Sabia que alguns pequenos erros na avaliação postural acabam com todo seu tratamento?

Mesmo em patologias simples, os desequilíbrios e problemas envolvidos podem ir muito além do que imaginamos. De nada adianta aplicar exercícios que acabam ignorando a verdadeira origem do problema.

Então, vamos aprender 4 erros na avaliação postural que podem arruinar seu tratamento e começar a evitá-los.

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1. Não Avaliar a Pelve

A pelve é uma importante distribuidora de forças no corpo. É nela que se anulam e distribuem as forças solo e peso normal. Quando existem patologias ou desequilíbrios que afetam suas funções, o corpo gera importantes desvios posturais.

Portanto, é impossível realmente avaliarmos o corpo sem nos atentarmos à pelve. Ela pode estar envolvidas em dores, patologias da região lombar e até desvios de membros inferiores. Não esqueça disso!

2. Fazer só a Avaliação Estática

Segundo dos erros na avaliação postural: Você entrevistou seu aluno, colocou ele em algumas posições estáticas e parou por aí? Desculpe, mas essa avaliação está extremamente incompleta. Como já mencionei em outro artigo, existem problemas sérios com o uso exclusivo da avaliação estática.

Ela não é fidedigna e não nos dá uma visão global do corpo do aluno. Precisamos entender que o equilíbrio estático só existe a partir de um desequilíbrio anterior.

Quando existe uma perturbação na base de sustentação, o corpo realiza um movimento oscilatório para voltar à posição correta. Portanto, percebemos que a estática não existe como imaginamos

Um corpo na estática, na verdade está realizando uma série de pequenos movimentos para manter-se parado. Estamos sujeitos a todo momento à força gravitacional e precisamos nos adaptar a ela.

Isso quer dizer que posso abrir mão da avaliação estática? Não, mas deve estar ciente que ela é enganosa. Muitas características que encontramos na suposta estática na verdade estão lá para equilibrar o movimento.

Para ter resultados mais completos é preciso avaliar o corpo tanto na estática quando na avaliação dinâmica. Durante essa avaliação preciso anotar todas as alterações corporais observadas.

Mais tarde faremos comparações entre tais alterações e a avaliação dinâmica. Elas serão peças de um quebra cabeças que nos ajuda a entender a condição do aluno.

3. Só Avaliar Durante os Exercícios

Assim que o aluno entra no seu espaço, ele precisa estar sob avaliação. Quando falarmos para ele “preciso fazer uma rápida avaliação física com você” seu corpo vai mudar imediatamente. Avaliação é uma palavra um pouco negativa para a maioria dos pacientes.

Ela passa a ideia de prova, teste, algo no qual precisamos nos dar bem. Obviamente que ao pensar em avaliação física seu paciente imagina que precisa tirar uma “boa nota” e passar.

Na verdade, nós queremos usar esse momento para ver todos seus erros e problemas, mas ele não compreende isso. Mesmo que você gaste horas para explicar, seu corpo ainda irá se tensionar e movimentar de maneira diferente.

Portanto, devemos aproveitar outros momentos quando ele não está sob a tensão da avaliação. E esses momentos começam quando você dia “bom dia” ou “boa tarde” e ele passa pela porta. Observe qualquer detalhe que possa indicar uma compensação ou desequilíbrio muscular. Sinais de problemas viscerais também são importantíssimos.

Às vezes é algo na maneira de andar e falar. Talvez, ao sentar ele ajuste uma perna para evitar dor ou um pequeno movimento cause reação de desconforto.

Mesmo durante a análise de seu corpo, devemos ficar atentos ao momento que o indivíduo relaxa. É impossível manter a tensão excessiva do corpo por muito tempo. Alguma hora a pessoa para e respira ou conversa com você e deixa os desequilíbrios aparecerem.

Um dos maiores erros que qualquer profissional pode fazer é limitar sua avaliação. Se você só vai realmente observar o aluno durante as posições de avaliação postural, provavelmente deixará muita coisa passar.

Recomendo adotar um olhar mais atento que consiga identificar corretamente os problemas do seu paciente.

Se possível, mantenha esse olhar sempre. Precisamos manter uma avaliação contínua que nos mostre o progresso do indivíduo. Apesar das avaliações posturais e dinâmicas serem essenciais, elas são incompletas.

4. Encurtar a Entrevista

Como profissionais do movimento, queremos apressar a avaliação para chegar na parte que mais nos interessa: o movimento em si.

Mas quem disse que a entrevista não é importante ou pode ser ignorada? Ela deve ser feita com cuidado e detalhadamente, não importa se toma bastante tempo da sua aula.

Durante a entrevista, o profissional entende quais são os objetivos, preocupações e problemas do aluno. Podemos também aproveitar o momento algumas características sutis relacionadas ao movimento.

Todo aluno possui gestos específicos, uma maneira de sentar própria, expressão facial e algumas vezes até mostram dor. Precisamos anotar todos os detalhes para conseguir realmente entender seu problema.

Existem cadeias musculares com importantes influências na cabeça. Portanto, é preciso avaliar cada movimento seu enquanto fala.

Sabe algo que muitos esquecem? Detalhes como aparelhos corretivos nos dentes são incrivelmente importantes. O aparelho impõe forças nos dentes e crânio que podem influenciar outros desequilíbrios.

Outro detalhe importante: o aluno provavelmente vai te dizer que tudo está bem quando não está. Não leve o aluno a mal, talvez ele só tenha esquecido de mencionar algum detalhe. Por isso, nossas perguntas precisam ser extremamente detalhadas.

Uma pergunta bastante comum com problema é quando queremos saber de problemas pulmonares. O paciente dificilmente lembra algo que aconteceu há alguns anos. Mas, sabemos que o corpo possui uma potente memória muscular. É possível que problemas antigos ainda afetem seus desequilíbrios. Então continue questionando e insistindo até obter resultados.

Os problemas viscerais são especialmente importantes para compreender os desequilíbrios musculoesqueléticos. Como o corpo obedece às leis de conforto, economia e equilíbrio, as vísceras são sempre prioridade. Problemas viscerais podem ser o início do desequilíbrio que causou alguma dor ou patologia.

Agora pense que você deixou de fazer perguntas detalhadas, ouviu o “nunca tive esse problema” do aluno e continuou para os exercícios. Vai ignorar uma série de compensações que talvez sejam a chave para resolver o problema.

Esse foi o último dos erros na avaliação postural.

Conclusão

Erros na avaliação postural colocam todo seu tratamento à perder.

O corpo é um complexo organismo feito da junção de inúmeros pequenos detalhes. Quando acabamos ignorando um ou outro, podemos estar deixando de ver o causador de uma patologia. Além disso, o corpo é composto por sua integridade.Isso quer dizer que ele deve ser avaliados como um todo, incluindo conhecimento de aspectos viscerais.