Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

Método McKenzie: diagnóstico e tratamento dos desequilíbrios mecânicos

O movimento faz parte da vida do ser humano desde sempre. Quando observamos um recém-nascido, percebemos que existe um contínuo e harmonioso movimento entre braços e pernas.

Expressando o quanto aquele pequeno ser está saudável e pronto para iniciar a vida fora do útero materno.

Crescemos, nos tornamos adultos e a vida moderna nos impõe um estilo de vida que gera bloqueios e limites para essa mobilidade, outrora tão natural.

Permanecemos em posturas estáticas flexoras muitas horas ao longo de nossa existência. Comemos, estudamos, trabalhamos e nos divertimos, na maioria das vezes, sentados. Esse excesso de postura flexora, pode ser uma das causas de dor lombar.

Neste texto você vai encontrar:

  • Relação entre má postura e dores nas costas
  • Como a má postura afeta estruturas do corpo
  • Métodos utilizados como tratamento
  • O que é o Método McKenzie?
  • No que se baseia o Método McKenzie

Que tal saber mais sobre o Método McKenzie? De definição à como utilizar no tratamento? Continue lendo para saber mais!

Relação entre má postura e dores nas costas

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a dor nas costas é uma queixa de aproximadamente 80% da população mundial.

A postura ruim de sentar e a frequência de flexão foram identificados por McKenzie (2016) como fatores do estilo de vida que predispõem a dor lombar.

A posição sentada-relaxada causa um estiramento excessivo das estruturas ligamentares posteriores da coluna.

Quanto mais a coluna lombar se aproxima da cifose, maior é a pressão intradiscal. E, quanto mais se aproxima da lordose, menor é essa pressão.

O segundo fator ocorre devido as pessoas, desde o levantar pela manhã até voltar para a cama à noite, estarem predominantemente nas posturas e atividades fletidas da coluna e raramente estendidas.

Como a má postura afeta estruturas do corpo

Com isso, várias estruturas inervadas podem ser afetadas, podendo se constituir em fontes de dor. Dentre elas podemos citar:

  • As cápsulas das articulações apofisárias e sacro-ilíacas;
  • A parte mais externa dos discos intervertebrais,;
  • Os ligamentos interespinhosos e longitudinais;
  • Os corpos vertebrais;
  • A dura mater;
  • A capa da raiz nervosa;
  • O tecido conectivo dos nervos;
  • Os vasos sanguíneos do canal medular,
  • Os músculos locais.

No momento em que a dor na coluna se instala, todo o processo de compensações e adaptações musculoesqueléticas já aconteceu. Porém, quando a dor chega é que existe a percepção de que algo está errado.

Nesse instante, todos os neurotransmissores do sinal doloroso são acionados e, ao mínimo movimento, a dor pode ser intensificada.

Por muitos anos foi enfatizado que alguém com dor na coluna não podia se mexer, pois se mexesse, pioraria. Foi ensinado pelos pais e avós que o melhor a fazer seria tomar remédio (analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares) e repousar.

Em alguns casos de dor lombar aguda, pode ser necessário algum repouso – que seria reduzir atividades de sobrecarga. Porém, não existe respaldo na literatura que o repouso que se prolongue além de dois dias, traga maiores benefícios.

Através de pesquisas da neurociência e da biomecânica, este procedimento é equivocado. Tirar totalmente o movimento da coluna vertebral em episódios de dor mecânica pode trazer complicações.

Atualmente, o paciente com dor mecânica agudizada pode ser tratado através do movimento. Pois, desta forma, o corpo é estimulado a reencontrar o caminho para liberar os bloqueios fasciais, musculares e articulares.

Nosso corpo é um complexo organismo que integra vários sistemas. A alteração ou desequilíbrio de um único aspecto gera consequências para todo o corpo.

Daí a importância de se tratar esse corpo com Métodos e Técnicas Globais (MAH, Osteopatia, Pilates, McKenzie, etc), para que haja uma reintegração o mais rápido possível.

Métodos utilizados como tratamento

Métodos Abdominal Hipopressivo

O MAH (Método Abdominal Hipopressivo), estimula o indivíduo a enfrentar os desconfortos iniciais de uma postura em isometria e apneias respiratórias.

Isso, para que ele possa liberar a dopamina após alguns minutos de prática do método, e assim, usufruir de todos os aspectos positivos de um equilíbrio das pressões intracavitárias.

Osteopatia

Já a Osteopatia estimula o corpo a buscar sua autocura através do equilíbrio entre estrutura e função.

Pilates

No Pilates, através de exercícios de fortalecimento, alongamento e respiração, o aluno mobiliza todo seu corpo adquirindo tônus e força muscular equilibrado.

Método McKenzie

Outro Método de tratamento, é o Método McKenzie (MDT) que tem como objetivo a autonomia do paciente, para que através de exercícios repetidos, ele encontre o movimento na direção correta para reequilibrar seu corpo.

Nesse artigo quero enfatizar como o Método McKenzie utiliza o movimento para diagnosticar e tratar os desequilíbrios mecânicos.

O que é o Método McKenzie?

Este método foi criado nos meados da década de sessenta pelo fisioterapeuta neozelandês Robin McKenzie (criador do Método McKenzie de Diagnóstico e Tratamentol), também conhecido como MDT (Mechanical Diagnosis and Therapy).

Ele afirma que se o movimento for aplicado na direção e intensidade certa pode ser terapêutico no tratamento e controle desse tipo de dor na coluna.

o Método McKenzie ganhou notoriedade mundial exatamente por essa proposta. McKenzie desenvolveu um sistema de classificação que pode ser aplicado a todos os problemas musculoesqueléticos da coluna e extremidades.

O grande diferencial desse Método é gerar a autonomia do paciente. A partir de uma avaliação minuciosa, são prescritos exercícios específicos para que o próprio paciente execute-os diariamente. Visando o reequilíbrio e autocura.

O paciente é ensinado a libertar-se da Cinesiofobia (o medo de se movimentar). Ele é estimulado a assumir o controle do seu corpo e a não ficar na dependência de remédios ou médicos para curar essa dor. Alcançando a tão almejada autonomia.

No que se baseia o Método McKenzie

O Método McKenzie está baseado nas respostas sintomáticas e mecânicas do paciente a vários movimentos repetidos ou forças de cargas estáticas.

Durante a avaliação mecânica, ele permite a classificação dos pacientes em categorias específicas que orientam o tratamento.

Ao invés de procurar fazer um diagnóstico específico do tecido (identificação de uma doença através dos seus sinais e sintomas), o sistema McKenzie concentra-se na identificação de síndromes.

Uma síndrome é um grupo característico de sintomas e um padrão de resposta característico de um problema particular, ou seja, cada pessoa será avaliada e tratada – não de acordo com exames de imagem ou laboratoriais -, mas com o que relata sentir e tudo que o corpo dela falar durante a avaliação.

É fundamental que o paciente saiba o que fazer quando a dor chegar, pois existe uma natureza recorrente na dor lombar.

Um estudo realizado no Reino Unido por Crofit (1998) descobriu que, um ano após a primeira crise de dor lombar aguda, 50% dos pacientes ainda reclamavam de sintomas intermitentes ou persistentes que interferiam em suas atividades rotineiras ou profissionais.

Um outro estudo, publicado por Enthoven, Skargren e Oberg (2004), acompanhou pacientes durante cinco anos após a primeira crise de dor lombar aguda e mostrou, pela primeira vez, que um grande número de pacientes continuou a apresentar problemas significantes: 50% haviam desenvolvido dores crônicas, reduzindo sua qualidade de vida.

Se faz necessário que, o mais rápido possível, seja restaurado o movimento desse corpo, pois quanto maior for o tempo de permanência do bloqueio da mobilidade, as alterações sistêmicas cronificam.

Nosso corpo se mantém em equilíbrio através de todo um complexo sistema de tensegridade (combinação de tensão com integridade). Mantido através da homeostase da rede fascial, das pressões intracavitárias e de toda interação entre os sistemas internos e musculoesquelético (Schleip, 2012).

A fáscia que reveste todos os tecidos do corpo é rica em fibroblastos, que são células com a capacidade de produzir colágeno, citoquinas (células do sistema imune), e carboidratos complexos que vão fazer parte da substância fundamental.

Os fibroblastos respondem a tensão mecânica e são influenciados pela direção do movimento, ou seja, a direção do movimento vai reverberar diretamente na produção desse colágeno, gerando a remodelação tecidual necessária para aquela região do corpo. (Lesondak, 2017).

Conclusão

Portanto, reafirmo a imprescindível necessidade da restauração do movimento em toda sua amplitude, para que o sistema corporal possa resgatar sua homeostase, e o indivíduo sua autonomia.

A ciência mundial se voltou para respaldar a importância do movimento na vida do ser humano, reintegre o movimento ao seu corpo e mude sua vida.

Bibliografia
McKenzie, Robin. Trate você mesmo sua coluna. 4ª Ed. Belo Horizonte: TTMT; 2016. Schleip, R., Findley, T.W., Chaitow, L., Huijing, P. (Eds.), 2012a. Fascia: The
Tensional Network of the Human Body. The Science and Clinical Applications in
Manual and Movement Therapies. Churchill Livingstone, Edinburgh.
Lesondak, David. Fascia: What it is and why it Matters. Ed. Ilustrada. Handspring Publishing Limited; 2017
Croft PR, MacFarlane GJ, Papageorgiou AC, Thomas E, Silman AJ. (1998) Outcome of low back pain em general practice: a prospect study. (Incidência da dor lombar na clínica geral: Estudo prospectivo) BMJ.316.1356-1359.
Enthoven P, Skargren E, Oberg B. (2004) Clinical Course in Patients Seeking Primary Care for Back and neck pain. (Trajetória clínica de pacientes que buscam o primeiro auxilio para dor na coluna e no pescoço) Spine 29.21.
Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Os riscos de acreditar na frase “barriga para dentro”

Quantos de nós já escutamos a frase “barriga para dentro”? Acredito que muitos, ou quase todas as pessoas, já ouviram alguém falar isso.

É lógico que precisamos manter uma boa postura, porém não é através de uma contração máxima e constante do abdômen que vamos conseguir isso.

Para as mulheres, a consequência de manter essa contração para esconder a barriguinha, pode ser muito grave.

O excesso de contração dos músculos que compõe a faixa abdominal (transverso, oblíquos, e reto), pode gerar um aumento crônico da PIA, que pode complicar muito a vida de uma mulher. Com o aumento da PIA, a pressão sobre as vísceras cresce, empurrando todo conteúdo visceral para baixo.

Daí a propensão a prolapsos e incontinências, também podendo afetar as funções intestinais, pois o diafragma não consegue descer o suficiente no ato inspiratório, para massagear o músculo transverso e favorecer o perestaltismo.

Pode gerar também lombalgia crônica pois essa pressão pode empurrar para trás, aumentando a tensão sobre a fáscia tóraco-lombar. Gerando um aumento da produção de miofibroblastos que faz crescer ainda mais a tensão fascial reduzindo, assim, a mobilidade.

Muitas outras consequências podem vir, através do aumento da PIA.

Entretanto hoje temos o Método Abdominal Hipopressivo, um grande método que pode atuar diretamente sobre essa PIA. Equilibrando não apenas na cavidade abdominal, mas também na cavidade torácica e pélvica.

Restaurando a mobilidade diafragmática e do assoalho pélvico, ativando o tônus correto da faixa abdominal, para que haja sustentação do conteúdo visceral e controle de esfíncteres.

Com isso o tônus postural se reequilibrará, e não mais precisaremos colocar a “barriga para dentro”.

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

Efeitos da Dopamina durante a prática do Método Abdominal Hipopressivo

O Conceito Hipopressivo compreende um conjunto de posturas estáticas e dinâmicas em que a via que as potencializará é o meio expiratório. Através da apneia expiratória, o organismo trabalhará com hipercapnia (presença excessiva de dióxido de carbono CO2 no plasma sanguíneo).

Isso faz com que o sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático trabalhem o tempo todo para a regularização do organismo. O método busca ainda a liberação da dopamina, um neurotransmissor liberado pelo sistema nervoso simpático que desempenha importantes funções no organismo.

Qual a função do Sistema Nervoso Autônomo?

O Sistema Nervoso Autônomo é dividido em simpático e parassimpático. Ambos controlam o funcionamento automático do nosso organismo – e tem funções opostas.

O SNA parassimpático é responsável pelo controle visceral do organismo em repouso, e o SNA simpático é responsável pelo estado de alerta, denominado reação de “luta/fuga”. Encarregado pelo aumento das demandas metabólicas, preparando o organismo para um determinado estado de estresse.

Ativação do SNA através do MAH

O Método Abdominal Hipopressivo busca a ativação do SNA simpático durante toda a prática aplicada ao aluno. Além da apneia expiratória, as posturas estáticas e dinâmicas adotadas durante as aulas serão primordial para manter o sistema ativo.

Acarretando, assim, na liberação da dopamina (DA), um neurotransmissor responsável pelo bem estar físico e mental, liberado durante a prática de atividades e exercícios físicos.

A dopamina é um neurotransmissor que desempenha importantes funções no organismo, liberada a partir de situações agradáveis ou exercícios físicos. Quando liberada desencadeia impulsos nervosos que levam a uma sensação de prazer e bem estar.

Conceito de Neurotransmissor

Um neurotransmissor é uma molécula sinalizadora do sistema nervoso central secretada pelas porções terminais dos neurônios, que desempenhará funções de inibição ou estimulação, de acordo com o seu receptor. 

A dopamina pertence à família de catecolaminas de neurotransmissores. Além da dopamina, essa família inclui a norepinefrina (noradrenalina) e a epinefrina (adrenalina).

As catecolaminas do SNC modulam a função da neurotransmissão de ponto a ponto e afetam processos complexos, como humor, atenção e emoção. A DA é sintetizada no citoplasma de um neurônio a partir da tirosina, um aminoácido neutro percursor de todas as catecolaminas.

Em seguida é transportada no interior das vesículas secretoras para armazenamento ou liberação.

Os efeitos da Dopamina no Sistema Nervoso

A DA desempenha uma série de funções no nosso organismo a partir da sinalização nos seus respectivos receptores. Esses receptores dopaminérgicos possuem funções metabotrópicas, que desencadeará um processo de sinalização intracelular, gerando assim um evento celular.

Possuímos inúmeros receptores dopaminérgicos presente em várias estruturas do nosso organismo, onde a dopamina irá sinalizar inibindo ou estimulando uma determinada ação celular.

Os receptores dopaminérgicos são divididos em dois grandes grupos, os receptores D1/D5 que estimulam uma determinada ação celular no tecido em questão, e os receptores D2/D3/D4 que atuam inibindo os eventos celulares.

Os neurônios dopaminérgicos em sua maioria originam-se em várias áreas do cérebro, e seguem por vias ou tratos diferentes. Podemos destacar três vias principais, a via nigroestriatal, maior trato de DA no cérebro.

Essa via projeta-se na parte costal da substância negra, e os neurônios dopaminérgicos da via nigroestriatal atuarão nos gânglios da base promovendo uma série de eventos para desencadear uma resposta motora fina.

Medialmente à substancia negra no mesencéfalo, temos a área tegmental ventral (ATV) ou via mesolímbica, um agrupamento de corpos celulares dopaminérgicos que possui conexão com o sistema límbico. Nessa via a sinalização dos efeitos da dopamina estarão envolvidas com outros neurotransmissores, principalmente a serotonina.

Esse trato desempenha um papel importante no sistema de comportamento motivado a recompensa, cognição, sensação de bem-estar, auto realização e na regulação do afeto. Temos ainda a via túbero-infundibular, localizada na região do hipotálamo.

A dopamina liberada nessa região regula a secreção da prolactina. E a área postrema, localizada no assoalho do quarto ventrículo, conhecida como um dos órgãos circunventriculares que atuam como quimiorreceptores sanguíneos. Os neurotransmissores liberados nessa área implicam no controle de náuseas e vômitos.

Relação da Dopamina com o Método Abdominal Hipopressivo

hipopressiva no tratamento de diástase abdominal

De um modo geral, quando praticamos o método abdominal hipopressivo, ativamos centros cerebrais que estimularão os nervos simpáticos para a liberação de seus neurotransmissores.

A noradrenalina, percursora da adrenalina, que irá preparar o corpo para as ações adotadas durante o método, e a dopamina, que atuará através da via mesolímbica, proporcionando assim sensações de bem estar e prazer durante e após a prática dos exercícios hipopressivos.

Logo no início da aula, o sistema nervo simpático já começa a ser ativado através da apneia expiratória e dos exercícios posturais, e aproximadamente após 28 minutos já teremos os efeitos da dopamina circulando por todo nosso organismo, desempenhando seu papel nos seus respectivos receptores.

Como na prática de uma atividade ou um exercício físico de baixa intensidade, no MAH, também é possível ativar a liberação dos efeitos da dopamina sem que aja a produção de resíduos metabólicos, ou seja, sem a produção do ácido lático, o grande causador das dores musculares, sintetizado a partir da queima da glicose sem a ação do oxigênio na prática de exercícios de alta intensidade.

Nos exercícios hipopressivos, a musculatura corporal será trabalhada através da isometria, nas posturas estáticas e nas posturas dinâmicas, com movimentos de baixa intensidade, adaptando-os às necessidades de cada aluno, buscando assim a melhora postural e em consequência melhora da função respiratória, sexual, sistêmica e metabólica.

Para cada aferência exteroceptiva nosso organismo recebe sete aferências interoceptivas relacionado as vísceras. Durante a prática do MAH, nós alteramos essas aferências internas, e mandamos essas informações ao nosso sistema nervoso central através do nervo vago, um nervo que percorre grande parte do nosso organismo, e que faz parte do sistema nervo autônomo parassimpático.

Uma vez ativo o sistema nervoso simpático, o nosso organismo buscará após algum tempo equilibrar as ações estimuladas por esse sistema, a partir da atuação do sistema nervoso parassimpático, que atuará normalizando as respostas de reação de luta e fuga.

Por isso, sentimos aquela sensação de realização, bem estar e relaxamento no decorrer e no final da aula, resultado ocasionada pela liberação dos neurotransmissores do sistema neurovegetativo simpático e parassimpático, equilibrando todo o nosso sistema corporal.

Um Método Abrangente

Como podemos ver, o conceito hipopressivo é muito mais do que uma simples técnica para gerar a tão famosa barriga negativa.

É um método abrangente, com exercícios hipopressivos capazes de normalizar as tensões dos músculos respiratório, promover o relaxamento simultâneo de grupos musculares antigravitacionais hipertônicos, buscando a estimulação do sistema neurovegetativo simpático, para a síntese de neurotransmissores e hormônios associados ao bem estar.

Além disso, estudos recentes vem demonstrando que, a prática de atividades e exercícios físicos aumentam a proliferação de neurônios, a síntese de fatores neurotróficos, glicogênese, sinaptogênese, regula sistemas de neurotransmissão e neuromodulação, além de reduzir a inflamação sistêmica.

Todavia, o MAH se torna um método de exercício abrangente, porque trabalha o aluno de uma forma global, atuando na parte física e sistêmica.

É um exercício de baixa intensidade que pode ser usado na forma de prevenção e reabilitação, porque trabalha no conceito de normalizar as pressões intracavitárias, promovendo assim um equilíbrio em todos os sistemas corporais, respiratório, músculo esquelético, visceral e sistema nervoso, gerando uma melhor qualidade de vida.

Conclusão

Atualmente compreendemos a saúde como um conjunto de ações, hábitos e condições que proporcionam o bem estar físico e mental do ser humano. Sabemos que a prática de atividades ou exercícios físicos são capazes de promover a síntese de neurotransmissores e hormônios capazes de desencadear reações de bem estar e prazer.

Os efeitos da dopamina gerados a partir da prática do Método Abdominal Hipopressivo, é livre de resíduos metabólicos e atua diretamente na via mesolímbica, desencadeando inúmeros benefícios ao organismo, regulando ações relacionada ao humor, memória, atenção, prazer, recompensa e bem estar. Praticar o MAH é gerar uma melhor qualidade de vida!

Bibliografia
FERREIRA, V. C; GOIS, S.R; GOMES, L,P; BRITTO, A; AFRANIO, B; DANTAS, M. H. E. Nascidos para correr: A importância do exercício para a saúde o cérebro. Aracaju-SE, 2017.
STANDAERT, G. D; GALANTER, M.J. Princípios de Farmacologia: Farmacologia da neurotransmissão dopaminérgica. 3ª edição:  Guanabara Koogan LTDA, 2018.
Osteopatia Pediátrica: Saiba mais sobre essa especialidade

Osteopatia Pediátrica: Saiba mais sobre essa especialidade

Nos países da Europa, o Osteopata é um dos primeiros profissionais pelo qual um bebê é visto depois de nascer, já no próprio hospital.

Aqui no Brasil, a Osteopatia é uma especialização do profissional de Fisioterapia que vem ganhando cada vez mais credibilidade.

Tornando-se a primeira opção de busca para recuperar lesões e resolver questões de dores. Osteopatas também são procurados para prevenir recidivas ou novos desconfortos.

Com filosofia própria, baseada na anatomia, biomecânica e fisiologia do corpo humano, de maneira extremamente natural. Auxiliando o corpo no processo de cura. Assim, favorecendo a harmonia de suas funções.

Neste artigo você irá encontrar:

  • Osteopatia Pediátrica preventiva;
  • Detalhes do parto são fundamentais;
  • Complicações da má formação do crânio;
  • Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças.

Que tal aprender mais sobre? Continue lendo!

Osteopatia Pediátrica preventiva

No que diz respeito aos bebês, a Osteopatia Pediátrica pode atuar de maneira preventiva também. É possível realizar ajustes e estímulos para favorecer maior equilíbrio nas funções do organismo de um serzinho que acabou de sair do útero de sua mãe. Antes mesmo de algum problema surgir.

Mas qual tipo de ajuste estou falando? O que pode alterar em um bebê enquanto ele está todo protegido pela placenta e todo líquido lá dentro do útero da mãe?

Fica mais fácil de entender que as estruturas do bebê precisam se ajustar antes mesmo de nascer, quando pensamos em espaço. Sim, o espaço na barriga da mãe vai ficando cada vez menor.

O bebê cresce há cada dia e vai se posicionando para nascer. Mas até isso acontecer, ele vai ficando cada vez mais próximo das estruturas ósseas da pelve da mãe, que podem oferecer certa resistência às estruturas do corpo do bebê.

Também é possível que algumas adaptações e tensões da pelve da mãe, favoreça determinado posicionamento do bebê. Fazendo com que ele fique virado mais para um lado que para o outro, fique sentado, transverso, entre outras posições.

Detalhes do parto são fundamentais

O momento do parto, a forma como o bebê nasceu – se foi um parto normal, se foi cesariana -, se foi necessário ou não o uso de instrumentos como o fórceps, ventosas, tudo isso vai influenciar diretamente o bebê.

Mas como?

Vamos pensar em uma bexiga cheia de água. Onde a apoiamos, ela se molda à superfície. A cabeça do bebê funciona de maneira parecida. Não instantaneamente como ocorre com a bexiga, é claro, mas as pressões realizadas no crânio de um bebê são capazes de moldá-lo.

Então podemos pensar que já ainda dentro do útero da mãe pode ter existido um posicionamento que favoreceu uma pressão em determinada região do crânio.

Somado ao momento do parto e também ao posicionamento que a criança fica ao longo do dia, diferentes tensões podem se instalar e favorecer uma disfunção.

Que tipo de disfunção?

As Plagiocefalias, por exemplo,  podem ter sua origem em algum desses momentos descritos acima. A Plagiocefalia nada mais é do que aquela cabeça amassadinha, não simétrica.

Muitas vezes é possível observar essa alteração através do posicionamento das orelhas, altura dos olhos, orifícios do nariz. E ao medirmos o crânio do bebê, é possível realmente identificar a alteração na forma do crânio.

Mas se o espaço fica pequeno para todos os bebês, então todos vão nascer com essas alterações? Não!

Temos que lembrar que cada organismo é único e responde de determinada maneira à diferentes estímulos. Então não existem regras e sim possibilidades.

Complicações da má formação do crânio

E aí vamos lembrar que dentro do crânio, passando através dos forames (orifícios dos ossos) encontramos 12 pares de nervos. Cada um com sua função específica e qualquer tensão persistente exercida nos ossos cranianos, podem alterar a qualidade das informações que chegam aos nervos e que são enviadas por eles.

Um exemplo disso é o que pode ocorrer em casos de cólicas e refluxos, por exemplo.

Um dos nervos responsáveis pela função gástrica do nosso corpo, é o nervo Vago, o décimo par de nervo craniano. Ele passa por uma estrutura chamada Forame Jugular que fica localizado entre o osso temporal (osso atrás da nossa orelha) e o osso occiptal (osso da base da nossa cabeça).

Logo, as tensões realizadas no crânio que gerem uma adaptação dos ossos temporais e occiptal, podem afetar a tensão das membranas que recobrem o Forame jugular e consequentemente o funcionamento do nervo Vago.

É importante lembrar que o bebê não deve ficar por muito tempo em uma mesma posição. Isso principalmente na fase em que ele ainda não se vira sozinho, não senta, não muda de posições sozinho.

Lembrando que quanto mais tempo ele sofrer pressão em um determinado ponto do seu crânio, maiores são as chances do crânio alterar suas tensões e forma.

Essas alterações das quais estou falando, não necessariamente são as alterações no formato do crânio do bebê. Muitas vezes o bebê não tem a cabeça mais amassadinha mas apresenta refluxo, por exemplo.

Como saber se há alterações?

É através da palpação que podemos identificar se há ou não disfunção de tensões e mobilidade, instaladas nas estruturas tanto do crânio ou da coluna, quanto todo o restante do corpo do bebê ou da criança.

Uma vez identificada a disfunção, corrigimos através de técnicas extremamente sutis, afinal de contas a estrutura que estamos trabalhando é pequena, mais frágil e também não totalmente desenvolvida. Bastante diferente das estruturas do corpo de um adulto.

Assim como o toque é bastante sutil, costuma ser bastante rápida a correção, pois as adaptações não estão instaladas há tanto tempo, como em um adulto.

Sinais e sintomas que a Osteopatia Pediátrica pode ajudar os bebês e crianças

Refluxo, cólicas, vômitos, irritabilidade, distúrbios de sono, dificuldade para mamar… São alguns problemas que podemos ajudar através do tratamento osteopático.

É possível e bastante comum, realizarmos um trabalho em conjunto com outros profissionais, como os Fonoaudiólogos, consultores de aleitamento.

Tanto nas alterações para mamar (preferência por uma mama, machucar a mama da mãe, dificuldade para sugar, deglutir, entre outros) quanto na fala, é comum buscar um tratamento com um fonoaudiólogo.

E a Osteopatia Pediátrica pode auxiliar bastante, equilibrando as estruturas, proporcionando assim, melhores condições para que outros trabalhos e estímulos sejam realizados.

Em estudo realizado com 59 bebês de até um ano de idade, foi comparado o tratamento medicamentoso associado à Osteopatia com o tratamento exclusivamente medicamentoso.

Foi possível observar que em um mês, 33 bebês tratados com Osteopatia Pediátrica, saíram do diagnóstico de Refluxo, enquanto os outros 26 tratados exclusivamente com medicamentos, continuaram com o mesmo problema.

Além disso foi possível observar também, que sintomas como tosse, soluço, choro por azia e cólica, melhoraram significativamente no grupo que recebeu atendimento de Osteopatia Pediátrica. A cólica piorou e a tosse continuou igual no grupo que só usou medicamentos (GEMELLI e col., 2014).

Conclusão

Tratar um bebê ou uma criança, não é como tratar um mini adulto! As técnicas são bastante diferentes pois a estrutura é muito diferente. Então procure sempre um profissional com uma boa formação.

Nosso organismo é magnífico! Confie nele!


Este artigo foi escrito por: Laís Mori Sério

Fisioterapeuta Osteopata
CREFITO 124205-F