Biotensegridade X Postura X Estresse Bio-Psico-Social

Biotensegridade X Postura X Estresse Bio-Psico-Social

A Biotensegridade é a tensão dinâmica do tecido conjuntivo, e neste artigo entenderemos como é feito esse complexo controle.

O tônus miofascial de repouso é o somatório das forças ativas (músculos) mais as forcas passivas (tecido fascial), que geram uma pré-tensão no corpo para manter a postura.

A estabilidade passiva de qualquer articulação, portanto, depende do tecido peri-articular, que corresponde em pelo menos 70% da manutenção da postura estática (sistema fascial).

Quando temos um sistema de estabilização passivo articular, temos a enorme vantagem de economizar energia durante a estática – que na verdade, não é estática, pois está em constante remodelagem.

Como se dá esse controle postural passivo?

Esse controle é mantido via intercelular.

O tecido conjuntivo é composto por células e uma matriz extracelular, que estarão presentes em todos tecidos corporais.

O que mantém esta tensão e a manutenção da Biotensegridade é a dinâmica dos fluidos (linfático, arterial e venoso).

Essas células estarão divididas entre: células fixas e células moveis.

As células móveis têm capacidade de permear por todo tecido conjuntivo.

Estes líquidos da matriz extracelular (MEC) seguem para todo o corpo, são as células do sistema imunológico.

Havendo um bom fluxo da matriz extracelular, em especial os líquidos do tecido linfático e do tecido conjuntivo, temos uma boa chegada das células de defesa do corpo. 

As células fixas são as especificas para o tecido que participam, por exemplo, no tecido ósseo teremos: osteoblastos, osteócitos, osteoclastos, e por conseguinte.

Biotensegridade: Matriz Extracelular (MEC)

Já na matriz extracelular (MEC) encontraremos água, substância fundamental amorfa, ácido hialurônico (glicosaminoglicano não sulfatado), proteoglicano e glicosaminoglicano.

O ácido hialurônico tem fundamental importância para o bom funcionamento do sistema fascial, pois tem como propriedade atrair água para o tecido.

Porém, quando ocorre a aglomeração de muitas moléculas de ácido hialurônico, formar-se-á uma macromolécula, e por consequência, a diminuição dos fluidos e de toda tensão do sistema.

À esse fenômeno químico é dado o nome de densificação fascial.

Método Stecco

Segundo Stecco e colaboradores, uma densificação deve ser dissipada, de forma a criar-se um processo inflamatório local, quebrando, assim, as grandes moléculas de ácido hialurônico, melhorando a transmissão de tensão da matriz extracelular. 

O Creeping é o nome dado a manobra realizada no Método Stecco, a fim de aumentar a temperatura local, gerando assim, Tixotropina para na matriz extracelular quebrar as grandes moléculas.   

O papel do Colágeno

Na matriz extracelular, temos ainda proteínas estruturais: colágeno (em maior abundância), reticulina e elastina.

Quem remodela o colágeno no corpo é o movimento. A célula que produz o colágeno são os fibroblastos.

O colágeno tem uma vida útil de, em média, 300 dias no corpo.

Ele é a proteína mais importante do corpo, representa 60% a 70% da massa total do tecido conjuntivo, cerca de 25% a 30% de massa total de proteínas dos mamíferos, e são remodelados, produzidos ou destruídos, através de tensão, gerada pelo movimento.

O colágeno se dispõe na matriz extracelular de forma ondulada (Crimps Forms) e 30% das fibras se renovam com 6 meses, enquanto 75% das fibras são renovadas integralmente em 2 anos.

Temos uma célula proteica, no meio extracelular, onde também está o colágeno.

Na membrana celular, esta proteína recebe o nome de Integrina, que tem por função captar a tensão do meio extra celular, que informará aos fibroblastos, miofibroblastos e as células de musculatura lisa (todas essas células com poder de contração), que estão  soltos na matriz extra celular.

Essa tensão tem por função contrair e tencionar o colágeno, quando a Integrina recebe o estimulo de  aumentar a tensão, que pode ser através do movimento ou do stress bio-psico-social, ela abre a membrana celular, avida por cálcio permitindo que o mesmo entre na célula.

Através deste mecanismo chamado de mecanotransdução, é que a tensão mecânica altera o componente químico

Por conta dos miofilamenos contrateis existentes dentro da própria célula, esta tensão será transferida ao núcleo celular, que permite que o DNA produza tudo que o meio extracelular precisa.

Uma vez alterada a tensão extracelular, tensão passiva de repouso (tônus miosfascial), altera-se a tensão que chega dentro do núcleo, alterando toda a programação do DNA da célula.

A esta nova ciência deu-se o nome de epigenética.

Alterações comportamentais, psíquicas, ou do sistema de movimento, serão capazes de alterar as formas das tensões do corpo que vão modificar a tensão que chega ao núcleo celular, remodelando todo o meu sistema.

Como essas alterações Bio-Pisco-Sociais ou do Movimento agem no Sistema Fascial?

Através de dois mecanismos distintos.

O sistema nervoso autônomo controla as células de musculatura lisa no tecido conjuntivo de forma involuntária, o controle das três camadas musculares arteriais (veias, vasos linfáticos, capilares).

É gerido pela inervação simpática, ou seja, o tecido fascial possui grande influência da simpaticotonia, tanto pela musculatura lisa quanto pelo sistema vascular.

Isso alterará toda a remodelagem fascial, deixando o sistema fascial, em alerta.

Em análises de fotomicroscopia da fáscia toracolombar, foram encontradas fibras simpáticas, que influenciam na função da fáscia toracolombar, independente do tônus músculo esquelético.

Isso mesmo, sem contração dos músculos lombares, pois estes encontravam-se sem estado eletromiográfico.

No entanto, a fáscia toracolombar encontrava-se em tensão, por uma ativação do sistema nervoso simpático.

O que nos deixa muito claro aqui que a fáscia é independente do músculo.

Fibras simpáticas, também modulam as tensões das fáscias, através da vasomotricidade do controle vascular, alterando as tensões dos fluxos e líquidos.

No estresse emocional, esse controle se faz pelos receptores simpáticos que ficam na matriz.

Sistema de Movimento

Já no sistema de movimento, temos quatro fatores principais que influenciam no controle da biotensegridade (tensão dinâmica do tecido conjuntivo).

Este controle é dado pelo fator de crescimento TGF Beta 1, presente na matriz extracelular, produzido pelos mesmos fibroblastos, porém agora, durante os movimentos.

O fator de crescimento é uma substância química que aumenta o poder de contração dos fibroblastos.

Ou seja, o fibroblasto produz o fator de crescimento TGF Beta 1, segundo a demanda do sistema de movimento, que agirá sobre os mesmos fibroblastos, aumentando a tensão nas fibras de colágeno, remodelando assim, o sistema fascial de maneira saudável.

Conclusão

Diante do exposto, a ciência vem nos ditando que o movimento faz parte da cura, e não pode ser mais negligenciado, seja nas disfunções bio-psico-sociais, ou ainda nas disfunções mecânicas, alias a falta de movimento será o agente produtor das disfunções.

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E não se esqueça de comentar aqui o que achou do post, combinado?

Iliopsoas: anatomia, biomecânica e o Pilates

Iliopsoas: anatomia, biomecânica e o Pilates

Neste artigo vamos discutir a intrigante mecânica do iliopsoas, seus esquemas de compensações mais comuns, e nossos principais equívocos durante a pratica do Pilates ligados a esse apaixonante músculo.

Onde fica o músculo iliopsoas? Entendendo a Anatomia…

O músculo iliopsoas se divide em três importantes porções:

Músculo Ilíaco

É um músculo plano e triangular que está situado na fossa ilíaca e é recoberto parcialmente pelo músculo psoas.

Este músculo origina-se na fossa ilíaca e na espinha ilíaca ântero-inferior, e em seu direcionamento de fibras segue paralelo ao psoas maior, para baixo e para frente, na altura da articulação coxo femoral.

Transmuta sua direção, dirigindo-se obliquamente para baixo, para fora e para trás, para se inserir no trocanter menor e na linha áspera, realizando assim, em sua ação a flexão do quadril e rotação lateral da coxa

Músculo Psoas

Um músculo volumoso e fusiforme.

Está situado ao lado da coluna lombar e na face posterior da cavidade abdominal.

É composto por duas porções, que também podem ser consideradas como músculos individuais.

A maior porção recebe o nome de Psoas Maior, que tem por origem os corpos vertebrais de T12 á L4 e processos costais de L1 á L4.

O trajeto de seus feixes musculares segue para baixo, para fora e para a frente, já o seu tendão curva-se na região anterior da articulação coxofemoral e dirige-se para baixo, para fora e para trás para inserir-se no trocanter menor.

Em sua ação, realiza a flexão e extensão da coluna lombar; flexão e rotação lateral da coxa.

Psoas Menor

A menor porção do psoas recebe o nome de Psoas Menor.

Esta porção menor geralmente está ausente, não sabemos exatamente o porquê.

Biomecânica

Apesar da literatura anatômica classificar o iliopsoas como um potente flexor e adutor do quadril, quero aqui discutir algumas questões únicas e pitorescas desse complexo músculo.

Segundo Philip J. Raschi, o mesmo pode ter uma ação paradoxal.

O paradoxo discutido e a inversão da função do músculo iliopsoas, quando em exercícios abdominais com os membros inferiores estendidos e elevados, as vértebras lombares são tracionadas para frente e para baixo pela contração do psoas.

Porém, se os músculos do abdômen estiverem fortes, eles evitarão a inclinação anterior da pelve.

Sendo assim, as vértebras lombares não serão hiperestendidas.

O mesmo acontecerá quando realizamos um exercício abdominal com os joelhos flexionados e os pés apoiados ao solo: o braço de alavanca do músculo iliopsoas estará bruscamente diminuído.

Para entendermos a ação paradoxal do iliopsoas, faremos uma breve, mas fundamental, revisão anatômica.

Anatomia do Iliopsoas

O músculo iliopsoas tem um formato em leque com suas origens distantes.

Isto nos diz que sua formação tem, por função, direcionar as forças do músculo iliopsoas em seu tendão, fazendo do quadril seu ponto fixo.

Essa disposição é importantíssima para diminuir a forca de contração desse potente músculo em sua origem, na região lombar.

Segundo Vladimir Janda, cadeista polonês descreveu a Síndrome Cruzada Inferior, o aumento da lordose lombar pode ser ativada através de uma inclinação da pelve anteriormente.

Isso ocorre por um desequilíbrio muscular, onde os músculos abdominais e glúteo máximo estarão fracos, em conjunto, com o encurtamento ou aumento de tensão dos músculos extensores lombares e flexores do quadril.

A esse conjunto de alterações mecânicas, Key, em 2008, deu o nome de Síndrome Pélvica Cruzada Posterior (SPCP).

Ou seja, os flexores do quadril estarão: hiperativos, encurtados ou em tensão excessiva; juntamente com o aumento de atividade, encurtamento ou tensão excessiva dos extensores do quadril.

No caso de um apagamento da curvatura lombar, a pelve estará inclinada posteriormente, retificando, portanto, a coluna lombar.

Será gerada por um padrão muscular em oposição onde: os músculos abdominais e glúteo máximo estarão hiperativados, encurtados, ou ainda, em tensão excessiva, em concomitância com a fraqueza ou hipoativacão dos músculos extensores lombares e flexores de quadril, Síndrome Pélvica Cruzada Anterior (SPCA).

Essas alterações mecânicas gerarão desequilíbrios em L4-L5 e L5-S1, além de alterações na sacro ilíaca.

Por isso, sempre oriento meus alunos de formação que, uma vez diante de uma dor lombar, a pelve deverá ser a primeira a ser investigada.

Qual a principal função do iliopsoas?

Na teoria de Leopold Busquet, a ação principal do iliopsoas é a de realizar a cifose lombar.

Isso porque, em cifose lombar, as vértebras lombares formam um arco romano.

Quanto mais a tensão sobre as vértebras forem maiores, mais essa tensão muscular do iliopsoas estará aumentada, alimentando essa tensão.

Dessa forma, aproximará as origens do iliopsoas, igualando o comprimento de suas fibras musculares e aumentando sua forca de contração.

Como ele é um flexor da articulação do quadril, faz parte da cadeia muscular de flexão do tronco (retos abdominais).

Portanto, funcionando em conjunto, a cadeia de flexão do troco será um cifosante lombar.

Essa combinação mecânica será complementada pelas cadeias musculares cruzadas posteriores, já que não podemos esquecer da função também rotatória do músculo iliopsoas.

O músculo grande dorsal também é muito interessante, e realizada de forma oposta, pois pode anular a forte tração em rotação realizada pelo músculo iliopsoas.

Esse padrão muscular conjunto potencializará a estabilidade do tronco, prevenindo lesões na coluna lombar na dinâmica.

A importância do iliopsoas na marcha

Durante o ciclo da marcha, o músculo iliopsoas tem a função de desacelerar a extensão do quadril, atenuando o impacto na fase de balanço da marcha.

Porém, em contrapartida, aumenta a tensão da panturrilha do lado homolateral.

Isso porque os músculos da panturrilha, com esse aumento de tensão, reduz a dorsiflexão do tornozelo, pois, uma vez tenso, o iliopsoas não permitirá uma extensão efetiva do quadril.

Por isso, encurta assim os músculos da panturrilha, alterando a fase de apoio da marcha e o contato de pé ao solo.

A tensão do iliopsoas durante a marcha diminuirá a dissociação das cinturas, reduzindo a rotação do tronco para o lado oposto.

Isso irá gerar tensões, que alimentarão a cadeia muscular cruzada de flexão do tronco do lado em que a rotação gerada na dissociação das cinturas estiver limitada.

Durante a marcha, o iliopsoas tem ainda a função de diminuir a rotação interna do fêmur na fase de apoio.

A relação do iliopsoas com o tronco

Basta analisarmos as origens do iliopsoas para entendermos que sua conexão com o tronco e clara, tem pilares saindo de T12 até L4.

Por seu torque de forca ser muito potente, o músculo iliopsoas pode estender a coluna, podendo gerar padrões disfuncionais e dores lombares.

Porém, devo aqui lembrar que o iliopsoas em excesso de tensão também poderá flexionar a coluna lombar, de acordo com a cadeia muscular que estará em solidariedade de transmissão de contração tensional.

Além desse fator, o iliopsoas em tensão distal e unilateral, também realizará a inclinação da coluna lombar e elevar a asa ilíaca no lado tenso, atuando em solidariedade com os músculos ilíacos, quadrado lombar, ilíaco, obturadores, grande dorsal e diafragma.

Pode ser o músculo chave para o desencadeamento de uma escoliose de origem ascendente.

Como vimos, mecanicamente o músculo iliopsoas é um músculo ainda intrigante, e sempre tópico de muitas discussões.

Pilates e o iliopsoas

The Hundred

O Hundred é muito utilizado no início da aula de Pilates para aquecimento.

Nele, o aluno/paciente fica em decúbito dorsal, e começa a realizar o enrolamento da cabeça.

Os supra e infra hioideos flexionam a cabeça, sendo que até 35 graus o movimento é puro da cabeça.

Só acima de 35 graus é que se começa o enrolamento da coluna cervical, (cuidado com o auto crescimento).

Esse movimento de flexão da cabeça pode ser auxiliado pelo: ECOM (muita atenção, para a sua vocação rotatória) e Escalenos de forma excepcional, pois sua vocação é respiratória.

O enrolamento segue vértebra por vértebra, até o apoio da coluna estar sobre a borda superior das escápulas.

Caso seu aluno possua frouxidão ligamentar: nos cotovelos, solicitamos o acionamento do conjunto bíceps/tríceps para não sobrecarregar as articulações epicondilianas.

Esses movimentos devem ser realizados concomitantemente com a flexão do MMII.

Promovendo 90 graus de flexão de joelhos ativos até 90 graus, movimento realizado pelos isquiotibiais e flexão de quadril, que será imposto pelo nível do aluno:

Quanto menos graus de flexão de quadril, mais difícil o exercício se torna pela ação do Psoas, tracionando os discos intervertebrais anteriormente, tirando a pelve da posição neutra ideal.

O aluno deve saber seu nível de dificuldade para o trabalho do abdômen inferior e, com o quadríceps, realiza a extensão dos joelhos.

Eu solicito essa extensão com os pés Pilates em V position, para anular a forca dos adutores e a linha adutora do Psoas.

Caso o paciente possua o valgismo dinâmico, solicito a correção que será dada pelo sartório, por sua linha de tração.

Assim como no cotovelo, solicito a contração da dupla: quadríceps e isquiotibiais.

No caso de hiperextensão dos joelhos, já mandando a informação aferente para o Sistema Nervoso Central do posicionamento correto das articulações citadas.

Solicito, ainda, o afastamento das costelas inferiores das asas ilíacas, promovendo um alongamento excêntrico dos quadrados lombares e dos multifideos.

Nos ombros, solicitamos 90 graus de flexão dos MMSS.

Só assim, estaremos na posição inicial do exercício.

Começamos, então, com a ativação da cintura escapular de seu aluno. Ele deve realizar e flexão e extensão dos ombros.

Para a flexão, o Deltoide em sua parte clavicular e o córaco até aproximadamente 60 graus.

Depois disso, ele perde sua ação, devido a seu posicionamento anatômico.

Para a extensão, estarão contraídos o Deltoide parte espinhal, grande Dorsal, Redondo maior, cabeça longa do bíceps e peitoral maior.

Em sua porção ligamentar e muscular, por ser um exercício puro de cadeia de flexão, todos os ligamentos da cadeia de extensão estarão sob tensão.

Observações Mecânicas do Hundred

Costumo brincar nos meus cursos que no dia que o Psoas mandar em você, estará morto.

Portanto, evitemos ao máximo a tração da pelve anteriormente que pode ser efetuada pelo Psoas, ou eleve as duas pernas para diminuir a incidência da forca gravitacional sobre as pernas, facilitando o exercício.

Muitas dúvidas ainda surgem durante a respiração a ser realizada durante o exercício.

Cada ciclo inspiratório corresponde a 5 batidas vigorosas dos braços e, para cada ciclo expiratório, mais 5 batidas de braços.

Com essa respiração peculiar, Joseph acreditava poder ajudar bastante indivíduos com problemas respiratórios. 

Swan Dive

O Swan Dive é um exercício que trabalha muito a cadeia extensora de tronco e também os extensores de quadril.

É um exercício desafiador, requer alta capacidade de mobilização da coluna vertebral, a fim de reduzir ou anular a tensão da região lombar, alongando assim o músculo iliopsoas.

É muito importante construir o movimento fundamental de extensão do tronco* (veremos a seguir), não fazendo a hiperextensao a partir da lombar.

  1. Posição inicial: Decúbito ventral, mãos a frente, paralelas, próximas à cabeça, apoiando-se nos antebraços, portanto cotovelo flexionado.

    A pernas repousam no chão unidas, ativando adutores, com os pés em posição de flexão plantar.

    Imaginemos alguém puxando, tracionado as pernas para longe do quadril.
  2. Para ativar a extensão do tronco, comece com movimento pequeno pela cervical e, ao ativar pela torácica, imagine como se o peito fosse se abrir para o chão. Como se fossem faróis iluminando abaixo e mais ao longe.

    Desta forma, estará trabalhando a mobilidade e extensão torácica adequada*.

    Neste momento, estará subindo o tronco, esticando os cotovelos, apoiando-se pelas mãos.
  3. Solte os braços a frente, fazendo um movimento de balanceio a frente com o corpo. Acione os glúteos para tirar as pernas do chão numa extensão de quadril.
  4. Balanceie o corpo então para frente e para trás, buscando fluidez.

Dicas para o Swan Dive:

Como é um exercício que trabalha toda cadeia extensora, se faz necessário antes da execução deste, flexibilizar a coluna num movimento anterior de tronco.

Isso dará muito mais fluidez e melhor construção e execução do Swan Dive.

Pode ser utilizada uma bola ou no bozu, por exemplo, posicionamento o aluno sobre o acessório em decúbito dorsal, flexibilizando toda região anterior de tronco.

Essa pratica serve para todos, sobretudo para aqueles alunos que sentem muito medo de qualquer exercício de extensão, têm medo de travar como em outra ocasião.

Flexibilizando a coluna, relaxamos toda a cadeia anterior de tronco, possibilitando um movimento mais livre de tensões.

Uma ressalva: precisamos mostrar aos alunos que temem a extensão de tronco que, a falta de movimento se cura com movimento.

Músculos que participam do Swan Dive:

  • Eretores da espinha (espinhal, longuíssimo, ilioscostal), semiespinhal e multífidos enquanto extensores da coluna.
  • Glúteo Maximo, isquiotibiais enquanto extensores de quadril.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador do tronco.
  • Gastrocnemio e soleo enquanto flexores plantares.
  • Tríceps braquial, fibras anteriores de deltoide enquanto extensores de ombro.

Neck Pull

Neck-Pull iliopsoas

Este exercício nos auxilia bastante a nível diagnóstico.

Ao observarmos o movimento em seu percurso, podemos notar onde há mais fraqueza muscular e diminuição de mobilidade em determinado segmento também.

  1. Posição inicial: Decúbito dorsal, pernas estendidas ao chão, unidas, ativando os adutores, pés em dorsiflexão. Mãos entrelaçadas atrás da cabeça estando os cotovelos flexionados e abduzidos.
  2. Comece afundando o osso esterno a fim de criar mobilidade na região torácica, e suba enrolando o tronco numa flexão de coluna que deverá partir da cabeça.
  3. Continue enrolando até que esteja em uma posição sentada, porém com a parte superior do tronco arredondada para frente em direção aos pés.
  4. Atente-se para que toda a coluna esteja num perfeito “C”, respeitando o movimento fundamental do tronco.

    Imagine que, sob suas costelas, exista uma barra e seu tronco superior deva enrolar-se no movimento final desta flexão, porém passando por cima desta barra
  5. Inspire, expire e comece a retornar o tronco como se fosse em posicionamento de sentar-se, porém novamente respeitando as curvas fisiológicas da coluna em suas lordoses e cifoses.

    Ainda aqui, afaste suas costelas das cristas ilíacas, crescendo seu corpo dessa forma e não pelo sistema antigravitacional onde ao crescer pela cervical, estará de certa forma bloqueando as cadeias cruzadas.
  6. Vá retornando ao solo, mobilizando vértebra a vértebra sem retroverter a pelve.

Dicas para o Neck Pull:

Ao flexionar a coluna subindo para sentar-se e seguir em direção ao enrolamento sobre as pernas, concentre-se nos músculos abdominais, além de focar no afundamento das costelas, maximizando assim a flexão da coluna vertebral ao enrolar-se, mantendo uma curvatura em “C”.

Isso impede que a região lombar se achate ou arqueie-se como num movimento de hiperestender neste momento, tendo maior ativação dos flexores do quadril.

Assim, não deixamos, por exemplo, o músculo psoas comandar o movimento.

Se fechar os cotovelos a frente ao enrolar-se para subir, estará minimizando a ação dos abdominais.

Portanto, tente manter os cotovelos abertos com as mãos atrás da cabeça.

Ao retornar e estar numa posição sentada, verifique se há retificação da coluna, a nível torácico.

Inspire jogando o ar para os pulmões atrás, pensando em cifosar a coluna, porém não enrolando os ombros, curvando o tronco a frente.

Este comando é algo sutil, porém com muita ênfase, ao expirar afunde bem o osso esterno.

Ainda pode-se organizar a cintura escapular de forma a ativar o serratil anterior, fazendo um sutil movimento lembrando o da cifose.

Caso encontre uma hipercifose torácica, a inspiração já se dará na frente, no peito, e a organização da cintura escapular será a de encaixar as escapulas (ativando romboides e depressores da escapula) como se quisesse guardá-las no bolso de trás da calça.

Músculos que participam:

  • Reto do abdômen, oblíquo externo e oblíquo interno enquanto flexores da coluna.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador da coluna.
  • Eretores da espinha enquanto extensores da coluna.
  • Iliopsoas e reto femoral enquanto flexores de quadril.
  • Tibial anterior enquanto dorsiflexor de tornozelo.

Hip Circles

Exercício muito potente para flexores de quadril, muito desafiador pois requer uma estabilização rotacional complexa.

Trabalha flexibilização dinâmica de isquiotibiais e flexores de quadril, é um exercício bem avançado.

  1. Posição inicial: Sentado apoiado para trás dobre os ísquios, com os braços atrás do tronco, cotovelos esticados e a palma das mãos espalmada com rotação externa, apoiando então os dedos para trás.

    Joelhos flexionados com os pés no chão.

    Verifique se não está caindo o corpo sobre os ombros. Imagine-se empurrado o chão com os cotovelos e abrindo o peito a frente, mantendo costelas fechadas.

    Mantenha seu tronco o mais afastado do chão o possível.
  2. Inspire e, ao expirar, leve uma perna estendida, com os joelhos estendidos e flexão de quadril. Repita com a outra perna, mantendo então um posicionamento em “V”.
  3. Ao expirar, leve as duas pernas ativas e unidas contornando um semicírculo no ar, descendo-as e chegando a posição central da pelve.

    Volte as pernas, subindo-as neste semicírculo até o centro da pelve.

    Repita a descida para o outro lado. Estabilizando o tronco e a pelve.

Dicas para o Hip Circle:

Como este é um exercício muito avançado, pode ser realizado de forma adaptada:

Ao invés de estar com cotovelos esticados, mãos para trás, manter os cotovelos flexionados, apoiando-se então sobre os cotovelos e as mãos e antebraços ao lado do corpo.

Se tiver algum cisto ou dor/limitação que impeça rotação externa de braço com mãos apoiadas e dedos apontados para trás, pode-se então manter o apoio sobre rotação interna de braço.

Atente-se para fazer círculos menores, a fim de estabilizar o tronco e não inclinar a pelve anteriormente.

A cada círculo, realize uma forca de afastamento das pernas do centro do corpo, afim de abrir os flexores do quadril.

Músculos que participam:

  • Reto do abdômen, oblíquo interno e oblíquo externo do abdômen enquanto flexores e rotadores anterior da coluna vertebral.
  • Iliopsoas, sartório, tensor da fáscia lata, reto femoral e pectíneo enquanto flexores do quadril.
  • Transverso do abdômen enquanto estabilizador de tronco.
  • Adutor magno, adutor longo, adutor curto e grácil enquanto adutores de quadril.
  • Quadríceps femoral enquanto extensor de joelho.
  • Gastrocnêmio e soleo enquanto flexores de tornozelo.
  • Grande dorsal, redondo maior, parte média de deltoide enquanto extensores de ombro.
  • Trapézio, serrátil anterior em suas fibras inferiores enquanto depressores da escapula.
  • Tríceps braquial enquanto extensor de cotovelo.

Conclusão

Como vimos, a função do psoas ainda e muito questionada, já que o músculo iliopsoas pode alterar padrões funcionais de movimento, o tornando muito complexo.

Porém, uma dica que vale para todos instrutores de Pilates é que, de maneira alguma podemos, permitir que os flexores de quadril trabalhem em tensão.

O afastamento da cabeça do fêmur, levando os pés ao longe, é comando obrigatório nos exercícios em que os membros inferiores são retirados em conjunto do solo.

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