no equilíbrio muscular entre a frente e a parte de trás do corpo. Chamamos de cadeia muscular um conjunto de músculos de mesmo sentido e direção que se comportam com um só músculo.

A cadeia muscular posterior é um conjunto de músculos que saem desde a base do crânio até a ponta dos pés. São músculos muito bem organizados e que estão em constante ativação.

Para Madame Bertherat, ao trabalharmos esses músculos hiperativos na forma de alongá-los e relaxá-los, poderemos então, melhorar a ativação dos músculos da cadeia de flexão do corpo.

Uma vez que essa tem a sua ativação mal organizada ou anulada, devido a hiperatividade da cadeia muscular posterior (extensão). “É uma lei fisiológica: uma vez que se relaxa um lado do corpo, o outro se contrai”, explica Thérèse Bertherat.

Com a antiginástica é possível trabalhar a reorganização e o equilíbrio entre essas cadeias musculares, pois uma vez livre de suas tensões, o nosso corpo terá a capacidade de se restabelecer e de se transformar.

Quais os benefícios da Antiginástica?

Em sua obra “O Corpo tem suas Razões” a autora orienta-nos a ouvir o que o nosso corpo tem a dizer, orienta-nos a libertarmos das amarras e tensões que nele colocamos desde o nosso nascimento, para que assim possamos encontrar o equilíbrio e a perfeita harmonia.

Por ser um método que busca o autoconhecimento corporal e seu equilíbrio entre as estruturas, possui inúmeros benefícios para o corpo e a mente, uma vez que a parte emocional também é um fator para a predisposição de dores crônicas ou crenças limitantes.

São inúmeros os benefícios da antiginástica:

  • Diminuição da dor;
  • Melhora nas alterações posturais;
  • Melhora da ansiedade;
  • Sono;
  • Metabolismo;
  • Bem estar físico e mental;
  • Diminuição das tensões relacionadas ao trabalho, esportes ou atividades cotidianas;
  • Melhora das tensões e equilíbrio entres as cadeias musculares;
  • Melhora na mobilidade;
  • Flexibilidade e maior amplitude articular;
  • Entre outros benefícios.

Para as gestante, a antiginástica também pode trazer muitos benefícios para mãe e o bebê.

Como funciona as sessões de Antiginástica?

Por ser um método com movimentos sutis, realizados de acordo com o ritmo de cada aluno, que busca o autoconhecimento corporal e seu equilíbrio, suas sessões podem ser realizadas em qualquer idade.

Diferente das academias ou estúdios de Pilates, uma sessão de antiginástica é realizada em uma sala silenciosa, clara e confortável, sem qualquer tipo de aparelho e com um número pequeno de alunos.

As sessões são realizadas um vez por semana e ministradas por um profissional qualificado e certificado pelo método. Durante a prática da antiginástica, o profissional não toca ou demonstra qualquer movimento, apenas guia seus alunos através de seus comandos.

A proposta do método não é imitar, mas fazer com que o aluno conheça seu corpo, suas limitações, seus movimentos e seus medos, levando a pessoa a refletir por ela mesma.

Etapas de uma sessão de Antiginástica

Para facilitar os movimentos ou ajudar o aluno a perceber e a sentir as diferentes partes do seu corpo, são utilizados acessórios como: bastões de madeira, bolas médias e pequenas, rolos de toalha, almofadas entre outros.

Primeira Etapa

Essa etapa funciona como um teste de realidade. O aluno é colocado em uma situação física precisa e incomum que irá lhe permitir ficar frente a frente com as suas limitações, tensões e seus bloqueios, que até então, poderiam estar passando despercebidos.

A expressão das sensações e emoções desencadeadas por cada movimento, é extremamente importante dentro da antiginástica. A pedagogia do método é parte fundamental para que o aluno comece a conhecer seu corpo.

Segunda Etapa

Nessa etapa serão realizados exercícios com movimentos simples para que o aluno comece a explorar e a conhecer seu corpo. O profissional não irá demonstrar nenhum movimento, apenas guiará seus alunos através de uma comunicação precisa.

São movimentos sutis e que respeitam a fisiologia dos músculos sem forçar sua amplitude, capazes de trabalhar e explorar músculos e estruturas que há tempos permaneciam desativadas ou com pouca função.

Muitas vezes os movimentos são realizados primeiramente apenas de um lado do corpo, permitindo que o aluno observe e sinta a sensação e a diferença do lado que foi trabalho para o outro que ainda não foi.

No decorrer das sessões

Ao longo das sessões da antiginástica, as sensações e experiências descobertas será diferente para cada aluno. Segundo Bertherat “Os músculos têm uma memória, e nesta memória muscular encontra-se toda a história da pessoa, desde o seu nascimento até hoje”.

Progressivamente, nosso corpo vai aprendendo a se libertar das amarras, tensões e bloqueios que ao longo da vida ele se prendeu. Pouco a pouco é possível sentir que os músculos e suas estruturas vão se tornando mais flexíveis, e que seu corpo começa a se reorganizar e se autocurar.

Porque fazer a Antiginástica

Pois é um método que trabalha dentro das leis de um corpo: anatomia, fisiologia e embriologia (músculos, tendões e ligamentos), quanto a parte neurológica, com efeitos sobre o sistema nervoso (parte emocional e novas conexões).

A antiginástica trabalhará na compreensão desse corpo, seu funcionamento e sua capacidade de regeneração e de se autocurar. Com a antiginástica o praticante terá percepção para descobrir músculos que há tempos já não eram ativados.

E aos poucos nosso corpo se adaptará as novas mudanças e reorganizará as conexões desses músculos com o nosso sistema nervoso central, o cérebro.

Conclusão

Encontrada em várias cidades do Brasil e outros países, a antiginástica vem romper alguns padrões da atualidade na busca pelo corpo perfeito. Mas o que é um corpo perfeito?

Para Madame Thérèse Bertherat, a busca por esse corpo “perfeito” inicia-se pela busca em conhece-lo melhor e a respeitar sua fisiologia.

“Sempre nos dizem que é preciso fortificar o corpo, montamos numa bicicleta, nos penduramos num espaldar, corremos até perdemos o fôlego no jogging, empunhamos halteres. Que tristeza! Nossos músculos merecem muito mais do que essa domesticação forçada. O que é preciso fazer é, primeiro abrir os olhos e nos esforçarmos para olhar nosso corpo, a fim de compreendermos como ele funciona.”

Com uma proposta diferente, a antiginástica leva o aluno a conhecer melhor esse corpo que guarda tantos segredos. Conhecê-lo e reequilibrá-lo estruturalmente e emocionalmente é o primeiro passo para qualquer atividade ou exercício físico que leve ao o que é o corpo perfeito para você!


Referências:
Marie Bertherat: A Antiginástica®
Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

O movimento faz parte da vida do ser humano desde sempre. Quando observamos um recém-nascido, percebemos que existe um contínuo e harmonioso movimento entre braços e pernas.

Expressando o quanto aquele pequeno ser está saudável e pronto para iniciar a vida fora do útero materno.

Crescemos, nos tornamos adultos e a vida moderna nos impõe um estilo de vida que gera bloqueios e limites para essa mobilidade, outrora tão natural.

Permanecemos em posturas estáticas flexoras muitas horas ao longo de nossa existência. Comemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos, na maioria das vezes, sentados. Esse excesso de postura flexora, pode ser uma das causas de dor lombar.

Neste texto você vai encontrar:

  • Relação entre má postura e dores nas costas
  • Como a má postura afeta estruturas do corpo
  • Métodos utilizados como tratamento
  • O que é o Método McKenzie?
  • No que se baseia o Método McKenzie

Que tal saber mais sobre o Método McKenzie? De definição à como utilizar no tratamento? Continue lendo para saber mais!

Relação entre má postura e dores nas costas

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a dor nas costas é uma queixa de aproximadamente 80% da população mundial.

A postura ruim de sentar e a frequência de flexão foram identificados por McKenzie (2016) como fatores do estilo de vida que predispõem a dor lombar.

A posição sentada-relaxada causa um estiramento excessivo das estruturas ligamentares posteriores da coluna.

Quanto mais a coluna lombar se aproxima da cifose, maior é a pressão intradiscal. E, quanto mais se aproxima da lordose, menor é essa pressão.

O segundo fator ocorre devido as pessoas, desde o levantar pela manhã até voltar para a cama à noite, estarem predominantemente nas posturas e atividades fletidas da coluna e raramente estendidas.

Como a má postura afeta estruturas do corpo

Com isso, várias estruturas inervadas podem ser afetadas, podendo se constituir em fontes de dor. Dentre elas podemos citar:

  • As cápsulas das articulações apofisárias e sacro-ilíacas;
  • A parte mais externa dos discos intervertebrais,;
  • Os ligamentos interespinhosos e longitudinais;
  • Os corpos vertebrais;
  • A dura mater;
  • A capa da raiz nervosa;
  • O tecido conectivo dos nervos;
  • Os vasos sanguíneos do canal medular,
  • Os músculos locais.

No momento em que a dor na coluna se instala, todo o processo de compensações e adaptações musculoesqueléticas já aconteceu. Porém, quando a dor chega é que existe a percepção de que algo está errado.

Nesse instante, todos os neurotransmissores do sinal doloroso são acionados e, ao mínimo movimento, a dor pode ser intensificada.

Por muitos anos foi enfatizado que alguém com dor na coluna não podia se mexer, pois se mexesse, pioraria. Foi ensinado pelos pais e avós que o melhor a fazer seria tomar remédio (analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares) e repousar.

Em alguns casos de dor lombar aguda, pode ser necessário algum repouso – que seria reduzir atividades de sobrecarga. Porém, não existe respaldo na literatura que o repouso que se prolongue além de dois dias, traga maiores benefícios.

Através de pesquisas da neurociência e da biomecânica, este procedimento é equivocado. Tirar totalmente o movimento da coluna vertebral em episódios de dor mecânica pode trazer complicações.

Atualmente, o paciente com dor mecânica agudizada pode ser tratado através do movimento. Pois, desta forma, o corpo é estimulado a reencontrar o caminho para liberar os bloqueios fasciais, musculares e articulares.

Nosso corpo é um complexo organismo que integra vários sistemas. A alteração ou desequilíbrio de um único aspecto gera consequências para todo o corpo.

Daí a importância de se tratar esse corpo com Métodos e Técnicas Globais (MAH, Osteopatia, Pilates, McKenzie, etc), para que haja uma reintegração o mais rápido possível.

Métodos utilizados como tratamento

Métodos Abdominal Hipopressivo

O MAH (Método Abdominal Hipopressivo), estimula o indivíduo a enfrentar os desconfortos iniciais de uma postura em isometria e apneias respiratórias.

Isso, para que ele possa liberar a dopamina após alguns minutos de prática do método, e assim, usufruir de todos os aspectos positivos de um equilíbrio das pressões intracavitárias.

Osteopatia

Já a Osteopatia estimula o corpo a buscar sua autocura através do equilíbrio entre estrutura e função.

Pilates

No Pilates, através de exercícios de fortalecimento, alongamento e respiração, o aluno mobiliza todo seu corpo adquirindo tônus e força muscular equilibrado.

Método McKenzie

Outro Método de tratamento, é o Método McKenzie (MDT) que tem como objetivo a autonomia do paciente, para que através de exercícios repetidos, ele encontre o movimento na direção correta para reequilibrar seu corpo.

Nesse artigo quero enfatizar como o Método McKenzie utiliza o movimento para diagnosticar e tratar os desequilíbrios mecânicos.

O que é o Método McKenzie?

Este método foi criado nos meados da década de sessenta pelo fisioterapeuta neozelandês Robin McKenzie (criador do Método McKenzie de Diagnóstico e Tratamentol), também conhecido como MDT (Mechanical Diagnosis and Therapy).

Ele afirma que se o movimento for aplicado na direção e intensidade certa pode ser terapêutico no tratamento e controle desse tipo de dor na coluna.

o Método McKenzie ganhou notoriedade mundial exatamente por essa proposta. McKenzie desenvolveu um sistema de classificação que pode ser aplicado a todos os problemas musculoesqueléticos da coluna e extremidades.

O grande diferencial desse Método é gerar a autonomia do paciente. A partir de uma avaliação minuciosa, são prescritos exercícios específicos para que o próprio paciente execute-os diariamente. Visando o reequilíbrio e autocura.

O paciente é ensinado a libertar-se da Cinesiofobia (o medo de se movimentar). Ele é estimulado a assumir o controle do seu corpo e a não ficar na dependência de remédios ou médicos para curar essa dor. Alcançando a tão almejada autonomia.

No que se baseia o Método McKenzie

O Método McKenzie está baseado nas respostas sintomáticas e mecânicas do paciente a vários movimentos repetidos ou forças de cargas estáticas.

Durante a avaliação mecânica, ele permite a classificação dos pacientes em categorias específicas que orientam o tratamento.

Ao invés de procurar fazer um diagnóstico específico do tecido (identificação de uma doença através dos seus sinais e sintomas), o sistema McKenzie concentra-se na identificação de síndromes.

Uma síndrome é um grupo característico de sintomas e um padrão de resposta característico de um problema particular, ou seja, cada pessoa será avaliada e tratada – não de acordo com exames de imagem ou laboratoriais -, mas com o que relata sentir e tudo que o corpo dela falar durante a avaliação.

É fundamental que o paciente saiba o que fazer quando a dor chegar, pois existe uma natureza recorrente na dor lombar.

Um estudo realizado no Reino Unido por Crofit (1998) descobriu que, um ano após a primeira crise de dor lombar aguda, 50% dos pacientes ainda reclamavam de sintomas intermitentes ou persistentes que interferiam em suas atividades rotineiras ou profissionais.

Um outro estudo, publicado por Enthoven, Skargren e Oberg (2004), acompanhou pacientes durante cinco anos após a primeira crise de dor lombar aguda e mostrou, pela primeira vez, que um grande número de pacientes continuou a apresentar problemas significantes: 50% haviam desenvolvido dores crônicas, reduzindo sua qualidade de vida.

Se faz necessário que, o mais rápido possível, seja restaurado o movimento desse corpo, pois quanto maior for o tempo de permanência do bloqueio da mobilidade, as alterações sistêmicas cronificam.

Nosso corpo se mantém em equilíbrio através de todo um complexo sistema de tensegridade (combinação de tensão com integridade). Mantido através da homeostase da rede fascial, das pressões intracavitárias e de toda interação entre os sistemas internos e musculoesquelético (Schleip, 2012).

A fáscia que reveste todos os tecidos do corpo é rica em fibroblastos, que são células com a capacidade de produzir colágeno, citoquinas (células do sistema imune), e carboidratos complexos que vão fazer parte da substância fundamental.

Os fibroblastos respondem a tensão mecânica e são influenciados pela direção do movimento, ou seja, a direção do movimento vai reverberar diretamente na produção desse colágeno, gerando a remodelação tecidual necessária para aquela região do corpo. (Lesondak, 2017).

Conclusão

Portanto, reafirmo a imprescindível necessidade da restauração do movimento em toda sua amplitude, para que o sistema corporal possa resgatar sua homeostase, e o indivíduo sua autonomia.

A ciência mundial se voltou para respaldar a importância do movimento na vida do ser humano, reintegre o movimento ao seu corpo e mude sua vida.

Bibliografia
McKenzie, Robin. Trate você mesmo sua coluna. 4ª Ed. Belo Horizonte: TTMT; 2016. Schleip, R., Findley, T.W., Chaitow, L., Huijing, P. (Eds.), 2012a. Fascia: The
Tensional Network of the Human Body. The Science and Clinical Applications in
Manual and Movement Therapies. Churchill Livingstone, Edinburgh.
Lesondak, David. Fascia: What it is and why it Matters. Ed. Ilustrada. Handspring Publishing Limited; 2017
Croft PR, MacFarlane GJ, Papageorgiou AC, Thomas E, Silman AJ. (1998) Outcome of low back pain em general practice: a prospect study. (Incidência da dor lombar na clínica geral: Estudo prospectivo) BMJ.316.1356-1359.
Enthoven P, Skargren E, Oberg B. (2004) Clinical Course in Patients Seeking Primary Care for Back and neck pain. (Trajetória clínica de pacientes que buscam o primeiro auxilio para dor na coluna e no pescoço) Spine 29.21.
Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Quantos de nós já escutamos a frase “barriga para dentro”? Acredito que muitos, ou quase todas as pessoas, já ouviram alguém falar isso.

É lógico que precisamos manter uma boa postura, porém não é através de uma contração máxima e constante do abdômen que vamos conseguir isso.

Para as mulheres, a consequência de manter essa contração para esconder a barriguinha, pode ser muito grave.

O excesso de contração dos músculos que compõe a faixa abdominal (transverso, oblíquos, e reto), pode gerar um aumento crônico da PIA, que pode complicar muito a vida de uma mulher. Com o aumento da PIA, a pressão sobre as vísceras cresce, empurrando todo conteúdo visceral para baixo.

Daí a propensão a prolapsos e incontinências, também podendo afetar as funções intestinais, pois o diafragma não consegue descer o suficiente no ato inspiratório, para massagear o músculo transverso e favorecer o perestaltismo.

Pode gerar também lombalgia crônica pois essa pressão pode empurrar para trás, aumentando a tensão sobre a fáscia tóraco-lombar. Gerando um aumento da produção de miofibroblastos que faz crescer ainda mais a tensão fascial reduzindo, assim, a mobilidade.

Muitas outras consequências podem vir, através do aumento da PIA.

Entretanto hoje temos o Método Abdominal Hipopressivo, um grande método que pode atuar diretamente sobre essa PIA. Equilibrando não apenas na cavidade abdominal, mas também na cavidade torácica e pélvica.

Restaurando a mobilidade diafragmática e do assoalho pélvico, ativando o tônus correto da faixa abdominal, para que haja sustentação do conteúdo visceral e controle de esfíncteres.

Com isso o tônus postural se reequilibrará, e não mais precisaremos colocar a “barriga para dentro”.

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

O Conceito Hipopressivo compreende um conjunto de posturas estáticas e dinâmicas em que a via que as potencializará é o meio expiratório. Através da apneia expiratória, o organismo trabalhará com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo).

Isso faz com que o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático trabalhem o tempo todo para a regularização do organismo. O método busca ainda a liberação da dopamina, um neurotransmissor liberado pelo sistema nervoso simpático que desempenha importantes funções no organismo.

Qual a função do Sistema Nervoso Autônomo?

O Sistema Nervoso Autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo – e tem funções opostas.

O SNA parassimpático é responsável pelo controle visceral do organismo em repouso, e o SNA simpático é responsável pelo estado de alerta, denominado reação de “luta/fuga”. Encarregado pelo aumento das demandas metabólicas, preparando o organismo para um determinado estado de estresse.

Ativação do SNA através do MAH

O Método Abdominal Hipopressivo busca a ativação do SNA simpático durante toda a prática aplicada ao aluno. Além da apneia expiratória, as posturas estáticas e dinâmicas adotadas durante as aulas serão primordial para manter o sistema ativo.

Acarretando, assim, na liberação da dopamina (DA), um neurotransmissor responsável pelo bem estar físico e mental, liberado durante a prática de atividades e exercícios físicos.

A dopamina é um neurotransmissor que desempenha importantes funções no organismo, liberada a partir de situações agradáveis ou exercícios físicos. Quando liberada desencadeia impulsos nervosos que levam a uma sensação de prazer e bem estar.

Conceito de Neurotransmissor

Um neurotransmissor é uma molécula sinalizadora do sistema nervoso central secretada pelas porções terminais dos neurônios, que desempenhará funções de inibição ou estimulação, de acordo com o seu receptor. 

A dopamina pertence à família de catecolaminas de neurotransmissores. Além da dopamina, essa família inclui a norepinefrina (noradrenalina) e a epinefrina (adrenalina).

As catecolaminas do SNC modulam a função da neurotransmissão de ponto a ponto e afetam processos complexos, como humor, atenção e emoção. A DA é sintetizada no citoplasma de um neurônio a partir da tirosina, um aminoácido neutro percursor de todas as catecolaminas.

Em seguida é transportada no interior das vesículas secretoras para armazenamento ou liberação.

Os efeitos da Dopamina no Sistema Nervoso

A DA desempenha uma série de funções no nosso organismo a partir da sinalização nos seus respectivos receptores. Esses receptores dopaminérgicos possuem funções metabotrópicas, que desencadeará um processo de sinalização intracelular, gerando assim um evento celular.

Possuímos inúmeros receptores dopaminérgicos presente em várias estruturas do nosso organismo, onde a dopamina irá sinalizar inibindo ou estimulando uma determinada ação celular.

Os receptores dopaminérgicos são divididos em dois grandes grupos, os receptores D1/D5 que estimulam uma determinada ação celular no tecido em questão, e os receptores D2/D3/D4 que atuam inibindo os eventos celulares.

Os neurônios dopaminérgicos em sua maioria originam-se em várias áreas do cérebro, e seguem por vias ou tratos diferentes. Podemos destacar três vias principais, a via nigroestriatal, maior trato de DA no cérebro.

Essa via projeta-se na parte costal da substância negra, e os neurônios dopaminérgicos da via nigroestriatal atuarão nos gânglios da base promovendo uma série de eventos para desencadear uma resposta motora fina.

Medialmente à substancia negra no mesencéfalo, temos a área tegmental ventral (ATV) ou via mesolímbica, um agrupamento de corpos celulares dopaminérgicos que possui conexão com o sistema límbico. Nessa via a sinalização dos efeitos da dopamina estarão envolvidas com outros neurotransmissores, principalmente a serotonina.

Esse trato desempenha um papel importante no sistema de comportamento motivado a recompensa, cognição, sensação de bem-estar, auto realização e na regulação do afeto. Temos ainda a via túbero-infundibular, localizada na região do hipotálamo.

A dopamina liberada nessa região regula a secreção da prolactina. E a área postrema, localizada no assoalho do quarto ventrículo, conhecida como um dos órgãos circunventriculares que atuam como quimiorreceptores sanguíneos. Os neurotransmissores liberados nessa área implicam no controle de náuseas e vômitos.

Relação da Dopamina com o Método Abdominal Hipopressivo

hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

De um modo geral, quando praticamos o método abdominal hipopressivo, ativamos centros cerebrais que estimularão os nervos simpáticos para a liberação de seus neurotransmissores.

A noradrenalina, percursora da adrenalina, que irá preparar o corpo para as ações adotadas durante o método, e a dopamina, que atuará através da via mesolímbica, proporcionando assim sensações de bem estar e prazer durante e após a prática dos exercícios hipopressivos.

Logo no início da aula, o sistema nervo simpático já começa a ser ativado através da apneia expiratória e dos exercícios posturais, e aproximadamente após 28 minutos já teremos os efeitos da dopamina circulando por todo nosso organismo, desempenhando seu papel nos seus respectivos receptores.

Como na prática de uma atividade ou um exercício físico de baixa intensidade, no MAH, também é possível ativar a liberação dos efeitos da dopamina sem que aja a produção de resíduos metabólicos, ou seja, sem a produção do ácido lático, o grande causador das dores musculares, sintetizado a partir da queima da glicose sem a ação do oxigênio na prática de exercícios de alta intensidade.

Nos exercícios hipopressivos, a musculatura corporal será trabalhada através da isometria, nas posturas estáticas e nas posturas dinâmicas, com movimentos de baixa intensidade, adaptando-os às necessidades de cada aluno, buscando assim a melhora postural e em consequência melhora da função respiratória, sexual, sistêmica e metabólica.

Para cada aferência exteroceptiva nosso organismo recebe sete aferências interoceptivas relacionado as vísceras. Durante a prática do MAH, nós alteramos essas aferências internas, e mandamos essas informações ao nosso sistema nervoso central através do nervo vago, um nervo que percorre grande parte do nosso organismo, e que faz parte do sistema nervo autônomo parassimpático.

Uma vez ativo o sistema nervoso simpático, o nosso organismo buscará após algum tempo equilibrar as ações estimuladas por esse sistema, a partir da atuação do sistema nervoso parassimpático, que atuará normalizando as respostas de reação de luta e fuga.

Por isso, sentimos aquela sensação de realização, bem estar e relaxamento no decorrer e no final da aula, resultado ocasionada pela liberação dos neurotransmissores do sistema neurovegetativo simpático e parassimpático, equilibrando todo o nosso sistema corporal.

Um Método Abrangente

Como podemos ver, o conceito hipopressivo é muito mais do que uma simples técnica para gerar a tão famosa barriga negativa.

É um método abrangente, com exercícios hipopressivos capazes de normalizar as tensões dos músculos respiratório, promover o relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertônicos, buscando a estimulação do sistema neurovegetativo simpático, para a síntese de neurotransmissores e hormônios associados ao bem estar.

Além disso, estudos recentes vem demonstrando que, a prática de atividades e exercícios físicos aumentam a proliferação de neurônios, a síntese de fatores neurotróficos, glicogênese, sinaptogênese, regula sistemas de neurotransmissão e neuromodulação, além de reduzir a inflamação sistêmica.

Todavia, o MAH se torna um método de exercício abrangente, porque trabalha o aluno de uma forma global, atuando na parte física e sistêmica.

É um exercício de baixa intensidade que pode ser usado na forma de prevenção e reabilitação, porque trabalha no conceito de normalizar as pressões intracavitárias, promovendo assim um equilíbrio em todos os sistemas corporais, respiratório, músculo esquelético, visceral e sistema nervoso, gerando uma melhor qualidade de vida.

Conclusão

Atualmente compreendemos a saúde como um conjunto de ações, hábitos e condições que proporcionam o bem estar físico e mental do ser humano. Sabemos que a prática de atividades ou exercícios físicos são capazes de promover a síntese de neurotransmissores e hormônios capazes de desencadear reações de bem estar e prazer.

Os efeitos da dopamina gerados a partir da prática do Método Abdominal Hipopressivo, é livre de resíduos metabólicos e atua diretamente na via mesolímbica, desencadeando inúmeros benefícios ao organismo, regulando ações relacionada ao humor, memória, atenção, prazer, recompensa e bem estar. Praticar o MAH é gerar uma melhor qualidade de vida!

Bibliografia
FERREIRA, V. C; GOIS, S.R; GOMES, L,P; BRITTO, A; AFRANIO, B; DANTAS, M. H. E. Nascidos para correr: A importância do exercício para a saúde o cérebro. Aracaju-SE, 2017.
STANDAERT, G. D; GALANTER, M.J. Princípios de Farmacologia: Farmacologia da neurotransmissão dopaminérgica. 3ª edição:  Guanabara Koogan LTDA, 2018.